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História, Ciências, Saúde-Manguinhos

Print version ISSN 0104-5970On-line version ISSN 1678-4758

Hist. cienc. saude-Manguinhos vol.5 no.1 Rio de Janeiro Mar./June 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-59701998000100008 

FONTES

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1 Esta informação foi em parte traduzida da Biblioteca histórica, Lisboa, 1801, p. 58.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2 Ensaio sobre febres d’Angola, Lisboa, in-8°, 1802.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3 Tratado de educação física dos meninos, 1 vol. In-4°,1790; Tratado de educação física para uso da nação portuguesa, por Francisco de Mello Franco, 1 vol. In-4°, Lisboa, 1791; Ensaio sobre as febres do Rio de Janeiro, 2a ed., Lisboa, 1 vol., 1829; Elementos de higiene, 3a ed., 1823.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4 Ver Revista trimestral, t. II, p. 500.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

5 Araruta, em inglês no original. (N. do T.)

 

Um inventário pioneiro
de biografias para os
historiadores das ciências

A pioneering
catalogue of biographies
for science historians

 

     Du climat et des maladies du Brésil é dividido em quatro seções: Climatologia, Geografia Médica, Patologia Intertropical e Estatística Médica. Os capítulos aqui apresentados pertencem a esta última seção e mostram como é amplo seu conceito de estatística; muito mais do que mero censo factual (população, mortalidade, águas minerais, estabelecimentos médicos e científicos etc.), a seção abrange também a descrição dos fatos e sua avaliação, quase obrigatoriamente positiva, pois o livro é dedicado a d. Pedro II, "protetor esclarecido das ciências e das artes" e, para Sigaud, responsável, "em seus 15 anos de reinado" (e a despeito de seus parcos 19 anos), por profundas transformações civilizadoras.
     Já na dedicatória aparece uma marca constante em todo o livro, uma grafia em português que bem pode ser chamada de aleatória: assim, a despeito do espírito cortesão de Sigaud, Pedro II é chamado de Pedre II, assim como Lavradio é Lapradio, Paranapiacaba é Paranaplacaba, e assim por diante. Considerando-se o longo tempo vivido no Brasil e sua intensa atividade editorial, chama a atenção este descaso.
     Mas isso é problema para o tradutor. Para o leitor, importante é que por mais breves que sejam as biografias aqui apresentadas, nelas sempre se pode descobrir marcas do trajeto histórico brasileiro, algumas delas inusitadas. É o caso do primeiro biografado, Jacob de Andrade Velosino, nascido em Pernambuco (ou Fernambouc, na grafia de Sigaud) três anos após a expulsão dos holandeses e que foi estudar em Amsterdã, estabelecendo-se depois em Haia, onde adquiriu grande reputação. Esta incomum adesão aos conquistadores expulsos de alguma forma relativiza o anátema lançado sobre Calabar. É o caso da biografia de frei Leandro do Sacramento, que nos dá um vislumbre sobre a tentativa de implantar a cultura do chá no Rio de Janeiro, tentativa que termina com a volta dos trabalhadores chineses, desgostosos, a Macau. É o caso da biografia de José Bonifácio, centrada em seus trabalhos como naturalista e nos comentários sobre suas atividades como intendente de polícia no Porto, onde se destaca pela defesa dos interesses daqueles que aderiram aos franceses, no período da invasão de Junot. É o caso de Manuel da Câmara, que criou as forjas reais em 1809, entre Tijuco e Ouro Preto.
     Dividida entre biografias de médicos, naturalistas e cirurgiões, a lista valoriza tanto os feitos científicos como as proezas cortesãs, e as condecorações, cargos, mandatos, atividades junto à família real são critérios tão favorecidos quanto as obras médicas escritas. Assim, não se percebe se Francisco de Mello Franco aí aparece como o maior médico brasileiro por seu "talento como prático", por suas "maneiras elegantes e polidas", por suas obras poéticas ou por ter curado a condessa de Óbidos e acompanhado a princesa Leopoldina ao Brasil, numa migração funesta que só lhe trouxe infelicidades. Limitando-se a personagens já mortos na época de sua elaboração, a lista deixa de fora, obrigatória e também convenientemente, os contemporâneos de Sigaud, muitos deles formados pelas escolas brasileiras (a primeira delas, na Bahia, foi criada com a vinda de d. João), e, com isso, indica as preferências universitárias da época: Coimbra, claro, mas também Montpellier e Edimburgo; as viagens pelos centros europeus, após a formatura, são também valorizadas, e o reconhecimento nos mesmos é trunfo muito valorizado. Num caso em que isto não acontece, o de frei Leandro do Sacramento, Sigaud apela para Auguste de Saint-Hilaire, que, ao afirmar que os "sábios não foram perfeitamente justos com frei Leandro", sana esta falha, em sua qualidade de sábio e de europeu.

 

Sergio Goes de Paula
Pesquisador da Casa de Oswaldo Cruz
Rua Inglês de Sousa 271
22460-110 Rio de Janeiro — RJ Brasil
E-mail: goesdepaula@ax.apc.org

 

QUARTA SEÇÃO — CAPÍTULO XI
BIOGRAFIA DOS MÉDICOS, CIRURGIÕES E
NATURALISTAS DO BRASIL

 

Médicos
Jacob de Andrade Velosino
     Nascido em Pernambuco, em 1657, foi fazer seus estudos em Amsterdã, após a expulsão dos holandeses do Brasil; estabeleceu-se como médico em Haia, onde adquiriu grande reputação. Gozou de grande fama em Anvers, onde praticou por longos anos. Influenciado pelo espírito de controvérsia da época, escreveu um livro, O teólogo religioso, cheio de invectivas contra Spinoza; e, mais tarde, outras duas obras, Messias restaurado e Epítome de Moisés.

Simão Pinheiro Morão
     Doutor em Salamanca, exerceu em Pernambuco a profissão de médico com rara habilidade; ali morreu em 1687. Deixou duas obras, a saber: Tratados das bexigas e do sarampo, Lisboa, 1683; e Queixa contra os abusos medicos que nas partes do Brazil se observão. Escreveu com o nome de Romão Mosia Reinhipo, seu anagrama.

Simão Pereira de Sá
     Nascido no Rio de Janeiro em 1701, publicou, em 1729, uma Topografia do Rio de Janeiro.

João Ferreira da Roza
     Médico do rei, praticou em Pernambuco por todo o tempo em que governou o marquês de Montebello. Observou nesta época uma epidemia grave, cuja relação nos conservou na obra intitulada Tratado único da constituição pestilencial de Fernambouc em que traz preservativos e remédios para o dito mal (1694).

Matheus Saraiva
     Nascido em Lisboa, em 1723 veio se estabelecer no Rio de Janeiro. Dedicou-se ao estudo das doenças e das plantas da região, tornou-se médico do Paço e do distrito do Rio de Janeiro. Apresentou à Academia dos Felizes desta cidade, composta de trinta membros, uma série de Memórias: Desempenho da medicina; Medicina brasílica (duas partes, a primeira em quatro livros e a segunda em dois); e Memória sobre a temperança.

Luiz Gomes Ferreira
     Exerceu por mais de vinte anos a medicina em Minas Gerais. Deixou uma obra original: Erário mineral (Lisboa, 1735).

Diego Soares
     Deixou-nos a História natural do Brasil.

