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Arquivos Brasileiros de Cardiologia

Print version ISSN 0066-782X

Arq. Bras. Cardiol. vol.84  suppl.1 São Paulo Apr. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0066-782X2005000700001 

I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica

 

 

Editorial

Reconhecida como uma entidade complexa que associa fatores de risco cardiovasculares bem estabelecidos, como hipertensão arterial, hipercolesterolemia, e diabetes, entre outros, com a deposição central de gordura e a resistência à insulina, a Síndrome Metabólica já ganha a dimensão como um dos principais desafios da prática clínica nesse início de século. Afinal, sua concomitância com afecções cardiovasculares aumenta a mortalidade geral em cerca de 1,5 vezes e a cardiovascular em aproximadamente 2,5 vezes.

Compreendendo a importância do tema e coerente com os avanços mais atuais dos conhecimentos científicos, a Sociedade Brasileira de Hipertensão, então sob a presidência do Dr. Ayrton Pires Brandão, se empenhou na estruturação e realização da I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica.

Para tanto, contou com o apoio e a participação efetiva de quatro outras grandes Sociedades médicas de abrangência nacional:

• Sociedade Brasileira de Cardiologia.

• Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

• Sociedade Brasileira de Diabetes.

• Associação Brasileira para Estudos da Obesidade.

Reunindo representantes de todas as instituições citadas, o programa científico foi desenvolvido, sob a forma de Grupos de Trabalho, dentro de um esforço cooperativo de plena integração multidisciplinar e de amplo intercâmbio de experiência entre os quase 80 especialistas convidados. Foi um conjunto exemplar de atividades correlatas que, no período de 12 a 14 de agosto de 2004, conseguiu somar o talento, a capacidade profissional e o interesse comum de todos os envolvidos em produzir um documento objetivo, prático e de indiscutível utilidade para o médico brasileiro.

É de se enfatizar que, após as muitas sessões de trocas de opiniões e vivências, coube à Comissão de Redação a tarefa sempre árdua de organizar as informações discutidas e aprovadas para compor um texto claro, de fácil compreensão e ao mesmo tempo consistente sob o ponto de vista científico:

• Dr. Ayrton Pires Brandão

• Dra. Andréa Araujo Brandão

• Dr. Armando da Rocha Nogueira

• Dr. Henrique Suplicy

• Dr. Jorge Ilha Guimarães

• Dr. José Egídio Paulo de Oliveira.

Ao expressar nosso reconhecimento e nossa gratidão a todos aqueles que de algum modo se dispuseram a tornar essa iniciativa uma realização de indiscutível sucesso, particularizamos nossos aplausos à Comissão Organizadora, à Comissão de Redação e também às empresas farmacêuticas que asseguraram os meios materiais para a implementação do evento, a exemplo do laboratório Boehringer Ingelheim do Brasil, patrocinador exclusivo da revista Hipertensão.

 

Dra. Maria Helena Catelli de Carvalho
Editora

 

 

REALIZAÇÃO

Sociedade Brasileira de Hipertensão
Presidente: Ayrton Pires Brandão

Sociedade Brasileira de Cardiologia
Presidente: Antonio Felipe Simão

Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
Presidente: Valéria Cunha Campos Guimarães

Sociedade Brasileira de Diabetes
Presidente: Leão Zagury

Associação Brasileira para Estudos da Obesidade
Presidente: Giusepe Repetto

 

COORDENAÇÃO GERAL
Ayrton Pires Brandão

 

COMISSÃO DE REDAÇÃO
Ayrton Pires Brandão
Andréa Araujo Brandão
Armando da Rocha Nogueira
Henrique Suplicy
Jorge Ilha Guimarães
José Egídio Paulo de Oliveira

 

COMISSÃO ORGANIZADORA
Amélio Godoy-Matos
Andréa Araujo Brandão
Armando da Rocha Nogueira
Ayrton Pires Brandão
Cesar Cardoso de Oliveira
José Egídio Paulo de Oliveira
Jucinéia Oliveira
Leão Zagury
Lúcia Maria Carraro
Vivian Ellinger

 

 

Apresentação

A Síndrome Metabólica (SM) é um transtorno complexo representado por um conjunto de fatores de risco cardiovascular, usualmente relacionados à deposição central de gordura e à resistência à insulina, devendo ser destacada a sua importância do ponto de vista epidemiológico, responsável pelo aumento da mortalidade cardiovascular estimada em 2,5 vezes.

Conscientes da importância do assunto, os Presidentes da Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e da Associação Brasileira para o Estudo sobre a Obesidade (ABESO), juntaram esforços para elaborar a I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica.

Estabeleceu-se que o documento final deveria expressar a opinião conjunta dos especialistas das diversas áreas envolvidas e que o nível de evidência científica adotado seria aquele recomendado pelo Oxford Centre for Evidence-based Medicine (maio 2001), incorporado pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

Foi então criada uma Comissão Organizadora constituída por representantes das cinco Sociedades envolvidas, que definiu as estratégias políticas, científicas, logísticas e de apoio financeiro que permitissem a consecução do objetivo final.

Os grupos de trabalho encarregados de elaborar os tópicos científicos foram compostos por representantes das cinco áreas, sempre com um coordenador, um coordenador adjunto e diferentes profissionais da área da saúde, num total aproximado de dez membros para cada grupo. Foram criados nove grupos, sendo oito dedicados a temas pontuais da SM e um dedicado especificamente à abordagem conjunta da Síndrome Metabólica.

A cidade do Rio de Janeiro foi escolhida como sede do evento, que ocorreu no período de12 a 14 de agosto de 2004.

A Síndrome Metabólica ainda carece de uma definição bem estabelecida, mas há uma indicação consensual de que o aumento da pressão arterial, os distúrbios do metabolismo dos glicídios e lipídios e o excesso de peso estão, de forma definitiva, associados ao aumento da morbimortalidade cardiovascular, fato observado não só nos países desenvolvidos mas também, e de uma forma preocupante, nos países em desenvolvimento e subdesenvolvidos.

Portanto, a oportunidade de se ter em documento único uma abordagem conjunta desses fatores de risco, de modo que possa ser utilizado não só por especialistas das áreas, mas também pelo conjunto de profissionais da área da saúde, é uma iniciativa pioneira no nosso meio, e esperamos que ele alcance esse objetivo.

Finalmente, gostaria de agradecer a todos os colegas que participaram da realização deste documento e, de uma maneira especial aos Presidentes das Sociedades, que pessoalmente ou através das suas lideranças estiveram presentes durante todo o evento.

 

A Comissão Organizadora

 

 

Graus de Recomendação e Força de Evidência

 

 

Nível de Evidência Científica por Tipo de Estudo

Oxford Centre for Evidence-based Medicine (maio 2001)
Projeto Diretrizes AMB-CFM

 

 

 

Grupos de Trabalho

GRUPO 1

Coordenador:
Armando da Rocha Nogueira

Coordenador Adjunto:
Kátia Verguetti Bloch

Participantes:
• Heno Lopes
• Laércio Joel Franco
• Leila Araújo
• Maria Claudia Irigoen
• Robson Souza Santos
• Sandra Costa Fuchs
• Walmir Coutinho

 

GRUPO 2

Coordenador:
Márcio C. Mancini

Coordenador Adjunto:
Maria Edna de Melo

Participantes:
• Cláudio Gil Soares de Araújo
• Dante Marcelo A. Giorgi
• Luis Carlos Bodanese
• Perseu Seixas de Carvalho
• Sérgio Dib
• Valéria Cunha Campos Guimarães
• Elisardo Vasquez

 

GRUPO 3

Coordenador:
Adriana Costa Forti

Coordenador Adjunto:
Luciana Bahia

Participantes:
• Amélio Godoy-Matos
• Antonio Carlos Palandri Chagas
• Luiz Aparecido Bortoloto
• Marília Brito Gomes
• Mario Fritsch Neves
• Tania Martinez

 

GRUPO 4

Coordenador:
Carlos Eduardo Negrão

Coordenador Adjunto:
Luciana Diniz Nagem Janot Matos

Participantes:
• Altamiro Reis da Costa
• Ana Claudia Ramalho
• Ângela Maria P. Pierin
• Gil Fernando Salles
• Jorge Ilha Guimarães
• Josephina Bressan Monteiro

 

GRUPO 5

Coordenador:
Antonio Felipe Sanjulianni

Coordenador Adjunto:
Oswaldo Kohlmann Junior

Participantes:
• Gustavo Caldas
• José Francisco Kerr Saraiva
• José Péricles Esteves
• Marco Antonio Mota Gomes
• Maria Tereza Zanella
• Milton César Foss
• Thomas Cruz

 

GRUPO 6

Coordenador:
José Egídio Paulo de Oliveira

Coordenador Adjunto:
Antonio Carlos Lerário

Participantes:
• Antonio Carlos Pires
• Carlos Alberto Machado
• Daniel Gianela Neto
• Lílian Soares da Costa
• Roberto Pozzan
• Roberto de Sá Cunha
• Wille Oigman

 

GRUPO 7

Coordenador:
Raul D. Santos

Coordenador Adjunto:
Maria Eliane Campos Magalhães

Participantes:
• Armênio Costa Guimarães
• Edgar Pessoa de Mello Filho
• Francisco Bandeira
• Francisco H. Fonseca
• Josivan Gomes de Lima
• Roselee Pozzan
• Vivian Ellinger

 

GRUPO 8

Coordenador:
Henrique Suplicy

Coordenador Adjunto:
Rosana Bento Radominski

Participantes:
• Alfredo Halpern
• Cesar Cardoso de Oliveira
• Hilton de Castro Chaves
• Istênio Fernandes Pascoal
• José Ribamar Sabóia de Azevedo
• Jucinéia de Oliveira
• Lúcia Maria Carraro
• Maria Eda Kowalsky

 

GRUPO 9

Coordenador:
Ayrton Pires Brandão

Coordenador Adjunto:
Paulo César Veiga Jardim

Participantes:
• Andréa Araujo Brandão
• Antonio Roberto Chacra
• Artur Beltrame Ribeiro
• Emílio H. Morigushi
• Flávio Dani Fuchs
• Nelson Rassi
• Protásio Lemos da Luz

 

 

Conceituação, Epidemiologia e Diagnóstico

A Síndrome Metabólica (SM) é um transtorno complexo representado por um conjunto de fatores de risco cardiovascular usualmente relacionados à deposição central de gordura e à resistência à insulina. É importante destacar a associação da SM com a doença cardiovascular, aumentando a mortalidade geral em cerca de 1,5 vezes e a cardiovascular em cerca de 2,5 vezes1-5 (B, 2A).

