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Revista Brasileira de Enfermagem

Print version ISSN 0034-7167On-line version ISSN 1984-0446

Rev. Bras. Enferm. vol.70 no.5 Brasília Sept./Oct. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2016-0531 

PESQUISA

Conhecimento de adolescentes relacionados às doenças sexualmente transmissíveis e gravidez

Rebeca Aranha Arrais Santos AlmeidaI 

Rita da Graça Carvalhal Frazão CorrêaI 

Isaura Letícia Tavares Palmeira RolimI 

Jessica Marques da HoraII 

Andrea Gomes LinardIII 

Nair Portela Silva CoutinhoI 

Priscila da Silva OliveiraII 

IUniversidade Federal do Maranhão, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem. São Luís–MA, Brasil.

IIUniversidade Federal do Maranhão, Graduação em Enfermagem. São Luís–MA, Brasil.

IIIUniversidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, Instituto de Ciências da Saúde. Redenção–CE, Brasil.

RESUMO

Objetivo:

investigar o conhecimento de adolescentes relacionado às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), AIDS e gravidez, além de conhecer a compreensão sobre o papel da escola na educação sexual.

Método:

estudo qualitativo, descritivo, desenvolvido por meio de entrevista semiestruturada e formulário para caracterização dos participantes, com 22 adolescentes entre 16 e 19 anos de idade, estudantes do Ensino Médio em uma escola pública. Os dados foram submetidos à análise de conteúdo.

Resultados:

da análise emergiram quatro categorias temáticas: Sexualidade e educação sexual; Compreensão de comportamentos de risco; Conhecimento de IST/AIDS; Conhecimento e práticas de prevenção.

Considerações finais:

revelou-se a necessidade de ações educativas de prevenção para os adolescentes, pois a falta de informações contribui para a sua vulnerabilidade. Os adolescentes reconhecem a importância da educação sexual; consequentemente, é importante a implementação de estratégias de promoção e de proteção à saúde no ambiente escolar para contribuir e fortalecer o autocuidado na saúde.

Descritores: Adolescente; Gravidez na Adolescência; Doenças Sexualmente Transmissíveis; Educação Sexual; Conhecimento

INTRODUÇÃO

Caracterizada por acentuadas transformações anatômicas, fisiológicas, psicológicas e também sociais, a adolescência é um período de transição entre a infância e a idade adulta. Nesse momento, a corporalidade assume um aspecto importante, pois essas mudanças ocorrem de forma rápida, profunda e marcante, interferindo de forma positiva ou negativa para o resto da vida do indivíduo(1).

A vivência da sexualidade, nesse período, torna-se mais evidente e em geral manifesta-se através de práticas sexuais desprotegidas, devido à falta de informação, de comunicação entre familiares e de alguns mitos, tabus, ou mesmo pelo fato de ter medo de assumir sua própria sexualidade. Dessa forma, a procura e a curiosidade por novas experiências e a falta de orientações sobre as mudanças pelas quais estão passando tornam os adolescentes vulneráveis a situações de risco, dentre as quais as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), incluindo a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS)(2).

Os limites cronológicos da adolescência, definidos pela Organização Mundial da Saúde(3), está entre 10 e 19 anos. Nas normas e políticas de saúde do Ministério de Saúde do Brasil, os limites estão entre as idades de 10 a 24 anos(4). No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) define a adolescência como a faixa etária de 12 a 18 anos e, em casos excepcionais, quando disposto na lei, o estatuto é aplicado até os 21 anos de idade(5).

A idade menor de 25 anos é um dos preditores importantes para o uso menos consistente de preservativo; sendo assim, a atividade sexual desprotegida e precoce do adolescente é um importante fator de risco para a exposição a IST e à gravidez não planejada(6).

No Brasil, a população sabe que o uso do preservativo é importante para prevenir infecções transmitidas pela via sexual. Os jovens apresentam maiores proporções de seu uso; entretanto, ainda está longe de atingir níveis satisfatórios. Estudo(7) mostra que o uso do preservativo depende de crenças e valores e, até mesmo, do mito do comprometimento do desempenho sexual.

