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Texto & Contexto - Enfermagem

Print version ISSN 0104-0707

Texto contexto - enferm. vol.20 no.1 Florianópolis Jan./Mar. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-07072011000100009 

ARTIGO ORIGINAL

 

Prostituição masculina e vulnerabilidade às dsts/aids

 

Masculine prostitution and std/aids vulnerability

 

Prostitución masculina y vulnerabilidad a las ets/sida

 

 

Manoel Antônio dos Santos

Doutor em Psicologia Clínica. Professor do Programa de Programa de Pós-graduação em Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Bolsista de Produtividade Científica do CNPq. São Paulo, Brasil. E-mail: masantos@ffclrp.usp.br

Correspondência

 

 


RESUMO

Estudo qualitativo, descritivo-exploratório que teve como objetivos identificar as razões que levam homens jovens a se inserirem no mercado da prostituição masculina, apreender as representações que elaboram sobre as práticas sexuais adotadas e sua percepção quanto à própria vulnerabilidade às DSTs/aids. Foram realizadas entrevistas individuais com roteiro temático semi-estruturado com 24 participantes. O material empírico foi submetido à análise temática e examinado segundo o referencial teórico de gênero. Os colaboradores referiram estar há pouco tempo na atividade e apontaram como principal motivação a busca de vantagens econômicas. Alegaram utilizar preservativo nas práticas sexuais que envolvem penetração, mas que não tomavam precauções no sexo oral. A preocupação em ocupar papel ativo na relação sexual esteve associada à tentativa de corresponder a um estereótipo de masculinidade que enfatiza poder/força/controle, dificultando a percepção da própria vulnerabilidade. A invisibilidade social que caracteriza o sexo comercial pode tornar esses jovens mais vulneráveis à infecção por DST/aids.

Descritores: Prostituição. Doenças sexualmente transmissíveis. Homossexualidade masculina. Adolescente. Assunção de risco.


ABSTRACT

This exploratory, descriptive study was carried out to identify the reasons that lead young men to enter the market of male prostitution, the representations they elaborate regarding sexual practices they adopt, and their perceptions of their own vulnerability to STD/AIDS. Data was collected through individual thematic semi-structured interviews involving 24 Brazilian male adolescents and young adults. The empirical data was then submitted to thematic analysis and examined according to the theoretical references of the area. Participants reported to having been involved in this activity for a short time and pointed out economic advantages as their main motivation for such involvement. All alleged the use of condoms in sexual practices which involved penetration, but they did not take similar precautions with oral sex. Their concern in playing the active role in sexual intercourse was associated with an attempt to match the stereotype of masculinity which emphasizes power/force/control, making the perception of their own vulnerability more difficult to see. The social invisibility which characterizes commercial sex makes these young people more vulnerable to STD/AIDS infection.

Descriptors: Prostitution. Sexually transmitted diseases. Homosexuality, male. Adolescent. Risk-taking.


RESUMEN

Estudio cualitativo, descriptivo exploratorio que tuvo como objetivos: identificar las razones que llevan a los jóvenes para entrar en el mercado de la prostitución masculina; comprender las representaciones que ellos elaboran sobre las prácticas sexuales adoptadas y sus percepciones acerca de su propia vulnerabilidad a las ETS/SIDA. Las entrevistas individuales se realizaron con la guía temática semi-estructurada con 24 adolescentes y adultos jóvenes. Los datos empíricos fueron sometidos al análisis de contenido temático y analizados de acuerdo con la teoria de género. Los participantes refirieron estar poco tiempo en la actividad y agregaron como principal motivación la búsqueda de ventajas económicas. Alegaron utilizar condon en las prácticas sexuales que implican penetración, pero no tomaban precauciones similares en el sexo oral. La preocupación en ocupar un papel activo en la relación sexual se asoció con la tentativa de corresponder a un estereotipo de masculinidad que enfatiza poder/fuerza/control, por lo que reduce la auto-percepción de vulnerabilidad. La invisibilidad social que caracteriza al comercio sexual hace que estos jóvenes sean más vulnerables a la infección por ETS/SIDA.

Descriptores: Prostitución. Enfermedades de transmisión sexual. Homosexualidad masculina. Adolescente. Asunción de riesgo.


 

 

INTRODUÇÃO

Até há pouco tempo acreditava-se que adolescentes do sexo masculino apresentavam menos necessidades de saúde do que adolescentes do sexo feminino, o que explica o predomínio encontrado na literatura de estudos com jovens mulheres, investigando aspectos relacionados à vida sexual e reprodutiva.1 Todavia, nos últimos anos houve um aumento do interesse pela inclusão dos homens na agenda de pesquisa na área da saúde, o que se refletiu em um aumento da produção científica sobre as masculinidades.

