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vol.56 issue2ASPECTOS MORFOANATÔMICOS DE FRUTOS DE TOMATEIRO CULTIVAR ÂNGELA GIGANTE, SUBMETIDOS A TRATAMENTOS COM REGULADORES VEGETAISA RIFAMPICINA NA DESCONTAMINAÇÃO BACTERIANA DE EXPLANTES DE MAMOEIRO PROVENIENTES DO CAMPO author indexsubject indexarticles search
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Bragantia

Print version ISSN 0006-8705On-line version ISSN 1678-4499

Bragantia vol. 56 n. 2 Campinas  1997

http://dx.doi.org/10.1590/S0006-87051997000200002 

BIORREGULADORES NA MORFOLOGIA E NA PRODUTIVIDADE DE FRUTOS DE TOMATEIRO CULTIVAR ÂNGELA GIGANTE (1)

 

MARIA BERNADETE GONÇALVES MARTINS(2) e PAULO ROBERTO DE CAMARGO E CASTRO(3)

 

 

RESUMO

O presente trabalho teve como finalidade observar aspectos morfológicos dos frutos de tomateiro, Lycopersicon esculentum Mill. cv. Ângela Gigante, submetidos à ação de biorreguladores, com ou sem adubação adicional, e determinar as possíveis alterações na produtividade. Foram desenvolvidos, em casa de vegetação, em épocas distintas, dois ensaios. As mudas foram selecionadas e transplantadas para vasos com capacidade de 12 L de terra, contendo uma mistura de solo argiloso, areia, matéria orgânica e uma adubação mineral complementar de N, P, K. No segundo ensaio, após o transplante das mudas, além da adubação mineral complementar de N, P, K, efetuaram-se adubações adicionais (fertirrigação). Em ambos os ensaios, quando as plantas atingiram quatro folhas definitivas, realizaram-se as pulverizações com GA3 50 mg/L; NAA 100 mg/L; CCC 1.500 mg/L e SADH 3.000 mg/L. Realizaram-se, nos dois ensaios, quatro coletas de frutos maduros por planta. De modo geral, para o primeiro, o tratamento com CCC mostrou tendência em aumentar o número e a massa total de frutos por planta em relação à testemunha e aos demais tratamentos, enquanto o tratamento com NAA obteve efeito contrário. O ensaio com fertirrigação adicional não provocou alterações significativas na produção de frutos; no entanto, no tratamento com SADH, ocorreu maior incidência de anomalias. O tratamento com GA3 ocasionou, em alguns frutos, a maturação precoce da placenta em relação ao pericarpo e eventuais formações de frutos geminados. Não se observaram diferenças morfológicas significativas em relação ao comprimento e ao diâmetro médio de frutos provenientes do primeiro ensaio, porém frutos de plantas tratadas com CCC e de plantas testemunha, provindos do segundo ensaio, mostraram maior diâmetro.

Termos de indexação: tomateiro, Lycopersicon esculentum Mill., reguladores vegetais, produção.

 

ABSTRACT

BIOREGULATORS ON THE MORPHOLOGY AND PRODUCTIVITY OF TOMATO FRUITS, CV. ÂNGELA GIGANTE

The objective of the present work was to observe some morphological aspects of the fruits of Lycopersicon esculentum Mill. cv. Ângela Gigante, treated with plant growth regulators, with or without additional fertilizers, as well to determine the effects on the productivity. Two assays were conducted in the greenhouse: (1) in the first, the seedlings were selected and transferred to 12 L capacity pots, containing a mixture of clayey soil, sand, organic matter and a complementary N, P, K mineral fertilizing; (2) in the second after the seedling transfer, besides the N, P, K fertilizing, a supplementary fertirrigation was carried out with the objective of verifying the effect on fruit production. In both assays after the plants had developed four definitive leaves, they were sprayed with GA3 50 mg/L; NAA 100 mg/L; CCC 1,500 mg/L and SADH 3,000 mg/L. Four fruit harvests per plant were carried out in both assays. The treatment with CCC without fertirrigation, tended to increase the number and the total weight of ripe fruits per plant in each of the four harvests. The additional fertirrigation did not change significantly fruit yield in the different treatments, when compared to the control. The treatment with GA3 induced early maturation of placenta in relation to the pericarp. Geminated fruits were observed in plants treated with growth promoters and the formation of anomalous fruits in those treated with growth retardants.

