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Revista da Escola de Enfermagem da USP

Print version ISSN 0080-6234

Rev. esc. enferm. USP vol.43 no.spe2 São Paulo Dec. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0080-62342009000600037 

RELATO DE EXPERIÊNCIA

 

Simpósio Ibero-Americano de História da Enfermagem: novas perspectivas da produção intelectual em história da enfermagem

 

Coloquio Ibero-Americano de Historia de la Enfermería: nuevas perspectivas de la producción intelectual en historia de la enfermería

 

 

Almerinda MoreiraI; Fernando PortoII; Genival Fernandes de FreitasIII; Paulo Fernando de Souza CamposIV

IProfessora Doutora da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. almerindaprof@yahoo.com.br
IIPós-doutorando da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. Professor da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. ramosporto@openlink.com.br
IIIProfessor Doutor da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil. genivalf@usp.br
IVHistoriador. Pós doutorando do Departamento de Orientação Profissional da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. São Paulo, SP, Brasil. pfsouzacampos@usp.br

Correspondência

 

 


RESUMO

A produção intelectual apresentada no I Simpósio Ibero-Americano de História da Enfermagem foi organizada a partir de três eixos temáticos: antropologia do cuidado, história das instituições de ensino, de assistência e agremiações de enfermagem e história de vida, totalizando 198 estudos. Mediante os resultados apresentados a produção mostrada no simpósio apontou para a tendência dos estudos em história da enfermagem, nos eixos temáticos, pela ordem de interesse dos pesquisadores em: história das instituições, antropologia do cuidado e história de vida.

Descritores: História da enfermagem. Cultura. Cuidados de enfermagem.


RESUMEN

La producción intelectual presentada en el I Simposio Ibero-Americano de Historia de la Enfermería fue organizada a partir de tres bases temáticas: antropología del cuidado, historia de las instituciones de enseñanza, asistencia y agremiaciones de enfermería y historia de vida, totalizando 198 estudios. Mediante los resultados presentados, la producción presentada en el simposio reveló la tendencia de los estudios en historia de la enfermería, en las bases temáticas, por la orden de interés de los investigadores en: historia de las instituciones, antropología del cuidado y historia de vida.

Descriptores: Historia de la enfermería. Cultura. Atención de enfermería.


 

 

INTRODUÇÃO

No período de 29 a 31 de outubro de 2007, na cidade São Paulo, ocorreu o I Simpósio Ibero-Americano de História da Enfermagem com temática central Memória e Identidade Profissional. O evento foi promovido pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, com apoio de catorze instituições entre órgãos públicos e de fomento, hospitais públicos e privados, escolas e associações profissionais, como o Conselho Internacional de Enfermeiras. A promoção do simpósio integrou a comemoração dos 65 anos da criação da EEUSP, dos 15 anos de fundação do Centro Histórico Cultural da Enfermagem Ibero-Americana e contribuiu para integrar pesquisadores e grupos de pesquisa, discutindo dificuldades enfrentadas quanto à produção do conhecimento, refletindo sobre o passado da enfermagem e função social do enfermeiro.

As intencionalidades desse I Simpósio foram possibilitar a discussão sobre a produção acadêmica em torno da História da Enfermagem. Sem menosprezar os trabalhos clássicos, acerca dos grandes personagens da enfermagem, o evento possibilitou o reconhecimento de outras histórias e dos muitos agentes da enfermagem, contribuindo significativamente para os debates sobre memória e identidade profissional, do que é ser enfermeiro e suas representações sociais.

Nessa perspectiva, o evento permitiu avaliar que a história essencialmente política, vista de cima, escrita por grupos hegemônicos, secularmente instituídos, não deve ser a única possibilidade de verificação do passado. O I SIHAE foi um momento de aproximar discussões acerca de temas e enfoques culturalmente diferenciados. Os trabalhos apresentados evocaram a longa história dos cuidados, vertente da história da enfermagem em construção no Brasil, como permitiu reconhecer as pesquisas em torno de questões étnicas, de gênero e institucionais, com destaque para a memória das escolas de enfermagem, bem como as questões de ensino e assistência de enfermagem.

Antes da realização do I Simpósio Ibero-Americano de História da Enfermagem, os organizadores utilizaram estratégias de divulgação tais como cartazes e dois boletins virtuais pré-evento. Foi criado um site com informações para interessados em participar do evento, divulgados à comunidade acadêmica um ano antes da data prevista, contento informações gerais e normas para encaminhamento de trabalhos.

