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Revista Brasileira de Enfermagem

Print version ISSN 0034-7167

Rev. bras. enferm. vol.60 no.4 Brasília July/Aug. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-71672007000400015 

PESQUISA

 

Vacina contra Influenza: conhecimentos, atitudes e práticas de idosos em Teresina

 

Vaccine Influenza: knowledge, attitudes and practices of elderly in Teresina

 

Vacuna contra gripe: conocimiento, actitudes y práctica de ancianos en Teresina

 

 

Telma Maria Evangelista de AraújoI; Fabíola Santos LinoII; Dayse Joanne Coutinho do NascimentoIII; Francisca Sora Rodrigues da CostaIV

IDoutora em Enfermagem. Professora Adjunto da UFPI, Teresina, PI e NOVAFAPI. Membro do Núcleo de Estudos em Saúde Pública NESP/UFPI. Endereço para Contato:Rua Território Fernando Noronha, 2050, Bl Fap. 104. Aeroporto. Teresina /PI CEP: 64007-250. telmalys@yahoo.com.br
IIEspecialista em Saúde Pública e Saúde da Família. Professora da Escola São Camilo, Teresina, PI. biolino@yahoo.com.br
IIIEspecialista em Saúde Pública e Saúde da Família. Enfermeira do PSF de São João da Serra, PI. daisyc@hotmail.com
IVEspecialista em Saúde da Família. Enfermeira do PSF de Floriano, PI. sora@yahoo.com.br

 

 


RESUMO

Este estudo objetiva levantar os conhecimentos, atitudes e práticas dos idosos de uma área do Programa de Saúde da Família (PSF) sobre a vacina contra influenza e identificar os motivos que levaram alguns a não se vacinarem. Consiste em um inquérito domiciliar, em uma área do PSF de Teresina, com 74 idosos a partir de 60 anos. Os resultados evidenciaram que não obstante 85,3% tenham conhecimento inadequado sobre a vacina, 89,1% são favoráveis. Os motivos mais freqüentes para a não vacinação foram doença e temor dos eventos adversos. Conclui-se que a atitude favorável a respeito da vacinação pode modificar a prática frente a ela, instaurando comportamento de autoproteção e maior adesão.

Descritores: Idoso; Vacina; Influenza.


ABSTRACT

This objective study to raise the knowledge, practical and attitudes of the aged ones of an area of the Program of Health of Família (PSF) on the vaccine it counts influenza and to identify the reasons that had taken some not to be vaccined. It consists of a domiciliary inquiry, an area of the PSF of Teresina, with 74 aged ones from 60 years. The result had evidenced that even so 85.3% have inadequate knowledge on the vaccine, 89.1% is favorable. The reasons most frequent for the vaccination had not been illness and fear of the adverse events. It is concluded that the favorable attitude regarding the vaccination can modify the practical front it, restoring behavior of self-protection and greater adhesion.

Descriptors: Aged; Vaccine; Influenza.


RESUMEN

Este estudio objetivo para levantar el conocimiento, práctico y actitudes envejecidos de un área del programa de la salud de Familia (PSF) en la vacuna cuenta gripe e identificar las razones que habían tomado alguno para no ser vaccined. Consiste en una investigación domiciliaria, un área del PSF de Teresina, con 74 envejeció unos a partir de 60 años. El resultado había evidenciado que sin embargo 85.3% tienen conocimiento inadecuado en la vacuna, 89.1% es favorable. Las razones más frecuentes para la vacunación no habían sido enfermedad y miedo de los acontecimientos adversos. Se concluye que la actitud favorable con respecto a la vacunación puede modificar el frente práctico él, restaurando el comportamiento de la uno mismo-protección y de la mayor adherencia.

Descriptores: Anciano; Vacuna; Gripe.


 

 

1. INTRODUÇÃO

Os primórdios da vacinação tiveram impulso quando a população viu-se assolada pelas epidemias e pandemias que mataram milhares de pessoas, surgindo a necessidade de pesquisar e desenvolver a imunidade das pessoas. A partir daí foram formuladas as vacinas(1) .

A influenza é uma doença infecciosa do sistema respiratório, que pode se apresentar de forma leve e de curta duração até formas graves. Quando não ocorre complicações, cura-se em aproximadamente uma semana, no entanto pode evoluir para complicações, principalmente em indivíduos com a imunidade mais baixa como os idosos(2).

