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Estudos de Psicologia (Natal)

On-line version ISSN 1678-4669

Estud. psicol. (Natal) vol.9 no.3 Natal Sep/Dec. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S1413-294X2004000300009 

ARTIGOS

 

Ser e estar drag queen1: um estudo sobre a configuração da identidade queer

 

Being a drag queen: a study on the characterization of the queer identity

 

 

Maria Teresa Vargas ChidiacI; Leandro Castro OltramariII

ILaboratório Bioclínico São José
IIUniversidade do Vale do Itajaí e Universidade do Sul de Santa Catarina

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

O principal objetivo deste estudo foi identificar o processo de formação da identidade queer das drag queens do circuito Balneário Camboriú e Florianópolis. Para atingir este propósito, foi investigado como se processa a relação de identificação das drag queens com o gênero feminino e masculino. Abordou-se também de que modo configura-se a relação entre o sujeito e a personagem drag queen, descrevendo a sua visão sobre a própria sexualidade. Estes dados foram obtidos através de pesquisa exploratória com três sujeitos através de entrevistas, sendo o roteiro semidirigido, além de terem sido realizadas visitas em suas moradias e em casas noturnas onde faziam apresentações artísticas. Os entrevistados relataram que a identidade das drags se diferencia de suas identidades pessoais em diversos aspectos. A drag possui características físicas e psicológicas, além de posturas e atitudes, que são próprias da personagem e que a distinguem do sujeito que a compõe. Mas houve relatos com freqüência que existem situações em que personagem e sujeito que a compõe se confundem. Através dos resultados, pode-se identificar como a configuração da identidade está relacionada com a socialização e com as transformações do corpo. Os sujeitos que interpretam as drag queens manifestam esse jogo de identidades, de ambos os gêneros, configurando o que pode se identificar com uma identidade queer.

Palavras chave: drag queens; teoria queer; identidade; homoerotismo; travestis


ABSTRACT

The main objective of this study was to identify the formation process of queer identity of some drag queens in the cities of Balneário Camboriú and Florianópolis, in the state of Santa Catarina, south of Brazil. In order to achieve this objective, we investigated how the drag queens identify themselves with the female and male genders. In addition, we investigated how the relation between the interviewed subjects and their drag queen character gets established through their description of their own sexuality. The data was collected from three subjects through a survey composed of a semi-direct questionnaire and through visits to their homes and to the nightclubs where they perform their shows. The interviewed subjects have reported that their drag queen character identity differs from their own personal identities in several ways. Besides their posture and attitudes, drag queens have physical and psychological characteristics that are proper to their character's identity and which are distinguishable from their own personal identity. However, there were frequent reports of some situations in which both identities are blended. Through the results, one can identify how the configuration of identity is related with socialization and body changes. The subjects who enact the role of drag queens manifest their identities, of both genders, by configuring what one may call a queer identity.

Key words: drag queens; queer theory; identity; homoerotism; transvestites


 

 

Este artigo é resultado de um trabalho de conclusão de curso de Psicologia, com ênfase em Psicologia Social, desenvolvido no período de março a novembro de 2001. O estudo refere-se à problemática da configuração da identidade sexual de um grupo de drag queens. Estas se apresentam como uma manifestação singular. Apesar de muitas vezes serem confundidas com travestis e transexuais, inscrevem-se em um mundo social marcado por diferenças destes grupos. Ser drag associa-se ao trabalho artístico, pois há a elaboração de uma personagem. A elaboração caricata e luxuosa de um corpo feminino é expressa através de artes performáticas como a dança, a dublagem e a encenação de pequenas peças. É relevante mencionar a inserção das drags queens nos meios de comunicação e na mídia, de forma bastante expressiva. Elas estão saindo de espaços exclusivamente GLBTT (Gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e transgêneros) para executarem performances nos mais diversos ambientes.

As drags contrapõem-se à idéia da identidade como algo fixo, discussão esta já celebrada na Psicologia Social por autores como Ciampa (1984), que desenvolve uma compreensão da identidade como metamorfose. Face ao exposto, este trabalho buscou verificar como se processa a formação da identidade sexual das drag queens, com o objetivo de esclarecer alguns aspectos que constituem e caracterizam este grupo e seus membros em particular, concebendo novas formas de compreensão das políticas identitárias que superam as dicotomias entre masculino e feminino a partir da teoria queer (Butler, 2003; Louro, 2004).

