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Serviço Social & Sociedade

Print version ISSN 0101-6628

Serv. Soc. Soc.  no.103 São Paulo July/Sept. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-66282010000300010 

DEPOIMENTO

 

FAPSS: Uma História de 70 anos...Histórico da fundação e evolução do Instituto de Serviço Social, hoje Faculdades Paulista de Serviço Social São Paulo e de São Caetano do Sul

 

 

Introdução do Serviço Social em São Paulo e no Brasil

Os primeiros movimentos organizados no Brasil, no sentido da criação do Serviço Social, ocorreram na década de 1930. Em 1932, foi formada uma associação com a finalidade de contribuir para a divulgação dos princípios da ordem social cristã, com a preocupação de preparar "trabalhadores sociais". Essa associação, o Centro de Estudos e Ação Social (Ceas) fundado em setembro de 1932, dedicou-se à difusão da doutrina social da Igreja e à formação social católica, criando a Escola de Serviço Social (ESS), em 1º de fevereiro de 1936. O interesse dessa criação se fundamentava nos resultados obtidos pelos métodos do Serviço Social em outros países que já o adotavam. Houve, nesse momento, o apoio das autoridades eclesiáticas, com a ministração do curso para mulheres. Logo nos primeiros anos de funcionamento da Escola de Serviço Social, sentiu-se a necessidade de angariar e formar elementos masculinos na profissão. Em 1938, o dr. Carlos Magalhães Lebéis, então diretor do Departamento de Serviço Social do estado, alertou a diretoria do Centro de Estudos e Ação Social para esse fato, sendo que esses profissionais devessem atuar "na solução dos mais graves problemas sociais de São Paulo". A Juventude Universitária Católica (JUC) deu inteira colaboração a essa posição.

 

Escola de Serviço Social

Organizou-se na Escola de Serviço Social um curso intensivo, com a matrícula de alguns alunos. O curso era noturno para atender aos interesses dos alunos, em razão de eles serem obrigados a trabalhar durante o dia, mesmo porque a Escola de Serviço Social só funcionava pela manhã.

Em 1939, a Escola de Serviço Social recusou-se a manter esse curso, porque seu propósito fora formar apenas um número limitado de profissionais masculinos, tidos como necessários para atender à demanda da época. Com esse procedimento, somente os que tinham possibilidade passaram a frequentar o curso pela manhã; os demais viram-se obrigados a abandoná-lo.

Houve muitas tentativas visando à reabertura do curso noturno, mas os resultados mostraram-se infrutíferos.

Todavia, não se podia perder o ânimo dos então alunos e nem prejudicar aqueles que já haviam iniciado o curso. Em vista disso, um grupo de assistentes sociais e de professores — pertencentes aos quadros da Juventude Universitária Católica — estudaram a possibilidade concreta de fundar um "estabelecimento para a formação de assistentes sociais masculinos".

Desse esforço nasceu o Instituto de Serviço Social (ISS), hoje Faculdade Pau-lista de Serviço Social (FAPSS).

 

O Instituto de Serviço Social

Entre as pessoas que trabalharam para a criação do Instituto de Serviço Social encontravam-se os professores André Franco Montoro, Francisco de Paula Ferreira, Ernani de Paula Ferreira, José Pinheiro Cortez, Ugo Guimarães Malheiros, Luiz Carlos Mancini, Tolstoi de Paula Ferreira, os drs. Plínio Corrêa de Oliveira, Fernando Furquim de Almeida, José Pedro Galvão de Souza, José Benedito Pacheco Sales, João Payão Luz, Geraldo Gomes Corrêa, cônego Sílvio de Moraes Matos e outros.

As dificuldades naturais encontradas foram superadas após sucessivas e trabalhosas reuniões.