Não foram encontrados estudos sobre a prevalência da SM com dados representativos da população brasileira. No entanto, estudos em diferentes populações, como a mexicana, a norte-americana e a asiática, revelam prevalências elevadas da SM, dependendo do critério utilizado e das características da população estudada, variando as taxas de 12,4% a 28,5% em homens e de 10,7% a 40,5% em mulheres2,4,6,7.

O estudo da SM tem sido dificultado pela ausência de consenso na sua definição e nos pontos de corte dos seus componentes, com repercussões na prática clínica e nas políticas de saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS)8 e o National Cholesterol Education Program's Adult Treatment Panel III (NCEP-ATP III) formularam definições para a SM9.

A definição da OMS preconiza como ponto de partida a avaliação da resistência à insulina ou do distúrbio do metabolismo da glicose, o que dificulta a sua utilização. A definição do NCEP-ATP III foi desenvolvida para uso clínico e não exige a comprovação de resistência à insulina, facilitando a sua utilização.

Segundo o NCEP-ATP III, a SM representa a combinação de pelo menos três componentes dos apresentados no Quadro 1 (B, 2B). Pela sua simplicidade e praticidade é a definição recomendada pela I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica (I-DBSM).

 

 

A I-DBSM recomenda que para os componentes – pressão arterial e triglicerídeos–, o uso de medicação anti-hipertensiva ou de hipolipemiantes, assim como diagnóstico prévio de diabetes, preencham os critérios específicos.

A circunferência abdominal, medida no meio da distância entre a crista ilíaca e o rebordo costal inferior, por ser o índice antropométrico mais representativo da gordura intra-abdominal e de aferição mais simples e reprodutível, é a medida recomendada10-12 (B, 2B).

O ponto de corte estabelecido para a circunferência abdominal, 102 cm para homens e 88 cm para mulheres, tem sido questionado por não se adequar a populações de diferentes etnias. Em alguns estudos, níveis mais baixos – 94 cm para homens e 80 cm para mulheres–, têm sido considerados mais apropriados4,7,13. Recomenda-se para mulheres com circunferência de cintura abdominal entre 80–88 cm e homens entre 94–102 cm uma monitorização mais freqüente dos fatores de risco para doenças coronarianas (C, 4).

Em face da recomendação da American Diabetes Association14, o ponto de corte proposto para o diagnóstico de glicemia de jejum alterada passou de 110mg/dL para 100mg/dL, o que futuramente poderá influir no critério diagnóstico da SM.

Apesar de não fazerem parte dos critérios diagnósticos da síndrome metabólica, várias condições clínicas e fisiopatológicas estão freqüentemente a ela associadas, tais como: síndrome de ovários policísticos, acanthosis nigricans, doença hepática gordurosa não-alcoólica, microalbuminúria, estados pró-trombóticos, estados pró-inflamatórios e de disfunção endotelial e hiperuricemia15.

Diagnóstico clínico e avaliação laboratorial

São objetivos da investigação clínica e laboratorial: confirmar o diagnóstico da síndrome metabólica (SM) de acordo com os critérios do NCEP-ATP III9 e identificar fatores de risco cardiovascular associados16. Para tanto, realiza-se:

1. História clínica - idade, tabagismo, prática de atividade física, história pregressa de hipertensão, diabetes, diabetes gestacional, doença arterial coronariana, acidente vascular encefálico, síndrome de ovários policísticos (SOP), doença hepática gordurosa não-alcoólica, hiperuricemia, história familiar de hipertensão, diabetes e doença cardiovascular, uso de medicamentos hiperglicemiantes (corticosteróides, betabloqueadores, diuréticos).

2. Exame físico necessário para diagnóstico da SM17:

• Medida da circunferência abdominal (Quadro 1)

A medida da circunferência abdominal é tomada na metade da distância entre a crista ilíaca e o rebordo costal inferior13 .

• Níveis de pressão arterial (Quadro 1). Deve-se aferir no mínimo duas medidas da pressão por consulta, na posição sentada, após cinco minutos de repouso18,19.

Além destes dois dados obrigatórios deverá estar descrito no exame físico destes pacientes:

• Peso e estatura. Devem ser utilizados para o cálculo do índice de massa corporal através da fórmula: IMC = Peso/Altura2.

• Exame da pele para pesquisa de acantose nigricans. Examinar pescoço e dobras cutâneas.

• Exame cardiovascular.

3. Exames laboratoriais necessários para o diagnóstico da SM:

• Glicemia de jejum (Quadro 1). A SM, definida pelos critérios do NECP-ATP III, recomenda para o diagnóstico das alterações da tolerância à glicose apenas a avaliação laboratorial de jejum, não exigindo teste de tolerância oral à glicose (TOTG) nem métodos acurados de avaliação da insulino-resistência (clamp euglicêmico, HOMA–IR).

• Dosagem do HDL-colesterol e dos triglicerídeos (Quadro 1).

Outros exames laboratoriais adicionais poderão ser realizados para melhor avaliação do risco cardiovascular global, tais como: colesterol total, LDL-colesterol, creatinina, ácido úrico, microalbuminúria20, proteína C reativa21 (B, 2B), TOTG (glicemia de jejum e após duas horas da ingestão de 75g de dextrosol), eletrocardiograma. A presença de LDL aumentado não faz parte dos critérios diagnósticos da síndrome metabólica, porém, freqüentemente, os pacientes portadores de resistência à insulina e síndrome metabólica apresentam aumento da fração pequena e densa do LDL-colesterol que tem um potencial aterosclerótico maior22 (C, 4).

 

Prevenção Primária

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, os fatores de risco mais importantes para a morbimortalidade relacionada às doenças crônicas não-transmissíveis (DCNT) são: hipertensão arterial sistêmica, hipercolesterolemia, ingestão insuficiente de frutas, hortaliças e leguminosas, sobrepeso ou obesidade, inatividade física e tabagismo23. Cinco desses fatores de risco estão relacionados à alimentação e à atividade física e três deles têm grande impacto no aparecimento da Síndrome Metabólica (SM).

A predisposição genética24, a alimentação inadequada25 e a inatividade física26 estão entre os principais fatores que contribuem para o surgimento da SM, cuja prevenção primária é um desafio mundial contemporâneo, com importante repercussão para a saúde. Destaca-se o aumento da prevalência da obesidade em todo o Brasil e uma tendência especialmente preocupante do problema em crianças em idade escolar, em adolescentes e nos estratos de mais baixa renda27. A adoção precoce por toda a população de estilos de vida relacionados à manutenção da saúde, como dieta adequada e prática regular de atividade física, preferencialmente desde a infância, é componente básico da prevenção da SM.

A alimentação adequada deve:

• permitir a manutenção do balanço energético e do peso saudável28 (B, 2B);

• reduzir a ingestão de calorias sob a forma de gorduras29, mudar o consumo de gorduras saturadas para gorduras insaturadas29, reduzir o consumo de gorduras trans (hidrogenada)30 (A, 1B);

• aumentar a ingestão de frutas, hortaliças, leguminosas31 e cereais integrais32 (A, 1B);

• reduzir a ingestão de açúcar livre33 (B, 2C); reduzir a ingestão de sal (sódio) sob todas as formas34,35 (A, 1B).

A atividade física é determinante do gasto de calorias e fundamental para o balanço energético e controle do peso. A atividade física regular ou o exercício físico diminuem o risco relacionado a cada componente da SM36,37 e trazem benefícios substanciais também para outras doenças (câncer de cólon e câncer de mama).

Baixo condicionamento cardiorrespiratório, pouca força muscular e sedentarismo aumentam a prevalência da SM em três a quatro vezes38,39. O exercício físico reduz a pressão arterial37, eleva o HDL-colesterol40 e melhora o controle glicêmico41. Com duração mínima de 30 minutos, preferencialmente diário, incluindo exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular, o exercício físico previne a SM em uma relação dose-efeito apropriada para o grupo etário42 (B, 2C).

A melhora de hábitos de vida deve contemplar a redução do tempo de lazer passivo (televisão, jogos eletrônicos, atividades em computadores etc.)43 (C, 4).

O tabagismo deve ser agressivamente combatido e eliminado, pois eleva o risco cardiovascular23 (A, 1A).

Programas educativos que abordem as medidas preventivas em escolas, clubes, empresas e comunidades podem contribuir para a prevenção da SM44 (B, 2C).

 

Tratamento Não-Medicamentoso da Síndrome Metabólica

A realização de um plano alimentar para a redução de peso, associado a exercício físico são considerados terapias de primeira escolha para o tratamento de pacientes com síndrome metabólica9 (A, 1A).

Está comprovado que esta associação provoca a redução expressiva da circunferência abdominal e a gordura visceral45,46, melhora significativamente a sensibilidade à insulina, diminui os níveis plasmáticos de glicose47,48, podendo prevenir e retardar o aparecimento de diabetes tipo 2 41,49. Há ainda, com essas duas intervenções, uma redução expressiva da pressão arterial50,51 e nos níveis de triglicérides, com aumento do HDL-colesterol52.

Esses recentes resultados em pacientes com síndrome metabólica fundamentam as condutas referentes ao plano alimentar e ao exercício físico como tratamento não-medicamentoso da SM, que serão apresentadas a seguir.

Plano alimentar

A adoção de um plano alimentar saudável é fundamental no tratamento da síndrome metabólica. Ele deve ser individualizado e prever uma redução de peso sustentável de 5% a 10% de peso corporal inicial. O primeiro passo é estabelecer as necessidades do indivíduo a partir da avaliação nutricional, incluindo a determinação do índice de massa corporal, circunferência abdominal e, quando possível, a composição corporal. Além disso, a determinação do perfil metabólico é muito importante na terapia nutricional da síndrome metabólica.

O plano alimentar deve fornecer um valor calórico total (VCT) compatível com a obtenção e/ou manutenção de peso corporal desejável. Para obesos, a dieta deve ser hipocalórica, com uma redução de 500kcal a 1000kcal do gasto energético total (GET) diário previsto ou da anamnese alimentar, com o objetivo de promover perdas ponderais de 0,5kg a 1,0kg/semana. Um método prático para o cálculo do GET é utilizar 20kcal a 25kcal/kg peso atual/dia53 (A, 1A). Não utilizar dietas inferiores a 800kcal, pois não são efetivas para a redução de peso54 (D, 5). As recomendações de ingestão de calorias e macronutrientes estão sumarizadas no Quadro 2.