Atentar para a sexualidade dos adolescentes é uma necessidade que pode contribuir para reduzir problemas no que diz respeito à sua vida pessoal e social. Nesse contexto, ressalta-se o papel fundamental da escola na educação sexual, visto ser esse o ambiente adequado para a aprendizagem não só da anatomia e da fisiologia do corpo humano, mas também para os métodos de prevenção da gravidez precoce e das IST(8).

Considerando que, depois do ambiente familiar, é a escola que complementa a educação dada pela família, tem essa uma imensa responsabilidade na formação de seus alunos. No período escolar, começa o desenvolvimento corporal gerado pelos hormônios aflorando a sexualidade dos adolescentes. Fica a cargo da escola a orientação que deve ser feita por meio de discussões relacionadas ao tema constituindo, portanto, um compromisso por parte dos educadores.

Tendo como pressuposto a importância da escola como mediadora entre a família e o adolescente, o presente estudo objetivou investigar o conhecimento de adolescentes relacionado às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), AIDS e gravidez, além de conhecer a compreensão sobre o papel da escola na educação sexual.

A presente investigação reveste-se de importância no atual cenário da saúde, em especial considerando que a gravidez precoce, muitas vezes indesejada, e as IST são fatores importantes que podem influenciar de modo adverso na saúde sexual e reprodutiva da adolescente, pois comprometem o processo natural de crescimento e desenvolvimento físico e emocional, podendo implicar em outras consequências, como, por exemplo, a evasão escolar. Portanto, atentar para a sexualidade dos adolescentes é uma necessidade que contribui para reduzir problemas relativos à sua vida pessoal e social. Por conseguinte, tem reflexos na sociedade como um todo, pois interfere em índices de mortalidade de adolescentes, baixa escolaridade, desemprego, abandono de menores, entre outros.

MÉTODO

Aspectos éticos

No desenvolvimento da pesquisa, foram respeitadas as diretrizes da Resolução CNSnº 466/12. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (CEP-HUUFMA). Todos os participantes responsáveis pelos menores assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), bem como os menores assinaram o Termo de Assentimento (TA) após a concordância de seus responsáveis.

Tipo de estudo

Trata-se de uma pesquisa descritiva de natureza qualitativa, cujos resultados foram analisados conforme a técnica de Análise de Conteúdo de Bardin(9).

Procedimentos metodológicos

O primeiro contato com os participantes se deu por meio de abordagem individual durante os intervalos das aulas na escola, ocasião em que uma das pesquisadoras explicou os objetivos do estudo e convidou a participar do estudo. Aos que aceitaram, foi feito contato com os responsáveis solicitando que autorizassem o menor de sua responsabilidade a participar. Após a assinatura do TCLE do responsável e do Termo de Assentimento pelo menor, foi agendada a entrevista, que ocorreu no próprio colégio em sala reservada cedida pela diretoria. Foi solicitada aos adolescentes a permissão para o uso de gravador durante a entrevista, a fim de possibilitar o registro fiel dos depoimentos, possibilitando a transcrição na íntegra e posterior análise.

Cenário do estudo e amostra

Esta pesquisa teve como cenário o Colégio Universitário da Universidade Federal do Maranhão, localizado na Cidade Universitária Dom Delgado, no município de São Luís – MA. O colégio tem, em média, 400 alunos no Ensino Médio divididos nos turnos matutino e vespertino.

A amostra do estudo foi de 22 estudantes, sendo esse total definido pelo critério de saturação, quando, durante o processo de coleta, é observada a repetição de respostas na formação dos núcleos de sentido que compõem a definição das categorias.