Frei Velloso, botânico
     O frei José Mariano da Conceição Velloso nasceu em 1732, na cidade de São José, província de Minas Gerais. Ocupou inicialmente a cadeira de filosofia e de geometria no convento de sua ordem na província de São Paulo; mas um começo de tísica o impediu de continuar os deveres do magistério. Então se dedicou à história natural, e, guiado pelo interesse da ciência, realizou úteis incursões botânicas, percorrendo as florestas, as montanhas e as praias da província do Rio de Janeiro ao longo de oito anos, sem perder a coragem em suas pesquisas e sem medo dos precipícios da serra de Paranapiacaba, semelhante a Lineu quando visitava os de Blakulla, na Suécia, explorando passo a passo o distrito de Paraty, da mesma maneira que esse sábio havia percorrido a Dalécarlie naquele reino do Norte. A despeito de uma oftalmia que durou oito meses, contraída durante uma viagem que realizou às 15 ilhas do rio Paraíba do Sul, durante a qual se dedicou igualmente a trabalhos filosóficos e apostólicos, já que se ocupava da conversão dos índios da nação Arari, os mesmos denominados tamoios por Jean de Laet, senhores da região hoje conhecida como Rio de Janeiro; apesar de uma série de incômodos físicos, resultado da dedicação em suas viagens literárias, chegou a classificar, segundo o sistema de Lineu, duas mil plantas, a maior parte de gêneros e espécies novas. Esta obra, escrita em latim, tem como título Flora fluminensis — Enumeração das plantas que nascem espontaneamente no distrito da capitania do Rio de Janeiro. Esta sofreu atrasos até o ano de 1801, devido às pranchas, que inicialmente foram gravadas em Veneza sob a direção do abade Santini; porém a morte deste eclesiástico suspendeu sua execução. Com a esclarecida proteção do ministro conde de Linhares, foi organizada uma oficina de calcografia com vinte gravadores aprendizes; possui-se uma coleção de desenhos representando a maior parte das plantas do Brasil, algumas das quais figuram na sua Flora halográfica. Deve-se a este infatigável botânico uma série de obras e de traduções publicadas a favor do comércio e da agricultura das colônias portuguesas, e muitas Memórias sobre história natural, pintura, arquitetura e gravura. Como filósofo e orador cristão, possui-se alguns de seus discursos.1 Frei Velloso sucumbiu em decorrência de seus trabalhos, deixando uma herança científica na qual figuram Flora do Rio de Janeiro, Paládio português, a Cultura americana, a Flora halográfica, os Anais das ciências, a Memória sobre a pimenta-negra da Índia, publicada em 1798, e uma série de pesquisas sobre as produções naturais de seu país.

José Pinto de Azeredo
     José Pinto de Azeredo, cavaleiro da Ordem de Cristo, doutor em medicina pela Universidade de Edimburgo, membro da Sociedade Harveyana da mesma cidade, da Academia Real de Ciências de Lisboa, médico de d. Maria I, rainha de Portugal, nasceu no Rio de Janeiro em 1763. Após ter tido lições de latim, filosofia moral e retórica com o prof. Alvarenga, foi para a Escócia estudar medicina sob a direção de Cullen e de Duncan, recebendo o grau de doutor em 1787. Uma memória que apresentou na Sociedade Harveyana de Edimburgo foi premiada, sendo o prêmio concedido pelo célebre Duncan, presidente da mesma sociedade, na seção pública anual de 1788. Esta memória era uma verdadeira dissertação sobre as propriedades químicas e médicas das substâncias chamadas litotrípticas. À época de sua publicação, a Memória oferecia um grande interesse: demonstrava claramente que existiam cálculos renais que se dissolviam com o uso de certas bebidas, mas antes de empregá-las era necessário conhecer a natureza destes cálculos. Uma série de mais de cem experiências tentadas pelo autor para avaliar as qualidades químicas dos cálculos foi então uma novidade científica que valeu à obra e a seu autor uma merecida reputação.
     De volta ao Rio de Janeiro, o dr. José Pinto de Azeredo consagrou-se à prática da medicina. Em 1792, visitou Lisboa, e pouco tempo depois foi nomeado médico-chefe do reino de Angola. A reforma dos hospitais, um curso de clínica, a prática na cidade, foram objeto de suas constantes ocupações durante os anos de sua residência em São Paulo de Luanda. De volta a Portugal, publicou uma obra, fruto de suas observações práticas em Angola, sobre a disenteria, as febres intermitentes e o tétano.2 Seus métodos de tratamento baseavam-se no emprego de evacuantes e de quina nas febres endêmicas da região, de purgativos na disenteria, e de ópio e mercúrio simultaneamente no tétano. Sua reputação médica valeu-lhe, em sua volta, a honra de ser escolhido pela rainha Maria I para médico do Paço; quando, em 1807, fazia seus preparativos de partida para acompanhar a família real ao Brasil, um ataque de apoplexia pôs fim a seus dias e para sempre o privou de rever seu lar.

Francisco de Mello Franco
     Francisco de Mello Franco, bacharel em medicina pela Universidade de Coimbra, membro e vice-secretário da Academia Real de Ciências de Lisboa, médico honorário do rei d. João VI, nasceu em Piracatu, província de Minas Gerais, em 17 de setembro de 1757. Aos 13 anos, foi enviado a Coimbra para estudar belas-letras e medicina. Seu espírito vivo, fecundo e caprichoso acarretou-lhe a perseguição dos ignorantes, que o acusaram de heresia e o fizeram prender por quatro anos nos cárceres da Inquisição. Foi em meio às torturas e angústias de um encarceramento tão injusto quanto horrível que o jovem poeta escreveu suas elegias, Nuits sans sommeil, nas quais descreve com raro talento as misérias da espécie humana, o aviltamento dos defensores da fé e a crueldade daqueles padres algozes, que sacrificam a inocência a seus menores caprichos. Uma pobre dama, presa pela mesma razão, suportou com tanta coragem os castigos do cativeiro, que Francisco de Mello, tocado por seu devotamento, casou-se com ela assim que se viu em liberdade (Ver ‘Elogio histórico de Mello Franco, pelo dr. Jobim’, Semanário de Saúde Pública, p. 107). O jovem poeta comemorou sua saída das prisões da Inquisição com um poema intitulado Royaume de la stupidité, sátira viva aos professores de Coimbra e aos padres do Santo Ofício, que obteve tão prodigioso sucesso que valeu a destituição daqueles homens ignorantes que haviam sido seus opressores.
     Mello Franco, ao se tornar bacharel em medicina, foi forçado a se estabelecer em Lisboa; ali iniciou sua carreira com a cura da condessa de Óbidos, feito que lhe valeu nome, reputação e fortuna em trinta anos de clínica na capital de Portugal. Em 1817, d. João VI nomeou-o médico da princesa Leopoldina, e nesta qualidade acompanhou a futura imperatriz do Brasil, de Livorno ao Rio de Janeiro. Estabelecido nesta capital, logo sentiu a funesta influência da mudança de clima e de hábitos, acrescida da perda de sua fortuna e de outras causas em parte políticas. Sua saúde rapidamente se alterou, a ponto de, numa viagem à província de São Paulo, ser obrigado a buscar abrigo em Ubatuba, onde expirou no dia 22 de julho de 1823.
     Mello Franco publicou em Lisboa um excelente tratado sobre higiene, e sobre a educação física das crianças. Em sua estada no Rio de Janeiro, escreveu um tratado sobre as febres desta cidade. Seu espírito culto, seu talento como poeta e como prático, suas maneiras elegantes e polidas lhe valeram a estima geral, e deve ser considerado um dos mais notáveis médicos do continente americano, se é que a posteridade não lhe dará o primeiro lugar em seu país.3

