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Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia

Print version ISSN 0102-0935

Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. vol.52 n.2 Belo Horizonte Apr. 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-09352000000200004 

Variação sazonal de eletrólitos no sangue de vacas aneloradas sob pastejo contínuo de Brachiaria decumbens

[Seasonal changes of blood electrolytes in graded Nelore cows on continuous grazing of Brachiaria decumbens]

 

M.G. Morais1, L.C. Gonçalves2, H.O.S. Lopes3, M.F.V. Costa4, A.B. Nunes5

1Departamento de Produção Animal da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Caixa Postal 549
79 070 - 900 - Campo Grande, MS.
2Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais
3Centro de Pesquisa Agropecuária dos Cerrados - EMBRAPA
4Laboratório de Referência Animal, Pedro Leopoldo, MG
5Graduando em Medicina Veterinária da UFMS

 

Recebido para publicação, após modificações, em 6 de dezembro de 1999.
E-mail: mgmorais@alanet.com.br

 

 

RESUMO

Durante 13 meses foram acompanhadas as mudanças sazonais dos eletrólitos cálcio (Ca), fosfatos (PO4), potássio (K), cloretos (Cl), cobre (Cu) e zinco (Zn) no sangue de 20 de vacas "aneloradas" mantidas sob pastejo contínuo de Brachiaria decumbens com alta taxa de lotação. As vacas apresentaram-se hipocalcêmicas e hipofosfatêmicas durante praticamente todo o ano. Na primavera, com a brotação dos pastos (novembro e dezembro), vacas mantidas em pastos de solo argiloso foram mais propensas à alcalose metabólica, caracterizada por hipocalemia e hipocloremia, do que vacas mantidas em pastos de solo arenoso. Os animais apresentaram-se com níveis séricos normais de Cu, 0,79 e 0,81mg/ml e Zn, 1,43 e 1,33mg/ml, quando mantidas em solos arenoso e argiloso, respectivamente, apesar de os pastos estarem deficientes nesses minerais. O tipo de solo alterou a composição de minerais na braquiária e influiu significativamente nos níveis séricos de P, Mg, K, Cl e Zn. Solos arenosos mostraram teores séricos significativamente mais elevados de P, Mg, K e Cl do que os solos argilosos.

Palavras-chave: Vaca de corte, eletrólito sangüíneo, variação sazonal

 

ABSTRACT

The seasonal changes of blood electrolytes concentration (calcium, phosphates, magnesium, potassium, chlorine, copper, and zinc) were evaluated using 20 graded Nelore cows on continuous grazing of Brachiaria decumbens. The cows were hypocalcemic and hypophosphatemic throughout the year. In the spring, during the pasture sprouting (November and December), cows grazing on clay soil were more predisposed to metabolic alkalosis, compared to cows kept on pastures located in sandy soil. Metabolic alkalosis was characterized by low blood levels of potassium and chlorine. Normal serum levels of copper, 0.79 and 9.81mg/ml, and zinc, 1.42 and 1.33mg/ml were observed in cows grazing on sandy and clay soils, respectively. However, these minerals were found in low concentrations on the pasture. The type of soil affected the mineral composition of the brachiaria pasture, and the blood serum levels of phosphates, potassium, magnesium, chlorine, copper, and zinc. Higher serum levels of phosphates, magnesium, potassium and chlorine were observed on animals grazing on sandy than on clay soil.

Keywords: Beef cow, blood electrolyte, seasonal change

 

 

INTRODUÇÃO

Os fluidos corporais contêm eletrólitos que são mantidos em concentrações relativamente estáveis sob a influência de eventos fisiológicos e bioquímicos. Os eletrólitos dissolvidos nos fluidos não são sais inertes mas desempenham funções vitais como geração de potencial elétrico nas membranas para condução de impulsos nervosos, contração muscular no sistema cardiovascular, co-fatores enzimáticos, manutenção de pH, controle do volume de água corporal etc. Para manter a osmolaridade no plasma ou no soro sangüíneo dentro de estreitos limites, o organismo conta com recursos tais como hormônios e funções renal e hepática. A regulação do equilíbrio ácido-básico também está intimamente ligada ao balanço de eletrólitos e fluidos (Carlson, 1989).