Coleta e organização dos dados

A coleta dos dados foi realizada no período de outubro a novembro de 2015, por meio de entrevista individual semiestruturada, com 22 estudantes do Ensino Médio com idade entre 16 e 19 anos. Utilizou-se um formulário de identificação com questões relacionadas a sexo, idade, religião, liderança familiar e renda familiar mensal, e um roteiro para entrevista semiestruturada contemplando as seguintes questões: O que você entende por sexualidade? Qual sua concepção sobre comportamento de risco para IST e gravidez? Para você o que é IST/AIDS? Qual seu conhecimento sobre prevenção da gravidez e IST? Qual o seu comportamento em relação à prevenção das IST e gravidez? Qual a sua concepção sobre o papel das escolas na educação sexual?

Para preservação do anonimato, os participantes foram identificados com a letra inicial E, de estudante, precedida do número correspondente à ordem de realização das entrevistas, a saber, E1... E22.

Análise dos dados

A operacionalização da análise foi pautada nas etapas: pré-análise, fase de categorização – exploração do material, análise dos resultados e interpretação. As referidas etapas tiveram início pela leitura repetida e atentiva das transcrições das entrevistas realizadas, de acordo com os objetivos do estudo.

Os dados foram organizados em categorias e subcategorias temáticas, a partir das ideias principais contidas nos depoimentos dos entrevistados e analisados conforme a técnica de Análise de Conteúdo de Bardin(9). Os conteúdos foram agrupados considerando-se os temas que emergiram da fala dos entrevistados e foram organizados em quatro categorias: 1) Sexualidade e educação sexual, com duas subcategorias (sexualidade como opção, ato e comportamento e a importância da escola na educação sexual); 2) Compreensão de comportamentos de risco; 3) Conhecimento de IST/AIDS; 4) Conhecimento acerca das práticas de prevenção das DST/AIDS e da gravidez.

RESULTADOS

Os participantes do estudo foram 22 adolescentes, alunos do Ensino Médio, na faixa etária entre 16 e 19 anos. A maioria dos participantes é do sexo feminino e a idade mais frequente foi 17 anos. Quando questionados quanto à religião que professam, a maioria se declarou católico, seguido de evangélicos, enquanto alguns declararam não ter religião. Na caracterização familiar, o pai foi referido como chefe da família. Quanto à renda familiar mensal, a maioria declarou ser de 1 a 3 salários mínimos.

Neste estudo foi possível conhecer as manifestações dos adolescentes, sendo destacadas as seguintes categorias: Sexualidade e educação sexual; Compreensão de comportamentos de risco; Conhecimento de IST/AIDS; Conhecimento acerca das práticas de prevenção das DST/AIDS e da gravidez.

O significado da sexualidade e a educação sexual de escolares

Nesta categoria foram destacadas duas subcategorias de acordo com as falas.

Sexualidade como opção, ato e comportamento

Quanto ao conceito de sexualidade, quando abordado, alguns adolescentes relataram que esta pode ser expressa na forma de gênero e opção sexual, ou seja, pode ser manifestada através de seus comportamentos sexuais e suas carícias, além de por comportamentos genéricos relacionados à sua masculinidade ou feminilidade, embora não necessariamente em contexto sexual.

Eu acho que sexualidade é o jeito como meninos e meninas se expressam, como eu posso dizer? Tanto eroticamente como comportamentalmente perto das outras pessoas. (E02)

Eu acho que é um ato em que homem-mulher, mulher-mulher, homem-homem, buscam o prazer ou criar uma família. (E05)

Pra mim, sexualidade é tudo que vai envolver eu em relação ao sexo, a minha masculinidade, a minha escolha do que eu quero ser, isso tudo. (E11)

Sexualidade eu entendo pelo ato de fazer relação sexual. (E16)

Eu acho que pra mim é uma coisa muito ampla, porque não vai só na parte do ato sexual assim em si, mas envolve uma coisa muito maior, eu acho que... Ai, sei lá, não consigo explicar assim, mas não é só aquela hora assim, entendeu? Vem de antes, naquele momento assim da conquista. (E19)

