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Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia

Print version ISSN 0100-7203On-line version ISSN 1806-9339

Rev. Bras. Ginecol. Obstet. vol.24 no.9 Rio de Janeiro Oct. 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-72032002000900001 

Editorial

Tocoginecologista – O Médico da Mulher

 

 

A epígrafe soa, inicialmente como truísmo. Porventura poderá ele ser médico de homens? Aventurar-se-ia ele em outras searas restritas a outras especialidades médicas? Expliquemos melhor o enunciado.

O tocoginecologista atua no diagnóstico e no tratamento de doenças do aparelho genital feminino como o cardiologista, ortopedista, dermatologista o fazem nas respectivas áreas de trabalho. Aliás, progressivamente vemos minguar, como tocoginecologistas gerais, nossa área de atendimento. Seria progresso? Divorciam-se alguns tão radicalmente que não conseguem mais atender, adequadamente, simples queixa de fluxo vaginal exacerbado.

Por outro lado, o tocoginecologista, o médico da mulher, é requisitado quando surgirem dúvidas, mesmo sabedoras não ser afecção ou distúrbio confinado à área de atendimento de seu médico. Solicitam-lhes orientação ou recomendação de algum outro colega de confiança.

E nos conflitos anímicos? É freqüente a demanda de apoio, de orientação para as intempéries do espírito. O seu tocoginecologista é o seu confidente. Nestas oportunidades uma palavra amiga, uma orientação pertinente, um simples fármaco julgado conveniente, trará benefícios incalculáveis sobrepujando, de muito, a potência farmacológica do mesmo.

Muitas outras facetas poderiam ser abordadas nesta função invulgar, diríamos pontifical (ponte entre a mulher e toda a área da medicina) exclusiva do tocoginecologista.

A visão é divorciada dos especialistas setorizados, quem sabe obrigados a tal pela pressão de sobrevivência imposta pelas regras atuais de mercado em que o tocoginecologista geral seria raridade com área progressivamente restrita de atendimento. Não é o que concebia Sócrates (470–399 a.C.) quando ditava: “Assim como não se deve tentar curar os olhos separados da cabeça ou a cabeça separada do corpo também não se deve tentar curar o corpo separado da alma. É por isso que os médicos desconhecem a cura de muitas doenças. Porque eles não olham para o todo que também deve ser estudado, pois, a parte não poderá estar bem se o todo não o estiver”.

Do exposto ressuma a relevância e responsabilidade, sempre crescente, de todos nós tocoginecologistas como verdadeiros Médicos da Mulher.

 

A Diretoria

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