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Cadernos de Pesquisa

Print version ISSN 0100-1574

Cad. Pesqui. vol.39 no.138 São Paulo Sept./Dec. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-15742009000300015 

OUTROS TEMAS

 

Violência intrafamiliar e intimidação entre colegas no ensino fundamental

 

Family violence and bullying on primary school

 

 

Fernanda Martins França PinheiroI; Lúcia Cavalcanti de ALbuquerque WilliamsII

IPsicóloga e Mestre em Educação Especial pelo Programa de Pós-Graduação em Educação Especial da Universidade Federal de São Carlos fermpinheiro@gmail.com
IIProfessora Titular do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos e Coordenadora do Laboratório de Análise e Prevenção da Violência williams@power.ufscar.br

 

 


RESUMO

Esta pesquisa teve como principal objetivo investigar a associação entre intimidação entre pares e violência intrafamiliar. Participaram do estudo 239 estudantes, com idades entre 11 e 15 anos, sendo que 34,7% eram meninos e 65,3%, meninas. Construiu-se um questionário baseado em outros instrumentos que continha: questões sobre variáveis sociodemográficas; itens que investigavam a exposição dos estudantes à violência interparental e questões que mediam a violência física e psicológica cometida por mães e pais contra os participantes. O envolvimento em bullying foi avaliado por meio de 26 itens, desenvolvidos especialmente para os propósitos do estudo, baseados em uma versão modificada do questionário de Olweus. Foram encontradas associações entre violência doméstica e bullying, com peculiaridades de acordo com o sexo dos participantes. Estar exposto à violência interparental esteve associado com ser alvo/autor de bullying na escola, especialmente para as meninas, mas não com ser vítima de intimidação. A violência parental direta, por sua vez, aumentou a probabilidade de os meninos relatarem envolvimento em bullying como vítima e também a chance de ser vítima-agressora. Entre as meninas, sofrer violência por parte dos pais mostrou-se um fator associado somente com atuar em intimidação como alvo/autor.

RELAÇÕES FAMILIARES - ESCOLAS - BULLYING


ABSTRACT

The primary purpose of the present investigation was to examine the relationship between bullying and different types of direct and indirect family violence. The research was conducted with 239 grades 5-8 students, 34.7% boys and 65.3% girls. A questionnaire was constructed, containing: questions involving socio-demographic variables; items of the Revised Conflict Tactic Scale, with the goal of examining the youngster's exposure to interparental violence; and items of the Parent-Child Conflict Tactics Scales, concerning physical and psychological abuse committed by parents against children. Bullying and victimization were measured by 26 items developed specially for the study's purpose, based on a modified version of Olweus' questionnaire. Associations were found between bullying and domestic violence, but these associations were different according to gender. Being exposed to domestic violence was associated with being a bully/victim in school (especially for girls), but not with being a victim of bullying. On the other hand, parental violence increased the probability of boys reporting being implied in bullying as victims or as bully/victims. In terms of the girls, suffering parental violence was only associated as being a bully/victim.

FAMILY RELATIONSHIP - SCHOOLS - BULLYING


 

 

O termo "violência na escola" diz respeito a todos os comportamentos agressivos e antissociais que ocorrem no ambiente escolar, o que inclui danos ao patrimônio, atos criminosos, conflitos interpessoais etc. (Lopes Neto, Saavedra, 2003). Charlot (2002) afirma que tal fenômeno não é novo, como professores e opinião pública tendem a considerar, embora as formas de violência tenham "evoluído" para situações mais graves - especialmente no século XX, a partir da década de 80, com registro de ocorrência de homicídios, estupros e agressões com armas dentro do ambiente escolar, envolvendo em tais situações populações cada vez mais jovens. Além disso, o número de intrusões externas (como grupos de gangues que entram na escola para "acertar contas" com membros de uma gangue rival) tem aumentado, assim como o número de agressões a docentes e funcionários das escolas.

Uma das formas de violência escolar que tem merecido atenção por parte dos pesquisadores nas últimas décadas é denominada, na literatura internacional, bullying, uma forma de violência frequente ocorrida entre colegas na escola. Ela pode ser de natureza física, psicológica e/ou sexual (Batsche, Knoff, 1994), sendo definida como modalidade de violência na qual um ou mais alunos agridem outro (ou outros), de forma repetitiva, por um determinado período de tempo (Williams, 2004). Diversos autores (Batsche, Knoff, 1994; Craig, Pepler, 2003; Olweus, 2003) consideram que esse é um fenômeno definido por três categorias: a intencionalidade do ato, a prolongação no tempo e o desequilíbrio de poder físico, psicológico ou social entre os envolvidos. Apesar de ser uma palavra de difícil tradução para o português, alguns autores têm utilizado o termo "intimidação" para se referir ao fenômeno (Hayden, Blaya, 2002) e, neste artigo, optou-se por usar os dois termos como sinônimos.

