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Revista Brasileira de Enfermagem

Print version ISSN 0034-7167

Rev. bras. enferm. vol.62 no.3 Brasília May/June 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-71672009000300005 

PESQUISA

 

Educação continuada em enfermagem: uma proposta metodológica

 

Continuing education in nursing: a methodological proposal

 

Educación continuada en enfermería: una propuesta metodológica

 

 

Gizelda Monteiro da Silva; Otília Maria L. B. Seiffert

Universidade Federal de São Paulo. Programa de Mestrado Ensino em Ciências da Saúde. São Paulo, SP

Correspondência

 

 


RESUMO

Este artigo tem o objetivo de apresentar um estudo sobre o Programa de Educação Continuada de um Hospital de Apoio ao Ensino no município de São Paulo, tendo em vista levantar subsídios para seu aprimoramento na perspectiva interdisciplinar. Os dados foram obtidos de entrevista semi-estruturada com as coordenadoras do programa e questionário composto de questões abertas e de múltipla escolha aplicado a 100 enfermeiros do Hospital. Os resultados sugeriram reflexões sobre o desenvolvimento dos processos educativos em enfermagem, identificando desafios a superar pelo grupo. Conclui-se que para fazer da educação dos profissionais de enfermagem um processo permanente, deve-se considerar o trabalho diário como eixo do processo educativo, fonte de conhecimento e objeto de transformação que privilegia participação coletiva e interdisciplinar.

Descritores: Educação continuada em enfermagem; Educação permanente em Saúde; Processos educativos; Interdisciplinaridade.


ABSTRACT

The aim of this paper is to present a study on the Continuing Education Program of a Teaching Hospital in the city of São Paulo, aiming to raise subsidies for its improvement from an interdisciplinary point of view. Data were collected with the program coordinators by means of a semi-structured interview and the questionnaire consisted of open and multiple-choice questions applied to 100 nurses into the Hospital. The results suggested some thoughts on the development of nursing educational processes, identifying challenges to be exceeded by the group. It was concluded that to change the nursing professional education into a continuous process, it must be considered the daily work as a support of the educational process, source of knowledge and object of transformation, which will favor a collective and interdisciplinary participation.

Descriptors: Continuing education in nursing; Permanent education in health; Educational processes; Interdisciplinarity.


RESUMEN

Este artículo tiene el objetivo de presentar un estudio sobre el Programa de Educación Conitunada de un Hospital de apoyo a la enseñanza en el municipio de São Paulo, teniendo en cuenta levantar subsidio para su perfeccionamiento en la perspectiva interdisciplinar. Los datos fueron obtenidos de encuesta semiestructuradas con las coordinadoras del programa y cuestionario compuesto de cuestiones abiertas y de múltiple elección aplicado a 100 (cien) enfermeros del Hospital. Los resultados sugerieron reflexiones sobre el desarrollo de los procesos educativos en enfermería, identificando desafios que deben ser superados por el grupo. Se concluye que para hacer de la educación de los profesionales de enfermaje un proceso permanente se debe considerar el trabajo diario como eje del proceso educativo, fuente de conocimiento y objeto de transformación que privilegia la participación colectiva e interdisciplinar.

Descriptores: Educación continuada en enfermería; Educación permanente en salud; Procesos educativos; Interdisciplinaridad.


 

 

INTRODUÇÃO

Nas instituições hospitalares, a Enfermagem desempenha importante papel na preparação da infra-estrutura para a realização segura e eficaz dos procedimentos médicos e de enfermagem, além de ações assistenciais, orientação e educação preventivas, visando ao autocuidado, facilitando a reintegração social do paciente.

No Brasil, a equipe de enfermagem representa o percentual mais significativo de pessoal, chegando a atingir em alguns casos cerca de 60% nas instituições hospitalares(1).

A maioria das instituições de saúde tem um setor denominado "educação continuada ou contínua" ou "educação em serviço" que, para desenvolver suas atividades necessita de recursos naturais, financeiros, físicos e, sobretudo, humanos(2).

A Organização Panamericana de Saúde - OPAS recomenda que um profissional (enfermeiro) seja o coordenador e responsável por este Setor, diretamente envolvido com o atendimento às necessidades de desenvolvimento pessoal e profissional(3).

