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Scientia Agricola

Print version ISSN 0103-9016

Sci. agric. vol. 53 n. 1 Piracicaba Jan./Apr. 1996

http://dx.doi.org/10.1590/S0103-90161996000100005 

TESTES DE CONDUTIVIDADE ELÉTRICA PARA AVALIAÇÃO DO VIGOR DE SEMENTES DE SOJA (Glycine max (L.) Merrill)

 

D.C.F.S. DIAS1; J. MARCOS FILHO2,3
1 Depto. de Fitotecnia-UFV, CEP: 36571-000-Viçosa-MG.
2Depto. de Agricultura-ESALQ/USP, C.P. 9, CEP: 13418-900-Piracicaba-SP.
3Bolsista do CNPq.

 

 

RESUMO: O presente trabalho teve como objetivo investigar a possibilidade de redução do período de condicionamento das sementes nos testes de condutividade elétrica, nos sistemas de massa e individual, e consequentemente, obter indicações mais rápidas sobre a qualidade fisiológica dos lotes. Para tanto, foram utilizados quatro lotes de sementes de soja das variedades IAC-8 e IAC-15 que foram submetidos a estudos específicos de condutividade elétrica de massa e individual (ASA-610), empregando-se períodos de condicionamento de 4, 8, 12, 16, 20 e 24 horas. No sistema de massa foram utilizadas amostras de sementes não danificadas e de sementes fisicamente puras. Nos estudos com o ASA-610 foram testadas as intensidades de corrente elétrica de 95 a 45 mA/semente, em intervalos de 5mA. Além destes foram conduzidos os seguintes testes: germinação, primeira contagem de germinação, envelhecimento artificial e determinação do grau de umidade das sementes. Os resultados indicaram que há possibilidade de redução no período de condicionamento das sementes no teste de condutividade de massa, sendo que os períodos de embebição mais curtos (4 e 8 horas) permitiram a identificação de diferenças mais acentuadas entre os lotes, enquanto que leituras realizadas a partir de 16 horas mostraram-se mais sensíveis às variações de vigor das sementes. O referido teste mostrou-se adequado para a identificação de lotes com diferentes níveis de vigor. Já a condutividade individual (ASA-610) revelou eficiência variável de acordo com a variedade avaliada.
Descritores: Glycine max, sementes, vigor, condutividade elétrica

 

ELECTRICAL CONDUCTIVITY TESTS TO EVALUATE THE VIGOR OF SOYBEAN (Glycine max (L.) MERRILL) SEEDS

ABSTRACT: To investigate the reduction of the seed soaking time, in bulk and individualy, conductivity tests were performed on four seed lots of two soybean varieties (IAC-8 and IAC-15). The following tests were conducted: standard germination, first count of standard germination, accelerated aging and seed moisture. Studies of bulk and individual (ASA-610) seed conductivity were conducted with 4, 8, 12, 16, 20 and 24 hours of soaking. It was concluded that for the bulk conductivity test the shorter imbibition periods (4 and 8) can be used for the detection of wide vigor differences, while imbibition periods of 16, 20 and 24 hours can be used to identify smaller vigor differences among soybean seed lots. This test showed to have good potential as a rapid and efficient method to discriminate soybean seed lots of different qualities. Its use in seed quality control programs can be useful. The efficiency of the ASA-610 varied according to variety.
Key Words: Glycine max, seed, vigour, electrical conductuvity

 

 

INTRODUÇÃO

A avaliação da qualidade fisiológica de sementes de soja é um aspecto importante a ser considerado em um programa organizado de produção, pois o emprego de metodologia adequada, possibilita a estimativa do vigor, do desempenho em campo e o descarte de lotes deficientes, diminuindo riscos e prejuízos.

Na atualidade, uma das principais exigências para a avaliação do vigor de sementes refere-se à obtenção de resultados confiáveis em um período de tempo relativamente curto, permitindo a agilização das tomadas de decisões principalmente, no que se refere às operações de colheita, processamento e comercialização.

Pelo exame da literatura, observa-se que os testes rápidos mais estudados estão relacionados com os eventos iniciais da sequência de deterioração proposta por Delouche & Baskin (1973) como a degradação das membranas celulares e a redução das atividades respitatórias e biossintéticas. Dentre estes testes, destacam-se os de condutividade elétrica, pelos sistemas de massa e individual, os quais preenchem os três requisitos básicos relacionados por Matthews & Powell (1981) com a vantagem adicional de fornecerem resultados em 24 horas.