Para avaliação geral da saúde do animal, Carlson (1993) recomendou um painel de química clínica no qual estão inclusas dosagens sangüíneas de eletrólitos.

Para avaliação do "status" nutricional de elementos minerais, as alterações dos eletrólitos no sangue têm se revelado de valor diagnóstico mais decisivo do que as suas concentrações na dieta ingerida.

Os objetivos deste trabalho foram acompanhar o nível de eletrólitos no sangue de vacas de corte sob pastejo contínuo de braquiária, durante as quatro estações do ano, e estudar o perfil de eletrólitos dos animais mantidos em pastos cultivados em solos arenoso e argiloso.

 

MATERIAL E MÉTODOS

A descrição do experimento, local, época, número de animais usados, processo de coleta de sangue e tratamentos utilizados foram descritos por Morais et al. (2000).

As amostras foram centrifugadas e o soro obtido, sem hemólise, foi utilizado para dosagem dos eletrólitos, analisados entre 24 e 48 horas pós-colheita, para os elementos Ca, P, Cl e K. Os demais elementos foram dosados, posteriormente, após o descongelamento do soro. Sal mineralizado, que continha semelhante composição química e água foram mantidos à vontade nos dois tratamentos.

Para as dosagens de Ca, P e Cl foram utilizados "kits"( Lab-Test) que incluíam métodos colorimétricos. O K foi dosado com "kit" (Böeringher) em aparelho reflotron, mediante química seca. As demais análises, Cu, Zn, Mg, foram determinadas por absorção atômica, utilizando instrumento Perkin Elmer modelo 5000 com leitura direta do soro diluído 2, 5 e 50 vezes, respectivamente.

A análise de variância foi feita pelo esquema de parcela subdividida que incluía dois tratamentos (solos arenoso e argiloso) e 10 subtratamentos (10 meses) para cada eletrólito estudado com 20 repetições/tratamento. As médias foram comparadas pelo teste de Tukey ao nível de 5%. Amostras do pasto também foram analisadas em cada época de amostragem nas quais foram medidos os elementos minerais em estudo, porém seus resultados não serão apresentados.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados dos teores de Ca, P e Mg são apresentados na Tab. 1.

 

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As médias dos dois tratamentos não apresentaram diferença significativa, contudo, observou-se uma pequena variação sazonal do Ca sangüíneo ao longo do ano, nos dois tipos de solo. Os teores mais elevados de Ca foram obtidos no outono (abril), reduziram-se no inverno, até atingir os níveis mais baixos na primavera (novembro), época do início das chuvas.

Se se considerarem os valores normais sugeridos por Kaneko (1989), os níveis de Ca sangüíneo estavam subnormais, com exceção do mês de abril, em ambos os tratamentos. Essa época coincidiu com a maior incidência de partos, portanto maior exigência de Ca para produção de leite, evidenciando que o mecanismo homeostático do Ca (paratormônio - PTH) estava agindo para manter o Ca circulante normal com o início da lactação.

Considerando os teores de Ca na pastagem apresentados por Morais (1996), não era de se esperar deficiência desse elemento nos animais, principalmente nas épocas de maior disponibilidade de matéria seca dos pastos (primavera e verão).

É discutível se o teor do Ca total deve ser usado no diagnóstico de sua deficiência, já que o Ca ionizável, realmente, é a fração que representa o montante disponível para o animal. No entanto, pesquisas têm mostrado que 50% do Ca total estão complexados (não ionizáveis) com proteínas (principalmente albuminas) e outras substâncias orgânicas, e o restante está em forma ionizável. Como o teor de albumina se manteve dentro dos limites normais (dados não apresentados), os teores reduzidos de Ca total indicam que a fração de Ca ionizável estava reduzida, evidenciando a presença de outros fatores que prejudicaram a homeostase do Ca, persistindo um estado de hipocalcemia praticamente o ano inteiro.

