SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.24 issue40Art History on the crossroadA construction of deeds and words: Cicero and the rhetorical conception of history author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Varia Historia

Print version ISSN 0104-8775

Varia hist. vol.24 no.40 Belo Horizonte July/Dec. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-87752008000200013 

ARTIGOS

 

O período Epiclássico na Mesoamérica: implicações para a questão tolteca e o sítio arqueológico de Chichén Itz*

 

The Epiclassic period in Mesoamerica: implications to the toltec question and the archaeologycal site of Chichén Itzá

 

 

Alexandre Guida Navarro1

Doutor em Antropologia/Arqueologia pelo Instituto de Investigaciones Antropológicas, Universidad Nacional Autónoma de México, UNAM. Pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos, UNICAMP. Endereço: Cidade Universitária Zeferino Vaz, s/n, cep. 13083-970, Campinas, São Paulo, Brasil, tel. 3289-4411, fax 3521-7790. altardesacrificios@yahoo.com.br

 

 


RESUMO

A Arqueologia de Chichén Itzá sugere que sua construção data fundamentalmente do período Clássico Terminal ou Epiclássico (700-950 d.C.), ao invés do Pós-Clássico Inicial (950-1100 d.C.). Esta afirmação chama a atenção para as implicações de cronologia para o muito conhecido problema tolteca. Estamos trabalhando com a premissa que a ocupação de Chichén Itzá é, em sua maior parte, anterior à fase Tollán de Tula (900-1200 d.C.), o que nos leva a crer que o que geralmente é identificado como iconografia tolteca e, portanto, de origem das terras altas centro-mexicanas, de fato data do horizonte Epiclássico.

Palavras-chave: Cultura material, cronologia, Mesoamérica


ABSTRACT

The Archaeology of Chichén Itzá suggests that its construction fundamentally date of the period Classic Terminal or Epiclassic (700-950 AD), instead of the Post-Classic Periodo (950-1100 AD). This draws attention to the implications of chronology for the well known problem tolteca. We are working with the assumption that the occupation of Chichén Itzá is, in the most part, prior to the stage Tollán of Tula (900-1200 AD), which leads us to believe that what is usually identified as tolteca iconography and therefore uplands of origin of the center-Mexican, in fact date Epiclassic horizon.

Keywords: Material culture, chronology, Mesoamerica


 

 

Chichén Itzá e a questão tolteca

A reconstituição tradicional da história de Chichén Itzá tem postulado que a ocupação do sítio nos períodos Clássico Final (700-950 d.C.) e Pós-Clássico Inicial (950-1100 d.C.) pode ser dividida em duas fases distintas, demarcadas pela conquista militar da população nativa de Chichén Itzá pelos invasores estrangeiros em direção norte a partir das terras baixas maias. Estes estrangeiros têm sido identificados como povos com fortes afinidades culturais mexicanas e mais especificamente com os toltecas de Tula no México Central ou possivelmente como os maias putunes do sudeste de Campeche e Tabasco, um povo com fortes laços culturais com o México Central.2 (figura 1. Mapa de Mesoamérica com as culturas citadas neste artigo. Em Grube e Martin, 2002:16).

 

 

A partir de dados etnohistóricos, esta invasão tem sido geralmente datada em 10.8.0.0.0 Katun 4 Ahau (968-987 d.C.). Ela compreenderia o período posterior ao colapso da civilização maia nas terras baixas do sul e teria alcançado um pequeno impacto direto sobre os eventos desta região. Entretanto, no norte das terras baixas, onde a civilização desenvolvia-se, o impacto da invasão centro-mexicana teria sido profundo. 3 De acordo com a visão tradicional, as sociedades maias e mexicanas entraram em conflito e a elite estrangeira, com maior poder tecnológico e militar, depôs os governantes a fim de estabelecer sua hegemonia no norte da península do Yucatán.

A derrota das forças maias de Chichén Itzá e de outros centros urbanos pelos seus oponentes centro-mexicanos supostamente resultaram no declínio das organizações políticas maias, no abandono de suas cidades e na debilitação da cultura como um todo. De acordo com esta visão, o único sítio que sobreviveu foi Chichén Itzá. Mas até mesmo neste centro urbano, onde os maias continuaram a formar o maior grupo populacional, sua cultura nativa ficou subordinada aos conceitos e imposições estrangeiras e às práticas de um grupo minoritário de elite centro-mexicana.

Este processo de subordinação, afetando as crenças religiosas, as atividades rituais e os padrões políticos e sociais têm sido pensados mais como uma mudança nos estilos artísticos e arquitetônicos. A interpretação tradicional dos monumentos de Chichén Itzá baseia-se na premissa que todos os trabalhos artísticos e arquitetônicos iniciados em estilo maia nativo no Clássico Final teriam rapidamente cessado em decorrência da invasão centro-mexicana e substituídos em seguida por um estilo característico de mesma origem Os massivos complexos arquitetônicos e suas decorações em esculturas e murais têm sido analisados dentro de um contexto Pós-Clássico e têm sido considerados como sintomáticos para o estabelecimento da dominação cultural estrangeira.

As figuras centro-mexicanas têm sido consideradas, a partir deste conceito, como membros de um grupo étnico coeso que efetuou uma mudança rápida em Chichén Itzá a partir da conquista militar.4 A partir desta concepção, a visão tradicional postulou que a cultura maia, pacífica e refinada, desintegrou-se no espaço de um século, enquanto as culturas violentas e agressivas das terras centro-mexicanas passam a ser associadas ao período Pós-Clássico e configurando um processo de ascenção política.5 No entanto, recentes estudos têm abandonado a interpretação tradicional da cultura maia, que era de uma sociedade pacífica e harmoniosa, formulando uma interpretação que reconhece a constante presença de agressão militar entre suas organizações políticas e de suas práticas violentas de sacrifícios.6

Já o arqueólogo Peter Schmidt (1991; e comunicação pessoal), coordenador do Projeto Chichén Itzá, acredita que este centro urbano foi ocupado por dois grupos étnicos culturalmente incompatíveis e supostamrnte hostis, estando unidos dentro de uma organização política bem-sucedida apenas pela supressão eficaz de uma população nativa.7 Ele não anula a visão tradicional por completo, que uma organização política multiétnica emergiu em Chichén Itzá, mas argumenta que ela ocorre significativamente mais cedo do que se havia pensado. Segundo este pesquisador, isto constituiria um exemplo de convergência cultural mais do que a oposição entre a elite de dois grupos étnicos e que ela teve um impacto profundo tanto nas terras baixas maias do sul quanto nas do norte.

Schmidt (1991) afirma que o reconhecimento que Chichén Itzá foi ocupada por grupos multiétnicos tem sido reforçado pela comparação das semelhanças existentes entre a arte e a arquitetura do sítio e de outras regiões como Oaxaca e Veracruz.8 De este modo, crucial para a compreensão da transformação do sítio maia dentro de uma organização política muiltiétnica e de seu impacto sobre outros centros urbanos é o dado que culturas não-maias podem ser reconhecidas como uma importante presença nas terras baixas do norte. Para este estudioso, o aparecimento de muitos motivos específicos tais como chacmools, figuras de atlantes, colunadas de serpentes emplumadas e plataformas de crânios, tanto em Chichén Itzá quanto em Tula, indicam que os dois sítios estiveram em contato durante os períodos Clássico Final e Pós-Clássico Inicial, mas não fornece com exatidão a natureza destes contatos. Acredita ainda que estes motivos não sejam maias em sua origem. Para tanto, fornece a informação que o desaparecimento destes motivos nas terras baixas do norte após o colapso de Chichén Itzá e sua contínua proeminência na arte centro-mexicana até a chegada da Conquista Espanhola indica que os motivos são de origem centro-mexicana.