Ser e estar drag queen

Considera-se importante diferenciar drag queens de travestis. Mesmo que sejam categorizados como cross-dresser, transformistas, ou ainda, homens que se vestem de mulher, ambos estão inseridos em meios sociais distintos, uma vez que as drag queens atuam sob um conceito mais flexível de travestismo. Embora sejam atores transformistas, as drags distinguem-se dos travestis por andarem, em seu cotidiano, vestidos de homens, exercendo também profissões diversas, não afeitas ao transformismo durante o dia. Travestis utilizam próteses de silicone e hormônios na constituição de seus corpos femininos, permanecendo travestidas em seu cotidiano, e não o fazem de maneira exagerada e caricata (Silva, 1993; Silva & Florentino, 1996).

Vencato (2000) observou, estudando as drag queens em casas de shows, que o público presente nestas casas, freqüentadas por drags, mesmo que tenha uma imagem pré-formada de um travesti, nestes espaços para o público, tornam-se mais claras as diferenças que distinguem travestis das drag queens, sendo que as performances destas últimas estão relacionadas com as artes cênicas e interpretativas: dublam, dançam e encenam. Além disso, enquanto os travestis permanecem vestidos de mulher em seu cotidiano, as drags não. Percebe-se que estas se situam, com mais facilidade, tanto no universo heterossexual como no homossexual, uma vez que se inserem em espaços sociais e culturais para suas performances artísticas, enquanto que os travestis sofrem com a exclusão social, sendo sua imagem associada à marginalização e prostituição.

Trevisan (2000), ao relatar a história da homossexualidade no Brasil, considera a década de 90 como o momento de efetiva emergência das drag queens. Porém, relata que o fenômeno já vinha ocorrendo desde a década de 70, em casos raros, como o da transformista Laura de Vison. O autor ressalta que a atuação e inserção das drag queens foram facilitadas por causa dos componentes lúdicos e satíricos que envolvem suas performances. Com isto, elas conseguiram se inserir em âmbitos políticos, sendo presenças marcantes e fundamentais nas Paradas do Orgulho Homossexual, realizadas em São Paulo e Rio de Janeiro. Nas eleições para governador de São Paulo, em 1998, "elas chegaram a comandar coro em prol da candidatura de Marta Suplicy, durante seus shows em boates gueis"2 (Trevisan, 2000). As drag queens fazem uma explícita manifestação do gênero feminino em suas personagens, mas no cotidiano mantêm-se masculinos.

Para tanto, é importante lembramos como são definidos alguns conceitos de gênero para nossas principais interlocutoras. Para Scott (1990), as construções de gênero são formas hierarquizadas de exercício de poder, que se estabelecem através das relações sociais e sexuais, ganhando diferentes significações, dependendo de cada sociedade. No caso das drag queens vale ressaltar que existem contribuições de Butler (2003) a esta compreensão. Para a autora, gênero está relacionado a uma identidade que apenas pode ser compreendida em sua instabilidade, a partir de um locus de ação constituído de forma tênue através do tempo. Não existe nessa concepção a compreensão de gênero como uma substância, mas sim como uma temporalidade social constituída a partir da repetição estilizada de atos. Podemos, a partir disto, compreender como as drag queens caracterizam as relações de gênero, superando a dicotomia tradicional masculino/feminino.

As drags ressaltam suas características caricatas que lhes permitem a utilização dos mais diversos e variados acessórios na constituição de suas personagens feminino-masculinas. A imagem de uma drag queen vem sempre associada aos conceitos de beleza, sedução e vaidade. Ao se constituírem drags, os sujeitos passam por um longo processo de transformação, buscando um "outro" não acessível, senão por meio de sua montaria (Louro, 2004). Esta se refere ao ato de constituir a personagem feminina com adereços, nome próprio e características femininas. Os sujeitos, quando montados de drag, unem, em um único corpo, características físicas e psicológicas de ambos os gêneros, sendo e estando masculinos e femininos ao mesmo tempo, em um jogo de composição de gêneros que questiona a rigidez do conceito de identidade.

No que se refere à expressão e comunicação das drag queens, comunicação aqui entendida como troca, entendimento, compreensão, o grupo mantém um vocabulário próprio, constituído de regras performativas, as quais são uma série de recursos específicos de linguagem e fazem com que haja um domínio semântico desempenhado por elas, a partir dos lugares e posições que ocupam dentro de um determinado contexto. Para as drags, a fala está sempre presente ao lado do corpo que está sempre em transformação, manifestando, por meio desta corporalidade, a ambivalência dos signos femininos e masculinos. As palavras escolhidas pelas drag queens colaboram, de modo decisivo, para a formação de sua imagem. O domínio da língua tem estreita relação com a possibilidade de plena participação social, pois é por meio dela que se comunicam, têm acesso à informação, personificam e defendem pontos de vista, partilham ou constroem visões de mundo específicas.