A 2 de março de 1940, instalou-se oficialmente o Instituto de Serviço Social, de São Paulo, em sessão solene no salão da Biblioteca do Ginásio do Mosteiro de São Bento. A JUC providenciou junto à Cúria Metropolitana um assistente eclesiático, tendo sido nomeado o pe. Antonio Leme Machado. Elegeu-se, então, a primeira diretoria: presidente: José Pedro Galvão de Souza; secretário: dr. Ernani de Paula Ferreira; tesoureiro: dr. Luiz Carlos Mancini; bibliotecário: prof. Francisco de Paula Ferreira; assistente eclesiático: pe. Antonio Leme Machado.

 

Organização do Curso

Em 1940 e 1941 o curso, funcionou com duas modalidades distintas em caráter intensivo e regular: parte teórica e parte prática, esta subdividida em estágios, visitas, obras sócias e círculos de estudo.

Das disciplinas do curso intensivo, em 1940, constavam: Serviço Social, Biologia, História, Moral, Visitas Sociais, Círculos de Estudo, Círculos Técnicos de Visita; e do curso regular: Serviço Social, Moral, Biologia, História, Sociologia, Psicologia, Direito, Medicina Social, Estatística, Religião, Círculos de Estudo, Seminários e Visitas a Obras Sociais.

Em 1941, foram acrescidas ao curso regular as disciplinas: Direito Social, Direito do Menor e Psicotécnica.

Desde sua fundação até 1941, o Instituto de Serviço Social funcionou nas instalações da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Bento, da Ordem Beneditina. No seu terceiro ano de funcionamento, em 1942, mudou-se para as instalações da rua Quintino Bocaiúva, 176, Edifício das Arcadas, também com a participação da JUC, libertando-se, dessa forma, da tutela dos beneditinos.

Em 1944 foi estabelecida a inspeção estadual, posto que já em 1939 o governo estadual havia reconhecido a Escola de Serviço Social e passara a fiscalizar os cursos de Serviço Social ministrados pela Escola de Serviço Social e pelo Instituto de Serviço Social. Nesse mesmo ano, o ISS participou da Semana de Previdência e Assistência Social, realizada no Rio de Janeiro.

O curso foi implementado, formando novos profissionais masculinos, recebendo alunos regulares e, na qualidade de bolsistas, alguns encaminhados por diferentes entidades: Iapi, Senai, Sesc, Senac, LBA, CAPSP, Capfesp, Sesi, Casmu e do próprio ISS.

Em 1949, por determinação legal, o ISS transformou-se na Sociedade de Serviço Social, pessoa jurídica, entidade mantenedora à qual o próprio Instituto de Serviço Social passou a pertencer, com o propósito de ministrar o curso.

Em 8/6/1953 foi promulgada a Lei n. 1.889, e, em 2/4/1954, o Decreto-lei n. 35.311, que regulamentava a lei, quando foi entregue ao Ministério da Educação e Saúde o pedido de reconhecimento do Instituto de Serviço Social, ocorrido em 8 de janeiro de 1957, por meio do Decreto Federal n. 40.719, publicado no Diário Oficial da União de 17/1/1957.

 

Instituto e PUC, São Paulo

Em 1946, o Instituto de Serviço Social tornou-se um dos elementos na constituição da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Naquela época, para a existência de uma universidade, a lei exigia o funcionamento de pelo menos cinco faculdades de diferentes áreas do saber. O Instituto de Serviço Social e a Escola de Serviço Social participaram dessa criação, que se concretizou em 22 de agosto de 1946. Desde então o ISS passou a ser Instituição Complementar da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, depois faculdade agregada à PUC/SP.

Em 1962, a partir do movimento iniciado pelo Centro Acadêmico 3 de Março, sob a liderança do aluno Carlos Alfredo de Souza Queiroz (como assistente social, foi secretário de Estado da Promoção Social, no governo André Franco Montoro — 1983-86) e com anuência dos órgãos diretivos, o Instituto de Serviço Social mudou de denominação, passando a chamar-se Faculdade Paulista de Serviço Social, conforme Decreto n.º 472, de 5/1/1962, do Conselho de Ministros de Estado. No entanto, a Sociedade de Serviço Social, mantenedora da faculdade, visando a não extinção do nome do Instituto Social, em razão dos seus méritos e tradição, houve por bem manter com o mesmo nome um órgão de estudos e de pesquisa científica na área social.