Embora o bullying seja um fenômeno fartamente pesquisado no exterior, o estudo de sua ocorrência na população brasileira começou há pouco tempo. Os primeiros estudos realizados revelaram que a intimidação entre pares é expressiva entre nossos alunos (Lopes Neto, Saavedra, 2003; Fante, 2005) e não pode passar despercebida, dadas as suas sérias consequências.

Vários são os fatores que contribuem para a ocorrência de bullying na escola, entre eles, características individuais, da família e da escola (Batsche, Knoff, 1994; Baldry, 2003). Em relação ao ambiente familiar, pesquisas indicam que os alunos que são autores de bullying na escola, em sua maioria, provêm de lares onde há utilização de violência física como forma de disciplina, a família é descrita como hostil e permissiva, tem poucas habilidades de resolução de conflitos e ensina suas crianças a revidarem ante à mínima provocação (Batsche, Knoff, 1994; Haynie et al., 2001).

Berdondini e Smith (1996) avaliaram aspectos da coesão familiar em três grupos de crianças: um composto por vítimas de bullying; outro, por autores; e o terceiro, chamado "grupo controle", com crianças sem envolvimento em situações de bullying. Os autores verificaram que o grupo de crianças que cometia bullying contra os pares tinha maior probabilidade de não ter a figura paterna em casa e de pertencer a famílias com menor coesão do que os outros dois grupos. As vítimas de intimidação, por sua vez, demonstraram coesão familiar adequada, mas tinham famílias mais superprotetoras do que seus pares.

Entre os estudos que procuraram identificar a relação entre violência doméstica e bullying destaca-se a pesquisa realizada por Baldry (2003), que investigou a relação entre bullying/vitimização na escola e exposição à violência entre os pais em uma população de 1059 crianças de 8 a 15 anos, na cidade de Roma (Itália) e região. Os sujeitos da pesquisa responderam a um questionário anônimo que continha itens medindo o envolvimento do participante em atos de bullying (como autor ou vítima), bem como itens que investigavam a exposição do participante à violência física e verbal entre os pais. Os resultados encontrados por Baldry (2003) indicaram que, nos três meses anteriores à pesquisa, mais da metade dos sujeitos relatou envolvimento em situações de bullying, sendo que 48,3% dos participantes indicaram ter cometido atos de bullying contra outros estudantes e 59% disseram ter sido vítima de tal agressão no período referido. Pelos resultados, as crianças que relataram ter presenciado episódios de agressão entre os pais tinham maior risco de cometer violência contra os pares, bem como de ser vítimas de intimidação. A autora, entretanto, apontou como um fator limitante de seu estudo o fato de que a violência doméstica contra a criança (violência doméstica direta) foi abordada em apenas uma questão, não sendo possível, dessa forma, medir o grau de agressão ao qual a criança era submetida.

Tendo como referência o estudo de Baldry (2003), o objetivo desta pesquisa foi investigar, entre alunos do ensino fundamental, se a presença de violência doméstica física e psicológica (tanto a interparental, como a violência dos pais contra os filhos) era um fator relacionado à ocorrência de intimidação entre pares (bullying) na escola. A hipótese era a de que alunos vítimas de violência intrafamiliar estariam envolvidos em situações de bullying com mais frequência do que os participantes que não relatassem violência doméstica.

 

MÉTODO

Sujeitos

Participaram deste estudo 239 alunos (34,7% do sexo masculino e 65,3% do sexo feminino) que cursavam da 5ª à 8ª série do ensino fundamental, em três escolas públicas da cidade de São Carlos, interior de São Paulo. Os alunos tinham entre 11 e 15 anos de idade (idade média igual a 13 anos) e, em sua maioria, pertenciam às classes econômicas C e D. Os critérios para a inclusão dos estudantes na pesquisa foram: morar com pelo menos um dos pais, ter o consentimento do responsável e dar seu próprio consentimento assinado.

Local e materiais

A coleta de dados ocorreu nas próprias escolas, preferencialmente na sala de aula dos alunos, tendo sido utilizado um questionário com questões prioritariamente fechadas, subdividido em quatro partes: identificação, conflitos na escola, conflitos entre os pais, conflitos entre os pais e a criança.