Trabalhando com gado de corte, vacas zebuínas, Lebdosoekojo et al. (1980) registraram teores séricos de cálcio de 9,99mg% (início das chuvas) e 9,34mg% (final de chuvas e seca). Salish et al. (1983) e Kohayagawa et al. (1993) obtiveram com vacas de corte valores de 10,4 e 9,30mg%, respectivamente. Também Gonçalves (1985) encontrou 11,2mg% (seca) e 10,4mg% (chuvas) para vacas de corte em lactação. Esses resultados foram superiores às médias obtidas neste trabalho, de 8,39mg% e 8,53mg% para os tratamentos A e B, respectivamente.

Pott et al. (1987), utilizando vacas Nelore em lactação no Pantanal de Nhecolândia, obtiveram 11,2mg% (novembro), 8,5mg% (fevereiro), 7,8mg% (maio) e 7,3mg% (agosto) e Pott et al. (1989), no Pantanal de Aquidauana, registraram níveis de Ca sérico de 9,4mg% (maio) e 8,4mg% (agosto), valores, em sua maioria, próximos aos resultados aqui obtidos.

Os teores de P séricos da Tab. 1 também estavam abaixo daqueles considerados normais por Kaneko (1989) durante todo o período experimental exceto para o tratamento A, nos meses de abril/94 e janeiro/95. A média de P do tratamento B foi significativamente (P<0,05) menor do que a do tratamento A.

A variação sazonal do P sérico foi diferente para os dois tratamentos. Para o tratamento A, solo arenoso, o valor mais alto ocorreu em abril, enquanto que para o tratamento B, solo argiloso, o valor mais elevado ocorreu em julho. A variação não é consistente nos dois tipos de solo, contudo, pode-se dizer que no solo argiloso (B) os valores mais baixos ocorreram nos meses de chuva (verão) e início do outono, época de maior produção de forragem.

Segundo Morais (1996), os níveis de P no pasto, considerados deficientes para suprir as exigências dos animais em ambos os tratamentos, são superiores no pasto de solo arenoso. Isto ficou evidente neste trabalho, no qual as médias de P sérico foram mais elevadas nas vacas do tratamento A, o de solo arenoso. As reduções de rendimento e de consumo de MS dos pastos e a diminuição do teor de P em determinadas épocas do ano contribuíram para a hipofosfatemia ocorrida em grande parte do período experimental.

Considerando os níveis de Ca e P séricos, observa-se, de maneira geral, que ocorreram hipocalcemia e hipofosfatemia praticamente em quase todo o período experimental.

Na literatura consultada destacam-se os trabalhos de Kohayagawa et al. (1993), que obtiveram 5,91mg% de P em vacas Nelore e de Salish et al. (1983), que utilizaram vacas de corte gestantes e registraram média de 5,2mg%, resultados superiores aos deste trabalho. Lopes et al. (1980) obtiveram média de 4,38mg% e Gonçalves (1985), trabalhando com vacas lactentes, em Roraima, registrou teores baixos de P, de 3,1mg% (seca) e 3,4mg% (chuvas).

Pott et al. (1987) registraram, em vacas Nelores lactantes, valores médios de 5,6mg% em agosto. Brum et al. (1987) registraram valores de 4,15mg% (novembro), 2.59mg% (fevereiro) e 4,38 mg% (maio) e Pott et al. (1989), valores de 4,2mg% (maio) e de 6mg% (agosto). Esses trabalhos foram desenvolvidos no Pantanal, envolveram vacas de corte e apresentaram as mesmas evidências encontradas neste trabalho, no qual os níveis de P sérico foram mais reduzidos no verão e mais elevados no período seco, mais evidente no tratamento B.