Manoel Arruda da Camara
     Manoel Arruda da Camara, nascido em Goiana, província de Pernambuco, em 1768, fez seus estudos na Universidade de Montpellier, onde, em 1791, diplomou-se doutor em medicina. Assistiu às lições de botânica do prof. Gouin, aluno e amigo de Lineu; e no exercício da profissão, em Goiana, seu principal trabalho foi sempre sobre a flora de sua cidade natal. Temos muitas memórias deste médico naturalista, a saber: ‘Memórias sobre as plantas de que se pode extrair a barrilha’, inserida nas Memorias economicas da Academia de Lisboa, t. IV; Dissertação sobre as plantas do Brasil das quais se pode obter substâncias fibrosas próprias a diversos usos da sociedade, e que podem substituir o cânhamo, pesquisa feita por ordem do príncipe-regente, publicada em 1810 no Rio de Janeiro, em português, brochura in-8°. A outra brochura tem por título Ensaio sobre a utilidade de estabelecer jardins nas principais províncias do Brasil para a cultura das plantas recentemente descobertas, Rio de Janeiro, 1820.
     O dr. Manoel Arruda da Camara faleceu em 1810, em Goiana, de hidropisia, por residir em um distrito propenso a febres. Morreu na flor da idade, antes de ter completado a Flora de Pernambuco, da qual apenas descreveu uma centena de plantas, e deixando um manual de lógica e metafísica, e uma Memória sobre o algodão-nanquim.

Leandro do Sacramento, botânico
     Frei Leandro do Sacramento, carmelita, nascido em Pernambuco, morreu no Rio de Janeiro, em 1826. Eis o resumo de seus trabalhos, feito por Auguste de Saint-Hilaire em Voyage au Brésil:
     "Frei Leandro do Sacramento, professor de botânica, diretor do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, cultivava com sucesso a ciência que estava encarregado de ensinar, e possuía ainda conhecimentos de química e zoologia. Deve-se a ele a análise das águas minerais de Araxá (em Eschwege, neue Welt, t. fl, p. 74), observações botânicas impressas na coleção das memórias da Academia de Munique e uma Memória sobre as arquimedeas ou balanoforáceas. Era um homem de maneiras suaves e de fácil trato, cheio de candura e amabilidade. Recebia os estrangeiros com benevolência, e, é preciso dizer, não teve o merecido reconhecimento. Os brasileiros, para justificar as críticas que algumas vezes fazem aos europeus, poderiam citar a maneira como frei Leandro foi tratado. Partilhou suas coleções com nossos navegadores; enviou plantas secas ao Museu de Paris; expediu seis caixas de plantas vivas para o governo francês da colônia de Caiena; e foi em vão que, durante muito tempo, eu e o cônsul da França no Rio de Janeiro solicitamos uma simples carta de agradecimento a dois de nossos governos; os sábios, que, se amassem as ciências por elas mesmas, deveriam, por todos os meios possíveis, encorajar os americanos, de onde há tanto a esperar; os sábios, dizia eu, não foram perfeitamente justos com frei Leandro."

Raddi, botânico de Florença
     Consagrou um gênero a frei Leandro em sua Flora do Rio de Janeiro. O botânico brasileiro publicou, em 1825, uma Memória sobre a cultura do chá. As primeiras sementes do chá da China foram introduzidas no Brasil em 1812, pelo chefe de divisão Luis de Abreu, ao voltar de Macau; foram semeadas no Jardim Botânico da lagoa de Freitas. Três mestres plantadores chineses e alguns operários com os utensílios necessários para a fabricação do chá foram trazidos de Macau, graças aos cuidados do conde da Barca. O primeiro chá colhido foi oferecido a d. João VI; era então puro objeto de curiosidade, assim como em Londres em meados do século XVII. Considerado artigo de luxo, o chá foi abandonado a um canto do Jardim Botânico, apesar dos esforços do inspetor, o brigadeiro João Gomes da Silveira Mendonça. Os trabalhadores chineses, desgostosos, voltaram a Macau, permanecendo um ou dois no Rio de Janeiro. Alguns anos mais tarde, frei Leandro deu novo impulso a esta cultura, ensinando os procedimentos a serem seguidos na plantação e na colheita das folhas que, na cidade do Rio de Janeiro, deve ter lugar no final de setembro e ao longo de outubro. A Memória de frei Leandro serviu de manual aos plantadores de chá, que seguiram exatamente seus preceitos; entre estes estava José Arouche de Toledo, que propagou a cultura em São Paulo, onde, já em 1834, se recolhiam 6.336 libras, recolhendo-se, hoje, numa colheita comum, o dobro. Frei Leandro nunca deixou o Brasil; tudo deveu a si mesmo e soube, por seus conhecimentos, adquirir uma reputação de cientista justamente merecida.

Alexandre Rodrigues Ferreira, naturalista
     Nascido na Bahia, em 27 de abril de 1756, foi de início destinado à carreira eclesiástica, tendo sido enviado por seu pai a Coimbra, em Portugal. A reforma da universidade desta cidade o desviou da teologia em favor da história natural. Mal havia terminado o segundo ano, já era demonstrador e havia recebido um prêmio acadêmico. Nos cinco anos de sua estada em Lisboa, dedicou-se a diversos trabalhos úteis para o exame das minas de carvão-de-pedra em Buarcos, em parceria com seu compatriota João da Silva Feijó, à descrição do Museu da Ajuda e a uma série de experiências químicas e físicas. Nomeado, em 22 de maio de 1780, correspondente da Academia de Ciências de Lisboa, partiu em viagem de exploração do Brasil três anos depois, em setembro de 1783. Chegando a Belém, capital do Pará, em outubro, começou por visitar a ilha de Joanes; de lá subiu os rios Madeira e Guaporé, e percorreu o Mato Grosso, Cuiabá e as serras de Canuaru. Descreveu as doenças destas paragens e a história da nascente civilização dos muras. Nove anos se passaram nesta viagem de exploração; ao voltar ao Pará aceitou o posto de auditor e, em setembro de 1792, uniu-se em matrimônio a d. Germana de Queiroz, de quem teve duas filhas e um filho. De volta a Lisboa, um ano depois, foi nomeado, primeiro, secretário do Ministério da Marinha e, logo depois, administrador do Real Gabinete de História Natural, do Jardim Botânico e de suas dependências. Durante os 21 anos em que viveu nessa capital, onde foi condecorado e nomeado deputado do comércio, pôs em ordem seus trabalhos de história natural e filosofia. Suas Memórias sobre a civilização dos índios, sobre a geografia do Brasil etc., que somavam mais de cem, atestam a infatigável atividade de seu espírito, a profundidade e a variedade de seus conhecimentos. Uma doença melancólica o arrebatou, em 23 de abril de 1815, de sua família, do Estado e das ciências.4

