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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.48 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302002000100003 

Panorama Internacional

Clínica Cirúrgica

 

AVALIAÇÃO E ORIENTAÇÃO DO NÓDULO PULMONAR SOLITÁRIO

 

 

Os autores descrevem as diversas opções diagnósticas na avaliação de pacientes portadores de nódulo pulmonar solitário (NPS), salientando, além do exame clínico, a importância dos aspectos radiográficos e os fatores de risco para malignidade, como corroboradores da indicação cirúrgica precoce.

Comentário

O NPS é uma entidade clínica freqüente, geralmente identificado em pacientes assintomáticos como achado de exame, causando ao médico imenso desafio diagnóstico, pois entre as diversas possibilidades etiológicas, o câncer primário do pulmão é a mais temida.

É definido como imagem arredondada hipotransparente circundada por parênquima pulmonar normal, com diamêtro menor de 3 cm e sem outras alterações radiográficas associadas.

Diante de um paciente portador de NPS, a primeira indagação que o médico deve realizar é a respeito de exames radiográficos anteriores. Se o paciente possuir a mesma imagem em radiografia há mais de dois anos, tal lesão sugere alteração benigna, sendo as seqüelas pulmonares da tuberculose, os hamartomas e granulomas inespecíficos as causas mais comuns. Nestes casos, o paciente é acompanhado ambulatorialmente.

Se o paciente não possuir radiografia anterior, alguns parâmetros devem ser considerados a fim de se indicar a cirurgia nesta situação: antecedentes mórbidos, características radiológicas do nódulo e aspectos clínicos do doente (aptidão à cirurgia).

Nos pacientes com antecedentes de tumores malignos, tabagistas, ou com idade superior a 60 anos que apresentam NPS deve-se ter alto grau de suspeição para doença maligna, e o procedimento cirúrgico não deve ser postergado. Caso o paciente tenha antecedente de tuberculose pulmonar tratada, os nódulos neste casos podem tratar-se de seqüelas de doença específica, e se calcificados e situados nos segmentos apicais dos lobos superiores, não merecem ressecção cirúrgica.

Outro aspecto a ser considerado são as características radiográficas do nódulo, principalmente aquelas fornecidas pela tomografia computadorizada. Nódulos com limites imprecisos, sem calcificações ou com calcificações irregulares e periféricas devem ser encarados como neoplásicos e tratados operatoriamente.

Por fim, em pacientes portadores de graves disfunções cardiopulmonares pode-se utilizar outros métodos diagnósticos, tais como a biópsia transbrônquica ou a punção transparietal, porém com menor grau de positividade diagnóstica quando comparada à nodulectomia.

Em levantamento realizado na Santa Casa de São Paulo com 68 pacientes, acompanhados durante 13 anos, 33,8% dos nódulos operados tratavam-se de neoplasia maligna. Portanto, na dúvida diagnóstica, a nodulectomia deve ser sempre praticada.

 

DAVID OST
ALAIN FEIN

Referência

Saad Junior R, Ethel Filho J, D' Andretta Neto C, Lee ADW, Tseng TC, Barros SM. Resultados da toracotomia precoce no tratamento dos nódulos solitários não calcificados de pulmão. Rev Assoc Med Bras 1989; 35:23.