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Revista Brasileira de Farmacognosia

Print version ISSN 0102-695XOn-line version ISSN 1981-528X

Rev. bras. farmacogn. vol.19 no.2b João Pessoa Apr./June 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-695X2009000400024 

ARTIGO

 

Atividade antiinflamatória do extrato aquoso de Arrabidaea chica (Humb. & Bonpl.) B. Verl. sobre o edema induzido por venenos de serpentes amazônicas

 

Anti-inflammatory activity of the aqueous extract of Arrabidaea chica (Humb. & Bonpl.) B. Verl. on the self-induced inflammatory process from venoms amazonians snakes

 

 

Denys Paixão Costa de OliveiraI, *; Maria Rosa Lozano BorrásI; Luis Carlos de Lima FerreiraII; Jorge Luis López-LozanoIII

IFaculdade de Ciências Farmacêuticas, Universidade Federal do Amazonas, Rua Comendador Alexandre Amorim, 330, Aparecida, 69010-300 Manaus-AM, Brasil
IIDepartamento de Patologia e Medicina Legal, Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Amazonas, Avenida Afonso Pena, 1053, Praça 14, 69000-000 Manaus-AM, Brasil
IIICentro de Ofidismo "Prof. Paulo Friedrich Bührnheim", Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, Avenida Pedro Teixeira, 25, Dom Pedro, 69040-000 Manaus-AM, Brasil

 

 


RESUMO

O estudo investigou o efeito antiinflamatório do extrato aquoso da Arrabidaea chica (Humb. & Bonpl.) B. Verl., Bignoniaceae, popularmente conhecida como "crajiru", sobre o edema induzido por venenos de serpentes amazônicas dos gêneros Brothrops e Crotalus, em camundongos albinos, por via oral, intraperitoneal e subcutânea. O efeito anti-edematogênico foi avaliado pela medição do diâmetro dos coxins das patas posteriores, sendo medidos as 1, 3, 6, 12 e 24 horas, para B. atrox e 1, 3 e 6 horas para Crotalus durissus ruruima, e também avaliado por histopatologia. O estudo mostrou que o efeito inibitório do extrato aquoso para o gênero Bothrops, pelas vias subcutânea e intraperitoneal (12 horas) foi de 55,87% e 65,70%, respectivamente. Para o gênero Crotalus o efeito inibitório do extrato pela via subcutânea após 3 horas foi de 33,55% e após 6 horas de 79,81%. Pela via intraperitoneal após 3 horas foi de 48,02% e após 6 horas de 92,52%. Na análise histopatológica, o infiltrado de granulócitos e a miocitólise foram os efeitos inflamatórios inibidos mais significativamente. Os resultados sugerem a presença no extrato aquoso de A. chica de substâncias com atividade inibitória sobre os efeitos inflamatórios dos venenos das serpentes Bothrops atrox e Crotalus durissus ruruima.

Unitermos: Arrabidaea chica, Bignoniaceae, plantas medicinais, venenos, serpentes, atividade antiinflamatória.


ABSTRACT

The study investigated the anti-inflammatory effects of the aqueous extract (EAq), the Arrabidaea chica (Humb. & Bonpl.) B. Verl., Bignoniaceae, known as the "crajiru", tested on the paw oedema induced in inflammatory process by venoms Amazon snakes from the Bothrops and Crotalus species, on albino mice. This process was done by an oral, intraperitoneal and subcutaneous way. The cushions thickness was measured at time breaks of 1, 3, 6, 12 and 24 hours, Bothrops genus and 1, 3 and 6 hours, Crotalus genus, and a histopathologic analysis was made. The Bothrops genus, was used as an inhibitory effect for the subcutaneous and intraperitoneal way (12 hours), and it had an inhibition of 55.87% and 65.70%, respectively. For the Crotalus genus, the inhibitory effect for the subcutaneous way after 3 hours was the 33.55% and 79.81%, after 6 hours. The intraperitoneal way affect after 3 hours had an inhibition of 48.02% and 92.52% after 6 hours. For the histopathological analysis, the leucocytes infiltration and the miocitolisis were the most expressive parameters and thus inhibited. The results suggest the presence of active principles with anti-inflammatory effects.

