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Psicologia: Ciência e Profissão

Print version ISSN 1414-9893

Psicol. cienc. prof. vol.32 no.4 Brasília  2012

http://dx.doi.org/10.1590/S1414-98932012000400015 

ARTIGOS

 

Possibilidades de atuação para o licenciado em Psicologia nas Etecs1

 

Possibilities of acting for the licensee in Psychology in Etecs

 

Posibilidades de actuación para el licenciado en Psicología en las Etecs

 

 

Angelina Pandita-Pereira*; Marie Claire Sekkel**

Universidade de São Paulo

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Este artigo apresenta um levantamento do campo de atuação possível para o licenciado em Psicologia nas escolas técnicas estaduais de São Paulo (Etecs), buscando evidenciar a existência desse campo e provocar o debate sobre ele. Iniciamos o texto historicizando e contextualizando o ensino de Psicologia na educação profissional de nível médio. Posteriormente, apresentamos o processo de construção dos dados, que consistiu em levantamento e organização de informações disponíveis em sítios oficiais do Centro Paula Souza, identificando em quais disciplinas e cursos o licenciado em Psicologia pode ministrar aulas nas Etecs, bem como quão representativos são esses cursos na rede de ensino técnica pública estadual. Os resultados apontam um amplo campo possível de atuação para o licenciado em Psicologia, como em cursos técnicos de Administração, Marketing e Segurança do Trabalho, e sua ausência nos cursos técnicos de Enfermagem, e incitam ainda questões sobre os objetivos e as contribuições dos conhecimentos psicológicos abordados nas Etecs e sobre os fatores que determinam sua presença nesse contexto. Os resultados destacam também a necessidade de os profissionais da Psicologia fomentarem discussões quanto à licenciatura em Psicologia no sentido de avaliar as contribuições que o ensino da área pode trazer ao ensino médio profissional.

Palavras-chave: Ensino da Psicologia, Ensino profissionalizante, Formação de professores, Ensino médio.


ABSTRACT

This paper presents a survey of a possible field of work for psychology graduates in the technical state schools of São Paulo, seeking to demonstrate the existence of this field and to debate on it. We start the text putting in historic perspective and contextualizing teaching psychology in high school professional education. Later we present the construction process of the data, which consisted of gathering and organizing information available on the official websites of Paula Souza Center, identifying in which disciplines and courses the licensee in psychology can teach classes in Etecs and how representative are these courses on the state's public technical education network. The results point to a wide range of possible work for a psychology teacher, such as the technical courses in Management, Marketing and Safety, and its absence in the technical course in Nursing. They urge further questions about the objectives and the contributions of psychological knowledge addressed in the Etecs and the factors that determine their presence in this context, and point to the need that psychology professionals encourage discussion about psychology teacher education in order to consider the contributions that the teaching of psychology can bring to the high school professional.

Keywords: Teaching of psychology, Career and technical education, Teacher education, High school education.


RESUMEN

Este artículo presenta un relevamiento del campo de actuación posible para el licenciado en Psicología en las escuelas técnicas estaduales de São Paulo (Etecs), buscando evidenciar la existencia de ese campo y provocar el debate sobre él. Iniciamos el texto historiando y contextualizando la enseñanza de Psicología en la educación profesional de nivel secundario. Posteriormente, presentamos el proceso de construcción de los datos, que consistió en el relevamiento y organización de informaciones disponibles en sitios oficiales del Centro Paula Souza, identificando en que disciplinas y cursos el licenciado en Psicología puede impartir clases en las Etecs, así como lo representativos que son esos cursos en la red de enseñanza técnica pública estadual. Los resultados muestran un amplio campo posible de actuación para el licenciado en Psicología, como en cursos técnicos de Administración, Marketing y Seguridad del Trabajo, y su ausencia en los cursos técnicos de Enfermería, e incitan también cuestiones sobre los objetivos y las contribuciones de los conocimientos psicológicos abordados en las Etecs y sobre los factores que determinan su presencia en ese contexto. Los resultados destacan también la necesidad de que los profesionales de la Psicología fomenten discusiones en relación a la licenciatura en Psicología en el sentido de evaluar las contribuciones que la enseñanza del área le puede traer a la enseñanza secundaria profesional.

Palavras clave: Enseñanza de la Psicología, Enseñanza profesionalizante, Formación de profesores, Enseñanza secundaria


 

 

Os conhecimentos psicológicos estão presentes no ensino de nível médio brasileiro desde a primeira iniciativa pública de seu provimento, por volta de 1830, quando a Psicologia ainda não tinha se constituído como ciência e quando o ensino nesse nível era composto pela modalidade propedêutica, destinada a preparar os filhos da elite nacional aos exames de ingresso ao nível superior (Massimi, 1993). Quando o ensino médio profissional começa a ser oferecido pelo poder público e passa de uma educação com fins de moralização pelo trabalho para uma educação de formação profissional (Cury, 1998; Kuenzer, 2005), o ensino de Psicologia ganha espaço também nos cursos técnicos ligados às áreas de saúde, Direito e relações humanas (Soligo & Azzi, 2009). Desde então, o ensino de Psicologia vem se fazendo presente no nível médio, seja como disciplina obrigatória, optativa, seja como conteúdo abrangido por outras disciplinas.