Pesquisas realizadas com diferentes espécies têm mostrado que o decréscimo na germinação e no vigor é diretamente proporcional ao aumento da liberação de solutos, indicando que a avaliação da condutividade pelo método de massa é eficiente para a determinação do vigor. Dentre os trabalhos mais recentes destacam-se os de Shoettle & Leopold (1984), Marcos Filho et al. (1985, 1990) e Loeffler et al. (1988) com soja, Woodstock et al. (1985), Fraga (1988), Brigante (1988) e Santos (1993) com algodão e Bruggink et al. (1991) com milho.

Por outro lado, alguns estudos têm mostrado ser conveniente a utilização de aparelhos que analisam individualmente a qualidade das sementes (ASA-610, ASA-220 e ASAC-1000), monitorando a liberação de eletrólitos de cada semente através da quantificação da intensidade de corrente elétrica (uA) que passa entre dois eletrodos imersos em cada uma das células (McDonald Jr. & Wilson, 1979, 1980; Mullet & Wilkinson, 1979; Steere et al., 1981; Rachidian & Le Deunff, 1986; Wann, 1986; Wilson & Trawatha, 1991 e Wilson et al., 1992).

Entretanto, Hepburn et al. (1984) avaliando possíveis problemas com a utilização rotineira do teste de condutividade individual, com sementes de soja e ervilha, enfatizaram a necessidade de intensificação da pesquisa, uma vez que os resultados não possibilitaram a separação eficiente dos lotes em nívies de vigor. Observaram ainda, que a utilização de um único valor de corrente elétrica para os diferentes cultivares não foi apropriada. Também Hopper & Hinton (1987) obtiveram resultados semelhantes com sementes de algodão.

É importante ressaltar que tanto o sistema de massa como o individual são de padronização relativamente simples, pois são conduzidos em condições controladas de laboratório. Entretanto, a pesquisa tem demonstrado que vários fatores podem afetar os resultados dos testes, tais como: qualidade da água, temperatura e duração do período de embebição, grau de umidade e número de sementes testadas (Yaklich & Abdul-Baki, 1975; Tao, 1978; Marbach & Mayer, 1985; Loeffler et al., 1988 e Hampton et al., 1992). Bedford (1974) considerou além destes fatores, o genótipo.

A duração do período de embebição das sementes tem efeito marcante na capacidade dos testes de condutividade distinguirem diferenças de qualidade entre lotes. Neste sentido, Loeffler et al. (1988) constataram que lotes de sementes de soja com níveis extremos de vigor podem ser separados usando o sistema de massa após 6 horas; entretanto, um período mais longo (18 a 24 horas) foi necessário para detectar diferenças menos acentuadas entre os lotes, concordando então, com as recomendações da ISTA (Matthews & Powell, 1981) e da Association of official Seed Analysts (1983). Também Marcos Filho et al. (1990) encontraram resultados semelhantes. Assim, tradicionalmente, os testes de condutividade elétrica (de massa e individual) têm sido realizados com 24 horas de condicionamento, por se tratar de um período adequado para a rotina normal dos laboratórios de análise de sementes.

No entanto, a rapidez na obtenção das informações tem sido preconizada como fator fundamental para a dinamização dos programas de controle de qualidade interno exercidos pelas entidades produtoras de sementes.

Neste sentido, é importante considerar que a embebição das sementes obedece a um padrão trifásico (Bewley & Black, 1985) onde a fase inicial do processo (fase I) constitui um fenômeno essencialmente físico, podendo ser completada em 1 ou 2 horas nas sementes cotiledonares, independen-temente de sua condição fisiológica. A segunda etapa (fase II), de lenta absorção de água e 8 a 10 vezes mais longa que a anterior, envolve uma série de eventos metabólicos preparatórios para a emissão da raíz primária, marco do estabelecimento da fase III, representada pelo início visível da germinação (Carvalho & Nakagawa, 1988). Assim, a embebição, principalmente durante a fase I, é acompanhada pela liberação de açúcares, aminoácidos e eletrólitos em quantidades variáveis com o estado de organização do sistema de membranas. Vários autores destacaram que a taxa de liberação de eletrólitos é muito elevada no início do processo de embebição; contudo, com o decorrer do tempo esta situação se altera, à medida que ocorre a reorganização das membranas celulares (Simon & Raja-Harun, 1972; Becwar et al., 1982; Bewley & Black, 1985).