As drags têm saído dos espaços exclusivamente GLBTT para executarem performances em variados e diversos ambientes de socialização. Segundo Turner (1987), a performance é uma forma dos seres humanos se comportarem; é algo relacionado à experiência humana. A performance é vista por ele como um exercício lúdico. A performance dinamiza o rito e é um evento que se realiza com atores sociais que tentam persuadir as pessoas. Assim, os atores performáticos têm o potencial, por intermédio deles mesmos, de subverter e transformar o status quo.

A partir destas questões, pretendeu-se caracterizar o processo de configuração da identidade sexual das drag queens. Para tanto, buscou-se compreender como essa identidade se manifesta a partir da teoria queer e como se processa a relação entre o sujeito e a personagem drag queen.

Sobre a coleta das informações

A fase exploratória foi realizada por meio de visitas esporádicas às casas noturnas GLBTT, onde acontecem performances das drags, de Balneário Camboriú e Florianópolis, em Santa Catarina, no período de 1998 a 2001. Segundo Vencato (2000), as drag queens formam um grupo quase invariável de quinze sujeitos, em todo o Estado. É relevante citar que no carnaval tal número aumenta consideravelmente, uma vez que as drags denominadas by chance (as que não se caracterizam habitualmente) estão circulando nesses ambientes.

Estabeleceu-se contato com três delas, que se disponibilizaram a participar da elaboração da pesquisa. Porém, houve oportunidade de conhecer outras drag queens que freqüentam ativamente o circuito Florianópolis — Balneário Camboriú.

Foram realizadas, além da observação participante3, entrevistas semi-dirigidas realizadas em suas residências, o que, em alguns casos, possibilitou uma relação com alguns integrantes da família.

Considera-se que a inserção no contexto social das drags foi fundamental para a realização da pesquisa, uma vez que tal aproximação possibilitou uma observação mais precisa da realidade experienciada por esse grupo. Foi possível perceber como se dá a relação com seu público, como se constituem como sujeitos, de que maneira vivem, lugares onde moram e como se relacionam com amigos e familiares.

As entrevistas realizadas foram guiadas por questões que envolveram temáticas como: (a) definição do que é ser drag; (b) quando começou sua performance; (c) sexualidade e (d) relação com a família, tentando preservar a espontaneidade do entrevistado, deixando-o livre para dissertar e narrar sobre o tema de cada questão.

A partir da análise de conteúdo (Bardin, 2000), os resultados foram agrupados e categorizados a partir das proximidades das respostas. A caracterização dos entrevistados foi a que segue:

A.F., residente em Florianópolis, com 30 anos, que trabalhava como modelo e não se monta profissionalmente, ou seja, não recebia, no momento da entrevista, nenhum tipo de remuneração e montava-se há aproximadamente seis anos.

T.T., residente em Balneário Camboriú, 33 anos, formado em Educação Física e que trabalha como professor em escolas e academias da cidade onde mora. T.T. monta-se há aproximadamente oito anos. No início, caracterizava-se apenas por realização pessoal; atualmente realiza performances em shoppings, boates e outras festas, sendo remunerado para isso.

C.P., que é residente em Itajaí, cidade muito próxima a Balneário Camboriú, com 35 anos, possui curso superior e se monta há aproximadamente oito anos. Trabalhava exclusivamente como ator transformista, profissionalmente; ou seja, é remunerado para transformar-se e para atuar como uma drag queen.

Teoria queer: uma proposta de compreensão da sexualidade drag queen

A teoria queer tem sido amplamente discutida pelo movimento gay norte-americano como uma forma de ampliar a discussão sobre a identidade sexual, saindo do paradigma separatista do binômio que dicotomiza hetero/homo e masculino/feminino, ultrapassando assim a discussão sobre gênero. Segundo Louro (2001), é da crise da identidade homossexual que ela surge. Queer quer dizer algo como estranho, raro ou mesmo excêntrico. Foi significado positivamente, pois anteriormente era relacionada com um xingamento homófobo. Este conceito veio para se contrapor à normalização, contrapondo-se à heteronormatividade. A autora discute a sexualidade na teoria queer e enfatiza uma das principais revoluções conceituais, pois traz a idéia de uma identidade não-fixa e não-dicotomizada entre masculino e feminino.

Segundo Butler (1999), as diferenças sexuais são percebidas pelas diferenças materiais, mas estas são também marcadas pelas diferenças discursivas. A principal questão que a teoria coloca é a problematização sobre a materialidade do gênero, que supostamente se divide entre masculino e feminino.

Para Louro (2001), ao mesmo tempo em que identidade sexual parece ser fixa é fundamental perceber que esta identidade está a todo o momento sendo questionada.