Keywords: Arrabidaea chica, Bignoniaceae, medicinal plants, venoms, snakes, anti-inflammatory activity.


 

 

INTRODUÇÃO

A Flora Amazônica é considerada a maior reserva de biodiversidade do planeta, com poucas espécies de plantas estudadas de forma científica. Diante deste universo de etnoconhecimento botânico, é possível a busca de novas drogas com o estudo de plantas de uso popular consagrado para certa finalidade (Agra et al., 2008; Bertucci et al., 2008; Marliére et al., 2008; Veiga-Junior, 2008; Jesus et al., 2009; Leitão et al., 2009; Santos et al., 2009).

A espécie Arrabidaea chica (Humb. & Bonpl.) B. Verl., Bignoniaceae, variedade AC2, é conhecida popularmente como cajuru, carajirú, crajirú, cipó-pau, pariri, cipó-cruz (Cronquist, 1988; Grenand et al., 1987; Pauletti et al., 2003). O uso popular da A. chica é feito através do decocto utilizado como antiinflamatório, cicatrizante, em anemias, cólicas intestinais, hemorragia, diarréia, leucorréia e leucemia, a tintura usada para tratar infecções cutâneas, e uso ginecológico realizado através do "banho de assento". Aplicações locais são feitas através de compressas ou banhos (Maia et al., 1994; Costa et al., 1990) e até em cosméticos (Biavatti et al., 2007). Dessa espécie já foram isolados taninos, 7,4-dihidroxi-5-metoxiflavona, fitosteróis, flavonóides, pigmentos utilizados em cosméticos como: carajurona e carajurina, compostos derivados das 3-deoxiantocianidinas como a antocianidina, o pigmento 1, o pigmento 2 e a luteolina e flavona carajuruflavona também foi isolada de Arrabidaea chica (Takemura et al., 1995; Zorn, 2001; Alcerito et al., 2002; Devia et al. 2002). Testes de toxicidade aguda indicaram que a DL50 em camundongos, ultrapassa 2 g/kg i.p. e 6 g/kg v.o., sugerindo baixa toxicidade do extrato aquoso. Nos testes de toxicidade crônica com as doses avaliadas nenhum sinal ou sintoma anormal, ou alterações histopatológicas foram observados. A atividade imunofarmacológica, in vitro, testada no modelo de pleurisia induzida com zimosan e na ativação in vivo de linfócitos em camundongos, confirmaram atividade antiinflamatória, descrita no uso popular e experimento também sugerem atividade imunoreguladora para os constituintes químicos desta espécie (Oliveira et al., 1995; Chu & Borrás, 1997) e, Barbosa et al. (2008), reportaram o isolamento de três flavonóides e a inibição total do crescimento de Trichophyton mentagrophytes e um significante efeito tripanocida do extrato etanólico e de suas frações. Não foi detectada qualquer toxicidade aguda relevante, mesmo a uma dose de 1000 mg/kg.

Os venenos de serpentes são conhecidos pelo homem desde os tempos antigos, sendo uma mistura complexa de proteínas e peptídeos. Entre eles estão hemorraginas, proteases, fosfolipases A2 (PLA2) e miotoxinas que atuam por diferentes mecanismos. A composição do veneno pode variar de acordo com a distribuição geográfica e ontogenia nos espécimes de uma mesma espécie (Bolaños, 1984; Assakura et al., 1992; Rodrigues et al., 1998). A classificação dos venenos das serpentes peçonhentas brasileiras, segundo sua atividade fisiopatológica é para o gênero Bothrops e Lachesis: proteolítica, coagulante e hemorrágica, para os gêneros Micrurus: neurotóxica, para o gênero Crotalus: neurotóxica, miotóxica e coagulante (Cardoso, 1990).