 

 

Carboidratos

A adoção do modelo dietético DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) associado a uma intervenção no estilo de vida pode aumentar a sensibilidade à insulina. Para os carboidratos, é recomendado o uso de hortaliças, leguminosas, grãos integrais e frutas56-58 (A, 1A). O açúcar de mesa ou produtos contendo açú car (fonte de frutose) podem eventualmente ser ingeridos no contexto de um plano alimentar saudável54,59 (D, 5). Embora dietas com baixo índice glicêmico possam reduzir a glicemia pós-prandial e o perfil lipídico, a capacidade dos indivíduos para manter estas dietas em longo prazo não está bem estabelecida. Não são encontradas evidências suficientes para recomendar o uso de alimentos de baixo índice glicêmico como estratégia primária no plano alimentar60-62 (B, 2C).

Fibras

É recomendado o consumo de fibras em 20g a 30g/dia sob a forma de hortaliças, leguminosas, grãos integrais e frutas, pois fornecem minerais, vitaminas e outros nutrientes essenciais para uma dieta saudável. Embora altas quantidades de fibras (50 g/dia) mostrem efeitos benéficos sobre o controle glicêmico e lipídico, não é conhecido se a palatabilidade e os efeitos gastrintestinais colaterais dessa quantidade de fibras seriam aceitáveis pela população56-58,62 (A, 1A).

Gorduras

A ingestão de gordura é inversamente associada à sensibilidade insulínica não somente pela relação positiva com o peso corporal, mas também pela qualidade da oferta de ácidos graxos9 (A, 1A). Em algumas situações, como na hipertrigliceridemia ou quando o HDL-colesterol for inferior ao desejável, pode ser aconselhável aumentar a quantidade de gordura monoinsaturada, reduzindo neste caso a oferta de carboidratos. Esta substituição deve acontecer, pois o aumento dos ácidos graxos monoinsaturados de forma aditiva ao plano alimentar pode promover o aumento de peso. O uso de gordura em cotas inferiores a 15% do VCT pode diminuir o HDL- colesterol e aumentar os níveis plasmáticos de glicose, insulina e triglicerídeos63 (B, 2C).

Os ácidos graxos poliinsaturados ômega-3 podem ser benéficos na síndrome metabólica55,64 (A, 1A) em especial no tratamento da hipertrigliceridemia grave em pessoas com diabetes tipo 2 65,66 (A, 1B). Duas ou três porções de peixe/semana devem ser recomendadas67 (B, 2C).

Os ácidos graxos trans aumentam o LDL-colesterol e triglicerídeos e reduzem a fração do HDL-colesterol. A maior contribuição desses ácidos graxos na dieta origina-se do consumo de óleos e gorduras hidrogenadas, margarinas duras e shortenings (gorduras industriais presentes em sorvetes, chocolates, produtos de padaria, salgadinhos tipo chips, molhos para saladas, maionese, cremes para sobremesas e óleos para fritura industrial) e, em menor quantidade, produtos lácteos e carnes bovinas e caprinas. Seu consumo deve ser reduzido67 (A, 1B).

Proteína

Recomenda-se uma ingestão diária de proteínas de 0,8g a 1g/kg de peso atual ou 15% do VCT. Embora dietas hiperproteicas e baixa em carboidratos possam promover a redução de peso e melhorar a glicemia a curto prazo, não está bem estabelecida a sua efetividade em longo prazo68-70 (B, 2C).

Vitaminas e minerais

O plano alimentar deve prover a recomendação para o consumo diário de duas a quatro porções de frutas, sendo pelo menos uma rica em vitamina C (frutas cítricas) e de três a cinco porções de hortaliças cruas e cozidas. Recomenda-se, sempre que possível, dar preferência aos alimentos integrais.

Sal de cozinha

Deve ser limitado a 6g/dia. Devem ser evitados os alimentos processados como embutidos, conservas, enlatados, defumados e salgados de pacotes tipo snacks. Ao contrário, temperos naturais como salsa, cebolinha e ervas aromáticas são recomendados em vez de condimentos industrializados59 (A, 1A).

Recomendações alimentares complementares

A adoção do modelo dietético DASH e da Dieta Mediterrânea que preconizam o uso de hortaliças, leguminosas, grãos integrais e frutas, laticínios com baixo teor de gordura total, gordura saturada e trans e colesterol, alta quantidade de gordura monoinsaturada (azeite de oliva) e ácidos graxos ômega-3 e fornece altas quantidades de potássio, magnésio e cálcio pode ser uma opção terapêutica na síndrome metabólica quando associada a uma intervenção no estilo de vida56,71,72 (A, 1A).

O plano alimentar deve ser fracionado em cinco refeições, sendo três principais e dois lanches. Quanto à forma de preparo dos alimentos, preferir os grelhados, assados, cozidos no vapor ou até mesmo crus. Os alimentos diet e light podem ser indicados no contexto do plano alimentar e não utilizados de forma exclusiva. Devem-se respeitar as preferências individuais e o poder aquisitivo do paciente e da família (D, 5).

Exercício

As recomendações de exercício físico para a atuação nos fatores de risco associados à SM encontram-se no Quadro 3.

 

 

Recomendações adicionais

Recomenda-se além da implementação de um plano alimentar adequado e realização de exercício físico, a inclusão de outros itens, tais como, controle das situações estressantes, cessação do fumo e controle na ingestão de bebida alcoólica.

Para o consumo de bebidas alcoólicas, o limite máximo recomendado é de 30 g de etanol ao dia para o sexo masculino e metade para as mulheres18,19 (A, 1A).

Evidências mostram que acima desse limites há elevação nos níveis da pressão arterial, além de influenciar na carga calórica total. Na síndrome metabólica, para as mulheres e para os pacientes com elevação dos níveis de triglicérides e do peso corporal esses valores devem ser reduzidos à metade.

A síndrome metabólica compreende, na sua definição, doenças crônicas como a hipertensão arterial, diabetes mellitus e dislipidemia que, isoladamente, apresentam controle pouco satisfatório, devido à baixa adesão ao tratamento74,75.

Esforços devem ser conjugados no sentido de otimizar recursos e estratégias, com participação ativa do paciente e manutenção da sua qualidade de vida, visando minimizar ou evitar essa problemática tão freqüente.

A atuação integrada dos membros da equipe de saúde: médico, nutricionista, professor de educação física, enfermeiro psicólogo, assistente social, farmacêutico, visando à assistência ao paciente, é o grande passo para conquistas futuras76 (D, 5).

 

Tratamento Medicamentoso da Hipertensão Arterial

O tratamento medicamentoso da hipertensão arterial na síndrome metabólica tem como objetivo reduzir a morbidade e a mortalidade cardiovascular e renal, além de prevenir o agravamento metabólico. Esses benefícios podem ser alcançados em pacientes tratados com diuréticos77-79, inibidores adrenérgicos77,78,80,81, inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA)81-86, antagonistas do receptor AT1 da angiotensina II (BRA)87,88, antagonistas de canais de cálcio e vasodilatadores diretos82,86,89-91. Entretanto, ao término de grande parte dos estudos que avaliaram o controle da pressão arterial (PA), a maioria dos pacientes utilizou associação dos hipotensores92,93 (A, 1A).

Sendo a síndrome metabólica constituída de inúmeros fatores de risco cardiovascular, deve-se considerar o tratamento farmacológico da hipertensão arterial nela presente a partir de 140/90mmHg ou 130/85mmHg na presença de diabetes mellitus19,93-96 (A, 1A).

Meta de redução da pressão arterial

Redução da pressão arterial para cifras inferiores a 130mmHg/85mmHg pode ser útil em pacientes com elevado risco cardiovascular94-96. Nos pacientes diabéticos, recomenda-se reduções da pressão arterial para níveis inferiores a 130/80mmHg18,19 e para os pacientes com proteinúria maior que 1g/24h, cifras inferiores a 120/75mmHg deverão ser a meta19,95-99 (A, 1A).

Para os pacientes portadores de doença cardiovascular estabelecida e com idade superior a 50 anos, recomenda-se atingir essa meta em menos de seis meses. Para isso, pode ser utilizada a maioria dos hipotensores, não havendo diferenças entre eles em relação aos benefícios cardiovasculares79,84,85,87,100-103 (A, 1A).

Tratamento farmacológico

Nos Quadros 4 e 5 encontram-se, respectivamente, os princípios gerais a serem seguidos para o tratamento farmacológico da hipertensão arterial na SM e, sintetizados, os principais anti-hipertensivos utilizados no Brasil19.

 

 

 

 

Escolha do medicamento anti-hipertensivo

Diuréticos

São eficazes no tratamento da hipertensão arterial, tendo sido comprovada a sua eficácia na redução da morbidade e da mortalidade cardiovascular, inclusive em pacientes com diabetes77-79,87,95,102 (A, 1A). Em função dos múltiplos mecanismos que induzem à retenção de sódio nos pacientes portadores da SM, freqüentemente torna-se necessário o uso de diuréticos para se obter a meta de redução da pressão arterial.

Como anti-hipertensivos, recomendam-se os diuréticos tiazídicos e similares em baixas doses. As doses altas de diuréticos não implicam necessariamente em benefício hipotensor adicional, mas certamente potencializam efeitos colaterais tais como a hipocalemia e desajustes metabólicos glicídicos e lipídicos.

Considerando-se que a monoterapia anti-hipertensiva dificilmente promoverá o controle da pressão arterial dos pacientes com síndrome metabólica e que a maioria dos hipertensos necessitará de associações medicamentosas101,102, sugere-se que esse hipotensor seja associado a drogas que bloqueiam o sistema renina-angiotensina e minimizam a hipocalemia

Inibidores da enzima conversora da angiotensina

São eficazes no tratamento da hipertensão arterial. Também reduzem a morbidade e a mortalidade cardiovascular dos pacientes hipertensos82,83,85 com síndrome metabólica e elevado risco para doença aterosclerótica84; dos pacientes com doenças cardiovasculares84,104,105 e ainda retardam o declínio da função renal em pacientes com nefropatia diabética106-109 (A, 1A).

Em pacientes diabéticos, alguns estudos mostraram que estes agentes foram superiores em prevenir eventos cardiovasculares quando comparados aos bloqueadores de canais de cálcio110 e diuréticos/betabloqueadores83. Entretanto, o estudo ALLHAT102 não registrou diferenças nos resultados cardiovasculares encontrados entre os pacientes diabéticos tipo 2 que utilizaram diuréticos ou antagonistas de canais de cálcio ou inibidores da enzima conversora da angiotensina (A, 1B).