A afirmação da identidade implica sempre a demarcação e a negação do seu oposto, que é constituído como sua diferença. Esse "outro" permanece, contudo, indispensável. A identidade negada é constitutiva do sujeito [ao] fornecer-lhe o limite e a coerência e, ao mesmo tempo, assombra-o com a instabilidade. (Louro, 2001, p. 549)

A autora afirma, baseada em Foucault, que a categoria sexo é uma normatividade de um "ideal regulatório" da ciência ocidental sobre o sexo. Esta prática regulatória produziu corpos sexuados e governados. Esta normatividade, que tem poder de produzir o corpo, demarcará e diferenciará os corpos que pretende controlar.

Butler (1999) afirma que, apesar de haver uma reiteração da norma que tentará controlar os corpos por meio da sexualidade, estes nunca se materializam completamente. Os corpos nunca se conformam. Desta forma, a performance da sexualidade constitui a materialidade do corpo e assim faz com que, materializando o sexo em um corpo, apareçam as diferenças sexuais que consolidam a heterossexualidade.

O sujeito vive a sua sexualidade, segundo Butler (1999), entre a necessidade social de uma normatização sexual e uma "contestação" incessante de uma necessidade, também sexual, fazendo, assim, com que as chamadas fronteiras da sexualidade sejam testadas a todo o momento pelo sujeito que as compõe. Esta teoria contempla cada vez mais sujeitos que se encontram na fronteira entre um e outro gênero. O caso das drag queens pode ser compreendido como um destes, em que os diferentes gêneros convivem no sujeito.

Nas respostas dos entrevistados percebeu-se que a identidade da personagem se diferencia, em vários aspectos, dos sujeitos que as interpretam, mas em muitos momentos esta se mostra na fronteira, em uma sobreposição freqüente. A drag possui características físicas e psicológicas, além de posturas e atitudes que lhe são próprias, que se distinguem do sujeito. Elas, as drags, possuem um nome próprio que as identificam, geralmente um nome que causa bastante impacto, constituindo um nome, assim como um corpo, feminino e caricato. Alguns entrevistados revelaram que mesmo sendo bastante conhecidos em determinados meios, como drags, muitas pessoas não os reconhecem quando estão como homens e desmontados.

Na constituição da personagem, vários aspectos do sujeito são transformados, como o modo de andar, os gestos, as posturas, a voz e a própria linguagem. Existem falas das drags que os sujeitos que as interpretam possivelmente não falariam se não estivessem montados. Geralmente, elas possuem uma postura mais audaz e espontânea que a dos sujeitos, uma vez que as drags constituem-se em personagens caricatas e satíricas, que brincam com a sexualidade de seu público e satirizam a própria sexualidade e suas variadas manifestações. Os entrevistados afirmam existir um limite que separa a identidade do sujeito e a identidade da drag. Relatam que em seu cotidiano não costumam expressar características ou traços comuns à personagem. Cada personagem possui seu próprio temperamento, suas próprias qualidades e defeitos, seu próprio tempo de existir, uma vez que atuam como drags e não como sujeitos. Mas houve relatos que nos fazem pensar até que ponto a dimensão identitária se distingue, realmente, entre a personagem e o sujeito que a compõe.

Analisando os relatos dos entrevistados, acredita-se que o suposto limite entre essas duas identidades não deve, de forma alguma, ser percebido como algo estático ou fixo; deve, sim, ser encarado como uma fronteira flutuante, segundo a qual características da personagem podem ser evocadas quando o sujeito não está montado e vice-versa. O que se pode aqui entender é que existe, neste caso, um hibridismo, visto a partir da teoria cultural, que o coloca como uma ultrapassagem à idéia de separação das identidades em direção a uma mistura, e não separação, de masculino/feminino (Silva, 2000). Ou seja, características da identidade do sujeito também se tornam presentes na composição das personagens. Eles adquirem noções e aptidões para maquiagem e para se equilibrarem em seus saltos altos. É como se existisse um ponto de intersecção fazendo uma identidade não-dicotômica, ou uma eterna metamorfose (Ciampa, 1984), como um processo de transformação contínuo, durante a vida das drags e dos sujeitos que as interpretam. Houve relatos em que os sujeitos foram chamados pelos nomes de suas personagens quando reconhecidos e isto não lhes causava, em nenhum momento, constrangimento.

Torna-se relevante mencionar que os entrevistados utilizam o termo encarnar, ao relatarem o que acontece no momento da transformação, da constituição da personagem. A transformação a que estão sujeitos é certamente um processo acentuado e longo, onde um homem adquire formas físicas e posturas concebidas socialmente como femininas. Percebe-se certa autonomia e permeabilidade ao que chamamos de identidade queer devido a esta interligação de aspectos femininos e masculinos que se influenciam mutuamente.

