Scielo RSS <![CDATA[Cadernos Nietzsche]]> http://www.scielo.br/rss.php?pid=2316-824220180001&lang=en vol. 39 num. 1 lang. en <![CDATA[SciELO Logo]]> http://www.scielo.br/img/en/fbpelogp.gif http://www.scielo.br <![CDATA[As noções de história na <em>II Consideração Extemporânea</em> e em <em>Humano, demasiado humano</em>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2316-82422018000100009&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo: A II Consideração extemporânea (1874) e Humano, demasiado humano (1878) são duas obras em que história tem papel central. O objetivo deste artigo é investigar as diferenças na utilidade da história que Nietzsche propõe nesses dois textos. No primeiro, há a pretensão de substituir a ciência histórica hegeliana por três tipos de ciência histórica, cada um deles adequado a certo momento da cultura. No segundo texto, não há propriamente uma ciência histórica, mas uma filosofia com sentido histórico: a ação da história nessa obra é mais radical, tanto na tentativa de superação da metafísica quanto na relação com a vida.<hr/>Abstract: Untimely Meditations II (1874) and Human, All-Too-Human (1878) are two works in which history plays a central role. The purpose of this article is to investigate the differences of the use of the history in these texts. In the first book, there is the pretension of replacing the Hegelian historical science with three types of history, each of which is suitable to a certain moment of culture. In the second text, there is not really a historical science, but a philosophy with a historical sense: the action of history in this work is more radical both in the attempt to overcome metaphysics and in relation to life. <![CDATA[Convergências e divergências entre Nietzsche e a tradição contratualista moderna: a noção nietzschiana de "Estado" nas seções 16 e 17 da segunda dissertação de <em>Genealogia da moral</em>]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2316-82422018000100031&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo: O presente artigo tem por objetivo tentar elucidar as relações entre a tradição contratualista moderna e a noção nietzschiana de "Estado" que está presente na obra Genealogia da moral. Para realizar essa tarefa, iniciaremos pelo exame do argumento de Nietzsche acerca do aparecimento do "Estado", apresentado nas seções 16 e 17 da segunda dissertação do livro citado. Num segundo momento, trazemos um breve resumo dos argumentos de três contratualistas clássicos, a saber, Hobbes, Rousseau e Locke. Essas duas primeiras partes do nosso trabalho servirão como premissas a partir das quais iremos promover a confrontação entre Nietzsche e os contratualistas. Esse procedimento nos dará oportunidade para apresentarmos uma problemática secundária, qual seja, a questão da "sociedade" das "bestas louras" pensada à luz da noção contratualista de pacto.<hr/>Abstract: This article aims at elucidating the relations between the modern contractualist tradition and the Nietzschean notion of "State" that is present inGenealogy of morality. In order to fulfill this task, we shall begin by examining Nietzsche's argument about the emergence of "State," presented in sections § 16 and § 17 from the second dissertation of his book. In a second moment, we shall briefly summarize the position of three classic social contract theorists: Hobbes, Rousseau, and Locke. The first two parts of our work will serve as premises from which we shall promote the confrontation between Nietzsche and contractualists. This procedure will give us the opportunity to present a secondary problem, namely the question of the "society" of the "blond beasts" thought from the contractualist notion of pact. <![CDATA[Perspectivismo e interpretação na filosofia nietzschiana]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2316-82422018000100054&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo: Apesar das poucas referências ao termo, a noção de perspectividade formulada por Nietzsche constitui um pressuposto importante de sua reflexão filosófica. Trata-se de uma noção, como se buscará demonstrar, significativa para a compreensão de muitos posicionamentos teóricos do autor relativos à ciência e ao conhecimento e decisivamente na interpretação de ambas as noções como perspectivas interpretativas. A argumentação a seguir visa analisar as influências e pressupostos desta noção, evidenciando seu pano de fundo kantiano (neokantiano), schopenhauriano, mas também considerando influências exteriores à filosofia, tal como a física teórica de Ruggero Boscovich, que tem importância decisiva na formulação das noções de perspectividade e interpretação perspectivista na filosofia de Nietzsche.