O Simpósio contou como com participação de investigadores oriundos de países do mundo ibero-americano como Portugal, Espanha, Chile, Peru, Colômbia e Brasil, assim como representantes de países do continente africano e asiático como Cabo Verde, Angola e Japão. Hiroko Minami, Presidente do International Council of Nurses - ICN, com sede em Genebra, Suíça, proferiu conferência de abertura intitulada História do ICN: desafios e perspectivas, o que permite considerar o prestígio e a posição de destaque alcançados pelo Brasil junto ao órgão máximo da enfermagem mundial., sobretudo, pela colaboração efetiva de uma das representantes da enfermagem brasileira, Taka Oguisso, que atuou no staff do ICN entre os anos 1980-1990, Presidente de Honra do evento.

No segundo dia do Simpósio, a palestra Enfermería y cultura de los cuidados: una evolución histórica determinante para la construcción social, científica y professional de la disciplina, proferida por José Siles González, catedrático da Universidad de Alicante, Espanha, revelou as interfaces da assistência de enfermagem frente aos valores, comportamentos, regras morais, religião constatando as interferências dessas temáticas no processo de cuidar. A abordagem das histórias de vida, de interesse para a história da enfermagem, foi evocada pela apresentação das palestras Teresa Benides Vargas y la Evolución de la Enfermería Peruana e Maria Fernanda Rezende e Maria Nazareth Palheiro: duas enfermeiras portuguesas a não esquecer proferidas por Lúcia Aranda Moreno, da Universidad Pedro Ruiz, Peru e pela Presidente da Associação Portuguesa de Enfermeiros, Marília Viterbo de Freitas, respectivamente.

Durante os três dias, diversos pesquisadores da história da enfermagem apresentaram e discutiram temáticas pertinentes às áreas propostas como eixos temáticos. Neste sentido, apresentar a produção intelectual revelada no I Simpósio Ibero-Americano de História da Enfermagem demarca espaço no campo da pesquisa e mostra o potencial da temática, cuja disciplina é relegada em detrimento da perspectiva do saber fazer, conforme revela a legislação de ensino vigente(1).

O Simpósio, avaliado em suas múltiplas dimensões, pode ser considerado como resultado de uma luta feminina para manter acesa a memória histórica da enfermagem, no Brasil, lição aprendida e ensinada por Edith de Magalhães Fraenkel, Waleska Paixão, Maria Rosa Sousa Pinheiro, Glete de Alcântara, Amália Correia de Carvalho, Anayde Correia de Carvalho, mais contemporaneamente, Ieda de Alencar Barreira, Nalva Pereira Caldas e Taka Oguisso, que organizou o evento. Outras mulheres se dedicaram incessantemente na preservação do ensino da história da enfermagem como campo legítimo, imperioso à formação profissional, em específico àquela preocupada não somente em saber fazer e saber conhecer mas saber ser enfermeiro.

Memória e Identidade Profissional: análise da produção intelectual apresentada no I Simpósio Ibero-Americano de História da Enfermagem

Para identificar a produção intelectual revelada pelo SIAHE, foi utilizada uma matriz a partir dos eixos temáticos pré-estabelecidos e do nome dos pesquisadores. A utilização da matriz, aplicada ao programa do evento e aos dados dos anais, gerou dois quadros demonstrativos. A produção intelectual, apresentada na tabela, objetivou identificar a quantidade de estudos, segundo os eixos temáticos propostos, quais sejam, Antropologia do cuidado, História das Instituições de Ensino, de Assistência e Agremiações de Enfermagem e História de vida, perfazendo um total de 198 trabalhos apresentados.

O eixo temático Cultura dos Cuidados ressaltou a compreensão do cuidado como sendo o produto da reflexão sobre idéias, ações e circunstâncias (reflexão teórica, prática e situacional) relacionadas com o processo das necessidades de saúde, garantindo a integridade e a harmonia de todas e de cada uma das etapas que constituem a vida humana(2-4). Assim, o estudo antropológico do cuidado constitui um instrumento básico para identificar, por um lado, variantes na forma de satisfação de necessidades, e por outro, para explicar causas de tal diversidade e seus correspondentes significados. Nessa perspectiva, a cultura tem sido considerada, essencialmente, como o conjunto dos comportamentos patentes e latentes desenvolvidos por uma comunidade e implicados no processo de satisfação de necessidades, cabendo-nos, sem dúvida, o estudo do mecanismo de satisfação de tais necessidades, tendo em vista diferentes contextos sociais(3).