Index terms: tomato plant, Lycopersicon esculentum Mill., plant growth regulators, production.

 

 

1. INTRODUÇÃO

A indústria de processamento do tomate no Brasil iniciou-se durante a Segunda Guerra Mundial e se desenvolveu rapidamente de 1972 em diante, em vista de uma elevada procura no mercado mundial dos produtos derivados do tomate. Com isso, as indústrias brasileiras responderam, rapidamente, ao estímulo, provocando grande expansão na cultura do tomate e na capacidade do processamento.

Hoje, são inúmeros os cultivares de tomate existentes no mercado, em uma separação em dois grupos: para indústria e para mesa. Segundo Nagai (1979), o cultivar de tomate (Lycopersicon esculentum Mill.), denominado Ângela, tem como principal característica a resistência ao vírus Y (risca de toma-teiro). Sua grande aceitação no mercado, no entanto, deve ser atribuída à qualidade dos frutos e à boa produtividade.

O crescimento das plantas é grandemente influenciado pelo uso de reguladores vegetais que podem alterar diferentemente os órgãos das plantas, influenciando seu porte final. Alterando o crescimento de partes da planta, podem afetar a produção de matéria seca e, conseqüentemente, a produtividade.

Appezzato & Castro (1983), estudando o efeito do CCC e do SADH aplicados em plântulas, na produtividade do tomateiro cv. Ângela, observaram que o tratamento com CCC 1.000 mg/L, em duas aplicações, aumentou significativamente a produção.

Raghava & Raghava (1994) verificaram o efeito de diferentes reguladores vegetais na produção de frutos de espécies selvagens de tomate, concluindo que IAA 200 mg/L aumentou-a notavelmente.

Hathout et al. (1993) observaram que a pulverização de IAA 10 mg/L induziu a floração e a frutificação em plantas de tomateiro e aumentou o número e a massa dos frutos.

Singh et al. (1991) verificaram que a aplicação exógena foliar de Cycocel (CCC) melhorou o tamanho e a massa dos frutos de Lycopersicon esculentum cv. Pusa Ruby.

O objetivo do trabalho foi avaliar os efeitos da utilização de biorreguladores, com ou sem adubação adicional, na produção de flores e frutos por planta e observar aspectos morfológicos dos frutos de tomateiro `Ângela Gigante'.

 

2. MATERIAL E MÉTODOS

Utilizaram-se, no presente trabalho, tomateiros (Lycopersicon esculentum Mill. cv. Ângela Gigante) com hábito de crescimento indeterminado, excelente uniformidade e alta produtividade. Sua grande aceitação no mercado (consumo in natura) é atribuída à qualidade dos frutos, de excelente coloração vermelha, e a sua boa produtividade, mais do que a sua resistência a doenças. Desenvolveram-se, em épocas distintas, dois ensaios. Para estudar a ação de reguladores vegetais na morfologia e na produtividade de tomateiros, os experimentos foram instalados em casa de vegetação, no Horto Experimental do Departamento de Botânica, da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz".

Para o primeiro ensaio, efetuou-se a semeadura de tomateiros em caixas de plástico contendo terra esterilizada. Catorze dias após a semeadura, selecionaram-se as mudas mais vigorosas, transplantando-as em vasos com capacidade para 12 L de terra, constituída de uma mistura de solo argiloso, areia e matéria orgânica (2:1:1), e de uma adubação mineral complementar de N, P, K (12:14:8), 10 gramas por vaso. Foram aplicados, semanalmente, o inseticida Folidol 10 mL/ 10 L de água e o fungicida Cobre Sandoz 15 g/10 L de água e transplantadas três mudas por vaso, sendo duas plantas utilizadas para os estudos organográficos e, uma, para a análise da produtividade.