Leal de Gusmão etc., etc.
     Entre os médicos de reconhecido mérito e que pertencem ao Brasil, devo mencionar Leal de Gusmão, do Rio de Janeiro, doutor em medicina por Montpellier, sábio teórico e prático hábil; o dr. José Francisco Leal, brasileiro, que foi professor de matéria médica em Coimbra e publicou Elementos de farmácia; o dr. Domingos Félix dos Santos, nascido no Rio de Janeiro, estudante em Edimburgo, que cumpriu honradamente seus deveres; Manoel Joaquim Henriques de Paiva, que, embora nascido em Portugal, exerceu por longos anos sua profissão na Bahia e que se pode acrescentar ao número de práticos do país. Fez parte da academia fundada sob os auspícios do marquês do Lavradio; publicou no Rio de Janeiro um Dicionário de botânica segundo o sistema de Lineu, traduziu Buchan, Fourcroy, compôs elementos de química e foi redator do Journal Encyclopédique. O dr. Jacinto José Quintão, doutor por Montpellier, publicou no Rio de Janeiro, seu estado, uma classificação das plantas da região, uma Memória sobre a água da Inglaterra e artigos de química no Patriota. O dr. Vicente Gomes Ferreira, do Rio de Janeiro, foi aluno de Gouin em Montpellier. Versado em botânica, participou das pesquisas do dr. Bernardino Antonio Gomes; dele se tem uma obra manuscrita sobre as plantas medicinais do Brasil. O dr. Havelino Barboza, da Bahia, deputado na Assembléia Legislativa, estudou em Edimburgo; em seguida, foi a Paris assistir às lições de Bichat; de lá percorreu a Alemanha e veio exercer a medicina na Bahia, onde morreu há poucos anos, professor da Faculdade de Medicina dessa cidade. O dr. Gomides, de Sabará, na província de Minas Gerais, doutor pela Universidade de Edimburgo, morto há dez anos como senador do Império, homem de espírito e de ciência, poeta e político instruído, publicou, em 1814, uma brochura sobre a catalepsia de sua irmã Germana. Nesta lista deve se acrescentar os nomes dos doutores Couto, de Minas Gerais, Muzzi, de Porto Alegre e José Maria do Amaral, professor da Academia de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, tradutor de Cullen, e, finalmente, José Maria Bomtempo, médico do Paço, autor de diversos opúsculos de medicina.

José Lino Coutinho
     Nasceu na Bahia, em 1786; logo que terminou o curso de letras ingressou na Universidade de Coimbra, onde estudou medicina e obteve o grau de bacharel. Após curta estada na França e na Inglaterra, o sr. Lino Coutinho fixou-se em sua cidade natal, onde não demorou a merecer a estima geral, e em pouco tempo adquiriu a reputação de médico distinto. Uma surpreendente rapidez de concepção e uma eloqüência brilhante trouxeram-lhe sucesso, e valeram-lhe a eleição para deputado na Assembléia Legislativa, em 1826. Antes já havia aparecido com brilho na cena política, pois a participação ativa na emancipação de sua província levou-o a ser nomeado membro da junta provincial da Bahia, e, mais tarde, deputado nas Cortes de Portugal. Nomeado conselheiro e médico honorário do imperador d. Pedro I, com dignidade conciliou esta função com a de deputado; por ocasião da revolução de 7 de abril de 1831, seus talentos, seu espírito reto e vivo, sua probidade chamaram a atenção da Regência, que o nomeou ministro do Império. Os múltiplos trabalhos das Câmaras e do Ministério abalaram profundamente sua saúde, a ponto de ser obrigado a pedir aposentadoria, buscar o repouso e a saúde em sua cidade natal e tentar nova viagem à França em busca de um remédio eficaz para as dores agudas que o atormentavam. Mas o rigor do clima da Europa traiu suas esperanças; logo se achava de volta ao mar, tornando ao lar com o coração despedaçado, o corpo maltratado pelos ferimentos, esquecido dos seus, e, no meio da tormenta política, dos empregos e do exercício de sua profissão tantas vezes interrompida, ficou sem fortuna mas não sem honra, condição comum a muitos médicos de todos os séculos e de todos os países. Lino Coutinho faleceu a 21 de julho de 1836, em decorrência de um reumatismo gotoso. Dele se tem diversos escritos sobre as águas minerais da Bahia, sobre a doutrina de Broussais, sobre a organização das escolas de medicina e uma série de trabalhos parlamentares; mas a estes últimos, que justificam seu saber, falta o brilhante colorido de sua eloqüência ao ocupar a tribuna.

José Joaquim de Carvalho
     Nascido no Rio de Janeiro, em 1° de agosto de 1775, membro honorário da Academia de Medicina desta cidade, senador do Império, faleceu no dia 4 de maio de 1837, aos 72 anos. Após terminar os primeiros estudos em seu país, partiu, aos 18 anos, para a Universidade de Coimbra e de lá para a Universidade de Montpellier, onde recebeu o grau de doutor em medicina. De volta à pátria, fixou-se em Pernambuco, onde foi nomeado médico-chefe da província e condecorado com a Ordem de Cristo, dedicando-se com distinção à clínica, no hospital militar. Em 1821, foi para o Rio de Janeiro, sendo escolhido pelo rei d. João VI médico honorário da corte; por ocasião da primeira eleição dos senadores do Império foi escolhido para representar no Senado a província de Pernambuco. Em 1826, encerrou a carreira médica, dedicando-se aos trabalhos legislativos. Tanto em sua nova posição como na de médico, conservou sempre um espírito independente, um caráter humanitário e doce e fez por merecer a estima pública. Após dois anos de sofrimento, faleceu em decorrência de uma lesão pulmonar de natureza tuberculosa. Dele temos diversos escritos no Senado, mas na literatura médica não realizou nenhum trabalho de importância que mereça ser citado. É devido a seu nobre caráter e à alta posição social que alcançou que lhe fazemos esta calorosa homenagem.

Manoel Bernardes, barão de Jacutinga
     Manoel Bernardes Pereira da Veiga, barão de Jacutinga, médico do Paço, foi durante muitos anos clínico destacado no Rio de Janeiro. Nascido nesta cidade a 25 de dezembro de 1766, recebeu o grau de doutor em medicina pela Universidade de Coimbra, em 11 de agosto de 1798, e de bacharel em filosofia em 30 de junho de 1800. Depois de viver muitos anos em Portugal e de participar de uma missão científica pela província de Minas Gerais, iniciou com êxito sua prática médica no Rio de Janeiro ao curar a princesa real, o que lhe valeu o título de conselheiro, o lugar de primeiro médico da rainha, sendo, sucessivamente, no reinado do imperador d. Pedro I, nomeado barão de Jacutinga, comandante da Ordem de Cristo etc. Em meio a todas estas honrarias, Manoel Bernardes cultivou as ciências com gosto e a literatura médica com paixão: fazia vir da Europa todas as obras notáveis e os principais jornais científicos, em uma época onde a comunidade médica, no Brasil, dava pouca importância aos livros de ciência. Deve-se-lhe vários escritos sobre a organização dos hospitais e sobre os progressos da agricultura. Após uma vida consagrada ao estudo e ao cuidado de sua numerosa família, faleceu aos 69 anos, a 19 de dezembro de 1837, consternando parentes e amigos.

