SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.2 issue2Results of Poultry Nutrition Research in Brazil: A Summary of the Last 5 years author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Revista Brasileira de Ciência Avícola

Print version ISSN 1516-635X

Rev. Bras. Cienc. Avic. vol.2 no.2 Campinas May/Aug. 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S1516-635X2000000200001 

O Comportamento das Aves

Poultry Behavior

 

 


Autor(es) / Author(s)

Campos EJ1

1 - Professor Titular Aposentado da Escola de Veterinária da UFMG -Belo Horizonte - MG

Unitermos / Keywords

comportamento das aves, frangos de corte, galinhas de postura, galos, repordutoras

broiler breeder, chickens, cocks, laying hens, poultry behavior

RESUMO

Os estudos sobre o comportamento das aves, principalmente as galinhas, datam de 1912, quando o gênero Gallus passou a ser estudado com mais intensidade na área da Genética. Tais estudos eram simplesmente filosóficos até o início da década de 80, quando uma nova era da produção industrial avícola surgiu, objetivando um maior volume de produção econômica em todas as áreas de exploração. Esse objetivo reativou de maneira científica os estudos de comportamento das aves face à tecnologia de produção empregada nos sistemas de exploração, tornando-os mais acentuados já na década de 90, culminando com um simpósio internacional realizado nos Estados Unidos onde foram traçados os objetivos ou linhas de pesquisas na exploração avícola. O intuito era evitar problemas com os movimentos ambientalistas, traçando novos rumos para uma produção eficiente sem interferir no comportamento das aves já no início do novo milênio. Esta revisão, tem como objetivo principal uma análise científica e filosófica sobre o comportamento das aves em diversos métodos de exploração.

 

ABSTRACT

Studies on poultry behavior initiated in 1972, at that time, fowls from Gallus domesticus species were the most important animal for the initial studies of Genetic. Since then, just the philosophical concepts where involved in those studies. However, at the beginning of 80 decade, these studies were intensified taking into account technological approaches for an economical industrial poultry production. Meanwhile, the reactions from activists involved in the behavior of the animal subjected to production became more strong at the beginning of 90's as well as those studies on chicken behavior. Finally, in 1998, an international symposium, promoted by chicken behavior scientists were held in the United States, in order to establish new methods of exploitation of poultry without interfering in its normal behavior, at the beginning of new millenium. The main objective of this article is concerned to philosophical and scientific aspects of poultry behavior under different systems of production.


 

 

INTRODUÇÃO

Os movimentos ecológicos ou ambientalistas vêm crescendo desde o advento da era atômica, estendendo-se através do mundo, e tornando-se cada vez mais fortes e coesos. A guerra nuclear está aparentemente sob controle, pois seria a destruição do mundo, e ninguém quer agilizar o processo, apesar de ser difícil o controle sobre a humanidade.

Os ambientalistas têm agido em vários setores, desde a preservação da natureza, inculindo as florestas, a preservação das espécies, e até mesmo, na evolução genética transgênica, impedindo a produção de vegetais transgênicos como controle das pragas, embora sejam contra o uso de inseticidas danosos ao ambiente. A filosofia é excelente, porém o fanatismo com que é empregada, pode conduzir a decisões, às vezes, descabidas.

Os aspectos sociais, principalmente os baseados no comportamento das aves, até então relegados a um plano secundário, torna-se cada vez mais evidentes na exploração avícola moderna, face à importância do ambiente em que as aves estão sujeitas. Assim, os estudos de Etologia - ciência que se relaciona com o comportamento animal - têm alcançado nos últimos anos, um destaque todo especial, em virtude de sua estreita relação com a Ecologia (Maning, 1972).

O comportamento é um fenômeno complexo, pois ocorre tanto em indivíduos isolados como em grupos, sendo controlado através de mecanismos neurobiológicos e hormonais (Mench, 1992). Como comportamento das aves em uma população, destacam-se os hábitos que se alteram desde a criação à solta, ou a criação em semi-confinamento até o confinamento total. Graves (1982) conceitua o comportamento animal como "uma janela entre o organismo vivo e o exterior".