Portanto, considerando que a integridade das membranas tem reflexos diretos sobre a eficiência metabólica da fase II, o modelo proposto por Bewley & Black (1985) representa um suporte para a busca de informações sobre a qualidade fisiológica das sementes durante as fases iniciais de embebição.

Desta forma, o presente trabalho teve como objetivo principal estudar a possibilidade de redução do período de condicionamento das sementes de soja e, consequentemente, a obtenção mais rápida dos resultados.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O presente trabalho foi conduzido no Laboratório de Análise de Sementes do Departa-mento de Agricultura da ESALQ/USP, em Piracica-ba,SP, compreendendo quatro épocas de avaliações. Foram utilizadas sementes de soja, cultivares IAC-8 e IAC-15, cada um representado por quatro lotes que foram submetidos aos seguintes testes:

- Determinação do grau de umidade: efetuada em estufa a 105 3oC durante 24 horas, utilizando-se duas amostras para cada lote, segundo as prescrições das RAS (Brasil, 1980), sendo os resultados expressos em porcentagem.

- Germinação: realizado com quatro repetições de 50 sementes por lote, em rolo de papel Germitest, umedecido com quantidade de água equivalente a 2,5 vezes o peso do substrato, em germinador a 30oC. As contagens foram realizadas aos quatro e sete dias após a semeadura segundo os critérios estabelecidos pelas RAS (Brasil, 1980).

- Primeira contagem de germinação: conduzido conjuntamente com o teste de germinação, consistindo do registro das porcentagens de plântulas normais encontradas no quarto dia após a semeadura.

- Envelhecimento artificial: adotou-se a metodologia descrita por Marcos Filho et al. (1987). As sementes foram colocadas em caixas plásticas (gerbox) adaptadas, funcionando como mini-câmaras e contendo no fundo 40 ml de água, que foram mantidas à 41oC por 48 horas. Decorrido este período, quatro repetições de 50 sementes foram colocadas para germinar seguindo o método já descrito. A avaliação foi realizada no quarto dia após a semeadura, conforme Brasil (1980).

- Condutividade elétrica - CE I: realizado conforme a metodologia proposta pela AOSA (1983) e descrita por Marcos Filho et al. (1987). Quatro repetições de 25 sementes para cada lote, previamente escolhidas para remoção daquelas com tegumento danificado, foram pesadas com precisão de 0,01g, colocadas em copos plásticos contendo 75 ml de água deionizada e mantidas à temperatura de 20oC por 4, 8, 12, 16, 20 e 24 horas. Após cada período, a condutividade elétrica da solução foi medida em condutivímetro Digimed CD-20 e os dados obtidos para cada lote foram expressos em umhos/cm/g de sementes.

- Condutividade elétrica - CE II: seguiu-se o procedimento alternativo descrito por Loeffler et al. (1988). Quatro repetições de 50 sementes, provenientes da porção de sementes fisicamente puras e pesadas com precisão de 0,01g foram colocadas em copos plásticos contendo 75 ml de água deionizada, mantidas a 25oC por 4, 8, 12, 16, 20 e 24 horas. A condutividade elétrica das soluções foi determinada conforme descrito no ítem anterior.

- Condutividade elétrica individual: foi utilizado um analisador de sementes automático-eletrônico, modelo ASA-610, que mede a condutividade elétrica do exsudato de cada semente, estimando indiretamente a sua qualidade fisiológica. Foram utilizadas quatro repetições de 100 sementes para cada lote, oriundas da porção de sementes puras, colocando-se uma semente em cada uma das 100 células da bandeja plástica que acompanha o equipamento, adicionando-se água deionizada até equalização com o prato nivelador, conforme as recomendações do manual do equipamento (Agrosciences, 1979) e a metodologia descrita por McDonald Jr. & Wilson (1979). Em seguida, as bandejas foram colocadas em germinador a 20oC por 4, 8, 12, 16, 20 e 24 horas. Foram testadas intensidades de corrente elétrica (valores limites) de 95 a 45uA/semente, em intervalos de 5uA. O potencial fisiológico de cada lote foi representado, portanto, pela porcentagem média de sementes cujos exsudatos apresentaram corrente elétrica inferior aos valores limite pré-estabelecidos.