Cirurgiões

João Alves Carneiro
     Nascido no Rio de Janeiro, em 18 de outubro de 1776, fez seus estudos literários nesta cidade e começou os de cirurgia com 14 anos, no Hospital da Misericórdia, sob a direção de Antônio José Pinto, que então ensinava cirurgia, anatomia descritiva, patologia externa e terapêutica. Após seguir durante cinco anos as lições deste hábil mestre, mudou-se, como era então o costume, para Portugal, a fim de completar os estudos. Era época de guerra; jovem estudante embarcado em um navio mercante português, João Alves Carneiro, juntamente com seu navio, foi feito prisioneiro por um brigue de guerra francês; poucos dias depois, este, por sua vez, se tornou presa de um corsário argelino, e pela segunda vez ele se viu prisioneiro, sem ter alcançado o objetivo de sua viagem. Após muito pedirem, os portugueses conseguiram ser libertados na costa de Matozinhos, a pequena distância do Porto. Desembarcado naquele ponto de uma terra estrangeira, despojado pelos piratas do dinheiro que havia trazido, quis o destino que ele encontrasse um compatriota, um amigo, o cirurgião Caetano da Fonseca Lima, que, naquelas circunstâncias, foi para ele um pai, ajudando-o com sua bolsa e seus conselhos. Chegando a Lisboa, João Alves em um ano completou os estudos e foi diplomado cirurgião, em 7 de dezembro de 1796; tinha então vinte anos. No ano seguinte, embarcou na qualidade de cirurgião em um navio destinado às viagens e ao comércio nos portos da Ásia, passando pelo Rio de Janeiro em 12 de junho de 1797 e continuando sua rota sem qualquer acidente em direção a Goa. Teve muitas ocasiões, em excursões pela costa do Malabar, em Bombaim, em Surat, em Damas, de observar as doenças dessas regiões e aumentar seus conhecimentos. Após esta viagem a regiões longínquas, visitou de novo Lisboa e Bahia, vindo enfim se fixar no Rio de Janeiro. Nomeado cirurgião do Hospital da Misericórdia desta cidade, ocupou durante 12 anos este importante lugar, dando provas de talento, zelo e inalterável caridade. Sua reputação lhe valeu em poucos anos a confiança geral; as ordens religiosas do Carmo, dos Beneditinos, das Carmelitas confiaram-lhe a direção de suas enfermarias. Em 1828, foi condecorado com a Ordem de Cristo; a Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro lhe conferiu por duas vezes o título de presidente; a Academia Imperial lhe outorgou as mesmas honras, elegendo-o presidente da seção de cirurgia.
     Quarenta anos de trabalhos clínicos numa capital de primeira ordem não alteraram nem a energia moral nem a força física de João Alves Carneiro; conservava, apesar das dores constantes de reumatismo, uma constituição forte e um inabalável espírito caritativo. Faleceu aos 61 anos de apoplexia pulmonar e cerebral, quando ainda prometia longos anos de vida. Seus numerosos amigos demonstraram grande pesar. Sua carreira foi das mais brilhantes; sua probidade, sua grande experiência médica, os diversos tratamentos originados de sua longa prática, sua piedosa caridade, a dignidade como pessoa e profissional, eis o legado que deixa para a família; a lembrança de um homem tão útil jamais se apagará no país que o viu nascer e morrer.

José Correia Picanço
     Nascido em Pernambuco, aluno de Manoel Constâncio. Começou seus estudos em Lisboa e foi terminá-los em Paris, com os grandes mestres Desault e Sabatier. De volta a Portugal, foi nomeado professor de anatomia e cirurgia na Universidade de Coimbra, no lugar de Cicchi. Nomeado primeiro-cirurgião do rei, acompanhou-o, em 1807, ao Rio de Janeiro, onde exerceu a profissão com grande sucesso sendo nomeado cirurgião-chefe do Reino e membro do protomedicato. O conselheiro Picanço recebeu grandes honras por seu saber e habilidade. Esposou a filha do prof. Sabatier. Teve como aluno o conselheiro Domingo Ribeiro dos Guimarães Peixoto, que seguiu os passos do mestre e o sucedeu com todas as honras.

Luiz de Santa Anna
     Membro honorário da Academia Imperial de Medicina do Rio de Janeiro, faleceu, há poucos anos, em idade muito avançada, mais que octogenário. Durante sessenta anos, exerceu com sucesso a cirurgia no Rio de Janeiro e introduziu reformas úteis no serviço cirúrgico do Hospital da Misericórdia. A ele se deve uma excelente Memória, publicada no Rio de Janeiro em 1819, sobre o carvão, uma outra sobre os cânceres, uma terceira sobre a erisipela, ou elefantíase-dos-árabes, e uma quarta sobre o tratamento do tétano pelo mercúrio. Tinha talento notável para operar, muito tato e prudência e conhecia bem a matéria médica.

Eustácio Gularte
     Teve grande reputação no Rio de Janeiro, assim como os drs. Marreiros e Medeiros; os três foram contemporâneos, exercendo com sucesso a medicina e a cirurgia. A estes nomes deve-se acrescentar o do professor de anatomia Marques; o do espiritual e hábil Octaviano Maria da Roza, que foi presidente da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro; o de Hercule Muzzi, diretor da vacina; o de Francisco Julio, cirurgião da armada naval; o de Cambuci, professor de higiene na faculdade; o de Gerônimo Alves de Moura, cirurgião da Misericórdia.