A temeridade do movimento etologista em enfocar a produção avícola aconteceu por ocasião da VII Conference Europienne D'Aviculture, realizada em Paris, em 1986, na qual o bem estar social das aves eram um dos pontos fortes; fato este que nos chamou a atenção. Os ambientalistas ou etologistas da Suécia e Suíça estavam exigindo a criação das poedeiras no chão, devido á crueldade em manter as aves confinadas em gaiolas. A maioria dos produtores europeus já estava preocupada com as decisões ambientalistas e as instituições de pesquisa avícola começaram a elaborar projetos de pesquisa envolvendo o aspecto social da criação. Esse movimento já se estendeu para os Estados Unidos; entretanto, os pesquisadores avícolas americanos estão prevendo uma mudança radical nos processos de exploração já no inicio do século, com base nos acontecimentos europeus (Duncan, 1993).

 

A ORGANIZAÇÃO SOCIAL DA POPULAÇÃO AVÍCOLA

Este conhecimento é de grande utilidade no manejo das aves, pois identifica os fenômenos de dominância e submissão entre machos e fêmeas, a organização de famílias e o domínio de território (Mauldin, 1992).

Os estudos relacionados com a organização social das aves iniciaram-se em 1922 (Guhl & Warren, 1946), quando foi descrita a hierarquia social ou a "ordem de bicadas", baseada na relação entre indivíduos dominantes e submissos, na população avícola. De um modo geral, os machos não seguem essa regra porque não bicam as fêmeas (cavalheirismo); entretanto, formam uma hierarquia entre eles relacionada com a agressividade. Assim, no caso específico das fêmeas, elas se estratificam socialmente em:

a) classe alta ou superior - aves que bicam todas as outras;

b) classe média - são aquelas aves que são somente bicadas pelas aves da classe alta;

c) classe baixa ou inferior - são aquelas bicadas tanto pelas aves da classe alta como as da classe média;

Uma vez estabelecida a ordem social na população, ela é mantida através de ameaças pelos indivíduos dominantes, e de submissão pelos indivíduos dominados, raramente ocorrendo lutas e disputas.

Mas, por que confinamos as aves para explorá-las? No final do século passado, já se pensava em criar as galinhas em instalações adequadas, capazes de permitir explorá-las comercialmente para produção de ovos e carne. Assim, nos primórdios do século XX, coincidindo também com o início da Avicultura Industrial, tanto o avicultor como o pesquisador, procuraram as condições ideais de adaptação, porque não dizer "sociais", capazes de proporcionar o melhor desempenho das aves. Entretanto, o grande problema é associar o comportamento das aves, com as necessidades de bem estar e o desempenho econômico. Assim, o meio onde as aves estão alojadas constitui fator essencial para as necessidades de bem estar e a satisfação de desempenho.

 

DENSIDADE

Em 1954, foi descoberta a sulfaquinoxalina como medicamento de eleição no controle da coccidiose. Tal descoberta serviu como o grande fator para a evolução da produção avícola, principalmente em termos de instalação, além da introdução de linhagens geneticamente melhoradas. A exploração voltou a ser realizada em piso, porém utilizando estrados de madeira, que possibilitavam criar um número maior de aves nas unidades, ou utilizando uma camada protetora bem espessa de material absorvente, denominada "cama". Tanto a exploração em instalações com estrados como em "cama" tornaram-se sistemas populares na exploração avícola. Com a evolução dos equipamentos como comedouros e bebedouros, além da melhora no manejo das aves, sentia-se a necessidade de se criar aves em alta densidade, ou seja, aumentar a população na mesma área da instalação, com o objetivo de se produzir mais carne e mais ovos por metro quadrado. As poedeiras comerciais começaram a ser exploradas em gaiolas já não mais chamadas de "individuais" e os frangos de corte e os plantéis de reprodução eram explorados em "cama", como vem ocorrendo atualmente.