<hr/>Abstract: Although the few references to the term, Nietzsche's notion of perspectivism is an important assumption of his philosophical reflection. It is a notion, as it will be tried to demonstrate, significant for the understanding of many theoretical positions of the author concerning science and knowledge and decisively for the interpretation of both notions as interpretative perspectives The following argument aims to analyze the influences and assumptions of this notion, highlighting its Kantian (Neokantian), Schopenhaurian background, but also considering influences outside of philosophy, such as Ruggero Boscovich's theoretical physics, which plays a decisive role in the formulation of the notions of perspectivism and perspectivist interpretation in Nietzsche's philosophy. <![CDATA[Da crítica de Nietzsche ao sujeito ao sujeito de sua crítica]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2316-82422018000100093&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo A ambiguidade do título deste artigo reflete o caráter multifacetado de um problema que tem no seu horizonte, por um lado, a dura crítica de Nietzsche ao sujeito e, por outro, as possibilidades abertas por essa crítica, seja na direção de um sujeito plural, tese claramente delineada nos escritos de Nietzsche, seja no sentido de um sujeito ficcional, que aparece em seus textos contrariando a ideia de sujeito criticada por ele. Tendo em vista, portanto, o caráter controverso da questão, o propósito deste estudo é apontar alguns traços centrais da crítica de Nietzsche ao sujeito no intuito de mostrar que é justamente a partir dessa crítica que são delineadas novas possibilidades para pensar e utilizar a ideia de sujeito em seus escritos.<hr/>Abstract The ambiguity of the title of this article reflects the multifaceted character of a problem that has in its horizon, on the one hand, Nietzsche's harsh critic of the subject and, on the other hand, the possibilities opened by this critic, either in the direction of a plural subject, a thesis clearly delineated in Nietzsche's writings, or in the sense of a fictional subject, that apears in the text of the philosopher, clearly contradicting the idea of subject criticized by him. Considering, therefore, the controversial character of the question, the purpose of this study is to point out some central features of Nietzsche's critique of the subject in order to show that it is precisely from this critique that is precisely from this critique that new possibilities are outlined to think and use the idea of subject in his writings. <![CDATA[Proposições nietzschianas para pensar a questão animal]]> http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2316-82422018000100120&lng=en&nrm=iso&tlng=en Resumo: No parágrafo 7 do livro I de A gaia ciência, intitulado “Algo para homens trabalhadores”, Nietzsche indica um “programa de trabalho” para a nova ciência alegre, programa que afasta a filosofia dos lugares habituais a que está habituada, pondo-a em relação com as condições históricas, culturais e fisiológicas. Do mesmo modo, fala-se em A gaia ciência de uma “história natural do animal”, e dado o vínculo existente entre o nascimento da moral e nossa relação com os animais (tal como se indica em Humano, demasiado humano II, 57) considero que parte desse trabalho para laboriosos na época atual deve realizar-se em relação à questão animal. Delinearei, então, algumas proposições da filosofia nietzschiana para pensar esse tema, sobretudo desde a crítica e a denúncia daqueles prejuízos humanistas que seguem formando parte “naturalizada” de nosso vínculo com os animais.<hr/>Abstract: In The Gay Science, Book I, Aphorism 7, which is entitled “Something for the industrious”, Nietzsche points to a “work program” to the new gay science, programm that move away philosophy from usual places with which it is familiar. Likewise, in The Gay Science there are mentions about a “natural history of the animal” and, given the link between the birth of moral and our relation with animals (as observed in Human, all too Human II, 57), I consider that part of “this something” for the industrious in present times must be carried out regarding the animal issue. Then I will outline some propositions from Nietzschean philosophy in order to think this subject, mainly on the basis of the criticism and complaint of those humanists prejudices that continue to form a “naturalized” part of our link with animals.