- Procedimento estatístico: as análises de variância foram realizadas separadamente para cada cultivar, teste, período de embebição e valor limite testado, segundo delineamento em blocos ao acaso, com quatro repetições. A comparação múltipla de médias foi realizada através do teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

- Cultivar IAC-8: Pela TABELA 1 observa-se, em ambos os estudos de condutividade elétrica de massa, um aumento na quantidade de eletrólitos liberados pelas sementes com o decorrer da embebição, fato também constatado por diversos autores (Simon & Raja-Harun, 1972; Loeffler et al., 1988; Marcos Filho et al., 1990 e Bruggink et al., 1991). No entanto, é importante observar que liberação mais intensa ocorreu no estudo II, provavelmente, em função da temperatura de condicionamento de 25oC, da condução do teste com amostras de 50 sementes sem a eliminação das danificadas.

 

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Examinando os resultados obtidos com o cultivar IAC-8 (TABELA 1), pelo sistema CE I, verificou-se que apesar das alterações na classificação dos melhores lotes em função da duração do período de embebição, houve, de um modo geral, concordância quanto à indicação da inferioridade do lote 2 em todas as avaliações. Também o método CE II (sementes fisicamente puras) possibilitou a ordenação dos lotes em níveis de qualidade fisiológica. A alta qualidade do lote 4 foi indicada em todos os períodos, embora acompanhado pelo lote 1 nas avaliações feitas com 4, 12, 16, 20 e 24 horas de embebição. Com relação ao lote deficiente, observou-se, de maneira geral, que a maioria das leituras indicou o lote 2.

Portanto, a condução do teste com sementes fisicamente puras forneceu resultados satisfatórios, em termos de separação de lotes, o que indica a possibilidade de adoção de uma metodologia menos subjetiva e mais rápida.

O exame da TABELA 2, referente aos resultados de condutividade individual para o cultivar IAC-8, revela que, de modo geral, as informações fornecidas pelo ASA-610 indicaram para as intensidades de corrente mais altas, ou seja, acima de 80 uA qualidade fisiológica superior para os lotes 2 e 4, situando o lote 1 como inferior aos demais, no período de 24 horas de embebição. No entanto, com a redução dos valores de corrente elétrica ocorreram modificações no comportamento dos lotes; assim, os limites de 75 e 70 uA, mantiveram, geralmente, os lotes 2 e 4 em posição de destaque classificando os lotes 1 e 3 como inferiores. Já nas regulagens inferiores à 60 uA o lote 2 assumiu condição de superioridade enquanto o lote 3 exibiu desempenho inferior.

 

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Portanto, em função do nível de corrente elétrica adotado, foram observadas variações na ordenação dos lotes quanto ao vigor, dificultando indicações mais precisas sobre o potencial relativo de cada lote. Também Hepburn et al. (1984) não obtiveram informações consistentes com o referido método. Por outro lado, para McDonald Jr. & Wilson (1979, 1980) a condutividade individual mostrou-se promissora para a avaliação da qualidade fisiológica de sementes de soja.

Cumpre ressaltar, contudo, que nos valores limite acima de 80uA as diferenças entre as médias dos lotes, apesar de significativas, mostraram-se pouco acentuadas, especialmente nos períodos de condicionamento mais curtos, devido a pequena concentração dos exsudatos. Desse modo, limites mais baixos associados a períodos mais longos demonstraram maior sensibilidade, ou seja, as diferenças entre as médias de cada lote foram mais perceptíveis.

Comparando-se os resultados das TABELAS 1 e 2 observou-se, de um modo geral, concordância apenas quanto à superioridade do lote 4, revelada pela maioria dos estudos pelo sistema de massa e somente não indicada no limite de 55uA. Com relação aos lotes de pior desempenho, enquanto o método de massa identificou o lote 2 em todos os períodos, acompanhado eventualmente pelo 3, o sistema individual indicou os lotes 1 e 3, respectivamente, nos limites acima e abaixo de 75 uA. Portanto, os testes de condutividade elétrica de massa e individual não forneceram informações totalmente compatíveis quanto à classificação dos lotes, mostrando divergências acentuadas. Reusche (1987) também não encontrou correspondência entre estes dois sistemas.

Através dos resultados de germinação, primeira contagem e envelhecimento artificial (TABELA 3) observa-se, de modo geral, uma separação dos lotes em diferentes níveis de qualidade fisiológica, com tendência dos testes em destacar os lotes 1 e 4 como superiores; uma separação mais eficiente não foi possível, provavelmente, pelos lotes apresentarem pequenas diferenças de qualidade.