Naturalistas

José Bonifácio de Andrada e Silva
     José Bonifácio de Andrada e Silva nasceu em Santos, província de São Paulo, a 13 de junho de 1763. Procedente de família nobre, na qual vários membros se distinguiram na carreira do direito, da teologia, das matemáticas e das letras, a educação de José Bonifácio foi entregue aos cuidados do pai, o coronel Bonifácio José de Andrada, e se deu sob os olhos de uma mãe terna e esclarecida, d. Maria Barbara da Silva. Enviado cedo a São Paulo para seguir os cursos de retórica, lógica e metafísica, fez progressos tão rápidos que o bispo Manuel da Ressurreição logo o distinguiu entre seus condiscípulos, envidando todos os esforços para que ele abraçasse a carreira eclesiástica. Foi em vão; seus parentes e ele resistiram ao desejo do digno prelado. Ainda jovem, José Bonifácio foi enviado à Universidade de Coimbra, em Portugal, para continuar os estudos, quando se destacou pelos rápidos progressos nas ciências naturais, sobretudo em química. Primeiro obteve o grau de bacharel e depois o de doutor. Tal era sua reputação ao chegar a Lisboa após concluir os estudos em Coimbra, que foi eleito, sob os auspícios do duque de Lafões, membro da Academia Real de Ciências, e, por proposta deste corpo sábio, escolhido pelo governo português para viajar pela Europa na qualidade de naturalista.
     Naquela época, as ciências naturais eram cultivadas pelos homens célebres; a química, enriquecida por suas descobertas e pela nova nomenclatura, estendia o domínio de suas conquistas, guiadas pelo gênio de Lavoisier e de Fourcroy. A botânica, que Lineu acabara de colocar à altura das outras ciências, florescia sob Duhamel e de Jussieu. Werner ilustrava a Escola de Friburgo com suas lições sobre mineralogia; Bergman fazia ecoar na Suécia seu nome como cientista; e Davy e Watt tentavam, na Inglaterra, sustentar a reputação de seus sábios antecessores.
     A exemplo de Sanchez, que, no começo do século XVIII, foi de Coimbra para Leiden estudar com Boerhaave e se tornou uma das maiores autoridades médicas da Europa, José Bonifácio foi de Lisboa a Paris e de lá às principais cidades da Europa, para adquirir, junto aos grandes mestres, conhecimentos profundos e variados em metalurgia, química e outros ramos das ciências naturais, e para se tornar orgulho de seu país e uma das ilustrações científicas da Europa. Por vários anos percorreu França, Inglaterra, Países Baixos, Holanda, Alemanha, Tirol, Boêmia, Hungria, Itália, as fronteiras da Turquia, Prússia, Suécia, Noruega e Dinamarca. Neste último país, recusou ofertas insistentes do príncipe real, que lhe acenava com o posto de inspetor das minas da Noruega.
      Em sua estada em Paris foi testemunha das últimas peripécias do drama imponente da Revolução. Sua vida, sempre consagrada ao estudo, produziu úteis trabalhos. O jornal de Fourcroy, Annales du Muséum de l’Histoire Naturelle, guarda uma série de Memórias que José Bonifácio publicou nesta época. Estas lhe valeram o título de correspondente de diversas sociedades científicas de Paris. Nas excursões pela Europa, publicou outras memórias, em alemão, francês e português, que lhe valeram os títulos de membro da Sociedade Lineana de Iena, da Academia Real de Copenhague e da Academia de Ciências de Estocolmo, das associações científicas de Goettingue, Berlim, Viena e Itália. Em meio às ocupações científicas, o viajante também se dedicava ao culto das musas. A lembrança da pátria distante se refletia em seus versos melodiosos, como num espelho fiel, com uma cor viva, animada e pitoresca; pois os estudos sérios da jurisprudência e da química não puderam apagar o caráter brilhante de sua imaginação, nem moderar os ímpetos de um espírito fino e engenhoso, e muito menos desviá-lo do amor por seu país natal.
     De volta a Portugal, José Bonifácio foi nomeado professor de mineralogia na Universidade de Coimbra, intendente das Minas do Reino, e juiz no Porto. O conde de Linhares encarregou-o do trabalho de canalizar o rio Mondego, de explorar as minas de ferro e de carvão e de melhorar, através de reformas, os diversos ramos da indústria: foi nessa época que José Bonifácio fundou a Sociedade Marítima de Lisboa.
     A invasão francesa em Portugal o surpreendeu em meio aos trabalhos científicos: ela despertou em sua alma um sentimento de nobre patriotismo. À frente dos cidadãos que rechaçaram a agressão estrangeira, figura, como coronel do batalhão dos estudantes de Coimbra, o mesmo homem que se dedicava de corpo e alma à ciência, e só a ela parecia prestar contas de sua dedicação. Depois que os franceses saíram do território português, José Bonifácio foi nomeado intendente da polícia no Porto, e defendeu os partidários da França contra o ódio e as perseguições do povo, salvando a vida e os bens daqueles que se haviam comprometido ao aceitar empregos sob o governo de Junot.
     Em 1819, José Bonifácio voltou à sua pátria, o Brasil. Em sua passagem pelo Rio de Janeiro, o governo de d. João VI, que pretendia fundar uma universidade, quis, de início, confiar-lhe a direção da mesma, mas intrigas derrubaram as intenções favoráveis do ministério: o projeto foi adiado. José Bonifácio apressou-se em voltar a seu retiro agreste de Outeirinhos, próximo à cidade de Santos. Foi ali que, tranqüilo, organizou o diário de suas viagens e classificou as coleções de minerais, plantas e medalhas trazidas da Europa. Pouco depois de sua chegada empreendeu uma viagem mineralógica pela província de São Paulo, com seu irmão Martim Francisco de Andrada, com o objetivo de constatar a existência de terrenos auríferos. Os do Paraíba, de Massarate, da Cordilheira, de Sapi foram objeto de suas investigações. Examinaram particularmente os vales onde corre o Tietê, rio cuja pitoresca catarata se divide em dois braços, e que apresenta, nos terrenos que banha, camadas metálicas nas quais nossos viajantes chegaram a descobrir vestígios de irídio, um metal branco.
     Na volta desta viagem, a 7 de setembro de 1822, o primeiro grito de Independência ressoou às margens do rio Ipiranga. D. Pedro, proclamado imperador do Brasil, chamou para perto de si, no Rio de Janeiro, seu mestre e amigo José Bonifácio, confiando-lhe a pasta do Interior e a dos Negócios Estrangeiros.
     O ministério dos Andrada foi de curta duração: na queda da Assembléia Constituinte, que discutia os artigos da Constituição do Império, José Bonifácio foi preso e exilado em Bordeaux com os dois irmãos e outros deputados. Só após sete anos lhe foi permitido voltar à pátria, quando, curvado pela idade e afligido pela morte da esposa querida, apenas desejava acabar seus dias em retiro. A ilha de Paquetá foi o asilo escolhido, esperando ali encontrar o repouso tantas vezes desejado; mas a abdicação de d. Pedro, em abril de 1831, veio lhe impor novos deveres. Nomeado tutor do jovem imperador d. Pedro II, por dois anos e oito meses, como amigo verdadeiro, cumpriu dignamente as funções que d. Pedro I lhe havia confiado (ver a História do Brasil, de Armitage). Destituído deste título, em 15 de dezembro de 1833, pelo governo da Regência, retomou o caminho do retiro, onde esperou que fosse feita justiça àquele que, por um decreto da Assembléia Legislativa do Brasil, havia sido proclamado Patriarca de sua Independência, e sido dotado de uma pensão anual de quatro contos de réis. A sentença do júri de 8 de abril de 1835 tornou sem efeito a acusação feita contra José Bonifácio.
     Este sábio terminou sua carreira aos 75 anos, a 6 de abril de 1838, no mesmo dia em que d. Pedro o havia nomeado tutor de seus filhos. José Bonifácio deixou como legado a seu país uma biblioteca de oito mil volumes, um gabinete de física e de mineralogia, uma coleção de medalhas e de manuscritos. As Memórias da Academia Real das Ciências de Lisboa guardam seus discursos e elogios históricos, suas pesquisas sobre as minas de chumbo e de ouro e sobre a pesca da baleia. O diário de Fourcroy contém suas memórias sobre o fluido elétrico, sobre os minerais da Suécia, sobre as plantas do Brasil. Em 1827, José Bonifácio publicou, na França, uma memória sobre a abolição da escravatura, sobre sua viagem de pesquisas metalúrgicas à Alemanha e, com o pseudônimo de Americo Elysio, uma coleção de poesias com odes aos filhos da Bahia, aos gregos e diversas éclogas. Entre seus manuscritos se encontram o diário completo de suas viagens científicas, suas observações sobre as minas de Estremadura, um tratado de mineralogia, uma Memória sobre as águas termais de Ouro Fino, a tradução da Eneida de Virgílio e o elogio de d. Maria I, rainha de Portugal, o único que, nos últimos tempos, os amigos deram à impressão.