A identidade queer: uma fronteira flutuante

Alguns aspectos devem ser apontados para uma discussão sobre a identidade das drags. Uma das principais questões que merece profunda atenção é como esta identidade se configura: tem corpo de homem, vestido de forma caricata como mulher, não transforma o corpo, a não ser pela vestimenta.

É importante lembrar que a incorporação dos papéis sexuais e a configuração da identidade de gênero passam pelo processo de socialização. Segundo Lago (1999), as identidades de gênero são socialmente atribuídas, masculinas e femininas, de homens e de mulheres. São identidades marcadas por valores desiguais, padronizadas e estereotipadas. Percebe-se que a identidade de gênero é significada pela cultura e constituída a partir da socialização, podendo ser concebida como um modo de se relacionar e estar no mundo, constituído por meio das relações que se estabelecem a partir de uma relação performática que deve considerar aspectos espaço-temporais e, conseqüentemente, subjetividades e identidades peculiares que estão sendo a todo o momento formadas a partir de uma idéia de aparência de substância que faz com que se materialize a dicotomia masculino/feminino (Butler, 2003).

Drag queens e atores transformistas certamente manifestam com mais clareza esse jogo ambíguo da identidade. Segundo Louro (2004), as drags subvertem a idéia de gênero quando, através de sua montaria, demonstram a não naturalização dos gêneros e da identidade sexual.

Também para Butler (2003), a identidade de gênero é significada pelas relações sociais e pela cultura, sendo despregada do sexo biológico do indivíduo. O contexto social acaba por definir padrões de comportamentos adequados a cada gênero especificamente. Assim, podemos compreender que a escolha do objeto amoroso por alguém do mesmo sexo, desautoriza o sujeito de representar a si próprio como homem ou mulher, com a identidade de gênero que lhe foi atribuída socialmente. Há homossexuais que, mesmo desejando alguém do mesmo sexo, não se sentem incomodados com seu corpo; apropriam-se de aspectos masculinos ou femininos, identificam-se com eles, mas não rejeitam o próprio corpo. As transexuais, por sua vez, não se identificam com seus corpos, seus órgãos sexuais não têm significação psíquica, sentem-se como sendo de natureza oposta de seu sexo biológico. Isto não acontece com as drag queens. Os entrevistados afirmaram acreditar que há um limite que os separa como sujeitos e drags. Mas este limite é fluido como uma fronteira flutuante. Em pesquisa com travestis, Silva (1993) e Silva e Florentino (1996) relataram que quando acontecia algum problema contra sua integridade física ou moral, elas "sacavam" os homens que existiam dentro de si para a resolução da situação.

As drags entrevistadas relataram que, em alguns momentos, a identidade das personagens que representam é vivenciada e vivificada mesmo quando não estão montadas, demonstrando a fluidez da identidade. Isso geralmente ocorre em momentos de maior intimidade, quando se encontram em espaços privados, entre amigos e pessoas mais íntimas. Quando estão com seus parceiros, alguns dos entrevistados afirmam experienciar a feminilidade vivida por suas personagens.

É relevante considerar o fato de que todos os entrevistados afirmaram que há um limite que separa as identidades, harmoniosamente. Esta separação se dá, segundo os entrevistados, pela montagem. Eles definem o ato de montar como algo relacionado a "encarnar" e "incorporar". Alguns relatos ilustram tal posição dos entrevistados: "Quando tiro a maquiagem, já era. É tipo encarnar mesmo" (T.T.); "ela [a drag representada pelo entrevistado] é carismática, ela é bem quista e o M.4 não. O M. sofre mais preconceito que a própria C.5. Eu não posso chegar aqui e dar a mesma pinta que a C. dá. Uma, que a minha personalidade, M., não permite" (C.P.).

A drag e o estar inter-gêneros

As drags sempre possuem características femininas, mesmo que sejam consideradas caricaturas de uma imagem feminina. A apropriação que as mesmas fazem destas características é explicitada através de suas montarias e indumentárias, incluindo-se aqui aspectos como a maquiagem, as espumas que contornam os seios e os quadris, além de perucas e outros possíveis artifícios utilizados na composição de seus corpos femininos. Além de uma apropriação física de características desse gênero, as drags expressam também, por intermédio de seus comportamentos, sua identificação com a feminilidade. Quando estão trabalhando, ou simplesmente atuando, demonstram preocupação com a manutenção da imagem de suas personagens, adotando posturas e atitudes que as caracterizem.