Esses hipotensores não possuem efeitos deletérios ao metabolismo lipídico e glicídico e alguns estudos83,84 mostraram redução na incidência de novos casos de diabetes mellitus tipo 2 (A, 1A).

Antagonistas do receptor AT1 da angiotensina II

São eficazes no tratamento do paciente hipertenso. São reconhecidamente nefro e cardioprotetores nos pacientes diabéticos do tipo 2 com nefropatia estabelecida97,98 (A, 1A).

Em pacientes hipertensos portadores de elevado risco cardiovascular, um estudo87 que utilizou um antagonista do receptor AT1 da angiotensina II demonstrou que este agente foi superior ao betabloqueador na redução da morbidade e da mortalidade cardiovascular. Mais ainda, estudos recentes87,111 demonstraram que o tratamento com BRAs se acompanhou de menor incidência de novos casos de diabetes (A, 1A).

Antagonistas dos canais de cálcio

Esses hipotensores são bastante eficazes em reduzir a pressão arterial e não provocam alterações no metabolismo lipídico e no de carboidratos112,113. Isto se aplica tanto aos diidropiridínicos quanto aos não-diidropiridínicos, embora seus efeitos em longo prazo em relação à progressão da nefropatia diabética ainda não tenham sido determinados.

Fundamentadas por um conjunto de evidências89,96,102,111, essas drogas, pela sua potente ação hipotensora, proporcionam proteção cardiovascular semelhante às outras drogas anti-hipertensivas. Lembrar que esse grupo de fármacos tem menor capacidade de prevenir insuficiência cardíaca comparado aos diuréticos e IECA114 (A, 1A).

Betabloqueadores

São eficazes no tratamento da hipertensão arterial tendo também sido comprovada a sua eficácia na redução da morbidade e da mortalidade cardiovascular77,78,80,81. Estão especialmente indicados como a primeira opção para o tratamento da hipertensão arterial associada à doença coronariana18,115 (A, 1A).

Do ponto de vista metabólico, podem induzir ao aumento de peso95,112,116, à intolerância à glicose117,118 e aumentar o risco para o desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 2119,120, hipertrigliceridemia e redução do HDL-colesterol121 e ainda menor capacidade para a realização de exercícios físicos (B, 2A).

Os betabloqueadores são formalmente contra-indicados em pacientes com asma brônquica, doença pulmonar obstrutiva crônica e bloqueio atrioventricular de 2º e 3º graus. Devem ser utilizados com cautela em pacientes com doença vascular de extremidades.

Inibidores adrenérgicos

A síndrome metabólica usualmente se acompanha de hiperatividade simpática e os inibidores adrenérgicos podem auxiliar na obtenção da meta de reduzir a pressão arterial nesses pacientes.

Os simpaticolíticos de ação central (alfametildopa, clonidina, moxonidina, rilmenidina) têm efeitos metabólicos neutros, porém seus efeitos colaterais limitam seu uso clínico, ficando reservados como auxiliares para os pacientes que não respondem adequadamente aos demais hipotensores. A experiência favorável para o binômio materno-fetal recomenda a alfametildopa como medicamento de escolha para o tratamento da hipertensão durante a gravidez (B, 2C).

Os bloqueadores alfa-1 apresentam baixa eficácia como monoterapia, devendo ser utilizados em associação com outros anti-hipertensivos. Apresentam a vantagem de propiciar melhora da sensibilidade insulínica122,123. No entanto, o estudo ALLHAT102, comparando um alfabloqueador, a doxazosina, com o diurético clortalidona, mostrou uma maior ocorrência de eventos cardiovasculares, especialmente a insuficiência cardíaca congestiva, no grupo que usou a doxazosina. Isto reforça a recomendação de que os bloqueadores alfa-1 não são drogas de primeira linha para o tratamento de hipertensão arterial sistêmica na SM (B, 2C).

Associação de hipotensores

A associação de anti-hipertensivos deve obedecer à premissa de não se associar fármacos com mecanismos similares de ação. Esta associação pode ser feita mediante o emprego de hipotensores em separado ou combinados em doses fixas.

As seguintes associações de classes distintas de anti-hipertensivos são atualmente reconhecidas como eficazes: betabloqueadores e diuréticos; IECA e diuréticos; BRA e diuréticos; antagonistas dos canais de cálcio e betabloqueadores; antagonistas dos canais de cálcio e IECA19. Para os casos de hipertensão resistente à dupla terapia, podem-se associar três ou mais medicamentos. Nessa situação, o uso de diuréticos é fundamental (B, 2C).

Esquema terapêutico

O esquema terapêutico nos pacientes hipertensos com SM está centrado na meta da redução da pressão arterial em curto prazo de tempo (de três a seis meses), utilizando-se a monoterapia ou a associação de fármacos como sugerido na Figura 1.

 

 

Considerando-se que 75% dos pacientes necessitam da associação de hipotensores, sugere-se este esquema desde o início do tratamento. Já para os pacientes com Diabetes mellitus e SM, sugere-se a utilização de bloqueadores do sistema renina-angiotensina como parte do esquema terapêutico.

Diante de lesão renal com proteinúria acima de 1g/dia, devem-se reduzir os níveis tensionais a cifras inferiores a 120mmHg/75mmHg, sendo que o esquema terapêutico deve incluir compulsoriamente um bloqueador do sistema renina-angiotensina (A, 1A).

 

Tratamento Medicamentoso do Diabetes mellitus

Quando os pacientes com hiperglicemia não respondem ou deixam de responder adequadamente às medidas não-medicamentosas, devem ser inseridos um ou mais agentes antidiabéticos, com a finalidade de controlar a glicemia e promover a queda da hemoglobina glicada (B, 2A).

Os valores de glicemia para o diagnóstico de Diabetes mellitus (DM)124 estão apresentados no Quadro 6. O diagnóstico de DM deve ser confirmado pela repetição do teste em outro dia, a não ser que haja hiperglicemia inequívoca com descompensação metabólica aguda ou sintomas óbvios de DM. A tolerância diminuída à glicose pode ser identificada no jejum e também após sobrecarga com 75g de glicose124.

 

 

Estudos epidemiológicos sustentam a hipótese de uma relação direta e independente entre os níveis sanguíneos de glicose e a doença cardiovascular125-147 (A, 1A). A ausência de um limiar glicêmico em diabéticos e a persistência desta relação em não-diabéticos sugerem que a glicemia é uma variável contínua de risco, da mesma forma que outros fatores de risco cardiovascular125-155 (Quadro 7). Sendo assim, o tratamento deve objetivar a normoglicemia e a sua manutenção em longo prazo. É importante ressaltar que não se tem um estudo comprobatório sobre a redução da mortalidade na síndrome metabólica com a utilização dos agentes antidiabéticos existentes. Estes medicamentos estão indicados no tratamento da hiperglicemia quando os valores encontrados no jejum e/ou pós-sobrecarga estiverem acima dos requeridos para o diagnóstico do diabetes mellitus124,145-147.

 

 

Antidiabéticos orais

Antidiabéticos orais são substâncias que têm a finalidade de baixar e manter a glicemia normal (Jejum <110mg/dL e pós-sobrecarga <140 mg/dL)146. Sob esse conceito amplo, de acordo com o mecanismo de ação principal, os antidiabéticos orais podem ser separados em medicamentos que: reduzem a velocidade de absorção de glicídios (inibidores da alfa-glicosidases), diminuem a produção hepática de glicose (biguanidas), aumentam a sua utilização periférica (glitazonas) e incrementam a secreção pancreática de insulina (sulfoniluréias e glinidas). No entanto, com finalidade prática, os antidiabéticos orais podem ser classificados em duas categorias: os que não aumentam a secreção de insulina – anti-hiperglicemiantes e os que aumentam a secreção de insulina – hipoglicemiantes.

• Medicamentos que não aumentam a secreção de insulina: Estes medicamentos, quando usados em monoterapia, em geral não estão relacionados com o aparecimento de hipoglicemia e, portanto, podem ser utilizados com segurança desde o início da enfermidade. Fazem parte deste grupo: a metformina (biguanida), a rosiglitazona e pioglitazona (tiazolidinedionas ou glitazonas) e a acarbose (inibidor da alfa-glicosidase). A metformina tem sua maior ação anti-hiperglicemiante na diminuição da produção hepática de glicose, com uma ação sensibilizadora periférica menor, baixando a A1c em 1,5% – 2%124,144-148,161,166. As glitazonas atuam mais na insulino-resistência periférica no músculo, célula adiposa e hepatócito, reduzindo a A1c em 1% – 1,5%, enquanto que a acarbose reduz a velocidade de absorção intestinal de glicose, portanto agindo mais na glicemia pós-prandial, com redução de 0,7% – 1% na A1c124,145-147,161,165,167-169.

• Medicamentos que aumentam a oferta de insulina: São os secretagogos de insulina. Compreendem as sulfoniluréias que desenvolvem uma ação hipoglicemiante mais prolongada (clorpropamida, glibenclamida, gliclazida, glipizida, e glimepirida) que promovem queda de 1,5% a 2% na A1c e as metglitinidas ou glinidas, com menor tempo de ação, cobrindo principalmente o período pós-prandial, com redução de A1c de 1% com a nateglinida e de 1,5% a 2% com a repaglinida124,145-147,148-151,158,159.

Escolha do medicamento

A escolha do medicamento vai depender dos valores das glicemias no jejum e pós-prandial da hemoglobina glicada, do peso, da idade, de complicações e doenças associadas. Ainda, as possíveis interações com outros medicamentos, reações adversas e as contra-indicações deverão ser analisadas. Com glicemia inferior a 150mg/dL, estão indicados os medicamentos que não promovam aumento na secreção de insulina, principalmente se o paciente for obeso124,145-147 (D, 5). Quando a glicemia de jejum for superior a 150mg/dL, mas inferior a 270mg/dL, a indicação da monoterapia antidiabética oral dependerá do predomínio entre insulino-resistência ou insulino-deficiência124,145-147 (D, 5).

Na maioria das vezes, é verificado no início clínico do diabetes, a presença de obesidade, hipertrigliceridemia, HDL colesterol baixo, hipertensão arterial, entre outros estigmas observados na síndrome metabólica. Eles indicam a presença de resistência à insulina e, neste caso, são mais apropriadas as drogas anti-hiperglicemiantes, que irão melhorar a atuação da insulina endógena, com melhor controle metabólico, evitando ganho ponderal excessivo124,144-148 (A, 1A) (Quadro 8). Já a associação perda de peso e hiperglicemia, revela a deficiência de insulina. Nesta circunstância, os medicamentos secretagogos devem ser os mais indicados (sulfoniluréias ou glinidas)124,145-147,150,151 (D, 5).