Os envenenamentos em humanos causados por serpentes constituem-se num problema de saúde pública, em virtude de sua grande freqüência e gravidade, especialmente onde há falta de recursos terapêuticos, além do pouco conhecimento dos profissionais de saúde relacionado ao tema (Bolaños, 1984; Brasil, 1999). A evolução dos processos inflamatórios nos acidentes ofídicos botrópicos pode levar à necrose tecidual, gangrena, e causar à amputação do membro atingido e/ou a morte do paciente (Barravieira et al., 1994). O tratamento mais eficaz, até agora, para os pacientes de acidentes ofídicos é a soroterapia. Porém, o soro antiofídico neutraliza muito bem o efeito sistêmico do envenenamento, mas não os efeitos locais, que em caso de acidente botrópico e laquético, observa-se um forte processo inflamatório, mas com menor intensidade no caso de acidentes produzidos por espécimes do gênero Crotalus. A reação inflamatória aparece em resposta a estímulo de natureza química, física ou infecciosa. Vários mediadores químicos (Histaminas, 5-HT, Cininas, PGE2, PGF2, PGI2, TXA2, LTB2, PAF, IL1, IL2) são mensageiros biológicos capazes de induzir uma resposta biológica específica (Barreiro & Lima, 1993). Dados do uso popular e de trabalhos experimentais têm demonstrado a potente atividade antiinflamatória da Curcuma longa e Arrabidaea chica (Melo et al., 2007). Estes dados nos estimularam a testar em camundongos o extrato aquoso desta planta sobre a atividade inflamatória induzida pelas toxinas dos venenos de serpentes de espécies Amazônicas. O objetivo foi avaliar experimentalmente a atividade do extrato aquoso de Arrabidaea chica, sobre o processo inflamatório induzido no coxin plantar de camundongos albinos (Mus musculus) pelos venenos das serpentes amazônicas Bothrops atrox ou Crotalus durissus ruruima.

 

MATERIAL E MÉTODOS

A espécie Arrabidaea chica, variedade AC2 foi coletada no setor de plantas medicinais da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Rodovia AM 010 - KM 28 - município de Manaus-AM, e uma amostra da planta foi depositada no Herbário do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia - INPA sob o nº. 214.794. Após identificação botânica, as folhas foram separadas, secas, trituradas e o extrato aquoso (EAq) foi obtido pelo método de Maceração. O EAq foi submetido à liofilização, obteve-se 130 g de material liofilizado.

Foram utilizados camundongos albinos (Mus musculus), com 20 g de peso, provenientes do Centro de Ofidismo "Prof. Paulo Friedrich Bührnheim" da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas - FMT-AM. Os animais foram mantidos em gaiolas de polipropileno "mouse pack", sob temperatura controlada entre 22 e 25 ºC, recebendo água e ração apropriada "ad libitum", e iluminação controlada com ciclo de 12 horas. Os animais foram separados de forma aleatória estratificada. Foram utilizados oito grupos experimentais com doze animais cada, divididos igualmente para os dois venenos testados, ficando quatro grupos, um para cada via de administração e um controle, para cada veneno. Os venenos de serpentes de Crotalus durissus ruruima e Bothrops atrox foram fornecidos pelo Centro de Ofidismo "Prof. Paulo Friedrich Bührnheim" da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas - FMT-AM.

Indução do efeito edematogênico dos venenos de serpentes

Para a determinação da cinética da atividade edematogênica dos venenos, foi empregado o método de Furtado et al. (1991). Grupos de doze camundongos foram injetados subcutaneamente no coxim da pata esquerda (pata experimental) com a dose (µg) de veneno diluído em 50 µL de solução salina, enquanto, no coxim da pata direita (pata controle) foram injetados apenas 50 µL de solução salina. As espessuras dos coxins foram medidas usando-se um micrômetro Mitutoy digital (sensibilidade de 0,01 - 9,0 mm) nos intervalos de tempo de 1, 3, 6, 12 e 24 horas para o teste com o veneno de B. atrox e 1, 3 e 6 horas para o teste com veneno de Crotalus d. ruruima. O edema foi expresso pela diferença entre as espessuras do coxim da pata experimental e controle, dividido pela espessura da pata controle, e multiplicado por 100. Foi construído uma Figura da diferença da espessura da pata experimental com respeito a espessura da pata controle em função do tempo.