Manoel Ferreira da Câmara Bitancourt
     Nascido no distrito de Serro Frio, província de Minas Gerais, em 1762, Manoel Ferreira da Câmara Bitancourt dedicou-se desde cedo ao estudo das ciências naturais. Em 1788, graduou-se bacharel em filosofia pela Universidade de Coimbra, e logo foi admitido como membro titular da Academia de Ciências de Lisboa, quando redigiu uma Memória sobre a extração de carvão de pedra nas minas de Mafra. Este primeiro trabalho justificou sua escolha, pelo governo, como pensionista; munido deste título honorífico, Manoel da Câmara deixou Portugal para visitar as sociedades sábias e os homens ilustres da Europa, e para estudar, ao mesmo tempo, as diversas regiões do Norte. Dirigiu-se a Paris, onde consagrou dois anos ao estudo da química com Fourcroy. Após assistir, em Freiberg, às lições de mineralogia de Werner, percorreu a Alemanha, Boêmia, Hungria, Suécia e Noruega, viajando em seguida para a Inglaterra, que percorreu com vagar, bem como a Escócia e a Irlanda. Na Suécia, sua atenção se concentrou na Universidade de Upsala, então abrilhantada por Lineu e Scheele; aproveitou sua estada na Alemanha para publicar diversas Memórias em francês sobre as minas de chumbo e de prata e sobre a fusão do ferro com uso de pequena quantidade de combustível.
     De volta de sua viagem científica, foi enviado ao Brasil na qualidade de intendente-geral das minas de ouro e de diamantes da província de Minas Gerais; estabeleceu-se então em sua terra natal, em Serro Frio; aí colocou em prática os variados recursos sugeridos pela instrução adquirida em suas viagens. Seu espírito investigador levou-o, primeiramente, ao exame dos terrenos auríferos, de seus produtos, custos de exploração, a qualidade e as combinações do mineral; ocupou-se, em seguida, de uma pesquisa sobre a extração de diamantes e pedras preciosas, e ele mesmo explorou os rios e terrenos onde se encontram; em meio a uma tão fecunda riqueza metalúrgica, foi-lhe despertada a idéia da exploração das minas de ferro, abundantes na região (ver Estatistique de Minas Gerais, pelo barão Guillaume de Eschwège). Manoel da Câmara construiu, na montanha do Pilar, situada entre Tijuco e Ouro Preto, uma grande fábrica de ferro à custa do governo. A posição desta montanha, a proximidade de grandes florestas, a abundância de águas correntes e de pastos que a cercam determinaram tal escolha, ademais justificada pela extrema produção do mineral, que dá 85% de extração (Investigador portuguez, p. 436, n° LX; Saint-Hilaire, t. I, p. 301). O estabelecimento das forjas reais na montanha de Gaspar Soares, também chamada do Pilar, ocorreu em 1809; o decreto leva a data deste ano; foi por equívoco que os srs. Spix e Martius apresentaram a data de 1812. Em 1815, a primeira mostra de ferro manufaturado foi expedida ao Tijuco, o que valeu ao fundador as honras de uma festa pública (Investigador portuguez, p. 143, n° LXVI).
     Depois de ter dado o exemplo e fundado em seu país a primeira fábrica de ferro, Manoel da Câmara dedicou-se à agricultura e conseguiu propagar a cultura de várias plantas européias no distrito de Serro Frio (ver Mawe); mas seu principal cuidado foi organizar o distrito diamantino. Em sua administração como intendente-geral das minas, foram modificados os regulamentos, tornando-se mais toleráveis, sem prejuízo para o fisco; o trabalho foi regularizado; e suas medidas foram tão bem calculadas que valeram ao Tesouro Real do Rio de Janeiro, entre 1801 e 1806, o recolhimento de 115.675 quilates de diamantes brutos. As minas de diamantes, durante o período de sua administração, renderam regularmente até vinte mil quilates anuais (ver Mawe, Investigador portuguez).
     Na época da Independência do Brasil, Manoel da Câmara foi nomeado deputado da Assembléia Constituinte. Eleito senador em 1825, fixou residência primeiro no Rio de Janeiro e depois na Bahia, onde introduziu a cultura do arrow-root (Maranta indica),5 cultura que hoje em dia resulta em produtos de exportação e cujas vantagens ele demonstrou numa memória inserida no Jornal da Sociedade de Agricultura da Bahia.
     Manoel da Câmara faleceu a 13 de dezembro de 1835, na Bahia, em conseqüência de cálculos. Várias Memórias inseridas na coleção das Memórias da Academia de Lisboa, diversos escritos em francês sobre a extração do ferro e uma série de artigos e discursos inseridos no Jornal da Sociedade de Agricultura constituem a herança científica deixada a seu país.

Manoel Joaquim Fernando de Barros
     Poucos sábios brasileiros tiveram uma reputação de estima tão bem fundada entre os sábios da Europa quanto o dr. Manoel Joaquim Fernando de Barros. Basta citar os principais fatos de sua vida, tão bem iniciada e tão cedo terminada por um horrível assassinato. Nascido em Penedo, província das Alagoas, a 7 de março de 1804, Fernando de Barros cedo perdeu o pai, e foi aos cuidados de sua terna mãe e de seu tutor, Antônio José de Betancourt Belém, que deveu as vantagens de uma boa e sólida educação. Após os primeiros estudos em sua cidade natal, encaminhou-se para o seminário de Olinda e, a 10 de junho de 1822, viajou para a Europa. Foi primeiro a Portugal, e logo deixou esse país para aperfeiçoar seus estudos na França. Primeiro seguiu o curso de medicina de Montpellier, mas logo seu gosto pela anatomia e pela fisiologia o levou a Paris. Foi lá que, seduzido pelo estudo da química, dedicou-se com ardor a este ramo da ciência, e que se ligou pelos laços da amizade ao sr. Barruel, diretor dos trabalhos químicos da faculdade; isto lhe valeu manipular e exercitar as mais difíceis operações ou processos químicos no laboratório do diretor.
     Seus trabalhos assíduos, sua paixão pelo trabalho, provocaram-lhe uma hemoptise. Admitido, após restabelecida a saúde, junto ao sr. Gay-Lussac, aperfeiçoou seus conhecimentos em física. Seu mérito foi tão apreciado na França que o governo o nomeou membro de uma comissão de professores escolhidos pela universidade para analisar as minas da Gasconha e do Palatinato; cumpriu os deveres deste posto com tanta consciência quanto luzes, o que lhe valeu os maiores elogios por parte do Ministério francês. Após uma viagem pelo interior do reino, defendeu em Paris, a 5 de fevereiro de 1827, uma tese sobre a análise comparativa dos ossos dos diversos animais e, a 12 de fevereiro, apresentou outra na Faculdade de Ciências sobre meteorologia; ambas receberam menção honrosa. De Paris foi para Estrasburgo, onde recebeu o título de doutor em medicina na faculdade desta cidade, defendendo uma tese sobre higiene e terapêutica. Empreendeu em seguida uma viagem pela Alemanha, Suíça, Países Baixos, e visitou a Itália; em todas estas partes da Europa ocupou-se com solicitude do estado das ciências, ligou-se aos homens marcantes da época e se filiou às principais sociedades científicas.
     Animado pelo desejo de ser útil à pátria, o dr. Barros voltou à sua província em 1828, para junto de sua excelente mãe, de quem era o orgulho e a esperança. Casou-se; um filho foi o fruto da união. Tudo prometia repouso e felicidade a este estimável cultuador das ciências, mas a política veio arrancá-lo de seus belos projetos de estudo e de tranqüilidade doméstica. Em 1834, eleito por sua província deputado na Assembléia Geral Legislativa do Brasil, fortaleceu com suas luzes os trabalhos de seus colegas em várias questões de alto interesse. Nomeado pelo governo brasileiro para explorar as minas de carvão de Camaragibe, cumpriu perfeitamente a missão e publicou em uma Memória os resultados de sua sábia exploração.
     Encontrando-se na Bahia em 2 de outubro de 1841, tombou vítima de um assassinato executado em pleno dia no centro desta cidade. Em vão seu amigo, o dr. Persiani, prodigou-lhe cuidados; o dr. Barros faleceu aos 37 anos, no apogeu da carreira, deixando família e amigos tomados pelo estupor, inconsoláveis com sua perda.
     O dr. Barros escreveu em francês suas três teses inaugurais. Conhecia profundamente as línguas latina, portuguesa, francesa e inglesa. Seus conhecimentos em física eram profundos. Era de espírito cultivado, maneiras afáveis, gênio ativo. Deixou em manuscritos várias Memórias sobre história natural e um curso completo de física que deve ser impresso. Esperemos que a publicação da obra se realize, para perpetuar a lembrança deste cientista ilustre.