 

 

Para aqueles pacientes com glicose de jejum normal ou próximo do normal, mas com hemoglobina glicada acima do normal, está indicado o uso de drogas que atuem mais na glicemia pós-prandial (acarbose ou glinidas)124,145-147,149,152-156 (A, 1A).

Com os anos de doença, ocorre redução na capacidade secretória de insulina pela célula beta e a monoterapia pode falhar na manutenção do bom controle metabólico124,147,150,151,157-160 . Assim há necessidade de combinar medicamentos orais com mecanismos de ação diferentes e, algumas vezes, há que acrescentar uma terceira droga oral. Neste momento, é importante a análise do custo-benefício do tratamento, já que a introdução de insulina pode ser também eficaz, e com menor custo. Na combinação terapêutica é importante conhecer o poder redutor glicêmico adicional da segunda ou terceira droga oral utilizadas.

Por outro lado, o paciente pode comparecer na primeira consulta, no princípio do diabetes, quando predomina a insulino-resistência ou então com muitos anos de evolução da enfermidade quando a principal característica é a insulinopenia. A melhor terapia vai depender muito da capacidade secretória do seu pâncreas. Na fase 1, período inicial do DM tipo 2 caracterizado por obesidade com insulino-resistência, a melhor indicação são os medicamentos que não aumentam a secreção de insulina.

Na fase 2, com diminuição de secreção de insulina, é correta a indicação de um secretagogo, que pode entrar ou em combinação ou em monoterapia. Na fase 3, com a progressão da perda de secreção da insulina, é necessário associar aos agentes orais, uma injeção de insulina de depósito, antes de o paciente dormir. Por fim, na fase 4, quando predomina a insulinopenia, o paciente deve receber pelo menos duas aplicações de insulina de depósito, NPH ou lenta: uma antes do desjejum e a outra antes do jantar ou ao dormir, isoladas ou combinadas com uma insulina rápida ou ultra-rápida157,160 Nesta fase 4, um agente oral sensibilizador combinado no tratamento pode reduzir as doses de insulina e auxiliar na melhora do controle metabólico161 (Figura 2).

 

 

Combinação terapêutica

Combinando dois ou mais agentes antidiabéticos orais com mecanismos de ação diferentes obtém-se uma queda adicional na glicemia, com melhora do controle metabólico confirmado pela dosagem de A1c. Vários esquemas de combinações foram propostos e são utilizados145 (Quadro 9).

 

 

Quando a combinação terapêutica com medicamentos orais falha na obtenção do bom controle, está indicada a introdução de insulina de depósito (NPH ou Glargina) antes de o paciente dormir, ainda em combinação com medicamentos orais124,145-147,157-160,162-164 (A, 1A). A dose de insulina noturna deve ser ajustada de acordo com a glicemia de jejum, que deverá ser mantida entre 100mg/dL – 120mg/dL. Esta medida promove melhora no controle glicêmico com menor ganho ponderal157-160,162-164. Estudo comparativo de combinação entre insulina e antidiabéticos orais demonstrou que a associação de insulina noturna e metformina diurna causou o menor ganho ponderal e produziu o melhor controle metabólico com menor incidência de hipoglicemia157.

 

Tratamento Medicamentoso da Dislipidemia

Na síndrome metabólica (SM), a dislipidemia caracteriza-se pela presença de níveis baixos de HDL-colesterol e níveis elevados de triglicérides170,171. Embora a elevação do LDL-colesterol não seja considerada como um dos critérios diagnósticos da SM, os portadores desta síndrome apresentam alteração da densidade e do tamanho das partículas dessa lipoproteína, predominando o padrão tipo B (LDL pequena e densa)172. Esta associação é denominada de dislipidemia aterogênica.

Diversos estudos demonstram que os portadores de SM apresentam um risco elevado de doença cardiovascular (DCV) quando comparados àqueles sem SM; o risco individual de eventos dependerá da presença e da intensidade dos diversos componentes desta síndrome e da associação com outros fatores de risco170,171.

Estudos prospectivos mostram que o risco de DCV pode aumentar substancialmente dependendo do sexo, da idade e da presença de outros fatores de risco tais como diabetes tipo 2, doença aterosclerótica prévia, níveis elevados de LDL-colesterol, tabagismo e história familiar de doença coronariana precoce 16,172-176. A abordagem dos indivíduos portadores de SM tem como objetivo a prevenção dos eventos cardiovasculares, representados principalmente pela doença arterial coronariana e pelo acidente vascular encefálico. Em relação à dislipidemia, as metas lipídicas a serem alcançadas com o tratamento deverão levar em consideração o risco individual de cada paciente e o custo-benefício do tratamento173.

Metas lipídicas na síndrome metabólica

As metas lipídicas a serem atingidas com o tratamento do paciente portador da SM estão apresentadas no Quadro10. Convém enfatizar que apesar de os níveis de LDL- colesterol não constituírem um dos critérios diagnósticos desta síndrome, as evidências de estudos clínicos controlados apontam para a necessidade da redução do LDL-colesterol como meta primária a ser alcançada com o tratamento, concomitantemente com a correção dos níveis do HDL-colesterol e dos triglicérides16,173-175.

 

 

Graus de recomendação e níveis de evidência:

• Valores recomendados de LDL-colesterol: (A, 1A).

• Valores recomendados de triglicérides e HDL-colesterol: (B, 1B).

• Valores opcionais de LDL-colesterol: (B, 1B)176,177.

Nos pacientes com concentração de triglicérides 200mg/dL é importante calcular o colesterol não-HDL (CT – HDL). Este parâmetro reflete o colesterol carregado pelas lipoproteínas aterogênicas, englobando a LDL, a VLDL e seus remanescentes. Os valores a serem atingidos são 30mg/dL acima da meta do LDL-colesterol para cada nível de risco (D, 5). Exemplo: paciente de alto risco, meta de LDL-colesterol <100 mg/dL corresponde a uma meta de colesterol não-HDL <130 mg/dL.

Importante enfatizar que nos portadores de diabetes mellitus, deve ser obtido o controle glicêmico antes de se atuar sobre os valores de triglicérides e HDL-colesterol.

Tratamento medicamentoso

Estatinas ou vastatinas

As estatinas devem ser consideradas como medicamentos de primeira escolha no tratamento da dislipidemia da síndrome metabólica devido à existência de maiores evidências relacionando-as à redução da morbimortalidade cardiovascular173,174 (A,1A). Agem inibindo a HMG-CoA redutase, reduzindo a síntese de colesterol e aumentando a expressão hepática dos receptores da LDL e, conseqüentemente, a captação dessa lipoproteína e das VLDL pelo hepatócito. Além disso, bloqueiam a síntese hepática de triglicérides. Essa ação resulta em diminuição do colesterol total, do LDL-colesterol (18% – 55%) e dos triglicérides (7% – 30%) e aumento no HDL-colesterol (5% – 10%), com potências diferenciadas entre as várias estatinas. As apresentações e as doses recomendadas estão sintetizadas no Quadro 11.

 

 

A maioria das estatinas é metabolizada no fígado, devendo-se evitar a sua associação com drogas que atuem no citocromo P450, como ciclosporinas, antibióticos macrolídeos, antifúngicos imidazólicos inibidores de proteases, fluoxetina, paroxetina, etc. A presença de doença hepática aguda ou crônica é uma contra-indicação absoluta ao uso dessas drogas.

Nas dislipidemias mistas, com triglicérides abaixo de 500mg/dL, as estatinas devem ser utilizadas em doses acima de 20mg (B, 2B), uma vez que a sua potência em reduzir a trigliceridemia não é tão expressiva. Assim, havendo hipertrigliceridemia importante (acima de 500mg/dL), os fibratos ou a niacina (ácido nicotínico) deverão ser preferidos. Quando apesar do uso dos fibratos ou niacina as metas de LDL- colesterol não forem alcançadas, pode-se utilizar a associação de fibratos e estatinas, ou estatinas e niacina como será discutido a seguir.

Fibratos

São medicamentos derivados do ácido fíbrico que agem como agonistas do PPAR-alfa, modulando genes que aumentam a expressão da lipase lipoproteica, apolipoproteína AI e AII e reduzindo a apolipoproteína CIII. Como resultado, há uma redução da trigliceridemia (20% – 50%) e elevação do HDL-colesterol (10% – 20%)173, podendo também reduzir os níveis de LDL, principalmente a fração pequena e densa. A redução na trigliceridemia é maior do que aquela alcançada com as estatinas, situando-se entre 20% e 50%. Por esse motivo, são as drogas de escolha em pacientes com SM e com triglicérides 500mg/dL. Sua ação, aumentando o HDL-colesterol, também é maior que a das estatinas, principalmente se houver hipertrigliceridemia grave (10% – 20%). A presença de doença hepática grave e insuficiência renal são contra-indicações. As doses e efeitos no perfil lipídico dos fibratos encontram-se no Quadro 12.

 

 

O estudo VA-HIT178 mostrou que o uso de um fibrato, no caso a genfibrozila, associou-se à diminuição de 22% no risco de recorrência de eventos cardiovasculares numa população de homens com infarto prévio com HDL-colesterol médio de 32mg/dL (critério de inclusão < 40mg/dL), LDL-colesterol de 112mg/dL (critério de inclusão <140mg/dL) e triglicérides de 160mg/dL (critério de inclusão <300mg/dL). Desses pacientes, 25% eram diabéticos e 70% apresentavam pelo menos dois critérios de SM. Os benefícios ocorreram mesmo sem ter havido mudança significativa dos níveis de LDL-colesterol. Dessa forma, o tratamento com fibratos pode ser uma opção às estatinas para o paciente de prevenção secundária portador de SM, que apresente níveis baixos de LDL-colesterol e HDL-colesterol179 (B, 2B).