Nas escolas estaduais de São Paulo, no campo do ensino médio propedêutico, essa disciplina foi gradativamente perdendo espaço, e, em 2008, foi abolida da matriz curricular pela Resolução SE nº 92/20072. Nesse mesmo Estado, os conhecimentos psicológicos estão presentes no campo do ensino médio profissional.

No entanto, enquanto o ensino de Psicologia no nível médio propedêutico tem um campo de discussão e conhecimento acumulados (Barros, 2007; Conselho Regional de Psicologia, 1986; Dadico, 2009; Leite, 2007; Mrech, 2001, 2007; São Paulo, 1992; Soligo & Azzi, 2009), no que concerne ao ensino de Psicologia no ensino técnico, há escassez de informações e de reflexões. Há inúmeras questões que podem concorrer para esse quadro.

Uma delas é que a própria profissão professor de Psicologia foi historicamente desvalorizada junto aos psicólogos, seja no processo de formação seja como possibilidade de atuação (Mrech, 2001; Barros, 2007), não diferente do que ocorre em relação ao que é ser professor para a sociedade em geral, mas, no caso da Psicologia, o quadro agrava-se porque, como diz Mrech (2001), psicólogos analisam os processos educativos, mas não pensam sobre seu próprio processo como formadores. Assim, a licenciatura e as discussões sobre o ensino de Psicologia no nível médio em geral historicamente ocuparam um lugar marginal na graduação, e, como aponta Kohatsu (2010), há escassez de estudos que os problematizem.

No entanto, isso só informa que existem poucas discussões sobre o tema do ensino de Psicologia, mas não desvenda o porquê, dentro desse número reduzido, de existir uma prevalência das discussões sobre ensino médio propedêutico e uma quase ausência de discussões sobre o ensino médio profissional, tampouco porque essa diferença ocorre não apenas no que concerne ao ensino de Psicologia, mas, também na produção acadêmica da área, em geral, pouquíssimo se fala sobre o ensino profissional, conforme a revisão bibliográfica de Pandita-Pereira (2011) evidencia.

Pensamos que, para compreender essa questão, e mesmo para compreender o ensino de Psicologia no ensino médio profissional, é preciso compreender essa modalidade de ensino. É necessário lembrar que, durante muito tempo, o ensino médio profissional foi destinado aos pobres, provendo uma formação de saberes instrumentais, restrita ao treino das ações necessárias a determinadas profissões, às quais se atribuía um status acadêmico inferior, de tal forma que só a partir da década de 40 os que a cursavam começam a poder prestar os exames de ingresso ao ensino superior, e, ainda assim, apenas às carreiras que correspondessem ao ensino técnico cursado (Kuenzer, 2005; Saviani, 2006; Schwartzman, Bomeny & Costa, 1984), o que gradativamente foi se modificando. A educação técnica foi, assim, durante muito tempo, vista como uma educação de menor prestígio para toda a sociedade, decorrente da forma de organização do trabalho em uma perspectiva taylorista/fordista que divide trabalho intelectual e manual, que atribui valor ao primeiro em detrimento do segundo. Como afirmam Baudelot e Establet (1971), qualificase o trabalho intelectual e desqualificase o trabalho manual, incutindo-se nos trabalhadores a ideologia burguesa.

Por muito tempo, persistiu a dualidade de objetivos – e mesmo de prestígio – entre a rede de ensino propedêutica e a técnica, percebida até pela presença, financiamento e regulação do Governo e da sociedade no que se refere ao ensino propedêutico, enquanto, no campo da educação profissional, houve ausência de regulações, tendo ela sido relegada à iniciativa privada, em grande medida financiada por verbas públicas.

Esse quadro começa a mudar tanto a partir de lutas da sociedade (estudantes, pais e profissionais da educação que reivindicam a escola unitária), do reconhecimento social dos níveis de qualidade das escolas técnicas públicas mostrado nos resultados do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e também pela reestruturação produtiva, impulsionada pela revolução tecnológica. Esta última provoca um rompimento com o modelo tayloristafordista e substitui a rígida divisão de tarefas e o controle externo por uma ênfase no trabalho em equipe e controle internalizado pelo sujeito, demandando da educação, segundo Cury (1998), a formação de um trabalhador flexível e adaptável à produção, o que, na educação técnica, implicou a necessidade de inserir conhecimentos de uma formação geral, e, no ensino propedêutico, uma formação que atendesse a preparação para o ingresso no mercado de trabalho.

