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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.52 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302006000100011 

IMAGEM EM MEDICINA

 

Donovanose vulvar sob a forma de pseudoelefantíase

 

 

Benedito Borges da Silva; Pedro Vitor Costa; Hellena Karine Dias; Simone Maria Batista

Clínica Ginecológica do Hospital Getúlio Vargas – Universidade Federal do Piauí – Teresina - PI

 

 

 

Esta imagem é de uma donovanose vulvar sob a forma crônica de pseudoelefantíase em uma mulher de 29 anos de idade. Ela relatava a doença há dois anos e que, apesar de sua progressão, não procurara recurso médico. Ao exame da genitália externa, extensa lesão vulvar hipertrófica comprometendo grandes e pequenos lábios e monte de vênus, caracterizada por edema, fibrose e pequenas ulcerações, na forma de pseudoelefantíase. Uma biópsia da lesão confirmou o diagnóstico de donovanose pela presença de corpúsculos de Donovan no espécime. Inicialmente, foi tratada com antibióticos, associação de aminoglicosídeo com tetraciclina, sem êxito. Seguiu-se, então, a ressecção cirúrgica de todas as áreas de fibrose, preservando-se o tecido normal, neste caso com cicatrização por segunda intenção, complementada com doxiciclina por 10 dias, com bom resultado cosmético pós-cicatrização.

A donovanose é uma doença infecciosa transmitida sexualmente causada pelo bacilo intracelular Gram-negativo Donovania granulomatis1. É uma doença genital incomum, de localização principalmente vulvar, e a sua progressão para a forma crônica de pseudoelefantíase é extremamente rara. O diagnóstico definitivo é baseado na visualização dos corpúsculos de Donovan na amostra de tecido1. O diagnóstico diferencial inclui microfilariose, linfogranuloma venéreo, condiloma gigante e carcinoma. Donovanose e carcinoma da vulva podem coexistir, tendo sido a donovanose considerada uma condição pré-maligna2. A pseudoelefantíase resulta da obstrução linfática secundária à resposta inflamatória crônica1 e por conter essencialmente tecido fibroso com poucos corpúsculos de Donovan1 pouco ou não responde à antibioticoterapia, requerendo ressecção cirúrgica.

 

Referências

1. Leung YC, McCartney AJ. Unusual gynaecological presentations of donovanosis as pseudoelephantisiasis and carcinoma of the cervix. Aus N Z Obstet Gynaecol 1990;30: 172-5.

2. Sengupta BS. Vulval cancer follwing or co-existing with cronic granulomatous diseases of vulva. An analysis of its natural history, clinical manifestation and treatment. Trop Doct 1981;11: 110-14.