A indústria avícola cresceu e as necessidades de material para "cama" também; dessa maneira, as variações de instalações, com um terço ou dois de ripado e o restante de "cama" para as reprodutoras, tornou-se uma realidade nas regiões onde o material é escasso ou caro. Apesar da exploração em alta densidade ser considerada econômica, sob o ponto de vista social é um problema a ser considerado em um futuro bem próximo.

 

CONFORTO

Os problemas de ambiente provocados pela densidade elevada de criação, ou seja, excesso de umidade na "cama", teor elevado de amônia, além de problemas relacionados com a temperatura e a ventilação, afetam o desempenho das aves. Foram criadas diversas alternativas visando reduzir esses problemas; entretanto, as soluções significam investimentos elevados e devem ser consideradas sob o ponto-de-vista social.

 

COMPORTAMENTO

O comportamento das aves compreende: espaço, proteção das penas (glândulas do uropígio), ciscar, espojar, banhar, empoleirar etc. É interessante observar que, sob determinados aspectos, o comportamento vem mudando nas aves confinadas, principalmente o uso de glândulas do uropígio, que já não apresentam as funções de lubrificação das penas, pois praticamente não são usadas, e tendem a atrofiar-se, caso a ave não sofra nenhuma mudança em termos de alojamento. Outro ponto interessante está relacionado com a moela, que a princípio era uma musculatura dura, capaz de moer os grãos ingeridos, auxiliada no processo pela ingestão de pedriscos; como a ave vem recebendo uma ração toda farelada, desde o primeiro dia de idade,  a musculatura rígida se transformou em uma musculatura flácida, devido à falta de função. Para nós foi excelente, pois estamos diante de um tira-gosto delicioso, preparado em pouco tempo, se comparado anteriormente às longas horas de cocção a que era submetido (parece que os etologistas ainda não atentaram para este fato...).

Uma outra mudança no comprotamento que deve ser mencionada é o ato de lamber as penas, principalmente da cauda, não importando o sexo, pois ambos estão implicados no processo. É um hábito que vem ocorrendo em quase todos os plantéis de reprodução, principalmente os pesados, durante a fase de recria, sem provocar, porém, nenum problema importante. A única mudança provocada é o desgaste das penas, que desaparece quando as aves entram na fase de reprodução. É provável que esse problema esteja associado com a densidade das aves ou com os programas alimentares durante a fase de recria. Pesquisas vêm sendo realizadas tendo como objetivo promover tais condições de bem estar, proporcionando um comportamento natural dentro das instalações, levando-se em conta uma exploração econômica.

 

FATORES RESPONSÁVEIS PELO PROGRESSO NAS INSTALAÇÕES AVÍCOLAS

Em termos cronológicos, o alojamento das aves vem sofrendo modificações à medida em que se observa que o ambiente de criação deve melhorar em função do desempenho das mesmas. Inicialmente, as instalações avícolas tinham pelo menos três objetivos:

a) proteção - contra as intempéries, como chuva, vento, sol etc;

b) prevenção - contra as doenças parasitárias, principalmente a coccidiose;

c) facilidade de manejar as aves;

Tendo em vista tais fatores, criou-se um sistema semiconfinado, o qual apresentava uma área coberta e uma área verde com vegetação rasteira, denominada pasto, onde a ave poderia caminhar livremente durante o dia, em condições naturais, buscando equilibrar a dieta com os fatores denominados desconhecidos (vitaminas A, D e E, e, alguns minerais ). Na área coberta, eram colocados os comedouros e bebedouros, servindo também como proteção contra os animais predadores, pois as aves eram presas à noite. Mais tarde, o sistema evoluiu para unidades mais fechadas, sem os pastos (devido a infestação incontrolável de vermes), mas com um solário, permitindo às aves, um banho de sol, favorecendo a síntese de vitamina D. A alfafa, além do óleo de fígado de bacalhau, passou a ser um alimento precioso para as aves nesse sistema, devido aos então fatores nutricionais desconhecidos. Com o passar do tempo, o avicultor sentiu que teria que modificar novamente o tipo de alojamento porque a coccidiose era o grande problema. Assim, o sistema de semiconfinamento foi transformado-se em um sistema totalmente confinado, constituído por baterias metálicas, ou seja, unidades independentes superpostas em andares, permitindo aumentar o volume da exploração em virtude da redução do espaço ocupado, além de evitar o contato com as fezes, permitindo o controle da coccidiose. O sistema prevaleceu por muito tempo, apesar das deficiências nutricionais que acometiam as aves; pois não havia condição de se fazer a reciclagem, devido à impossibilidade de fazer contato com as fezes, além das dificuldades de manejo e mão-de-obra.