Com o advento da tecnologia e as melhores condições de vida, podemos observar um aumento da sobrevida na população, havendo uma mudança no perfil epidemiológico. Dessa forma, a população na faixa etária acima de 60 anos vem aumentando, ao mesmo tempo em que se encontra susceptível às doenças respiratórias, dentre elas, a gripe (influenza), causadora de complicações, morbidade e mortalidade nessa faixa etária(3).

Baseado no exposto, o Ministério da Saúde (MS) instituiu, desde 1999, as campanhas de vacinação contra influenza, que estão voltadas para a redução da mortalidade por esta doença e suas complicações, as quais acometem a população acima de 60 anos. O objetivo dessas campanhas é aumentar a expectativa de vida do idoso, bem como a sua qualidade de vida(2).

A vacinação deve ocorrer no período anterior ao de maior circulação do vírus na população das diferentes regiões do país. Deve ser administrada a cada ano, para conferir a proteção adequada, já que a composição também varia anualmente, em função das cepas circulantes(4).

Dessa forma, a produção da vacina envolve um trabalho de caracterização dos vírus influenza em circulação, destacando que o Ministério da Saúde faz recomendação quanto a sua composição anual, a qual deve conter os mesmos vírus em circulação, garantindo eficácia e pouca reatogenicidade(5).

Os eventos adversos da vacina contra influenza notificados podem ser classificados em leves, ou mesmo sem importância epidemiológica e clínica(6). No entanto, observa-se entre os idosos uma preocupação com o surgimento de reações, o que dificulta a receptividade da vacina, portanto enfatiza-se a importância de melhorar as ações educativas nessa área, visto que o surgimento de sintomas pós-vacinais do tipo gripe não são conseqüências da vacina influenza, uma vez que esta é produzida a partir de vírus inativo.

Apesar dos comentários negativos em torno da vacina, a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde, que é de 70%, tem sido alcançada no Brasil. O Estado do Piauí tem, anualmente, ultrapassado as coberturas mínimas recomendadas. No primeiro ano de campanha (1999), as coberturas atingiram 95,79% das pessoas vacinadas na faixa etária de 65 anos e mais(7). No município de Teresina, a cobertura vacinal em idosos a partir de 60 anos, nas zonas rurais e urbanas, nos anos de 2001 a 2006, foram consideradas adequadas, uma vez que ultrapassaram a cobertura mínima recomendada(8).

Mesmo com o alcance das coberturas vacinais muitos idosos continuam acreditando que a vacina, ao invés de oferecer proteção, oferece riscos, gerando resistência e trazendo dificuldades à execução das campanhas. Essa problemática motivou as autoras a desenvolver este estudo, cujos objetivos são os que seguem: Analisar os conhecimentos, atitudes e práticas dos idosos de uma área do PSF de Teresina, com relação à vacina contra influenza e levantar os motivos que levam alguns idosos a não se vacinarem por ocasião das campanhas.

 

2. METODOLOGIA

Estudo de abordagem quantitativa, seccional, do tipo inquérito domiciliar, desenvolvido em uma área do Programa Saúde da Família (PSF), situada na zona sudeste do município de Teresina. A população do estudo foi constituída por todos idosos na faixa etária a partir de 60 anos, com um total de 74 idosos de ambos os sexos. As variáveis levantadas no estudo foram as sócio-econômicas e demográficas, conhecimentos, atitudes e práticas sobre a vacina contra influenza, fonte de informação, recebimento da vacina em campanha.

Os dados foram coletados no período de fevereiro a março de 2006, mediante realização de entrevistas nas residências da população do estudo, com a utilização de formulários pré-testados. Ressalta-se que o projeto foi submetido à aprovação do Comitê de Ética da NOVAFAPI .

O estudo classificou o conhecimento dos idosos sobre a vacina influenza mediante as respostas às questões do formulário, atribuindo-se um valor numérico para as respostas referentes às questões sobre o conhecimento relacionado às vacinas, sua reações, indicações e contra indicações. Adotaram-se três intervalos para o conhecimento: Inadequado (< 70%), Adequado (70% a 89%), Muito Bom (90 a 100%).