Assim, segundo Schmidt (1991), a presença de padrões de continuidade estética no México Central e a disjunção estética nas terras baixas do norte não suportam a tese que Chichén itzá foi a cultura que forneceu estes traços artísticos e os motivos compartilhados entre ela e Tula, subseqüentemente transmitidos às mais tardias culturas centro-mexicanas. O pesquisador conclui seus estudos afirmando que a cultura de Chichén Itzá foi uma criação de grupos de elite que se originaram a partir do contato entre organizações políticas das terras baixas do norte iucateco e das terras centro-mexicanas.9

Por outro lado, temos informações que explorações da costa leste de Yucatán e de Mayapán demonstraram que a influência "centro-mexicana" não esteve confinada a Chichén Itzá, um fato agora confirmado pelas referências etnohistóricas de mercenários centro-mexicanos nos conflitos do Pós-Clássico Final. A constante dificuldade tem sido alinhar a evidência etnohistórica e iconográfica durante a fase florescente Tollán de Tula, que a maioria dos estudiosos sustenta sua delimitação entre os anos de 950 e 1200 d.C. com evidência radiocarbônica, epigráfica e arquitetônica, sugerindo que Chichén Itzá foi contemporânea de outros centros urbanos do Clássico Final no norte de Yucatán, (700-950 d.C.).10

Um modo de estabelecer as primeiras cronologias, que privilegiou informações etnohistóricas, foi dividir o centro urbano em duas áreas espacialmente e temporalmente segregadas, "Velha Chichén" e "Nova Chichén".11 Assim, os monumentos de estilo mexicanizado, portanto toltecas apresentaram tecnologia de construção mais sofisticada e teriam sido construídos no Grupo Norte ou Grande Nivelação; enquanto que as construções de estilo maia, menos sofisticadas, ocuparam o grupo Sul.

Com a introdução do culto à guerra pelos toltecas, o contraste entre estes dois grupos teria aumentado. A escrita hieroglífica e imagens de culto de fertilidade foram excluídas do Grupo Norte, ficando apenas as divindades guerreiras. Enquanto isso, as estruturas do grupo maia representariam imagens de governantes com inscrições hieroglíficas. Entretanto, Ball (1979) e Robles Castellanos (1990), a partir de dados cerâmicos; Lincoln (1986), com base em evidências arquitetônicas e iconográficas; Cobos Palma (1995, 2001, 2003) através do padrão de assentamento e Navarro (2007) a partir da imagética e arquitetura do sítio demonstraram que estas divisões não podem ser sustentadas e que há cultura material uniforme em ambas as áreas. Estes autores demonstram que a invasão tolteca não passou de uma criação dos historiadores e arqueólogos que basearam seus estudos somente nas fontes históricas.12

Muitos estudiosos têm postulado que a atividade de construção em Chichén Itzá pode ter cessado em 950-1000 d.C., embora sua ocupação provavelmente tenha continuado por mais algum tempo. Pensamos que os traços considerados toltecas de fato têm origem no Epiclássico. Acreditamos também na impossibilidade de uma aculturação de Chichén Itzá por parte dos toltecas da fase Tollán de Tula. Pelo fato de as datações radiocarbônicas, epigráficas e arquitetônicas e dos contextos cerâmicos não ultrapassarem o século X, concordamos com Robles Castellanos (1990), Cobos (2003) e Lincoln (1986) que a arte monumental em Chichén Itzá cessa entre 950 e 1000 d.C. o que nos mostra a impossibilidade de uma intrusão tolteca (1000-1200 d.C.).13 Além disso, a fonte de obsidiana de Chichén Itzá vem de diversas regiões, enquanto que a de Tula é local. O mesmo acontece com a cerâmica, que em ambos os sítios o material utilizado para sua confecção também é local.

 

Os debates em torno do termo Epiclássico

Para o entendimento da problemática que envolve o termo Epiclássico (700-950 d.C.) é necessário correlacioná-lo com as transformações vivenciadas pelas culturas mesoamericanas decorrentes do processo de declínio, entre os séculos VIII e IX, daquele que é considerado o primeiro centro urbano da Mesoamérica:Teotihuacán, situado nas terras altas do México Central. Segundo Millon (1981), Teotihuacán, em seu apogeu, teria influenciado todas as civilizações da Mesoamérica.14 Quando a cidade entra em colapso, por razões ainda não muito bem conhecidas, as repercussões deste processo abalam a organização dos centros urbanos de toda a Mesoamérica e em todos os aspectos. Os argumentos de Millon, se corretos, levam à proposição que, com o fim da hegemonia teotihuacana, a Mesoamérica sofreria as mais profundas transformações ao longo de sua história.

Os mesoamericanistas têm proposto muitas nomenclaturas para esta divisão temporal (700-950 d.C.), como Clássico Tardio, Clássico Terminal, Epiclássico, Proto-Pós-Clássico e Primeira Fase do Segundo Período Intermediário. Destas, Epiclássico é o termo mais utilizado atualmente. Originalmente proposto por Jiménez Moreno (1966), o período Epiclássico coincide com o declínio de Teotihuacán como um centro hegemônico da Mesoamérica.15

Berlo (1989) argumenta que os arqueólogos mesoamericanistas inundaram a literatura referente a este período com inúmeros termos a fim de solucionar velhos problemas e na esperança de esclarecer eventos que tiveram como palco esta divisão temporal.16 Segundo a pesquisadora, estes termos refletem um partidarismo de seus criadores, apresentando como argumento a difusão dos termos Pré-Clássico, Clássico e Pós-Clássico, os quais refletem os interesses dos maianistas norte-americanos das décadas de 1940 e 1950. Esta pesquisadora pensa que Jiménez Moreno não apresentou razões para a adoção do termo Epiclássico, uma vez que o termo foi asociado à estrutura temporal do período comumente conhecido como Clássico Tardio. A pesquisadora acredita que Jiménez adota esta terminologia para salientar os processos de desenvolvimento que ele vê como fundamentalmente diferentes de tudo aquilo que já precedera na Mesoamérica:

In this period, the Classic world with its deep rooted civilization and theocratic tradition desintegrates and the historic Olmec and Toltec empires, newer cultures characterized by a strong militaristic tendency, appear. A great crisis shakes Mesoamerica from end to end, and in the midst of chaos a new world germinates. There is a profound change in cultural orientation (Jiménez Moreno, Wigberto. Mesoamerica before the Toltecs, 1966 p.49).

Berlo (1989) admite que esta interpretação esteja baseada em um modelo que mostra Teotihuacán como um centro teocrático. Jiménez Moreno, ao conceituar Teotihuacán como fornecedora de padrões difusores de rotas que perduram no México por séculos, vê este processo fundamentalmente como pacífico, em contraste ao que ocorreria posteriormente. A pesquisadora propõe o esquema cronológico preconizado por Price, baseado no modelo andino de Horizontes que, segundo ela, apresenta uma contextualização mais exata dos eventos culturais dentro de determinados limites temporais. Conclui deste modo, que o desdobramento das terminologias Clássico, Epiclássico e Proto-Pós-Clássico deve ser substituído por um esquema flexível de Horizontes e períodos intermediários a fim de eliminar os partidarismos presentes em suas concepções.