A presente investigação se apóia no referencial teórico oferecido pelos estudos de masculinidades na perspectiva de gênero.2-4 Em uma perspectiva relacional de gênero é importante considerar as diferenças do processo de socialização a que estão sujeitos homens e mulheres em nossa cultura.

Ao investigar a iniciação sexual masculina, estudo nacional mostrou que as narrativas dos jovens eram coerentes com um modo de ser homem que se faz presente no discurso de diferentes gerações. A permanência de preconceitos e estereótipos de gênero reforça a necessidade de um esforço conjunto em saúde e educação, que privilegie o protagonismo dos homens jovens em ações com vistas à promoção de saúde sexual e reprodutiva.5

Estudo evidenciou que adolescentes norte-americanos tornam-se "masculinos" por meio de um contínuo e sistemático repúdio da identidade homossexual ao longo do processo de socialização.6 Nesse contexto, o uso constante do insulto "bicha" adquire múltiplos sentidos que são, primariamente, de gênero, mas que também são sexualizados e racializados, constituindo o substrato que sustenta a homofobia adolescente. O discurso que constrói a identidade da "bicha" não é ligada apenas aos meninos homossexuais, mas também adere, temporariamente, aos adolescentes heterossexuais. Essas vicissitudes evidenciam os limites impostos pelos estereótipos de gênero à construção de uma identidade masculina, que se contrapõem às possibilidades de subjetivação em um cenário cultural de pluralidade identitária.6

Em nossa cultura e contexto socio-histórico, a socialização estereotipada dos meninos acentua determinadas crenças sobre gênero. O modelo tradicional de virilidade, dominante até há bem pouco tempo, igno-ra as necessidades afetivas e valoriza características como a competitividade, preocupação acentuada com o desempenho, dominação autoritária e opressão do gênero feminino.7 Mesmo considerando que esse tipo de comportamento vem sendo questionado na contemporaneidade, com a emergência de novos padrões de conjugalidade e a igualdade entre os gêneros encorajando novas formas de expressão do sentimento amoroso, ainda é o pilar maior da construção da identidade masculina consagrada.

Reconhece-se, atualmente, a importância de envolver os homens jovens nas intervenções de prevenção e promoção de saúde sexual.8 Todavia, ainda há pouca informação sobre o que eles pensam sobre sua própria sexualidade. É necessário discutir a especificidade da sexualidade dos homens para além de seu papel instrumental, de modo a contribuir para que sejam vistos também como protagonistas das ações da saúde sexual e reprodutiva, em uma perspectiva relacional de gênero.5 Aprofundando essa vertente, estaremos não apenas contribuindo para o avanço da discussão da sexualidade masculina, desconstruindo o olhar tradicional sobre os papéis e representações acerca do que é "ser homem"9 em nossa cultura, como também caminhando na direção de suas implicações na saúde sexual feminina.5

A partir dessas considerações, é necessário olhar para a masculinidade como resultado de uma construção social. Estudos nesse campo buscam estabelecer conexões entre a adoção de certos comportamentos pelos jovens e uma certa masculinidade hegemônica. Essas investigações também procuram identificar quais os tipos de masculinidades que são mais aceitos nos serviços públicos de saúde, apontando que são as "bem-comportadas", isto é, aquelas mais compatíveis com o modelo de masculinidade hegemônica1, o qual coincide com a heteronormatividade. A masculinidade que promove uma ruptura com tais padrões culturalmente dominantes acaba sendo excluída ou tem dificuldade de se inserir no modelo assistencial vigente. Isso nos coloca frente a um problema crítico: como promover o princípio da universalidade da oferta de serviços em saúde, de modo a abranger segmentos vulneráveis da população, como os adolescentes e jovens adultos, com sua notória diversidade sexual?

Os determinantes socioeconômicos atravessam as questões de gênero e também podem se constituir em barreiras para a acessibilidade aos serviços de saúde. Isso coloca a necessidade de articularmos gênero e classe social10 com a formação contemporânea das identidades. A relação entre vulnerabilidade e pobreza é consistente, havendo mesmo uma aparente associação entre a instabilidade profissional que atinge o jovem de camadas populares (e seus familiares) e a busca de novas estratégias de sobrevivência, nem sempre compatíveis com os ditames da lei e da moral vigentes. Esse quadro social desfavorável foi agravado a partir da década de 1980 com o advento da aids e a posterior globalização da epidemia, aumentando a vulnerabilidade das camadas populares, que têm menos acesso aos recursos e às informações em saúde.11

Nas últimas décadas nota-se a tendência de incremento de publicações relacionadas à educação e prevenção da infecção pelo vírus HIV e à saúde do adolescente e do escolar.12 O interesse pela adolescência vem aumentando na atualidade, entre outros motivos, devido à epidemia do HIV/aids, que atinge de modo significativo as pessoas nessa fase da vida.