 

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Comparando os resultados da TABELA 3 com os de condutividade de massa (TABELA 1) pode-se constatar que, de modo geral, houve eficiência semelhante quanto à identificação dos lotes de melhor qualidade fisiológica (1 e 4). Com relação aos lotes de pior desempenho, notou-se que o lote 3 exibiu maior sensibilidade às condições adversas do teste de envelhecimento artificial, revelando-se inferior aos demais; tal inferioridade só foi observada nos testes de condutividade quando foram empregados os períodos de embebição de 12 e 24 horas no sistema II e de 24 horas no método CE I. Sabe-se que o histórico de cada lote interfere na sua maior ou menor sensibilidade às diferentes condições a que é submetido em cada teste. Neste caso, tem sido relatada na literatura a dificuldade de se detectar diferenças entre lotes com níveis médios de vigor (Kulik & Yaklich, 1982).

Ainda de forma comparativa (TABELAS 2 e 3) verificou-se concordância entre envelhecimento artificial e condutividade individual nos limites superiores a 70 uA somente com relação à caracterização do lote de alto vigor (lote 4). Em contrapartida, a inferioridade do lote 3, indicada no teste de envelhecimento e primeira contagem só foi observada nas intensidades de corrente elétrica inferiores a 60 uA, que por sua vez, mostraram-se, de modo geral, ineficientes quanto à identificação do lote mais vigoroso. Portanto, as informações proporcionadas pelo ASA-610 exibiram variações na classificação dos lotes em função do limite adotado. Assim, houve dificuldade em se selecionar um único valor referência que possibilitasse a identificação precisa tanto de lotes de alta qualidade como de fraco desempenho.

Os dados referentes ao grau de umidade das sementes (TABELA 5), embora não tenham sido analisados estatisticamente, foram, de um modo geral, semelhantes para os 4 lotes estudados; este fato é importante considerando-se que a uniformização da umidade das sementes é imprescindível para a padronização das avaliações e obtenção de resultados consistentes (Marcos Filho et al., 1987 e Loeffler et al., 1988).

- Cultivar IAC-15: Os valores médios obtidos nos testes de condutividade de massa no sistema I (TABELA 4), de modo geral, indicaram posição de destaque para os lotes 1 e 3 ocorrendo pequenas variações de acordo com o período de embebição. Cabe ressaltar que o período de 4 horas mostrou-se menos sensível às diferenças de qualidade entre os lotes, o que também foi constatado por Marcos Filho et al. (1990), empregando a mesma metodolo-gia em sementes de soja. Por sua vez, o teste envol-vendo sementes fisicamente puras (CE II) revelou tendências semelhantes ao sistema I, indicando qualidade fisiológica elevada para os lotes 1 e 3 e inferior para os lotes 2 e 4 nos estudos realizados a partir da 8ª hora de embebição. Nota-se, contudo, que as leituras feitas com 4 horas de condicionamen-to identificaram os lotes 1 e 2 como apresentando, respectivamente, melhor e pior desempenho, mos-trando-se mais sensíveis que o mesmo período no sistema I. Loeffler et al. (1988) também empregan-do o método II, obtiveram separação mais eficiente dos lotes nos períodos de embebição mais longos.

 

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Os resultados referentes à condutividade individual (TABELA 5) mostraram, de modo geral, que as intensidades de corrente elétrica superiores a 75 uA forneceram informações menos detalhadas sobre a qualidade fisiológica dos lotes, destacando a superioridade do lote 3 em relação aos demais. Tal classificação não foi constatada em todos os períodos de tempo estudados, ocorrendo variações de acordo com o valor limite considerado. Períodos de condicionamento mais curtos (4 e 8 horas) só exibiram sensibilidade nas intensidades de corrente mais baixas como, por exemplo, 50 e 45 uA. O melhor desempenho do lote 3 também foi constatado nas intensidades de corrente elétrica abaixo de 75 uA, exceto com 24 horas. Com referência ao lote inferior, ocorreram algumas variações, embora a maioria dos estudos tenha indicado os lotes 2 e 4.

As regulagens de 50 e 45 uA (TABELA 5), de modo geral, classificaram os lotes 1 e 3 como superiores já no início da embebição mostrando que com a redução da intensidade de corrente elétrica (uA) foi possível a obtenção de resultados consistentes num período de tempo mais curto (4 e 8 horas). Tais períodos exibiram coeficientes de variação inferiores àqueles obtidos nas avaliações de 16, 20 e 24 horas, considerados relativamente altos para experimentos conduzidos sob condições controladas.