O roteiro foi construído com base em instrumentos, que serão descritos com mais detalhes a seguir, e, pré-testado em duas classes de 5ª série (57 alunos no total) para verificar o tempo médio gasto para preenchê-lo, assim como possíveis problemas no entendimento das questões e na forma de respondê-las. Além disso, o roteiro foi enviado a três professores universitários, com experiência na área de pesquisa em violência doméstica e violência na escola, para que avaliassem a adequação das questões ao propósito da pesquisa especialmente para os itens que mediam "intimidação", e atuassem como juízes sobre a adequação das categorias descritivas. As partes que constituíram o roteiro semiestruturado são descritas a seguir:

1. Identificação: perguntas que investigavam variáveis sociodemográficas do sujeito e de sua família (sexo; idade; raça; escolaridade dos pais; nível socioeconômico da família etc. Para determinar o nível socioeconômico, foi utilizado o Critério de Classificação Econômica Brasil (Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa, 2003), que estima a renda da família por meio do seu poder de compra.

2. Conflitos na escola: breve introdução - adaptada da definição criada, em 1996, por Olweus (apud Currie et al., 2001) - que explicava o conceito de intimidação entre pares (bullying), seguida por 13 itens que avaliavam o envolvimento do participante em atos de intimidação como vítima e 13 que mediam seu envolvimento como agressor. Os sujeitos deveriam responder a cada questão com base na ocorrência do episódio nos três meses anteriores à pesquisa. Das 26 questões, 14 foram traduzidas do protocolo de pesquisa desenvolvido para um estudo da Organização Mundial de Saúde (Currie et al., 2001), que utilizou o questionário de Olweus, para medir o envolvimento de crianças e adolescentes em situações de bullying. As outras 12 questões foram desenvolvidas pelas autoras com o auxílio dos juízes da análise de conteúdo, por entenderem que eram questões importantes de serem investigadas no Brasil. Cada situação descrita possuía cinco alternativas de respostas fechadas, as mesmas da pesquisa de Baldry (2003), que eram: "nenhuma vez", "1 ou 2 vezes nos últimos 3 meses", "2 ou 3 vezes por mês", "1 vez por semana", e "várias vezes por semana".

3. Conflitos entre os pais: versão traduzida e adaptada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE - de "The Revised Conflict Tactics Scale" - CTS-2 [Escala de táticas de conflito revisada], de Straus et al. (1996), contendo questões semelhantes às utilizadas por Baldry (2003) com a vantagem de já ser um instrumento utilizado no Brasil (Brancalhone, Fogo, Williams, 2004; Fundação IBGE, 1999).

Para os propósitos deste estudo foram selecionados apenas os 16 itens presentes na adaptação do IBGE que se referem à violência física e à violência psicológica. Desses, oito itens eram referentes à violência do pai, ou figura paterna (como padrasto, namorado da mãe) contra a mãe, ou figura materna (como madrasta, namorada do pai). O restante se referia à violência da mãe, ou figura materna, contra o pai ou figura paterna.

O enunciado das questões foi adaptado de forma que o aluno pudesse relatar a frequência com que presenciou os pais se agredindo, por exemplo, com chutes, empurrões, xingamentos, ameaças e outros atos.

Como no estudo de Baldry (2003), as respostas às questões foram dadas em uma escala com cinco alternativas: "nunca", "sim, aconteceu uma vez", "sim, aconteceu algumas vezes", "sim, aconteceu muitas vezes", "sim, sempre acontece".

4. Conflito entre pais e crianças: subescalas de agressão física e psicológica da Parent-Child Conflict Tactics Scales - CTSPC [Escala de táticas de conflito entre pais e crianças] de Straus et al. (1998).

No instrumento original, a subescala de violência física tem 26 itens e a de violência psicológica 10 itens, metade deles medindo o uso da violência por parte da mãe (ou figura materna) e a outra metade, o uso da violência por parte do pai (ou figura paterna). Esses itens foram traduzidos pela primeira autora para o português, revisados por uma tradutora e depois testados em amostra piloto. Após a análise semântica, quatro questões foram resumidas em duas e a adaptação final ficou com 32 questões. As respostas a essas questões, assim como as referentes à parte de conflitos entre os pais, foram: "nunca", "sim, aconteceu uma vez", "sim, aconteceu algumas vezes", "sim, aconteceu muitas vezes", "sim, sempre acontece".

Procedimento

A coleta de dados foi realizada somente após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Universidade Federal de São Carlos, bem como dos diretores das escolas envolvidas.

A maioria dos alunos respondeu ao questionário na própria sala de aula, sendo monitorada por dois pesquisadores. Estes foram responsáveis por apresentar o questionário, realizar breve explanação sobre o conceito de intimidação entre pares (bullying), esclarecer eventuais dúvidas e conferir, ao final do preenchimento do questionário, se não havia questões em branco ou com respostas duplas.

