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Acta Amazonica

Print version ISSN 0044-5967On-line version ISSN 1809-4392

Acta Amaz. vol.35 no.4 Manaus Oct./Dec. 2005

https://doi.org/10.1590/S0044-59672005000400002 

MEMORIAL

 

Marlene Freitas da Silva (1937-2005)

 

 

Luiz Augusto Gomes de Souza

Pesquisador do INPA/CPCA

 

 

 

Em 18 de outubro de 2005 faleceu em Manaus aos 68 anos de idade após quase 50 anos de exercício profissional a mais importante taxonomista da Amazônia especializada na família botânica Leguminosae, a ilustre pesquisadora do INPA e professora da UTAM (UEA) Marlene Freitas da Silva.

Dra. Marlene nasceu em Manaus, em 12 de agosto de 1937 e sua carreira iniciou-se no INPA em 1956 quando ainda era muito jovem. Em sua formação acadêmica cursou o segundo grau no Colégio Estadual do Amazonas e especializou-se em botânica elementar (1950), botânica básica (1955) e latim para botânicos (1969). De 1967 a 1970 fez o curso de graduação recebendo o grau de Bacharel em Farmácia e Bioquímica pela Universidade do Amazonas.

Destacada pesquisadora em sua área de atuação foi fundadora do Departamento de Botânica do INPA, atual Coordenação de Pesquisas em Botânica. Em 1973, Marlene Freitas integrou a primeira turma de alunos dos cursos de pós-graduação do INPA e foi orientada pelo Dr. Guillean Tholmie Prance concluindo o seu mestrado em Ciências Biológicas em 1976, quando revisou a taxonomia do gênero Peltogyne (Leg. Caesalpinioideae). Em seu doutoramento em Ciências Biológicas, concluído em 1980, explorou a taxonomia do gênero Dimorphandra (Leg. Caesalpinioideae) cujos principais resultados foram divulgados na Flora Neotropica de 1986, revista do Jardim Botânico de New York, numa das raras edições da revista no idioma português. Seus estudos com leguminosas também envolveram vários gêneros desta numerosa família tais como: Cedrelinga, Copaifera, Crudia, Cynometra, Diplotropis, Diptychandra, Enterolobium, Hymenaea, Jacqueshuberia, Martiodendron, Platymiscium, Senna e Vouacapoua. Em 1989 publicou uma chek-list de leguminosas da Amazônia agrupando 1241 espécies distribuídas em 148 gêneros.

Entre suas principais realizações está a publicação em autoria ou co-autoria de 13 livros dentre eles a revisão taxonômica da família Caryocaraceae (1973), junto com o Dr. Prance e outros como o Catálogo de Madeiras da Amazônia (1968), Árvores de Manaus (1975), Nomes vulgares de plantas Amazônicas (1977), Plantas tóxicas da Amazônia a bovinos e outros herbívoros (1979), Essências madeireiras da Amazônia (1979), Plantas que matam bovinos na Amazônia (1983), A botânica no Brasil: descrição do quadro atual e linhas de ação (1987), Catálogo do pólen das leguminosas da Amazônia Brasileira (1996), e outros. Seu último livro foi Nome populares de Leguminosas do Brasil publicado em 2004.

Dra. Marlene, como era conhecida, teve influência determinante na produção de novos conhecimentos científicos nas áreas de sistemática, biogeografia, palinologia, agronomia, etc., com 72 trabalhos publicados, e orientação de 12 dissertações de mestrado, 4 teses de doutorado e 60 participações em bancas examinadoras de pós-graduação. Sua contribuição na formação de recursos humanos incluiu o ensino em salas de aula, monografias de graduação, iniciação científica, orientação de estágios, etc.

Além de ter se tornado a principal especialista das Leguminosae na Amazônia, seus estudos botânicos também envolveram as Bignoniaceae, Clusiaceae Elaeocarpaceae, Euphorbiaceae, Podostemaceae, Rutaceae, Sapindaceae, Sapotaceae, Sterculiaceae e Styracaceae.

Dentre os numerosos cargos que ocupou com desempenho e dedicação exemplares Dra. Marlene foi Chefe do Departamento de Botânica do INPA, Coordenadora Geral do Projeto Flora Amazônica onde fez pesquisas pioneiras sobre a Flora da Reserva Ducke além de outras regiões da Amazônia e membro do Conselho Editorial da revista Acta Amazonica e do Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Seu trabalho foi fundamental para a construção, estruturação e reconhecimento do herbário do INPA, hoje o mais importante da região amazônica, onde atuou como curadora de 1975 a 1992.

Até este ano, Marlene Freitas da Silva estava exercendo a coordenação do curso de Pós Graduação em Botânica do INPA mas também dirigia o curso de Mestrado em Biologia em Recursos Naturais da Universidade Estadual do Amazonas, UEA, onde desenvolvia o projeto ''Infraestrutura para consolidação do Curso de Pós-Graduação em Biotecnologia e Recursos Naturais da Universidade do Estado do Amazonas''.

Entre as 17 premiações, menções honrosas e condecorações que recebeu ao longo da carreira, a última foi em 2005, a Comenda do Mérito Farmacêutico, do Conselho Federal de Farmácia. Foi também muito homenageada pelos botânicos e seu nome passou a fazer parte de novas espécies de plantas como Couepia marlenei, Heteropteryx marlenei e Tallisia mollis var. marleneae, etc. Dos seus estudos de taxonomia de espécies da Amazônia 25 novos arranjos taxonômicos foram propostos para a ciência o que estabelece uma medida do seu compromisso em estudar a biodiversidade vegetal da Amazônia nestes tempos em que a região está submetida a pressões de destruição.

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