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Interface - Comunicação, Saúde, Educação

Print version ISSN 1414-3283

Interface (Botucatu) vol.13 no.31 Botucatu Oct./Dec. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S1414-32832009000400015 

ESPAÇO ABERTO

 

O uso da imagem fotográfica no campo da sociologia da saúde: uma experiência na formação de alunos do curso de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil

 

The use of photographic images within the field of healthcare sociology: an experience during the training of nursing students at the Federal University of Rio Grande do Norte, Brazil

 

El uso de la imagen fotográfica en el campo de la sociología de la salud: una experiencia en la formación de alumnos del curso de Enfermería de la Universidad Federal de Rio Grande do arte, Brasil

 

 

Itamar de Morais NobreI; Vânia de Vasconcelos GicoII

IDepartamento de Comunicação Social, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Campus Universitário, Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (Azulão) Av. Senador Salgado Filho, 3000, BR 101. Lagoa Nova , Natal, RN, Brasil. 59.072-970. nobre@ufrnet.br
IIPrograma de Pós-Graduação em Ciências Sociais, UFRN

 

 


RESUMO

Discute-se o uso da imagem fotográfica em sala de aula conferindo-lhe a qualidade de fonte de informação para a interpretação do contexto sociocultural do qual foi captada, refletindo-se sobre a compreensão do seu significado para a educação. A experiência que nos serviu como argumento para esta discussão foi realizada em uma sala de aula com trinta alunos do curso de Enfermagem, na disciplina de Sociologia da Saúde, oferecida pelo Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, no ano de 2006. Os dados foram coletados a partir da observação das fotografias em sala de aula, dos seminários promovidos e das avaliações utilizando a imagem fotográfica como mediação da aprendizagem no ensino superior da área da saúde.

Palavras-chave: Educação e saúde. Educação, saúde e sociedade. Imagem fotográfica e educação. Estudantes de enfermagem.


ABSTRACT

This paper discusses the use of photographic images inside the classroom as an information source for interpreting the sociocultural context from where it was taken, and it reflects on the comprehension of their meaning for education. The experience that served as the argument for this discussion was obtained in a classroom with 30 nursing students at the Federal University of Rio Grande do Norte, within the subject of Healthcare Sociology, provided by Social Science Department in the year 2006. The data were collected through observation of the photographs in the classroom, through seminars and evaluations, using the images as a mediator for learning within higher education for healthcare.

Keywords: Education and health. Education, health and society. Photographic image and education. Nursing students.


RESUMEN

Se discute el uso de la imagen fotográfica en sala de aula confiriéndole la cualidad de fuente de información para la interpretación del contexto sociocultural del cual se capta, reflejándose sobre la comprensión de su significado para la educación. La experiencia que nos ha servido como argumento para esta discusión se realizó en una sala de aula con 30 alumnos del curso de Enfermería, en la disciplina de Sociología de la Salud ofrecida por el Departamento de Ciencias Sociales de la Universidad Federal de Rio Grande do Norte en el año 2006. Los datos se colectaron a partir de la observación de fotografías en sala de aula de los seminarios promovidos y de las evaluaciones utilizando la imagen fotográfica como mediación del aprendizaje en la enseñanza superior del área de la salud.

Palabras clave: Educación y salud. Educación, salud y sociedad. Imagen fotográfioa y educación. Estudiantes de enfermería.


 

 

Introdução

Quando o ser humano ainda não conhecia os mecanismos de utilização da fala, já desenvolvia o olhar para observar e compreender a relação com o seu meio. Por intermédio do olhar, o ser humano podia delinear seus espaços, tendo o olho como instrumento e como fronteira móvel entre o sujeito e o mundo externo (Bosi, 1998). Assim, a imagem já estava presente nos primórdios da humanidade, sendo as superfícies refletoras de luminosidade, reveladoras do mundo. A imagem seria um dos primeiros canais de percepção do cenário humano, antecedente de outros signos para construção das idéias, um dos elementos do qual se serve a nossa mente para compreender a cultura, permanentemente em retroalimentação.