O questionário foi confidencial e anônimo, sendo que todos os dados foram tratados em conjunto por meio do pacote estatístico SPSS 11.0, com o qual foram calculados: as frequências; o p-valor do quiquadrado (χ2) ou do Teste Exato de Fisher; Odds Ratio - OR - e seu intervalo de confiança - IC - de 95%. Para os cálculos de OR, o envolvimento em situações de bullying foi considerado o "desfecho" e os diferentes tipos de violência doméstica foram os "fatores de exposição". O objetivo era verificar se a probabilidade de se envolver em situações de bullying era maior entre os sujeitos expostos às várias formas de violência doméstica.

 

RESULTADOS

Autorrelato dos sujeitos sobre o envolvimento em bullying e sexo

A figura 1 apresenta as formas de envolvimento dos alunos em situações de intimidação na escola, no geral e de acordo com o sexo. A definição desses grupos foi feita com base nas respostas dos alunos em relação ao seu envolvimento nas diversas situações de intimidação: os alunos que não relataram qualquer tipo de vitimização e qualquer tipo de autoria foram classificados no grupo com "nenhum envolvimento em bullying"; os que declararam terem sido alvo de pelo menos um tipo de bullying, mas que não cometeram esses atos foram chamados "alunos-alvo"; os alunos que não sofreram intimidação, mas a perpetraram contra seus colegas foram denominados "autores"; e aqueles que admitiram ter sido alvo e também autores foram classificados no grupo de "alvo/autores" (também chamados "vítimas-agressoras").

 

 

Por meio da figura 1 é possível perceber que, dos 239 alunos participantes, 49% deles admitiu algum envolvimento em bullying nos três meses anteriores à pesquisa. Destes, 26% foram exclusivamente vítimas, 21% foram alvo/autores de intimidação e 3%, considerados apenas autores. O teste quiquadrado foi realizado para verificar se havia associação entre sexo e envolvimento em bullying nos diferentes grupos. Para um nível de 5% de significância, podemos afirmar que o único grupo no qual houve associação foi o de "alunos-alvo/autores de bullying": entre os meninos, 28,9% admitiu ter sido alvo e autor de bullying nos três meses anteriores à pesquisa, mas no grupo das meninas, essa porcentagem foi de apenas 16% (χ2 = 5,779, df = 1, p-valor = 0,016).

Exposição à violência intrafamiliar

A tabela 1 apresenta a prevalência de violência intrafamiliar de acordo com o sexo dos participantes. É importante destacar que, nesta pesquisa, considerou-se que o sujeito esteve exposto à violência doméstica entre os pais, caso ele respondesse ter presenciado pelo menos um ato de violência física ou psicológica, inclusive verbal, em qualquer momento da vida. O mesmo critério foi usado para definir a exposição à violência direta que o aluno sofreu por parte dos pais.

 

 

Aproximadamente 55% dos sujeitos relatou ter presenciado violência entre os pais, sendo que a violência psicológica foi o tipo mais relatado: entre as meninas, 55,8% relatou ter visto o pai cometer algum tipo de violência psicológica contra a mãe e 58,3% relatou ter visto a mãe agredir o pai dessa maneira (Tab. 1). Já entre os sujeitos do sexo masculino, 54,2% disse ter visto o pai agredir a mãe e 49,4% viu a mãe agredir o pai com alguma forma de violência psicológica.

O relato de exposição à violência física interparental, como pode ser visto na tabela 1, foi menor do que o relato de violência psicológica. Tanto os meninos, quanto as meninas relataram ter presenciado violência física interparental (aproximadamente 14% das meninas e 7,5% dos meninos). No geral, pode-se dizer que a violência do pai contra a mãe foi bastante semelhante à violência da mãe contra o pai. É também possível notar que não houve associação entre relato de exposição à violência interparental e sexo dos sujeitos, ou seja, na pesquisa apresentada, a exposição à violência entre os pais foi semelhante para meninos e meninas.

Cerca de 60% de participantes, de ambos os sexos, relatou ter sido vítima de algum tipo de violência cometida pela figura paterna, enquanto 91,6% dos meninos e 80,8% das meninas relatou ter sido vítima de violência cometida pela mãe. A prevalência de violência doméstica direta cometida pelos pais foi maior entre os meninos do que entre as meninas, mas só foram encontradas diferenças estatisticamente significantes para: violência física severa do pai contra o sujeito (relatada por 22,9% dos alunos do sexo masculino e por 12,2% das alunas) e violência doméstica total da mãe contra os sujeitos.