 

FRANGOS DE CORTE

Em geral, a organização social tem pouco interesse entre os indivíduos de um plantel comercial de frangos de corte, porque as aves são abatidas na idade em que a estratificação social está começando (Siegel, 1984).

As instalações comerciais para frangos de corte vêm sofrendo constantes modificações, objetivando aproveitar as vantagens que a criação oferece, ou seja, ciclos de produção de curta duração, devido à precocidade ou velocidade de crescimento das aves. Entretanto, persiste sempre o lado econômico, de se criar as aves em alta densidade.

Por outro lado, o "problema cama" ainda é um fator limitante nas pesquisas sobre a instalação ideal para frangos de corte, embora a reciclagem ou venda da "cama" constituirem parte integrante do manejo de várias explorações.

Desde o começo da exploração de frangos de corte e a evolução no processo de comercialização, com a apresentação de carcaças bem conformadas para despertar a atenção do consumidor, o problema "calo no peito" tornou-se o grande entrave no avanço do processo. Assim, desde o início da década de 60 e princípios da década de 70, inúmeras pesquisas foram realizadas tentando reduzir o problema. Kiker (1970), pesquisando o aspecto genético da questão, desenvolveu uma linhagem na qual foi reduzida a distância entre os tratos de penas peitorais, localizados um em cada lado do peito, permitindo a proteção do osso externo, e dessa maneira, prevenindo a incidência de "calo no peito". Em termos científicos, os resultados foram recebidos com otimismo; porém, sob o ponto-de-vista conômico, os resultados foram de pouca importância, porque a linhagem desenvolvida apresentava uma produção muito baixa de ovos. Assim, as instalações tornaram-se o ponto prioritário na prevenção de "calo de peito", acrescidas ainda do manejo das aves.

As criações em pisos de arame, ou em pisos de arame protegidos de material plástico, foram soluções testadas por McCune & Delimann (1968). Mas a incidência de "calo de peito" foi maior nas aves criadas em piso de arame, se comparadas a aquelas criadas em piso protegido com poliuretano. Em experimentos conduzidos nas regiões de Maryland e Delaware, considerados naquela ocasião como os grandes centros produtores de frangos de corte nos Estados Unidos, foram pespuisados vários sistemas de criação, inclusive levando-se em consideração o alojamento de maior número de aves por metro quadrado, a criação em gaiolas ou em engradados, procurando facilitar a operação de apanha das aves, passando a ser estudada com maior interesse. Porém, a incidência de lesões no peito foi maior em comparação com os sistemas tradicionais de criação (Lloyd, 1969). Sistemas combinados, envolvendo gaiolas e engradados plásticos, foram também estudados por Chaloupka (1971; 1972), com resultados bastante promissores quando empregados pisos de plástico nos engradados; entretanto, em se tratando de comportamento das aves, as gaiolas despertaram atenção maior em relação aos engradados, desde que a incidência de "calo no peito" fosse controlada. Anderson (1973) e Powell et al. (1973), trabalhando com gaiolas com o piso protegido por material plástico, obtiveram uma redução acentuada de lesões no peito, porém ambos os autores descreveram uma fragilidade acentuada nos ossos da tíbia e do úmero, fato também descrito por Chaloupka (1972).