Os entrevistados associaram o conceito de feminilidade a adjetivos como delicadeza, beleza e sensualidade. Afirmaram que, em seu cotidiano, principalmente nos espaços públicos da cultura heterossexista, não exacerbam traços da feminilidade de suas personagens, fazendo isso apenas nos espaços privados ou em situações íntimas. Os sujeitos, na intimidade, se sentem à vontade para expressar sua identificação com a feminilidade, tão explicitada nas performances de suas personagens. O ser feminino, para os entrevistados, está pautado em: "ser uma pessoa delicada, nas atitudes, jeito de andar, sentar" (T.T.); "na hora de se produzir, sabe, mesmo sendo caricata, o fundo é sempre uma mulher" (A.F.); "a drag tem que ser feminina em que ponto: nos gestos, na delicadeza, estar sempre com a maquiagem perfeita, com um bom perfume, no próprio comportamento" (C.P.).

Percebe-se e considera-se a identidade queer como um fenômeno mutável, performático e dialético. A drag, de forma caricata e exagerada, expressa um "novo feminino", carregando em seu cotidiano uma explícita alternância de identidades, apropriando-se de características dos dois gêneros, de forma particular, de características femininas e masculinas, realizando com dinamismo a configuração de sua identidade de gênero de uma forma queer.

As drag queens são uma explícita manifestação da multiplicidade de aspectos que envolvem a identidade humana. Sua relação entre os gêneros se dá de forma ambígua, uma vez que é expressa em suas performances e em seu cotidiano, numa relação dinâmica e constante entre masculino e feminino.

Considerando que as atribuições e expectativas em relação aos gêneros feminino e masculino se baseiam nos estereótipos socialmente vinculados ao homem e à mulher, a drag, em particular, brinca e satiriza essas diferenças, esses estereótipos arraigados às relações de gênero. Por meio de sua corporalidade, expressa performaticamente a dinâmica relação entre feminino e masculino.

Considerações sobre a sexualidade drag

Os três entrevistados se consideram homossexuais. Segundos eles, o fato da existência e personificação da personagem drag, dificilmente interfere nos seus relacionamentos sexuais. Ao contrário, muitas vezes é a própria personagem que facilita e proporciona a aproximação da drag e/ou de seus possíveis parceiros. Porém, seus relacionamentos, principalmente aqueles que se tornam compromissos mais sérios, costumam se iniciar quando não estão montados e, portanto, estão sendo percebidos como sujeitos, e não como personagens. Seus parceiros não costumam se incomodar com o fato dos companheiros serem drag queens; normalmente, até gostam. Isto é confirmado nos relatos dos entrevistados:

Se interfere? Não. Nunca interferiu. Nunca teve aquela coisa: "olha, se você continuar a ser drag, eu não fico mais contigo", ou coisa parecida (...) Ela ajuda bastante, mas eu fico com muita gente, muito guri, assim, sem saber que eu sou drag. Quando me viam, não acreditavam, e vice-versa. Os dois jeitos, meu Deus, eu não sei o que tenho, que eu consigo tanto. Como mulher quanto, assim, ficar com um monte de guri. (T.T.)

Eu desmontado sou mais tímido, a C. é mais atrevida. ... A C. é um personagem, ela consegue roubar risos das pessoas, ela consegue de repente atrair sexualmente outras pessoas, ela é carismática, ela é bem quista... (C.P.)

Não, não interfere em nada [o fato de ser drag queen]. Quem tem relacionamento, já sabe; então, não há problemas (A.F.)

As drags, possivelmente pela forte apropriação que fazem do gênero feminino, preferem relacionar-se com homens que possuam acentuados traços de masculinidade. Elas afirmam preferir se relacionar com sujeitos que tenham relações e preferências por mulheres. Isso não implica dizer que as drags não se relacionem com gays; elas apenas preferem homens mais masculinizados, não caracterizados como gays com características femininas (efeminados).

Mesmo sem serem questionados, os entrevistados fizeram questão de afirmar diferenças entre as drags e travestis, como: as vestes, a fala, os espaços de atuação social, as profissões, a identidade de gênero. Acredita-se que a necessidade demonstrada pela drag, de diferenciar-se dos travestis, ocorre devido ao fato de, geralmente, as pessoas as confundirem, desconsiderando as diferenças que separam estes dois grupos.

T.T. esclarece, em seu depoimento, um pouco dessa relação entre as drag queens e os travestis.

