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DELTA: Documentação de Estudos em Lingüística Teórica e Aplicada

Print version ISSN 0102-4450

DELTA vol.16 no.2 São Paulo  2000

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-44502000000200007 

DEBATES/DEBATES

O Troqueu Silábico no Sistema Fonológico

(Um Adendo ao Artigo de Plínio Barbosa)

Leda BISOL
(PUC-RGS)

 

 

ABSTRACT: This paper considers some rules which are related to the rhythm either for having the syllabic trochee as the domain of application, or for producing moraic and syllabic trochees.
KEY-WORDS: Syllable-timing, strees-timing, neutralization, degemination, elision.

RESUMO: Este texto diz respeito a regras do sistema fonológico que têm por base o pé métrico ou que produzem frases com ritmos móricos e trocaicos.
PALAVRAS-CHAVE: Troqueu silábico, troqueu mórico, neutralização, haplologia, degeminação, elisão.

 

 

Introdução

Em seu interessante artigo, Barbosa analisa por parâmetros fonéticos elementos que possam estar envolvidos na tipologia rítmica de uma língua, mostrando detalhes da natureza hierárquica do ritmo do português brasileiro.

Ao fazer uma revisão cuidadosa dos estudos na área, lembra entre outros Dauer (1983), que, em oposição a Abercombrie, para quem – every language in the world is spoken with one kind of rhythm or with other – afirma que todas as línguas exibem características de stress-timing e syllable-timing, dependendo do papel do acento em três áreas distintas: redução vocálica, maneira como o acento se expressa foneticamente e seu papel no sistema fonológico.

É atentando para as três áreas que estas linhas discorrem, relembrando aspectos relacionados à redução vocálica, ao acento, à haplologia e ao sândi vocálico. Longe de enfatizar uma postura dicotômica, nem essa intenção transparesse no artigo de Barbosa, queremos simplesmente assinalar aspectos rítmicos que não podem ser ignorados na descrição da fonologia do português.

Porque há diferentes posições entre foneticistas e fonólogos no que diz respeito ao acento da palavra, total ou parcialmente determinado pelo pé métrico, consideramos que seria oportuno valermo-nos do texto de Barbosa para iniciar uma discussão acadêmica com os que para isso estiverem dispostos na busca de esclarecimentos sobre um dos aspectos importantes da língua.

Concebendo-se, pois, o português brasileiro como uma língua de ritmo acentual e silábico, com forte propensão para o último, argumentos que salientam o papel do troqueu silábico no sistema fonológico são apresentados a seguir.

 

1. A Redução Vocálica

O português do Brasil traz vivas em seu bojo as regras de redução e síncope que as gramáticas históricas das línguas neolatinas registram:

    

(1) a. Latim
    leprem > leporis > lebre (Port.)
    arbrem > arbore > arbre (Fr.)

b. Português
    fósforo > fósfuru~fosfru,
    abóbora > abóbura~abobra.1

Descrevê-las implica descriminar os caracteres e justificá-las. No estilo SPE, dir-se-ia que ocorrem na sílaba que segue a tônica e precede a átona final, ajustando-se à seguinte formulação:

(2) Redução e Síncope por SPE2

Embora o contexto esteja plenamente explicitado, longe estão (2a) e (2b) de oferecerem qualquer explicação para os fatos. Quanto ao domínio de aplicação, poder-se-ia inferir que o domínio é a palavra, diferenciando-se (2) posicionalmente da redução da átona final. Todavia o nível explicativo não teria sido alcançado.