O conteúdo ideológico acerca da reestruturação produtiva e suas consequências para a educação é analisado por autores como Ferreti e Silva Júnior (2000), Frigotto e Ciavatta (2006), Frigotto (2007), Moraes (2002) e Oliveira (2002) entre outros. Cabe aqui apenas dizer que foi esse ideário que foi assumido nas políticas públicas de educação, e, nos últimos anos, a formação estritamente técnica é revestida de contornos de uma formação geral que, ainda que se conforme ao ideário da reestruturação produtiva e ao tipo de trabalhador que esta demanda, pode possibilitar, no nível individual, o resgate da unidade de saberes acadêmicos e práticos, do trabalho intelectual e manual. Como isso se configurará na diversidade de cursos existentes no âmbito federal (atualmente 185 cursos, distribuídos em 12 eixos tecnológicos, como saúde, educação, lazer (Brasil, 2010), e formas de oferecimento (se integrado, concomitante ou subsequente – Lei nº 11741/2008) é preciso investigar.

O que é possível perceber pelas discussões ora apresentadas é a forte presença do setor privado e a prevalência dos seus interesses mesmo quando a educação profissional é oferecida pelo poder público. Há ainda pouca comunicação dessa modalidade com o ensino propedêutico – vide pelo Estado de São Paulo, no qual as escolas técnicas estaduais são geridas administrativa e pedagogicamente por uma Secretaria outra que não a Secretaria de Educação. Pensamos que tais fatores auxiliam a explicar porque os profissionais da Psicologia falam tão pouco sobre o ensino médio profissional, visto que a própria política pública a relega a um espaço outro que não o da educação, além de ser modalidade fortemente marcada por interesses privados, do mercado e da força de trabalho que este demanda, e que pouco se empenha em dar uma formação humana aos estudantes que a frequentam.

Talvez haja ainda pouco conhecimento do campo de atuação existente para psicólogos (no caso dos Institutos Federais de Ciência e Tecnologia) e para licenciados em Psicologia (no caso das Etecs) no campo do ensino médio profissional. No entanto, se os fatores apontados auxiliam a explicar a escassez de discussões da Psicologia sobre a educação profissional, não justificam a persistência desse quadro, e apontam a necessidade de nos voltarmos para esse campo, a fim de conhecêlo e discuti-lo.

Neste artigo, iniciamos o enfrentamento a esse desafio buscando conhecer e discutir o campo de atuação possível para o licenciado em Psicologia junto às Etecs. Nesse processo, evidenciamos em quais disciplinas de quais cursos essa atuação é possível, bem como se tais cursos são oferecidos em um percentual significativo em relação ao conjunto de Etecs. Iniciamos ainda a reflexão sobre o porquê de o ensino de Psicologia estar presente em algumas disciplinas e cursos e ausente em outros.

Será o processo de conhecimento desse campo e seus resultados que apresentaremos a seguir.

 

Processo de levantamento de dados

Para conhecer o campo de atuação possível ao licenciado em Psicologia nas Etecs, realizamos levantamento com base em informações disponíveis nos sítios oficiais do Centro Paula Souza (autarquia do Estado de São Paulo responsável pelas Etecs).

Cabe esclarecer que, no campo das Etecs, há regulação de quais formações em nível superior permitem ministrar quais disciplinas em quais cursos. Cada curso possui matriz curricular única para todo o Estado, em geral composta de três módulos (cada módulo tem duração de um semestre)3. As disciplinas que apresentamos abaixo são oferecidas em um dos módulos do correspondente curso, e têm duração de duas horas semanais dentro de uma carga horária de 20 horas semanais4. Na maioria das disciplinas, há uma diversidade de formações que permitem ministrá-las5, por isso, o levantamento aqui apresentado representa um campo de atuação possível ao licenciado em Psicologia, e entendemos que nos permite ainda elaborar a hipótese de quais conhecimentos psicológicos estão presentes nas disciplinas que este pode ministrar.

O processo de levantamento de dados foi realizado em duas etapas. A primeira consistiu em conhecer em quais disciplinas e cursos o licenciado em Psicologia poderia ministrar aulas nas Etecs, e a segunda consistiu em conhecer a representatividade desses cursos em termos de quantidade de discentes que os frequentam e de Etecs nas quais estão presentes.