Ah, as pessoas pensam que drag é que nem travesti, que drag queen vende o corpo, drag queen é prostituição, porque está vestido de mulher, aquela coisa toda, se prostitui. Eu trabalho há oito, nove, dez anos nessa área e nunca, nunca fiz um programa, tá entendendo? Nem de drag queen, nem assim normal.

Quem as percebe atuando na noite pode até chegar a duvidar desse depoimento, uma vez que as drags, além de sedutoras, são expansivas e envolventes, estão durante todo o tempo provocando, estimulando a libido e as fantasias de seu público, por meio das performances e dos comportamentos, que vêm geralmente associados à sexualidade. Isso não implica dizer que todas elas não façam programas, até porque é considerável o número de propostas que algumas recebem em uma noite de trabalho.

A.F., em seu depoimento, diferenciou travestis de drags, ao mencionar existir algumas drags que utilizam outros meios de transformação do corpo e não apenas indumentárias em suas produções. E continuou referindo-se a estas drags que transformam o corpo como travestis. Comentou que os travestis possuem uma identificação ainda maior com o gênero feminino do que as próprias drags, afirmando que se tivesse uma delicadeza especial, uma feminilidade super aflorada, assumir-se-ia travesti. O entrevistado afirma:

Pra mim são todas projetos de travas6, porque elas usam silicone, fazem laser pra tirar os pêlos do corpo, têm peito de hormônio, e me dizem que são drags. Pra mim, drag não é isso, é um homem que se veste de mulher para uma determinada ocasião. (A.F.)

Assim, pudemos confirmar que existem drags que modificam também o corpo, assim como os travestis, não ficando evidente, em alguns casos, o que os diferenciaria. A modificação do corpo é um recurso típico e comum aos travestis, que necessitam dos hormônios para adquirirem formas e vozes femininas. A maioria dos entrevistados condena esse tipo de atitude (transformação do corpo), assim como o implante de silicone, pois acreditam que isso as descaracteriza, uma vez que a maior característica da drag é utilizar-se somente de vestes e indumentárias na constituição de seus corpos femininos.

Acredita-se que as identidades desses grupos são constituídas, talvez, mais por posicionamentos políticos e mudanças corporais do que por uma discrepância de desejos, posturas e hábitos. Quando se trata de delimitar princípios que norteiem as possíveis fronteiras que diferenciam travestis, drag queens e transexuais, percebe-se a dificuldade em agrupar os indivíduos a partir de seus estereótipos e comportamentos. No livro Engenharia erótica: travestismo, de Denizart (1997), há um trecho de um dos relatos de um travesti, em que o mesmo menciona o fato de que, hoje em dia, travestis que "se prezem" fazem a cirurgia para a troca de sexo. Vale lembrar que isso é um caso aparentemente isolado, uma vez que a troca ou não de sexo torna-se a diferença reconhecida entre travestis e transexuais. Essas demarcações sobre o que vem a ser o limite que separa esses grupos permitem perceber que o mais importante não é se o limite existe, ou não, e sim quanto é complexa a sexualidade humana.

Enquanto as drags podem ser consideradas um fenômeno recente das últimas três décadas, os travestis surgiram, no Brasil, no início do século passado (Trevisan, 2000). As drags no Brasil tornaram-se mais expressivas a partir da década de 90. Acredita-se, então, que de certa forma elas se originam de algumas facetas dos travestis. Esses últimos, quando trabalham em boates, podem também realizar trabalhos artísticos, performances, quando dublam e cantam, utilizando-se de uma produção semelhante à das drags, como brilho e maquiagem exagerada. Além disso, drags e travestis possuem um ponto em comum, no mínimo, interessante: ambos percebem suas "frasqueiras" de maquiagem como peça de suma importância. Ali carregam todos os artigos que são essenciais em seus processos de transformação.

Mas o meio social reforça a diferença entre estes dois grupos, percebendo drags e travestis de maneiras bem distintas. Principalmente porque, como já foi mencionado, as drags vêm ocupando um significativo espaço nos meios de comunicação, além de boates e festas freqüentadas por maioria heterossexual, demonstrando que a sua inserção ocorre de maneira positiva em outros espaços sociais, não só os reconhecidos como GLBTT. Contra os travestis há forte preconceito e discriminação. Os mesmos não costumam ser aceitos nem em lugares que são habitualmente freqüentados por gays. A imagem dos travestis, geralmente, vem sendo associada à violência, à prostituição e, conseqüentemente, a doenças sexualmente transmissíveis. Esse fato, certamente, torna os travestis mais estigmatizados e discriminados do que a maioria dos outros grupos de homossexuais, lésbicas, gays, drags e outros ainda mais singulares (Kulick, 1998).

