SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.52 issue4Pré-eclâmpsia: "estado hipovolêmico" ou "conteúdo ajustado ao continente?"Ginecomastia em adultos: apenas estética? author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Services on Demand

Article

Indicators

Related links

  • Have no similar articlesSimilars in SciELO

Share


Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.52 no.4 São Paulo July./Aug. 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302006000400011 

À BEIRA DO LEITO
MEDICINA BASEADA EM EVIDÊNCIAS

 

Qual o número de pacientes diabéticos tipo 2 necessário a tratar para se evitar um evento coronariano?

 

 

O diabetes mellitus está associado a um risco substancial de morbidade e mortalidade prematura. Em pacientes diabéticos, o risco absoluto de morte por doença cardiovascular é maior (55%) do que em pacientes não diabéticos (42%)1; o hazard ratio (HR) para morte por doença coronariana, em pacientes diabéticos sem IAM prévio, quando comparado com pacientes não diabéticos com IAM, não é significativamente diferente (HR:1,4; IC 95%: 0,7 a 2,6)2. Dada a epidemiologia das complicações crônicas macrovasculares no diabetes, o manuseio do risco cardiovascular desses pacientes, através de medicamentos hipolipemiantes, tem ocupado um papel relevante no acompanhamento. Aqui, abordamos a evidência que sustenta o uso desses agentes no diabetes mellitus tipo 23, utilizando as medidas: redução de risco absoluto (RRA), que expressa o risco da ocorrência de evento coronariano no tratamento com placebo, subtraído do risco do tratamento com estatinas, e o número necessário para tratar (NNT), que expressa o número necessário de pacientes a serem tratados com estatina para se evitar um evento coronariano. Citamos o RRR, a fim de destacar o aumento de magnitude do efeito, ao qual esta última medida nos induz3. O seguimento dos pacientes é superior a três anos, e o desfecho principal descrito são eventos coronarianos principais (mortes por doença coronariana; IAM não-fatal; ou procedimentos de revascularização) 3. Então, o uso de estatinas em prevenção primária (sem evento coronariano prévio), em pacientes diabéticos, confere RRA de 2%, NNT de 50 e RRR de 20%, e em pacientes não diabéticos, 2%, 50 e 23%, respectivamente3. O uso de estatinas em prevenção secundária (com evento coronariano prévio), em pacientes diabéticos, confere RRA de 6%, NNT de 16 e RRR de 21%, e em pacientes não diabéticos, 5%, 20% e 23%, respectivamente3. A RRA obtida na prevenção secundária de pacientes diabéticos é três vezes maior do que na prevenção primária, com RRR similar. O NNT na prevenção primária de pacientes diabéticos é 50, mas devemos lembrar que 49 pacientes serão tratados sem benefício. O NNT na prevenção secundária de pacientes diabéticos é 16, e, de modo semelhante, enfatizamos que 15 pacientes serão tratados sem benefício. O NNT na prevenção primária e secundária de pacientes não diabéticos é similar: 50 e 20, respectivamente. Como podemos ver, apesar da indiscutível redução de risco obtida com o uso de estatinas, alguns pacientes, diabéticos e não diabéticos, não obtêm esse benefício. Quem são eles? A esta nova pergunta, novos estudos deverão responder.

 

Wanderley Marques Bernardo
Luiz Claudio Gonçalves de Castro

 

Referências

1. Stamler J, Vaccaro O, Neaton JD, Wentworth D. Diabetes, other risk factors, and 12-yr cardiovascular mortality for men screened in the Multiple Risk Factor Intervention Trial. Diabetes Care 1993;16:434-44.

2. Haffner SM, Lehto S, Ronnemaa T, Pyorala K, Laakso M. Mortality from coronary heart disease in subjects with type 2 diabetes and in nondiabetic subjects with and without prior myocardial infarction. N Engl J Med 1998;339:229-34.

3. Costa J, Borges M, David C, Carneiro AV. Efficacy of lipid lowering drug treatment for diabetic and non-diabetic patients: meta-analysis of randomised controlled trials. BMJ 2006 Apr 24; [Epub ahead of print].