Tentemos, então, a fonologia não-linear, valendo-nos de pés móricos. E fiquemos com a redução, pois que uma e outra têm o mesmo domínio e o mesmo contexto. Duas regras serão necessárias se moras forem contadas, pois seriam delineadas estruturas métricas diferentes para fósforo e abóbora, por exemplo, em virtude de a primeira possuir uma sílaba pesada acentuada e a segunda uma sílaba leve. Admitindo-se a extrametricidade para classes de exceção como as proparoxítonas, a última sílaba não seria vista pelas regras de acento que formam pés binários da direita para a esquerda. E, supondo-os móricos, a regra da redução operaria ora fora do pé (3a) ora dentro dele (3b), como vemos abaixo:

(3) Redução

Interpretada como neutralização por Câmara (1970) e reanalisada por Wetzels (1992) à luz da fonologia moderna, essa regra desassocia [+aberto 2], que é substituído por [-aberto2]3. Tal traço junto aos dois outros não tocados pela regra, [-aberto1], [-aberto3], especificam a vogal alta em que a vogal média se  converte. O resultado é, pois, fós[fu]ro, abó[bu]ra. A sílaba que sofre redução é apagada em dialetos populares4. Embora a regra atinja de certa forma algum nível explicativo, esse fica obscurecido diante da seguinte pergunta: Qual é o domínio desta regra?

Difícil determiná-lo. Por vezes a regra se aplica em uma sílaba avulsa, como em (3a); por vezes aplica-se na parte fraca do pé, (3b), como se esperaria que sempre assim fosse. Isso significa que admitir o pé mórico tem o custo de não se poder definir o domínio de uma regra que faz parte da fonologia do português.

Mostrou Jacobs (1990), referindo-se a dados diacrônicos, que se alcança a generalidade na formulação das regras de redução e síncope do latim, admitindo-se o troqueu silábico. Ora, como a regra de redução continua ativa na sincronia do português brasileiro, assim como a síncope em dialetos populares, somente (4), permite afirmar que o domínio da regra de redução da átona não-final, por neutralização designada desde Câmara Júnior, é o pé métrico, definido como um pé dissílabo de cabeça à esquerda.

(4) Neutralização da átona não-final
Domínio: o pé métrico

Escandindo-se a palavra em pés binários, silábicos, de cabeça à esquerda, fica explicitado o pé métrico como domínio de aplicação desta regra, pois sempre o elemento fraco, suscetível de redução ou apagamento, incide nesta posição. Independentemente do peso da sílaba acentuada, forma-se um troqueu silábico e a regra aplica-se sobre o seu membro fraco. Temos, portanto, uma forte evidência de que a fonologia do português brasileiro conta com o troqueu silábico, domínio da regra de neutralização da átona não-final.

 

2. O Acento

2.1. O acento primário

Quanto ao acento da palavra, intensidade e duração tem sido referidos como os seus correlatos fonéticos. A sílaba acentuada mostra uma duração maior do que a átona.5

Do ponto de vista fonológico, diversas têm sido as interpretações, tanto em descrições do português europeu quanto brasileiro, pois diferentemente do ritmo com propensão a acentual naquele e a silábico neste, (cf. Barbosa, op. cit., Fig. 3), o acento da palavra é uma das tantas regras que trazem em comum.

O pé mórico tem prioridade na visão de Massini-Cagliari (1995 ) e Wetzels (1998)6 ; em Lee (1995), o troqueu silábico determina o acento em verbos enquanto o iâmbo prevalece em não-verbos; vemos o troqueu irregular em Quednau (1999); o troqueu silábico em Bisol (1994), que separa o acento por constituintes do acento por inerência. Até mesmo na descrição do português europeu, vemo-lo presente: enquanto Mira Mateus (1983) se firma no acento morfológico, Pereira (1999), na linha de Idsardi, privilegia as bordas de cada domínio como indicativos de posições acentuais, mas vale-se, quando limites não são projetados, da formação de troqueus silábicos. Por ora espaço e tempo nos faltam para maiores referências; note-se todavia que, com raras exceções, o troqueu silábico está presente nas análises, ainda que parcialmente, mostrando que, de fato, ele vem sendo percebido como um dos elementos básicos da língua.

 

2.2. O acento secundário

O acento secundário perceptível no português brasileiro que, tudo indica, é um elemento importante no ritmo de uma língua, é determinado por pés binários de cabeça à esquerda, troqueus silábicos.

