Scielo RSS <![CDATA[Cadernos Nietzsche]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=2316-824220190001&lang= vol. 40 num. 1 lang. <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[What Nietzsche read and what he did not read]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2316-82422019000100009&lng=&nrm=iso&tlng= Resumo O principal objetivo deste artigo é explorar a complexa e multivariada condição de Nietzsche como leitor. Nesse sentido, em primeiro lugar lançam-se luzes sobre suas informações de leitura, nem sempre confiáveis, externadas em sua própria obra, nos fragmentos póstumos, nas cartas, em testemunhos de terceiros, em sua biblioteca preservada e na não preservada, em aquisições e em empréstimos a bibliotecas. Num segundo momento propõem-se fases de leitura desde o Nietzsche adolescente, estratégias de leitura, seu processo de libertação e autoestilização como leitor. Já no âmbito das esferas de leituras, aborda-se o Nietzsche leitor de filologia, das ciências, do mundo e da própria cultura. Por fim, ao questionar o modo como Nietzsche foi leitor de si mesmo, acena-se para a questão de como sua atitude de leitura se torna dispositivo para ele próprio pensar e escrever sua obra, fazendo valer a exortação inicial, de que para compreender o Nietzsche filósofo é necessário ter em mente a quem ele está a responder.<hr/>Abstract The main purpose of this article is to explore the complex and multifarious condition of Nietzsche as a reader. Thus, in the first place the text clarifies the various character of informations about reading, not always reliable, expressed in his very work, in the notebooks, in the letters, by testimony of third parties, in his preserved library and in the not preserved library, in purchases and in borrowing from libraries. At a second moment, the article put forward reading phases since the very young Nietzsche, reading strategies, his freeing process and his self-stilization as a reader. In the scope of reading spheres, the article adresses Nietzsche as a philology reader so much as a reader of scientific texts, and a reader of the world, of culture. Lastly, on questioning how Nietzsche became a reader of himself, the text nods to the question of how his attitude towards reading devolves into a way of thinking and reading his very work, in this manner asserting the initial claim, namely, to understand Nietzsche the philosopher we must bear in mind whom is he talking to. <![CDATA[“The Alchimist of Values”. The Letters of Late Nietzsche (1885-1889)]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2316-82422019000100044&lng=&nrm=iso&tlng= Resumo Este artigo tem como objetivo analisar as cartas de Nietzsche, questionando se podemos legitimamente considerá-las como veículo de compreensão e interpretação de sua obra. Embora as cartas sejam inevitavelmente contaminadas por seu contexto, agora é geralmente aceito que elas não podem ser consideradas “parasitas” nas obras de seus autores, mas são “parte integrante de sua máquina de escrever ou expressar” (Deleuze-Guattari). Não se trata de interpolar ou interpretar a gênese e o conteúdo das obras a partir da pressão dos elementos biográficos, mas sim de utilizar as cartas como uma espécie de esquema hermenêutico, para melhor compreender a representação de si mesmo de um autor, as intenções subjacentes de suas obras, e captar seus elementos estilísticos e recursos argumentativos, que as obras inevitavelmente transformam.<hr/>Abstract This paper aims to analyze the letters of Nietzsche, questioning if we can legitimately regard them as a vehicle for understanding and interpretation his work. Although letters are inevitably tainted by their context, it is now generally accepted that they cannot be thought of as “parasitic” on the works of their author, but are an “integral part of his machine for writing or expression” (Deleuze-Guattari). It is not a question of interpolating or interpreting the genesis and contents of the works with the pressure of biographical elements, so much as using the letters as a sort of hermeneutic scheme, the better to understand an author’s representation of himself, the underlying intentions of his works, and to grasp their stylistic elements and argumentative resources, which the works inevitably transform. <![CDATA[Culture and Economy in Nietzsche]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2316-82422019000100067&lng=&nrm=iso&tlng= Resumo Discuto a possibilidade de superar a dominação por meio de uma diferenciação entre duas distintas abordagens econômicas da animalidade do ser humano, as quais correspondem aos modos contrastantes de politizar a vida na cultura e na civilização. Ao passo que a economia da civilização representa um tratamento exploratório da animalidade, cujo objetivo é a autopreservação do grupo ao preço de normalizar o indivíduo, a economia da cultura denota uma abordagem não exploratória da animalidade, dirigida para a pluralização de formas de vida inerentemente singulares. Uma análise dessas economias revela que a cultura não pode ser alcançada por meio de uma política de dominação e exploração.