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PRESS RELEASE

Rev. Nutr. vol.28 no.6 Campinas Dec. 2015



 

Press Release

Vários estudos indicam uma associação entre dieta mediterrânea e diminuição do risco de doença de Alzheimer

Maria João Sousa1 

1Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. E-mail: <mjmsousa@gmail.com>

Pesquisa publicada na Revista de Nutrição, volume 28, número 6 de 2015, acerca do papel da dieta mediterrânica na prevenção a doença de Alzheimer. Esta doença é um importante problema de saúde pública que tem vindo a aumentar exponencialmente, sendo atualmente considerada uma verdadeira epidemia do século XXI e uma das principais causas de morbilidade e mortalidade na população idosa, em todo o mundo. Deste modo, a doença de Alzheimer tem um grande impacto socioeconómico, pelo que a investigação nesta área continua a ser um grande desafio, particularmente em relação a medidas de prevenção.

Neste trabalho, foi realizada uma pesquisa na Pubmed de artigos publicados entre 2004 e 2014. Entre os principais resultados da pesquisa, incluem-se: 1) os fatores modificáveis têm maior influência na prevalência da doença de Alzheimer em comparação com os fatores genéticos; 2) intervenções no estilo de vida poderão constituir medidas preventivas, essenciais dada a ausência de agentes farmacológicos modificadores da evolução natural do processo neurodegenerativo; 3) estima-se que atrasando a etapa clínica da doença em 1 ano poderá diminuir a sua prevalência em 25% e em 5 anos em 50%; 4) individualmente, os alimentos não estão associados de forma significativa ao risco de doença de Alzheimer, ao contrário da dieta mediterrânica: maior adesão a esta dieta está associada a uma diminuição do risco de desenvolver doença de Alzheimer, a uma melhoria da função cognitiva global e memória episódica, assim como a redução do risco de déficit cognitivo ligeiro e a menor taxa de mortalidade na doença de Alzheimer; 5) apesar de a maioria dos estudos ter sido realizada em populações mediterrânicas, vários estudos têm demonstrado benefícios da dieta mediterrânica também em países não-mediterrânicos, como nos EUA, Austrália, Norte da Europa e Índia.

A partir destes dados, pode então concluir-se que o papel da dieta mediterrânica na saúde cognitiva se traduz em vários níveis: atraso no declínio cognitivo, redução do risco de déficit cognitivo ligeiro, redução do risco de conversão deste em doença de Alzheimer e alívio sintomático; esta associação é mediada pelo efeito combinado de diversos componentes da dieta que influenciam diretamente vários mecanismos patológicos da doença, nomeadamente pela ação de alguns grupos de alimentos como o vinho, azeite, peixe, frutas e vegetais. Tendo em conta que os alimentos da dieta mediterrânea permitem uma fácil adesão a este padrão alimentar, esta abordagem dietética é extremamente promissora, podendo exercer o seu papel em sinergia com os agentes farmacológicos presentes e os futuros.

Assim, a dieta mediterrânica poderá constituir uma estratégia preventiva eficaz e com baixos custos, poucos efeitos laterais e outcomes epidemiológicos importantes, que poderão traduzir-se num progresso significativo na saúde pública.

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