Ácido nicotínico (niacina)

É uma vitamina solúvel com ação não totalmente conhecida. Reduz os níveis de triglicérides (20% – 50%) e de LDL-colesterol (5% – 25%). É uma das drogas hipolipemiantes que mais aumenta o HDL-colesterol (15% – 35%). Atualmente encontram-se três formulações do ácido nicotínico: liberação imediata, intermediária ou prolongada e lenta. Calor e rubor facial são os efeitos colaterais mais freqüentes das formas de liberação rápida, podendo ser reduzidos com o uso de aspirina uma hora antes da ingestão, ou pelo uso da forma de liberação intermediária. A administração noturna do medicamento também melhora a tolerabilidade. Hiperglicemia, hiperuricemia/gota e hepatotoxicidade são menos freqüentes com a apresentação de liberação intermediária e na dosagem de até 2g/dia. A presença de doença hepática crônica e gota grave são contra-indicações absolutas. A hiperuricemia e o diabetes não contra-indicam o uso do medicamento179, sendo que as alterações da glicemia são discretas com a formulação de liberação intermediária. As formulações e modo de uso da niacina encontram-se no Quadro 13.

 

 

Ezetimiba

É um inibidor seletivo da absorção de colesterol que age na borda em escova do intestino delgado180. Reduz o LDL-colesterol em cerca de 18%, os triglicérides em 5% e causa aumento discreto no HDL-colesterol (1%). Sua principal indicação é para pacientes intolerantes ao uso de estatinas, ou em associação a estas. O uso da ezetimiba potencializa de forma importante o efeito das estatinas em reduzir o LDL- colesterol, contudo ainda não há estudos de desfechos clínicos com esse medicamento. A posologia sugerida é de 10mg/dia.

Ácidos graxos ômega-3

Agem reduzindo a trigliceridemia por diminuir a produção das VLDL no fígado, de modo que podem ser utilizados como terapia coadjuvante nas hipertrigliceridemias. A posologia varia de 4g a 8g/dia173.

Associações

A utilização da associação de fármacos hipolipemiantes deve ser reservada para os casos de resposta inadequada tanto com o uso isolado de fibratos como das estatinas. No caso das hipertrigliceridemias com triglicérides >500mg/dL, deve-se iniciar com as doses usuais do fibrato, e avaliar os valores de LDL-colesterol após 30 – 40 dias de tratamento; se as metas não forem atingidas, podem ser associadas às estatinas nas doses iniciais (geralmente 10mg) e titular a dose desse medicamento, quando necessário para se atingir a meta de LDL-colesterol. Caso não se atinja a meta após 30 dias da associação, deve-se aumentar a dose da estatina para 20mg e aguardar mais 30 dias e assim por diante. As evidências indicam que o risco de miopatia com esta associação (estatinas e fibratos) é maior quando se utiliza a genfibrosila, devendo a mesma ser evitada. Além disso, a associação deve ser feita com muito cuidado em idosos e em portadores de insuficiência renal.

Em casos de hipertrigliceridemia de difícil controle, podem ser associados os ácidos graxos ômega-3, em dose maior ou igual a 4g/dia aos fibratos. Nos casos de hipertrigliceridemias graves refratárias, uma terceira droga pode ser associada, no caso a niacina. Nos casos de HDL-colesterol baixo e ou triglicérides moderadamente elevados em indivíduos que atingiram as metas de LDL-colesterol com o uso de estatinas, pode-se associar a niacina.

Recomendações importantes quanto ao tratamento hipolipemiante

• Uma vez iniciado o tratamento farmacológico com estatinas esse deverá ser mantido, com raras exceções, de forma permanente. Os benefícios do uso das estatinas serão tanto maiores quanto mais prolongado for o tratamento173,174 (A, 1A).

• Dosagens de CK devem ser realizadas em um, três e seis meses após o uso das estatinas e fibratos. Caso os pacientes estejam estáveis, podem ser repetidas a cada seis meses173 (D, 5).

• Dosagens de CK devem ser realizadas antes da utilização da associação das estatinas com os fibratos e em um e três meses após173 (D, 5).

• Se houver elevação acima de dez vezes o limite superior da normalidade ou em presença de mialgia, mesmo com CK normal, deve-se suspender a medicação ou a associação173 (D, 5).

• Caso haja elevação das aminotransferases acima de três vezes o limite superior do normal, a medicação também deverá ser suspensa173 (D, 5).

• Deve-se atentar para a possibilidade da presença de hipotireoidismo em portadores de dislipidemias mistas em indivíduos acima de 50 anos, principalmente mulheres. O uso de hipolipemiantes nesses casos associa-se ao risco elevado de miopatia. Deve-se inicialmente controlar o TSH e reavaliar a necessidade de tratamento hipolipemiante, que poderá ser realizado com segurança.

 

Tratamento Medicamentoso e Cirúrgico da Obesidade

Tratamento farmacológico

Recomenda-se o uso de medicamentos nos indivíduos portadores de síndrome metabólica com obesidade (IMC>30kg/m2) ou com excesso de peso (IMC entre 25kg/m2 e 30kg/m2) desde que acompanhado de comorbidades e que não tenham perdido 1% do peso inicial por mês, após um a três meses de tratamento não-medicamentoso (D, 5).

Há, atualmente, cinco medicamentos registrados no Brasil para o tratamento da obesidade: dietilpropiona (anfepramona), femproporex, mazindol, sibutramina e orlistat (Quadro 14).

 

 

A sibutramina foi testada em vários estudos. Um estudo bem controlado, com duração de dois anos, demonstrou que este medicamento é eficaz na perda de peso com melhora dos parâmetros metabólicos, boa tolerabilidade e segurança181 (B, 2B). A dose preconizada varia de 10mg a 20mg por dia. Efeitos colaterais: boca seca, constipação intestinal, insônia, irritabilidade e cefaléia. Aumentos médios de pressão arterial sistólica e diastólica e de freqüência cardíaca também têm sido relatados182. Recomenda-se controle rigoroso da pressão arterial e da freqüência cardíaca e ajuste da medicação anti-hipertensiva, quando necessário.

Estudos realizados em duplo-cego, comparando orlistat e placebo, em pacientes obesos, com ou sem fatores de risco definidos como diabetes, hipertensão e dislipidemia, revelaram maior perda de peso, manutenção do peso perdido e mudanças favoráveis nos fatores de risco cardiovascular relacionados à obesidade, no grupo que usou orlistat 120mg, 3 vezes ao dia183. Um estudo de longo prazo, realizado com pacientes obesos, mostrou que, após quatro anos, houve redução da incidência de diabetes mellitus tipo 2 no grupo orlistat, quando comparado com placebo184 (B, 2B). A dose recomendada é de 120mg, 2 a 3 vezes ao dia, nas principais refeições, dependendo da ingestão de gorduras no café da manhã. Efeitos colaterais: gastrintestinais (esteatorréia, flatus com evacuação etc), secundários ao mecanismo de ação da droga.

Os estudos com dietilpropiona e mazindol demonstram que estes medicamentos são eficazes na perda de peso, entretanto, estes estudos são na maioria antigos (30 ou mais anos) e de curto prazo185 (C, 4). São encontrados poucos estudos clínicos publicados com o femproporex186 (C, 4). As doses recomendadas são: dietilpropiona 50mg a 100mg, femproporex 25mg a 50mg e mazindol 1mg a 3mg. Efeitos colaterais: sintomas leves a moderados de estimulação do sistema nervoso central (insônia, nervosismo, euforia) e do sistema cardiovascular (taquicardia e, ocasionalmente, elevação da pressão arterial). Devido à ausência de estudos de longa duração (mais de um ano), não há evidência da eficácia e segurança do uso destes medicamentos a longo prazo.

Os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (fluoxetina, sertralina), usados para o tratamento de depressão, podem proporcionar efeito de perda de peso187 (C, 4), embora não estejam aprovados para o tratamento da obesidade. A fluoxetina demonstrou um efeito transitório de perda de peso, presente principalmente nos seis primeiros meses de uso, após o qual pode ocorrer recuperação do peso perdido. A dose empregada de fluoxetina é de 20mg a 60mg e a de sertralina, 50mg a 150mg por dia. Efeitos colaterais: ansiedade, insônia, sonolência, diminuição da libido, tremores e alteração da memória.

Não são encontrados estudos sobre a associação de drogas, entretanto, por não ter ação central, o orlistat poderia ser associado a qualquer um dos outros medicamentos. Não se devem associar os catecolaminérgicos entre si ou com a sibutramina.

As duas medicações de primeira escolha no tratamento da obesidade associada à síndrome metabólica são a sibutramina e o orlistat.

Há atualmente no Brasil mais de 6.000 farmácias com autorização para a manipulação de psicotrópicos, nem todas com um controle de qualidade adequado. Ao lado disso, a Resolução do Conselho Federal de Medicina de nº1477, de 11/07/1997 "veda aos médicos a prescrição simultânea de drogas do tipo anfetaminas com um ou mais dos seguintes fármacos: benzodiazepínicos, diuréticos, hormônios e laxantes, com a finalidade de emagrecimento".

Na maior parte das vezes, os médicos que utilizam fórmulas no tratamento da obesidade prescrevem drogas anorexígenas em doses acima das preconizadas, e não obedecem à Resolução do CFM. Como no Brasil são encontrados vários anorexígenos e em várias dosagens, recomenda-se que não se utilizem formulações magistrais no tratamento da obesidade (D, 5).

Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico da obesidade tem como objetivo diminuir a entrada de alimentos no tubo digestivo (cirurgia restritiva), diminuir a sua absorção (cirurgia disabsortiva) ou ambos (cirurgia mista).

Os critérios para a realização das cirurgias bariátricas foram definidos em março de 1991, pelo US National Institute of Health Consensus Development Conference Panel188 (B, 2A).

• A cirurgia deve ser considerada para o paciente obeso mórbido (IMC >40kg/m2), ou obeso com IMC >35 kg/m² desde que apresente comorbidades clínicas importantes, e somente após ter sido submetido a tratamento clínico adequado, mas sem resultados.

• O paciente só deverá ser operado se estiver bem informado sobre o tratamento, motivado e se apresentar risco operatório aceitável.

• O paciente deve ser selecionado para a cirurgia, após cuidadosa avaliação por equipe multidisciplinar especializada e composta por endocrinologistas ou clínicos, intensivistas, cirurgiões, psiquiatras ou psicólogos e nutricionistas.

• A operação deve ser feita por um cirurgião experiente no procedimento e que trabalhe com equipe e em local com suporte adequado para todos os tipos de problemas e necessidades que possam ocorrer.

• Após a operação, deve haver acompanhamento médico de longo prazo.

• As mulheres férteis devem ser alertadas de que só poderão engravidar depois da cirurgia quando estiverem com o peso estabilizado e com o seu estado metabólico e nutricional normalizado189 (B, 2C).

Em condições especiais, a cirurgia pode ser considerada em adolescentes190 (C, 4), em crianças191 (C, 4), em idosos192 (C, 4) e em pacientes com complicações graves da síndrome metabólica e IMC <35kg/m².