A pandemia de aids gerou a necessidade de mudanças radiciais nos sistemas de valores que orientam e normatizam a vida sexual das pessoas.13 A crescente tendência à pauperização5 14 e juvenização da epidemia do HIV/aids é um dos fenômenos que mais tem desafiado a definição de estratégias para a promoção de saúde e dos direitos sexuais para jovens com práticas homossexuais.13 Todavia, poucos estudos se preocupam em compreender os efeitos dessa vulnerabilidade em homens, sendo ainda pouco conhecido o universo daqueles que se envolvem com a prostituição masculina. Com este termo estamos nos referindo a homens que se envolvem em relações sexuais com outros homens, visando a obter algum tipo de compensação.15 Comumente definida como a prática de entregar-se a relações sexuais promíscuas em troca de dinheiro, a prostituição exercida por homens é ainda um tema relativamente desconhecido no campo da pesquisa em saúde. Pouco tem sido estudado desde o trabalho pioneiro de Perlongher, publicado há mais 20 anos, ainda nos albores da epidemia de aids.16 Nessa vertente, abordar o universo da assim denominada "prostituição viril", assumindo uma perspectiva não-excludente e não-estigmatizante, constitui um desafio na atenção à saúde.

A vulnerabilidade individual envolve uma dimensão cognitiva e uma dimensão comportamental.17 Os fatores cognitivos estão relacionados ao acesso às informações necessárias sobre HIV/aids e sexualidade, bem como à rede de serviços disponível para a redução da vulnerabilidade à infecção pelo HIV. Os fatores comportamentais compreendem duas categorias: (1) características pessoais, que incluem: desenvolvimento emocional, percepção de risco e atitudes em relação a esse possível risco; e (2) habilidades pessoais, como a habilidade de negociar práticas de sexo seguro e o uso correto do preservativo.11

O universo da prostituição viril é duplamente minoritário e estigmatizado, seja pelo tipo de atividade comercial que os atores sociais desenvolvem, seja pela natureza homossexual do relacionamento que essa transação, na maioria das vezes, envolve. Visto de uma perspectiva de gênero, ao focalizarmos adolescentes e homens jovens pertencentes às camadas populares que se dedicam a essa atividade, buscamos no presente estudo desvelar as práticas sexuais e as concepções de risco para as infecções sexualmente transmissíveis e aids.

Desse modo, este estudo teve como objetivos: identificar as razões que levam homens jovens a se inserirem no mercado da prostituição masculina, apreender as representações que elaboram sobre as práticas sexuais que adotam e sua percepção quanto à própria vulnerabilidade às Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e HIV/aids.

 

TRAJETÓRIA METODOLÓGICA

Trata-se de um estudo descritivo e exploratório, planejado sob enfoque da pesquisa qualitativa, em que buscamos empreender uma incursão ao mundo da prostituição masculina a partir do referencial teórico oferecido pelos estudos de masculinidades na perspectiva de gênero.

Para alcançar os objetivos delineados, tomamos como universo empírico uma região específica (central) da cidade de Ribeirão Preto-SP, escolhida por ser a área geográfica que concentra a atividade de prostituição viril de rua, colocando em evidência a questão da vulnerabilidade social ao HIV. Os colaboradores selecionados foram os informantes-chave, identificados por um trabalho preliminar de mapeamento e imersão do pesquisador no campo.

Entrevistamos 24 adolescentes e jovens homens do sexo masculino, que admitiram fazer sexo com homens e/ou mulheres em troca de gratificação financeira. Esses colaboradores foram selecionados por meio de abordagem direta no local de trabalho - ruas do centro da cidade - e acompanhamento dos anúncios dos classificados dominicais dos cadernos de dois jornais de circulação diária, um de âmbito local, e outro, regional.

A seleção dos colaboradores foi operacionalizada por meio de dois procedimentos: (a) abordagem direta dos profissionais do sexo masculino, nas esquinas e calçadas onde costumam ficar à espera de clientes e (b) mediante telefonema, sendo o número obtido por meio de consulta aos anúncios publicados na seção de classificados dominicais de dois jornais.