No segundo ensaio, após as mudas vigorosas serem transplantadas em vasos, além da adubação mineral complementar de N, P, K (12:14:8) 10 g por vaso, efetuaram-se adubações adicionais em seis dias alternados, após o transplante com Nitrex + uréia 0,3% + MS3 15 g/100 L de água e após 40 dias do transplante com Nitrex MG 200 mL/100 L de água, além da aplicação de inseticida + fungicida semanalmente.

Em ambos os ensaios, quando as plantas atingiram o estádio de quatro folhas definitivas, realizaram-se as pulverizações com giberelina (KGA 2%, Gibrel), também denominada de GA3, na concentração de 50 mg/L; auxina (NAA 20%, Nafusaku), ácido naftalenacético, NAA 100 mg/L; chlormequat (Cycocel 50%), cloreto (2-cloroetil) trimetilamônio, CCC 1.500 mg/L e daminozide (B-9, 85%, da Uniroyal), ácido succínico-2,2-dimetil-hidrazida, SADH 3.000 mg/L, além da testemunha. Foi utilizado o espalhante adesivo Novapal 0,1% em todas as soluções.

O delineamento estatístico de ambos os ensaios foi inteiramente casualizado, tendo-se cinco tratamentos com dez repetições. Os dados foram submetidos à análise da variância, sendo as comparações de médias efetuadas através do teste de Tukey a 5% de probabilidade. A adubação adicional do segundo ensaio teve por objetivo verificar alterações na produção de frutos.

No primeiro, efetuaram-se as análises morfo-lógicas de pendões florais e frutos no dia da aplicação dos reguladores vegetais (DT) e aos 10 e 20 dias após o tratamento (DAT), utilizando-se dez plantas marcadas de cada tratamento.

A avaliação da produtividade foi efetuada mediante contagem do número de pendões florais (p.f.) e do número de frutos em formação (f.f.) por planta aos 47 e aos 61 DAT.

A seguir, efetuaram-se quatro coletas de frutos maduros por planta, em intervalos de oito dias, com 75, 83, 91 e 99 DAT. Essas coletas foram realizadas com plantas dos dois ensaios, determinando-se: número e massa total de frutos; massa média, comprimento e diâmetro médios de frutos; espessura do pericarpo e diâmetro da placenta.

Os dados de comprimento, diâmetro e espessura foram obtidos com auxílio de régua milimétrica e paquímetro e, a massa, aferida em balança semi-analítica com sensibilidade de 0,01 g. A suculência e a viscosidade dos frutos foram verificados visualmente, por meio de cortes transversais dos frutos na região mediana com observação no pericarpo, placenta e septo. Para detectar pectinas e mucilagem, utilizou-se vermelho-de-rutênio dissolvido em água (Johansen,1940) e solução aquosa e alcoólica de azul-de-metileno a 0,5% (Salatino & Silva, 1975).

 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

No primeiro ensaio, o número de pendões florais e de frutos em formação de tomateiros aos 47 e aos 61 DAT tratados com GA3, NAA, CCC e SADH mostraram diferenças significativas ao nível de 5%. Aos 47 DAT, o número de pendões florais foi mais elevado em plantas tratadas com retardadores vegetais (CCC e SADH). Aos 61 DAT, somente o tratamento com SADH obteve maior número de pendões florais por planta em relação a NAA (Quadro 1). O número de frutos em formação aos 47 DAT mostrou-se inferior nos tratamentos com NAA e GA3; aos 61 DAT, foi mais baixo nas plantas tratadas com SADH, NAA e GA3 (Quadro 1). Parece haver uma tendência dos retardadores vegetais (CCC e SADH) em diminuir o porte da planta e elevar o número de pendões florais por planta, enquanto NAA e GA3 parecem gastar maior energia na produção de órgãos vegetativos do que na emissão floral.

