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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230
On-line version ISSN 1806-9282

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.47 no.2 São Paulo April/June 2001

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302001000200005 

Panorama Internacional

Obstetrícia

 

ESTRESSE E PRÉ-ECLAMPSIA

 

 

Estudos epidemiológicos revelam risco relativo aumentado para pré-eclampsia em gestantes submetidas ao estresse intenso. A etiologia e a exata fisiopatologia da pré-eclampsia ainda são desconhecidas, tornando difícil a contestação desse achado epidemiológico. Pelo contrário, a possibilidade do estresse estar envolvido com a etiologia e fisiopatologia da pré-eclampsia é corroborado pelas principais hipóteses fisiopatológicas da pré-eclampsia de lesão endotelial, doença hiperdinâmica e maior atividade simpática. Os fatores de risco para pré-eclampsia também envolvem situações de mais estresse, tais como: primeira gestação, hipertensão arterial crônica, raça negra. Situações consideradas antiestressantes, como o tabagismo, a atividade física de lazer no primeiro trimestre também reduzem a incidência da doença. Além disso, estudos com estresse em animais mostram similaridades com a pré-eclampsia. Estresse induzido pelo frio em animais prenhes sob assoalho 0º C induzem hipertensão, proteinúria, hiperatividade simpática e alterações histológica e placentárias semelhantes a pré-eclampsia. Também o estresse induzido pelo ruído, superpopulação e imobilização determinam menor liberação de fator relaxante derivado do endotélio, hipertensão arterial, proteinúria e crescimento intra-uterino retardado. Esses dados adicionam mais uma hipótese fisiopatológica, entre tantas existentes na pré-eclampsia, uma doença enigmática, quiçá, devido ao seu caráter multifatorial. Além disso, observa-se que nem sempre os estímulos predisponentes à doença irão necessariamente provocá-la. O estresse apresenta essas mesmas características, ou seja é multifatorial e o mesmo estímulo vai gerar diferentes repercussões em função das características individuais.

Comentário

Essas evidências reforçam a necessidade de uma reflexão, pelo casal, sobre o melhor momento para o planejamento da gravidez incluindo, por pertinência neste contexto, esclarecimentos através de discussões e de debates sobre o tema, enfatizando as repercussões sobre o parto e o puerpério, principalmente para as primigestas. Diante disso, torna-se imprescindível a instituição de medidas antiestresse numa abordagem biopsicossocial da gestante de risco para pré-eclampsia.

 

NILTON HIDETO TAKIUTI
SOUBHI KAHHALE

 

Referências

1. Klebanoff M, Shiono PH, Rhoads GG. Outcome of pregnancy in the national sample of residents physicians. N Engl J Med 1990; 323:1040-1045.

2. Eskenazi B, Fenster L, Sidney S. A multivariate analysis of risk factors for preeclampsia. Jama 1991; 266:237-41.

3. Marcoux S, Brisson J, Fabia J. The effect of leisure time physical activity on the risk of preeclampsia and gestational hypertension. J Epidemiol Community Health 1989; 43: 147-52.

4. Takiuti NH. Repercussões maternas e fetais do estresse em ratas prenhes. Tese de doutorado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, agosto de 2000.

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