O contato com os informantes foi antecedido por um trabalho de aproximação e imersão nos locais de circulação dos mesmos e de seus clientes, em diferentes dias da semana, em rondas noturnas realizadas por um período de, aproximadamente, seis meses. A coleta foi realizada no período de agosto a dezembro de 2007 e foi interrompida ao constatarmos a recorrência dos dados. Utilizamos um roteiro de entrevista semi-estruturado, aplicado individualmente em situação face-a-face, em uma sala reservada próxima ao local aonde os rapazes foram contatados. O local pertencia a uma organização não governamental.

Considerando a situação pouco comum a que o pesquisador se submeteu para a coleta dos dados, é importante esclarecer as especificidades inerentes a esse tipo de abordagem. A maior parte dos participantes foi contatada nas ruas, em abordagem direta, na qual nos apresentávamos, declinando nosso nome, profissão e filiação institucional. Explicitávamos, claramente, nosso propósito de pesquisa. Não encontramos dificuldades específicas para realizar essa abordagem. Deixamos claro que não haveria qualquer tipo de remuneração em troca da colaboração com o estudo, o que não constituiu obstáculo para a participação. Com os jovens que se dispuseram a participar do estudo e que estavam de acordo com as condições expostas, combinamos o melhor dia e horário para o encontro. Vários colaboradores se dispuseram a conceder a entrevista na mesma noite em que foram contatados. Seguimos uma sistemática semelhante na abordagem por telefone.

As entrevistas, com duração de aproximadamente 90 minutos, foram audiogravadas mediante o consentimento dos entrevistados e, posteriormente, transcritas na íntegra e literalmente. Os dados foram analisados por meio da técnica de análise de conteúdo temática, seguindo-se os passos metodológicos descritos pela literatura.18 Os estudos de masculinidades na perspectiva de gênero constituíram referência para interpretação dos dados.

No decurso do processo de análise procuramos identificar elementos comuns nos depoimentos, assim como aqueles aspectos considerados ímpares, que se mostraram úteis e significativos para a compreensão almejada pelo estudo. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (protocolo nº 296/2006). Seguimos os cuidados éticos quanto à preservação do sigilo em relação às informações colhidas e da privacidade dos informantes, além da obtenção do termo de consentimento livre e esclarecido de todos os participantes.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A idade dos colaboradores variou entre 17 e 29 anos, com média de 22 anos. Eram, em sua maioria, solteiros, com baixo nível de escolaridade, predominando ensino fundamental incompleto, e oriundos de famílias de camadas populares da periferia da cidade, de municípios circunvizinhos ou de outros Estados.

Da interpretação do conteúdo das entrevistas e da situação contextual dos entrevistados foram destacados dois núcleos temáticos para apresentação e discussão dos resultados: o núcleo "Tornando-se um garoto de programa", constituído pelas categorias "Motivos para entrada no mundo da prostituição" e "Percepção do exercício da prostituição", e o núcleo "Percepção de riscos associados à prática do sexo comercial".

Tornando-se um garoto de programa

Neste núcleo temático foram agrupadas as falas dos colaboradores que remetiam às questões relacionadas à introdução no universo da prostituição masculina, como idade, motivações, razões alegadas para o ingresso no sexo comercial, como caracterizavam o exercício desse trabalho e quais eram suas percepções sobre as práticas sexuais exercidas nesse contexto.

Motivos para entrada no mundo da prostituição

A maioria dos entrevistados relatou que ingressou na atividade havia pouco tempo, em média 18 meses. Comumente alegavam que haviam começado a exercer a atividade do sexo comercial após os 18 anos. Quando estimulados a descreverem - darem um nome - ao que faziam, autodenominaram-se "garotos de programa" e, menos freqüentemente, "michês" e loverboys. A pessoa que contrata seus serviços é por eles denominada de "cliente", o que reforça o caráter comercial envolvido na relação que se estabelece, marcando simbolicamente uma diferença que tentarão manter ao longo de toda a transação.

Esses dados são consistentes com os achados da literatura.16 Os garotos de programa esforçam-se para apresentarem-se como profissionais do sexo, insistindo que simplesmente oferecem algo desejado a quem, por motivos diversos (carência, solidão, fantasia) se dispõe a comprar. O motivo alegado por todos para o ingresso na atividade do sexo comercial são os ganhos financeiros auferidos do exercício da prostituição. [...] eu entrei nessa por desespero mesmo, tipo assim, por querer ajudar pai, por querer ajudar mãe [...], basicamente o que eu ganho não é só meu, entendeu? [...] 90% praticamente eu invisto na minha própria casa, em relação assim, deixar que meu pai deixe de pagar uma coisa pra que eu pague, entendeu? Então, assim, 90% nunca é pra mim (e5).