 

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Segundo Wittwer & Tolbert (1960), a aplicação de CCC em tomateiro alterou marcadamente o crescimento e promoveu florescimento precoce. As plantas tratadas desenvolveram caules grossos, entrenós curtos e com florescimento precoce e mais produtivo. Bukovac & Wittwer (1957) observaram os efeitos contrastantes entre os tratamentos com CCC e GA3 no crescimento e no florescimento de tomateiros, verificando que a altura dos cachos florais foi aumentada com GA3 e decrescida com CCC.

Os efeitos dos reguladores vegetais sobre a morfologia de frutos, biometria e análise da produtividade foram observados em quatro coletas de frutos do primeiro e do segundo ensaio, pela análise da variância e pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Frutos obtidos em quatro coletas do primeiro ensaio não mostraram diferenças morfológicas significativas em relação ao comprimento e ao diâmetro médio dos frutos entre os tratamentos utilizados (Quadro 2).

 

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Apesar de não terem sido observadas diferenças significativas ao nível de 5%, para comprimento e diâmetro médio de frutos por plantas (1o ensaio), os tratamentos com GA3 e NAA tenderam a produzir frutos menores quando comparados à testemunha e aos demais tratamentos (Figura1 A-C).

 

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Figura 1. Frutos de Lycopersicon esculentum Mill. cv. Ângela Gigante, oriundos de plantas submetidas aos efeitos dos tratamentos com reguladores vegetais (1o ensaio).
A: frutos provenientes da 2a coleta; B-C: frutos provenientes da 3a coleta.

 

As giberelinas e auxinas têm um efeito sinérgico no crescimento de tomateiros. Luckwill (1959), empregando os dois reguladores ao mesmo tempo, obteve frutos duas vezes maiores que aqueles provenientes da aplicação de qualquer desses reguladores vegetais em separado, indicando que ambos afetam o crescimento dos frutos. Starck & Ciesla (1989), estudando plantas de tomateiro `Roma' e `Robin' cujas flores foram pulverizadas com (NOA) + GA3, observaram que, em ambos os cultivares, foi estimulado o crescimento dos frutos. Egea-Cortines & Mizrah (1993) verificaram que a aplicação de NAA em toma-teiros cultivar F 121, após a polinização, induziu a formação de frutos .

No segundo ensaio, com adubação adicional, não houve diferença significativa em relação ao comprimento médio dos frutos maduros, porém, sim, quanto ao diâmetro médio dos frutos. Plantas tratadas com NAA produziram frutos de menor diâmetro quando comparadas à testemunha (Quadro 3).

 

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Os tratamentos com retardadores vegetais (CCC e SADH) produziram frutos firmes; entretanto, em alguns frutos em seção transversal, observou-se uma perda de viscosidade e atrofia de sementes, principalmente naqueles de plantas tratadas com SADH (Figura 1 A, C e Figura 3 E).

Observou-se a formação de alguns frutos geminados com dois e três lóculos (Figura 2 A-B) e de alguns frutos tetraloculares ( Figura 2 C ), em plantas tratadas com GA3 50 mg/L. No primeiro e no segundo ensaio, houve predominância de frutos biloculares para todos os tratamentos. Observou-se, ainda, em alguns frutos, a maturação precoce da placenta em relação ao pericarpo (Figura 2 C).

 

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Figura 2. Frutos provenientes de plantas de Lycopersicon esculentum Mill. cv. Ângela Gigante, tratados com GA3 50 mg/L (2a coleta, 2o ensaio).
A e B: fruto geminado; B: Corte transversal do fruto; C: Corte transversal do fruto (bilocular, trilocular e tetralocular).