Para a classificação da atitude, elaborou-se um instrumento com declarações positivas e negativas a respeito da vacinação, atribuindo-se um valor numérico referente à direção negativa ou positiva da declaração. Assim, a atitude foi classificada em: Favorável (e" 70%), Nem favorável, Nem Desfavorável (50% a 69%). E para a classificação da prática observou-se a cobertura vacinal contra influenza, considerando-se como prática adequada a vacinação anual, a qual é realizada por ocasião das campanhas e, como prática inadequada, a falta da vacinação anual, exceto quando o idoso apresentava um estado patológico que contra indicasse a vacinação.

Os dados foram digitados e processados com a utilização do software Epi-Info versão 3.3.2. A análise foi realizada por meio de estatísticas descritivas como freqüência, percentual e média. A discussão foi feita à luz dos conhecimentos produzidos sobre o tema.

 

3. RESULTADOS

Ao iniciar a apresentação dos resultados convém mencionar que, não houve perda da população previamente planejada para participar do estudo (n = 74). Assim, todos os idosos da área foram incluídos na pesquisa.

Os dados do perfil sócio demográfico e econômico da população estudada estão apresentados no Quadro 1

Observou-se que, dos 74 idosos investigados, 58,1% (43) eram do sexo feminino; a expressiva maioria, 63,5%, encontrava-se na faixa etária de 65 e mais; 50% da população não possuíam escolaridade e 51,3% informaram ser casados.

Dentre os 74 idosos, 75,8% recebiam um salário mínimo, 20 (27%) não apresentavam ocupação atual, sendo que destes, 11 (14,9%) eram trabalhadores rurais. Dos 61 idosos aposentados, 13 permaneciam ativamente inseridos no mercado de trabalho.

Com relação à classificação do conhecimento (gráfico 1), pode-se observar que, dos 74 idosos pesquisados, 85,3% possuem conhecimento inadequado sobre a vacina contra influenza, sendo que apenas 14,9% possuem conhecimento adequado sobre os benefícios, reações e contra- indicações da vacina.

 

 

No gráfico 2, observou-se que dos 74 idosos, 89,1% tinham atitude favorável (F) frente à vacina contra a gripe, e apenas 10,9% apresentavam atitude nem favorável nem desfavorável (NFND).

 

 

 

Gráfico 3

 

Com relação à aceitação da vacina influenza, observou-se que 82,4% dos idosos informaram ser vacinados todos os anos. Verificou-se que 17,6% não aceitam a vacina, o que representa um percentual muito alto e, portanto, uma dificuldade à consecução dos objetivos da campanha.

 

4. DISCUSSÃO

A vacina contra influenza constitui-se na principal estratégia de saúde pública para melhorar as condições de vida da população idosa, assim como também reduzir o número de internações decorrentes do agente do vírus da influenza. Em conseqüência dessas ações, há uma melhora significativa nos indicadores da atenção básica.

Ao analisarem-se os dados sócio-demográficos da população em estudo, verificou-se que há uma predominância do sexo feminino, com 58,1%. Este fato também foi encontrado na pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)(9), na qual é afirmado que, no Brasil, assim como no restante mundo, para cada 100 mulheres idosas, havia 78,6 homens idosos. Essa relação pode ser atribuída à morte prematura de homens levando em consideração algumas causas, tais como acidentes automobilísticos e problemas cardíacos, que são mais comuns em homens do que em mulheres.

Outro dado relevante da pesquisa foi a alta população (63,5%) de idosos na faixa etária acima de 65 anos de idade. Tal achado vem ao encontro dos resultados apresentados em estudos, os quais afirmam que a população brasileira está atingindo vida média acima de 65 anos(10).

Há uma previsão de que o Brasil aumente em torno de 15 vezes o grupo de idosos em 2025. Com isso, teremos 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais de idade)(11). Essa fase de transição está mudando a estrutura da pirâmide etária que deixa de ser triangular e passa a caminhar para a forma quadrada.

Em conseqüência desta nova realidade que vem se configurando, existe a necessidade, por parte do sistema de saúde, de implementação de políticas públicas de saúde para essa parcela da população que merece atenção com relação a sua saúde e preservação da capacidade funcional, visando o bem estar e promoção de uma melhor qualidade de vida, o que vem permitindo, desta maneira, o aumento da expectativa de vida da população brasileira.