Nesta direção, a linguagem primitiva antecedeu a linguagem articulada e pode ter sido constituída por signos, movimentos corporais, objetos naturalmente relacionados com as idéias (Kristeva, 1999). Assim, ideias, significados e imagens, culturalmente, constituem uma relação imanente ao ser humano, criando o mundo das imagens, no qual os elementos que o compõem traduzem-se em representações visuais e mentais. Conforme Santaella (1999, p.15)

o mundo das imagens se divide em dois domínios [...] o das imagens como representações visuais: desenhos, pinturas, gravuras, fotografias e as imagens cinematográficas [...]. Imagens, nesse sentido, são objetos materiais, signos que representam o nosso meio ambiente visual. [...]. E o domínio imaterial das imagens na nossa mente. Neste domínio, imagens aparecem como visões, fantasias, imaginações, esquemas [...], são as representações mentais.

Se as representações mentais e visuais estão ligadas em sua gênese, é possível pensar que o uso das imagens pode ser o suporte para pensar, expor, contar, relatar, dizer algo, memorizar, historiar, registrar, enfim, compreender e interpretar as informações adquiridas e internalizadas no cotidiano. Assim, a linguagem imagética serviu de fonte para a narrativa, registrando preciosidades do cotidiano desse cenário social, o que nos põe em conexão com os primórdios da nossa existência.

Com o aperfeiçoamento da arte de representar uma imagem por outra, surgiram várias técnicas precedentes à fotografia, mas foi a câmara obscura1 que, após ser utilizada durante muito tempo pelos artistas, veio a ser a técnica precursora do processo fotográfico. "A imagem dos objetos do mundo visível, formando-se no interior da câmera, podia ser delineada e, de fato, viajantes, cientistas e artistas fizeram uso do aparelho, obtendo, sobre papel, esboços e desenhos da natureza" (Kossoy, 1989, p.21). Porém, foi no contexto da Revolução Industrial, que surgiu uma nova maneira de ver o mundo e de ver a si mesmo. Isso ocorreu a partir de 1826, quando Joseph Nicéphore Niépce produziu a primeira imagem, utilizando a luz solar. A técnica foi aprimorada por Jacques Mandé Daguerre, mas, apenas em 15 de agosto de 1839, ganhou publicidade, quando o Estado francês adquiriu a invenção em uma sessão da Academia das Ciências, liberando-a à iniciativa da exploração popular, tornando o uso do processo fotográfico de domínio público.

A fotografia passava a ser de uso geral, ganhava importância social. Hoje, pode-se dizer que a fotografia tem importância nos diversos setores da sociedade, sendo um dos meios capazes de conformar ideias e influenciar comportamentos (Freund, 1995), estando inserida no cotidiano sociocultural, ganhando dimensões ilimitadas.

Salvaguardando o documento fotográfico das interferências da tecnologia, Dubois (1999) considera a fotografia um documento fotográfico que presta contas do mundo com fidelidade. Essa qualidade fidedigna da fotografia lhe concede um valor imanente à imagem representada, por narrar um acontecimento no espaço e no tempo, bem como um lugar no contexto das narrativas, sendo uma representação visual, capaz de representar ideias, crenças, conhecimentos e valores. A narrativa, diz Aumont (1995, p.244),

é definida [...] como conjunto organizado de significantes, cujos significados constituem uma história. Além disso, esse conjunto de significantes - que veicula um conteúdo, a história, que deve se desenrolar no tempo - tem, pelo menos na concepção tradicional, duração própria, uma vez que a narrativa também se desenrola no tempo.

Assim, a imagem fotográfica caracteriza-se por conter, na sua composição, códigos culturais selecionados e organizados pelo fotógrafo e captados do cenário sociocultural representado, o que lhe atribui um caráter de fonte detentora de informação, tanto pelo seu conjunto de significados, como pelo seu poder de indicação da existência do que foi fotografado, considerando-se fonte de interpretação da cultura.

Contudo, a informação fotográfica necessita do auxílio de outros tipos de linguagem para difundir-se e ser compreendida, ser interpretada, que são, sobretudo, o oral e o escrito. Para Barthes (1984) a fotografia refere-se sempre a algo ou a alguém. Esta afirmativa corrobora com o fato de a fotografia possuir estreita ligação com o seu referente, o que lhe confere um significado proeminente por consistir em uma fonte de informação, uma narrativa, e não uma mera ilustração.

E, sendo a fotografia um signo composto por imagens de outros signos, é possível anunciar que o conhecimento também pode ser apreendido por meio dela, como fonte reveladora e instrumento de disseminação do saber e da cultura. Daí, a potencialidade informativa da fotografia enquanto narrativa, geradora de interesses pela sua interpretação e pelo que esta contém e comporta, seja o espantamento com o que vemos; seja admiração com o desempenho do fotógrafo, como pensa Barthes (1984).