Pela regularidade discursiva com que apareceu, notamos que há um esforço para caracterizar a prática como uma atividade comercial como outra qualquer: [...] eu acho que é um negócio que a gente faz para ganhar dinheiro e pronto (e18). Uma prática sujeita a um conjunto de regras, códigos e valores, rituais performáticos e regulamentações explícitas e implícitas. Os depoimentos descortinam um rico universo simbólico que cada rapaz aprendeu a manejar e incorporou em seu cotidiano, por vezes com a disciplina de um aluno aplicado, aprendiz de um ofício que requer aprimoramento constante. Contudo, a continuidade dos relatos geralmente evidencia que o interesse financeiro muitas vezes representa apenas a faceta mais visível e aceitável da escolha por esse tipo de trabalho, havendo outros benefícios e ganhos secundários proporcionados, como o aumento do círculo de amizades e da rede social:

[...] conheço pessoas diferentes, todos os tipos de pessoas né, faço muita amizade, inclusive hoje em dia em Ribeirão eu conheço muita muita muita gente, fiz vários amigos através disso, tem pessoas que eu conheço em Ribeirão, de que eu sou muito amigo, que eu fiz o programa e depois disso a gente começou a sair assim, pra bater papo, tudo, não rolou mais esse lance de programa [...]. Acho que o maior ganho que eu tive até hoje através desse lance de programa foi as amizades que eu fiz, que não são muitas, assim, sinceras, mas as que são valem a pena (e8).

Outra motivação para justificar a prática do sexo comercial veio de um rapaz que afirmou que, inicialmente, queria amealhar recursos financeiros não apenas para garantir sua subsistência, mas para poder retornar à cidade de origem:

[...] no começo, eu não vou te mentir, foi precisão mesmo, igual eu te falei, a minha intenção era ficar aqui alguns dias, levantar um dinheiro pra ir pro Mato Grosso, só que como isso não aconteceu, eu acabei conhecendo a minha mulher, mas no começo foi mesmo assim, com a intenção de levantar o dinheiro mais rápido, né (e12).

Percepção do exercício da prostituição

Na perspectiva psicossexual, é fundamental conhecer os modos de vida, hábitos e costumes dos indivíduos que apresentam maior vulnerabilidade à contaminação pelo HIV. No intuito de resgatar aspectos da subcultura em que se constroem suas identidades, buscamos apreender como as práticas no comércio do sexo são vivenciadas pelos "michês".

Os entrevistados caracterizam seus serviços sexuais pela posição adotada durante o intercurso sexual, definida pela dicotomia "penetrar" versus "ser penetrado". Nessa perspectiva binária, a maioria define-se como "ativo", "100% ativo", "ativo liberal" ou, simplesmente, "homem", com uma minoria que admite abertamente ser "ativo e passivo" ou "apenas passivo". Essas denominações aparecem recursivamente nos discursos dos colaboradores. Na cultura brasileira o critério utilizado para determinar a orientação sexual, via de regra, não é o sexo do parceiro, mas a posição assumida no ato sexual.19 Sendo assim, em uma relação entre dois homens, somente o "passivo" (definido como aquele que é penetrado durante a relação sexual) é identificado, pejorativamente, como "bicha", "veado", "boiola", "baitola", "afeminado", "homossexual". Para os rapazes entrevistados no presente estudo, o parceiro "ativo" dessa relação homossexual é reconhecido como "homem", "cara normal", de modo que consegue manter intacta sua identidade viril consoante com o padrão cultural. O aspecto financeiro que sela o "contrato de trabalho" é um elemento fundamental na constituição e manutenção dessa crença que atribui lugares muito diferentes para o "michê" e seu "cliente", na medida que a remuneração oferece uma justificativa lógica e racional para o comportamento sexual desviante da heteronormatividade.