Na análise da escolaridade da população estudada, verificou-se que 50% dos idosos não possuíam nenhuma escolaridade, o que pode dificultar o entendimento dos benefícios produzidos pela vacina, dentre outras informações fornecidas pelos profissionais de saúde. Também foi possível destacar o fato de que a renda familiar mantém uma relação diretamente proporcional à escolaridade, observando-se que, quanto menor for a média de estudo, menor a renda, pois, ainda segundo o IBGE(9) a população com média de 3,9 anos de estudo correspondia a 1/5 mais pobre em 2004, e quando a média estava em 10,4 anos, correspondia a 1/5 mais rico

Com relação às informações dadas à população, o estudo de Araújo(12), mostrou que, dentre os profissionais de saúde, os que mais forneciam informações, especificamente sobre as vacinas, era o enfermeiro, com 42,8%. Já o número de informações vindas do médico mostrou-se menor, em conseqüência desta categoria profissional, na sua maioria, continuar valorizando ações curativas, em detrimento das preventivas. No presente estudo, este dado pôde ser reafirmado, uma vez que o enfermeiro destacou-se como a principal fonte de informação sobre a vacina, com 29,7% e o médico com apenas 8,1%.

Ao analisar o conhecimento relacionado à vacina, verificou-se que há uma grande lacuna na população do estudo, a despeito de muitos relatarem que sabem da sua importância para a saúde. Esta constatação sugere a inadequação das abordagens utilizadas pelos profissionais de saúde fazendo-os desperdiçar muitas oportunidades educativas, ao desconsiderar os esquemas de assimilação, as formas de pensar e o conhecimento da população usuária.

Apesar do conhecimento da maioria dos idosos da pesquisa ser inadequado, perfazendo um total de 85,3% da população do estudo, pode-se perceber que 89,1% apresentam atitude favorável à vacina contra influenza. Este fato pode ser atribuído à importância do trabalho da equipe do PSF, cujas atividades são voltadas para atenção básica à saúde, desenvolvendo-se em áreas de população com baixa renda, mediante a intensificação das ações de prevenção, promoção e recuperação da saúde de sua clientela, de modo a cumprir as metas do MS para com a vacinação do idoso.

Assim, verificou-se que, mesmo os idosos não tendo muito conhecimento sobre a vacina contra influenza, dos seus benefícios e reações adversas, a meta de cobertura vacinal estipulada pelo Ministério da Saúde (mínimo de 70% para os idosos) está, anualmente, sendo atingida, ou seja, o estado como um todo está sempre superando a meta preconizada (13). Dentre os fatores que contribuem para tal situação, está a ampla disponibilização de vacinas por parte do PNI para todos os municípios brasileiros, somada à ação intensificada das equipes de PSF junto às famílias.

Também se avaliou, no estudo, o conhecimento dos idosos acerca das indicações da vacina influenza para hipertensos e diabéticos. Conforme o Ministério da Saúde(14), a Hipertensão Arterial (HA) e o Diabetes Mellitus (DM) são fatores de risco para as doenças cardiovasculares, destacando-se como agravo em saúde pública e sendo causadoras de acidente vascular encefálico e infarto agudo do miocárdio na faixa etária de 30 a 69 anos.

Toda essa problemática relacionada à HA e DM provocam dúvidas e questionamentos nos idosos, população muito acometida por esses distúrbios, que demonstram preocupação com relação ao tratamento e temor de receber a vacina na vigência destas patologias. Porém, a maioria dos idosos deste estudo (85,1%), ao serem questionados sobre a indicação da vacina, em hipertensos e diabéticos, respondeu que a mesma pode ser administrada. Este dado reflete o resultado das orientações executadas por profissionais da atenção básica, em especial o enfermeiro que, por ocasião do atendimento no programa hiperdia, aproveita a oportunidade das consultas de enfermagem para esclarecer sobre a vacinação do idoso, dentre outros cuidados à saúde.