O Mg sérico mostrou variação sazonal inconsistente nos dois solos, com os níveis mais elevados no tratamento B em maio e no tratamento A em agosto, ambos no período seco do ano. Os menores valores em ambos os tratamentos ocorreram no mês de dezembro, época de chuvas e de brotação dos pastos. A média de Mg sérico no tratamento A (solo arenoso) foi superior (P<0,05) à do tratamento B (solo argiloso).

Se se considerarem os valores de Kaneko (1989), os animais mostraram-se normomagnesêmicos durante todo o período experimental.

Dentre os trabalhos que utilizaram vacas de corte destacam-se os de Lopes et al. (1980), com teor médio de Mg sérico de 3,75mg%, de Lebdosoekojo et al. (1980), com 2,31mg% (início das chuvas), 2,17mg% (final das chuvas) e 2,72mg% (seca), de Salish et al. (1983), com média de 2,4mg%, de Gonçalves (1985), com 2,4mg% (seca) e 3,2mg% (chuvas) e de Pott et al. (1989), com 2,9mg% (maio) e 3,1mg% (agosto), valores comparáveis aos 2,69mg% (26,86mg/ml) e 2,21mg% (22,05mg/ml) detecta-dos nos tratamentos A e B deste trabalho, respectivamente.

Brum et al. (1987), trabalhando com vacas de corte em lactação, obtiveram 1,35mg% (novembro), 1,47mg% (fevereiro) e 2,86mg% (maio) e Pott et al. (1987) encontraram 3,3mg% (novembro), 1,9mg% (fevereiro), 2,6mg% (maio) e 2,3mg% (agosto), valores próximos aos resultados aqui obtidos com o Mg sérico, revelando teores mais elevados na seca e reduzidos no início das chuvas.

Os teores séricos de K, Cl, Cu, e Zn obtidos para os dois tratamentos nas diferentes épocas estudadas são apresentados na Tab. 2.

 

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O K sérico apresentou-se mais elevado nos meses de janeiro e março em ambos os tratamentos mas essa tendência não é tão evidente no tratamento B. Os pastos do solo argiloso continham mais K, no entanto, o soro dos animais desses pastos apresentaram médias significativamente menores principalmente no verão, meses de maior precipitação pluviométrica. Tendência definida é mostrada apenas nos animais colocados em pastos de solo arenoso onde se observa que houve diminuição dos níveis de K nos meses de seca e de início das chuvas.

Pela variação normal de K sugerida por Kaneko (1989), os animais apresentaram-se normocalêmicos durante todo o período experimental, com exceção do mês de novembro (primavera) naqueles provenientes dos pastos de solo argiloso, que estavam hipocalêmicos. Contudo, esses animais não mostraram nenhuma sintomatologia clínica aparente.

Kohayagawa et al. (1993) registraram média de 4,53mEq/l de K sérico em vacas Nelore e Lopes et al. (1980), também utilizando vacas de corte em Goiás, média de 5,25mMol/l. Esses valores são superiores às médias obtidas nos tratamentos A e B.

O Cl se comportou de maneira imprevisível. Considerando a variação normal sugerida por Kaneko (1989), somente o soro dos animais do tratamento A, no mês de outubro, apresentou níveis normais. Nas demais épocas, tanto no tratamento A como no tratamento B, os valores de Cl foram baixos, indicando que os animais apresentavam-se hipoclorêmicos, porém sem nenhuma sintomatologia clínica. A deficiência foi mais acentuada (P<0,05) nos animais provenientes de pastos de solo argiloso.

Associando-se K e Cl, observa-se que as reduções desses eletrólitos no início da estação chuvosa são semelhantes, principalmente no tratamento B, com evidências de indícios de hipocalemia e hipocloremia. Desequilíbrios de K associados aos de Cl no soro sangüíneo estão relacionados com distúrbios metabólicos de alcalose ou acidose (Coles 1984; Scott-Moncrieff, 1995), no presente caso mais especificamente com a provável instalação de uma condição de alcalose metabólica.