A importância da escola na educação sexual

A respeito do papel da escola na educação sexual dos adolescentes, estes entendem que ela tem grande importância, mas também citam a corresponsabilidade dos pais e a importância da participação familiar, às vezes frisando a fragilidade pela dificuldade ainda vigente em alguns pais de estabelecer comunicação sobre o assunto. Deram também sugestões de como implementar a educação sexual de forma eficiente:

Eu acho que seja essencial [a participação da escola] porque às vezes os pais, a família, não tem coragem de falar sobre esse assunto, que é delicado. (E06)

Eu acho que eles deveriam dar palestras [...] pros alunos no caso, serem mais informados, porque normalmente [...] quando chega no terceiro ano as meninas já começam a engravidar e eu acho que isso é falta de informação e é papel da escola, não só da família, mas da escola também. Eu acho que eles poderiam dar palestras, chamar as pessoas de fora pra falar pra gente. (E15)

Eu acho que os dois, família e escola, são responsáveis, porque a gente passa uma parte com a família, mas a gente passa muito tempo também na escola, [...] a gente passa mais tempo na escola na verdade, então acho que eles talvez tenham um papel até maior. (E17)

Alguns adolescentes, abordados por este estudo, demonstraram sua insatisfação com o formato das aulas de educação sexual, citando a frequência, a linguagem utilizada e as estratégias adotadas pelas escolas, como relatado:

Geralmente a escola só apresenta expectativas, avisando, falando [...] do que a sexualidade pode gerar, mas dificilmente é aplicado (sic) projetos nas escolas com essa finalidade, dificilmente o professor passa um horário conversando com você sobre o que pode ser, quais os riscos. (E13)

Normalmente as palestras em geral, elas não são bem específicas. Principalmente na forma que é falado, na forma que é transmitido. Porque, se tu vai dar uma palestra pra adolescentes tu tem que falar uma linguagem que todos compreendam [...]. Porque parece que eles têm receio de falar palavras que todo adolescente conhece. (E22)

Compreensão de comportamentos de risco

O desconhecimento sobre o que seriam comportamentos de riscos e quais seriam eles foi demonstrado por alguns adolescentes. Houve certo estranhamento com essa expressão entre alguns, como se pode perceber nas falas a seguir:

Na verdade, eu nunca ouvi falar sobre isso. (E02)

Sinceramente, em relação a isso, não tenho nenhuma opinião formada. (E04)

No entanto, outros adolescentes identificaram comportamentos de risco como algo indesejável, destrutivo e os relacionaram a atos que trazem danos, inclusive no âmbito sexual, como ter grande quantidade de parceiros sexuais ou parceiros desconhecidos, ter relações sem o uso do preservativo e de outros métodos anticoncepcionais.

Eu acho que comportamento de risco seja ter algo indesejado em relação à sexualidade, como gravidez ou uma doença, não ser informado muito bem sobre essas coisas. (E06)

Eu penso que seja qualquer tipo de comportamento que uma pessoa pratique que possa causar danos à vida dela, causar doenças, qualquer coisa que possa prejudicar a vida dela. (E10)

Fazer sexo sem usar camisinha, é não se prevenir. Essas coisas, transar com qualquer um, que tu não conhece, pode pegar uma doença. Pra gravidez é não se prevenir, não usar camisinha e remédio anticoncepcional, essas coisas. (E17)

Uma das adolescentes entrevistadas atribuiu os comportamentos de risco frequentemente adotados por adolescentes em sua vida sexual ao que se chama de “pensamento mágico”, no qual o indivíduo dessa faixa etária se percebe inatingível.