Assim, pensamos ser possível discutir a relação entre a imagem fotográfica e a aquisição do conhecimento para o entendimento da sociedade e da cultura, e numa pedagogia da imagem poder delimitar e indicar de qual conhecimento estamos falando: a educação do olhar, como pensa Nunes (1996, p.5): "trata-se de conduzir, ensinar, desvendar, numa estratégia de educação dos sentidos [...], um olhar educado, capaz de ver tanto as coisas que se oferecem de imediato à sua percepção como as que lhe escapam". A imagem na pedagogia sugere, pois, o uso de diferentes suportes imagéticos "lócus, do ambiente e manipulação de imagens ou de material visual, em sentido mais amplo, designados pela sua destinação ou pela sua constituição" (Nunes, 1996, p.5).

Assim, há um campo aberto para essa reflexão na história da educação, especialmente no tocante à utilização de imagens como fonte de pesquisa, por revelarem o contexto social no qual foram captadas (Alves, 2004, 2003; Gico, 2000; Vidal, 1998; Câmara, 1996; Demartini, 1996; Leite, 1996); e a discussão do assunto poderá se dar nos campos disciplinares da semiótica, da história, da sociologia e da antropologia, entre outros, os quais podem se religar nos processos de observação da ciência e da arte, complementando-se em olhares cruzados.

Entretanto os professores, por sua vez, ainda apresentam dificuldades em lidar com as imagens fotográficas na educação. Foram educados prioritariamente para lidar com textos escritos2, e não com a linguagem verbovisual (Barros, 1998). Nesse exercício dispensam pouca atenção à interpretação das práticas visuais, embora não se devam esquecer as questões críticas que as mesmas comportam, mas remeter-se a uma teoria da imagem fotográfica que amplie e incentive o trânsito entre as linguagens; motive uma visão contra-hegemônica (Santos, 2006) dos paradigmas educacionais, valendo-se da imagem fotográfica como mediadora da aprendizagem.

A abordagem da questão imagética na escola, no contexto ensino-aprendizagem, foi discutido por Alves (2004, p.9), quando procurou elucidar a "possibilidade de as crianças, em situações formais de ensino, produzirem saberes, a partir da formação conceitual, mediados pela imagem fotográfica". A investigação considerou que a fotografia deve ser agenciada no espaço escolar não apenas como "suporte metodológico, mas como campo expressivo gerador de conhecimentos que devem ser (re)apropriados pela criança na constituição interativa de sua subjetividade e do entendimento da realidade social, na qual está inserida, estabelecendo articulações intersemióticas não apenas com a linguagem verbal" (Alves, 2004, p.28).

Nesse contexto, trazemos para discussão uma experiência de estímulo ao conhecimento por meio da imagem fotográfica, efetivada numa sala de aula do Ensino Superior. Tal experiência deu-se na área da saúde, objetivando discutir conteúdos do universo social dos alunos, à luz dos conceitos da sociologia da saúde. Partindo do conteúdo programático, assegurou-se que o conhecimento de um universo sociocultural distante de nós é possível por intermédio da fotografia, bem como religar conceitos epistemológicos relacionados à cultura, à saúde, à educação, à sociedade, e aos modos de vida (Nobre, 2005), hábitos, práticas e costumes sociais.

 

Material e método

O cenário da experiência foi uma sala de aula com trinta alunos do primeiro período, cursando a disciplina Sociologia da Saúde, no Curso de Enfermagem, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte3, oferecida pelo Departamento de Ciências Sociais. A disciplina propunha-se a: mostrar aos alunos as relações entre sociedade, cultura e instituições no processo saúde-doença, promover a compreensão deste processo no contexto da divisão social do trabalho e das classes sociais; conhecer as interfaces sociais do processo saúde-doença nos aspectos da transdisciplinaridade e da humanização em saúde, por meio da religação dos saberes, além de discutir a doença enquanto iatrogênese social. Propusemo-nos a estimular a compreensão dos alunos, discutindo os conceitos de sociedade, de cultura, de fato social em Emile Durkheim; ação social em Max Weber e as relações de classes sociais em Karl Marx, focando a discussão na relação doença/saúde/sociedade/cultura. Promovemos discussões acerca dos conceitos citados, em seminários, tendo, como mediação da aprendizagem, fotografias publicadas em revistas da atualidade, ilustrando, em seu contexto, aspectos do cotidiano social, especificamente, imagens do povo brasileiro.