A participação dos enfermeiros é essencial, porque eles mantêm contato direto e permanente com a equipe de enfermagem, o que possibilita perceber a realidade e avaliar suas necessidades.

Nos hospitais, a qualidade se impõe da mesma forma como na mundialização dos mercados, no aumento da oferta e na diversificação das tecnologias.

Qualidade no hospital não tem o mesmo sentido que na indústria, onde ela expressa a conformidade de uma peça ou produto a uma norma ou especificação preestabelecida. O hospital, como outras empresas de serviços, está sujeito ao humano, à imprevisibilidade das situações, à particularidade das ocorrências e exigências, o que não invalida as normas, apenas exige maior atenção para observar, escutar, imaginar e antecipar ajustamentos e adaptações.

É importante refletir que as instituições hospitalares necessitam ter "uma qualidade melhor"(4). Nesta tarefa, todos têm sua função e responsabilidades, pois o paciente tem o direito ao diagnóstico e tratamento, administração dos medicamentos, leito e roupas, iluminação e ventilação, alimentação, comunicação, limpeza, técnicas para evitar infecções, por vezes fatais, entre outros serviços, não de qualquer jeito ou como favor, mas como direito e com qualidade.

Nos serviços de saúde, os processos educativos visam ao desenvolvimento dos profissionais por uma série de atividades genericamente denominadas de capacitações, treinamentos e cursos emergenciais ou pontuais, estruturados e contínuos.

O saber fazer deve ser um saber fazer bem, que leve em conta os aspectos técnicos, políticos e éticos. Para o profissional de saúde, não basta saber é preciso "articular responsabilidade, liberdade e compromisso"(5).

Nessa direção nos processos educativos é preciso pensar em interação, não apenas entre campos de saberes, mas entre os profissionais das diversas áreas de conhecimento.

Pela reflexão e crítica num trabalho interdisciplinar, é possível construir uma nova consciência da realidade do pensar com a troca, a reciprocidade e a integração entre diferentes áreas, objetivando a resolução de problemas de forma global e abrangente. "A interdisciplinaridade é uma condição para uma educação permanente" que exige mudança de atitude individual e institucional(6).

Assim, a Educação Continuada é um conjunto de práticas usuais que objetivam mudanças pontuais nos modelos hegemônicos de formação e atenção à saúde. É "um processo que busca proporcionar ao indivíduo a aquisição de conhecimentos, para que ele atinja sua capacidade profissional e desenvolvimento pessoal, considerando a realidade institucional e social"(7).

A Educação Permanente tem evoluído em seu conceito e no contexto dos sistemas de saúde. Assim trata-se de um processo permanente que promove o desenvolvimento integral dos profissionais do setor, empregando os acontecimentos do trabalho, o ambiente normal das atividades em saúde e os estudos dos problemas reais e do cotidiano e situações mais apropriadas para atingir uma aprendizagem significativa(8).

As empresas devem buscar a capacitação e o desenvolvimento de seus quadros, pois observa-se que, atualmente nas organizações hospitalares, o contraste entre necessidades e realidade é acentuado.

Desse modo, um programa de educação voltado aos profissionais de enfermagem requer um planejamento dinâmico, participativo, interdisciplinar com objetivos definidos, buscando atender diretamente as necessidades da organização e dos profissionais.

Assim, o objetivo do presente estudo consite em analisar o Programa de Educação Continuada de um Hospital de Apoio ao Ensino no município de São Paulo, tendo em vista levantar subsídios para seu aprimoramento em uma perspectiva interdisciplinar.

 

METODOLOGIA

Trata-se de um Estudo de Caso da perspectiva quali-quantitativa. O cenário da pesquisa foi um Hospital de Apoio ao Ensino no município de São Paulo.

Para a coleta de dados, foram entrevistadas as duas enfermeiras que coordenam o Setor de Educação Continuada, após agendamento. As entrevistas tiveram duração média de 45 minutos cada e foram gravadas, conforme autorização dos respondentes e, posteriormente, transcritas.