Tipos de cirurgias recomendadas

1. Cirurgias restritivas

• Banda gástrica ajustável

Uma banda de silicone, colocada por via laparoscópica, envolve o estômago, criando acima dela uma bolsa gástrica com capacidade de 30ml a 50ml. A banda tem um reservatório inflável, que pode ser ajustado mediante a colocação ou retirada de solução salina, por um dispositivo colocado profundamente na parede abdominal.

• Gastroplastia vertical com banda

Nesta técnica, introduzida por Mason em 1982, é realizada uma sutura mecânica do estômago, criando uma bolsa gástrica com capacidade máxima de 30ml e que se esvazia no estômago remanescente por meio de um orifício com um diâmetro entre 8mm e 15mm, reforçado por uma banda de material sintético.

2. Cirurgias disabsortivas

• Derivação bileopancreática, Switch duodenal ou Scopinaro

Consiste em gastrectomia subtotal, deixando um coto gástrico com capacidade de 200ml a 500ml, sendo a reconstrução gastrintestinal feita pela técnica de Y de Roux. O segmento utilizado para manter o trânsito alimentar corresponde aos últimos 2,5m do intestino delgado, e o conteúdo biliopancreático que drena do coto duodenal encontra o bolo alimentar por uma anastomose feita nos últimos 50cm do íleo terminal.

3. Cirurgias mistas

• Desvio gástrico com Y de Roux, com ou sem anel de estreitamento (Fobi, Capella ou bypass gástrico) com segmento intestinal variável de acordo com o IMC e a critério do cirurgião. Nesta cirurgia é realizada secção do estômago proximal com grampeadores lineares cortantes, de forma a construir uma pequena câmara vertical junto à cárdia. Esta câmara gástrica de aproximadamente 10ml a 20ml de volume é anastomosada a um segmento proximal do jejuno (derivação gastrojejunal em Y de Roux), deixando o restante do estômago e o duodeno fora do trânsito alimentar. Inúmeras variantes têm sido propostas, sendo as principais as técnicas de Capella, Fobi e Wittgrove.

Benefícios e efetividade da cirurgia bariátrica

As cirurgias bariátricas implicam em perda de peso que varia de 20% a 70% do excesso de peso. É o método mais eficaz e duradouro para a perda de peso, com melhora nítida dos componentes da síndrome metabólica.

O estudo longitudinal, prospectivo, controlado, não-randomizado, mais consistente até o momento, é o SOS (Swedish Obese Subjects), que comparou obesos submetidos a tratamento cirúrgico com obesos submetidos a tratamento clínico, demonstrando maior diminuição e manutenção do peso perdido, com melhora dos parâmetros metabólicos, nos obesos submetidos à cirurgia193 (B, 2A).

O sucesso e a efetividade da cirurgia bariátrica é definido por um IMC <35kg/m2 ou por uma perda maior que 50% do excesso de peso pré-operatório194

Riscos e complicações das cirurgias bariátricas

A mortalidade do desvio gástrico com Y de Roux varia entre 0,5% e 1,5% e as complicações do pós-operatório são de aproximadamente 10%195. O SOS referiu mortalidade de 0,22% reunindo os vários tipos de cirurgia.

Todos os tipos de procedimento cirúrgico podem ocasionar má nutrição, sendo necessárias reposições com suplementos vitamínicos. Pode haver também complicações abdominais como "dumping" e colelitíase, entre outras.

Quanto à modalidade, as cirurgias podem ser abertas ou laparoscópicas, não havendo definição concreta e de longo prazo sobre as reais vantagens de uma modalidade sobre a outra196.

 

Abordagem Terapêutica Conjunta na Síndrome Metabólica

Sem nenhuma dúvida, a síndrome metabólica engloba variáveis que aumentam o risco para as doenças cardiovasculares4,5,197 (B, 2A). Não são encontrados ainda estudos prospectivos específicos da síndrome metabólica que permitam a elaboração de uma tabela de estimativa do risco cardiovascular, semelhante à que foi proposta, por exemplo, pelo estudo de Framingham. Neste estudo, as variáveis utilizadas para a montagem da equação que permitiu a elaboração da tabela foram: idade, sexo, colesterol total, HDL-colesterol, níveis de pressão arterial, presença ou não de diabetes e tabagismo. A consideração destas variáveis permitiu a formação de um escore de risco197 (Quadro 15).

 

 

A tabela de Framingham foi construída para avaliar o risco cardiovascular da sua população, mas tem sido largamente aplicada também para outras populações, desde que sejam usadas as mesmas variáveis de risco. No caso da síndrome metabólica, independentemente da sua classificação, as variáveis que a compõem não são exatamente as mesmas da tabela de Framingham e, portanto, ela seria em princípio inaplicável. Contudo, na população de Framingham, a presença apenas da síndrome metabólica, classificada de acordo com o III NCEP174, foi capaz de predizer cerca de 25% dos novos casos de doença cardiovascular observados em oito anos de seguimento. Aplicando-se a tabela de Framingham à síndrome metabólica, na ausência de diabetes, o risco para doença coronariana variou entre 10% e 20% em dez anos171.

Por outro lado, os investigadores de Framingham, utilizando métodos estatísticos específicos171, não encontraram diferença significativa da estimativa do risco cardiovascular quando agregaram ao algoritmo de Framingham197, valores da síndrome metabólica, considerados no todo ou em separado, tanto em pacientes diabéticos como em não-diabéticos. Portanto, os resultados desta análise mostram que não há aumento do risco cardiovascular pela adição dos fatores de risco da síndrome metabólica não contemplados na tabela ao cálculo do escore de Framingham. É provável que a maior parte do risco associado à síndrome metabólica seja marcado pela idade, pela pressão arterial, pelo colesterol total, pelo diabetes e pelo HDL-colesterol, já incluídos na tabela de Framingham. Além desses, a obesidade, os triglicerídeos e a glicose elevada, excluído o diabetes, não teriam poder de aumentar significativamente o risco cardiovascular171.

No entanto, quando foi analisado o risco para início recente de diabetes na população de Framingham, em ambos os sexos, a síndrome metabólica, classificada de acordo com o III NCEP174, foi capaz de explicar quase a metade do risco para diabetes atribuído à população171.

Assim sendo, a consideração do risco cardiovascular global do indivíduo, levando-se em consideração a idade e as variáveis que compõem os diferentes fatores de risco cardiovascular é extremamente atrativa na avaliação do portador de síndrome metabólica. A aplicação da tabela de Framingham é uma ferramenta útil neste sentido171 (B, 2A). Entretanto, pelo seu alto potencial prognóstico desfavorável1,4,5, a síndrome metabólica deve ser sempre vigorosamente tratada, juntamente com os demais fatores de risco que eventualmente estejam presentes, buscando diminuir o significativo risco cardiovascular associado a esta condição.

As metas a serem alcançadas com a abordagem terapêutica desta associação são aquelas descritas no Quadro 16. Para alcançar estes objetivos são necessárias medidas terapêuticas não-medicamentosas e medicamentosas.

 

 

Tratamento não-medicamentoso

Há grandes dificuldades na abordagem terapêutica conjunta de várias comorbidades no mesmo indivíduo. As primeiras e mais importantes medidas a serem recomendadas visam a intervir no estilo de vida do paciente. O excesso de peso, o sedentarismo e uma alimentação inadequada são fatores para o determinismo da síndrome metabólica freqüentemente observados na prática clínica. Ênfase deve ser dada à perda de peso, à correção das anormalidades metabólicas e à atividade física regular9,174 (A, 1A).

A adoção de uma dieta balanceada é uma das principais medidas a ser preconizada em indivíduos com síndrome metabólica, individualizada para a necessidade de cada paciente (Quadro 2). A dieta deve estar direcionada para a perda de peso e da gordura visceral, com o objetivo de normalização dos níveis pressóricos, da correção das dislipidemias e da hiperglicemia e conseqüentemente a redução do risco cardiovascular. As evidências favorecem as dietas ricas em fibras, pobres em gorduras saturadas e colesterol e com reduzida quantidade de açúcares simples9,56-58, 62 (A, 1A). A dieta do tipo Mediterrâneo71-72 mostrou-se capaz de reduzir eventos cardiovasculares e a dieta DASH56-58 mostrou-se eficaz na redução da pressão arterial (A, 1B).

A princípio uma dieta que atenda a todos estes requisitos torna-se de difícil aceitação e, em conseqüência, menor adesão pelo paciente. Por esta razão a orientação alimentar deve sempre que possível atender aos hábitos socioeconômico-culturais de cada indivíduo. Neste contexto, o auxílio de um(a) nutricionista pode ser útil para se conseguir um melhor planejamento dietético e uma maior adesão ao tratamento. O valor calórico total deve ser calculado para que se atinja a meta de peso definida, lembrando-se que mesmo uma redução de 5% a 10% do peso está associada à melhoria dos níveis pressóricos, do controle metabólico e até mesmo da mortalidade relacionada ao diabetes 50,51,55,56.

A atividade física deve também ser enfaticamente estimulada, sempre adequada à faixa etária e ao condicionamento físico de cada indivíduo. A prática de exercícios moderados, 30 – 40 minutos por dia, está sem dúvida associada ao benefício cardiovascular (Quadro 3). Atividades físicas mais intensas são em geral necessárias para induzir maior perda de peso, mas neste caso, tanto para o tipo como para a intensidade do exercício, os pacientes devem ser avaliados de forma individualizada, e eventualmente, com prévia avaliação cardiovascular.

A ingestão excessiva de bebidas alcoólicas está relacionada ao aumento da pressão arterial, dos níveis de triglicerídeos e da carga calórica total19,60 (A, 1A). Recomenda-se limitar a ingestão de bebidas alcoólicas a 30ml/dia de etanol para homens e a metade para mulher. Isso corresponde para o homem a 720ml de cerveja, 240ml de vinho e 60ml de bebida destilada. Evidências mostram que acima desse limites há elevação nos níveis da pressão arterial e de triglicerídeos, além de influenciar na carga calórica total. Aos pacientes que não conseguem respeitar estes limites, sugere-se o abandono do consumo de bebidas alcoólicas19. Na síndrome metabólica, para as mulheres e para os pacientes com elevação dos níveis de triglicérides e do peso corporal, esses valores devem ser reduzidos à metade (A, 1A).

Embora não seja parte integrante da síndrome metabólica, a proibição do hábito de fumar deve ser fortemente estimulada face à sua enorme importância como fator de risco cardiovascular.