A primeira etapa foi realizada cruzando informações do sítio www.cpscetec.com.br, links catálogo de requisitos técnicos (no qual foram obtidas todas as disciplinas já existentes no currículo dos cursos oferecidos nas Etecs e que podiam ser ministradas pelo licenciado em Psicologia) e laboratório de currículo (no qual se obteve o currículo vigente dos cursos oferecidos nas Etecs), com informações dos sítios www.centropaulasouza.sp.gov.br, link manual do vestibulinho (no qual foram obtidos os cursos efetivamente oferecidos no primeiro semestre de 2009), e informações do sítio www.vestibulinhoetec.com.br, link onde estudar (no qual foram obtidos os cursos efetivamente oferecidos no segundo semestre de 2009). Essa etapa foi realizada no mês de março de 2009 e atualizada com dados referentes ao segundo semestre no período de junho a julho de 2009. A partir dela, foi possível conhecer em quais disciplinas e cursos o licenciado em Psicologia poderia ministrar aulas no ano 2009. No entanto, esse levantamento não revelava a representatividade dessas disciplinas e cursos no conjunto das Etecs, e, com o intuito de provê-la, realizamos uma segunda etapa, porém mais de um ano após a conclusão da primeira, o que acarretou dificuldades dada a rápida expansão da rede de Etecs, de cursos, a volatilidade das transformações de matrizes curriculares e os requisitos técnicos para ministrar cada disciplina e a restrição do acesso outrora público ao link laboratório de currículo do sítio www.cpscetec.com.br.

Assim, dado o elevado número de Etecs (193) e de cursos oferecidos por elas (91) ao final do segundo semestre de 2010 e a impossibilidade de refazer o levantamento realizado na primeira etapa por causa da restrição de acesso a informações outrora públicas, optamos por realizar a segunda etapa considerando os dados produzidos na primeira etapa e restringindo a amplitude da pesquisa a uma amostra composta por: 1) curso que, entre os cursos que possuem disciplinas que podem ser ministradas pelo licenciado em Psicologia, seja um dos dez cursos que possuem maior número de discentes no conjunto das Etecs e 2) curso que possua mais de uma disciplina que possa ser ministrada pelo licenciado em Psicologia. Ao atender qualquer um dos critérios apontados, o curso passava a integrar essa amostra, que foi composta por 19 cursos. O curso de técnico em calçados, ainda que tivesse três disciplinas que o licenciado em Psicologia pudesse ministrar, não compôs a amostra, pois deixou de ser oferecido nas Etecs, e, no segundo semestre de 2010, não tinha nenhum discente matriculado.

Uma vez composta a amostra, fizemos um levantamento que considerou como data-base o segundo semestre de 2010 na consulta ao sítio www.cpscetec.com.br/bdcetec/index. php, realizada no período de outubro a dezembro de 2010. Nesse sítio, consultamos o link mapeamento, e, dentro deste, os links escolas (no qual se obteve quais cursos estavam sendo oferecidos em cada uma das Etecs) e totais de alunos (no qual se obteve o número de discentes nas Etecs em cada um dos cursos oferecidos). O cruzamento das informações obtidas nessas pesquisas possibilitou revelar a representatividade dos cursos nos quais há disciplinas que podem ser ministradas pelo licenciado em Psicologia frente ao conjunto das Etecs.

Apresentamos e discutimos os resultados de tal levantamento a seguir.

 

Etecs, cursos e disciplinas nos quais o licenciado em Psicologia pode ministrar aulas

Com apoio na primeira etapa do levantamento realizado, foi possível concluir que o licenciado em Psicologia pode ministrar uma diversidade de 12 disciplinas distribuídas em ao menos 63 de 78 cursos que eram oferecidos no ano 2009 nas Etecs. Apresentamos uma síntese dos resultados dessa etapa na Tabela 1.

 

 

Da diversidade de disciplinas encontradas que poderiam ser ministradas pelo licenciado em Psicologia, destacamos Ética e Cidadania Organizacional como a mais frequente, já que estava presente em 62 dos 78 cursos técnicos existentes em 2009. Pelo nome da disciplina, já poderíamos nos perguntar o porquê da necessidade da palavra organizacional. Existiria uma ética e uma cidadania própria e específica das organizações? E se sim, seria essa ética a mais indicada a se discutir em um nível médio de ensino, ainda que profissional? Vendrameto (2005) coloca que a inserção da disciplina que precede esta, antes nomeada Ética e Cidadania, ocorre quando o Decreto nº 2208/97 proíbe o ensino médio integrado, e, com uma série de outras disciplinas, busca diminuir as perdas acarretadas pela desvinculação do ensino médio propedêutico e profissional, as quais viriam resgatar dimensões de uma formação geral nos cursos técnicos concomitantes e subsequentes. No entanto, se essa seria sua função inicial, é possível pensar que sua mudança de nomenclatura reflete uma restrição a seus objetivos, pois o que passa a interessar seria a ética e a cidadania que servem à organização, que se apliquem a esse contexto e que possivelmente sirvam a interesses que contrariem uma ética e cidadania geral, humana. Porém, são necessários estudos mais direcionados tanto sobre os planos de ensino dessa disciplina quanto sobre as práticas pedagógicas que se concretizam nas salas de aula para entender que conhecimentos estão ali presentes e com qual função. Possivelmente, também essa disciplina ganhe contornos diferenciados a depender do curso na qual se encontra inserida, pois uma análise preliminar das bases tecnológicas previstas para ela no curso de Administração mostra que há uma ênfase na formação geral com conteúdos sobre formação humana e cultura, enquanto, para a mesma disciplina no curso técnico de Marketing, há uma ênfase em códigos de ética, legislação trabalhista, regras e regulamentos organizacionais, critérios e técnicas relacionados a como se comportar.