Nas descrições que os garotos de programa oferecem de suas práticas sexuais com os clientes observa-se uma supervalorização das características físicas e da performance sexual em detrimento dos aspectos psicológicos e afetivos presentes na relação humana. As histórias são narradas sob o viés da concretude e da corporalidade, com uso frequente de uma linguagem crua e visceral. Depreendem-se das falas o que alguns estudos designam como usos sociais do corpo19 entre indivíduos oriundos das camadas populares, que dependem intensamente da força física para garantir seu sustento. Os estudos salientam que as pessoas prestam menos atenção ao corpo e mantêm com ele uma relação menos consciente quanto mais são levadas a agirem fisicamente, pois o estabelecimento de uma relação reflexiva com o corpo é pouco compatível com uma utilização intensa do mesmo.1 Por outro lado, para o jovem do gênero masculino, o exercício da sexualidade assume um significado central no processo de construção e afirmação de sua masculinidade.11

As fontes corporais privilegiadas de prazer são identificadas como um traço pregnante nas parcerias homossexuais.13 No presente estudo percebemos que, nas camadas populares, o cotidiano árduo da sobrevivência faz o corpo emergir como a fonte de trabalho e de prazer. Não surpreende que esses dois elementos apareçam conectados no universo da prostituição viril. A ênfase discursiva dos jovens recai nas peripécias performáticas de um corpo que fascina e aguça o desejo do representante da classe social dominante, o que dá margem para que o garoto de subúrbio possa se sentir possuidor de um bem valorizado e, com isso, consiga fruir seu sustento e de sua família, e, adicionalmente, aumentar sua autoestima. As incursões noturnas representam oportunidade de conhecerem residências "chiques", quartos de motéis "equipados" e possibilidade de fruição de outros confortos que amenizam a vida opaca e cinzenta da periferia.

Por outro lado, o valor central que o corpo assume para as camadas sociais subalternas20 acaba determinando um aumento da vulnerabilidade aos agravos em saúde. Dentre as experiências mais significativas que ocorrem na juventude pobre, o desempenho sexual emerge como um dos momentos em que os jovens se encontram numa posição particularmente vulnerável. Concorrem para tanto um somatório de fatores: a pressão social a que são submetidos, por viverem em um ambiente que cobra do varão que assuma uma posição de destaque, o que se traduz, no mundo contemporâneo, na capacidade pessoal de inserção no mercado consumidor; o medo de serem descobertos em suas práticas sexuais-comerciais e, em conseqüência, estigmatizados com o possível afastamento do convívio de familiares, parceiros e amigos; o silenciamento do próprio desejo homossexual latente, que é sutilmente escamoteado ao se fazer do corpo um dispositivo maquínico de obtenção de prazer calculado; a valorização dos aspectos sensoriais e corporais dessa vivência e o pouco preparo demonstrado para outros tipos de experiência afetivo-sexual que exijam habilidade relacional e dialógica com o parceiro.

Podemos inferir que a preocupação demonstrada pelos entrevistados em ocupar um papel ativo - tanto no sentido concreto que o termo adquire na performance sexual, como na postura assumida na negociação dos termos do contrato da relação sexual vendida ao cliente - está associada à busca de um estereótipo de masculinidade que enfatiza o poder, a força e o controle. Esse fenômeno deve ser visto como parte de sua luta identitária. A submissão ao modelo de heterossexualidade compulsória, por outro lado, dificulta a percepção da própria vulnerabilidade aos riscos inerentes à prática da prostituição. Além disso, o caráter clandestino que caracteriza o sexo comercial, aliado ao relacionamento com múltiplos parceiros, torna os jovens envolvidos mais vulneráveis à infecção por DST/aids.

Visto em uma perspectiva relacional de gênero, o fenômeno da desvalorização do feminino, equacionado ao "frágil" e sexualmente receptivo, explica porque o indivíduo do sexo masculino que adota, na sua prática sexual, a posição receptiva ("passiva"), é alvo de intensa desqualificação social.6 O jovem "michê", que já sofre a discriminação pelo fato de ser pobre e morador da periferia, não pode arcar com esse estigma adicional de "bicha", o que o faz acirrar sua homofobia, levando-o a recusar terminantemente esse lugar socialmente atribuído àqueles que fazem sexo com outros homens.

Os relatos obtidos sugerem que os padrões e modelos que jovens envolvidos com a prostituição masculina utilizam para orientar a construção de seus desejos e interações com os parceiros são fortemente marcados pela tentativa de reduzir as desigualdades de poder. Essa tentativa fica implícita na posição subalterna que assumem no interior da transação comercial-sexual: a de indivíduos contratados para oferecer prazer - e que, nessa condição, não podem admitir que também desfrutam de satisfação sexual na relação que estabelecem, um tipo de prazer que claramente transcende aquela forma de gratificação mais evidente que é proporcionada pela remuneração financeira. Nossa análise mostra que, ao se oferecerem como um objeto de gozo sexual que promete aplacar as carências de sua clientela, esses rapazes procuram ocupar um lugar de prestígio social, mas, por outro lado, simultaneamente, se sujeitam a se equipararem a uma condição de "quase-coisa", de alguém que entrega seu corpo em sacrifício e, supostamente, se "deixa usar" pelo outro em troca de benesses materiais. Ao se verem investidos pelo desejo do outro, sentem-se detentores de valor e importância, qualidades que compensam sua baixa auto-estima e a fragilidade da posição que ocupam numa relação marcada pela desigualdade de poder econômico, uma vez que o dinheiro, conforme eles mesmos apregoam, é a grande mola que faz o mundo girar. É possível identificar nesse modo de se relacionar com o outro um tipo de estratégia defensiva que esses jovens lançam mão diante das injunções morais desqualificantes produzidas pelo preconceitos de classe e sexuais, o que corrobora dados obtidos por estudo sobre homoerotismo.19