Foi aplicado também um questionário a 100 enfermeiros das várias unidades, com questões de múltipla escolha e abertas, distribuídas em três partes:

a) Perfil dos enfermeiros: gênero, idade, tempo de formação, tempo de exercício profissional e formação acadêmica;

b) Dados funcionais: local e período de trabalho, tempo de trabalho na instituição, experiências profissionais e tipos de participação nos programas desenvolvidos pela Educação Continuada;

c) Aspectos considerados de maior relevância para atender aos objetivos: planejamento, participação dos enfermeiros, levantamento e priorização de necessidades, mudanças comportamentais observadas na equipe e aplicabilidade do que aprendeu totalizando 12 perguntas, e um espaço destinado a comentários que considerassem importantes não contemplados nas perguntas.

Este instrumento foi entregue pessoalmente ao respondentes pela pesquisadora.

A pesquisa foi desenvolvida de acordo com a Port.196/1996(9) e submetida a apreciação dos Comitês de Ética em Pesquisa da UNIFESP e do Hospital onde se desenvolveu o estudo. A participação dos enfermeiros foi voluntária e com assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Participaram do estudo representantes dos três turnos de trabalho (manhã, tarde e noite) dos 51 setores onde se desenvolvem as atividades de enfermagem.

O tempo de exercício profissional no Hospital varia de 2 a 42 anos; 39% encontram-se na faixa de 2 a 5 anos e 16% há mais de 26 anos, sendo que nem todos trabalham durante todo esse tempo no mesmo setor. Observa-se que os respondentes têm uma vivência significativa, tornando suas percepções e considerações de extrema relevância para esta pesquisa.

O comprometimento dos profissionais de saúde e a sua participação nos programas de Educação Continuada devem ocorrer sistematicamente, visto que à integração otimiza a atuação das equipes em consonância com a realidade da instituição. Na prática, os enfermeiros têm baixa participação nos programas, "decorrência das múltiplas atividades da área e da escassez de pessoal"(10).

Vinte e dois por cento (22%) dos informantes afirmaram ter recebido e aceitado o convite para participar do Programa de Educação Continuada, a Tabela 1 mostra como ocorreu esta participação.

 

 

Observa-se que 91% do total dos pesquisados participaram das atividades. Notou-se que 74% dos respondentes tiveram presença em mais de uma atividade.

È importante ressaltar que um programa de Educação Continuada demanda planejamento para ser eficiente e eficaz, com a flexibilidade necessária para a adaptação à realidade. O planejamento envolve as seguintes fases: levantamento das necessidades, estabelecimento de metas e objetivos, estudo da viabilidade de recursos, determinação dos programas e avaliação periódica dos resultados.

No que se refere ao planejamento das ações educativas, 29,82% respondentes consideram que este é participativo; 15,79% que é interdisciplinar; 38,6%, centralizado, elaborado por um pequeno grupo; e para 3,51% não existe planejamento.

A Educação Continuada oportuniza o aprendizado do pessoal de enfermagem, porém, os conteúdos devem considerar a realidade, o cotidiano do trabalho, as necessidades do profissional, do setor de trabalho, da instituição e a evolução tecnológica.

Nos dias atuais, ainda nos deparamos com visões gerenciais que se posicionam de modo sistemático pela noção de que a baixa eficiência das ações de saúde é devida à falta de competência dos trabalhadores que pode ser suprida por cursos e treinamentos(11).

Esta concepção estabelece uma relação causal, linear e simplista entre a preparação e o nível do trabalho. Cursos à exaustão consomem vultuosos recursos, sem gerar efeitos positivos e mudanças significativas nas práticas dos profissionais. Existem treinamentos necessários para a aquisição de técnicas, mas são pontuais e podem ser suprimidos sem dificuldade.

Desse modo, 76% declararam que as atividades desenvolvidas no Programa de Educação Continuada atenderam parcialmente às necessidades; 14%, não atenderam e 10% atenderam às necessidades. Para 73%, houve melhora parcial no desempenho técnico da equipe; para 14%, houve melhora e para 13% não houve melhora.

O levantamento das necessidades é fundamental para a projeção da programação da Educação Continuada, quando se deve tomar como ponto de partida às dificuldades reais do campo de atuação profissional e favorecer o envolvimento dos sujeitos no desenvolvimento da programação.

Quanto à necessidade de realização das atividades educativas propostas pela equipe de trabalho, 70% citaram que não foram consultados; 23%, às vezes e 7% que as consultas acontecem. Do total de respostas "afirmativa" e "às vezes", 50% informaram como é feito este levantamento: informalmente, por solicitação do setor, através das chefias/supervisores e por pesquisas.