 

Considerações finais

Os sujeitos que interpretam as drags exemplificam a complexidade da sexualidade humana, incluindo, aí, as relações de gênero. Elas são manifestações recentes e inovadoras dentro da chamada identidade queer; possuem características masculinas e se constituem femininas. Mesmo quando estão vestidos de forma masculina, ainda assim, por vezes, são chamados pelos nomes de suas personagens. Esses sujeitos se apropriam de características comuns a mulheres, fazendo caricaturas daquilo que consideram mais marcante. Expressam, por diferentes meios, suas identificações com esse gênero, por meio das formas do corpo, da maquiagem utilizada e pela linguagem específica.

A relação da drag com o sujeito que a interpreta se dá, na opinião do entrevistado, com certa autonomia, em que ambos, drag e sujeito, podem ter características até opostas, se levados em consideração aspectos físicos e comportamentais. Por possuírem seu próprio nome e espaço de socialização, as drags atuam como personagens, desempenhando seu papel social de maneira quase independente do sujeito. Contudo, percebeu-se, em algumas situações discursivas, que isto nem sempre se apresenta, e que ator e personagem se interligam e se sobrepõem. O limite entre essas duas identidades (ator e personagem) é aqui percebido como uma fronteira flutuante, e não como algo cristalizado ou fixo. Pode-se compreender que a suposta diferença seria menos marcante do que se pensa na contradição do binômio masculinidade e feminilidade, hetero/homo, evidenciando que essas questões ainda merecem aprofundamento, a partir de estudos que busquem explicações a partir da teoria queer.

O fato dos entrevistados preferirem relacionar-se com parceiros masculinizados e que gostem de relacionar-se com mulheres, confirma a preferência sexual dos mesmos por homens não caracterizados como homossexuais. Isto não implica dizer que não se relacionem com gays, ou mesmo mulheres; eles apenas preferem parceiros masculinos. A partir destas considerações, seria possível pensarmos em uma identidade queer para as drag queens, ao mesmo tempo em que as mesmas constituem uma construção entre feminino e masculino. Assim, é possível identificarmos que há uma desconstrução de uma normatividade do binômio hetero/homo, como propõe a teoria queer.

Pode-se ainda pensar, pela teoria queer, que os sujeitos que se constituem drags, assim o fazem por uma contestação desta normatividade sexual, ou o fazem por uma necessidade que se expressa por um desejo que o atinge e o faz ultrapassar as supostas fronteiras da sexualidade.

Pode-se, a partir disto, compreender que a teoria queer será uma forma de explicação que aborda a sexualidade de uma forma que rompa um pensamento normativo e reducionista. No caso dos sujeitos entrevistados, é ainda arriscado dizer se a vivência prática das suas relações sociais e sexuais está menos ou mais normatizada que as reflexões teóricas sobre eles. Se isto é iminência de uma continuidade, ou uma possibilidade de mudança, apenas, veremos com o tempo e as produções teóricas que serão realizadas a partir de então. Talvez, mais uma vez, estejamos andando no sentido de compreender um pouco mais sobre tal questão. De resto, podemos simplesmente dizer que os sujeitos que interpretam as drags, não apenas desejam viver e serem aceitos como sendo de natureza oposta a de seu sexo biológico; ao contrário, superam as características físicas de homens, e vivificam suas identificações com o gênero feminino, de forma queer, por meio de suas performances e montarias, que os auxiliam na constituição de seus corpos, desejos e paixões.

 

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Notas

1 Analogia ao texto de Heilborn (1996).

2 A denominação guei é utilizada pelo autor.

3 Algumas técnicas da pesquisa etnográfica foram utilizadas, como diário de campo, por exemplo. O trabalho de campo foi constituído pela interação da pesquisadora com os ambientes e festas freqüentadas pelas drags, lugares onde estivessem trabalhando e atuando.

4 Fala referindo-se ao seu nome de batismo.

5 Fala referindo-se ao seu nome artístico de drag queen.

6 Como os entrevistados referem-se aos travestis.

 

 

Endereço para correspondência
Rua Rodovia Amaro Vieira, 2740, Bloco C, apt 104
(Itacorubi); Florianópolis, SC
CEP 88034-101

Recebido em 25.set.03
Revisado em 23.jul.04
Aceito em 17.out.04

 

 

Maria Teresa Vargas Chidiac, psicóloga pela Universidade do Sul de Santa Catarina, atua como psicóloga clínica e organizacional no Laboratório Bioclínico São José.
Leandro Castro Oltramari, mestre em Psicologia e doutorando do Programa Interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina, é professor na Universidade do Vale do Itajaí e na Universidade do Sul de Santa Catarina. E-mail: leandro@cfh.ufsc.br

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