Em relação à Tabela 1, destacamos ainda as disciplinas que explicitam o ensino de conteúdos psicológicos em seu nome, quais sejam: Psicologia Organizacional (curso de técnico em Administração) e Psicologia Comportamental e Psicologia Social (ambas do curso de técnico em Marketing). Tais disciplinas estão presentes nos cursos com maior número de disciplinas que podem ser ministradas pelo licenciado em Psicologia (em Administração, são quatro disciplinas, e, em Marketing, três), sendo a disciplina Psicologia Comportamental a única de exclusividade desse profissional. Consideramos que o fato de a Psicologia estar explícita no nome das disciplinas pode indicar que, nelas, os conhecimentos produzidos no escopo dessa ciência estejam mais presentes e talvez abranjam uma introdução ao que é Psicologia de maneira mais geral, ao contrário das disciplinas de gestão, que possivelmente abordem conhecimentos psicológicos em conjunto com outras áreas de conhecimentos e que se relacionem especificamente aos processos de gestão.

Ao mesmo tempo, podemos observar que mesmo as disciplinas nomeadas como Psicologia são restritas a algumas especificidades do escopo dessa ciência (organizacional, comportamental e social), o que nos instiga a questionar se a Psicologia que se quer que seja ensinada nessas disciplinas se restrinja a uma dimensão da aplicabilidade técnica dos conhecimentos psicológicos às profissões para as quais os discentes estão sendo formados. Essa hipótese se fortalece quando pensamos na história da Psicologia na educação, na qual predominou o uso instrumental de uma Psicologia prescritiva do que fazer e como agir – que serviu à avaliação e à domesticação dos indivíduos – e ideológico, com o objetivo de estabelecer padrões do comportamento normal e de fazer a classe oprimida internalizar as justificativas naturalizadas da desigualdade social, como denunciam Antunes (1998) e Patto (1984).

A possível restrição à aplicabilidade técnica dos conteúdos também é convergente com a história da educação profissional e com a sua vinculação aos interesses de formar profissionais adaptados às exigências do mercado de trabalho, que dominem os conhecimentos técnicos requeridos ao exercício da profissão e que se adaptem a relações de trabalho instáveis e fluidas, conforme discutimos na introdução.

No entanto, as mesmas considerações feitas quanto à disciplina Ética e Cidadania Organizacional também se aplicam a estas, ou seja, que são necessários outros estudos que considerem os planos de curso e as respectivas práticas pedagógicas. É preciso ainda que se considere que a categoria profissional da Psicologia não tem se dedicado a discutir e a produzir materiais sobre quais conhecimentos da área seriam interessantes para serem ensinados no ensino médio profissional e na sua diversidade de cursos, o que deixa um espaço muito amplo para que se faça o uso que se bem entender dos conhecimentos psicológicos.

Prosseguindo na análise da Tabela 1, causa estranhamento a ausência de possibilidade de o licenciado em Psicologia ministrar qualquer disciplina no curso de técnico em Enfermagem, curso da área da saúde no qual os conhecimentos psicológicos historicamente se fariam presentes (Soligo & Azzi, 2009) e habilitação na qual pesquisas realizadas em Belo Horizonte (Maciel, 2009) e Porto Alegre (Pires, 2009) evidenciam a atuação de professores de Psicologia. Tal estranhamento é compreendido ao observarmos que, no curso de técnico em Enfermagem, os profissionais habilitados a ministrar as disciplinas são predominantemente licenciados em Enfermagem, o que é consoante as afirmações de Pires sobre a força do Conselho de Enfermagem, que encoraja e legitima que enfermeiros ministrem todos os componentes da formação profissional nesse curso.