Associações entre violência doméstica e bullying

As próximas tabelas (2 a 5) mostram as associações entre bullying e violência doméstica, medidas pela Odds Ratio (OR) e por meio do teste quiquadrado. Primeiramente, comparou-se a prevalência de violência doméstica entre os alunos que não tiveram nenhum envolvimento em bullying, com aqueles que relataram ter sofrido intimidação por parte de seus pares, mas que não praticaram bullying. Depois, foi comparada a prevalência de violência doméstica entre os alunos que não tiveram envolvimento em bullying e aqueles que relataram ter sido alvo/autores de bullying (as chamadas vítimas-agressoras). Para o grupo de alunos classificados como autores de bullying, tais comparações não foram realizadas, dado que somente sete dos 239 sujeitos faziam parte dessa categoria, o que impediu a realização de testes estatísticos com esse grupo.

 

 

 

 

 

 

 

 

A tabela 2 apresenta, respectivamente, a prevalência de violência do pai contra a mãe e da mãe contra o pai, segundo o envolvimento dos alunos em situações de bullying como vítimas. A prevalência da exposição às diversas formas de violência entre os pais foi semelhante entre os alunos sem envolvimento em bullying e aqueles que foram alvo de intimidação, não sendo encontradas associações significativas entre tais fenômenos.

A tabela 3 mostra a proporção de alunos que admitiu ter sofrido violência por parte dos pais no grupo de participantes sem envolvimento em bullying e no grupo que foi vítima de intimidação. No geral, 77,9% dos alunos do grupo sem bullying foi vítima de pelo menos um tipo de violência por parte da mãe, mas no grupo de alunos-alvo, essa prevalência foi de cerca de 90%, o que significa que a probabilidade de ser vítima de bullying foi 2,6 maior para os alunos expostos a qualquer tipo de violência por parte da mãe em relação àqueles que não a sofreram. A violência por parte do pai também foi associada à vitimização por bullying na escola: os alunos que declararam ter sofrido violência por parte do pai ou figura paterna tinham 3,1 vezes mais chance de relatar também vitimização por bullying na escola. Outras formas de violência doméstica contra a criança associadas significativamente com intimidação na escola, no geral, foram: violência psicológica por parte da mãe; violência psicológica por parte do pai; violência física moderada por parte do pai; violência física severa por parte do pai.

Analisando as associações indicadas na tabela 3, segundo o sexo dos participantes, constata-se que elas foram significativas somente para os sujeitos do sexo masculino. Entre as meninas, nenhum comportamento violento por parte da mãe ou do pai teve associação significativa com ser vítima de intimidação na escola. Para os meninos, entretanto, podemos afirmar que havia uma chance significativamente maior de ser vítima de bullying na escola entre aqueles que relataram ter sofrido: pelo menos um ato de violência psicológica por parte da mãe; violência física leve por parte da mãe pelo menos uma vez; qualquer tipo de violência por parte do pai pelo menos uma vez; pelo menos um ato de violência psicológica por parte do pai; violência física leve por parte do pai pelo menos uma vez; violência física moderada por parte do pai pelo menos uma vez; pelo menos um tipo de violência física severa por parte do pai.

Os resultados das associações entre violência doméstica e envolvimento em situações de bullying como alvo/autor são mostrados a seguir, nas tabelas 4 e 5.

A exposição à violência do pai contra a mãe pelo menos uma vez na vida e à violência psicológica do pai contra a mãe, como mostra a tabela 4, aumentou 2,1 vezes a probabilidade de os participantes, no geral, se envolverem em bullying como vítimas-agressoras. Analisando os resultados do ponto de vista do sexo dos sujeitos percebe-se que tal associação aconteceu exclusivamente com as meninas, cuja probabilidade de envolvimento em bullying como alvo/autor foi significativamente maior quando o pai cometia os seguintes atos de violência psicológica e violência no geral contra a mãe.

Da mesma forma, houve uma proporção significativamente maior de meninas vítimas e autoras de intimidação quando as participantes relatavam ter presenciado os seguintes tipos de violência da mãe contra o pai: pelo menos um ato de agressão da mãe contra o pai e violência psicológica. Tais comportamentos, também, foram associados à ocorrência de vitimização e agressão por bullying para os alunos no geral.