Ser um garoto de programa é ter consciência de que a seiva da juventude, que sustenta o interesse sexual que alimenta o jogo erótico praticado pelos "jovens efebos" e seus "clientes maduros", é uma fonte efêmera e que pode secar em pouco tempo, o que parece gerar um sentimento de urgência que leva à percepção da necessidade de traçar uma estratégia para assegurar um futuro supostamente melhor e confortável: [...] pra mim, eu penso que é muito bom, por enquanto tá sendo muito bom, pela idade que eu tenho tá sendo muito bom, lucrativo, tô juntando um dinheiro bom, além de já ter um dinheiro bom juntado né, tô juntando mais porque cada convenção que você faz [como acompanhante de mulheres de negócio] você sempre sai lucrando, então pra mim eu acho super-bom. Mas um dia, infelizmente, vai ter que parar, porque isso não é eterno.

Outro colaborador afirmou: [...] futuramente eu penso em abrir, montar algum negócio pra mim, ou continuar nesse mesmo ramo, sendo sócio dessa pessoa [dona da agência de acompanhantes] (e11). Mas nem todos acreditam que é possível usufruir ao máximo da fonte generosa da prostituição e depois abandoná-la "saindo por cima", contando com a segurança de um bom "pé-de-meia" amealhado nos tempos da bonança. Um colaborador admitiu que: [...] a maioria não conseguiram sair dessa vida (e14).

Assunção de riscos associados à prática do sexo comercial

Neste núcleo temático foram agrupadas os relatos dos colaboradores que remetiam às questões relacionadas à assunção dos riscos envolvidos no exercício da prostituição masculina. Entende-se por assunção de riscos a exibição de certos comportamentos cujos resultados podem apresentar risco ao indivíduo ou àqueles ligados a ele. Inclui duas dimensões: uma comportamental - apresentação do comportamento de risco, e outra, atitudinal: a aceitação/admissão do risco. Portanto, ainda que sejam fenômenos interligados, é preciso diferenciar exposição ao risco de apropriação do risco.

Todos os entrevistados se identificaram, de alguma forma, como estando em risco potencial para contraírem doenças sexualmente transmissíveis e, em especial, a aids. Mas essa percepção está longe de angustiá-los a ponto de fazê-los repensar suas escolhas e abandonar a atividade em prol de outro meio de subsistência. Mesmo reconhecendo a aids como "um flagelo da humanidade", há uma distância considerável entre as representações mortíferas associadas à contaminação e a consciência plena da necessidade de se agenciarem efetivamente para adotarem estratégias de autocuidado. Apesar da percepção dos perigos a que estão sujeitos, estão longe de se apropriarem do risco, o que sugere que a conscientização, embora constitua um passo fundamental no processo de mudança de comportamento, não é suficiente para a assunção e minimização dos riscos.

De um modo geral, os entrevistados mostraram baixo nível de conhecimento sobre doenças sexualmente transmissíveis. A prática do sexo seguro, com uso do preservativo, foi de longe a estratégia mais conhecida e, conforme mencionaram, utilizada por eles para se prevenirem da infecção pelo HIV. Em geral, o uso do preservativo restringe-se ao sexo anal. Raramente é usado na prática do sexo oral e nunca no relacionamento com suas parceiras de relacionamentos estáveis. A justificativa utilizada para a negligência da proteção no sexo oral com clientes é que, habitualmente, são receptivos nessa relação, isto é, o cliente é quem pratica sexo oral com eles, logo, o risco que correm nesse tipo de prática seria nulo ou insignificante. Com as esposas ou parceiras fixas o não uso da camisinha era justificado pelo tempo de convivência e pela "confiança" que depositavam nelas.