<hr/>Abstract I discuss the possibility of overcoming domination by differentiating between two different economical approaches to the animality of the human being which correspond to the contrasting ways of politicizing life in culture and in civilization. While the economy of cilization representes an exploitative approach to animality, whose aims is the self-preservation of the group at the cost of normalizing the individual, the economy of culture stands for a nonexploitative approach to animality directed towards the pluralization of inherently singular forms of life. An analysis of these economies shows that culture cannot be attained through a politics of domination and exploitation. <![CDATA[Exercises of Untimeliness. The Untimely Considerations as Critical Ontology]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2316-82422019000100092&lng=&nrm=iso&tlng= Resumo As quatro Considerações extemporâneas de Nietzsche estão entre os escritos mais negligenciados do autor. Porém, elas constituem o êxito de um projecto inserido numa época crucial do desenvolvimento de Nietzsche como filósofo. A partir, em particular, de uma análise das questões postas na primeira, David Strauss, o devoto e o escritor e na terceira, Schopenhauer como educador, tentar-se-á mostrar duas perspectivas filosóficas que, iniciadas nas Considerações, acompanharão o percurso de Nietzsche até o fim: a de uma “ontologia da atualidade”, segundo a expressão de Foucault, e a de uma filosofia como “maneira de viver”, segundo a expressão de Hadot.<hr/>Abstract Nietzsche’s four Untimely Meditations are a set of works generally rather neglected of this author. They are, however, the outcome of a project placed in a critical situation, along the development of Nietzsche as philosopher. By beginning, particularly, with an analysis of the first Meditation, David Strauss, the Confessor and the Writer, and of the third one, Schopenhauer as educator, we will try to show two philosophical perspectives which, launched in the Meditations, will carry Nietzsche’s path until its end: the path of an “ontology of the modernity”, according with the expression of Foucault, and that of a philosophy as “way of life”, according with the expression of Hadot. <![CDATA[The Philosopher and the Culture: The Philosophy Between Science and Art]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2316-82422019000100124&lng=&nrm=iso&tlng= Resumo Tendo em vista os escritos nietzschianos póstumos, redigidos entre os anos de 1872 e 73, o escopo deste artigo consiste em investigar o lugar e o papel do filosofo na cultura. Analisaremos em que medida Nietzsche pensou a natureza do trabalho filosófico e a complexa relação que a filosofia estabelece com a ciência e com a arte. No que diz respeito aos seus fins edificantes, a filosofia se afasta dos objetivos da ciência, qual seria a produção de conhecimento puro, e se aproxima da meta edificante da arte.<hr/>Abstract In view of the posthumous Nietzschean writings, written between the years 1872 and 73, the scope of this paper is to investigate the place and function of philosopher in culture. We will analyze to what extent Nietzsche thought the nature of philosophical framework and the complex relation that philosophy establishes with science and with art. Regarding its edifying purposes, philosophy departs from the aims of science, which is the production of pure knowledge, and goes towards the uplifting goal of art. <![CDATA[Nietzsche´s Presence in the Intellectual and Literary Production of Albertina Bertha]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2316-82422019000100145&lng=&nrm=iso&tlng= Resumo Neste texto analiso a presença da filosofia de Nietzsche na obra literária e intelectual da escritora carioca Albertina Bertha de Lafayette Stockler (1880-1953). O interesse e a paixão da escritora pelo filósofo alemão são demonstrados em referências, epígrafes e citações do filósofo. A discussão de Nietzsche por Bertha guarda interesse histórico por ser raro uma mulher frequentar fóruns filosóficos em pé de igualdade com homens, no Brasil, à época. Além da célebre conferência de 1914, que virou capítulo do livro Estudos (1920), as noções nietzschianas permeiam os escritos de Albertina Bertha, tanto nos romances, como nos ensaios.