Porque “ah, não vai acontecer comigo”, as pessoas pensam que nunca vai acontecer com elas de pegar uma DST ou até uma gravidez, então, as pessoas, elas meio que não se importam, não levam a sério. (E15)

Nós adolescentes somos às vezes muito irresponsáveis, a gente acha que nunca vai acontecer com a gente, só com as outras pessoas. (E20)

Conhecimento de IST/AIDS

Quando questionados sobre o que sabiam a respeito de IST/AIDS, alguns adolescentes citaram os próprios conceitos das siglas, formas de transmissão e até mesmo mecanismos de ação do HIV. Além disso, citaram o fato de que, apesar de a AIDS oferecer muitos riscos, hoje é uma doença tratável e ressaltaram a importância do diagnóstico precoce.

DST, como o próprio nome diz, são Doenças Sexualmente Transmissíveis [...]. São doenças adquiridas a partir do ato sexual. A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida que, no caso, o vírus, ele vai se instalar principalmente nas células de defesa do nosso organismo e quando outro agente invade o nosso corpo, como por exemplo uma gripe, ela pode acabar com a pessoa por causa que ela não vai ter as defesas suficientes pra combater a gripe, por exemplo. (E01)

É uma doença que também dá pra pegar com transfusão de sangue e por meio de relação sexual. (E14)

As Doenças Sexualmente “Transmissivas” são transmitidas sem o uso de preservativos. (E21)

Conhecimentos acerca das práticas de prevenção das IST/AIDS e da gravidez

O método de prevenção da gravidez e das IST mais conhecido e citado espontaneamente pela grande maioria dos adolescentes foi o preservativo e, especificamente para a gravidez, os contraceptivos orais. Além desses, para prevenção da gravidez foram citados a vasectomia, o diafragma, os anticoncepcionais injetáveis, a pílula do dia seguinte, o DIU e a tabelinha. Ainda foram citados, para IST, o não compartilhamento de seringas, aliado aos cuidados em transfusões sanguíneas.

Tem várias formas de prevenir, como o uso de preservativos, [...] uso de anticoncepcionais no caso da gravidez; no caso das DSTs também seria uso de preservativos e [...] orientação dos pais, orientação da família principalmente, e ter a cabeça no lugar. (E01)

A gravidez a gente tem várias formas de prevenir, né? Tem vários anticoncepcionais e métodos contraceptivos, mas as IST principalmente usando camisinha porque precisa ter uma espécie de barreira entre os órgãos genitais. (E08)

A camisinha, os métodos contraceptivos como a pílula do dia seguinte, o DIU e os outros métodos mais invasivos, né? (E11)

É, eu procuro me prevenir também. É, tem a pílula do dia seguinte e tem aquele que toma todo mês né? Eu só conheço esses dois. (E05)

É, usar camisinha, né? Usar anticoncepcional, é, é isso. (E15)

Muitos adolescentes declaram ainda não ter vida sexual ativa; dentre estes, alguns afirmaram não terem intenção de iniciar no momento, mas demonstraram disposição em conhecer melhor o parceiro quando for o momento, usar preservativo, anticoncepcional e referiram a importância do conhecimento a respeito das IST e suas formas de contágio.

Então, eu ainda não tenho relações, vida sexual ativa, mas eu pretendo quando eu tiver tomar cuidado com o meu parceiro, conhecer melhor, usar prevenção também. (E02)

Não sei, eu não penso assim, não penso em fazer... tem gente, né? Que fala “ah, besteira”, mas eu não penso. De vez em quando a gente conversa sobre isso, mas eu não penso, nesse momento, não. (E03)

Eu sinceramente não preciso de muita coisa porque sou virgem [...], mas é importante ter certos cuidados com algumas doenças, como por exemplo a AIDS, a gente não pega só através de relação sexual, né? Tem outras formas[...] O uso de seringas, essas coisas. Então a gente tem que ter esses cuidados, ter conhecimento sobre essas doenças pra saber o que realmente pode pegar só através do sexo e o que não pode. (E08)

No caso, eu sou virgem, mas eu acho que o que deve ser feito é se prevenir, usar camisinha pra todos os casos e tomar remédio anticoncepcional. (E17)

DISCUSSÃO

Evidencia-se que o conhecimento e as percepções sobre a sexualidade são compreendidos no sentido degênero e opção sexual, portanto manifestados pelo comportamento sexual e atitudes com o outro.