A organização dos seminários foi preparada por cinco grupos, cada um composto por seis alunos, que planejaram, em sala, as apresentações dos conceitos apreendidos por meio da interpretação das imagens recortadas das revistas e coladas em cartolinas, sob a supervisão do professor, da seguinte maneira: imagens que representavam o conceito de fato social4 foram expostas a partir de uma explicação do grupo relacionando-as ao conceito e, por conseguinte, foram apresentadas as imagens relacionadas aos conceitos de ação social5, classes sociais6 e cultura7.

O seminário teve a finalidade de reforçar os conceitos que antes foram discutidos, preparando o olhar do aluno para a percepção do mundo por intermédio do exercício da contemplação e interpretação da fotografia para a aquisição do conhecimento sobre saúde, cultura e sociedade e o reconhecimento do espaço social em discussão, além da análise das representações sociais dos personagens envolvidos, concordando com Câmara (1996, p.228), quando afirma que o "desafio do olhar é de ver em profundidade o visível, é de penetrar em sua essência, buscando desvestir o habitual, o senso comum. No ato de ver, o sujeito procura conhecer o objeto do desejo em todas suas nuanças e sentidos".

No decorrer das discussões posteriores, ampliamos a experiência, exercitando em cada um deles um olhar investigador, característico de um leitor social, disposto a decifrar detalhes da constituição social, um olhar sensível sobre um mundo carente de profissionais humanizados na área da saúde. Para uma efetivação do exercício e construção do olhar, dispusemos 158 fotografias dimensionadas em 20 cm X 40 cm, montadas em passe-partout, cartonagem de face preta, durante quatro horas, por toda a sala de aula. Os alunos circularam livremente pelo espaço, observando as fotografias, a fim de que pudessem penetrar no contexto sociocultural. Tínhamos a pretensão de promover uma viagem virtual dos observadores ao universo retratado na fotografia, uma comunidade pesqueira nomeada Diogo Lopes, situada a duzentos quilômetros da capital - Natal -, no litoral norte do Rio Grande do Norte, região Nordeste do Brasil. As fotografias narravam ocorrências socioculturais de aspectos do cotidiano daquela comunidade, representavam imagens-fragmentos de momentos peculiares, mas agrupadas e associadas, contextualizavam um quadro de informações visuais gerais, como fotografias-chave representativas do todo. Para auxiliar no entendimento das fotografias e correlacionar os objetivos da atividade com os objetivos da disciplina, os alunos foram orientados pela seguinte questão:

INTERPRETAÇÃO SOCIAL DE FOTOGRAFIAS. Observe as fotografias expostas e descreva o ambiente sociocultural no qual estão inseridos os atores sociais mostrados. Faça relações das imagens com os conceitos estudados em sala de aula, como "fato social" (Durkheim), "ação social" (Weber) e "classe social" (Marx). Observe o indivíduo, a sociedade, o meio ambiente visto nas imagens, tecendo comentários sobre o seu modo de vida, sua qualidade de vida, sua saúde e sua cultura.

A expectativa gerada entre os alunos desencadeou inquietação em todos eles. Notava-se uma grande preocupação em não conseguir redigir um texto, cuja origem fosse uma provocação imagética. Eram alunos oriundos de um Ensino Médio, em geral, massificante, no qual os alunos estão habituados a avaliações tradicionais, exploratória de questões objetivas e sintéticas, tendo encontrado esse mesmo modelo nas demais disciplinas, simultaneamente, oferecidas pelo seu Curso naquele período letivo. Este quadro configurava-se, para aqueles discentes, como uma iniciação às interpretações sociais de imagens fotográficas, o passo inicial para sua formação enquanto profissional da saúde, capaz de desenvolver os princípios deste mesmo olhar, mas de uma forma presencial, em um quadro vivo, em situações cujo calor do profissional estivesse em contato com o calor dos observados, carentes de uma avaliação proponente de soluções para os seus possíveis problemas de doenças sociais8.