Nos processos educativos, considera-se essencial o sujeito que aprende, o objeto a ser aprendido, o conhecimento resultante da interação entre o sujeito e o objeto e o instrutor, como facilitador desse processo(12).

A compreensão de que a aprendizagem ocorre na vivência do dia-a dia, com problemas e pessoas reais, se fez presente na opinião de 60% dos informantes, para os quais o local para desenvolver ações educativas é o próprio local de trabalho; 36% acreditam que essas ações devam ser desenvolvidas nas salas de aula do setor de Educação de Continuada e 4%, em outros locais.

O instrutor, como planejador e executor do processo, busca estabelecer relações concretas entre teoria, prática e a realidade (12). Por isso, deve conhecer o processo produtivo em saúde, a fim de abstrair os problemas do trabalho e as necessidades concretas de aprimoramento do conhecimento, para intervenção na realidade.

Quanto à organização e execução dos programas de Educação Continuada, a quase totalidade (99%) acha importante a participação dos enfermeiros, por seu conhecimento da realidade, atualização profissional, habilidade/domínio de determinado assunto, motivação/participação, integração/continuidade.

Os programas de Educação Continuada devem ser escolhidos e trabalhados, levando-se em conta a realidade concreta e os objetivos propostos, os conhecimentos prévios do grupo e as limitações de tempo e recursos(1).

Os programas dissociados da realidade institucional e das necessidades dos profissionais tornam-se cansativos e desestimulantes. O planejamento das atividades deve considerar essas referências, inserindo-as no local de trabalho.

Do total de respondentes 87% observaram mudanças nos participantes da programação de Educação Continuada e as classificaram conforme dados do item "mudanças observadas" na Tabela 1.

A avaliação periódica dos resultados, uma das fases do planejamento, tem por finalidade verificar a eficácia do programa, isto é, se realmente atendeu as necessidades da organização, das pessoas e dos clientes, objetivando retroalimentar o setor de Educação Continuada redirecionando ou mantendo suas ações.

Como o processo educativo é contínuo, torna-se necessária sua revisão constante; conhecendo como os enfermeiros de unidades vivenciam as estratégias de Educação Continuada, é possível refletir sobre sua adequação e eficácia, destacar os pontos fortes do programa e os pontos que necessitam de melhoria.

Em nosso estudo, 79% listaram os pontos positivos do programa, 75% os negativos, ocorrendo concordância na maioria deles. Os sujeitos destacam como pontos positivos: atualizações profissionais, reconhecidas pelos pesquisados como oportunidades de aprendizagem e aprimoramento técnico; a integração com a equipe a partir da troca de experiência entre setores e colegas de trabalho; a melhoria do atendimento com vistas a buscar a qualidade da assistência prestada; a competência e a dedicação dos enfermeiros que integram o Setor de Educação Continuada e a valorização do profissional como fator de motivação para a equipe. Dos pontos negativos houve destaque para o planejamento não participativo, a temática dos treinamentos dissociada da realidade onde o foco não é voltado para as necessidades do setor.

A avaliação pode ser entendida "como um juízo de qualidade sobre dados relevantes, tendo em vista uma tomada de decisão"(13) o que implica três possibilidades: continuar na situação, introduzir modificações ou suprimir a situação ou o objeto. Nessa concepção, a avaliação é um processo dinâmico e reencaminha a ação para a transformação.

Na Educação Continuada, o processo avaliativo supõe o diálogo entre todos os envolvidos (enfermeiros, equipe de enfermagem, chefias e direção), como aliados e parceiros, com a clareza da função de cada um, do que é comum a todos no processo.

Os pesquisados embora reconheçam a importância do Programa de Educação Continuada, apontaram alguns fatores limitantes: não definição dos objetivos, problemas relacionados à infra-estrutura do setor, não cumprimento da programação, repetição de conteúdos e número insuficiente de programas, dentre outros. Apresentarem várias sugestões para a melhoria do programa: o que demonstra preocupação, interesse e comprometimento com a educação e desenvolvimento da equipe, onde destacamos questões relacionadas ao planejamento do programa; investimento na infra-estrutura e na equipe que integra o setor de Educação Continuada; incentivo a estudo e à pesquisa; formas estratégicas de divulgação do programa; envolvimento interdisciplinar.