A tabela 5 apresenta a prevalência de violência direta por parte dos pais do grupo de alunos sem envolvimento em bullying e no grupo que declarou ter sido alvo e autor de intimidação na escola. É possível perceber que, no geral, 91,8% dos sujeitos que foram agredidos pela mãe ao menos uma vez estavam no grupo de alunos que sofreram e praticaram o bullying, enquanto no grupo sem nenhum envolvimento em intimidação, essa porcentagem (de violência da mãe contra o filho) foi de 77,9%. Traduzindo isso em termos de Odds Ratio, os alunos que sofreram pelo menos um tipo de violência por parte da mãe tinham 3,2 mais chance de se envolver em bullying como alvo/autores do que aqueles que não sofreram essa violência. Outros comportamentos da mãe contra o filho associados a ser vítima-agressora foram: violência psicológica; violência física leve e violência física severa.

Verificando a relação por sexo, a associação entre os diferentes tipos de violência por parte da mãe e relato de envolvimento em bullying como alvo/ autor, é possível perceber, pela tabela 5, que os meninos vítimas de violência física leve por parte da mãe tinham 16,4 vezes mais probabilidade do que os não vítimas de declarar ser alvo/autores de bullying.

A tabela 5 também apresenta as associações entre sofrer violência por parte do pai e ser vítima e autor de bullying na escola. No geral, é possível constatar que as cinco categorias de violência do pai contra o filho foram associadas com o relato dos sujeitos que se declararam alvo e autores de bullying na escola. Os comportamentos violentos do pai contra os sujeitos, associados ao envolvimento do aluno em situações de intimidação na escola, tanto no geral, quanto entre os sexos masculino e feminino, foram: ter sofrido pelo menos um tipo de violência por parte do pai; violência psicológica; violência física moderada e violência física severa. A violência física leve por parte do pai, também, esteve associada ao envolvimento em bullying como vítima-agressora, mas somente no geral e para o sexo masculino.

Ao considerar a intensidade da violência física (leve, moderada e severa), nota-se na tabela 5 que a probabilidade de se envolver em bullying como vítima-agressora aumenta à medida que aumenta o grau de violência doméstica perpetrada pelo pai contra o sujeito, sendo esse resultado obtido no geral e por sexo. Para os meninos, por exemplo, a probabilidade de ser alvo e autor de bullying no caso de sofrer violência física leve por parte do pai foi 4,1 maior do que a daqueles cujos pais não apresentaram esse tipo de violência. Quando a violência física era moderada, a probabilidade passou para 7, chegando a ser 8,5 maior no caso de violência física severa.

 

DISCUSSÃO

Prevalência da violência na vida das crianças

Os resultados da pesquisa indicam alta prevalência de alunos envolvidos em situações de violência na escola e na família. Quase metade (49%) dos participantes relatou algum envolvimento em bullying nos três meses anteriores à coleta de dados. Essa proporção de intimidação entre pares iguala-se à de outros estudos brasileiros: Fante (2005), pesquisando o bullying em escolas do interior de São Paulo, encontrou 49% de estudantes envolvidos no fenômeno e Lopes Neto e Saavedra (2003), que realizaram ampla pesquisa no Rio de Janeiro, relataram que 40,5% dos participantes admitiram ter tido envolvimento direto na prática de bullying.

Em relação à exposição à violência conjugal, mais da metade dos sujeitos relatou ter presenciado pelo menos um ato de violência física e/ou psicológica entre os pais, sendo que a prevalência total de violência da mãe contra o pai e do pai contra a mãe foi bastante semelhante. Baldry (2003) afirma que 17,4% dos alunos que participaram de sua pesquisa relataram alguma forma de exposição à violência entre os pais. Essa porcentagem foi menor do que a constatada na pesquisa atual, mas se deve ressaltar que alguns fatores dificultam a comparação entre os dois estudos. Em primeiro lugar, apesar de Baldry ter investigado a violência verbal (xingamentos, insultos etc.) entre os pais, sua pesquisa não a levou em conta para calcular a prevalência de violência doméstica no geral, enquanto neste estudo todos os atos investigados foram considerados na análise. Em segundo, no artigo de Baldry, a autora apresentou apenas a proporção de violência interparental no geral, sendo que a porcentagem de violência por subtipos (física ou psicológica) não foi relatada.

Os dados sobre a ocorrência de violência familiar contra a criança são ainda mais expressivos: apenas 15% dos sujeitos declararam não ter sido vítimas de qualquer forma de violência cometida pelos pais. Esses dados apoiam resultados obtidos por outros pesquisadores sobre a violência sofrida pela criança e pelo adolescente em diversos países, indicando que o fenômeno é muito frequente, apesar das diversas legislações que visam acabar com a violência doméstica (Assis, 1995; Azevedo, Guerra, 2001; Finkelhor et al., 2005; Moura, Reichenheim, 2005).