Avaliação da atividade antiedematogênica do extrato de A. chica

Para a avaliação da atividade antiinflamatória do extrato aquoso de A. chica foi usado o método de Pereira et al. (1992.) O veneno foi injetado uma hora após a administração do extrato aquoso de A. chica. Foram utilizados oito grupos experimentais, divididos igualmente para os dois venenos testados, ficando quatro grupos, um para cada via de administração e um controle, para cada veneno.

As alterações histopatológicas foram analisadas através de cortes histológicos com a espessura de 5 µm, corados com Hematoxilina & Eosina. (Prophet et al., 1995). Nas análises dos cortes histológicos foram estabelecidos 5 parâmetros inflamatórios: edema, infiltrado de granulócitos, miocitólise, sufusão hemorrágica e trombo. A intensidade dos parâmetros foi estabelecida em cruz, de acordo com o seguinte critério: Leve (+); Moderado (++); Acentuado (+++). Para a análise estatística foi utilizada a análise de variância ANOVA e o teste "t", com níveis de significância de 5% (p < 0,05).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Segundo a Figura 1, o extrato aquoso de A. chica sobre a atividade inflamatória do veneno de B. atrox, pelas vias subcutânea e intraperitoneal (12 horas), mostrou atividade inibitória de 55,87% e 65,70%, respectivamente. Com relação a atividade inflamatória do veneno de Crotalus, o extrato aquoso de A. chica pela via subcutânea, às 3 horas foi de 33,55% e às 6 horas de 79,81%, e pela via intraperitoneal esta atividade inibitória às 3 horas foi de 48,02% e às 6 horas de 92,52% respectivamente (Figura 2). Mas o extrato aquoso de A. chica, com as doses avaliadas por via oral, não apresentou efeito inibitório sobre a atividade inflamatória dos venenos de B. atrox e C. d. ruruima.

 

 

 

 

Na análise histopatológica dos parâmetros analisados, o infiltrado de granulócitos e a miocitólise foram os mais significativamente inibidos pelo extrato aquoso de A. chica (Figuras 3, 4, 5 e 6).

 

 

 

 

 

 

 

 

DISCUSSÃO

Os venenos de serpentes da família Viparidae possuem potente ação inflamatória, desencadeada rapidamente após inoculação do veneno, afetando drasticamente o tecido muscular, vasos sangüíneos e pele, induzindo lesões que podem levar à seqüelas e geralmente causam infecções, dificultando o manejo do quadro (Gutierrez & Lomonte, 2003).

Neste trabalho utilizaram-se como agentes indutores da inflamação, nos coxins plantares de camundongo, os venenos de B. atrox ou C. d. ruruima, sendo observada a presença de processos inflamatórios associados com hemorragia. A atividade máxima de indução do processo inflamatório foi observada às 3 horas após a inoculação de ambos os venenos, embora o processo inflamatório tivesse uma duração de 24 horas quando induzido pelo veneno de B. atrox e só de 6 horas quando induzido pelo veneno de C. d. ruruima. As alterações histopatológicas produzidas pelas ações dos venenos botrópicos são conseqüências de sua ação pró-inflamatória, proteolítica, hemorrágica e coagulante. As lesões no local de inoculação do veneno variam grandemente de intensidade (Benvenuti, 2003).

