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Cadernos de Saúde Pública

Print version ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.9  suppl.1 Rio de Janeiro  1993

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-311X1993000500014 

RESENHA REVIEW

 

Fernando Barros

Departamento de Medicina Social
Universidade Federal de Pelotas

 

 

Pobreza, Desnutrição e Mortalidade Infantil: Condicionantes Sócio-Econômicos. Fernando José Pires de Souza. Fortaleza: Fundação Instituto de Planejamento do Ceará (Iplance) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 1992. 129 p., bibliografia. (Brochura)

O estado do Ceará tem vivenciado, nos últimos anos, uma intensa mobilização, liderada pelas secretarias de estado e apoiada por organizações não-governamentais, especialmente o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que objetiva melhorar as condições de vida e de saúde da sua população. Este esforço coletivo, que pode ser exemplificado pela ação efetiva de um exército de agentes de saúde a nível comunitário, tem-se traduzido em importantes melhoras nos indicadores de saúde, principalmente no que se refere ao segmento materno-infantil.

Tais realizações tiveram sua origem no esforço de profissionais das mais diversas áreas, que decidiram abordar, em conjunto, esta problemática tão complexa e propor soluções que primam pela simplicidade. A importância da abordagem multiprofissional pode ser bem apreciada na publicação Pobreza, Desnutrição e Mortalidade Infantil: Condicionantes Sócio-Econômicos, de autoria do economista Fernando José Pires de Souza e editada pelo Iplance (Fundação Instituto de Planejamento do Ceará), em colaboração com o Unicef. O autor é Professor de Economia da Universidade Federal do Ceará e participou, como técnico do Iplance, no planejamento da pesquisa sobre saúde materno-infantil realizada no Estado em 1986, a qual é assunto desta publicação.

Apesar da gênese dos problemas de saúde infantil, como a desnutrição e a mortalidade, estar inextricavelmente associada a fatores sócio-econômicos, não é comum encontrarmos, em nosso país, um trabalho de um profissional da área econômica que aborde com eficiência ambos os lados da questão, dando um tratamento adequado igualmente aos indicadores de saúde e aos indicadores econômicos. Este é o caso do trabalho do Professor Fernando Pires. O autor aborda com clareza a questão dos múltiplos determinantes da desnutrição infantil, ressaltando a importância da educação dos pais, em especial das mães, quando colocada em comparação com a renda familiar, o peso ao nascer, a presença de água e esgoto na habitação e outras variáveis. Os resultados desta investigação não deixam dúvida de que a forma mais efetiva de se reduzir, a médio e longo prazos, os altos índices de desnutrição infantil é investir maciçamente em educação. Além disso, assim como tem sido demonstrado em outros locais, fica claro que o processo de desnutrição é instalado muito precocemente, com freqüência ainda no período intra-uterino, e que o peso ao nascer é um poderoso indicador das chances de crescimento adequado e de sobrevivência infantil.

Espero que o trabalho do Professor Fernando Pires possa servir de estímulo para outros profissionais da área econômica e das áreas sociais, para que problemas graves como o da desnutrição infantil possam ser equacionados por diversos ângulos, suscitando diferentes diagnósticos, modelos conceituais e propostas de prevenção e tratamento.