(5)

Segundo Collichonn (1994), se for par o número de sílabas (5a), existe apenas uma opção; se for ímpar, há ritmos alternantes, dependendo de deixar fora do pé a primeira sílaba ou não (5b). Pereira (1999), que separa o acento secundário morfológico do acento secundário rítmico também considera que esse é determinado por troqueus silábicos. Sem entrar nos detalhes que esse assunto mereceria, o ponto a ser observado é o fato de os pés se organizarem em troqueus sem cuidar do peso da sílaba, quer como cabeça quer como sua contraparte fraca, podendo figurar em qualquer posição do pé tanto com rima simples (5b) quanto complexa (5a.).

Embora ainda não se tenha feito um estudo detalhado das funções do acento secundário em regras lexicais e pós-lexicais, parece que um papel lhe cabe em alternativas rítmicas, como veremos a seguir.

 

3. A Haplologia

Da haplologia por vezes resulta um troqueu mórico que fala em favor do ritmo acentual, por vezes um troqueu silábico que, opositivamente, dá evidência para o ritmo silábico.

Diz Sá Nogueira (1958: 180) que a haplologia compreende duas partes: síncope da vogal seguida de geminação de duas consoantes que podem fundir-se ou não.

Dados do português brasileiro confirmam a presença das duas referidas regras, pois dispomos de frases com síncope da vogal e reforço da sílaba precedente, assim como dispomos do resultado final da haplologia com as sílabas ajustadas a uma só palavra, sem o referido reforço.

(6) O macaco comeu todas as bananas
( ma.kak ko.mew > ma.ka.ko.mew )
O pato tomava água no açude
( pat. to.ma.va > patomava)

De um lado temos a síncope da vogal, apontando para o ritmo acentual ao reforçar com o acréscimo de um segmento a sílaba precedente, portadora de um dos acentos secundários da frase; de outro a haplologia completa, apontando para o ritmo silábico ao reorganizar as sílabas em um conjunto de unidades de duração similar nas posições que precedem o acento final. A presença na fala dos resultados das duas facetas do processo é, a nosso ver, um indicativo do caráter misto do ritmo de nossa língua.

Dizem Moraes e Leite (1992), com base em Perini, que a haplologia tem a ver com estratégias discursivas, no sentido de que, por motivação pragmática, seria mais usada em informação dada do que em informação nova. Na falta de maiores estudos de seu uso no português brasileiro, assinalamos apenas os resultados das duas facetas da haplologia, uma delas apontando para o ritmo acentual, com um troqueu mórico a projetar um acento secundário de base morfológica, apontando a outra para o silábico, como indício do caráter misto do ritmo de nossa língua.

E por falar em Moraes e Leite (1992), vale notar que inciaram um estudo do ritmo em dados do projeto NURC com a expectativa de tratar-se de uma língua de ritmo acentual, terminando o experimento inclinados a pensá-la como língua de ritmo misto.

 

4. A Degeminação e a Elisão

Também merecem atenção nesse sentido as frases resultantes da degeminação, fusão de vogais idênticas, e da elisão, síncope de /a/ diante de vogal diferente.

(7) Degeminação
a. uma capa azul > uma càpazúl
b. um sofá azul > um sòfazúl
c. como uvas > *còmúvas, * comúvas
d. como uvas maduras > comùvas madúras

(8) Elisão
a. menina orgulhosa > minìnorgulhósa
b. compra ovos > *còmpróvos, *compróvos
c. compra ovos grandes > còmprovos grándes

A elisão exige atonicidade da vogal /a/, enquanto a degeminação se satisfaz com a atonicidade de V1 ou de V2. Serem átonas ambas as vogais (7a, 8a) é o  contexto ideal. Mas o ponto importante diz respeito ao papel do acento da segunda vogal. Enquanto o acento primário da palavra tende a não ser um obstáculo (7b), o acento principal da frase tende a bloqueá-las (7c,8b).7

