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Revista Brasileira de Otorrinolaringologia

Print version ISSN 0034-7299

Rev. Bras. Otorrinolaringol. vol.71 no.3 São Paulo May/June 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-72992005000300006 

ARTIGO ORIGINAL

 

Equilíbrio no idoso

 

 

Sheelen Larissa RuwerI; Angela Garcia RossiII; Larissa Fortunato SimonIII

IEspecialização em fonoaudiologia, área de concentração: audição. Mestranda em Distúrbios da Comunicação Humana, área de concentração: audição, Fonoaudióloga
IIDoutora em Distúrbios da Comunicação Humana pela UNIFESP - EPM; Professora Adjunto do Departamento de Otorrino-fonoaudiologia da UFSM
IIIFonoaudióloga

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Com o passar dos anos, o organismo humano passa por um processo natural de envelhecimento, gerando modificações funcionais e estruturais no organismo. As vias responsáveis pelo equilíbrio corporal também sofrem com o processo do envelhecimento, gerando grande impacto para os idosos.
OBJETIVO: Assim, o presente trabalho objetiva estudar a função vestibular de idosos em função das queixas de tontura, zumbido e dificuldade auditiva.
FORMA DE ESTUDO: Coorte transversal.
MATERIAL E MÉTODO: Foram avaliados 80 idosos de dois grupos distintos: Grupo A - composto por 38 mulheres e dois homens pertencentes a um grupo de terceira idade; e Grupo B: composto por 35 mulheres e cinco homens com queixas efetivas de alterações do equilíbrio corporal.
RESULTADO: Os idosos foram submetidos à anamnese, sendo investigados prioritariamente aspectos relativos a tontura, zumbido e dificuldade auditiva; e à avaliação vestibular, realizada por intermédio do sistema computadorizado de vecto-eletronistagmografia SCV 5.0. Os resultados demonstram uma diferença estatisticamente significante entre os grupos, no que diz respeito às queixas de tontura e zumbido, as quais prevaleceram nos indivíduos do grupo B. Na hipótese diagnóstica predominante à vecto-eletronistagmografia computadorizada constatou-se que a maioria dos idosos apresentou diagnóstico normal, porém verificou-se a prevalência de alterações vestibulares nos idosos como Síndrome vestibular periférica deficitária e Síndrome vestibular periférica irritativa. Não se observou sinais patognomônicos de alterações centrais ao exame vestibular.
CONCLUSÃO: Concluiu-se que as alterações vestibulares à Vecto-eletronistagmografia, em função das queixas de tontura, zumbido e dificuldade auditiva, são numericamente semelhantes no Grupo de Terceira Idade e no Grupo de idosos com queixas efetivas de alterações do equilíbrio corporal.

Palavras-chave: idosos, equilíbrio, avaliação vestibular.


 

 

INTRODUÇÃO

A melhoria das condições de saúde e a crescente expectativa de vida no mundo, bem como no Brasil, acarretou o crescimento da população de terceira idade, e com isso, a elevação da incidência de doenças relacionadas a esse período da vida.

A contribuição da Medicina atual em função da população geriátrica tem sido de grande valia, pelo controle das doenças relacionadas a essa faixa etária, dessa forma favorecendo o aumento da expectativa média de vida.

Com o passar dos anos, o organismo humano passa por um processo natural de envelhecimento, gerando modificações funcionais e estruturais no organismo, diminuindo a vitalidade e favorecendo o aparecimento de doenças, sendo mais prevalentes as alterações sensoriais, as doenças ósseas, cardiovasculares e o diabetes1.

O envelhecimento compromete a habilidade do sistema nervoso central em realizar o processamento dos sinais vestibulares, visuais e proprioceptivos responsáveis pela manutenção do equilíbrio corporal, bem como diminui a capacidade de modificações dos reflexos adaptativos. Esses processos degenerativos são responsáveis pela ocorrência de vertigem e/ou tontura (presbivertigem) e de desequilíbrio (presbiataxia) na população geriátrica.

As tonturas são sintomas extremamente freqüentes em todo o mundo, ocorrendo em todas as faixas etárias, principalmente em adultos e idosos. Até os 65 anos de idade, a tontura é considerada o segundo sintoma de maior prevalência mundial. Após esta idade, seria o sintoma mais comum. Em indivíduos com idade superior a 75 anos, a prevalência seria da ordem de 80%2.