Malcom Webb (1978) seguiu Jiménez Moreno na aplicação do termo Epiclássico. Ao fazer isso, entretanto, fornece modelos mais sofisticados para a ascenção de Estados rivais.17Diehl (1989) também discorda do termo Epiclássico, pelos mesmos motivos defendidos por Berlo, propondo do mesmo modo, a cronologia "neutra" definida por Tolstoy (1978) e empregada por Sanders, Parsons e Santley (1979).18 Deste modo, estes autores preferem Horizonte Médio e Primeira Fase do Segundo período Intermediário a Clássico e Epiclássico. Os argumentos defendidos para a sustentação destes termos neutros é que eles indicam somente períodos de tempo mais do que de estágios de desenvolvimento cultural. Já para Sanders (1989), as variações culturais e o seu desenvolvimento em qualquer divisão temporal teriam sido, na verdade, um reflexo da distribuição espacial dos assentamentos urbanos.19 Esta situação teria criado um dilema:como poderíamos organizar aquele vasto campo de novos dados dentro de um quadro coerente de desenvolvimento geral que pudesse englobar toda a área cultural?

Apesar de os vários autores apresentados discordarem da terminologia do Epiclássico, eles compartilham a mesma aceitação que as sociedades mesoamericanas dos séculos VIII e IX passaram por inúmeras transformações em todos os seus aspectos sociais. Estes autores sustentam que o declínio de Teotihuacán provocou uma lacuna na história da cultura mesoamericana. Alguns centros urbanos do Clássico ou Horizonte Médio são virtualmente abandonados durante o fim do século VIII. Alguns continuam intactos; outros, porém, perdem sua hegemonia. No Epiclássico novos centros urbanos mantêm esta posição de domínio, mas os processos que levaram a esta organização e o surgimento de novos centros hegemônicos ainda não são muito bem conhecidos. O que está claro é que o colapso de Teotihuacán não é o único evento deste período. Monte Albán, Matacapán, Kaminaljuyu, Cobá, Tikal e outros centros regionais decaem nesta mesma época.

As novas cidades que aparecem são Xochicalco, Cholula, El Tajín, Uxmal, Cacaxtla, Kabah, Sayil e acreditamos que grande parte da construção de Chichén Itzá data deste período. Estas novas cidades emergem como centros urbanos hegemônicos em suas próprias regiões, exercendo grande influência em áreas distantes, mas não alcançando, entretanto, o tamanho, poder e longevidade de Teotihuacán. É interessante que estes centros aparecem em regiões que até então eram politicamente marginais. Centros como El Tajín, Xochicalco, os sítios da área Puuc desenvolvem-se em áreas que serviram de ocupação por apenas uma vez, embora haja discussões sobre a possível contemporaneidade destes centros com o fim da hegemonia teotihuacana.

Uma outra característica que define este período é a instabilidade populacional. Os movimentos populacionais de pequena escala devem ter sido comuns em toda a Mesoamérica, como assinalam as obras etnohistóricas. No entanto, os séculos VIII e IX testemunham mudanças dramáticas no aumento da população, localização e distribuição de assentamentos. Na bacia do México, por exemplo, os grupos dispersaram-se através do meio ambiente em uma nova configuração de assentamento (Sanders et al. 1979).20 Estudos realizados na região ocidental de Morelos (Hirth, 1989), em Teotlalpa (Mastache e Crespo, 1974), no norte do México (Braniff, 1972), nas terras altas da Guatemala, no Petén e no Yucatán (Cobos, 2003; Navarro, 2007), todos corroboram para o fato que grupos que, por séculos permaneceram no mesmo local, passam agora a migrar.21

Há evidência de pelo menos três tipos de migração neste período. A mais comum e mais visível no registro arqueológico são os movimentos de pequenos grupos deslocando-se a curtas distâncias. O movimento mais típico diz respeito a grupos de agricultores que se estabelecem em aldeias ou vilas próximas de suas regiões de origem. O segundo tipo de migração ocorre com os artesãos em busca de novos mercados para a realização de suas atividades. No entanto, muitos deles poderiam não ter realizado longas viagens. Os confeccionadores de obsidiana, ceramistas e outros artesãos produtores de mercadorias utilitárias poderiam ter ido somente às vilas ou cidades mais próximas. Apenas os artesãos que produziam mercadorias de elite a partir de materiais exóticos teriam a necesidade de mover-se em longas distâncias no intuito de ter acesso às raras matérias-primas e novos mercados entre as elites emergentes dos centros urbanos em ascenção. Finalmente, temos as migrações registradas em fontes escritas de origem nahua (centro-mexicana), iucateca e quiché. Estas obras indicam os tipos de movimentos que devem ter acompanhado o declínio de Teotihuacán. Embora estas obras pareçam descrever as viagens de longa distância pelo conjunto das sociedades, elas mais provavelmente referem-se a pequenos grupos comerciantes de elite, guerreiros, sacerdotes e governantes destituídos. Algumas migrações aparentemente controlaram as áreas onde estavam alojando-se, como parece ser o caso de Seibal; outros, indubitavelmente, fundiram-se às culturas já existentes, não deixando evidências de seus traços iniciais.

As rotas de longa distância e o comércio passam por significantes mudanças após o ano 700 d.C. Certas rotas comerciais obtiveram hegemonia à custa de outras, a rede de comércio de Teotihuacán durante o Horizonte Médio ou Clássico com o norte e oeste do México sofreu um declínio e a restauração tolteca do comércio com estas terras nos séculos X e XI aparentemente segue diferentes rotas e direções.

A partir de inovações que ocorrem após o Clássico, encontramos muitos sítios compartilhando novas formas arquitetônicas como as quadras de jodo de bola, os edifícios com esculturas de crânios e as estruturas colunadas. O sacrifício humano está proeminetemente representado nas artes plásticas destes sítios, embora tenha sido amplamente praticado antes de 700 d.C. Deidades que provavelmente surgiram em Teotihuacán como Mixcóatl, Tlaloc e Quetzalcóatl, agora podem ser identificados na arte pública de diversos centros urbanos. Como salienta Pazstory (1978), a era após a hegemonia de Teotihuacán é uma época de grande ecletismo cultural.22 Este ecletismo é mais evidente na arte dos sítios, mas também se expandiu através de aspectos não-materiais da cultura como tradições religiosas e intelectuais.