A sexualidade pode ser compreendida como o desejo de contato, calor, carinho ou amor, sendo a sexualidade um fenômeno da existência humana, presente na vida de adolescentes. Na família, o diálogo sobre sexualidade e sexo, no geral, ainda é tabu. Os adolescentes adquirem essas informações predominantemente com amigos, revistas, filmes, televisão e internet, e com menos frequência de professores e de profissionais de saúde. Os pais, em muitos casos, transferem a responsabilidade da educação sexual para a escola. Nesse contexto, a escola e o Estado devem caminhar juntos em busca de uma educação que contemple essa temática na sua transversalidade. É importante que os pais não deleguem a outros a tarefa de falar com os filhos sobre sexo, também é fundamental saber qual a forma mais adequada para abordar o assunto(10).

De acordo com os resultados deste estudo, observou-se que os adolescentes reconhecem que a família e a escola devem compartilhar a responsabilidade de informar os adolescentes. Ter o pai como fonte de informação sobre sexualidade, prevenção às IST/AIDS e contracepção e sentir-se à vontade para conversar sobre a vida sexual com a mãe apresenta associação positiva com o uso consistente de contraceptivos(11).

O professor constitui a primeira opção entre os adolescentes sobre as fontes de informação sobre IST, ratificando a sua importância na função natural de educador sexual no ambiente escolar(12).

No que diz respeito aos prejuízos decorrentes da desinformação, as IST constituem-se ainda em sério problema de saúde pública, principalmente na adolescência, podendo deixar sequelas, curáveis ou não, como infertilidade, gravidez ectópica, câncer genital, doença hepática crônica, entre outras. Faz-se necessário para tanto o desenvolvimento de trabalhos preventivos baseados na compreensão de como os jovens percebem e conduzem sua vida sexual, pois a falta dessa compreensão tem levado a estratégias de prevenção que ou trazem uma linguagem metafórica, dificultando sua compreensão, ou, em outros casos, vulgarizam o assunto instigando preconceitos de ordens diversas(13).

Estudo(11) realizado para descrever as fontes de informação sobre sexualidade e contracepção utilizadas por adolescentes mostrou que mais de 85% das adolescentes possuía alguma informação sobre como evitar filhos e IST antes de engravidar. Cerca de 55% afirmou ter alguém com quem conversar sobre o assunto, e na escala de preferências ficaram as amigas com 36,3%, seguida da mãe com 25,5% e parceiro com 16,6%. As adolescentes em geral sabem que o preservativo evita doenças e gravidez, mas sentem dificuldades em usar.

Os adolescentes não conhecem o próprio corpo e mostraram-se incapazes de reconhecer os sintomas que IST podem provocar e as formas de transmissão da AIDS. Eles associam o fato de que uma pessoa com aparência saudável não pode estar infectada, o que eleva as chances de contraírem IST(14). Ou simplesmente não acreditam na existência do risco de gravidez e doenças desde a primeira relação sexual, considerando-se indestrutíveis e inatingíveis em seu pensamento mágico(6). Esse pensamento foi demonstrado neste estudo quando os adolescentes não levam o risco a sério, por pensarem que uma gravidez indesejada nunca acontecerá a eles.

A IST mais conhecida pelos jovens é a AIDS, referida muitas vezes como HIV; demonstraram ainda insuficiente caracterização da doença e agente causador, além de não manifestarem conhecimento sobre as referidas infecções, desconhecimento esse preocupante, visto que estudos revelam a fase da adolescência como um período que apresenta a sua maior incidência(15).

Outro estudo(15) realizado com jovens mostrou que 50% dos estudantes conheciam o preservativo masculino, 56% afirmou não ter iniciado a vida sexual. Em relação ao conhecimento das Infecções Sexualmente Transmissíveis 90% só conhecia a AIDS e a forma de evitar foi citado o uso do preservativo.