Um dos principais fatores que limitam hoje a vida do idoso é o desequilíbrio. Em 80% dos casos não pode ser atribuído a uma causa específica, mas sim a um comprometimento do sistema de equilíbrio como um todo. Em mais da metade dos casos o desequilíbrio tem origem entre os 65 e os 75 anos aproximadamente e cerca de 30% dos idosos apresenta os sintomas nesta idade. As quedas são as conseqüências mais perigosas do desequilíbrio e da dificuldade de locomoção, sendo seguidas por fraturas, deixando os idosos acamados por dias ou meses e sendo responsáveis por 70% das mortes acidentais em pessoas com mais de 75 anos3.

As manifestações dos distúrbios do equilíbrio corporal têm grande impacto para os idosos, podendo levá-los à redução de sua autonomia social, uma vez que acabam reduzindo suas atividades de vida diária, pela predisposição a quedas e fraturas, trazendo sofrimento, imobilidade corporal, medo de cair novamente e altos custos com o tratamento de saúde.

Sabendo-se que na população geriátrica a ocorrência de tontura (rotatórias ou não), desequilíbrio e quedas são queixas freqüentes, ressalta-se a necessidade da realização de avaliações da função vestibular, pois por meio dessa pode-se detectar importantes implicações diagnósticas, prognósticas e até mesmo profiláticas e terapêuticas junto a esta população.

Assim, o presente trabalho tem como objetivo estudar a função vestibular de dois grupos de idosos em função das queixas de tontura, zumbido e dificuldade auditiva.

 

MATERIAL E MÉTODO

Esta pesquisa foi desenvolvida no Ambulatório de Otoneurologia do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) onde foram avaliados 80 pacientes com idade igual ou superior a 60 anos, de acordo com a Portaria nº 1.395/GM da Política Nacional de Saúde do Idoso (1999)4.

Os 80 idosos compunham dois grupos distintos, caracterizados da seguinte forma:

Grupo A: composto por 40 idosos pertencentes a um grupo de terceira idade da cidade de Santa Maria, RS - Grupo Mexe Coração - onde os idosos realizam atividades diversas semanalmente, sendo 38 indivíduos do sexo feminino e dois indivíduos do sexo masculino;

Grupo B: composto por 40 idosos com queixas efetivas de alterações do equilíbrio corporal, os quais procuraram o Ambulatório de Otoneurologia do HUSM por indicação médica, sendo 35 indivíduos do sexo feminino e cinco indivíduos do sexo masculino.

Os critérios de inclusão para esse estudo foram:

  • ter idade igual ou superior a 60 anos (de acordo com a Portaria nº 1.395/GM da Política Nacional de Saúde do Idoso, 1999)4;
  • participar do Grupo de Idosos Mexe Coração da Cidade de Santa Maria - RS, ou ter realizado avaliação vestibular no HUSM, por indicação especializada, no período de outubro de 2002 a outubro de 2003, com consentimento prévio para integrar o estudo.

Seguindo os preceitos atuais de ética nas pesquisas que envolvem seres humanos, só participaram dessa pesquisa aqueles indivíduos que concordaram com livre arbítrio e sem coação, os quais, após terem recebido orientações a respeito do projeto, assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Realizou-se previamente o exame otorrinolaringológico, com o objetivo de excluir quaisquer afecções de orelhas, nariz e/ou garganta.

Os pacientes foram submetidos à anamnese e à avaliação vestibular. Na anamnese foram investigados prioritariamente aspectos relativos à tontura, zumbido e dificuldade auditiva. A avaliação vestibular foi realizada por intermédio do sistema computadorizado de vecto-eletronistagmografia (VENG) SCV 5.0 da marca Contronic, o qual realiza a avaliação vestíbulo-oculomotora por meio de uma disposição triangular de eletrodos colocados perto dos olhos, que registram a variação do potencial córneo-retinal durante a movimentação dos olhos. Destinam-se basicamente ao registro do nistagmo, que é o movimento de maior interesse em otoneurologia.