Nesse exercício, contudo, não nos limitamos apenas a uma descrição dos problemas

sociais da expropriação da saúde, mas também a uma reflexão, estimulando o processo cognitivo mediado pela imagem, conforme Leite (1996, p.83 ):

o trabalho com imagens tem grandes implicações cognitivas: aumenta a intensidade do olhar, mas também a qualidade da imaginação, reveladora da realidade semi-imaginária do homem. A descoberta do significado da imagem não existe independente do espectador e a cautelosa tarefa do professor consiste em não impor interpretações, mas em favorecer comparações e diálogos.

Análise e interpretação dos dados

Trabalhar com narrativas fotográficas em sala de aula, na perspectiva de uma pedagogia da imagem para a observação e reflexão de um contexto social, por futuros profissionais da saúde, pode ser um processo desencadeador da preconcepção visual de comportamentos e modos de vida dos referentes. Nesse sentido, a fotografia auxilia na antevisão do mundo, do quadro social que espera este profissional, familiarizando-o e preparando o seu olhar para os exercícios práticos, observatórios, sobretudo, considerando que esses exercícios, de um modo geral, não constam dos objetivos das disciplinas oferecidas para os iniciantes dos cursos da área da saúde. A maioria dos alunos, quiçá, terá esta oportunidade caso venham a se envolver em projetos de pesquisa ou extensão universitária.

Diante das fotografias expostas, mesmo tendo como referência o enunciado patente, surge um desafio para os alunos: como começar a escrever a sua narrativa, mediante aquelas fotografias? A mediação do professor foi fundamental nesse momento, como orientador de uma observação de fora para dentro do cenário representado na fotografia, aparentemente distante do aluno, cujo espaço observado está delimitado por bordas demarcadoras do quadro fotográfico. O rompimento do desafio de escrever é favorecido pela magia da imagem, pela percepção que vem de fora: "quando mergulhamos profundamente em uma imagem percebemos que ali não existe um mero registro da realidade, mas sim uma cumplicidade do autor com o objeto fotografado" (Andrade, 2002, p.47).

Ao caminharem diante das fotografias, os alunos paravam, investigavam, aproximavam-se, concentravam o olhar em pontos que lhes chamavam a atenção. Suas narrativas, de um modo geral, constaram de descrições físicas do ambiente mostrado, relacionadas com as atividades cotidianas do lugar, refletindo sobre os conceitos propostos no enunciado, na maioria das vezes sem fazer referência às pessoas expostas nas imagens fotográficas. Embora alunos do primeiro período do curso de enfermagem, já parecem incorporar uma tendência persistente na área: a falta de humanização em saúde, priorizando-se as técnicas. Observamos, ainda, que a falta do hábito de escrever torna-se um dos principais empecilhos para o desenvolvimento de uma reflexão com uma linguagem mais apurada, sobressaindo-se o vocabulário comum, coloquial, em detrimento de uma articulação acadêmico-científica. Mesmo assim, o trabalho desenvolvido em sala de aula alcançou o objetivo desejado, considerando o exercício do olhar e a reflexão sobre a imagem, podendo-se evidenciar alguns exemplos, como trechos das narrativas desenvolvidas pelos alunos ao observarem as imagens fotográficas para interpretação do espaço sociocultural:

"Ao observarmos essa cultura vemos tantas riquezas, como costumes, seus ricos conhecimentos sobre o mar, crustáceos, peixes e toda a tradição marítima. A sua forte religiosidade apresentada na foto em que o homem, tratando do peixe, tem em sua casa um sinal de uma cruz [Foto 1]; a arte e a habilidade da pesca, o manuseio de todos os instrumentos utilizados na pesca, o seu modo simples de viver, não obstante, as influências de outras culturas. Mas em meio a tudo isso existe também a calamidade da saúde, a falta de higiene do trato dos peixes e crustáceos, na sujeira observada em algumas casas, e até na própria alimentação, como crianças comendo sentadas no chão. Isso tudo acarreta várias doenças que se não forem logo cuidadas podem levar as pessoas a situações graves. Em algumas fotos vemos famílias que mostram a presença do pai, mãe e filhos todos realizando um trabalho algo que até já foi passado de geração em geração, em que os filhos realizam sem nem mesmo saber quem condicionou esse trabalho, mas o fazem porque vivem da necessidade do mesmo. Temos nesta observação um fato social. Nisso, vê-se também a ação recíproca, os pescadores trabalham todos juntos, quer seja pescando, ou seja, tratando peixe. Homens, mulheres e crianças, todos realizam algum trabalho com uma mesma finalidade: a obtenção de um bom produto. Nisso temos a ação social". (Trecho extraído de uma avaliação, escrito pela aluna A9)

 

 

Nota-se, na leitura da aluna "A", que ela percebeu como os atores sociais presentes na fotografia estavam voltados ao cumprimento de suas atividades sociais cotidianas, imagens do cenário social que trazem à tona o conteúdo da disciplina Sociologia da Saúde e estimulam a aluna a compreender com mais clareza a divisão social do trabalho, o lazer e a família, tendo em vista que a fotografia retrata tais temas. Vê-se, contudo, que, sem uma visão crítica e uma educação do olhar, desenvolve-se o raciocínio com o pensamento subordinado à ideologia dominante a partir da leitura das imagens.

