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Estudos de Psicologia (Campinas)

Print version ISSN 0103-166X

Estud. psicol. (Campinas) vol.28 no.2 Campinas Apr./June 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-166X2011000200003 

ARTIGOS

 

Aplicações do método fenomenológico à pesquisa em psicologia: tradições e tendências*

 

Applying the phenomenological method to psychology research: traditions and trends

 

 

Thiago Gomes DeCastro; William Barbosa Gomes

Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2009. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Instituto de Psicologia. R. Ramiro Barcelos, 2600, Sala 123, 90035-003, Porto Alegre, RS, Brasil. Correspondência para/Correspondence to: W.B. GOMES. E-mail: wbgomes@gmail.com

 

 


RESUMO

Nos últimos vinte anos vem ocorrendo um aumento expressivo da aplicação do método fenomenológico à pesquisa empírica em psicologia. O presente estudo é uma apreciação descritiva e crítica de como o método fenomenológico foi utilizado em 34 artigos nacionais (de 1996 a 2007) e 21 artigos do periódico norte-americano Journal of Phenomenological Psychology (de 2000 a 2008). A análise concentrou-se na descrição operacional dos passos técnicos do método das pesquisas, com atenção à redução fenomenológica, considerada elemento lógico central dessa orientação investigativa. Os resultados da revisão apontaram pluralidade lógica e técnica na aplicação da redução fenomenológica entre os artigos publicados no Brasil, e homogeneidade aplicativa entre as pesquisas do periódico internacional. Tal recurso foi geralmente descrito como meio técnico de tematização de relatos e definição de essencialidades em uma compreensão hermenêutica do relato de experiências. A discussão se encaminhou para a heterogeneidade e as possíveis convergências associadas a essa prática.

Unitermos: Coleta de dados. Pesquisa fenomenológica. Psicologia.


ABSTRACT

In the last twenty years, there has been a significant increase in the application of the phenomenological method in empirical psychological research. The present study is a descriptive and critical appreciation of how the phenomenological method was used in 34 Brazilian articles (between 1996 and 2007), and 21 scientific articles published in the North American Journal of Phenomenological Psychology (between 2000 and 2008). The analysis focused on the operational description of the technical steps related to the sections on research methodology, with particular emphasis on the concept of phenomenological reduction, considered to be the central, logical element of this investigative orientation. The results of the review point to a logical, technical plurality in the application of phenomenological reduction among the articles published in Brazil, and applicable uniformity among the research published in the international journal. This resource was generally described as a technical means for clustering reports and also a definition of essentiality in an hermeneutic understanding of the reporting of experiences. Heterogeneity and the possible convergences associated with this practice are discussed.

Uniterms: Data collection. Phenomenological research. Psychology.


 

 

O presente estudo traz um panorama descritivo e crítico dos modos operacionais vigentes do método fenomenológico aplicado à pesquisa psicológica. Para tanto, foi realizada uma seleção de artigos publicados em revistas científicas de psicologia entre os anos de 1996 e 2007 no Brasil, contrastando-os com artigos publicados no Journal of Phenomenological Psychology (JPP) entre 2000 e 2008. O JPP foi um marco na divulgação do movimento fenomenológico na Psicologia e das aplicações do método à pesquisa empírica, inicialmente nos EUA, e a seguir em outros países.

A exposição está organizada em cinco tópicos. O primeiro retoma aspectos históricos da transição da fenomenologia husserliana para o método fenomenológico empírico; o segundo relata dois levantamentos prévios realizados no Brasil, com artigos que utilizaram a fenomenologia como método de pesquisa; o terceiro apresenta os dados do levantamento realizado para esta revisão; o quarto analisa a proposta da fenomenologia empírica desenvolvida pela Duquesne University, publicada em artigos no JPP; e, por fim, discutem-se as convergências e divergências entre os modos de apropriação do método, permitindo-se questionar quais as contribuições e inovações que tal prática vem oferecendo à psicologia.