Foi realizada uma limpeza prévia da pele da região periorbitária de cada lado, aplicando-se então pasta eletrolítica aos três eletrodos ativos e um eletrodo neutro, os quais foram fixados com fita adesiva, dispostos como demonstrado na Figura 1. O eletrodo indiferente (terra) foi fixado na região frontal, o eletrodo superior na linha média, dois centímetros acima da glabela, e os outros dois eletrodos foram fixados em cada extremo dos olhos.

 

 

Os pacientes examinados foram orientados no sentido de absterem-se de bebidas alcoólicas, medicamentos não-essenciais, de beber chá, café ou chocolate e de fumar por pelo menos 24 horas antes da realização do exame vestibular e, de fazerem jejum de pelo menos 3 horas antes da avaliação.

Para a análise estatística dos dados, utilizou-se o Teste Qui-Quadrado de PEARSON, sendo considerado como nível de significância o valor de 0,05 ou 5%, para comparação entre os grupos.

 

RESULTADOS

Por intermédio da análise dos dados, pode-se observar que em relação à presença de queixa de tontura (Tabela 1) e de zumbido (Tabela 2) houve uma diferença estatisticamente significante entre os grupos, onde se verificou a maior incidência de queixa de tontura e zumbido nos indivíduos do grupo B.

 

 

 

 

Em relação à presença ou ausência de queixa de dificuldade auditiva (Tabela 3) não houve diferença estatisticamente significante entre os grupos. Mesmo não havendo essa significância, pode-se verificar que o Grupo B apresentou valores maiores do que o Grupo A em relação a essa queixa.

 

 

Verificou-se que os resultados obtidos à calibração apresentaram-se regular em 100% (n = 80) dos indivíduos de ambos os grupos.

Em relação ao nistagmo espontâneo (com olhos abertos e fechados) e direcional, detectou-se a ausência de ambos em todos os idosos estudados.

Observou-se na pesquisa do Rastreio Pendular horizontal (RPh) (Tabelas 4) que a grande maioria dos idosos, de ambos os grupos, obteve RPh do tipo I e II, sendo prevalente o RPh do tipo I no Grupo B e do tipo II no Grupo A. Na análise estatística não se observou associação significante entre o tipo de RPh em função dos grupos. Na pesquisa do Rastreio pendular vertical (RPv) (Tabela 5) pode-se observar que nesta prova o RPv do tipo I prevaleceu nos idosos do Grupo B, o RPv do tipo III nos idosos do Grupo A, sendo que a maioria dos idosos, de ambos os grupos, obteve RPv do tipo II. Através da análise dos dados verificou-se diferença estatisticamente significante entre os grupos. Nesse estudo não se considerou o rastreio pendular do tipo III como sinal de comprometimento central ao exame, pois os distúrbios visuais poderiam interferir na análise desta prova.

 

 

 

 

Constatou-se, a respeito dos resultados obtidos à prova do Nistagmo Optocinético Horizontal (Tabela 6) que a maioria dos idosos, de ambos os grupos, apresentou simetria nessa prova, não havendo diferença estatisticamente significante na comparação entre os grupos.

 

 

Com relação aos resultados obtidos na PRPD - pesquisa do Nistagmo Per-rotatório (NPR) - (Tabela 7) pode-se observar que nessa prova a grande maioria dos indivíduos estudados apresentou simetria ao NPR, sendo que no grupo A predominou esse achado.

 

 

Verificou-se que na pesquisa do Nistagmo pós-calórico (Tabela 8) a maioria dos idosos apresentou como resultado à prova calórica normorreflexia. Porém, um número razoável de idosos obteve alteração a essa prova, sendo que a alteração mais encontrada foi o Predomínio labiríntico, presente em 13,75% (n = 16) dos idosos. Não foi evidenciada associação estatisticamente significante nas comparações entre os grupos.

 

 

Os resultados obtidos na avaliação vestibular por intermédio da VENG computadorizada (Tabela 9) demonstraram que a maioria dos idosos apresentou diagnóstico normal. Porém, verificaram-se alguns casos de alterações vestibulares nos idosos, prevalecendo a Síndrome vestibular periférica deficitária e Síndrome vestibular periférica irritativa. Não se observou sinais patognomônicos de alterações centrais ao exame vestibular. A análise estatística demonstrou não haver associação estatisticamente significante nas comparações entre os grupos.