 

O papel de Chichén Itzá no estabelecimento do Epiclássico na Mesoamérica

Cohodas (1989) é de opinião que a caracterização de Jiménez Moreno (1966) para o Epiclássico sendo constituído de novos Estados marcados por uma ideologia militarista é muito negativa.23 Estes Estados, na concepção de Jiménez Moreno (1966), são formados por bárbaros que não possuem o mesmo nível cultural de Teotihuacán, portanto análogo ao dos bandos chichimecas que posteriormente destroem a cultura de Tula e, subseqüentemente, contribuem para a formação do Estado asteca. Esta noção de oposição cultural permeia os estudos do Clássico e Pós-Clássico na Mesoamérica. Baddeley (1983) nota que a cultura maia tem sido muitas vezes comparada, em termos de padrões morais, às culturas da Antiguidade Clássica: vemos as culturas humanistas e refinadas da Grécia em contraste com o militarismo dos bárbaros do posterior Império Romano, o que demonstra, em nossa visão, desconhecimento e um olhar pouco crítico da Antigüidade Clássica.24

Webb (1978), uma década depois remodela a teoria de Jiménez Moreno em termos mais científicos.25 Este pesquisador sugere a passagem do Estado teocrático para o Estado militar a partir das rotas de comércio de longa distância. Sugere que o sistema teocrático de Teotihuacán envolve rotas pacíficas de artigos rituais, enquanto o sistema militar dos Estados do Epicássico evidencia mercadorias de luxo mais seculares vendidas com o auxílio do comércio durante as guerras. Webb também coloca esta substituição dentro de uma escala evolucionária de Chefias (Teotihuacán) para os Estados (Estados Epiclássicos). O cenário para esta mudança baseia-se na suposição que com a queda de Teotihuacán a partir do domínio absoluto do sistema de trocas mesoamericano, ocorre uma intensa competição, muitas vezes com um mititarismo agressivo, entre seus múltiplos sucessores.

Assim, os Estados mais prósperos teriam sido mais capazes de reorganizar um plano militar. Na análise de Cohodas (1989), os exagerados contrastes entre Teotihuacán e os sítios periféricos enquanto Chefias teocráticas versus o estado Militar sugerem que tanto Jiménez Moreno (1966) quanto Webb (1978) interpretaram esta reconstrução do Epiclássico mais como um evento arbitrário do que um processo lógico.26

Em vez disso, a evidência arqueológica sugere que esta reconstrução de sistemas econômico, social e político foi um processo mais gradual e que ocorreu lentamenete na história de sítios como Teotihuacán. Pensamos que o modelo Epiclássico, como proposto por Jiménez Moreno e Webb e criticado por diversos autores que tratamos até aqui não faz justiça à cidade que representa traços do Epiclássico em maior escala: Chichén Itzá. Se o modelo do Epiclássico é válido, este sítio deveria ser incluído como parte desta divisão temporal por causa do desenvolvimento de um estilo eclético, arte monumental e iconografia militarista. Sendo assim, as bases para o tamanho e poder excepcionais de Chichén Itzá suportam sua incorporação dentro da esfera do Epiclássico.

Chichén Itzá está situada entre as costas do Golfo e do Caribe, um ponto estratégico onde se poderia controlar o transporte de mercadorias através e em torno da península do Yucatán. Típico da rede de interação, este centro urbano também teria funcionado como um centro de redistribuição comercial para os mercados locais através do Yucatán. Chichén Itzá foi construída junto ao Cenote Sagrado que até mesmo depois da Conquista Espanhola permanece como o maior santuário sagrado, sendo uma área em que a peregrinação foi muito ativa em todo o Yucatán (Tozzer, 1957).27 Que tais combinações de atividade econômica e religiosa encorajaram o crescimento de uma grande cidade é amplamente demonstrado em Teotihuacán, em que o maior dos antigos santuários pode ter sido a caverna abaixo da Pirâmide do Sol. Chichén Itzá cresceu para tornar-se uma das maiores cidades da Mesoamérica, planejada assim como sua vizinha Cobá, com um núcleo urbano conectado a estradas em diversos complexos suburbanos e cidades satélites (Andrews, 1975; Cobos, 2003).28

Embora o tamanho total e a extensão de Chichén Itzá não tenham ainda sido determinados, os monumentos que foram explorados indicam um testemunho de façanhas inigualáveis. A tecnologia de construção aplicada neste sítio é extraodinária, como pode ser perfcebido na Colunata Oeste, de onde quatro agrupamentos enfileirados compreendem pelo menos 228 colunas; no Caracol, ou observatório astronômico, com suas abóbodas anelares e escadarias interiores curvadas; ou até mesmo na quadra do grande jogo de pelota, que atinge 167 metros e é a maior de toda a Mesoamérica. Os pintores de Chichén Itzá foram também extremamente inventivos. Os relevos interiores do Templo Menor dos Jaguares incluem 117 figuras, cada uma delas caracterizada diferentemente pelo vestuário e atributos; as primeiras representações do personagem conhecido como Disco Solar conhecidas na Mesoamérica ou de Tezcatlipoca, a divindade que representa um "espelho fumegante" na sua cabeça e rival de Quetzalcóatl; além dos murais com motivos de guerra do Templo Superior dos Jaguares, envolvendo os mais sofisticados dentro desta perspectiva em toda arte pré-hispánica.

A respeito de sua escala e inovação, os arqueólogos do modelo tradicional consideraram que seus monumentos meramente refletiram idéias ou seguiram traços que tiveram origem em outras áreas culturais.29 A intensa elaboração em arte monumental de características semelhantes com a tradição centro-mexicana é convencionalmente explicada como o resultado de invasão ou colonização de outras culturas. Muitos arqueólogos hoje têm reagido a esta visão de adoção de conceitos "não-maias" como uma escolha consciente pelos governantes e artistas de Chichén Itzá com o propósito de se aliarem aos sistemas político e econômico das terras altas do México Central. Hoje sabemos que a organização espacial e o tipo de padrão de asentamento do sítio são tipicamente maias e não "toltecas" (Lincoln, 1986; Robles Castellanos, 1990; Cobos, 1995, 2001, 2003; Ringle et al. 1998; Navarro, 2001; 2007).30

Embora Lincoln e outros estudiosos tenham demonstrado os modos pelos quais os primeiros arqueólogos interpretaram os dados, no intuito de aplicar esta seqüência pré-concebida, eles não se esforçaram em explicar as razões pelas quais este esquema teria um mérito em face de muitas evidências contraditórias. Baddeley (1983) forneceu a chave para a compreesão deste processo, notando que classificamos as culturas do Novo Mundo de acordo com as concepções e características oriundas do Velho Mundo e da Antiguidade Clássica.31 Assim que foi aplicada em Mesoamérica uma percepção de mudança histórica baseada na sucessão da Grécia Clássica para a Roma Imperial, uma vez que na época em que esta seqüência foi elaborada, os maias eram considerados portadores de uma cultura teocrática e pacífica, em contraste com o militarismo tolteca.

Embora as décadas de 1970 e 1980 tenham testemunhado importantes revisões na datação de Chichén Itzá, as hipóteses básicas não têm mudado e continuam afetando a interpretação dos dados. Proskouriakoff (1950) já acreditava que os monumentos mexicanizados de Chichén Itzá pudessem ter sido edificados antes do colapso dos maias, cujas influências sobre a escultura monumental são muito evidentes.32 Esta evidência de influência pré-tolteca no Yucatán nunca havia sido observada, enquanto traços similares eram reconhecidos em contextos do Clássico Tardio em Bilbao, Xochicalco e El Tajín. A resposta de Thompson (1970) foi reanalisar os dados, identificando os itzás como um grupo maia chontal de Campeche, sugerindo que eles carregaram traços mexicanizados a Chichén Itzá antes da chegada dos toltecas.33

A partir destas interpretações, os arqueólogos agora consideram os monumentos mexicanizados de Chichén Itzá como parte do Clássico Terminal, coincidindo com a construção dos sítios da região Puuc. Dentro deste marco de conteporaneidade, a influência de Itzá sobre as terras baixas do sul é mais evidente nos contextos do Clássico Terminal e ocorre em vários aspectos, como na cerâmica Sotuta; na forma artefatos em contexto com a fase Tepeu II em Uaxactún (Lincoln, 1986); nas esculturas, como nas estelas de Seibal do século X (Kowaslki, 1989); e na arquitetura, notada em duas estruturas em Nohmul, datada da fase Jose V (Hammond, 1982).34