A análise global dos resultados obtidos com o ASA-610 (TABELA 5) mostrou, de uma maneira geral, que todos os valores de corrente elétrica testados identificaram o lote 3 como de elevada qualidade fisiológica, embora acompanhado pelo lote 1 em algumas avaliações, agrupando os lotes 2 e 4 como inferiores. Este aparelho foi considerado por Steere et al. (1981) como promissor para a indicação rápida da qualidade de sementes de soja, feijão e algodão.

Os resultados da TABELA 5 mostraram-se concordantes com aqueles obtidos no método de massa (TABELA 4) quanto à separação dos lotes em níveis de vigor. McDonald Jr. & Wilson (1979) observaram alta correlação entre leituras de condutividade de massa e individual, indicando que ambas as metodologias foram eficientes para o monitoramento dos exsudatos de sementes de soja e, consequentemente, na avaliação da qualidade fisiológica dos lotes.

Pela TABELA 6, observa-se que, de modo geral, os testes de germinação, primeira contagem e envelhecimento artificial classificaram os lotes em níveis de qualidade fisiológica, destacando desempenho superior para os lotes 1 e 3.

 

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A análise comparativa das TABELAS 4 e 6 indica que, de maneira geral, os resultados de condutividade CE I e II foram semelhantes às informações fornecidas pelos testes de primeira contagem e envelhecimento artificial em termos de separação dos lotes, conforme também constatado para o cultivar IAC-8.

Comparando-se as TABELAS 5 e 6, observam-se tendências semelhantes nos resultados de condutividade elétrica individual (ASA-610), envelhecimento artificial e primeira contagem de germinação, quando foram empregados valores limites inferiores a 65uA. Portanto, em termos de avaliação do vigor das sementes do cultivar IAC-15, os limites acima de 65uA não foram eficientes; o mesmo não foi verificado para o cultivar IAC-8, onde a separação dos lotes por este método não se revelou promissora. As intensidades de corrente elétrica acima de 70 uA indicaram a superioridade do lote 3, caracterizando os lotes 2 e 4 como inferiores concordando, portanto, com os resultados de germinação. Para sementes de soja a Agrosciences (1979) e Krzyzanowski et al. (1991) recomendaram o emprego de 90 uA para a determinação da viabilidade.

Particularmente com referência à sensibilidade dos períodos de embebição em detectar diferenças entre os lotes, nos sistemas de massa, notou-se, de modo geral, que as avaliações feitas com 4 horas apresentaram tendências nesta direção. Contudo, as diferenças entre os lotes foram mais acentuadas com o decorrer do processo de embebição, para ambos os cultivares.

Por outro lado, nos estudos com o ASA-610, informações mais precisas foram obtidas, geralmente, nos períodos mais longos (após 12 horas). Notou-se ainda, que a possibilidade de se conhecer o potencial relativo de cada lote, em curto período de tempo (4 horas), só foi viável quando foram adotadas intensidades de corrente elétrica inferiores a 50 uA. Este valor de corrente elétrica foi indicado por Krzyzanowski et al. (1991) adequa-do para avaliação do vigor de sementes de soja enquanto a Agrosciences (1979) recomenda 45uA.

 

CONCLUSÕES

A análise dos dados e interpretação dos resultados permitiram concluir que:

- a utilização do teste de condutividade elétrica pelo sistema de massa permite a identificação de lotes com diferentes níveis de vigor, revelando sua importância para um programa de controle de qualidade mais dinâmico e efetivo;

- há possibilidade de redução no período de condicionamento das sementes de soja no sistema de massa, sendo que períodos mais curtos (4 e 8 horas) podem ser utilizados para a identificação de diferenças mais acentuadas entre os lotes, enquanto que leituras realizadas a partir de 16 horas são mais sensíveis às variações de vigor das sementes;

- a condução do teste de condutividade com sementes fisicamente puras permite a separação de lotes quanto ao vigor.

- a avaliação da condutividade elétrica individual, através do ASA-610, não forneceu informações consistentes sobre o potencial relativo dos lotes, apresentando eficiência variável de acordo com o cultivar estudado.

 

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Recebido para publicação em 09.01.95
Aceito para publicação em 26.04.95