 

 

DISCUSSÃO

Salienta-se que os dados deste estudo foram confrontados apenas com a literatura que relata as alterações vestibulares em idosos num âmbito geral, pois na literatura compulsada não se encontrou relato de comparações entre grupos de idosos semelhantes a essa pesquisa.

Verificou-se, neste estudo, que a maior incidência de queixa de tontura foi identificada nos indivíduos do grupo B. Assim, pode-se inferir que a queixa de tontura torna-se menos incidente nos idosos que apresentam uma vida ativa, que realizam atividade física, social e intelectual. Os resultados encontrados corroboram com a literatura consultada na qual relataram que a vertigem é o sintoma que aflige 61% das pessoas com mais de 70 anos; presente em 50% a 60% dos idosos que vivem em suas casas ou 81% a 91% dos idosos atendidos em ambulatórios geriátricos5. Outras estimativas apontam que uma em cada dez pessoas no mundo tem ou teve tontura. Até os 65 anos de idade, a tontura é considerada o segundo sintoma de maior prevalência mundial. Após esta idade, seria o sintoma mais comum. Em indivíduos com idade superior a 75 anos, a prevalência seria da ordem de 80%6. A maior prevalência de tontura em indivíduos idosos seria devido à alta sensibilidade dos sistemas auditivo e vestibular a problemas clínicos situados em outras partes do corpo humano e ao processo de deterioração funcional destes sistemas com o envelhecimento7.

A queixa de zumbido teve maior incidência também nos indivíduos do Grupo B. Dessa forma, como em relação à queixa de tontura, pode-se inferir que a incidência da queixa de zumbido apresenta-se maior naqueles indivíduos que possuem uma vida com pouca atividade física, social e intelectual. Os resultados encontrados se assemelham aos encontrados na literatura compulsada que encontraram uma incidência de queixa de zumbido na população geriátrica na ordem de 79,4%6. As estatísticas do National Institute of Health (EUA)7 demonstram a prevalência da queixa de zumbido (17%) na população que procura esta instituição, principalmente em indivíduos idosos. Há consenso na literatura da ocorrência relevante de queixas como zumbido em pacientes idosos6.

Em relação à presença ou ausência de queixa de dificuldade auditiva, mesmo não havendo diferença estatisticamente significante entre os grupos estudados, pode-se verificar que o Grupo B apresentou valores maiores do que o Grupo A. Este estudo se assemelha ao da literatura consultada a qual relata que suas estatísticas apontam uma prevalência significativa de perda auditiva (13%) na população que procura esta instituição, principalmente em indivíduos idosos7.

Há consenso na literatura de que a ocorrência de tonturas, desequilíbrios e quedas são as queixas mais comuns no indivíduo idoso. Queixas como: zumbido, dificuldade de compreender a fala em ambientes ruidosos, dificuldade para perceber sons agudos e intolerância a sons intensos, são também comuns e podem acompanhar estas manifestações2,6.

Os resultados obtidos à Calibração apresentaram-se regular em todos os indivíduos de ambos os grupos, o que vem ao encontro dos achados da literatura consultada6,8,9.

Nos Nistagmo Espontâneo (com olhos abertos e fechados) e Direcional, observou-se ausência de ambos os nistagmos em todos os idosos estudados, bem como nos trabalhos de outros autores6,8.

No que diz respeito ao Rastreio pendular pode-se observar que, tanto na pesquisa do Rastreio pendular horizontal como no Rastreio pendular vertical, a grande maioria dos idosos apresentou Nistagmo Pendular do tipo II. Também se percebeu elevada incidência de Nistagmo Pendular do tipo III, principalmente no Grupo A, fato esse não explicado através da literatura compulsada, tornando-se um questionamento para futuras pesquisas. A maior incidência de Nistagmo Pendular dos tipos II e III nos leva ao encontro dos achados da literatura compulsada os quais colocam que o nistagmo pendular na grande maioria dos idosos está entre o tipo II e III10. Outro estudo que corrobora com esses achados demonstra ter encontrado o rastreio pendular do tipo III em 17,6% dos idosos que compunham sua pesquisa6. Através desses achados, pode-se inferir que o envelhecimento do organismo compromete a força muscular do corpo, em especial da musculatura extrínseca do olho, dificultando assim a perseguição ocular, que se apresenta com entalhes10. Pode-se acrescentar ainda, que estas alterações do ganho do rastreio pendular nos idosos evidenciam que a idade deve ser considerada na análise das provas oculomotoras6.

