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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230On-line version ISSN 1806-9282

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.50 no.3 São Paulo July/Sept. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302004000300016 

À BEIRA DO LEITO
MEDICINA BASEADA EM EVIDÊNCIAS

 

Quando indicar a oxigenoterapia hiperbárica?

 

 

Milton Rodrigues Junior; Alexandre Rodrigues Marra

 

 

A oxigenoterapia hiperbárica (OHB) é uma modalidade terapêutica que consiste na oferta de oxigênio puro (FiO2 = 100%) em um ambiente pressurizado a um nível acima da pressão atmosférica, habitualmente entre duas e três atmosferas. A OHB pode ser aplicada em câmaras com capacidade para um paciente (câmara monopaciente ou monoplace) ou para diversos pacientes (câmara multipaciente ou multiplace). A oxigenoterapia hiperbárica é reconhecida como uma modalidade terapêutica que deve ser aplicada por um médico. No Brasil, as indicações foram regulamentadas pelo Conselho Federal de Medicina, mediante resolução CFM 1457/95.

As indicações para a realização da terapia hiperbárica são as seguintes:

  • Embolia gasosa

  • Doença descompressiva

  • Embolia traumática pelo ar

  • Gangrena gasosa

  • Síndrome de Fournier

  • Outras infecções necrotizantes de partes moles: celulites, fasceítes e miosites

  • Vasculites agudas de etiologia alérgica, medicamentosa ou por toxinas biológicas (aracnídeos, ofídios e insetos)

  • Lesões por radiação: radiodermite, osteorradionecrose e lesões actínicas de mucosas

  • Anemia aguda, nos casos de impossibilidade de transfusão sanguínea

  • Isquemias traumáticas agudas: lesão por esmagamento, síndrome compartimental, reimplante de extremidade amputada e outros

  • Queimaduras térmicas ou elétricas

  • Lesões refratárias: úlceras de pele, pé diabético, escaras de decúbito, úlceras por vasculites auto-imunes, deiscências de sutura

  • Osteomielite

  • Retalhos ou enxertos comprometidos

A OHB consiste em uma modalidade segura apresentando poucas contra-indicações. Os efeitos colaterais da OHB estão relacionados à variação da pressão e/ou toxicidade do oxigênio. A toxicidade do oxigênio está relacionada à dose oferecida e ao tempo de exposição ao tratamento hiperbárico. As toxicidades pulmonar (inexistente com doses clínicas de OHB) e neurológica são as mais importantes. Os efeitos colaterais da OHB são os seguintes:

  • Toxicidade pulmonar: tosse seca, dor retrosternal, hemoptóicos e edema pulmonar

  • Toxicidade neurológica: parestesias e convulsão (1:10.000 tratamentos)

  • Desconforto e barotrauma auditivos

  • Desconforto em seios da face

  • Alterações visuais transitórias

 

Referências

1. Buras J. Basic mechanisms of hyperbaric oxygen in the treatment of ischemia - reperfusion injury. Intern Anesth Clin 2000; 38:91-109.

2. Wu W, Lieber MJ. Hyperbaric oxygen therapy: ten common questions related to the management of severe necrotizing skin and soft-tissue infections. Infect Dis Clin Pract 2001; 10:429-34.

3. Tibbles PM, Edelsberg JS. Hyperbaric oxygen therapy. N Engl J Med 1996; 334:1642-8.

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