<hr/>Abstract In this text I analyze the presence of the philosophy of Nietzsche in the literary and intellectual work of the writer Albertina Bertha de Lafayette Stockler (Rio de Janeiro, 1880-1953). The interest and passion of the writer by the German philosopher is demonstrated in references, epigraphs and quotes of the philosopher. Nietzsche’s discussion of Bertha holds a historical interest in the fact that it is rare for a woman to attend philosophical forums on an equal footing with men in Brazil at the time. In addition to the celebrated 1914 conference, which became the chapter in Estudos (1920), Nietzschean notions permeate the writings of Albertina Bertha, both in novels and essays. <![CDATA[<em>Allemanism</em> in Recife and the First Reception of Nietzsche in Brazil]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2316-82422019000100160&lng=&nrm=iso&tlng= Resumo Este artigo tem por objetivo investigar a primeira recepção da filosofia de Nietzsche no Brasil, que ocorre na Escola de Recife. Para tanto, num primeiro momento, examina de forma histórico-filosófica a formação do movimento intelectual dentro da faculdade pernambucana que, entre seus objetivos, busca construir uma identidade nacional que se distancie do predomínio europeu. Em seguida, analisa a primeira citação explícita de Tobias Barreto de 1876 que acontece em meio a esse momento de efervescência sociocultural e serve de mote para os alunos vindouros, concebendo uma filosofia mais combativa e criativa. Por fim, investiga membros estudiosos germanistas que, além de trazerem obras alemãs para a faculdade pernambucana, acreditaram que elas poderiam fornecer o aperfeiçoamento cultural para o Brasil através do allemanismo.<hr/>Abstract The purpose of this article is to investigate the first reception of Nietzsche’s philosophy in Brazil, which happened at Escola de Recife (Recife’s School). For this purpose, at first, by using a historical-philosophical approach, the article analyzes the formation of the intellectual movement within the Pernambuco faculty, whose goals included to build a national identity which could detach itself from the European predominance. Then, the article analyzes the first explicit quotation by Tobias Barreto in 1876, which came amid this moment of sociocultural effervescence and would become the motto for the future students, conceiving a more creative and combative philosophy. Finally, the article investigates Germanist scholar members who, besides bringing German studies to the Pernambuco faculty, also believed that these could provide Brazil with cultural enhancement through the Germanism. <![CDATA[The Concept of Moral Consciousness as a Key to a Phenomenological Interpretation]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2316-82422019000100193&lng=&nrm=iso&tlng= Resumo O artigo tem por objetivo realizar uma análise do conceito de consciência moral (Gewissen) no pensamento de Nietzsche e mostrar uma conexão entre este conceito e a vontade de potência. Esta relação circunscreve, em seu interior, como conceito derivado, a má consciência (schlechtes Gewissen), e abre um horizonte fenomenológico de interpretação para a vontade de potência.<hr/>Abstract The article intends to analyze Nietzsches concept of conscience (Gewissen), in order to show its connection to the will to power. This relation inscribes in its interior, as derived from it, the bad conscience (schlechtes Gewissen), and thus opens a phenomenological horizon of interpretation of the will to power. <![CDATA[Socrates and the Auto-supression of Socratism in The Birth of Tragedy]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2316-82422019000100220&lng=&nrm=iso&tlng= Resumo O presente artigo discute o estatuto da figura de Sócrates em O nascimento da tragédia. Partindo da hipótese de que é insuficiente tratar de Sócrates apenas como antípoda de Nietzsche, como quer boa parte da fortuna crítica, desenvolvo a tese de que Sócrates é bem mais uma espécie de lente de aumento, a partir da qual o pensador analisa a origem e os desdobramentos modernos da cultura ocidental. Além disso, e principalmente, demonstro que a riqueza de antagonismos de que Nietzsche propositalmente lança mão em suas análises do filósofo grego indica uma de suas primeiras concepções do próprio criar filosófico.<hr/>Abstract The present paper discusses the statute of Socrates’ image in The birth of tragedy. From the hypothesis that it is unsatisfactory to treat Socrates only as Nietzsche’s antipode, as supported by a large number of interpreters, I develop the thesis according to which Socrates is a kind of magnifying glass, by means of which the philosopher analyses the beginning and the modern unfolding of western culture. Besides, and mainly, I demonstrate that the richness of antagonisms deliberately used by Nietzsche to analyze Socrates’ images indicates the one of his first conceptions of the philosophical creation itself.