Quanto a essa questão, caberiam estudos específicos, bem como ações de diálogo entre os Conselhos profissionais de Enfermagem e Psicologia, que buscariam entender se a questão da impossibilidade de o licenciado em Psicologia ministrar qualquer disciplina no curso de técnico em Enfermagem é meramente de reserva de mercado para os licenciados em Enfermagem ou se envolve também, entre outros fatores, o fato de os profissionais da Psicologia pouco discutirem quais seriam as possíveis contribuições do ensino de Psicologia nesse campo. Isso contribui para ações por parte de professores de Psicologia que, ao ministrarem aulas para esses cursos, pouco se comprometem com um conceito ampliado de saúde e com a integralidade do cuidado, e não incluem em suas aulas conteúdos sobre a construção coletiva e histórica da subjetividade, os processos de trabalho, a interdisciplinariedade ou a Psicologia do trabalho e social, conforme pontua a pesquisa de Pires (2009) com professores de Psicologia que ministram aulas no ensino técnico de Enfermagem em Porto Alegre.

É importante destacar ainda que, enquanto a categoria profissional da Psicologia se omitir da discussão sobre o ensino médio profissional, não articular conteúdos da área com a formação específica da Enfermagem e não lutar por esse espaço, estaremos alijados de um importante espaço de atuação no qual a Psicologia teria conhecimentos com os quais poderia contribuir, como sustentam Pires (2009) e Soligo e Azzi (2009).

Prosseguindo a análise, em uma apreciação geral dos nomes das disciplinas expostas na Tabela 1, relacionadas à história da Psicologia na educação e aos objetivos historicamente vinculados à educação técnica, é possível aventar a hipótese de que, nessas disciplinas, sejam contemplados conhecimentos de partes da Psicologia ligadas a sua aplicabilidade. Porém, é possível também considerar se mesmo nessas disciplinas os conhecimentos psicológicos poderiam ser ensinados de maneira contextualizada e crítica, proporcionando emancipação aos discentes que tenham acesso às mesmas. No entanto, o estudo e a compreensão sobre como a Psicologia é apropriada nas Etecs será alvo de reflexão em outra oportunidade, pois entendemos que, para fazê-la, é preciso conhecer muito mais que apenas os nomes das disciplinas e cursos nos quais o ensino de Psicologia se encontra inserido.

Ainda em relação à Tabela 1, ela nos permite afirmar a existência de uma diversidade de disciplinas e cursos nos quais o licenciado em Psicologia pode ministrar aulas, porém não nos permite saber quão representativos são esses cursos no âmbito das Etecs. Esse conhecimento foi construído na segunda etapa do levantamento realizado, que buscou tal representatividade no número de discentes que frequentam tais cursos e no número de Etecs nas quais os cursos estão presentes.

Na descrição do processo de levantamento de dados, apontamos uma dificuldade técnica ao realizarmos a segunda etapa desse levantamento, ocasionada pela volatilidade do campo das Etecs. Consideramos importante discutir que a dificuldade encontrada revela um período de constantes modificações na educação média profissional pública no Estado de São Paulo, pois, no intervalo de um ano, houve uma grande expansão do número de Etecs e diversidade de cursos, ao mesmo tempo em que alguns cursos deixaram de ser oferecidos. Isso implica desafios para pesquisas e possivelmente aponta determinações relacionadas a transformações no mercado de trabalho, visto que o oferecimento ou não de um determinado curso está relacionado à existência de um mercado de trabalho próximo à Etec que necessite da mão de obra que ali seria formada. Porém, essa questão da expansão das Etecs e suas constantes modificações precisa ser considerada e mais bem estudada em futuras pesquisas, e aqui a apontamos apenas para esclarecer as implicações dessas transformações para o levantamento realizado.

Prosseguindo com os resultados, nós nos debruçaremos agora sobre as informações construídas a partir da segunda etapa de nosso levantamento, realizada no segundo semestre de 2010. Apresentamos, na Tabela 2, a seguir, a dimensão em termos de números de discentes atendidos nos cursos que compuseram a amostra. A primeira coluna à esquerda traz um número de classificação de cada um dos cursos correlacionado à ordem decrescente do número de discentes matriculados nos cursos oferecidos nas Etecs. Foram suprimidos da Tabela os cursos que não compuseram a amostra, porém a sua existência é percebida ao visualizarmos que, por exemplo, o quinto curso (Curso de Técnico em Enfermagem) não está nomeado na Tabela, mas sua colocação é resguardada em termos de ordem de classificação6.

 

 

Pela Tabela 2, é possível observar que, entre os dez cursos com mais discentes nas Etecs, apenas dois não possuem quaisquer disciplinas que possam ser ministradas pelo licenciado em Psicologia.

Ao relacionarmos a Tabela 2 com a Tabela 1, observamos ainda que o curso que possui maior número de discentes é também o curso que possui mais disciplinas que podem ser ministradas pelo licenciado em Psicologia, qual seja, curso de técnico em Administração, com quatro disciplinas.