No início da década de 60, Aroldo Amorim, um dos pioneiros da Avicultura industrial em Brasília, Distrito Federal, até então engenheiro da Novacap, instituição encarregada da construção da nova capital do país, era proprietário nas proximidades e Brasília, Luiziania, de uma olaria. Com a inauguração da Capital, a olaria praticamente ficou sem função; assim, pensando no futuro e no abastecimento de produtos para a nova capital, Aroldo aproveitou os galpões estreitos da olaria para iniciar uma criação de frangos de corte em gaiolas e baterias. A idéia deu certo, a produção foi crescendo e a população foi sendo abastecida com frangos abatidos, frescos, de coloração amarela, produzidos pela Só Frango, na loja da W-3. O negócio prosperou, abriram-se novas lojas. Geraldo Amorim auxiliava na parte de comercialização, mas o consumidor foi ficando mais exigente quanto à qualidade da carcaça (estava avesso ao "calo de peito"). Aroldo Amorim tentou quase todas as soluções para controlar o problema, mas desistiu, passando a criar as aves em piso, construindo novas e modernas granjas. Já em 1968, controlando dessa maneira o problema, mas persistindo ainda, com a criação em gaiolas, pois eram muito mais econômicas. (Apenas como uma observação, grande parte dos gramados de Brasília foram adubados com o esterco produzido pela criacão em gaiolas da Só Frango). Uma das alternativas tentadas por Aroldo Amorim, foi colocar um sarrafo de madeira no piso das gaiolas, melhorando o problema.

Partindo dessa idéia, iniciamos na Escola de Veterinária da UFMG, uma série de experimentos envolvendo tipos de gaiolas e tipos de piso na criação de frangos de corte. Começamos o projeto com o nosso segundo estudante de mestrado, Dr. José Alexandre Ferreira, veterinário, extensionista da então ACAR, e um grande batalhador para o desenvolvimento da Avicultura mineira, principalmente de Pará de Minas e Itanhandu. Nesse projeto, objetivou-se estudar a incidência de "calo de peito" e fragilidade dos ossos da perna e das asas, em frangos de corte, machos e fêmeas, criados em gaiolas com vários tipos de pisos de arame, inclusive com o sarrafo de madeira no fundo do piso. Além do sistema gaiola, foram incluídos os sistemas de baterias e as combinações envolvendo baterias "cama" e gaiola. Os resultados demonstraram que os sistemas combinados envolvendo gaiolas com a presença do sarrafo de madeira não afetaram o desempenho das aves e reduziram a incidência de fragilidade de ossos e de "calo de peito". Os resultados estão presentes nas Tabelas 1 e 2, mostrando que Aroldo Amorim tinha razão. A classificação de tipo de calo baseia-se na incidência de infeção, ou seja, o calo tipo I está apenas no início e o tipo II já é um calo maior, notando­se a presença de bactérias.

 

 

 

 

A proteção do piso das gaiolas seria um fator importante na redução dos problemas de "calo de peito". As pesquisas continuaram procurando uma solução definitiva, porém sem apresentar resultados animadores, assim como em outros sistemas alternativos de criação (Andrews et al., 1975; Simpson & Nakaue, 1987). Já no início da década de 90, Andrews et al. (1990) conduziram alguns experimentos comparando três tipos de piso: metal expandido coberto por plástico negro, plástico branco com aberturas retangulares e o mesmo tipo com aberturas quadradas. Todos os tipos de piso foram testados com frangos de corte na densidade de 22,50 aves/metro quadrado, contra 13,50 aves/metro quadrado no sistema convencional de "cama" de casca de arroz. A incidência de lesões no peito foi maior nos três tipos de piso e houve menor desempenho das aves. Por outro lado, as fêmeas apresentaram menor incidência de lesões em virtude do peso das mesmas em relação aos machos (Tabela 3).

 

 

É interessante observar que durante a comercialização de carcaças introduzida em meados da década de 80, na qual a maior ênfase passou a ser atribuída aos rendimentos de corte desossados de peito e de pernas, o problema "calo de peito" passou a ocupar uma posição secundária, e as práticas de manejo atual decisivamente deixaram de lado o então sério problema na produção de frangos de corte. Embora tal fato venha ocorrendo normalmente na Avicultura brasileira, o fator densidade ainda permanece como importante nos Estados Unidos e em outros países europeus.