Nessa perspectiva, a Teoria da Diversidade e Universalidade do Cuidado Cultural (TDUCC), de autoria de Madeleine Leininger, vem sendo aplicada em diferentes países do mundo e se firmando como uma importante teoria para o desenvolvimento do cuidado fundamentado na cultura dos cuidados. Acreditamos que a visão geral do contexto vivido por Leininger e suas influências para a construção de uma teoria de enfermagem internacionalmente aceita, possa ser útil para aqueles que desejam se enveredar pela pesquisa na área de enfermagem transcultural a encontrar um caminho para guiar a sua prática assistencial, de ensino e pesquisa(5).

O eixo temático caracterizado como História das Instituições de Ensino, de Assistência e Agremiações de Enfermagem reuniu trabalhos em torno de movimentos sociais considerados no âmbito da formação profissional, (como a criação de escolas e postos de trabalho), das demandas político-associativas (formação e manutenção dos órgãos de classe como ABEN, COFEN e COREN), e congêneres. Ao evocar a memória de espaços de formação e trabalho, o eixo temático aglutinou a maior parte das comunicações de pesquisa apresentadas, permitindo considerar as abordagens que o tema suscitou como um dos grandes núcleos de investigação no âmbito da história da enfermagem brasileira.

O eixo temático identificado como História de Vida reuniu pesquisadores interessados nas possibilidades da biografia, da micro-história, do resgate das memórias individuais, isto é, agentes históricos, ilustres ou inominados, que construíram a história da enfermagem no mundo ibero-americano. Sintomaticamente, o reduzido número de pesquisas desenvolvidas sobre trajetórias pessoais de mulheres (e homens) permitiu reconhecer a necessidade de investimentos em torno de metodologias de pesquisa adequadas aos (novos) campos de investigação em enfermagem, como a história das mulheres permite considerar. Ainda que reduzido, o potencial do eixo temático mostrou-se perfeitamente adequado às tendências da pesquisa em história da enfermagem, assim como as questões de gênero.

O eixo temático que mais se destacou na Tabela 1 foi História das instituições, seguido do eixo temático Antropologia dos cuidados e com o menor percentual o história de vida. O resultado nos levou a inferir que os pesquisadores da história de enfermagem estudam temáticas voltados às instituições de ensino e saúde. Por outro lado, a tabela evidenciou que a história de vida, dos protagonistas da enfermagem no Brasil, necessita de maior investimento por parte dos pesquisadores nacionais.

 

 

Na Tabela 1 outro dado que merece ser destacado foi o eixo temático Antropologia dos Cuidados. Esse eixo mostrou o potencial existente e praticamente inexplorado em torno da longa história dos cuidados e dos cuidadores, que remete para os períodos místico-religioso, doméstico, pré-profissional e profissional. Depreendemos aqui que os pesquisadores, em específico os oriundos de instituições de ensino do Rio de Janeiro, tem se dedicado ao estudo do simbólico, resgatando a história da enfermagem a partir de interpretações sobre ritos, emblemas e outras simbologias que recobrem a profissionalização da enfermagem, desvelando fatos e ampliando possibilidades de análise do passado da enfermagem.

A matriz de análise também evidenciou a produção dos pesquisadores no sentido da freqüência de participação nos estudos, em outras palavras, o total de pesquisadores envolvidos foi de 309, desses, 217 pesquisadores participaram em 1 estudo; 41 em 2 estudos; 24 em 3 estudos; 8 em 4 estudos e 1 em 5 estudos. A partir deste último quantitativo, ocorreu o crescimento acumulativo de participação de alguns pesquisadores.

O acúmulo ocorreu com 6 pesquisadores em 6 estudos, 3 em 7 estudos; 2 em 8 estudos; 1 em 10, 12, 13 e 16 estudos. Esses dados podem significar articulações entre os pesquisadores, no sentido de acumulo da produção e fortalecimento de grupos de pesquisa na área do conhecimento em que se insere. Mediante ao exposto, a tabela número dois foi construído com base no critério de produção mínima de seis estudos por participação do pesquisador.