Hoje sabemos que Chichén Itzá e Uxmal são sítios contemporâneos. Os arqueólogos continuam encontrando evidências de mistura da cerâmica Puuc (Cehpech) com as de Chichén Itzá (Sotuta) na estratigrafia dos dois sítios. Na arquitetura, Andrews IV (1973) identificou similaridades na tecnologia de alvenaria entre os últimos monumentos de Uxmal e as estruturas mexicanizadas de Chichén Itzá.35 Por exemplo, o pátio quadrilátero do Convento em Uxmal, uma das estruturas tardias discutidas por Andrews IV (1973), apresenta uma datação de 900 +-130 d.C. que coincide com a data 860+-200 d.C. de oferendas com estilo mexicanizado encontrados na caverna de Balamcaché, nas proximidades de Chichén Itzá.36

Assim, os arqueólogos cada vez estão mais convencidos da contemporaneidade entre os estilos maia e o mexicanizado no Yucatán, o que impossibilita a invasão tolteca em 900-1100 d.C. No entanto, acreditamos que esta abordagem revisionista está longe de ser alcançada enquanto os arqueólogos continuarem interpretando os dados de acordo com a pré-concepção que a "influência centro-mexicana" no Yucatán precisa contribuir para o declínio, mais do que para a ascenção da cultura maia durante o Clássico Terminal.

Embora a redução de Chichén Itzá a um sítio de uma única fase seja claramente incorreta, ainda há pouca evidência cerâmica para distinguir seus estágios cronológicos. Entretanto, há uma riqueza arquitetônica revelada pela exploração das maiores construções do sítio arqueológico. Concordamos com as conclusões de Pollock (1980) e Andrews (1975) que a identificação arquitetônica em Chichén Itzá ganha maior credibilidade se comparada ao desenvolvimento arquitetônico da região Puuc.37 Com isto, o trabalho destes pesquisadores fornece uma das melhores seqüências arquitetônicas de toda a Mesoamérica. Suas análises demonstram que, seguindo um período inicial de experimentação com vários estilos (Oxkintok Inicial, Proto-Puuc) a história remanescente da arquitetura na região Puuc envolveu uma seqüência de três estilos bem definidos, chamados Puuc Inicial, Puuc Clássico e Uxmal Tardio. O Uxmal Tardio vem sendo discutido como uma época que compreende o Clássico Terminal e sua associação com Chichén Itzá.

Embora o começo da arte monumental em Chichén Itzá ainda não possa ser detectado com precisão, o estilo mexicanizado deve ter-se desenvolvido no início do século VIII. A estrutura A do sítio de Mul Chic fornece a mais forte evidência desta perspectiva. Este templo representa o melhor exemplo documentado da arquitetura Puuc Inicial, uma vez que sua decoração inclui um telhado com forma de crista projetada em estuque e com cornija quebrada, localizada dentro de uma plataforma do Puuc Clássico. Os murais pintados neste templo incluem tanto o estilo maia quanto o mexicanizado de Chichén Itzá, o que nos faz crer que o estilo mexicanizado nada mais é que uma variável no desenvolvimento cultural das sociedades maias.

Esta mesma combinação de traços também está representada na mistura das cerâmicas do Puuc Inicial com as de estilo mexicanizado encontradas abaixo do marcador central da quadra de jogo de pelota das Monjas de Chichén Itzá. Enquanto não há evidência segura para datar os outros templos do Puuc Inicial ou das estruturas de Chichén Itzá, as datas citadas para a fase Puuc Clássica sugerem que a estrutura A em Mul Chic não ultapassa mais que o século VIII. Assim, o início dos estilos Puuc Inicial e de Chichén Itzá poderiam situar-se no final do século VIII.

Quanto à iconografia, Chichén Itzá também apresenta traços que definem o Epiclássico. O estilo da arte figurativa deste sítio é eclética e apresenta uma contextualização em que os personagnes aparecem em conjunto. Uma ênfase acentuada sobre a guerra é evidente nos seis murais de combate do Templo Superior dos Jaguares. O jogo de bola começa a adquirir novos elementos como o tema de guerra, o que é claramente visível nos monumentos "mexicanizados" de Chichén Itzá. O tema guerreiro é característico do Epiclássico e pode ser notado na arte monumental de sítios como Xochicalco, Cacaxtla, Cholula, El Tajín e Bilbao. Embora Chichén Itzá muitas vezes não seja incluída pelos estudiosos no contexro cultural destes cultos à guerra durante o Epiclássico, as evidências de datação radiocarbônica, mencionadas antes, confirmam sua contemporaneidade com outros sítios do Epiclássico.

Em Chichén Itzá, a procissão de prisioneiros enfileirados pode ser vista nos taludes (paredes inclinadas) do edificio conhecido como Mercado. Sobre eles, um homem-águia sacrificador e suas vítimas mutiladas formam filas de prisioneiros, cada qual distinguida por um sinal. Neste contexto de guerra, estes sinais poderiam referir-se aos nomes dos prisioneiros (nominativo) ou de suas cidades de origem (toponímico), enquanto uma conquista ou pagamento de tributos. As cornijas deste edificio mostram serpentes emplumadas em formato meândrico com representação do planeta Vênus nestes espaços (figura 2. As serpentes emplumadas representadas no Mercado. Em Tozzer 1957:154).

 

 

As representações sobre a Pirâmide da Serpente Emplumada em Xochicalco constituem uma evolução alternada de mesmas origens. Os artistas de Xochicalco inverteram seus esquemas, colocando a serpente emplumada sobre os taludes, no formato meândrico usual junto das figuras maias e cartuchos glíficos nos espaços livres, substituindo as séries toponímicas de figuras centro-mexicanas no tablero (figura 3. A serpente emplumada representada em Xochicalco. Em Florescano 1995:230).

 

 

As similaridades entre as possíveis séries toponímicas em Teotihuacán, Xochicalco e Chichén Itzá sugerem não apenas que elas estão historicamente relacionadas, mas que também são contemporâneas. As plataformas de procissão continuaram se desenvolvendo em Chichén Itzá nas colunatas do Pátio das Mil Colunas. Embora este tipo retenha o formato de tablero de serpentes emplumadas e plataformas de guerra, as primeiras representações de prisioneiros com cenas toponímicas são agora substituídas por guerreiros e vasos de oferendas preenchendo os espaços vagos entre eles.

Os relevos de procissão no Palácio Queimado de Tula são exatamente os do tipo do complexo do Templo dos Guerreiros e parecem ter servido como modelo para os primeiros artistas astecas, como já foi visto no relevo da bancada da Casa das Águias, dentro do complexo do Templo Maior em Tenochtitlán (Nicholson, 1971).38 Parece ser que o desenvolvimento das plataformas de procissão em Chichén Itzá fornece um elo entre sua origem em Teotihuacán e sua elaboração posterior em Tula e Tenochtitlán.