Método fenomenológico e pesquisa em psicologia

A interface psicologia-fenomenologia data dos primeiros escritos do filósofo Edmund Husserl (1859-1938), reconhecido como o definidor do significado contemporâneo atribuído à expressão fenomenologia (Mora, 2007; Zilles, 1996). Em síntese, a fenomenologia refere-se ao fundamento da investigação das relações lógicas puras inerentes à consciência intencional (Husserl, 1913/2006). Em suas Investigações Lógicas (1901/2001), o filósofo problematizou a importação do modelo que prioriza aspectos exteriores à experiência para o estudo da subjetividade, no que denominou psicologismo. Em contrapartida, defendeu a fenomenologia como um projeto de psicologia descritiva, definição que posteriormente julgou equivocada, em A ideia da fenomenologia (1907/2000), obra em que o autor migrou para um projeto de fundacionismo rigoroso, baseado na tese da experiência essencial subjetiva como medida para um sistema de conhecimento.

Em seu projeto metodológico de fenomenologia, Husserl (1913/2006) delineou um aporte conceitual e contemplativo sobre o método e as ciências, mas não sugeriu meios técnicos para a reorientação da atitude natural que criticava, para a atitude fenomenológica que defendia. Por atitude natural entendem-se as teses explicativas que não indagam sobre as bases e as possibilidades da efetivação de seu conhecimento. Por conseguinte, a atitude fenomenológica deve ser aquela que conduz aos modos de aparecimento de um fenômeno à consciência intencional.

A transição da fenomenologia filosófica para a psicologia fenomenológica empírica recebeu várias influências no decorrer do século XX (Spiegelberg, 1982). Seu fortalecimento como agenda de pesquisa sistematizada ocorreu apenas em meados das décadas de 1960 e 1970, nos Estados Unidos da América, junto a um grupo de psicólogos, em sua maioria, associados à Duquesne University em Pittsburgh/Pensilvânia (Manganaro, 2005).

Na segunda metade do século XX, essa relação perdurou sob o enfoque de distintos projetos epistemológicos, geralmente submetendo a teoria fenomenológica aos interesses de legitimação de uma nova abordagem ou corrente teórica em psicologia. Um exemplo dessa associação é a defesa de uma psicologia como ciência humana, pautada na investigação do vivido e perpassada por reformas metodológicas e de conteúdo em seu escopo, ou mesmo em um sistema fenomenológico de psicologia (Aanstoos, 1996; Giorgi, 1970). Na Inglaterra, esse modelo de transposição da fenomenologia para a psicologia empírica foi desenvolvido pela Sheffield Hallam University, que em meados da década de 1980 lançou as bases para investigações do mundo-vivido com ênfase nos contextos da saúde e educação (Ashworth, 2003). Outra variação proposta foi a idealizada pela Escola Copenhagen de Psicologia Fenomenológica, em meados da década de 1950, na qual a ênfase metodológica repousava sobre a descrição da experiência consciente de indivíduos e pesquisadores em situações experimentais (Gallagher & Sorensen, 2006).

Mais recentemente a transposição da fenomenologia para o contexto da pesquisa psicológica vem sendo debatida entre psicólogos cognitivistas e neuro-cientistas (Gallagher, 2003; Varela, 1996). Esses pesqui-sadores manifestam interesse em reformular o valor empírico concedido a relatos de experiência em contextos experimentais para a avaliação de respostas neurofuncionais.

No Brasil, a associação entre fenomenologia e psicologia parece ter-se iniciado na década de 1940, com a identificação do ano de 1948 como marco da defesa da primeira tese de doutorado versada no método fenomenológico. O trabalho, defendido pelo médico Nilton Campos (1898-1963) na antiga Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro), articulou relações entre o método fenomenológico, a introspecção psicológica e a teoria da gestalt (Gauer, Gomes & Holanda, 2004). Contudo, a aplicação consistente do método fenomenológico à pesquisa em psicologia ocorreu apenas em meados da década de 1970, em grande parte impulsionada pelo grupo de pesquisa do professor Joel Martins na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) (Forghieri, 1992).