 

 

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Figura 3. Frutos provenientes de plantas de Lyco-persicon esculentum Mill. cv. Ângela Gigante, tratados com reguladores vegetais (2a coleta, 2o ensaio). A-D: CCC 1.500 mg/L; E - SADH 3.000 mg/L.

 

Os reguladores vegetais têm sido comumente relacionados com o desenvolvimento dos órgãos sexuais. As auxinas (Galum et al., 1963) e as substâncias que liberam etileno estão associadas com a estimulação de órgãos femininos, ao passo que as giberelinas participam da iniciação e desenvolvimento de estames (Phatak et al., 1966). Sawhney & Greyson (1971) verificaram que a aplicação de ácido giberélico, em pré-florescência do tomateiro, estimulou um aumento significativo no número de carpelos e lóculos por ovário. No cultivar Vantage, o número de lóculos dobrou devido ao tratamento, ao passo que, no `Viceroy', houve um aumento de 30%. Segundo Castro & Inoue (1977), o efeito da aplicação de reguladores vegetais em pré-florescência no número de lóculos por ovário, de tomateiros Miguel Pereira, apesar de a aplicação de IAA, CCC e GA3 não produzir número significativamente maior de frutos triloculares em relação ao controle, o GA3 apresenta ligeira tendência de elevar o número de frutos triloculares com relação ao controle, IAA e CCC. Os frutos obtidos no presente trabalho, provenientes de plantas tratadas com GA3, pulverizadas no estádio inicial do desenvolvimento, também apresentaram tendência em aumentar o número de lóculos (Figura 2 A-C).

Frutos oriundos de plantas testemunha, em seção transversal, apresentaram-se com pericarpo, placenta e sementes desenvolvidas, mostrando suculência no fruto (Figura 1 A e C).

Houve diferença em plantas do segundo ensaio, em relação aos valores médios de diâmetro da placenta e da espessura do pericarpo nos tomateiros tratados com GA3, NAA, CCC e SADH. O tratamento com SADH provocou aumento na espessura do pericarpo em relação às plantas tratadas com NAA e tendeu a aumentar o diâmetro da placenta dos frutos (Quadro 4).

 

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Singh & Singh (1993), em experimentos com tomateiros cv. Pusa Ruby e Pant T3, notaram que o tratamento com 2,4-D aumentou o diâmetro dos frutos, o volume e o número de frutos por planta quando comparado ao controle.

Plantas tratadas com CCC formaram frutos morfologicamente normais; no entanto, alguns frutos, em seção transversal, apresentaram placenta e sementes pouco desenvolvidas (Figura 3 B). As sementes revelaram-se atrofiadas, apesar de apresentarem embrião.

Plantas tratadas com SADH formaram frutos morfologicamente de boa qualidade e coloração, porém alguns, em seção transversal, apresentavam espaços aparentemente rexígenos, provenientes da ruptura dos tecidos da placenta, que, provavelmente, não acompanharam o desenvolvimento do fruto (Figura 3 E). Atravessando esses espaços, observou-se a presença de funículos soltos (Figura 3 E); o mesmo ocorreu em frutos do tratamento com CCC (Figura 3 B). Esses resultados são contrários aos obtidos por Bryan & Read (1972), que notaram redução na ocorrência de anomalia fisiológica em tomateiros tratados com SADH.

Kim & Jeong (1996) observaram que a aplicação floral de GA3 durante o desenvolvimento de três cultivares de tomate (Momotaro, Seokwang e Wolkwang), provocou o aparecimento de frutos anômalos.

