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Revista da Associação Médica Brasileira

Print version ISSN 0104-4230On-line version ISSN 1806-9282

Rev. Assoc. Med. Bras. vol.53 no.5 São Paulo Sept./Oct. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302007000500008 

À BEIRA DO LEITO
MEDICINA BASEADA EM EVIDÊNCIAS

 

Hiperidrose vs sudorese compensatória: benefício de um tratamento ou risco de um novo problema?

 

 

Adriana P. C. Barrichello; Luiza B. Cecílio; Rosangela Monteiro; Fabio B. Jatene; Wanderley M. Bernardo

 

 

A hiperidrose essencial ou primária é um problema que afeta de 0,5% a 1% da população. A simpatectomia por videotoracoscopia tem sido um método bastante utilizado para o tratamento definitivo, mas tem a sudorese compensatória como uma complicação bastante freqüente. Esta complicação pós-operatória caracteriza-se por um aumento da sudorese em outras partes do corpo, como dorso, abdome e coxas.

Com o objetivo de avaliar a informação científica disponível sobre a sudorese compensatória após a simpatectomia, foi realizada busca na base Medline (última data: 08/08/2007), utilizando como descritores hyperhidrosis/surgery AND randomized controlled trial, com a recuperação de 11 estudos.

Foram selecionados, pelo título e resumo, quatro ensaios clínicos randomizados (ECR) diretamente relacionados com a dúvida clínica. A avaliação crítica inicial, utilizando o escore JADAD1, identificou que nenhum destes estudos pôde ser validado como ECR (três com JADAD 0, e um com JADAD 2). Apesar disso, os resultados aqui serão levados em conta.

Os desfechos considerados foram presença ou ausência de sudorese compensatória e sua intensidade.

Os dados dos quatro estudos2-5 foram agrupados conforme o nível informado da simpatectomia, obtendo-se uma amostra de 1426 pacientes, sendo 678 simpatectomizados ao nível de T2, e 748 de T3.

A sudorese compensatória ocorreu em quase todos os pacientes (97,2% no grupo T2 e 96% no T3), sendo que esta diferença discreta entre os dois níveis não foi significativa. Analisando o desfecho, segundo a intensidade, observou-se que a sudorese compensatória foi moderada a importante em 45% dos pacientes cujo nível da realização da simpatectomia foi em T2 e, em 19%, no nível T3. A redução de risco absoluto (RRA) de 26% (IC95% 21,5 a 30,5) obtida com a intervenção em nível de T3 pode ser traduzida como sendo necessário tratar quatro pacientes para se obter um benefício quando comparado à intervenção em nível T2 (IC95% 3 a 5).

A análise crítica permite identificar algumas limitações importantes, que comprometem a validade interna dos estudos, como:

– seguimento dos pacientes por período curto de tempo;

– ausência de cálculo da amostra em todos os estudos;

– estrutura das publicações se aproxima de série de casos, com intervenções e resultados distintos comparados.

Diante do exposto, pode-se afirmar que a sudorese compensatória é um efeito adverso freqüente que faz parte do resultado pós-operatório da simpatectomia no tratamento da hiperhidrose. Os pacientes devem ser orientados quanto à certeza dessa manifestação clínica, em que, no melhor cenário, de cada cinco pacientes operados, um evoluirá com sudorese moderada ou importante, que por sua vez é mais freqüentemente observada quando a simpatectomia é realizada em nível de T2, quando comparada a T3. Deve-se esperar, ainda, que os instrumentos de avaliação de qualidade de vida, centro da expressão do benefício, incluam, de maneira destacada e adequada, a avaliação da sudorese compensatória, sobretudo nas formas moderada e importante.

 

Referências

1. Jadad AR, Moore RA, Carroll D, Jenkinson C, Reynolds DJ, Gavaghan DJ, et al. Assessing the quality of reports on randomized clinical trials: Is blinding necessary? Control Clin Trials. 1996;17:1-12.

2. Munia MAS, Wolosker N, Kauffman P, Campos JR, Puech-Leão P. A randomized trial of T3-T4 versus T4 sympathectomy for isolated axillary hyperhidrosis. J Vasc Surg. 2007;45:130-3.

3. Yazbek G, Wolosker N, Campos JRM, Kauffman P, Ishy A, Puech-Leão P. Palmar hyperhidrosis-which is the best level of denervation using video-assisted thoracoscopic sympathectomy: T2 or T3 ganglion? J Vasc Surg. 2005;42:281-5.

4. Yoon SH, Rim DC. The selective T3 sympathicotomy in patients with essential palmar hyperhidrosis. Acta Neurochir (Wien). 2003;145:467-71.

5. Reisfeld R. Sympathectomy for hyperhidrosis: should we place the clamps at T2T3 or T3T4? Clin Auton Res. 2006;16:384-9.

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