A interdisciplinaridade possibilita construir novas competências e habilidades por uma postura pautada em uma visão holística do conhecimento, evitando uma prática fragmentada por especialidades. Assim, 71% dos pesquisados relatam que não há diferença entre a prática interdisciplinar e a multiprofissional; para 19% são práticas diferentes e 10% não responderam há questão.

As diversidades de concepção dos profissionais de enfermagem são a marca da contemporaneidade, visto que as necessidades no e do trabalho são cada vez mais heterogêneas.

 

CONCLUSÃO

Os dados da pesquisa indicam que os enfermeiros percebem a importância e a necessidade da Educação Continuada, as exigências sempre maiores postas pelo momento atual de criação, renovação e invenção de tecnologias, integração de conhecimentos, nova visão do trabalho médico e de enfermagem.

O paciente tem direito a uma assistência de qualidade, como prevê a missão do próprio hospital em seu ato de criação. Muito sofrimento pode ser amenizado, mortes podem ser evitadas pelo cuidado atencioso, sério e competente do profissional de Enfermagem o que supõe constante atualização para conhecer o que melhor e mais eficaz a Medicina e a prática da Enfermagem podem, hoje, oferecer.

Nesse contexto, impõem-se o planejamento, visão e prática interdisciplinar, infra-estrutura adequada, pesquisa, comunicação e envolvimento das chefias e parcerias com outras instituições.

Quanto à base conceitual, a proposta deve ter como eixo a formação no trabalho, visando à transformação pela reconstrução da identidade dos profissionais e articulação de seus saberes e práticas.

Quanto à metodologia, é necessário partir da realidade do profissional de Enfermagem, levantar suas necessidades e expectativas, problematizar, discutir, oferecer suporte teórico para que o próprio sujeito perceba suas potencialidades e limitações, a adequação ou não de sua prática e, consciente de seu compromisso com o doente, proponha-se a transformá-la.

Quanto ao aspecto político, é preciso buscar parcerias externas e internas à instituição, inscrever na agenda dos gestores a prioridade dos processos educativos do profissional de Enfermagem.

Assim, as questões, questionamentos e propostas apresentadas pelo grupo constituem-se em caminhos, que podem direcionar o processo educativo no âmbito da enfermagem e os desafios a serem superados, além de apontarem a necessidade de novos estudos nesta área.

Portanto, cabe aos enfermeiros, reconhecer a importância de procurar formas de articulação entre diferentes áreas do conhecimento, o diálogo com os envolvidos e com os que decidem para reorientar a prática das ações educativas da equipe de enfermagem nas instituições de saúde.

 

REFERÊNCIAS

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2. Silva MJP, Pereira LL, Benko MA. Educação continuada: estratégia para o desenvolvimento do pessoal de enfermagem. Rio de Janeiro: Marque-Saraiva; 1989.         [ Links ]

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4. Mezomo JC. Qualidade hospitalar: reinventando a administração do hospital. São Paulo: CEDAS; 1992.         [ Links ]

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6. Fazenda ICA. Interdisciplinaridade: qual o sentido? São Paulo: Paulus; 2003.         [ Links ]

7. Bezerra AL. O contexto da educação continuada em enfermagem. São Paulo: Lemar e Martinari; 2003.         [ Links ]

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10. Cunha MA. No palco das ilusões: sobre a educação continuada e suas vicissitudes.[dissertação]. São Paulo (SP): Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo; 1999.         [ Links ]

11. Marx LC, Morita LC. Competências gerenciais na enfermagem: prática do sistema primary nursing como parâmetro qualitativo da assistência. São Paulo: BH Comunicações; 2000.         [ Links ]

12. Souza AM. Processo educativo nos serviços de saúde. Brasília: Organização Panamericana de Saúde; 1991.         [ Links ]

13. Luckesi CC. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 14ª ed. São Paulo: Cortez; 2002.         [ Links ]

 

 

Correspondência:
Otília Maria L. B. Seiffert
Universidade Federal de São Paulo
Centro de Desenvolvimento do Ensino Superior em Saúde - CEDESS

Rua Borges Lagoa, 1341. Vila Clementino
CEP 04038-034. São Paulo, SP

Submissão: 22/11/2009
Aprovação: 03/12/2009