Os teores de Cu apresentaram-se dentro da faixa normal sugerida por McDowell et al. (1984) durante todo o período experimental para ambos os tratamentos. Os pastos do solo argiloso continham mais Cu que os do solo arenoso, o que refletiu, significativamente, no soro sangüíneo dos animais.

Quanto à sazonalidade do Cu sérico, pela Tab. 2 vê-se que os valores mais elevados foram obtidos nos meses de muita precipitação pluviométrica, no final do verão (março) e os mais reduzidos, no final do inverno (agosto) e início da primavera (outubro), provavelmente, coincidindo com as reservas hepáticas de cobre mais exauridas nessa época. De acordo com Morais (1996), os teores de Cu nos pastos estão abaixo das exigências nutricionais das vacas. Dentre os trabalhos que utilizaram vacas de corte destacam-se o de Lebdosoekojo et al. (1980), com valores séricos de Cu de 0,998mg/ml (final das chuvas) e 0,592mg/ml (seca), o de Salish et al. (1983), que obtiveram 0,90mg/ml e o de Tejada et al. (1987), que detectaram 0,45, 0,88 e 0,99ppm de Cu na estação chuvosa e 0,37, 0,72 e 0,67ppm, no período seco em três regiões da Guatemala. Todos confirmam os resultados obtidos, de que os valores séricos de Cu no período chuvoso são superiores aos do período seco.

Os níveis de Zn sérico foram mais altos no solo arenosos em relação aos argilosos.

Se se considerar a composição dos pastos em Zn (dados não apresentados), a do solo argiloso continha mais Zn, porém o soro sangüíneo dos animais revelou menor valor do elemento, repetindo o mesmo efeito ocorrido com o K. Os valores obtidos para o Zn sérico indicam que não houve deficiência desse elemento se se considerar a variação sérica normal recomendada por McDowell et al. (1984). Os teores séricos foram mantidos pelas reservas hepáticas mais o suprimento de Zn no sal mineralizado, pois o conteúdo de Zn dos pastos revelou deficiência desse elemento durante todo o período experimental.

O comportamento sazonal do Zn sérico revelou que os níveis foram mais elevados no verão principalmente no final da estação chuvosa (março), enquanto que os mais baixos foram obtidos na primavera (outubro e novembro) mais evidente nos animais oriundos de pasto de solo arenoso.

Como suporte de comparação dos resultados entre os trabalhos que utilizaram vacas de corte ou cruzadas destacam-se o de Lebdosoekojo et al. (1980), com teores de Zn sérico de 0,989mg/ml (final das chuvas) e 1,158mg/ml (seca), o de Salish et al. (1983), que detectaram 0,84mg/ml, o de Tejada et al. (1987), que obtiveram 0,94, 1,11 e 0,96mg/ml (chuvas) e 0,60, 0,77 e 0,78mg/ml (seca) para três regiões da Guatemala e o de Khalili et al. (1993), com médias de 0,51mg/ml (chuvas) e 0,63mg/ml (seca). Os resultados dos autores citados mostraram a variação que ocorre entre locais de estudo, daí a diferença para mais ou para menos com os valores de 1,43mg/ml e 1,33mg/ml obtidos neste trabalho.

 

CONCLUSÕES

Os eletrólitos séricos de vacas aneloradas em diferentes estádios fisiológicos mantidas sob pastejo contínuo em pastos degradados de B. decumbens com suplementação mineral revelaram que: 1- o tipo de solo alterou a composição dos elementos minerais da braquiária e influiu na concentração dos eletrólitos séricos, principalmente no P, K e Cl; 2- apesar de possuir mecanismos fisiológicos para manter a homeostase dos eletrólitos sangüíneos, as vacas apresentaram mudanças sazonais desses constituintes capazes de desencadear distúrbios metabólicos; 3- o desequilíbrio mineral foi mais evidente no período da primavera e início de verão, coincidindo com a maior disponibilidade e consumo de forragem; 4- vacas em solos argilosos são mais propensas a alcalose metabólica, caracterizada por hipocalemia e hipocloremia, do que as mantidas em solos arenosos.

 

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