A próxima Tabela provê a dimensão em termos de números de Etecs que oferecem um dado curso, e o número de disciplinas que podem ser ministradas pelo licenciado em Psicologia em cada um desses cursos. Ao observá-la, é preciso ter clareza de que:

• cada Etec oferece uma combinação diversa de cursos. A Etec Getúlio Vargas, por exemplo, que é a mais antiga Etec, localizada na região central da cidade de São Paulo, oferece uma diversidade de 12 cursos técnicos só em sua sede, e 1 mesmo curso técnico em cada uma de suas três extensões7, enquanto a Etec de Piedade, autônoma a partir de 2009, localizada no interior paulista, oferece a diversidade de 3 cursos técnicos;

• cada curso pode ser oferecido para um número diverso de turmas. Na Etec Getúlio Vargas, por exemplo, o curso de Técnico em Administração é oferecido para 4 turmas distintas (1 na sede e 1 turma em cada uma de suas extensões), enquanto o curso de Eletrônica é oferecido para 3 turmas, e o curso de Meio Ambiente para 1 turma;

• os cursos oferecidos nas extensões foram contabilizados em suas escolas-sede.

Assim, o número de Etecs que oferecem um dado curso, em sua grande maioria, será inferior ao número de turmas existentes de cada curso, as quais não puderam ser contabilizadas no escopo desta pesquisa. A Tabela 3, portanto, provê uma dimensão em números absolutos de Etecs que oferecem cada curso, e quantas disciplinas podem ser ministradas pelo licenciado em Psicologia. Por essa Tabela podemos vislumbrar um considerável campo de atuação para o licenciado em Psicologia frente às Etecs.

Destacamos da Tabela 3 que o curso que possui mais disciplinas que podem ser ministradas pelo licenciado em Psicologia é também o curso mais oferecido em termos de número de Etecs, e, como vimos na Tabela 2, é o que possui maior número de discentes. É importante lembrar também que, nesse curso, há uma disciplina que explicita o ensino de conteúdos psicológicos em seu nome, qual seja, Psicologia Organizacional.

 

O Gráfico 1 nos auxiliará na compreensão do que representam esses números absolutos de Etecs frente ao conjunto das Etecs no Estado de São Paulo. Escolhemos representar essas escolas em termos das Etecs que possivelmente teriam o maior número de disciplinas que podem ser ministradas pelo licenciado em Psicologia. Para tal, separamos:

Etecs que oferecem conjuntamente os dois cursos que mais possuem disciplinas que podem ser ministradas pelo licenciado em Psicologia, ou seja, o Curso de Técnico em Administração, com 4 disciplinas, e o Curso de Técnico em Marketing, com 3 disciplinas. Essas Etecs também são aquelas que contêm disciplinas que explicitam em seu nome o ensino de conhecimentos psicológicos. Há 26 Etecs que atendem esse critério, as quais representam 13% do total de Etecs do Estado;

Etecs que oferecem o Curso de Técnico em Administração, por se tratar do curso que mais é composto por disciplinas que podem ser ministradas pelo licenciado em Psicologia, dentre elas, a disciplina Psicologia Organizacional. Há 127 Etecs com essa característica, as quais representam 66% do total de Etecs do Estado;

Etecs que oferecem o Curso de Técnico em Marketing, por se tratar do segundo curso que mais oferece disciplinas que podem ser ministradas pelo licenciado em Psicologia, dentre elas, as disciplinas Psicologia Comportamental e Psicologia Social. Há 4 Etecs com essa característica, as quais representam 2% do total de Etecs do Estado;

Etecs que oferecem ao menos um dos outros cursos que compuseram a amostra, tendo assim ao menos uma disciplina que pode ser ministrada pelo licenciado em Psicologia. Há 29 Etecs com essa característica, as quais representam 15% do total de Etecs do Estado;

Etecs que não oferecem nenhum dos cursos que compõem a amostra. Como eram apenas 7 Etecs, que representam 4% do total de Etecs do Estado, pesquisamos os cursos oferecidos por essas escolas, e em todas havia pelo menos um curso com uma disciplina que poderia ser ministrada pelo licenciado em Psicologia.

 

 

Pelo Gráfico 1, podemos visualizar que, somadas todas as Etecs que oferecem disciplinas que explicitem o ensino de conteúdos psicológicos em seu nome, temos que 157 escolas, ou seja, 81% das Etecs possui ao menos uma dessas disciplinas. Além disso, 30 Etecs, 15% do total de Etecs do Estado, oferecem o curso de técnico em Marketing, e assim a disciplina que é de exclusividade do licenciado em Psicologia ministrar, qual seja, Psicologia Comportamental. Por fim, todas as Etecs têm ao menos um curso com uma disciplina que pode ser ministrada pelo licenciado em Psicologia.

Entendemos que esse levantamento, ainda que amostral, nos permite vislumbrar que, em termos de número e de porcentagem de Etecs nas quais o licenciado em Psicologia pode ministrar aulas, há um amplo espaço para sua atuação, espaço esse que precisa ser mais conhecido, estudado, debatido e refletido pela nossa categoria profissional.