Os efeitos dos biorreguladores sobre a produtividade foram analisados no primeiro ensaio, em quatro coletas, notando-se diferenças significativas ao nível de 5% entre os parâmetros: número e massa total de frutos maduros por planta e em relação à massa média de frutos por planta, para os diferentes tratamentos utilizados (Quadro 5 ). O tratamento com CCC tendeu a aumentar o número, a massa total e dos frutos, para o primeiro ensaio, sendo que NAA tendeu a reduzir o número e a massa total dos frutos (Quadro 5). Castro & Malavolta (1976) verificaram que CCC, SADH, CEPA e GA3 não afetaram a massa total e o número de frutos das plantas tratadas. Observaram que a aplicação de SADH e GA3 reduziu a massa média dos frutos do tomateiro. Appezzato & Castro (1983) observaram o flores-cimento de tomateiros `Santa Cruz', sob ação de retardadores vegetais, e constataram que plantas tratadas com CCC revelaram comportamento semelhante ao controle. Raghava & Raghava (1994) concluíram que IAA 200 mg/L teve um efeito notável na produção de frutos de espécies selvagens de tomate.

 

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Conforme Budykina et al. (1980), tomateiros tratados com CCC tiveram o florescimento adiantado por uma a duas semanas. Neste trabalho, o tratamento com CCC (primeiro ensaio) não alterou a época da floração; no entanto, houve tendência em aumentar o número de pendões florais e a produção de frutos por planta (Quadros 1 e 5). Segundo Hathout et al. (1993), tomateiros pulverizados uma ou duas vezes com IAA 10 mg/L induziram a floração e a frutificação, aumentando o número e massa dos frutos. Elevando, porém, a concentração (IAA 80 mg/L), obtiveram efeito inibitório.

Shul'gina & Andrienko (1980) observaram aumentos na produção precoce e total de tomateiros com a utilização de CCC. Para Appezzato & Castro (1983), aplicações com CCC não afetaram os parâmetros referentes ao número e à classificação dos frutos do cv. Santa Cruz, porém Bhujbal & Patil (1973) obtiveram aumento no número de frutos de tomate por planta e melhor qualidade desses.

Bhujbal & Patil (1973) observaram que a aplicação de CCC 1.000 mg/L, em tomateiros, uma semana após o transplante, aumentou o número de frutos por planta, com melhor qualidade. Amorov (1978), realizando tratamento com CCC em tomateiros, no momento do transplante, verificou maior produção nas plantas tratadas.

Singh et al. (1991) observaram que a aplicação exógena foliar de CCC melhorou o tamanho e a massa de frutos de tomate, com aumento na suculência dos frutos.

Prasadji & Sitaramaiah (1992) observaram que CCC 500 mg/L, aplicado ao solo, elevou a produção de tomates no verão.

Tomateiros tratados com SADH ocasionaram um atraso na floração e, conseqüentemente, na produção. A produtividade para esse tratamento aumentou na quarta coleta.

O percentual calculado para a terceira coleta foi de 23% para a testemunha; 23% para GA3; 18% para NAA; 30% para CCC e 6% para SADH.

Appezzato & Castro (1983), pesquisando o modelo de florescimento de tomateiros `Santa Cruz,' constataram que tratamentos com Sadh retardaram o ponto de máximo florescimento em relação ao controle e que a aplicação de SADH não influiu na produção média e total dos frutos. Read & Fieldhouse (1970), além de Taha et al. (1975), verificaram que aplicações de SADH em tomateiros promoveram aumentos significativos na produção. Bryan & Read (1972) observaram que a produção total de plantas tratadas com SADH foi 58% superior ao controle, e Castro & Malavolta (1976), que sua aplicação não afetou a massa total dos frutos, porém reduziu sua massa média.

Dimri et al. (1988) observaram os efeitos do SADH a 500, 1.000 e 1.500 mg/L, pulverizados em plantas de Lycopersicon esculentum Mill. cv. Chaubattia Red, concluindo que as altas taxas de SADH alcançaram maior produção e maior média de massa de frutos.