No entanto, outra investigação(12) aponta que uma grande porcentagem dos adolescentes não conhecia nenhuma forma de contágio das IST, mostrando que, apesar da difusão pelos veículos sociais de informação, estas não têm alcançado a população de forma efetiva. As porcentagens de adolescentes que desconheciam os sinais e sintomas foram ainda maiores em relação ao desconhecimento das formas de contágio. Nesta pesquisa, foram citados os preservativos e outros métodos anticoncepcionais, além da orientação da família, constituindo-se uma forma de prevenção.

A utilização de métodos preventivos e contraceptivos não tem uma relação direta com o conhecimento dos adolescentes, mas pode estar relacionada a outros fatores que podem influenciar o comportamento sexual, como seus pensamentos e atitudes determinadas pelas percepções, valores, crenças e sentimentos, os quais condicionam o uso do preservativo de modo correto e regular(15).

No que concerne aos métodos hormonais, estudo(16) aponta que a pílula foi o mais utilizado pelos adolescentes, com 53,19%, e o uso simultâneo da pílula e do preservativo apareceu em 14% da amostra, demonstrando que a pílula é um dos métodos de maior concentração de informações.

Em estudo investigativo(15), que avaliou o conhecimento de adolescentes sobre a contaminação/transmissão das IST, a AIDS foi a mais reconhecida pelos jovens e o ato sexual sem preservativo a forma de transmissão mais conhecida, seguida de uso de aparelhos perfurocortantes, como tesoura, barbeador e seringa compartilhada, e ainda outros entendimentos equivocados, como beijo em pessoas com feridas na boca e uso comum de objetos contaminados, como colheres e toalhas, respostas essas que nos apontam um conhecimento errôneo e superficial dos jovens, pois as formas reais de transmissão não foram devidamente identificadas, mesmo sendo essa a patologia mais reconhecida e também por ser frequentemente alvo de campanhas publicitárias do governo.

Estudo(6) apontou que algumas informações mostraram-se equivocadas em relação à possível infecção pelo HIV; 19,0% acreditava que não usar os sanitários públicos é uma das formas de prevenção da AIDS e 6,2% acreditava que a referida doença possa ser transmitida pela picada de insetos. O estudo indicou a adoção de práticas educativas nas escolas envolvendo diferentes disciplinas curriculares.

Outro estudo(17) aponta que o conhecimento sobre IST não é um tema desconhecido para os adolescentes, que a maioria associa a forma correta de prevenção dessas infecções com o uso do preservativo;jáo uso dos métodos preventivos não possui relação direta com o conhecimento, pois seu uso efetivo envolve aspectos históricos e culturais, o que pode dificultar uma transformação comportamental para a vivência segura do ato sexual.

O temor de uma gravidez precoce esteve presente em todos os grupos de adolescentes participantes de um estudo(16); o medo da gravidez foi revelado pelos adolescentes neste estudo.

O preservativo masculino é o método mais conhecido contra IST e gravidez entre os jovens, mas, apesar do aumento da frequência do uso de preservativo entre os jovens, o uso consistente não é frequente, principalmente nas relações eventuais e não programadas, caracterizando, portanto, um comportamento de risco. Apenas um terço dos adolescentes ou menos usa preservativo sempre, sendo a maior preocupação com uma gravidez não planejada(13,18-19).

Em investigação(15) realizada com estudantes de escolas públicas sobre sexualidade, métodos contraceptivos e doenças sexualmente transmissíveis, 36,2% afirmou usar o preservativo, principalmente o masculino, já que a maioria das mulheres não conhecia ou não tinha acesso ao preservativo feminino; 3,7% usava a pílula anticoncepcional. Neste estudo, os métodos mais citados foram a camisinha e anticoncepcional oral.