Entretanto, tal prática busca outro objetivo, ou seja, as condições de ambiente nas quais as aves vêm sendo criadas. Os níveis de amônia devem ser controlados, possibilitando um conforto melhor para as aves e uma menor poluição de ambiente, seguindo de perto os anseios dos etologistas. Diversos tipos de ventilação artificial vêm sendo empregados buscando atender aquelas exigências. Recentemente, estudos desenvolvidos por Middelkoop (1995), utilizando instalações com piso ventilado elevados a 40 cm do solo, têm reduzido em quase 90% a poluição, devido à produção de amônia no interior das instalações, promovendo dessa maneira, um melhor conforto para as aves, além de um desempenho melhor (Tabela 4).

 

 

Possivelmente, tipos de ventilação como o demonstrado acima, além de outros que certamente irão surgir, poderão ser empregados inclusive nos países ou regiões onde o problema de conforto para as aves é realmente um fator limitante para o progresso avícola.

 

OUTROS FATORES RELACIONADOS COM O BEM ESTAR NA CRIAÇÃO DE FRANGOS DE CORTE

A) Velocidade de crescimento

Problemas com ascites e deformações esqueléticas constituem problemas de ordem metabólica, provocados pela genética e de grande valor econômico na exploração de frangos de corte. O problema de ascites já vem sendo discutido há anos (Julian, 1998), sendo demonstrado por Garcia Neto (1995) que existe uma influência genética envolvida no processo, relacionada com o efeito da linha macho. Problemas de ordem nutricional e arraçoamento, levando-se em conta a temperatura, já foram também discutidos, sabendo-se que o controle de peso na primeira semana de vida do frango de corte constitui um fator importante para o controle de ascite (Barbosa & Campos, 1996).

O problema de discondroplasia tibial e osteocondrosis é provocado pela falha na produção de condrócitos durante a formação óssea, ocasionada pela ausência de nutrientes específicos indispensáveis para a proliferação dos condrócitos, por exemplo, 1,25- dihidroxicolecaciferol. Outras deformações esqueléticas são também importantes, como: espondilolistesis, provocada quando os ligamentos entre a 3a e 4a vértebra toráxica rompem ou tornam-se enfraquecidos; separação das epífises, ocasionada pela desarticulação do fêmur durante a necrópsia, tendo como causa principal, além de doenças, a apanha das aves; rutura do tendão do gastrocnêmio, cuja ocorrência está intimamente relacionada com o peso e a idade das aves, provocada pela circulação deficiente ou pela debilidade do tendão (Riddell, 1992).

Em termos genéticos, determinadas empresas produtoras de plantéis de multiplicação estão trabalhando no sentido de reduzir o problema em frangos de corte já nos próximos anos, sendo que os resultados são surpreendentes nas linhagens primárias.

B) Apanha mecânica de frangos

É um dos fatores principais na produção de frangos de corte, devido aos problemas causados na carcaça (como hemorragias externas, quebra de asas e de pernas), depreciando-as, devido à condenação total ou parcial das mesmas. Dada a importância do problema, inúmeras pesquisas vêm sendo realizadas, todavia com resultados ainda inexpressivos, porém motivadores, como os resultados apresentados na Tabela 5 (Lacy & Czarick, 1998), quando amostras de 50 aves cada, num total de 200, foram tomadas ao acaso em um abatedouro para verificar os efeitos da apanha manual e mecânica sobre a incidência de hemorragias e lesões na carcaça. Os resultados parecem animadores, principalmente a diferença significativa entre as lesões nas pernas, favorecendo a apanha mecânica; porém, torna-se necessário o estabelecimento, em condições normais de operação do abatedouro, dos parâmetros de qualidade, possibilitando uma avaliação mais precisa dos resultados.

 

 

C) Transporte

Constitui outro ponto importante a ser levado em conta pelos etologistas. Engradados para o transporte, número de aves nos engradados e ventilação durante o transporte são os pontos de discussão.

D) Abate

Problemas relacionados com a imobilização da aves antes do abate ocasionados pelo choque elétrico ou gás.