Na literatura especializada em pesquisa fenomenológica, o método empírico tem sido definido como uma investigação, clara e precisa, de aspectos particulares da experiência humana (Polkinghorne, 1989), bem como um método para a análise da vivência de um sujeito em determinadas situações do seu cotidiano (Sells,Topor & Davidson, 2004). Seria, portanto, uma forma de pesquisa orientada à descoberta de significados expressos por um sujeito sobre sua experiência. No entanto, o processo de investigação dessas significações pode assumir várias configurações, preservando a referência ao método fenomenológico (Moreira, 2004).

van Manen (2002) lembra que se deve estar atento às diferentes tradições do método fenomenológico. O autor enumera várias dessas vertentes representadas por reconhecidos filósofos: Husserl com a fenomenologia transcendental, Merleau-Ponty com a existencial, Ricouer e Gadamer com a hermenêutica, Derrida com a linguística, e Levinas com a fenomenologia ética. Amatuzzi (1996) foi mais abrangente ao distinguir seis modalidades: 1) pesquisa fenomenológica como filosofia; 2) fenomenologia eidética; 3) fenomenologia hermenêutica; 4) psicologia fenomenológica empírica; 5) pesquisa fenomenológica experimental; 6) pesquisa fenomenológica em grupo. Comparando-se as duas classificações, nota-se que van Manen trouxe as tradições iniciadas pelos filósofos identificados com o movimento fenomenológico, ao passo que Amatuzzi procurou identificar diferentes modalidades, sem, contudo, clarificar as especificidades de uma pesquisa filosófica e eidética, ou empírica e experimental. Certamente, empíricas seriam as pesquisas que trabalham com algum tipo de dados de entrevistas, observações, documentos etc., enquanto as experimentais remeteriam a situações artificiais com algum tipo de controle, mas que também levariam a depoimentos ou outros dados de primeira pessoa. Em síntese, a diferença entre os auto-res apenas enuncia a força de uma influência, mas pouco acrescenta à distinção da lógica aplicada à pesquisa. Nesse sentido, a distinção por modalidades poderia elucidar com mais clareza a lógica utilizada nas análises propostas.

Sobre a uniformidade da pesquisa fenomenológica empírica, Giorgi (2006) examinou seis teses de doutorado que utilizaram o método fenomenológico como recurso analítico. O autor constatou grande variação de entendimento e modo de utilização da redução fenomenológica, elemento lógico estrutural da captação do fluxo intencional em uma comunicação do vivido. Em um debate detalhado quanto à convergência técnica no uso do método, não se obteve uma integração harmoniosa.

Um ponto de destaque nessa discussão é a relação entre lógica e técnica na pesquisa. Como em outros métodos, há nas variadas estratificações técnicas fenomenológicas uma orientação lógica implícita ou explicita. Os procedimentos lógicos presentes na técnica fornecem o julgamento da especificidade de um método, na medida em que articulam a racionalidade que conduz a análise (Gomes, 2008). No exemplo da fenomenologia, de modo geral, essa racionalidade se faz presente na mediação entre o que é dado como referência e o que é tomado como significado. Espera-se, portanto, que essa racionalidade esteja descrita nos artigos para indicar os modos de análise, elucidando as etapas reflexivas percorridas pelos pesquisadores.

A presença do método fenomenológico em pesquisas de psicologia no Brasil

Já foram realizados no Brasil dois levantamentos sobre as publicações em psicologia embasadas no método fenomenológico. O primeiro deles, conduzido por Forghieri (1992), abarcou a produção científica do país em livros, teses, dissertações, e artigos relacionados direta ou indiretamente à fenomenologia. O levantamento foi solicitado pela Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (Anpepp), abrangendo o período de 1980 a 1991. Contudo, o levantamento recuou à década de 1970 para a inclusão dos livros publicados. O estudo evidenciou que as pesquisas fenomenológicas apresentam dois aspectos em comum: a descrição da vivência do próprio pesquisador, e a descrição dos procedimentos fenomenológicos de pesquisa. As principais áreas de abrangência temática foram a psicologia da educação e a psicologia clínica. Os problemas de pesquisa estavam comumente ligados a situações existenciais, como o envelhecimento, a toxicomania, a maternidade e diferentes doenças físicas e psíquicas. De acordo com a autora, muitos desses trabalhos lidavam com os sensos de sofrimento e bem-estar, o que confirma uma tendência de vinculação entre método fenomenológico e temas existenciais.

