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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.46 n.4 São Paulo Oct./Dec. 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302000000400026 

Diretrizes

Ginecologia

 

ABORDAGEM LAPAROSCÓPICA NA ENDOMETRIOSE DE BEXIGA

 

 

O diagnóstico de endometriose de bexiga baseia-se no quadro clínico que freqüentemente é confundido com infecção urinária. A cistoscopia faz o diagnóstico definitivo. O tratamento clínico isolado melhora os sintomas, porém a lesão persiste e volta a se manifestar tão logo o tratamento seja interrompido. O tratamento mais resolutivo é o cirúrgico, utilizando-se a videolaparoscopia. Dependendo da localização do implante, realiza-se a excisão do nódulo endometriótico ou a cistectomia parcial. Neste último caso, antes da excisão da lesão endometriótica, deve-se cateterizar os meatos ureterais, que servirão de referência para o procedimento cirúrgico. A abertura da bexiga é realizada por via laparoscópica assim como a sutura. A paciente permanece sondada por 10-14 dias. O uso de agonistas de GnRH prévio ao procedimento cirúrgico está indicado em lesões sangrantes e/ou localizadas nas proximidades dos meatos ureterais. Sob ação dos agonistas o tumor endometriótico pára de sangrar e a diminuição de volume possibilita uma intervenção mais segura, diminuindo a possibilidade de lesão dos meatos ureterais. A abordagem laparoscópica nestes casos tem se tornado um procedimento seguro e resolutivo em pacientes que apresentam endometriose de bexiga.

Foram apresentados dois trabalhos referentes à endometriose de bexiga durante o VII Congresso Mundial de Endometriose em Londres. Donnez et al. mostraram casuística de 17 casos tratados com retirada dos nódulos endometrióticos sem abertura de mucosa. Viscomi et al. mostraram em vídeo as duas técnicas laparoscópicas de abordagem de endometriose de bexiga.

Comentário

Cerca de 1% de mulheres com endometriose apresenta lesões do trato urinário (Abeshouse BS, Abeshouse G. Endometriosis of the urinary tract: a review of the literature and a report of four cases of vesical endometriosis. J Jnt Coll Surg 34:43-1960). A bexiga é o órgão mais acometido em torno de 81% (Denes FT, Pompeo ACL, Montelatto NID, Lopes RN. Ureteral endometriosis. Int. Urol. Nephrol 12:205-1980). As técnicas cirúrgicas utilizadas dependem se há ou não invasão da mucosa. Quando não há invasão da mucosa a sintomatologia referida é de aumento da freqüência urinária, dor, disúria e raramente hematúria. A cistoscopia mostra uma compressão extrínseca, porém com mucosa íntegra. O tratamento cirúrgico baseia-se na excisão do nódulo endometriótico da intimidade da musculatura do detrusor. A sintomatologia quando a lesão invade a mucosa além do aumento da freqüência urinária, dor, disúria é acrescida pela hematúria. A cistoscopia mostra o tumor endometriótico dentro do lúmen da bexiga. O tratamento cirúrgico baseia-se na excisão parcial da bexiga com a retirada do tumor.

 

Francesco Viscomi

   

Referência

• Donnez J, Nissolle M. Laparoscopic approach in bladder endometriosis. VII Congresso Mundial de Endometriose ¾ Londres - maio 2000.