Um segundo traço compartilhado pelos sítios do Epiclássico é a justaposição de figuras que são diferenciadas etnicamente como sendo de origem das terras altas mexicanas e terras baixas maias. Estas formas do Epiclássico de oposição étnica representam categorias repetidas, e ambas evidenciadas em Cacaxtla e Chichén Itzá (Nagao, 1989).39 Em ambos os sítios, estas figuras ocupam um claro contexto de culto à guerra. A maior dupla mitológica em Cacaxtla, personificada como um jaguar e uma águia, que também está representada no lintel do Templo Inferiror dos Jaguares de Chichén Itzá, evidencia um disco solar com atributos de uma serpente emplumada. Estas figuras podem representar o Sol e Vênus e estão em sincronia contextual com os heróis gêmeos do culto à guerra.

Uma comparação com o ritual asteca mostra claramente uma inter-relação com dois traços do Epiclássico: a disposição dos templos em sentido leste-oeste e o par de guerreiros centro-mexicanos e maias nos atributos de Sol e Vênus, como ocorre em Cacaxtla, Xochicalco, El Tajín, Bilbao, Cholula e Chichén Itzá. Na cerimônia de combate gladiatório, a vítima é a primeira a ser golpeada por guerreiros que incorporam águias e jaguares, ambos os animais associados ao Sol. O próprio prisioneiro é chamado pelos sacerdotes de homem-águia e o porrete golpeador forma uma ponta com plumas de águia (Sahagún, 1956).40 Na estrutura A em Cacaxtla e no Templo Maior dos Jaguares em Chichén Itzá, a passagem dos raios de sol entre os guereiros Sol e Vênus representaria o sacrifício em suas mãos, enquanto os raios penetram a superfície da terra para entrar no Mundo Inferior ou Xibalbá. Posicionados para o norte e sul a partir do eixo do pôr-do-sol, os guerreiros maias e centro-mexicanos também personificaram o céu e a terra, os mundos Superior e Inferior que rodeiam o Sol e cruzam o horizonte.

As formas de oposição étnica na arte do Epiclássico podem ser interpretadas dentro de um contexto do mito e ritual do culto à guerra mais que formas de dominação direta ou intrusão estrangeira nos sítios que apresentam traços do Epiclássico. A oposição étnica ocorre em contextos históricos como na proclamação da derrota de Seibal pelo governante de Dos Pilas, mas os contrastes étnicos dão a informação que ela não é histórica (Schele e Miller, 1986).41 Por exemplo, apesar do governante de Dos Pilas e de sua tropa portarem trajes centro-mexicanos, eles não pertencem a esta cultura. O significado da oposição entre estas duas culturas deve ser interpretado dentro de um contexto mais ideológico (Stone, 1989).42 Deste modo, quando se percebe a oposição étnica em Cacaxtla e Chichén Itzá, torna-se aparente que os maias associaram as terras altas do México Central a uma qualidade específica: o militarismo. Este pressuposto não anula a idéia que os maias não apresentaram estas características. Como sabemos o militarismo também esteve presente na cultura maia.

Um outro exemplo pode ser identificado nos relevos da estrutura 5D-57 no Palácio da Acrópole de Tikal. Possivelmente o registro representa a vitória em 695 d.C. do governante de Tikal Ah Cacau, representado com trajes centro-mexicanos, sobre seu rival, o rei Jaguar Paw do sítio de Quiriguá, este como prisioniero e vestido como maia (Schele, 1982).43 Nesta inscrição, o artista confere a Ah Cacau um estilo trabalhado de modo mais retilíneo, próprio dos trajes centro-mexicanos, do que curvelíneo, basicamente maia (Miller, 1978).44

Logo, o Epiclássico representa uma transformação final do Clássico na Mesoamérica e é um período em que as caracterísitcas do Pós-Clássico começam a se definir. Neste sentido, a paior parte da construção arquitetônica de Chichén Itzá data deste período, o que impossibilita a invasão tolteca partir do século X neste centro urbano.

 

 