Em outro levantamento, pesquisadores da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) analisaram dissertações e teses defendidas no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IPUSP) entre 1934 e 1998, dissertações da Pós-Graduação em Psicologia da Umesp de 1981 a 1998, e resumos de trabalhos apresentados na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) nos anos de 1996 e 1997 (Castro, 2000). Em relação ao período estudado no banco de teses do IPUSP, constatou-se o ano de 1985 como do primeiro registro de um trabalho que se denominou fenomenológico. O título do trabalho é"Contribuições ao estudo e compreensão do fenômeno do suicídio: uma análise existencial fenomenológica", defendido por Valdemar Augusto Angerami. No espaço de tempo que antecede essa dissertação há forte predominância de trabalhos de cunho humanista, os quais fazem alusão parcial à fenomenologia. De 1985 a 1998 foram mais 18 trabalhos defendidos no IPUSP vinculando a psicologia à fenomenologia, todos voltados à área de educação e 17 deles com caráter empírico. Embora ambos os levantamentos tenham revelado uma significativa produção de pesquisas fenomenológicas na década de 1980, é na década de 1990 que os grupos de pesquisa voltados à interação entre fenomenologia e psicologia estabeleceram maior representatividade e linearidade na produção de pesquisa. Em outros termos, é nessa década que despontam no Brasil as primeiras discussões sobre os limites e possibilidades lógicas e teóricas da utilização do método fenomenológico na pesquisa científica em psicologia. Tal associação é ainda fonte de amplo debate, como bem podem indicar as controvérsias acerca de uma naturalização da fenomenologia (Zahavi, 2004).

Critérios utilizados nesta pesquisa

O levantamento aqui proposto abordou os artigos empírico-fenomenológicos publicados por periódicos de psicologia. Foram contempladas, apenas, as pesquisas que utilizaram relatos (entrevistas, observações, depoimentos) de sujeitos participantes. Foram, portanto, excluídos aqueles trabalhos que buscavam investigar manifestações pictográficas ou poéticas de domínio público, bem como análises psicológicas de personagens ou de textos. Deste modo, foram consideradas como pesquisas empírico-fenomenológicas aquelas (1) que declararam seu método como fenomenológico e (2) que investigaram aspectos da vivência subjetiva ou perceptiva de seus depoentes. O levantamento incluiu duas frentes de análise, a primeira referente a artigos publicados em revistas de psicologia com circulação nacional, e a segunda, para efeito de contraste, ao periódico norte-americano Journal of Phenomenological Psychology.

Para os artigos brasileiros, delimitou-se para análise o período de 1996 a 2007, mediante consulta às bases de dados da Biblioteca Virtual de Saúde - BVSPsi, do SciELO e do portal de periódicos da Capes. As palavras-chave utilizadas para busca foram: método fenomenológico, fenomenologia, pesquisa qualitativa, fenomenológico. Na catalogação dos artigos consideraram-se: 1) periódico de psicologia em que o artigo foi encontrado; 2) ano de publicação; 3) autor(es); 4) caráter empírico ou teórico do artigo; 5) tema abordado no trabalho; 6) etapas estabelecidas no método de análise dos dados; 7) descrição do modo como o conceito de redução fenomenológica é operacionalizado no método e na análise dos dados; 8) instrumento utilizado na coleta dos dados; 9) identificação do autor tomado como referência metodológica. Após organização dos dados, segundo os critérios listados, foi elaborada uma descrição sintética do material encon-trado e uma análise comparativa entre as operacionalizações metodológicas para a pesquisa em psicologia.