De acordo com a Secretaria do Estado de Saúde do Piauí(14), cada vez mais as doenças cardiovasculares e as patologias pulmonares crônicas vêm aumentando, em conseqüência do estilo de vida da população e, com isso, vão se tornando as principais causas de internação dos idosos. A vacina, neste caso, é fundamental para a prevenção desses eventos, pois é evidente a associação entre a vacina influenza e a redução dos riscos hospitalares por pneumonias, doenças cardíacas e cérebro vasculares, além da diminuição do número de óbitos e melhoria da qualidade de vida e longevidade da população.

Ainda cabe mencionar que uma pesquisa realizada por Façanha(15), no Ceará, estado localizado na mesma região do Piauí e, portanto, com sazonalidades parecidas, detectou que houve uma predominância de surtos nas regiões Centro-Oeste e Norte nas semanas epidemiológicas de 15 a 19 de 2003, ocorrendo, dessa forma, maior predominância das doenças respiratórias agudas no período de março a abril. Portanto, o ideal para a nossa região é que a vacina fosse administrada na segunda quinzena de fevereiro para poder promover a formação de anticorpos e conferir imunidade ao idoso no período chuvoso e frio.

Ocorre que a vacina, no nosso estado, é administrada no final do mês de abril, coincidindo com o período chuvoso quando, muitas vezes, o idoso já se encontra com vírus da influenza no período de incubação, não permitindo uma maior eficácia da vacina e fazendo com que confundam os sintomas da doença, já em curso, com as reações adversas da mesma. Este aspecto também foi verificado neste estudo, quando significativa parcela de idosos referiu dores musculares e gripe, como evento associado à vacina.

Nos estados com sazonalidades diferentes do Piauí, a campanha vacinal é realizada em momento anterior à circulação do vírus da influenza, daí as reações referidas serem mais do tipo local, seguidas de eventos sistêmicos leves, no qual 12,6% da população de idosos referiram dores locais e apenas 1,94% febre e cefaléia(10).

 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A presente pesquisa possibilitou uma aproximação com os reais conhecimentos, atitudes e práticas dos idosos em relação à vacina contra influenza. Observou-se um conhecimento inadequado, com conceitos desvinculados dos objetivos reais da vacina para a saúde do idoso, verificando-se inseguranças referentes à suas indicações, contra-indicações e, principalmente, em relação às reações adversas.

Apesar do conhecimento insuficiente, a maioria dos idosos (89,1%) apresentou uma atitude favorável com relação à vacina. Isso representa um dado importante, pois demonstra que o modo de pensar é que influencia na aceitação da vacina, e este nem sempre guarda coerência com o conhecimento cientificamente correto. Com relação à prática, foi adequada em 82,4% da população estudada. Dessa forma, conclui-se a importância do estudo para a saúde pública, pois permitiu conhecer as indagações dos idosos, contribuindo para esclarecer suas dúvidas e ajudar os profissionais da saúde a abordarem melhor o assunto.

Diante destas considerações, sugere-se aos serviços de saúde:

- Implementar estratégias de educação em saúde com o fim de melhorar o conhecimento da população de idosos a respeito da vacina contra influenza.

- Promover, especialmente com as equipes de Saúde da Família, trabalhos de sensibilização dos idosos, com o fim de tornar a sua atitude o mais favorável à vacinação em estudo.

- Aproveitar todos os comparecimentos dos idosos às unidades de saúde para observar os cartões, fazer orientações e encaminhar à sala de vacina para receber outros imunobiológicos indicados para este grupo.

- Aproveitar os meios de comunicação para implementar orientações não só sobre vacinas, mas especialmente sobre as doenças contra as quais elas protegem.

- Promover a participação das equipes locais de saúde e não apenas dos profissionais de enfermagem no planejamento, execução e avaliação das atitudes de vacinação, uma vez que todos fazem parte do processo de trabalho em saúde e estão em contato permanente com a clientela.

 

REFERÊNCIAS

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9. Ministério do Planejamento e Gestão (BR). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. População brasileira envelhece. Brasília (DF); IBGE; 2000. (citado em: 8 maio 2006). Disponível em: URL:http//:www.Ibge.gov.br/homenoticias         [ Links ]

10. Donalísio MR, Bergamo PMSF, Lattorre DO. Intervenções por doenças respiratórias em idosos e a intervenção vacinal contra-influenza no Estado de São Paulo. Rev Bras Epidemiol 2004;2 (7):5-10.         [ Links ]

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Submissão: 02/05/2007
Aprovação: 27/06/2007