O Nistagmo Optocinético Horizontal apresentou-se simétrico na grande maioria dos idosos, de ambos os grupos. Sabendo-se que o Nistagmo Optocinético, em geral, é simétrico e apresenta ganho dentro dos padrões de normalidade ou levemente diminuído nas vestibulopatias periféricas11. Os achados de outros autores se assemelham com este estudo, quando encontraram simetria ao Nistagmo Optocinético em todos os pacientes avaliados6. Vindo de encontro a esses achados, a literatura apresenta presença de Nistagmo Optocinético assimétrico em 22,8% dos pacientes avaliados e incoordenado em 8,5%10.

Com relação aos resultados obtidos na PRPD - pesquisa do Nistagmo Per-rotatório - pode-se observar que apenas 5% dos idosos avaliados apresentaram alterações quanto ao Nistagmo Per-rotatório, o que é similar a pesquisas que evidenciaram anormalidades em apenas 2,9% dos pacientes, caracterizadas pela preponderância direcional do nistagmo per-rotatório6.

Verificou-se à Prova Calórica - pesquisa do Nistagmo pós-calórico - que a maioria dos idosos apresentou como resultado normorreflexia, porém observou-se que um número razoável de idosos obteve alteração a essa prova, sendo que a alteração mais encontrada foi o Predomínio labiríntico em 13,75% (n = 16) dos idosos. Esse resultado é similar a estudos, os quais colocaram que a hiporreflexia unilateral do nistagmo pós-calórico é uma alteração comum à avaliação vestibular de indivíduos idosos6,9,12.

Os resultados obtidos na avaliação vestibular por intermédio da VENG computadorizada demonstraram que a maioria dos idosos apresentou diagnóstico normal. Porém, verificaram-se alguns casos de alterações vestibulares nos idosos, prevalecendo a Síndrome vestibular periférica deficitária e Síndrome vestibular periférica irritativa. Não se observou sinais patognomônicos de alterações centrais ao exame vestibular. Esse achado é similar aos de outros autores, os quais também não encontraram sinais de comprometimento central em idosos6,8,13,14. Esse achado vem de encontro ao estudo de outros pesquisadores que encontraram em 9% dos idosos disritmias, que seria conseqüente ao comprometimento da estrutura cerebelar; e ondas quadráticas em 14%, que sugerem como sendo lesão difusa do tronco cerebral10.

No que diz respeito ao tipo de alteração vestibular, alguns autores descrevem a alta incidência de alterações do tipo irritativo13, ou proporções semelhantes de Síndromes periféricas do tipo irritativo e deficitário9, ou ainda a prevalência acentuada de alterações do tipo deficitário6. Nesse estudo, constatou-se que, em relação as alterações encontradas à conclusão da VENG, obteve-se proporções semelhantes em relação às Síndromes periféricas deficitárias e irritativas.

 

CONCLUSÃO

A partir da análise crítica dos resultados apresentados, concluiu-se que:

  • As queixas de zumbido, dificuldade auditiva e principalmente tontura acometem os indivíduos de terceira idade em grande escala, e prioritariamente aqueles que não apresentam uma vida ativa, em detrimento daqueles que realizam atividades diversas em grupos de terceira idade.
  • As alterações vestibulares à vecto-eletronistagmografia, em função das queixas de tontura, zumbido e dificuldade auditiva, são numericamente semelhantes no Grupo de Terceira Idade e no Grupo de idosos com queixas efetivas de alterações do equilíbrio corporal.

 

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Endereço para correspondência
Sheelen Larissa Ruwer
Rua Tupiniquins, 441 Centro
98000-500 Tenente Portela RS
Tel (0xx55) 3551-1436 ou 9996-4052
E-mail: slrfonoaudiologia@redemeganet.com.br, sheruwer@yahoo.com.br

Artigo recebido em 10 de março de 2005. Artigo aceito em 10 de maio de 2005.

 

 

Pesquisa realizada no Ambulatório de Otoneurologia do Hospital Universitário de Santa Maria - HUSM.

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