O método fenomenológico em periódicos brasileiros - 1996/2007

Foram encontrados 90 artigos que associaram psicologia à fenomenologia. Dentre eles, 34 foram estudos empíricos (sentido estrito de inclusão de sujeitos participantes) e 56 teóricos (sentido geral). Nessa contagem não foram incluídos textos que, embora reconhecendo a influência, não indicaram critérios de análise fenomenológica. Em relação à publicação de artigos empírico-fenomenológicos destacaram-se os periódicos Estudos de Psicologia (PUC-Campinas), Psicologia: Reflexão e Crítica (UFRGS) e Psico (PUCRS). Com efeito, as regiões brasileiras correspondentes a esses periódicos - Rio Grande do Sul e interior do Estado de São Paulo - são os locais onde se encontram dois grupos de referência na aplicação do método fenomenológico ao contexto de pesquisa em psicologia. São eles o Laboratório de Fenomenologia Experimental e Cognição (LaFec) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), coordenado pelo professor William B. Gomes, e o grupo de pesquisa Processos Psicológicos: abordagens qualitativas da PUC-Campinas, coordenado pelo professor Mauro Martins Amatuzzi. Somado aos dois centros, tem ganhado destaque sobre o quadro de publicações, nos últimos cinco anos, o Laboratório de Psicopatologia e Psicoterapia Humanista Fenomenológica Crítica da Universidade de Fortaleza, coordenado pela pesquisadora Virginia Moreira.

Os trabalhos publicados pelo grupo da UFRGS possuem base epistemológica na associação entre a fenomenologia de Maurice Merleau-Ponty e a semiótica de Charles Sanders Peirce, direcionando o sentido científico das análises para a captação dos fluxos intencionais, revelados em relatos de experiência em contextos experimentais, em termos de regras comunicacionais (Gomes, Rosemberg, Alencastro & DeCastro, 2008). Já as pesquisas de Amatuzzi vinculam a investigação fenomenológica à intervenção ou atenção psicológica, buscando a exploração do mundo vivido em diferentes contextos do cotidiano existencial e aproximando-se a uma fundamentação teórica humanista (Amatuzzi, 2009). Nos trabalhos de Virgínia Moreira observa-se a associação da fenomenologia de Merleau-Ponty a uma perspectiva crítica da contemporaneidade, em forma de análises compreensivas da experiência de sujeitos em condições existenciais adversas (Moreira & Guedes, 2007).

O levantamento conduzido por Forghieri (1992) indicou a inexistência de um periódico no Brasil especializado na publicação de artigos sobre fenomenologia ou o método fenomenológico. Este panorama foi alterado em 2006 com a alteração editorial do veículo Revista da Abordagem Gestáltica. Originalmente fun-dado em 1995, o periódico passou a integrar apenas em 2006 em seu editorial os tópicos: 1) psicologias e psicoterapias de orientação fenomenológica e existencial; 2) fenomenologia pura e aplicada; e 3) pesquisa qualitativa e fenomenológica.

Dentre os temas abordados nos estudos empíricos destacaram-se as áreas de psicologia hospitalar e psicologia da saúde. Esses trabalhos concentravam relatos de experiência de equipes de saúde em hospitais, vivência de algum tipo de doença, ou processos comportamentais específicos ao contexto de saúde física e psicológica. Estudos que enfocavam as relações familiares inter e intrageracionais e seu impacto na gestação também foram frequentes. A psicologia da educação, que havia sido apontada por Forghieri (1992) e Castro (2000) como um dos temas de maior incidência de trabalhos fenomenológicos, publicou poucos artigos no período avaliado.

Em relação aos instrumentos utilizados para a coleta dos depoimentos, nos 34 estudos empíricos prevaleceram as modalidades de entrevista aberta ou fenomenológica (11 itens) e semiestruturada (12 itens), como já era de se esperar em se tratando de pesquisas amparadas em relatos vivenciais. No entanto, depoimentos escritos (3 itens), diário de campo (2 itens) e grupos operativos e terapêuticos (2 itens) despontaram como propostas inovadoras para a coleta desse tipo de dado. Nessas pesquisas, o instrumento dominante foi a entrevista individual. No entanto, houve trabalhos que analisaram protocolos de resposta redigidos pelos participantes ou respostas verbais enunciadas em contexto grupal.