* Artigo recebido em: dezembro/2007.
1 Agradeço ao Dr. Pedro Paulo Funari (UNICAMP) e Dr. Rafael Cobos Palma (UADY-México) pelos comentários pertinentes.
2 ROYS, Ralph L. The Book of Chilam Balam of Chumayel. Carnegie Instituition of Washington, Publication 438, Washington D.C., 1933.         [ Links ] THOMPSON, J. Eric S. A New Method of Deciphering Yucatecan Dates with Special Reference to Chichén Itzá. Contributions to American Archaeology and History 4(22). Carnegie Institution of Washington, Publ. 483, Washington D.C. 1937.         [ Links ] MORLEY, Sylvanus G. The Ancient Maya Stanford: Standford Press, 1946.         [ Links ] TOZZER, Alfred M. Maya and Toltec Figures at Chichén Itza. Proceedings of the 23 rd International Congress of Americanists, pp.154-164, Nova Iorque, 1930;         [ Links ] Chichén Itzá and Its Cenote of Sacrifice. Memoirs of the Peabody Museum of American Archaeolgy and Ethnology pp.11-12. Cambridge, Mass.: Harvard University, 1957.         [ Links ]
3 As expressões "terras centro-mexicanas" ou "centro-mexicanos" referem-se aos habitantes pré-hispânicos das terras altas do atual território mexicano.
4 TOZZER, Alfred M. Chichén Itzá and Its Cenote of Sacrifice. Memoirs of the Peabody Museum of American Archaeolgy and Ethnology pp.11-12. Cambridge, Mass., Harvard University, 1957.         [ Links ]
5 MORLEY, Sylvanus G. The Ancient Maya Stanford: Standford Press, 1946.         [ Links ] THOMPSON, J. Eric S. Maya History and Religion. Norman: University of Oaklahoma Press, 1970.         [ Links ]
6 SCHELE, Linda e MILLER, Mary Ellen. The Blood of Kings: Dynasty and Ritual in Maya Art. Fort Worth: Kimbell Art Museum e Nova Iorque: George Braziller Co, 1986.         [ Links ] SCHELE, Linda; FREIDEL, David. Una Selva de Reyes. México: FCE, 1990.         [ Links ]
7 SCHMIDT, Peter e WREN, Linnea H. Elite Interaction during the Terminal Classic Period: New Evidence from Chichén Itzá. Classic Maya Political History (editado por T. Patrick Culbert), pp.199-225. School of American Resarch Advanced Seminar Series, Cambridge: Cambridge University, 1991.         [ Links ]
8 SCHMIDT, Peter e WREN, Linnea H. Elite Interaction during the Terminal Classic Period: New Evidence from Chichén Itzá. Classic Maya Political History (editado por T. Patrick Culbert), pp.199-225. School of American Resarch Advanced Seminar Series, Cambridge: Cambridge University, 1991.
9 SCHMIDT, Peter e WREN, Linnea H. Elite Interaction during the Terminal Classic Period: New Evidence from Chichén Itzá. Classic Maya Political History (editado por T. Patrick Culbert), pp.199-225. School of American Resarch Advanced Seminar Series, Cambridge: Cambridge University, 1991.
10 BEY III, George J. A Regional Analysis of Toltec Ceramics, Tula, Hidalgo, Mexico. Department of Anthropology, Tulane University, Nova Orleans, L.A, 1987.         [ Links ] ROBLES CASTELLANOS, Fernando. La Secuencia Cerámica de la Región de Cobá, Quintana Roo. Colección Cientifica del Instituto Nacional de Antropología e Historia, México, 1990.         [ Links ]
11 LINCOLN, Charles E. The Chronology of Chichén Itzá: A Review of the Literature. Late Lowland Maya Civilization (editado por Jeremy A. Sabloff and E. Wyllys Andrews IV), pp.141-198. Albuquerque: Santa Fe and University of New Mexico Press, 1986.         [ Links ]
12 BALL, Joseph W. The 1977 Central College Symposium on Puuc Archaeology: A Summary View. The Puuc: New Perspectives (editado por Lawrence Mills), pp.46-51. Scholarly Studies in the Liberal Arts nº 1. Central College, Pella, IA, 1979.         [ Links ] LINCOLN, Charles E. The Chronology of Chichén Itzá: A Review of the Literature. Late Lowland Maya Civilization (editado por Jeremy A. Sabloff and E. Wyllys Andrews IV), pp.141-198. Albuquerque: Santa Fe and University of New Mexico Press, 1986.         [ Links ] ROBLES CASTELLANOS, Fernando. La Secuencia Cerámica de la Región de Cobá, Quintana Roo. Colección Cientifica del Instituto Nacional de Antropología e Historia, México, 1990.         [ Links ] COBOS PALMA, R. Rafael P. Katun and Ahau: Dating the End of Chichén Itzá.Middle American Research Institute, Tulane University, Nova Orleans, 1995.         [ Links ] COBOS PALMA, R. El Centro de Yucatán: de área periférica a la integración de la comunidad urbana de Chichén Itzá". Reconstruyendo la Ciudad Maya: el Urbanismo en las Sociedades Antiguas, editado por A. C. Ruiz, Ma. J. Ponce de León e Ma. del Carmen Martínez. Madrid: Sociedad Española de Estudios Mayas, 2001.         [ Links ] COBOS PALMA, R. The Settlement Patterns of Chichen Itza, Yucatan, Mexico. Tese de doutorado. Department of Anthropology, Tulane University, 2003.         [ Links ] NAVARRO, A. G. Las serpientes emplumadas de Chichén Itzá: distribución en los espacios arquitectónicos e imaginería. Tesis de doctorado. México: Universidad Nacional Autónoma de México, 2007.         [ Links ]
13 LINCOLN, Charles E. The Chronology of Chichén Itzá: A Review of the Literature. Late Lowland Maya Civilization (editado por Jeremy A. Sabloff and E. Wyllys Andrews IV), pp.141-198. Albuquerque: Santa Fe and University of New Mexico Press, 1986.         [ Links ] COBOS PALMA, R. The Settlement Patterns of Chichen Itza, Yucatan, Mexico. Tese de doutorado. Department of Anthropology, Tulane University, 2003.         [ Links ] ROBLES CASTELLANOS, Fernando. La Secuencia Cerámica de la Región de Cobá, Quintana Roo. Colección Cientifica del Instituto Nacional de Antropología e Historia, México, 1990.         [ Links ]
14 MILLON, René. Teotihuacán: City, State, and Civilization. In Supplement to the Handbook of Middle American Indians (editado por Victoria R. Bricker and Jeremy A. Sabloff), vol 1:198-243. University of Texas Press, 1981.         [ Links ]
15 JIMÉNEZ MORENO, Wigberto. Mesoamerica Before the Toltecs. Ancient Oaxaca (editado por John Paddock): pp.1-82. Stanford University Press, Stanford, 1966.         [ Links ]
16 BERLO, Janet Catherine. The Concept of the Epiclassic. Mesoamerica After the Decline of Teotihuacán, 700-900 A .D. (editado por Richard A. Diehl e Janet C. Berlo) pp.209-210. Dumbarton Oaks Research Library and Collection, Washington D.C. 1989.         [ Links ]
17 WEBB, Malcolm. The Significance of the "Epiclassic" Period in Mesoamerican Prehistory. Cultural Continuity in Mesoamerica (editado por D. Browman) pp.155-178. Mouton, The Hage, 1978.         [ Links ]
18 DIEHL, Richard A.; BERLO, Janet Catherine. Mesoamerica After the Decline of Teotihuacán A .D 700-900. Dumbarton Oaks Research Library and Collection, Washington, D.C. 1989.         [ Links ] TOLSTOY, Paul. Western Mesoamerica before A .D. 900. Chronologies in New World Archaeology (editado por R. E. Taylor e Clement Meighan), pp.241-284. Nova Iorque: Academic Press, 1978.         [ Links ] SANDERS, W. T.; PARSONS, Jeffrey R.; SANTLEY, Robert S. The Basin of Mexico: Ecological Processes in the Evolution of a Civilization. Nova Iorque: Academic Press, 1979.         [ Links ]
19 SANDERS, William T. The Epiclassic as a Stage in Mesoamerican Prehistory: An Evaluation (editado por Richard A. Diehl e Janet C. Berlo), pp.211-218. Dumbarton Oaks Research Library and Collection, 1989.         [ Links ]
20 SANDERS, W. T.; PARSONS, Jeffrey R.; SANTLEY, Robert S. The Basin of Mexico: Ecological Processes in the Evolution of a Civilization. Nova Iorque: Academic Press, 1979.         [ Links ]