Os rapazes relatam ainda que o contato com os clientes nem sempre culmina no intercurso sexual, pois muitas vezes o que desejam é ter uma companhia, conversar e "desabafar" seus problemas, fazendo do encontro uma espécie de consultório sentimental. Notamos um certo nível de informação assimilada, porém estão longe de uma efetiva conscientização, a qual levaria à transformação de concepções e práticas. Os resultados obtidos se assemelham aos achados de investigações realizadas com mulheres profissionais do sexo. Estudo brasileiro, realizado no município de Fortaleza, CE, demonstrou que as prostitutas não tinham conhecimento consistente quanto às DST, no que diz respeito às vias de transmissão, sinais e sintomas, e como devem ser tratadas.21

O risco de contrair o HIV certamente não é o único perigo que ronda as vidas desses rapazes. A exposição recorrente a ameaças e situações potenciais de violência é mencionada como uma sombra constante que paira sobre a prática do sexo comercial:

[...] quem faz rua ganha muito mais, mas eu não vou fazer rua, de maneira alguma; uma que o custo de rua é nem a metade do meu programa, é trinta reais e nesses trinta reais, a pessoa faz de tudo, tá exposta, e tem vez que ela faz três, quatro por noite, entendeu? Mesmo durante a semana, então assim, uma que a pessoa tá com o risco de alguém passar, pegar e nunca mais devolver no lugar, nunca mais aparecer, enfim, nunca mais você voltar pra casa. Risco de morte com certeza, então é por isso que eu prefiro ganhar pouco, mas viver (e16).

Na tentativa de minimizar os riscos são tomadas algumas precauções no exercício do trabalho como forma de reduzir os danos eventuais inerentes à prática sexual com múltiplos parceiros. Uma das saídas encontradas é o refinamento de atitudes cautelosas, incorporadas ao método de trabalho:

[...] você vai até a pessoa, porque eu não fico em rua como eu já expliquei, então eu vou até a pessoa, não tem esse negócio: ah, eu passo aonde pra te pegar?, não, eu vou até a pessoa e tal (e16).

[...] você pergunta: Você me pega aonde? Eu geralmente não faço essa pergunta: você me pega, eu já determino um lugar: eu vou estar em tal lugar (e10).

Desse modo, esses jovens imaginam que estão minimizando os riscos de perderem o controle sobre a situação ou serem surpreendidos por uma atitude que coloque sua integridade em perigo. É possível que a vulnerabilidade desses homens jovens de camadas populares com prática homossexual não incida apenas no plano físico, psicológico e social. Dá-se também no plano relacional22 e programático11, dada a inexistência de políticas públicas voltadas para a juventude que vive em situação de exclusão, particularmente para os que se engajam em padrões não aceitos de comportamento. Sujeitos estigmatizados manipulam sua identidade deteriorada, de modo a se ajustarem a condições francamente desfavoráveis de vida.22 Não surpreende, assim, o achado de que esses rapazes apresentam incongruências na utilização das práticas preventivas.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste estudo exploratório propomos escutar homens jovens de baixa renda que se inserem no mercado da prostituição masculina. As descrições e reflexões fornecidas pelas narrativas dos participantes devem ser entendidas como relatos socialmente produzidos e culturalmente situados.

Identificamos que as razões alegadas que os teriam levado a se engajar na prostituição viril são eminentemente de ordem econômica. Os resultados obtidos colocam em evidência a vulnerabilidade a que jovens homens pertencentes às camadas populares estão sujeitos em função das concepções, valores e práticas que organizam a construção da masculinidade. As representações que elaboram acerca das práticas sexuais que adotam dificultam a percepção da vulnerabilidade às DSTs/aids, bem como a assunção e minimização dos riscos. O conhecimento dessa vulnerabilidade de gênero, articulada com as outras dimensões da vulnerabilidade, fornece subsídios importantes que podem orientar o planejamento de programas de promoção e prevenção em saúde.

Os resultados obtidos corroboram achados de que, para o jovem do gênero masculino, o exercício da sexualidade tem um significado central no processo de construção e afirmação de sua masculinidade. Mesmo numa situação complexa como a colocada pelo sexo comercial, a preservação da identidade masculina é defendida com obstinação, mesmo que o jovem se veja muitas vezes caminhando no fio da navalha e sinta-se temeroso de ser reconhecido dentro do modelo de masculinidades subalternas.

 

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Correspondência:
Manoel Antônio dos Santos
FFCLRP-USP, Departamento de Psicologia e Educação
Avenida Bandeirantes, 3900,
14040-901 - Monte Alegre, Ribeirão Preto, SP, Brasil
E-mail: masantos@ffclrp.usp.br

Recebido: 15 de dezembro de 2009
Aprovação: 20 de setembro de 2010

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