 

FAPSS, São Caetano do Sul

Em 1965, por interesse da prefeitura de São Caetano do Sul, que visava oferecer à população jovem o ensino superior, posto que nos níveis primário e secundário a cidade já se achava em condições de atender a toda a demanda, a Faculdade Paulista de Serviço Social, devidamente referenciada pelo então Conselho Universitário da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, promoveu gestões para a criação de um curso de graduação em Serviço Social na cidade, como sua extensão.

O curso começou a funcionar em 1966, formando a primeira turma de assistentes sociais em 1969. Em 1972, o citado curso de Serviço Social de São Caetano do Sul foi autorizado a funcionar independentemente, pelo Conselho Federal de Educação. Em 1974, foi oficialmente reconhecido pelo Decreto Federal n. 72.249. Desde então, a Sociedade de Serviço Social de São Paulo passou a ser mantenedora da Faculdade Paulista de Serviço Social de São Caetano do Sul e do Instituto de Serviço Social, entidades independentes e com objetivos próprios, específicos e definidos.

 

Faculdade Paulista de Serviço Social

Em 1971-72, em consequência da reforma universitária, determinada pela Lei n. 5540/68, foi oferecida à Faculdade Paulista de Serviço Social a transformação da figura de agregação para a de incorporação. Todo o acervo da faculdade passaria à gerência da Fundação São Paulo, mantenedora da PUCSP, e esta passaria a conduzir a ministração do curso.

Debatido longamente o assunto com a administração, docentes e discentes, a congregação da faculdade rejeitou a incorporação proposta, mantendo-se a figura de Instituto de Ensino Superior situação em que se acha até o presente.

Em 1972 foi assinada a desvinculação da agregação à PUCSP, pelo então presidente da Sociedade de Serviço Social, prof. Sérgio Furhmann e pelo então diretor da Faculdade Paulista de Serviço Social, prof. Heliton Betetto.

Ainda em 1972, em agosto, a faculdade foi transferida da rua Sabará, 413, Higienópolis, para a rua Conselheiro Brotero, 1140 no mesmo bairro com autorização do Departamento de Assuntos Universitários do Ministério da Educação e Cultura. Em 1980, com a aquisição de instalações próprias, transferida para a rua Lopes Chaves, 273, Barra Funda, num prédio de seis andares, onde está até hoje.

 

A FAPSS hoje e o novo perfil profissional

As faculdades Paulista de Serviço Social de São Paulo e São Caetano do Sul já formaram, respectivamente, 67 e 39 turmas de profissionais. São mais de 6 mil assistentes sociais atuando nos mais diferentes recantos do Brasil e em diversos países do mundo. No decurso de seus setenta anos de existência formaram assistentes sociais, adequando-os ao seu tempo; ajudaram a desenhar-lhes um novo perfil, capacitando-os a assumir outros papéis na sociedade. Passaram-lhes conhecimentos teóricos, técnicos e estratégicos, tornando-os capazes de intervir na sociedade, de promover e dinamizar a interação entre as pessoas na sociedade e no contexto das organizações, capacitando-as a atuar nos mais diferentes segmentos das Ciências Humanas.

À luz dos valores e princípios éticos da profissão ensinaram-lhes a atender os usuários, conscientizando-os do seu potencial adormecido, que precisava ser resgatado e alavancado para a ação. Orientaram-nos a agir com inteligência e a intervir na realidade e nas circunstâncias da vida, a trabalhar o desenvolvimento integral do usuário, contrapondo-se ao paradigma de que "assistente social é vocacionado para ajudar as pessoas em situação problemática".

É o que caracteriza a FAPSS ao chegar aos 70 anos, preocupada em delinear o novo perfil profissional do assistente social, cujo campo de atuação se abre num leque imenso de possibilidades, agora no século XXI.

 

Prof. Heliton Betetto
Assistente Social
Diretor da FAPSS, São Paulo
fapss-sp@fapss.br

 

 

Artigo recebido em mar./2010
Aprovado em jun./2010