As apresentações de trabalho, critério utilizado para definir o volume da produção intelectual no campo da história da enfermagem, na maioria dos casos, sobrepõe autores. Os dados que permitiram a quantificação dos resultados, ainda que eleve os índices para determinados pesquisadores, não podem ser avaliados como via de mão única. Ao contrário, permite considerar a existência de vínculos estabelecidos entre diferentes núcleos e grupos de pesquisa, revelam aumento potencial de orientações de pesquisa sobre história da enfermagem, desvela uma união necessária à inclusão da temática como linha de pesquisa, legitimando-a junto aos órgãos de fomento e pesquisa no Brasil e América Latina, sobretudo pela imensa maioria dos trabalhos apresentados terem como origem institucional espaços públicos de formação superior.

A Tabela 2 mostra a relação nominal dos pesquisadores que participaram com produção mínima em seis estudos. Neste sentido, o eixo temático sobre a História das instituições se manteve em relevo, ratificando a tabela número um.

 

 

Cabe destacar, porém, que a produção da primeira colocada apontou a tendência da História das Instituições e Antropologia do Cuidado o que não ocorreu com a pesquisadora com segundo maior número de trabalhos, que investiu potencialmente na História das Instituições. No caso da terceira pesquisadora a participar com apresentação de trabalhos no Simpósio produziu nas diferentes áreas temáticas, Antropologia do Cuidado e História das Instituições, além da História de Vida, tendo maior destaque as duas primeiras. Os interesses da pesquisadora subseqüente permitem considerar o desenvolvimento de pesquisas nas áreas da História das instituições e História de Vida e também no campo considerado como Antropologia do Cuidado. Assim, é possível inferir que a maioria dos pesquisadores em História da Enfermagem vem produzindo nas três áreas temáticas com certa proficuidade, o que revela o vigor dessas áreas na produção do conhecimento histórico na Enfermagem Ibero-Americana.

De todo modo, essa análise não pode ser avaliada como única possibilidade, mas como resultado de uma análise preliminar dos interesses dos grupos que estudam a história da enfermagem, como permite observar a colocação de uma das grandes pesquisadoras do tema no Brasil, Ieda de Alencar Barreira, cuja produção intelectual é recorrente nos diferentes eixos temáticos, evidenciados pela historiografia da enfermagem brasileira.

Os resultados mostrados as tabelas um e dois se complementam no sentido do investimento dos pesquisadores potencializarem estudos sobre a história enfermagem, seja a partir das instituições, da antropologia do cuidado ou pelas possibilidades da história de vida de personagens da enfermagem.

Cabe destacar que o evento preparou a exposição intitulada Do Sagrado ao Profano: a indumentária e as representações da enfermagem, que apresentou, além de documentação escrita e fotográfica, uniformes utilizados por alunos da EEUSP, assim como a réplica da indumentária da grande pioneira, Florence Nightingale e das Filhas de Caridade de São Vicente de Paulo, cuidadoras por vocação(8).

Do mesmo modo, o evento agregou o lançamento de três livros sobre a história da enfermagem. A segunda edição do livro organizado por Taka Oguisso, intitulado Trajetória Histórica e Legal da Enfermagem, do qual participam Almerinda Moreira, Genival Fernandes de Freitas e Paulo Fernando de Souza Campos. O livro Enfermeiras do Brasil: história de pioneiras cuja autoria participa a enfermeira Victoria Secaf e História da Enfermagem Brasileira, fruto das pesquisas de doutoramento de Fernando Porto e Wellington Amorim, orientados por Tânia Cristina Santos Franco e Ieda de Alencar Barreira, respectivamente; resultado da consolidação do Núcleo de Pesquisa em História da Enfermagem Brasileira – NUPHEBRAS/EEAN/UFRJ e do Laboratório de Pesquisa em História da Enfermagem – LAPHE/EEAP/UNIRO.

A presença marcante dos enfermeiros pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC merece destaque, em específico, trabalhos orientados por Mirian Susskind Borenstein. Neste sentido, o SIAHE foi considerado um marco para a história da enfermagem, em franca consolidação no âmbito da investigação em Enfermagem, dado o reconhecimento dos pesquisadores enfermeiros e profissionais como historiadores, sociólogos e antropólogos, que também participaram do evento, comunicando pesquisas ou proferindo palestras em mesas redondas. A presença desses últimos profissionais sinaliza a importância da enfermagem no contexto das ciências humanas ao se mostrar como um espaço interdisciplinar.