Por outro lado, a sintetização dos textos foi uma das características da escrita dos alunos quando estiveram diante da situação de avaliação10, cujo tempo para finalização era delimitado. Essa característica pode ser observada no trecho a seguir, escrito pelo aluno B, quando se refere à cultura, ao trabalho e à religião como fatos sociais, à divisão do trabalho por sexo, condições físicas e idade, observados nas fotografias:

"As fotos nos apresentam uma comunidade pesqueira, onde há uma nítida falta de recursos, o que leva jovens e deficientes a participarem de alguma forma de renda11. O trabalho infantil [Foto 2], do idoso e dos deficientes [Foto 3] está incluso em sua cultura, assim como a religiosidade [Foto 1]. O primeiro não por uma escolha do povo, mas por uma necessidade, quase como uma lei (a lei da sobrevivência). A divisão do trabalho é bem nítida: alguns trabalham na pesca com barco, outros com jangadas [Foto 4], com tarrafas e até com as próprias mãos (caça ao caranguejo) as mulheres e crianças trabalhando na limpeza do pescado. Poderíamos dividir a população naqueles que possuem os barcos e naqueles que não os possuem, seria um belo exemplo de duas classes distintas". (Aluno B)

 

 

 

 

 

 

Verifica-se que a noção sobre os conceitos discutidos pode ser melhor assimilada quando a imagem visual serve de amparo para o desenvolvimento do raciocínio e elemento conectivo entre os conceitos e os atos representativos. Os alunos veem a imagem representativa da religiosidade, do trabalho e as conectam com o conceito de fato social; veem procedimentos referentes à cultura e fazem conexão com este conceito; observam pessoas do sexo feminino, pessoas com aspectos físicos e idades, não condizentes com o desenvolvimento de atividades manuais pesadas e concluem, por presenciarem na fotografia, que desenvolver atividades mais leves é característica natural atribuídas às mulheres, às crianças e aos idosos, dentro da divisão social do trabalho da comunidade. A imagem fotográfica auxilia os alunos a incorporarem os conceitos no campo do conhecimento, armazenando-os na memória como dados imagéticos associados a dados conceituais.

Embora as intenções do fotógrafo sejam codificar conceitos imageticamente, utilizando o aparelho fotográfico, fazendo com que as imagens sirvam de modelo para outras pessoas (Flusser, 1998), algumas vezes, a imagem interpretada conduziu os alunos a fazerem suposições, quando estes se basearam na sua capacidade de abstração. Ressignificaram os dados conforme o seu ponto de vista, seguindo os seus impulsos íntimos no ato do scanning12. Nesse sentido, temos exemplo na interpretação das alunas A e C. Destacamos ainda o que vem em parte da narrativa a seguir:

"As figuras retratam uma comunidade com hábitos de vida 'primitivos', que tem como fonte de renda e de alimentação a pescaria. Uma comunidade na qual crianças com pouca idade [Foto 2] já trabalham para ajudar seus pais na manutenção do lar. São pessoas humildes que trabalham ao ar livre, seguindo uma hierarquia nas suas tarefas. Enquanto uns pescam, outros limpam o peixe e outros os colocam para secar [Foto 5]. Dessa forma, são pessoas com hábitos de vida saudáveis, acordam cedo para a primeira puxada de rede e, por ser uma comunidade pesqueira, as crianças crescem comendo peixes e não balas e doces. No entanto, esta sociedade não é por completo alheia à vida moderna. As casas, mesmo humildes, possuem televisão e aparelhos de som que, de certa forma, influenciam no modo de vida das pessoas. Existe um menino que veste uma camisa do time Flamengo. Há um homem fumando um cigarro [Foto 1], este, certamente sentiu-se seduzido por algum comercial e saiu em busca do produto. Vê-se, também, que, embora existam mulheres trabalhando, ajudando nas tarefas, predomina o trabalho do homem, pois estes estão na maioria das figuras. É uma comunidade que sabe assimilar uma vida comum; há um deficiente trabalhando [Foto 2], mostrando que não é inútil como se costuma pensar. É uma comunidade. [...] em que as pessoas parecem felizes e as crianças dão continuidade ao trabalho de seus pais". (Aluna C)