Coelho de Scabra e outros
     Nascido no Brasil, publicou Elementos de química em Lisboa, em 1788. José de Sá Bitancourt, da Bahia, doutor por Coimbra, publicou uma Memória sobre a plantação do algodão e um trabalho sobre a decadência da cultura da mandioca no distrito de Camamá em 1798. João da Silva Feijó, tenente-coronel, professor de mineralogia, de zoologia e de botânica na Academia Militar do Rio de Janeiro na época em que Daniel Gardiner, médico inglês, ensinava química no mesmo estabelecimento, e se dedicava à análise dos vegetais indígenas, fez seus estudos na Universidade de Coimbra. Foi enviado pelo rei em missão de exploração das ilhas do Cabo Verde, e em seguida ao Ceará; encontram-se no Patriota duas memórias estatísticas sobre esta província. Também compôs uma Memória sobre o anil e descreveu sua viagem mineralógica ao Cabo Verde em 1797. Deve-se-lhe um interessante trabalho referente à propagação de animais laníferos, publicado no Rio de Janeiro em 1811, as Memórias sobre as minas de ferro do Ceará e sobre a botânica e a zoologia de várias províncias do Brasil. Seguiu o sistema de Cuvier para a zoologia, e o de Lineu para a botânica. O tenente-coronel Feijó morreu em 1823.
     O Brasil perdeu com o irmãos de Mariano Veloso e de Manoel Arruda dois ilustres naturalistas. O primeiro forneceu a Vandelli documentos preciosos sobre as plantas do Brasil; o outro, Francisco da Câmara Arruda, doutor por Montpellier, médico em Pernambuco, continuou os trabalhos do irmão. A perda recente de Martim Francisco Ribeiro de Andrada fecha esta lista necrológica até este dia. Martim Francisco, homem de bem, hábil financista, cultivou as ciências naturais e foi membro honorário da Academia de Medicina do Rio de Janeiro. A ele se deve uma Viagem mineralógica feita na província de São Paulo com José Bonifácio de Andrada, seu irmão, e a tradução do Tratado de mineralogia de Bergman, em 2 vols., in-8°.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Lista de obras de medicina, de cirurgia e de história natural, publicadas no Brasil até 1843

1810 Das plantas do Brazil que dão linho. Rio de Janeiro, Imp. Nac. Do papo ou bocio do Brazil. Id. Dissertação sobre as plantas do Brazil, pelo dr. Manoel Arruda. Discurso sobre a utilidade dos jardins botânicos, pelo mesmo.

1811 Perigos das sepulturas nas igrejas. Plano de uma Academia Médica, por Vicente Navarro, barão de Inhomerim.

1813 Indagações sobre a morte. Das febres de Angola, pelo dr. Azevedo Pinto, 1 vol. Annaes das sciencias, pelo frei José Marianno Velloso, 1 vol. Tratado de physica, de Haüy, traduzido do francês.

1813 a 1817 O Patriota, jornal que contém as memórias dos doutores, médicos etc.

1814 Impugnação analítica ao exame feito em uma rapariga que julgaram ser santa, pelo dr. Gomides.

1815 Memória sobre o encefalocele.

1816 Flora halográfica, pelo frei Velloso.

1819 Método de curar o antraz, pelo cirurgião Santa Anna. Dicionário de botânica, de Henrique Manoel de Paiva.

1820 Compêndio de medicina prática, por J. M. Bomtempo, 2 vols.

1822 Das febres do Rio de Janeiro, pelo dr. Mello Franco. Lisboa, Rio de Janeiro.

1823 Riquezas do Brazil. Rio de Janeiro. Civilização dos índios do Brazil. Dicionário de medicina prática, pelo dr. Machado Cardoso, Pernambuco.

1825 Memória sobre a cultura do chá, por frei Leandro do Sacramento.

1826 Corografia da Bahia, de S. Rebello, Bahia.

1827 Formulário dos hospitais militares do Império, pelo dr. Bastos, 1 vol., in-8°.

1828 Tratado de educação dos meninos, por S. J. J. Serpa, Pernambuco.

1829 Matéria médica, de Cullen, traduzida por Maria José do Amaral, lenta de Academia. Ensaio de nosografia, pelo dr. Bernardino Antonio Gomes.

1831 Memória sobre os perigos das inumações nas igrejas, por S. Rebouças, D. M.-P., Bahia. Compêndio de anatomia, por José Soares de Castro, lente de anatomia na Academia da Bahia,1 vol.

1832 Semanário de Saúde, in-4°. Corografia brasileira, de Ayres Cazal, nova edição, 2 vols. Rio de Janeiro. Annaes do Rio de Janeiro, pelo Conselho Balthazar da Silva, Lisboa, 7 vols., in-8°. Memória sobre o tabaco, pelo dr. Maia. Diário de Saúde, in-4°.

1835 a 1843 Revista Médica Fluminense, 9 vols.

1835 ‘Memória sobre os tratamentos do canal da uretra e tratamento que lhe convém’, pelo dr. Troubat, folheto. Discurso sobre as moléstias que mais afligem a classe pobre do Rio de Janeiro, pelo dr. Jobim. Medicina popular, do dr. Brierre de Boismont, traduzido do francês, 1 vol., in-8°., ‘Lição oral do lente Manoel Feliciano Pereira de Carvalho’, folheto. Memória sobre a necessidade da temperança, por Francisco Sabino.

1836 Exposição ao público, de João Frederico Doellinger. Anatomia, de J. J. Marques, lente da Academia do Rio de Janeiro. Corografia do Pará, pelo dr. Accioli, Bahia.

1838 a 1843 Revista trimestral, 5 vols.

1839 Ensaio sobre a estatística de São Paulo, pelo brigadeiro Muller, São Paulo. Ensaio sobre o Pará, pelo dr. Baena, Belém. Manual do agricultor brasileiro, por S. Riedel e Taunay, in-8°.

1841 Guia ou Formulário do Brazil, pelo dr. Chernovis.

1842 Manual de oculística, por J. A. de Azevedo, 1 vol. in-8°.

1843 Dicionário de medicina popular, pelo dr. Chernovis, 2 vols. Princípios elementares de botânica, de Lindley, tradução do dr. Ildefonso, Rio de Janeiro. Manual de homeopatia, pelo dr. S. Emilio Germon, 1 vol., Rio de Janeiro. Manual d’auscultação, pelo dr. de A. C. N. Azambuja, Rio de Janeiro. Auxiliador da indústria nacional, coleção periódica.

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