Na justificação do método, foram mencionados Maurice Merleau-Ponty (11 itens), Richard Lanigan (11 itens), Amedeo Giorgi (8 itens), Martin Heidegger (2), Edmund Husserl (4) e Alfred Schutz (1). A fenomenologia-existencial de Merleau-Ponty, traduzida como uma tríade metodológica - descrição-redução-interpretação - aparece ora como inspiração teórica para análise dos dados, ora como inspiração técnica estrita para a condução das análises. O filósofo também é citado em combinação com outros autores da escola fenomenológica, como no caso da fenomenologia-semiótica de Richard Lanigan. Nessas pesquisas, Merleau-Ponty é apontado como solo epistemológico da tríade analítica, mas a interpretação é conduzida por regras comunicacionais, e não por temáticas existenciais. No caso de Giorgi, sua menção é invariavelmente associada aos procedimentos técnicos de compreensão global, separação em temas e produção de sínteses estruturais do vivido. Entre os autores brasileiros, os mais citados nesta seção são os pesquisadores Mauro Amatuzzi (6 itens), William Gomes (11 itens) e Yolanda Forghieri (4 itens).

A presença da redução fenomenológica na estrutura metodológica das pesquisas não é uma constante. Dentre os 34 estudos empíricos avaliados, a redução é mencionada em 19. Quando descrita, aparece com frequência associada à versão de retorno às essências ou identificação das essencialidades do vivido - redução eidética na terminologia husserliana. Apenas em cinco desses trabalhos é mencionada a adoção ou descrição da orientação suspensiva -epoché - ou ruptura com a atitude explicativa natural. Tal panorama indica uma tendência da técnica fenomenológica para a análise estrutural dos vividos, ou das partes constituintes de sua evidência. Por outro lado, as pesquisas não problematizam o processo de interferência do pesquisador na mediação dos dados expressivos para a organização das compreensões finais sobre os fenômenos em estudo.

O periódico norte-americano Journal of Phenomenological Psychology, especializado na área, é o veículo de publicações mais antigo dedicado à associação entre fenomenologia e psicologia. Segundo Manganaro (2005), o JPP foi um dos principais promotores na difusão da psicologia fenomenológica nos EUA, impulsionado pela fértil tradição fenomenológica da Duquesne University. O periódico foi fundado em 1970 nessa universidade pelo Professor Amedeo Giorgi, numa tentativa de legitimar uma psicologia científica de base fenomenológica (Giorgi, 1998). A análise dos primeiros trabalhos publicados na revista permite destacar: 1) o diálogo da iniciante psicologia fenomenológica com abordagens consolidadas, como psicanálise e humanismo, 2) a fundamentação de pesquisas empíricas com autores da filosofia existencial; e 3) a investigação de vivências específicas a partir da releitura metodológica propiciada pela fenomenologia.

Os editores do periódico informam, na descrição do jornal, que o senso de fenomenologia adotado pela revista segue uma proposta"continental", o que significa afirmar que seguem a fenomenologia acadêmica consolidada na França e Alemanha no decorrer do século XX (Giorgi, 1998). Reconhecem, entretanto, que esse método pode ser entendido de diversas maneiras, não sendo objetivo privilegiar exclusivamente uma ou outra forma de compreensão.

No intervalo de tempo entre os anos 2000 e 2008, o periódico publicou 62 artigos científicos, dos quais apenas 21 podem ser considerados empíricos segundo os critérios pré-definidos. Desse montante, é possível afirmar que o destaque é a forte presença da sistematização técnica dos passos analíticos propostos por Giorgi (1985). Mais da metade dos artigos (13 itens) relatam basear-se no método fenomenológico-psicológico do psicólogo norte-americano. Isso pode ser explicado pela notoriedade de seu trabalho nos Estados Unidos, sendo certamente um dos principais difusores do método na psicologia acadêmica daquele país. Mas também pode ser entendido pela presença de Giorgi como editor-chefe da revista por cerca de 25 anos, permanecendo até hoje como editor associado.