Neste trabalho, a pesquisa do modelo de produção de frutos de tomateiro por planta tratada com SADH revelou certa tendência de o ponto de máxima colheita ser retardado. Para Taha et al. (1975), a aplicação de SADH atrasou o desenvolvimento dos frutos de tomateiros e, para Bryan & Read (1972), concentrou a produção dos frutos no meio da época da colheita. Entretanto, Johnson (1977) considerou que o tratamento com SADH em tomateiros produziu frutos precocemente e com excelente maturação.

Pisarczyk & Splittstoesser (1979) notaram que SADH e CCC, aplicados em tomateiro no estádio de duas folhas, retardaram o crescimento das plantas por duas semanas; o tratamento com CCC não afetou a produção de frutos, porém o com SADH 10.000 mg/L aumentou o número de frutos por planta.

A análise da média de produtividade, para o segundo ensaio, onde foi realizada uma adubação adicional, mostrou não haver diferenças significativas entre os tratamentos utilizados em relação ao número e à massa total de frutos obtidos em quatro coletas (Quadro 6).

 

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O percentual calculado para a segunda coleta foi de 12% para a testemunha; 20,5% para GA3; 2,9% para NAA; 35,3% para CCC e 29,3% para SADH. O percentual foi calculado na segunda coleta, em virtude de esta ter sido a mais elevada em termos quantitativos (dados não apresentados).

De modo geral, o tratamento com CCC 1.500 mg/L, no primeiro ensaio, tendeu a aumentar o número, a massa total e a massa média dos frutos por planta, porém alguns frutos internamente apresentaram anomalias (Quadro 5). No segundo ensaio, a adubação adicional não interferiu na produtividade das plantas (Quadro 6); contudo, para o tratamento com SADH, houve maior incidência de anomalias nos frutos, provavelmente por ter ocorrido uma interação tratamento/adubação (Figura 3 E).

Hathout et al. (1993) observaram o efeito do IAA em diferentes concentrações (10, 20, 40 e 80 mg/L) no metabolismo de tomateiros, concluindo que a atividade da auxina na absorção de elementos minerais foi máxima, quando utilizada na menor concentração (10 mg/L).

Prasadji & Sitaramaiah (1992) observaram que o tratamento com Lihocin (2-chloroethyl) 2-trime-thylammonium chloride, Cycocel 500 mg/L aplicado no solo aumentou a produção de tomateiros.

Sing et al. (1991) observaram que a aplicação exógena foliar de CCC melhorou o tamanho, a massa e a suculência de frutos de Lycopersicon esculentum Mill. cv. Pusa Ruby.

 

4. CONCLUSÕES

1. Aplicação de GA3 e NAA reduziu o número de frutos em formação do tomateiro `Ângela Gigante', aos 47 DAT.

2. O número de frutos em formação também foi diminuído pelos tratamentos com SADH, NAA e GA3 aos 61 DAT.

3. O diâmetro médio dos frutos maduros foi reduzido pelo tratamento com NAA.

4. Aplicação de NAA diminuiu a espessura do pericarpo, sendo que SADH aumentou o diâmetro da placenta.

5. Plantas tratadas com GA3 50 mg/L apresentaram tendência em produzir frutos geminados com a maturação precoce da placenta em relação ao pericarpo.

6. No segundo ensaio, a adubação adicional não interferiu na produtividade das plantas, porém o tratamento com SADH provocou maior incidência de anomalias nos frutos.

 

AGRADECIMENTO

À Profa. Dra. Graci Mirian Corso, Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista (UNESP), Câmpus de Rio Claro, pela orientação.

 

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(1) Recebido para publicação em 23 de setembro de 1996 e aceito em 30 de setembro de 1997.

(2) Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (IBILCE), Universidade Estadual Paulista (UNESP), Caixa Postal 136, 15054-000 São José do Rio Preto (SP).

(3) Departamento de Botânica, Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", ESALQ-USP, Caixa Postal 9, 13418-900 Piracicaba ( SP).

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