 

 

A Aluna C presume que todas as crianças da comunidade já trabalham para ajudar os seus pais na manutenção do lar, que crescem comendo peixes, e não balas e doces; que, pelo fato de as casas possuírem televisão e equipamentos de som, esta comunidade não é por completo alheia à vida moderna, sendo uma comunidade primitiva, sem serem primitivos. Convém lembrar, conforme Berger (1999), que os conhecimentos do interpretante podem ser decisivos no momento da decodificação de uma imagem, pois, aquilo que sabemos e em que acreditamos influencia na maneira como vemos as coisas. Dessa maneira, é preciso que o professor esteja atento para um aprofundamento das discussões sobre a temática da cultura, anteriormente ao desenvolvimento do exercício, considerando que o conceito de cultura é um dos conceitos que estavam sendo observados nas fotografias pelos alunos/interpretantes. Na avaliação final, realizada pelos alunos sobre a disciplina e os recursos didáticos/métodos empregados, foram evidenciadas as experiências cuja finalidade era a interpretação social da fotografia.

A análise da experiência mostrou a possibilidade do exercício da transdisciplinaridade, em sala de aula, religando conceitos da história dos trabalhadores, da estrutura social, acatados pela sociologia; e do conceito de cultura, central para a antropologia, bem como da dimensão do simbólico na interpretação das diversas práticas cotidianas, associadas a uma perspectiva sociológica que revela o papel da ideologia na construção social das imagens, sem descartar a avaliação do circuito social da fotografia envolvendo produtores13 e consumidores da imagem fotográfica. A análise das interpretações dos alunos, ao demandar conceitos de outras disciplinas, estabelece a religação dos seus conceitos, essência da visão transdisciplinar do conhecimento; além do mais, as imagens fotográficas dialogam com a "realidade e a representação dessa realidade as imagens são observações estéticas e documentais da realidade", como quer Achutti (2004), embora não possamos mais considerá-la como documento apenas, prova do acontecido, mas como representação cultural da sociedade. Assim, não só podemos traçar paralelos entre a antropologia e a fotografia, mas aproximar cultura-sociedade, homem-natureza.

Nesta experiência, religamos a sociologia dos modos de vida, a antropologia cultural e a educação, visto que as cenas das fotografias eram dos modos de vida dos brasileiros escolhidos, e as fotos eram sensíveis às afinidades com as abordagens da vida cotidiana próprias à antropologia cultural, para um exercício da aprendizagem. De um lado, foi importante para esses alunos que não possuem, no currículo do curso, a antropologia e a didática em enfermagem, e de outro, exercitarmos mais uma vez a religação antropologia, fotografia, educação, sociologia. Assim, aproximou-se a Sociologia da Antropologia Cultural estudando-se as práticas cotidianas que sustentam a vida social.

Destaque-se a importância da formação diversificada dos professores envolvidos na experiência comunicólogo, pedagogo, sociólogo e enfermeira , o que tornou possível o interesse comum pelas imagens fotográficas nas interpretações e estudos da sociologia da saúde, priorizando uma linguagem verbovisual, associando texto-imagem/realidade social-formação profissional, religando, inicialmente, fotografia e educação.

 

Conclusão

A experiência de estímulo ao conhecimento por meio da imagem fotográfica, efetivada numa sala de aula do Ensino Superior, vem corroborar a possibilidade da compreensão de ambientes socioculturais por intermédio da interpretação de fotografias. O uso da imagem fotográfica em sala de aula requer levar em consideração os signos contidos na imagem, para que o interpretante faça uso dos seus significados, a fim de compreender o meio social mostrado, correlacionando-o com o conhecimento apreendido durante a sua socialização.