Quando o extrato aquoso de A. chica foi adminsitrado pela via oral, não foi observada atividade inibitória sobre a inflamação induzida por ambos os venenos. Na análise histopatológica dos coxins das patas dos camundongos dos grupos experimentais, quando extrato aquoso de A. chica foi administrado por via intraperitoneal ou subcutânea, observou-se que houve uma atividade inibitória principalmente sobre os processos de miocitólise e de migração de granulócitos induzidos pelos venenos de B. atrox ou C. d. ruruima, o que sugere uma possível ação de substância(s) presente no extrato aquoso de A. chica inibindo toxinas que induzem estes dois processos pró-inflamatórios e/ou inibindo fatores endógenos que estimulam ambos os processos pró-inflamatórios. Esta(s) substância(s) não seria(m) absorvida(s) por via oral, visto não terem sido observados efeitos por esta via e/ou podem sofrer transformações químicas por processos enzimáticos, no trato intestinal, durante o processo de absorção e/ou no fígado, alterando a sua função inibitória. Os processos pró-inflamatórios de edema e sufusão hemorrágica induzidos pelos venenos de B. atrox ou C. d. ruruima não foram inibidos pelas doses do extrato aquoso de A. chica testadas, independente da via administrada.

O óxido nítrico (NO) reconhecido no momento como mediador que causa vasodilatação através do fator relaxante derivado do endotélio (EDRF), é produzido pela célula endotelial. No processo inflamatório, além de produzir vasodilatação e formação de edema, também promove a biossíntese de prostanóides decorrente da ativação da COX-2 (Landucci, 1996). Estudo anterior mostrou que o extrato aquoso do A. chica foi eficaz em inibir a produção de óxido nítrico por macrófagos elicitados por tioglicolato, estimulados por lipopolisacarídeo bacteriano (LPS) in vitro. Portanto, a inibição da migração de granulócitos diminuindo assim a inflamação de mediadores pró-inflamatórios, sugere um dos mecanismos moleculares pelos quais os princípios ativos da A. chica apresentaram atividade inibitória do processo inflamatório induzido pelos venenos das serpentes utilizadas.

Dentre os metabólitos de planta, os flavonóides são provavelmente os mais versáteis. Os flavonóides têm sido considerados como responsáveis pela atividade antiinflamatória, anti-hepatotóxica, anti-hipertensiva, e muitas outras atividades, como a inibição de atividade enzimática, com ação inibitória da atividade das fosfolipases A2, um importante componente dos venenos de serpentes (Alcaraz & Holut, 1985; Mors et al., 2000). A presença de flavonóides em A. chica pode ser um dos fatores moleculares importante com atividade anti-fosfolipásica A2 dos venenos de B. atrox e Crotalus d. ruruima, desta forma contribuindo ao efeito inibitório do extrato aquoso sobre a atividade inflamatória induzida pelos venenos de B. atrox e Crotalus d. ruruima. Os dados experimentais sugerem que o extrato aquoso de A. chica apresenta substâncias químicas com atividade inibitória do processo inflamatório induzido pelos venenos de Bothrops atrox ou Crotalus durissus ruruima quando administrados pelas vias subcutânea (10,6 g/kg peso) e via intraperitoneal (2,5 g/kg de peso), não apresentando efeito por via oral. Dos parâmetros do processo inflamatório avaliados, o extrato aquoso de Arrabidaea chica mostrou atividade inibitória para o infiltrado de granulócitos e miocitólise induzidos pelas toxinas dos venenos de serpentes. Novos experimentos deverão ser realizados para esclarecer o mecanismo de ação desta planta. O isolamento e elucidação dos responsáveis pelo efeito inibitório estão em curso.

Os resultados obtidos sugerem potencial biotecnológico do extrato aquoso de Arrabidaea chica para obtenção de princípios ativos antiinflamatórios.

 

AGRADECIMENTOS

Ao Dr. José Jackson Bacelar Nunes Xavier e Dr. Francisco Célio Maia Chaves, EMBRAPA-AM, pela colaboração e orientação na coleta do material, Ao Dr. Adrian Martin Pohlit, INPA, pela colaboração e orientação na obtenção do extrato, Ao Prof. Nelson Fraiji e Profª Júlia Ignez Salem, coordenadores do Curso de Mestrado Multidisciplinar em Patologia Tropical.

 

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Received 30 May 2008; Accepted 29 November 2008

 

 

* E-mail: d_paixao@yahoo.com.br, Tel. +55-92-3238-0577

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