 

Considerações finais

A pretensão do artigo foi a de apresentar um campo pouco conhecido de atuação para o licenciado em Psicologia e provocar a discussão sobre o assunto, mais para instigar a realização de novas pesquisas do que para trazer conclusões sobre o tema.

Pensamos que este levantamento pode ser utilizado para fomentar o debate sobre a licenciatura em Psicologia, cujo oferecimento tem diminuído, conforme apontam Kohatsu (2010) e Soligo (2011), pois permite problematizar afirmações de que não há campo de atuação para o licenciado em Psicologia que assim justificam o não oferecimento dessa habilitação. No entanto, tal problematização não pode ficar apenas no âmbito do mercado de trabalho possível para o licenciado em Psicologia, pois a importância da licenciatura em Psicologia o transcende, e está relacionada tanto às discussões sobre o ensino de Psicologia na modalidade propedêutica e em instituições de educação não formais como às problematizações que emergem na interface Psicologia-educação.

O artigo é oportuno ainda porque as licenciaturas em Psicologia voltarão a ser oferecidas a partir das determinações das novas Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Psicologia (Resolução CNE/CES nº 5/ 2011), e a construção desses cursos pode beneficiarse desse levantamento para se debruçar sobre o campo do ensino médio profissional, proporcionando aos discentes o conhecimento desse espaço: seus limites e contradições. Além disso, é fundamental que os profissionais da Psicologia se dediquem a pensar sobre os conteúdos que seriam importantes para serem ensinados nesses cursos, colocando em questão o uso instrumental da Psicologia, que visa ao atendimento de demandas imediatas do mercado de trabalho. As pressões adaptativas às demandas do mercado não deveriam se sobrepor às necessidades de uma formação humana.

Esperamos que esse levantamento amostral, centrado em escolas técnicas públicas estaduais de São Paulo, provoque nas entidades organizativas da Psicologia (em especial a Associação Brasileira de Ensino de Psicologia) e na categoria de profissionais da Psicologia ações e pesquisas que visem a conhecer e a divulgar, em âmbito nacional, nas dimensões atuais e históricas, o campo de atuação possível ao licenciado em Psicologia na modalidade técnica, auxiliando na compreensão de como e porque os conhecimentos psicológicos se fazem presentes nessa modalidade.

Por fim, tal levantamento nos instiga a questionar que Psicologia, com quais objetivos e provendo quais contribuições o ensino de conhecimentos psicológicos se insere no campo das Etecs. Pensamos que é compreendendo tais questões que se torna possível entender quais fatores determinam a presença do ensino de Psicologia nas escolas técnicas públicas estaduais e a sua ausência no ensino propedêutico. Consideramos que, para tentar responder essas perguntas, é preciso conhecer o campo do ensino de Psicologia nas Etecs mais de perto, visto ser ele ainda inexplorado, carente de pesquisa e de reflexão. Esse é um desafio que permanece para todos nós.

 

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Endereço para correspondência
Angelina Pandita-Pereira
Instituto de Psicologia da USP, Av. Prof. Mello Moraes, 1721, Bloco A – PSA , São Paulo- SP. CEP: 05508-030
E-mail: pandita.pereira@gmail.com

Recebido 05/02/2012
Aprovado 15/10/2012.

 

 

* Licenciada em Psicologia e Psicóloga, Mestre em Psicologia pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP – Brasil. E-mail: pandita.pereira@gmail.com
**Doutora em Psicologia, docente do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP – Brasil. E-mail: sekkel@usp.br
1 Etecs – escolas técnicas estaduais de São Paulo
2 Para uma discussão contextualizada do tema, ver Leite (2007).
3 Essa composição por módulos e da duração dos cursos aplica-se aos cursos concomitantes e subsequentes que, no segundo semestre de 2010, constituíam 86 dos 91 cursos técnicos oferecidos pelo Centro Paula Souza.
4 Isso não significa que todas as demais disciplinas que compõem um curso específico tenham duração de duas horas, visto tal composição variar de acordo com as especificidades dos cursos.
5 A disciplina Psicologia Organizacional, por exemplo, do Curso de Técnico em Administração, pode ser ministrada por licenciados na área de Administração, Ciências Administrativas e Psicologia.
6 A tabela com a classificação, o curso técnico, o número de discentes e o número de disciplinas que o licenciado em Psicologia pode ministrar pode ser encontrada em Pandita-Pereira (2011, pp. 165- 166).
7 Várias Etecs possuem extensões, que representam cursos oferecidos que são vinculados administrativamente à Etec sede, porém que são ministrados em outros locais, como escolas públicas estaduais, Centros Educacionais Unificados (CEUs) e prédios cedidos pela prefeitura, entre outros.

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