Relações entre violência doméstica e bullying

De modo geral, os resultados confirmaram que os alunos que vivenciaram a violência doméstica, de forma direta e/ou sendo expostos à violência interparental, tinham maior probalidade de se envolver em situações de intimidação na escola, especialmente como alvo/autor. Entretanto, os resultados não foram iguais para meninos e meninas, o que indica que o impacto da violência doméstica foi diferente de acordo com o sexo dos sujeitos. As associações entre violência doméstica e autoria de bullying na escola não puderam ser testadas, dado o baixo número de participantes classificados apenas como autores de bullying.

Violência entre os pais e bullying

Ao contrário do esperado, estar exposto à violência física interparental não aumentou a probabilidade de os alunos se envolverem em bullying, nem como alvo, nem como alvo/autor. Segundo Pepler, Catallo e Moore (2000), vários pesquisadores têm encontrado que crianças expostas à violência conjugal apresentam um risco maior do que as não expostas de manifestarem problemas de comportamento, tais como impulsividade, hiperatividade, agressão, conflitos com irmãos e com pares, entre outros. Com relação à agressividade infantil, a Teoria da Aprendizagem Social (Bandura, 1973) tem sido invocada por muitos autores (Baldry, 2003; Graham-Bermann, 2001; Maldonado, Williams, 2005) para explicar como a violência pode ter origem na família. De acordo com essa teoria, as crianças aprendem a ser agressivas observando agressão, particularmente aquela perpetrada pelos pais (Bandura, 1973), e crianças de ambos os sexos teriam maior possibilidade de ser agressivas ao serem expostas a modelos de pessoas violentas. Nesta pesquisa, entretanto, observou-se que somente a exposição à violência psicológica entre os pais teve associação significativa com envolvimento em bullying como alvo/autor, tendo isso ocorrido apenas para as meninas, o que confirma em parte o proposto pela Teoria da Aprendizagem Social. Esperava-se, contudo, que resultados semelhantes fossem obtidos para os meninos e que a violência física interparental também estivesse relacionada ao bullying.

Não obstante, antes de chegar a quaisquer conclusões, é preciso considerar as limitações impostas pelo tamanho da amostra. Embora o número de participantes tenha possibilitado o uso de testes estatísticos, ao separar os estudantes em subgrupos de acordo com o seu envolvimento em bullying e de acordo com o sexo, muitos testes terminaram sendo realizados com um número pequeno de sujeitos, o que pode ter prejudicado a representatividade da amostra.

Além disso, poucos foram os estudos que verificaram associações entre exposição à agressão entre os pais e violência entre pares na escola. Para Baldry (2003), estar exposto à violência entre os pais aumentava a probabilidade de os sujeitos de ambos os sexos relatarem envolvimento em bullying como autores, o que, de acordo com a autora, confirma a teoria proposta por Bandura. Infelizmente, não é possível comparar os resultados do estudo de Baldry (2003) com os aqui constatados, visto que essa pesquisadora não considerou que o envolvimento dos sujeitos em bullying poderia se dar como alvo/autores e isso limita a possibilidade de generalização de seus resultados.

Tendo em vista as limitações expressas, conclui-se que seria importante a realização de outras pesquisas que classificassem os sujeitos como alvo, autores, alvo/autores e grupo comparação (sem envolvimento em bullying), de forma a verificar se a exposição à violência interparental aumenta a probabilidade de envolvimento dos alunos em bullying na escola, além de possíveis diferenças entre os sexos. Tais pesquisas deveriam, também, ser realizadas com amostras representativas, obtidas por meio de técnicas estatísticas de amostragem, que aumentam a confiabilidade dos dados (Barbetta, 2005).

Violência contra a criança e bullying

A violência perpetrada pelos pais contra os sujeitos muitas vezes esteve associada, neste estudo, com envolvimento em intimidação na escola, embora com diferenças de acordo com sexo. No geral, os participantes que declararam ter sido vítima de qualquer tipo de violência por parte da mãe tinham, aproximadamente, três vezes mais probabilidade de se envolver em bullying como alvo ou como alvo/autor. Por sua vez, a violência do pai aumentava em 3,1 vezes a probabilidade de ser alvo de intimidação e em 4,3 vezes, de ser alvo/autor. Sofrer violência por parte dos pais aumentou a probabilidade de os meninos serem alvo e alvo/autores de bullying. As meninas foram afetadas pela violência familiar mais no sentido de relatar que eram vítimas-agressoras, sendo várias as associações significativas entre essas duas violências.