Asseguramos, inicialmente, que a imagem fotográfica facilita a aquisição do conhecimento em sala de aula por conter um teor lúdico, corroborando com a humanização deste interpretante e futuro profissional, o que poderá facilitar ações mais humanizadas nesta área da saúde, além de possibilitar uma educação do olhar, incentivando um olhar crítico para o mundo, o que pensamos ter experienciado. A fotografia funciona como um atrativo para o interpretante, fazendo-o deslocar-se de um mundo de formalidades para um de informalidade no campo do aprendizado. Quando utilizada como mediadora da aprendizagem nos processos educacionais da escola, a fotografia desmistifica este espaço como sendo exclusivamente de intervenção textual, e nesse processo insere o aluno na alfabetização imagética, conduzindo-o a um conhecimento de outros referenciais além dos seus. Nesse contexto, a sala de aula é um espaço conveniente para este exercício, sobretudo por ser institucional e, conforme Alves (2003), ser um espaço privilegiado para o exercício do olhar.

A experiência do aluno/interpretante nessa investigação poderá ter repercussão no seu imaginário, permitindo a este vislumbrar o universo no qual poderá, um dia, intervir social ou profissionalmente, além de poder influenciar a sua maneira de observar o mundo.

Concluímos ainda que a experiência foi um desafio, tanto por discutirmos uma experiência do uso da imagem fotográfica no campo da sociologia da saúde na área da enfermagem, área na qual predominam os conhecimentos técnicos especializados, quanto por acreditarmos que imagens fotográficas são reveladoras de um universo sociocultural. Assim, o cenário à mostra era diferente daquele conhecido pelo aluno, mas o seu conteúdo foi revelado pelos signos nela contidos, o que supomos ter enriquecido a experiência das interpretações e evidenciado a possibilidade de interpretação e discussão da fotografia em educação como mediação para o conhecimento e a aprendizagem.

 

Colaboradores

Itamar de Morais Nobre e Vânia de Vasconcelos trabalharam juntos em todas as etapas de produção do manuscrito. Itamar de Morais Nobre é o responsável pelas imagens fotográficas.

 

Referências

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Recebido em 05/03/08.
Aprovado em 07/10/08

 

 

1 A luz proveniente de um objeto era refletida para dentro de uma caixa praticamente toda fechada, passando apenas através de um orifício que funcionava como o diafragma, hoje utilizado pelas câmeras fotográficas. A imagem incidente na parede da câmera oposta à que entrava a luz era desenhada em um papel. Essa imagem chegava de forma invertida. Com o aperfeiçoamento, foi introduzido um espelho para inverter a imagem e o papel foi substituído pela película sensibilizada quimicamente, formando a imagem.
2 Para a discussão da incorporação na formação de pedagogos de conteúdos que discutam o campo e a pedagogia da imagem, ver Barros (1998) e Alves (2004, 2003).
3 Situada em Natal, na capital do estado potiguar, região Nordeste do Brasil.
4 Para Durkheim (1987), o fato social é uma norma coletiva com independência e poder de coerção sobre o indivíduo.
5 Para Weber (Thomazi et al., 1993), a ação social refere-se a qualquer ação que leva em conta ações ou reações de outros indivíduos.
6 Para Marx (1984), só existem duas classes sociais, a capitalista, possuidora dos meios de produção, e a proletária, que vende sua força de trabalho para os capitalistas; assim as ideias da classe dominante são, em todas as épocas, as ideias dominantes.
7 Examinando-se o pensamento de Edgar Morin sobre cultura, concebe-se cultura como o capital cognitivo coletivo dos conhecimentos adquiridos, dos saberes, fazeres apreendidos, das crenças míticas de uma sociedade (Morin, 1992).
8 Os fatores culturais e sociais influem na saúde e na doença e como a compreensão dos mesmos pode melhorar o atendimento médico e a educação para a saúde (ver Helman, 2003).
9 Nas nossas citações utilizaremos os codinomes, a exemplo de "aluna(o) A/B...", para substituir os nomes verdadeiros dos alunos envolvidos na experiência.
10 A avaliação da aprendizagem para a maioria das escolas e professores é uma oportunidade de punição (Vasconcelos, 1998).
11 Quer dizer: da execução de algum tipo de trabalho que gere renda.
12 Grifo do autor. O scanning é o ato de vaguear pela superfície da imagem. "O traçado do scanning segue a estrutura da imagem, mas, também, os impulsos íntimos do observador" (Flusser, 1998, p.28).
13 Neste caso, o produtor-fotógrafo foi o professor da disciplina; e os consumidores da imagem fotográfica, os alunos, provenientes de classes sociais diversas.