Os resultados alcançados pelo evento – quantitativo e qualitativo - permitem considerar que a história da enfermagem, re-dimensionada pela cultura dos cuidados, deve ser valorizada como fundamental para o desenvolvimento da assistência. O reconhecimento das experiências que construíram os alicerces da profissão, revelado pela participação de pesquisadores oriundos de países que compõe o mundo ibero-americano, indica que a análise crítica e dialética dos caminhos percorridos pela enfermagem é meio eficaz para o fortalecimento da profissão. Sem memória não há como manter identidade profissional, não há como projetar o futuro e as ações que dele farão parte.

Cabe considerar que o exposto acima coaduna com a experiência na utilização de abordagens quantitativas e qualitativas para a produção do conhecimento da profissão relatadas por Odaléa Maria Bruggemann e Mary Ângela Parpinelli ao citarem que, a combinação entre às abordagens citadas é uma estratégia de pesqusia para melhor dá conta de determinados fenômenos a serem estudados na enfermagem(9).

O intercâmbio de saberes voltados para a história da enfermagem possibilitou à primeira edição do Simpósio Ibero-Americano de História da Enfermagem Memória e Identidade Profissional, qual seja, assinalar o compromisso com uma escrita da história que recupere experiências de homens e mulheres, ilustres ou inominados, e escrever a história dos cuidados nos períodos anteriores a profissionalização, oficial ou não.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O evento em análise revelou que a pesquisa histórico-cultural constitui-se em potencial campo nos estudos de enfermagem Ibero-Americano. No caso brasileiro, que grupos de pesquisa consolidaram a necessidade da pesquisa histórica, desenvolvendo estudos e preservando documentação escrita, iconográfica, imagética de origens diversas no sentido de recuperar a memória histórica da enfermagem em suas múltiplas temporalidades.

O I Simpósio Ibero-Americano de História da Enfermagem integrou diferentes áreas de interesse investigativo no campo da história, possibilitando o diálogo entre pesquisadores de diversas matrizes teóricas, bem como estabeleceu parcerias internacionais com investigadores da área, em outros continentes. Especialmente na América Latina, favoreceu trocas de idéias, criação de espaços para discussão virtual acerca das temáticas que envolvem a área de conhecimento nos diferentes cenários da prática do enfermeiro, das suas entidades representativas ou norteando-se pelo objeto da cultura dos cuidados. Nessa direção, o grupo de pesquisadores de Portugal, presentes no SIAHE assumiram a realização, em 2009, do II Simpósio Ibero-Americano de História da Enfermagem em seu país.

 

REFERÊNCIAS

1. Brasil. Lei n. 9394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Lei de Diretrizes e Baes da Educação-LDB [texto na Internet]. Brasília; 1996. [citado 2008 set. 18]. Disponível em: tttp//www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm         [ Links ]

2. Siles JG. Antropología narrativa de los cuidados. Valencia: Consejo de Enfermería de la Comunidad Valenciana; 1996.         [ Links ]

3. Siles JG. Historia de la Enfermería. Alicante: Aguaclara; 1999.         [ Links ]

4. Collière M. Utilización de la antropología para abordar las situaciones de cuidados. Rol Rev Enferm. 1989;10(80):17-25.         [ Links ]

5. Oriá MOB, Ximenes LB, Alves MDS. Madeleine Leininger and the Theory of the Cultural Care Diversity and Universality: an historical overview [text on the Internet]. 2005 [cited fev. 2]. Available from: www.uff.br/nepae/objn402oriaetal.htm         [ Links ]

6. Programa do 1° Simpósio Ibero-Americano de História da Enfermagem. Memória e Identidade, Profissional; 2007 out. 29-31; São Paulo, BR. São Paulo: Escola de Enfermagem da USP; 2007.         [ Links ]

7. Anais do 1° Simpósio Ibero-Americano de História da Enfermagem. Memória e Identidade Profissional; 2007 out. 29-31; São Paulo, BR [CD-ROM]. São Paulo: Escola de Enfermagem da USP; 2007.         [ Links ]

8. Campos PFS, Oguisso T, Freitas GF. Do sagrado ao profano. São Paulo: Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo; 2007.         [ Links ]

9. Bruggeman OM, Parpinelli MA. Utilizando as abordagens quantitativa e qualitativa na produção do conhecimento. Rev Esc EnfermUSP. 2007;43(3):563-8.         [ Links ]

 

 

Correspondência:
Almerinda Moreira
Rua Dr. Xavier Sigaud, 290 - Urca
CEP 22290-180 - Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Recebido: 18/09/2008
Aprovado: 01/06/2009