Os fatores familiares que predispõem uma criança a se tornar vítima de bullying ainda não foram bem explorados pela ciência (Bowers, Smith, Binney, 1992; Schwartz et al., 2005). Há poucas pesquisas sobre o tema e muitas delas apresentam problemas, como não distinguir as vítimas exclusivas de bullying daquelas que são também agressoras, apresentar os resultados sem realizar análises estatísticas específicas por sexo, ou, ainda, realizar a pesquisa com apenas um dos sexos.

Duncan (1999) realizou uma pesquisa com o intuito de verificar a relação entre violência contra a criança e vitimização por bullying em amostra de 210 universitários. Esse estudo concluiu que todos os tipos de violência contra a criança - abuso físico, emocional e sexual - estavam associados a ter sido alvo de intimidação por pares na infância. As vítimas de bullying, em comparação aos estudantes sem esse histórico, tinham maiores escores de violência doméstica perpetrada pela mãe, mas não pelo pai. Infelizmente, o pesquisador não apresentou os resultados por sexo e não verificou se os participantes foram vítimas-passivas ou vítimas-agressoras ao vivenciarem o bullying, porém essa indicação de que a violência do pai não está associada significativamente à vitimização por bullying foi replicada, no presente estudo, para as meninas, mas não para os meninos.

As pesquisas sobre vitimização por bullying, que distinguiram as vítimas passivas das provocadoras (ou agressoras), mostraram que os alunos que são exclusivamente alvos de bullying tendem a ter mães superprotetoras (Bowers, Smith, Binney, 1992; Ladd, Ladd, 1998), que apresentam um monitoramento excessivo e intrusivo em relação às atividades dos filhos (Ladd, Ladd, 1998). Geralmente essas famílias não demonstram ser mais agressivas do que as das crianças não envolvidas em bullying, ao contrário do que acontece no grupo de alunos que são autores ou alvo/autores de intimidação (Schwartz et al., 2005). Em tais grupos, a violência familiar é um fator que sempre aparece associado à autoria de bullying, tal como encontrado por esta pesquisa.

Um resultado a ser destacado é que quanto mais severa a violência física cometida pelos pais contra os sujeitos, maior a probabilidade de os alunos relatarem envolvimento em bullying como alvo ou como alvo/autores, e isso em ambos os sexos. Rican et al. (apud Flouri, Buchanan, 2003) constataram que o comportamento das figuras paternas é mais fortemente relacionado à participação dos filhos em bullying do que o comportamento da mãe. A figura do pai tem sido destacada na literatura como um fator de proteção importante, especialmente quando a mãe é uma pessoa ausente ou pouco adequada (Flouri, Buchanan, 2003; Guille, 2004; Cia, Williams, Aiello, 2005). Se o pai, no entanto, também falha, a criança apresenta maior risco de se envolver em bullying do que se pudesse contar com uma figura parental adequada. Esse resultado mostra a importância de incluir as figuras paternas e os relatos de crianças sobre suas relações com os pais em pesquisas sobre bullying, pois o comportamento destes tem uma influência fundamental para o desenvolvimento dos filhos. Sem dúvida, essa é uma lacuna a ser preenchida em estudos futuros, uma vez que, em regra, quando um dos responsáveis pela criança é incluído em pesquisas (como fonte de informação sobre as relações familiares, por exemplo), a mãe é quem costuma participar, o que gera um viés no estudo e impossibilita que outras relações importantes sejam estudadas (Schwartz et al., 2005; Watson et al., 2005).

Algumas limitações deste estudo merecem uma atenção especial em pesquisas futuras. Primeiro, houve um pequeno número de sujeitos classificados apenas como autores de bullying, o que impossibilitou a realização de testes estatísticos com esse grupo, do que decorre a necessidade de utilizar amostras maiores para evidenciar, de forma mais consistente, as diferenças entre os grupos. Outro ponto diz respeito à investigação da violência conjugal à qual os sujeitos estavam expostos. Conceitualmente, crianças expostas à violência doméstica não são apenas as que presenciaram agressão entre os pais, mas também as que ouviram os sons do incidente agressivo, viram seu resultado (por exemplo, ferimentos), ou vivenciaram o seu efeito na interação com os pais (Holden, 1998). Este estudo, entretanto, limitou-se a investigar as situações de violência interparental (física e psicológica) testemunhadas pelos sujeitos, não tendo sido contempladas todas as formas de exposição à violência conjugal. Por fim, a violência sexual não foi investigada, mas há evidências (Duncan, 1999) de que ela esteja correlacionada à vitimização por pares.

 

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Recebido em: março 2007
Aprovado para publicação em: maio 2008

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