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PRESS RELEASE

Rev. Nutr. vol.23 no.2 Campinas Apr. 2010



http://dx.doi.org/10.1590/S1415-52732010010300002 

Revisão sistemática destaca as nozes e as sementes comestíveis, em especial a amêndoa de baru, nativa do Cerrado brasileiro, como alimentos ricos em compostos benéficos à saúde

 

 

Pesquisadoras do Laboratório de Nutrição Experimental (LANUTE) da Universidade Federal de Goiás (UFG) realizaram uma revisão sistemática publicada na Revista de Nutrição, volume 23, número 2, no ano de 2010, acerca da composição em nutrientes e compostos bioativos das nozes e sementes comestíveis, e sua relação com a saúde humana. As autoras constataram que esses alimentos se destacam dos demais por apresentarem alta densidade de nutrientes e de outros compostos bioativos. Além disso, as pesquisadoras, que integram um grupo de pesquisa sobre valor nutricional de frutos nativos e têm estudado as castanhas do Cerrado, ressaltam, nesse artigo, que a amêndoa de baru apresenta boa qualidade protéica e contém elevado conteúdo mineral e perfil de ácidos graxos favorável à saúde.

A revisão da literatura foi realizada mediante busca bibliográfica nas bases de dados científicos Biological Abstracts, CAB Abstracts, Food Science and Technology Abstracts, LILACS e Medline, de acordo com os seguintes critérios de seleção: artigos de pesquisa original, publicados nos últimos cinco anos, em periódicos nacionais ou internacionais das áreas de Ciência de Alimentos, Medicina e Nutrição, indexados na base ISI Web of Knowledge. As autoras analisaram os artigos selecionados conforme critérios de qualidade pré-estabelecidos.

As nozes verdadeiras (amêndoas, avelãs, castanhas, castanhas-de-caju, castanhas-do-pará, macadâmias, nozes e pistaches) e as sementes comestíveis (amendoim e amêndoa de baru) são boas fontes de lipídeos e proteínas. Suas frações lipídicas são compostas predominantemente por ácidos mono (oléico) e poliinsaturados (linoléico), sendo que a macadâmia, a noz, a castanha e a amêndoa de baru apresentam uma ótima relação entre ácidos graxos poliinsaturados ômega 6 e ômega 3, o que é bastante favorável à redução do risco de doenças cardiovasculares. As proteínas das nozes e sementes comestíveis apresentam perfil de aminoácidos que atende grande parte das necessidades do organismo humano, contendo teores mais elevados de aminoácidos sulfurados que as leguminosas. Estes aminoácidos são essenciais ao crescimento e regeneração dos tecidos e estão em quantidades limitadas em alimentos básicos da dieta brasileira, como os feijões. As nozes e sementes comestíveis também são boas fontes de fitoesteróis, especialmente de β-sitoesterol; de minerais, sobretudo cálcio, ferro, zinco, selênio e potássio; de tocoferóis (vitamina E), destacando-se o α-tocoferol, e de fibras alimentares.

A amêndoa de baru, que é nativa do Cerrado brasileiro, merece destaque neste grupo de alimentos por apresentar grande potencial produtivo e tecnológico, podendo ser utilizada na culinária em substituição ou associada ao amendoim, castanha-de-caju e castanha-do-pará, em preparações como paçocas, biscoitos, barras de cereais, granolas, bolos, chocolates, ou mesmo como aperitivo. Vale acrescentar, que as autoras do artigo, juntamente com outros pesquisadores do grupo têm observado grande variabilidade nas características físicas e nutricionais da amêndoa de baru oriunda de plantas de uma mesma subpopulação do Cerrado, bem como de plantas de diferentes regiões desse bioma, o que estimula a continuidade destas pesquisas.

Assim, esta revisão possibilita uma melhor compreensão da composição nutricional e dos efeitos do consumo das nozes e das sementes comestíveis sobre a saúde humana. Ainda, este trabalho revela uma variabilidade considerável na composição química-nutricional das nozes e sementes, e em especial da amêndoa de baru, o que reflete a grande biodiversidade dessas plantas. O estudo dessa biodiversidade é de grande interesse, pois pode auxiliar na seleção e preservação de espécies de elevado valor nutritivo e contribuir para a garantia da segurança alimentar e nutricional, por meio da promoção do consumo de alimentos regionais.

Esta revisão sistemática foi desenvolvida como parte de uma dissertação de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal de Goiás (UFG), com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES – bolsa de estudo) e do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) – Edital Universal (processo n° 481669/2008 6).

 

 

Contato:
Profª Drª Maria Margareth Veloso Naves
Laboratório de Nutrição Experimental da Faculdade de Nutrição/UFG
e-mail: mnaves@fanut.ufg.br
Tel: (62) 3209-6270, ramal 214