Acompanhando a tendência do levantamento brasileiro, os instrumentos utilizados com maior frequência para a obtenção dos relatos vivenciais são a entrevista fenomenológica (6 itens) e a semiestruturada (8 itens). Em relação à organização metodológica dos trabalhos, constatou-se forte preocupação quanto à definição operacional da redução fenomenológica aplicada ao contexto empírico, diferentemente do observado nos artigos publicados no Brasil. A consequência direta dessa exposição mais clara das lógicas interpretativas e descritivas no uso do procedimento deslocou o foco da redução enquanto argumento teórico para adentrar em seu território aplicativo. A descrição do processo redutivo é uma constante entre os artigos do JPP, fornecendo um quadro fiel e passível de avaliação quanto à transposição do método fenomenológico da filosofia para a psicologia.

De modo geral, a redução fenomenológica foi operacionalizada de acordo com a técnica de demarcação de unidades, ou procura de evidências essenciais da estrutura de um relato. Equipara-se, nesse sentido, ao modelo de redução eidética propagado nas pesquisas brasileiras, sendo enquadrada nesse procedimento a técnica de variação imaginativa livre. Cabe ao pesquisador, na execução da variação, exercitar sua criatividade para redefinir as possibilidades de evidência de um fenômeno, tomando como base os limites concretos do relato experiencial a que tem acesso. Como bem apontou Giorgi (2008), faz-se necessário o uso das variações imaginárias para que as significações atinjam estatuto de essências.

Ainda que não totalmente explicitados os critérios lógicos que regem a operação da redução eidética e, sobretudo, a variação imaginativa livre, as pesquisas norte-americanas parecem reconhecer a importância de se incluir uma explicação sobre essa orientação de pesquisa. Um exemplo dessa clareza é o modelo adotado por Sages e Szybek (2000), em que a redução é definida como busca por intencionalidades em um relato experiencial. Ao contrário da proposta de Giorgi (1985), na qual um relato é separado em unidades de sentido definidas pelo pesquisador, os autores tentam diminuir as interferências interpretativas na tematização, realizando duas modalidades de análise: 1) modalidade de função (perceptivo, significativo, imaginativo); e 2) modalidades dóxicas (certeza, dúvida, possibilidade). A síntese dessas análises revelaria as intencionalidades de um depoimento experiencial. Através desses critérios, o trabalho de organização compreensiva do texto obteria uma sistematização analítica mais descritiva e menos hermenêutica.

Outra alternativa para a definição dos procedimentos de redução é a citada por van Manen (1990), em que a busca por essencialidades estruturais do vivido - redução eidética - dá-se pelo permanente retorno, durante a tematização, à pergunta de pesquisa. Proceder-se-ia, nesse formato, a um reconhecimento dos objetivos e pressupostos envolvidos no processo de compreensão das mensagens do relato, e não a uma negação dos valores pessoais vinculados à percepção de determinado fenômeno, como pode sugerir o preceito lógico de suspensão de crenças em uma realidade -epoché.

Um terceiro modelo de tematização e análise fenomenológica é o sugerido por Sells et al. (2004), segundo os quais a leitura dos relatos dos participantes deve gerar uma narrativa em primeira pessoa, com o conteúdo identificado pelo pesquisador como significativo. O pesquisador deixa de emitir um relatório ou uma revisão em terceira pessoa do esqueleto essencial da experiência do entrevistado, para assumir a função de mediação experiencial na constituição de uma leitura compreensiva sobre o relato. A técnica da tematização de Sells et al. (2004) orienta-se por uma ferramenta lógica hermenêutica nomeada "pontes empáticas". Proposta semelhante a essa técnica são as "versões de sentido", descritas no Brasil por Amatuzzi (2001).