Por conseguinte a degeminação aplica-se tanto em (7a) quanto em (7b), ainda que a primeira vogal seja portadora de acento primário. Esse muda de posição para evitar o choque (7b). Fica também disponível o recurso de estender a duração da sílaba acentuada, criando-se uma posição rítmica a mais na grade: sofàzúl > sofà:zúl, correspondente a sofá(*)zul, onde o asterisco representa a posição acrescida na grade rítmica. Indubitavelmente as regras não se aplicam em (7c, 8b), em função do acento principal. Ainda que se possa solucionar o choque acentual por apagamento, mesmo assim a regra não se aplicaria. No entanto em (7d, 8c), em que o acento muda de sítio por reestruturação, desfazem-se as barreiras, e elas atuam, produzindo resultados ótimos.

Em (9), temos as respectivas frases com pés binários escandidos e em (10) a grade rítmica correspondente, delineada na linha de Prince (1983): assinalam-se no nível zero todas os elementos que por natureza são candidatos a receber acento, e, em cada nível subseqüente, as posições rítmicas mais fortes, finalizando com a mais forte de todas. Note-se, na linha 1 de (10b, d), o acréscimo de uma posição rítmica para evitar choque acentual.

(9) Pés binários
a. Co. (mú.vas.) ma. (dú.ras.) versus b. (Cò:) (mù.vas.) ma (dú.ras. )
c. (Còm. pro.) vos (grán.des.) versus d. (Com:) (pro.vos.) (gran.des.)

(10) Grade rítmica

Do exposto infere-se que frases declarativas neutras, ou seja, frases sem focos de conteúdo pragmático ou semântico tendem a formar troqueus silábicos, enquanto frases com um foco em determinado ponto que poderiam corresponder a uma resposta ou a uma declaração enfática, mostram reforçada a sílaba acentuada precedente, formando um pé por si mesma, ou seja, um troqueu mórico, portador de acento secundário. Mas se as características gerais da língua devem ser buscadas em frases neutras, então temos aí um indicativo de que o troqueu silábico é um dos elementos básicos do ritmo do português.

Em suma, alguns aspectos da fonologia foram apresentados como argumentos em favor da idéia de ser o português brasileiro uma língua de ritmo misto com forte componente de ritmo silábico. O intento foi ressaltar o papel do troqueu silábico no sistema da língua.

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1 Sobre as proparoxítonas no português arcaico, ver Massini-Cagliari (1995) e Quednau (1999). Sobre a redução das proparoxítonas em dados mais recentes, ver Amaral (1999). 

2 Para os fins propostos, não se faz necessário discutir qualquer relação de ordenamento que possa existir entre as duas regras. Vale observar, no entanto, que a síncope pode atingir qualquer vogal, inclusive /a/. Ex: pétala > petla.

3 Em artigos posteriores ao referenciado, a regra de Wetzels dessacia [aberto2]. Mas para nossos objetivos, identifiquemos como [+aberto2] a vogal em questão.

4 A síncope em proparoxítonas como regra de uso expressivo encontra-se na amostra de Amaral (1999), referente ao português falado em São José do Norte, município do RS, amostra incorporada ao Banco do Projeto VARSUL.

5 Sobre correlatos físicos do acento, ver Lacerda 1947, Delgado Martins 1983, Major 1985, Moraes 1985.

6 Em curso realizado na PUCRS, 1998.

7 Segundo Frota (1998: 80 ), no português europeu a fusão de vogais é sensível ao acento de qualquer uma das duas vogais. Sendo assim a degeminação seria bloqueada pelo acento primário da palavra no português europeu, enquanto o seria pelo acento principal da frase no português brasileiro. Eis aí uma diferença a ser pontuada. Análises estatísticas por nós realizadas com dados do Projeto NURC e VARSUL revelaram que a regra tende a aplicar-se mais quando as duas vogais são átonas, relativamente menos se uma delas for acentuada e a não aplicar-se se a segunda vogal for portadora do acento principal da frase.