Por fim, deve ser ressaltado que a grande dificuldade no tratamento continua sendo a adesão do paciente, principalmente no que tange à mudança do estilo de vida. Por esta razão, a atuação integrada de uma equipe multidisciplinar composta por médico, nutricionista, professor de educação física, enfermeiro, psicólogo, assistente social, farmacêutico, visando o tratamento do paciente, é altamente desejável, e sem dúvida, um grande passo para conquistas futuras76 (D, 5). Neste sentido, programas educativos que abordem as medidas preventivas em escolas, clubes, empresas e comunidades podem contribuir definitivamente para a prevenção da SM44 (B, 2C).

Tratamento medicamentoso

O tratamento medicamentoso na síndrome metabólica estará sempre indicado quando não se conseguir resultado com as medidas de mudanças do estilo de vida, situação muito freqüente na prática clínica.

• Hipertensão arterial

O mais importante objetivo do tratamento da hipertensão arterial é a redução da pressão arterial e com isso a morbimortalidade cardiovascular e renal.

As IV Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial19 recomendam que qualquer uma das cinco principais classes de drogas anti-hipertensivas (diuréticos, betabloqueadores, antagonistas de cálcio, inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) e bloqueadores dos receptores de angiotensina II (BRA) podem ser utilizadas como tratamento inicial da hipertensão arterial (Figura 1), não havendo diferenças entre eles em relação aos benefícios cardiovasculares79,84,85,87,100-103 (B, 2A ). Entretanto, ao término de grande parte dos estudos que avaliaram o controle da pressão arterial (PA), a maioria dos pacientes utilizou associação dos hipotensores92,93 (A, 1A).

Na presença de síndrome metabólica, se o diabetes estiver presente, o bloqueio do sistema renina angiotensina tem se mostrado útil19. Estudos clínicos têm demonstrado benefício para a proteção renal na nefropatia diabética com proteinúria, em diabéticos do tipo 1 (IECA) e do tipo 2 (BRA)19,85,95-99 (A, 1A).

Nos hipertensos com PA ³160mmHg/100mmHg, a associação de drogas deve ser considerada para o início do tratamento anti-hipertensivo. Em cerca de dois terços dos pacientes hipertensos, são necessárias duas ou mais drogas para a obtenção do controle pressórico, especialmente quando os níveis pressóricos são mais elevados ou se as metas a serem atingidas são mais rigorosas. Quando a associação de drogas for empregada, o diurético deve ser utilizado (B, 2C).

Em pacientes com síndrome metabólica, a redução da pressão arterial para cifras inferiores a 130mmHg/85mmHg pode ser útil, considerando-se o elevado risco cardiovascular associado94-96. No paciente com diabetes tipo 2, a pressão arterial deve ser reduzida abaixo de 130mmHg/80mmHg, não importando que associação de drogas seja necessária para se alcançar este objetivo19 (A, 1A). A presença de nefropatia com proteinúria importante implica em redução da pressão arterial para valores abaixo de 120mmHg/75mmHg95 (A, 1A). Para os pacientes portadores de doença cardiovascular estabelecida e com idade superior a 50 anos, recomenda-se atingir essa meta em menos de seis meses.

A associação de anti-hipertensivos, utilizando-se hipotensores em separado ou combinado em dose fixa, deve obedecer à premissa de não se associar drogas com mecanismos de ação similares.

Nos Quadros 4 e 5 encontram-se, respectivamente, os princípios gerais a serem seguidos para o tratamento farmacológico da hipertensão arterial na SM e sintetizados os principais anti-hipertensivos utilizados no Brasil19.

• Tratamento do diabetes tipo 2

A maioria dos pacientes com hiperglicemia não responde ou deixa de responder adequadamente ao tratamento não-medicamentoso, e nesses casos, devem ser iniciados um ou mais agentes hipoglicemiantes com a finalidade de controlar a glicemia e promover a queda da hemoglobina glicada –A1c.

O diabetes é atualmente considerado uma moléstia cardiovascular124–153. Esta mudança de paradigma implica num novo direcionamento no tratamento da doença. Além do objetivo de normalização da glicemia, é fundamental a necessidade de serem desenvolvidas estratégias dirigidas para a diminuição da incidência de eventos cardiovasculares. A adoção de metas mais rígidas, não só dos valores glicêmicos, como também dos outros fatores de risco associados, deve ser perseguida124,126–128. Em relação aos agentes orais utilizados no tratamento do diabetes tipo 2, a droga ideal deve ter além do efeito anti-hiperglicemiante, uma ação antiaterogênica.

O diabetes tipo 2 é decorrência de dois defeitos básicos: resistência insulínica e deficiência insulínica. Nas fases iniciais da moléstia, predomina o fator resistência, sendo indicado o uso de drogas sensibilizadoras da ação insulínica: metformina e glitazonas. Acarbose também pode ser utilizada nesta situação.

A história natural do diabetes tipo 2 evidencia, com o passar dos anos, uma deterioração progressiva da glicemia decorrente da instalação mais acentuada do fator deficiência insulínica. Nessa fase, as sulfoniluréias podem ser associadas aos sensibilizadores de insulina. A deficiência de insulina pode se acentuar, ocorrendo então a necessidade de associação de insulina aos agentes orais e finalmente insulinização plena (Figura 2).

As glinidas e a acarbose são drogas auxiliares indicadas no tratamento da hiperglicemia pós-prandial.

Combinações terapêuticas de metformina e glitazonas, metformina e sulfoniluréias, e glitazonas e sulfoniluréias têm sido amplamente utilizadas. Além dessas combinações, outras podem ser vistas no Quadro 9 assim como também as drogas atualmente disponíveis no mercado brasileiro (Quadro 8).

Em relação às metas a serem alcançadas no tratamento do diabetes do tipo 2, recomenda-se uma glicose de jejum de até 110mg/dL, pós-prandial inferior a 140mg/dL e hemoglobina glicosilada (%) até o limite superior do método.

É necessário ressaltar, mais uma vez, a importância de se tratar o diabetes no contexto dos outros componentes da síndrome metabólica. Todas as estratégias necessárias para a diminuição da aterosclerose devem ser implementadas.

• Tratamento da dislipidemia

As alterações do metabolismo lipídico apresentam uma relação freqüente com a aterogênese e, conseqüentemente, com a aterosclerose e a elevada morbimortalidade cardiovascular170,171.

As metas lipídícas a serem atingidas com o tratamento do paciente portador de síndrome metabólica estão apresentadas no Quadro 10. Convém enfatizar que apesar de os níveis de LDL-colesterol não constituírem um dos critérios diagnósticos desta síndrome, as evidências de estudos clínicos controlados apontam para a necessidade da redução do LDL-colesterol como meta primária a ser alcançada com o tratamento, concomitantemente com a correção dos níveis do HDL-colesterol e dos triglicérides172-176.

As estatinas são os medicamentos de escolha para reduzir o LDL-C em adultos (Quadro 11). Estudos de prevenção primária e secundária mostram que as estatinas diminuem os eventos coronarianos, a incidência de acidente vascular encefálico e a necessidade de revascularização do miocárdio e a mortalidade cardiovascular total173,174 (A, 1A).

Os fibratos demonstraram benefício na redução de eventos cardiovasculares em indivíduos com HDL-C abaixo de 40mg/dL, componente freqüente da síndrome metabólica. Os fibratos são também indicados para o tratamento da hipertrigliceridemia quando a dieta e a atividade física não forem suficientes para corrigi-la (Quadro 12). Os ácidos graxos ômega-3 podem ser usados como terapia coadjuvante da hipertrigliceridemia ou em substituição aos fibratos em caso de intolerância a estes178 (Quadro 13).

O ácido nicotínico de liberação intermediária pode aumentar o HDL-C e, segundo alguns estudos contribui para redução de eventos cardiovasculares179 (Quadro 13).

O ezetimiba associado às estatinas permite acentuada redução do LDL-C e a sua utilização pode ser considerada para atingir as metas lipídicas preconizadas180 (Quadro 13).

A terapêutica combinada de estatinas com fibratos ou com o ácido nicotínico pode ser uma opção atrativa nos indivíduos com síndrome metabólica que apresentem elevação do LDL-colesterol e dos triglicerídeos e redução do HDL-colesterol.

• Obesidade

Caso as medidas não-medicamentosas recomendadas não consigam induzir à perda de pelo menos 1% do peso inicial por mês, após um a três meses, deve-se considerar a introdução de drogas adjuvantes da dieta para os indivíduos com IMC >30kg/m2 ou ainda, naqueles com IMC entre 25kg/m2 e 30kg/m2 desde que acompanhado de comorbidades (D, 5).

As drogas mais indicadas são a sibutramina e o orlistat (Quadro 14). Estudos têm demonstrado seus efeitos favoráveis para a perda de peso e melhora dos parâmetros metabólicos, com boa tolerabilidade e segurança181-184 (B, 2B). As drogas da classe noradrenérgica185,186 são eficazes na perda de peso, mas os seus estudos são antigos e de curto prazo184 (C, 4). Os inibidores seletivos de recaptação de serotonina usados como antidepressivos, podem também proporcionar perda de peso186,187 (C, 4). Não são recomendadas as fórmulas manipuladas face à falta de controle de qualidade das mesmas (D, 5).

O tratamento cirúrgico tem como objetivo diminuir a entrada de alimentos no tubo digestivo (cirurgia restritiva), diminuir a sua absorção (cirugia disabsortiva) ou ambas (cirurgia mista)188-196. A cirurgia bariátrica pode estar indicada para pacientes diabéticos ou com múltiplos fatores de risco com IMC >35kg/m2, resistentes ao tratamento conservador, realizado continuamente por dois anos (Portaria 196/GM/MS de 29/2/2000).

As cirurgias bariátricas implicam em perda de peso que varia de 20% a 70% do excesso de peso193 (B, 2A). É o método mais eficaz e duradouro para perda de peso e com melhora nítida dos componentes da síndrome metabólica. Complicações incluem mortalidade em torno de 1%, má nutrição, dumping e colelitíase195,196.

• Estado pró-coagulante e pró-inflamatório

A síndrome metabólica se associa a elevações do fibrinogênio, do PAI-1 e possivelmente de outros fatores de coagulação, caracterizando um estado pró-trombótico.

Para os indivíduos com síndrome metabólica de médio e alto risco (risco de DAC >10%) pelo escore de Framingham, deve ser recomendado o uso contínuo de AAS em baixas doses171 (D, 5).

 

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