 

Considerações Finais

O levantamento e análise realizados indicam que a utilização do método fenomenológico está crescendo no Brasil, associada a grupos de pesquisa em programas de pós-graduação stricto sensu. Também atesta o interesse de jovens pesquisadores pelo estudo da fenomenologia. Há, entre os autores dos estudos revisados, variações interpretativas e operacionais quanto ao entendimento e uso do método, o que é consistente com a trajetória do movimento fenomenológico. De modo geral, pode-se afirmar, primeiro, que o método vem sendo empregado como uma atitude de escuta acolhedora e não crítica ao material que aparece à análise do pesquisador, donde a predominância é o uso de entrevistas; segundo, que o método vem sendo um recurso privilegiado para o estudo das vivências subjetivas.

Uma pergunta que às vezes se faz é o que especifica o método fenomenológico dentre as muitas modalidades de pesquisas qualitativas. Primeiro, pode-se argumentar que o método não se restringe à pesquisa qualitativa. É primordialmente um instrumento de análise lógica e de confronto à realidade, uma persistente desconfiança sobre o que está posto. Nesse sentido, a descrição fenomenológica poderá contar com as mais variadas fontes de informação, inclusive a estatística.

Na verdade, a atitude exploratória e compreensiva da fenomenologia tornou-se referência para os métodos qualitativos em geral, mas o método se caracteriza pela técnica da redução fenomenológica e pela explicitação da suspensão de juízos. Embora tal condição seja reafirmada continuadamente, é o esclarecimento e transparência desse recurso que fortalecerá a análise e cumprirá as exigências de transparência e rigor. É a clareza da redução que elucidará o inesperado, a surpresa, o novo da interpretação, permitindo a replicação e novas descobertas. Essa condição certamente é uma meta que preocupa e desafia aos praticantes do método.

Além das repercussões acerca da pluralidade na definição de um programa de pesquisa fenomenológica em psicologia, existem incertezas em torno do procedimento de mediação entre dados descritivos e interpretações analíticas. O recurso da variação imaginativa, que rege a ordem dessa mediação, requer explicitação da lógica pela qual se efetiva. Seja qual for, é importante que fique claro o modo como o pesquisador interpretou seu fenômeno de estudo. Nesse ponto, questiona-se o sentido ético da orientação do investigador sobre o direcionamento de sua mediação entre referente e significado atribuído. Ou seja, como seria possível avaliar, ou mesmo dialogar com a aplicação de um método investigativo, se a lógica instrumental desse método não é descrita? Esse, certamente, é um desafio permanente ao uso do método.

A fenomenologia não é mais uma novidade e tampouco pode ser reduzida às preocupações humanistas e existenciais. Constitui-se um modo original de reflexão epistemológica que depois levará à revisão das práticas científicas em geral. Nesse sentido, seria um contrassenso defendê-la como extensão das teorias mencionadas. Desenvolvimentos futuros do método fenomenológico não poderão desconsiderar a trajetória histórica do movimento, seja para o estudo da subjetividade ou das muitas possibilidades que oferece às neurocognições, às ciências naturais, às ciências jurídicas e à relação entre humanos e tecnologia.

Enfim, espera-se que o estudo e a utilização do método continuem em desenvolvimento nos próximos anos, tendo em vista as contribuições que o pensar fenomenológico pode trazer para as ciências e para as relações entre pessoas, grupos e países. Espera-se também que esse desenvolvimento possa aprimorar formas diferenciadas no contexto empírico da psicologia, assim como problematizar o processo de mediação dos pesquisadores no trabalho com dados experienciais.

 

Referências

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Recebido em: 30/6/2009
Aprovado em: 29/10/2010

 

 

* Artigo elaborado a partir da dissertação de T.G. DeCASTRO, intitulada "Lógica e técnica na redução fenomenológica: da filosofia à empiria em psicologia".
Agradecimento: ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico pelo fomento à pesquisa.