21 HIRTH, Kenneth G. Militarism and Social Organization at Xochicalco, Morelos. Mesoamerica After the Decline of Teotihuacán, A .D 700-900 (editado por Richard A. Diehl e Janet C. Berlo), pp.69-81.Dumbarton Oaks Research Library and Collection, Washington D.C. 1989.         [ Links ] MASTACHE, Alba Guadalupe e CRESPO, Ana Maria. La Ocupación Prehispánica en el Area de Tula, Hgo. Proyecto Tula, Segunda Parte. Instituto de Antropología e Historia, Colección Científica 33:49-70. Mexico: 1974.         [ Links ] BRANIFF, Beatriz. Secuencias Arqueológicas en Guanajuato y la Cuenca del Mexico: Intento de Correlación. Teotihuacán, Onceava Mesa Redonda: 273-324. Sociedad Mexicana de Antropología, Mexico, 1972.         [ Links ] COBOS PALMA, R. The Settlement Patterns of Chichen Itza, Yucatan, Mexico. Tese de doutorado. Department of Anthropology, Tulane University, 2003.         [ Links ] NAVARRO, A. G. Las serpientes emplumadas de Chichén Itzá: distribución en los espacios arquitectónicos e imaginería. Tesis de doctorado. México: Universidad Nacional Autónoma de México, 2007.         [ Links ]
22 PASZTORY, Esther. Artistic Traditions of the Middle Classic Period. Middle Classic Mesoamerica: A .D. 400-700 (editado por Esther Pazstory) p.21, 1978.         [ Links ]
23 COHODAS, Marvin. The Epiclassic Problem: A Review and Alternative Model. Mesoamerica after the Decline of Teotihuacán, A .D. 700-900, (editado por Richard A. Diehl e Janet C. Berlo), pp.219-240. Dumbarton Oaks Reserch Library and Collection, Washington D.C., 1989.         [ Links ]
24 BADDELEY, Oriana. The Relationship of Ancient American Writing Systems to the Visual Arts. Text and Image in Precolumbian Art (editado por Janet C.Berlo), pp.55-77. BAR International Series 180, Oxford, 1983.         [ Links ]
25 WEBB, Malcolm. The Significance of the "Epiclassic" Period in Mesoamerican Prehistory. Cultural Continuity in Mesoamerica (editado por D. Browman) pp.155-178. Mouton, The Hage, 1978.         [ Links ]
26 COHODAS, Marvin. The Epiclassic Problem: A Review and Alternative Model. Mesoamerica after the Decline of Teotihuacán, A .D. 700-900, (editado por Richard A. Diehl e Janet C. Berlo), pp.219-240. Dumbarton Oaks Reserch Library and Collection, Washington D.C., 1989.         [ Links ]
27 TOZZER, Alfred M. Chichén Itzá and Its Cenote of Sacrifice. Memoirs of the Peabody Museum of American Archaeolgy and Ethnology pp.11-12. Cambridge, Mass.: Harvard University, 1957.         [ Links ]
28 ANDREWS, George.Maya Cities: Placemaking and Urbanization. Norman: University of Oklahoma Press, 1975.         [ Links ] COBOS PALMA, R. The Settlement Patterns of Chichen Itza, Yucatan, Mexico. Tese de doutorado. Department of Anthropology, Tulane University, 2003.         [ Links ]
29 O modelo tradicional maia refere-se, principalmente, às décadas de 1940 e 1950, período em que as idéias difusionistas predominavam na arqueologia mexicana. Deste modo, o desenvolvimento da cultura maia era atribuído ao contato realizado com as culturas do México Central, consideradas mais "adiantadas" tecnologicamente falando.
30 LINCOLN, Charles E. The Chronology of Chichén Itzá: A Review of the Literature. Late Lowland Maya Civilization (editado por Jeremy A. Sabloff and E. Wyllys Andrews IV), pp.141-198. Albuquerque: Santa Fe and University of New Mexico Press, 1986.         [ Links ] ROBLES CASTELLANOS, Fernando. La Secuencia Cerámica de la Región de Cobá, Quintana Roo. Colección Cientifica del Instituto Nacional de Antropología e Historia, México, 1990.         [ Links ] COBOS PALMA, R. Rafael P. Katun and Ahau: Dating the End of Chichén Itzá.Middle American Research Institute, Tulane University, Nova Orleans, 1995.         [ Links ] COBOS PALMA, R. El Centro de Yucatán: de área periférica a la integración de la comunidad urbana de Chichén Itzá". Reconstruyendo la Ciudad Maya: el Urbanismo en las Sociedades Antiguas, editado por A. C. Ruiz, Ma. J. Ponce de León e Ma. del Carmen Martínez. Madrid: Sociedad Española de Estudios Mayas, 2001.         [ Links ] COBOS PALMA, R. The Settlement Patterns of Chichen Itza, Yucatan, Mexico. Tese de doutorado. Department of Anthropology, Tulane University, 2003.         [ Links ] NAVARRO, Alexandre Guida. O retorno de Quetzalcóatl: o culto à divindade a partir da evidência arqueológica de Chichén Itzá, México. Tese de mestrado São Paulo: Museu de Arqueologia e Etnologia, 2001.         [ Links ] NAVARRO, A. G. Las serpientes emplumadas de Chichén Itzá: distribución en los espacios arquitectónicos e imaginería. Tesis de doctorado. México: Universidad Nacional Autónoma de México, 2007.         [ Links ] RINGLE, William M.; GALLARETA NEGRÓN, Tomás; BEY III, George. The Return of Quetzalcóatl: Evidence for the Spread of a World Religion during the Epiclassic Period. Ancient Mesoamerica, 9:183-232, 1998.         [ Links ]
31 BADDELEY, Oriana. The Relationship of Ancient American Writing Systems to the Visual Arts. Text and Image in Precolumbian Art (editado por Janet C.Berlo), pp.55-77. BAR International Series 180, Oxford, 1983.         [ Links ]
32 PROSKOURIAKOFF, Tatiana. A Study of Classic Maya Sculpture. Carnegie Institution of Washington, Pub. 593, Washington D.C., 1950.         [ Links ]
33 THOMPSON, J. Eric S. Maya History and Religion. Norman: University of Oaklahoma Press, 1970.         [ Links ]
34 LINCOLN, Charles E. The Chronology of Chichén Itzá: A Review of the Literature. Late Lowland Maya Civilization (editado por Jeremy A. Sabloff and E. Wyllys Andrews IV), pp.141-198. Albuquerque: Santa Fe and University of New Mexico Press, 1986.         [ Links ] KOWALSKI, Jeff Karl. Who Am I among the Itzá? Links between Northern Yucatan and the Western Maya Lowlands and Highlands. Mesoamerica after the Decline of Teotihuacán, A .D. 700-900 (editado por Richard A. Diehl e Janet C. Berlo). Dumbarton Oaks Research Library and Collection, Washington D.C., pp.173-185, 1989.         [ Links ] HAMMOND, Norman. La Civilización Maya. Madrid: Ediciones Istmo, 1982.         [ Links ]
35 ANDREWS IV, E. Wyllys. The Development of Maya Civilization after Abandonment of the Southern Cities. The Classic Maya Collapse (editado por T. Patrick Culbert) pp.243-265. School of American Research Book, University of New Mexico Press, Albuquerque, 1973.         [ Links ]
36 ANDREWS IV, E. Wyllys. The Development of Maya Civilization after Abandonment of the Southern Cities. The Classic Maya Collapse (editado por T. Patrick Culbert) pp.243-265. School of American Research Book, University of New Mexico Press, Albuquerque, 1973.         [ Links ]
37 POLLOCK, H. E. D. The Puuc: An Architectural Survey of the Hill Country of Yucatan and Northern Campeche, Mexico. Memoirs of the Peabody Museum of Archaeology and Ethnology 19, Harvard University, Cambridge, 1980.         [ Links ] ANDREWS, George.Maya Cities: Placemaking and Urbanization. Norman: University of Oklahoma Press, 1975.         [ Links ]
38 NICHOLSON, Henry B. Major Sculpture in Pre-Hispanic Central Mexico. Handbook of Middle American Indians (editado por Gordon F. Ekholm e Ignacio Bernal) 10: 92-134. University of Texas Press, Austin, 1971.         [ Links ]
39 NAGAO, Debra. Public Proclamation in the Art of Cacaxtla and Xochicalco. Mesoamerica afer the Decline of Teotihuacán, AD 700-900, (Richard A. Diehl e Janet C. Berlo), pp.83-104. Dumbarton Oaks Research Library and Collection, Washington D.C. 1989.         [ Links ]
40 SAHAGÚN, Bernardino de. General History of the Things of New Spain, 4 vols. México: Editorial Porrúa, 1956.         [ Links ]
41 SCHELE, Linda e MILLER, Mary Ellen. The Blood of Kings: Dynasty and Ritual in Maya Art. Fort Worth: Kimbell Art Museum e Nova Iorque: George Braziller Co, 1986.         [ Links ]
42 STONE, Andrea. Disconnection, Foreign Insignia, and Political Expansion: Teotihuacán and the Warrior Stelae of Piedras Negras. Mesoamerica after the Decline of Teotihuacán, A .D 700-900, (editado por Richard A. Diehl e Janet C. Berlo), pp.153- 172. Dumbarton Oaks Research Library and Collection, Washington D.C. 1989.         [ Links ]
43 SCHELE, Linda. Maya Glyphs: The Verbs, p.269. Austin: University of Texas Press, 1982.         [ Links ]
44 MILLER, Arthur G. A Brief Outline of the artistic Evidence for Classic Period Cultural Contact between Maya Lowlands and Central Mexican Highlands. In Middle Classic Mesoamerica: A .D 400-700 (editado por Esther Pazstory), pp.63-70. Columbia University Press, Nova Iorque, 1978.
        [ Links ]