Outro estudo(20) apontou que o uso do preservativo está relacionado a questões financeiras, culturais e de acesso ao insumo, e que a baixa escolaridade e o empobrecimento aumentam as condições de vulnerabilidade do adolescente. Aqueles com menos condições sociais para colocar projetos futuros em prática e conquistar satisfação social estão mais suscetíveis à iniciação precoce do sexo, deixando-os mais propício às doenças e gravidez indesejada. A iniciação sexual precoce torna-se um problema de saúde pública por estar acompanhada do uso inconstante de preservativo, principalmente na primeira relação sexual, de forma que protelar o início da atividade sexual pode ser considerado um fator protetor(15). Esse comportamento de adiamento do início da atividade sexual como forma de prevenção foi percebido em diversos relatos neste estudo.

Limitações do estudo

Este estudo limitou-se a abordar estudantes do Ensino Médio, dos quais alguns demonstraram dificuldades para se expressar a respeito do tema. Outra limitação encontra-se no fato de a escola localizar-se em área considerada privilegiada por ser colégio universitário e, por fim, sendo a amostra não probabilística intencional, os resultados aplicam-se apenas à população pesquisada.

Contribuições para a área da enfermagem, saúde ou política pública

O estudo traz sua contribuição para a enfermagem na discussão do papel do enfermeiro na orientação sexual do adolescente na escola e quanto à importância das ações do enfermeiro no papel de educador. Embora a orientação sexual de adolescentes seja um assunto já bastante abordado na atualidade, no ambiente escolar não é um assunto fácil de ser trabalhado, pois envolve a escola, os educadores, a família e o próprio adolescente. Portanto, a enfermagem inserida nesse contexto tem papel importante na atuação das práticas educativas sobre prevenção de IST, AIDS e gravidez indesejada, entre outras necessidades do grupo de adolescentes.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados mostraram que a sexualidade é entendida de várias maneiras; entretanto, foi frequente a compreensão de sexualidade como comportamento sexual e forma de sentir prazer.

O conhecimento sobre a prevenção de IST e gravidez foi principalmente relacionado ao uso de preservativos, anticoncepcionais orais e adiamento do início da atividade sexual. Em relação à AIDS os entrevistados mostraram algum desconhecimento quanto às formas de transmissão. O comportamento de risco foi associado ao número de parceiros e a outros comportamentos que possam causar riscos à saúde.

Os adolescentes reconhecem que a participação da escola é importante, enfatizando que as palestras são fundamentais para as orientações. Estas, assim como a família, podem contribuir significativamente para a proteção contra a gravidez indesejada. Porém, o sexo sem uso do preservativo, o desconhecimento dos riscos, a desinformação e a falta de programas de prevenção na maioria das escolas brasileiras são fatores que favorecem o aumento do número de adolescentes portadores de HIV e de gravidez indesejada. Os resultados do presente estudo mostram a necessidade de ações educativas de prevenção para os adolescentes e do compromisso da escola, considerando seu importante papel na educação.

A escola é um ambiente favorável para a promoção da saúde dos adolescentes, pois pode orientar a tomada de decisões e na conduta deles. Faz-se necessário, no entanto, o debate sobre sexualidade, gravidez na adolescência em uma ação conjunta com a participação dos pais, educadores, profissionais da saúde, buscando a atenção integral à saúde do adolescente, pois a falta de informações sobre a sexualidade contribui para a vulnerabilidade dos adolescentes. Para isso, devem-se buscar estratégias que favoreçam a interação do professor participando nas ações educativas, a compreensão da sexualidade e a promoção e prevenção dessa população vulnerável.

FOMENTO

Este estudo contou com o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa e Desenvolvimento Científico do Maranhão (FAPEMA).

REFERÊNCIAS

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Recebido: 11 de Novembro de 2016; Aceito: 14 de Março de 2017

CORRESPONDING AUTHOR: Rebeca Aranha Arrais Santos Almeida. E-mail: rebeca_aranha@yahoo.com.br

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