 

POEDEIRAS

Ultimamente, o problema de alojamento das poedeiras vem se complicando, principalmente nos países europeus onde a pressão exercida pelos etologistas no sentido de modificar os sistemas de criação de poedeiras é bastante forte. Por outro lado tal pressão tem sido benéfica porque diversas pesquisas vêm sendo realizadas em busca de uma solução, nos outros países ou regiões que por ventura venham apresentar problemas semelhantes.

É interessante frisar que a estratificação social ocorre em níveis elevados entre as populações de poedeiras.

Desde a publicação de Hartman (1938) sobre criação de poedeiras em gaiolas individuais, o sistema se popularizou a partir da década de 50, praticamente em todas as empresas produtoras de ovos comerciais, devido às inúmeras vantagens que o sistema oferecia, apesar do investimento inicial ser mais elevado comparado com a criação tanto em ripado como em "cama". O sistema preconizado por Hartman, propunha a produção de ovos em gaiolas individuais, permitindo uma seleção melhor das poedeiras. Entretanto Quisenberry (1955) propôs o "programa espacial" para poedeiras, com o objetivo de se estabelecer a área mínima nas gaiolas, não com uma única ave, mas pelo menos com três aves na mesma área ocupada por uma, além de outros tipos de gaiolas denominadas coletivas ou colônias, concluindo que gaiolas com mais de 10 aves eram menos produtivas, comparadas com gaiolas com menos de cinco aves (Quisenberry, 1965). Por outro lado, inúmeros estudos descreveram que o aumento da densidade nas gaiolas ocasionava uma redução na produção de ovos, sendo 300 cm2 o espaço considerado como mínimo econômico para o alojamento de poedeiras (Ruszler & Quisenberry,1969).

A partir do início da década de 80, iniciou-se um movimento em prol do bem estar das poedeiras em gaiolas, em diversos países europeus, buscando dar às aves criadas em gaiolas, condições ideais para que as mesmas pudessem ter um comportamento semelhante àquele em condições naturais de criação.

Wegner (1990a) apresentou um estudo sobre o bem estar das aves, problemas e soluções, em diversos países europeus, no qual o ponto principal convergia em alterações nas gaiolas ou mesmo no sistema de "cama" que possibilitassem às aves se comportarem de maneira natural. Nicol (1990) estabeleceu como base para melhorar as condições de alojamento das aves em gaiolas, a introdução de ninhos, poleiros, área de lazer (areia). Esse sistema de gaiolas grandes, abrigando até 60 aves, foi denominado de "get-away". Huples & Appleby (1990) concluiram que a introdução de poleiros nas gaiolas reduziria o espaço, mas melhoraria a resistência dos ossos das pernas. A introdução de uma área para ninhos, em torno de 660 m2, proporcionaria a redução do espaço nas gaiolas, mas permitiria que as aves exercessem algumas atividades de comportamento, como cuidar das penas e espojar (Nicol, 1990). Elson (1990) apresentou um sistema compacto em vários andares, providos com poleiros, ninhos, além de um suporte com abrasivos para manter as unhas das aves sempre curtas à medida em que elas vão se tornando velhas. Wegner (1990b), em diversos experimentos com sistemas " get-away" modificados, concluiu que em termos de desempenho, não houve nenhum efeito, entretanto, deve-se levar em consideração a implicação econômica do sistema. Os resultados estão apresentados na Tabela 6.

 

 

Atualmente, o sistema "get-away" se apresenta com gaiolas com o volume de 1 m3, abrigando entre 15 a 40 aves, superpostas em andares. Os poleiros são dispostos em dois níveis, permitindo que as aves não defequem sobre as outras, além de se movimentarem melhor, e de baterem as asas com mais freqüência. Esse comportamento melhora o esqueleto e fortifica os ossos das asas e da tíbia em pelo menos 15%. Porém, a produção de ovos e a taxa de mortalidade são inferiores, quando comparadas com as gaiolas convencionais, provavelmente devido ao número maior de aves e às diferenças sociais; as unhas se desgastam naturalmente devido ao ato de ciscar na areia, assim como as penas, atendendo praticamente aos anseios dos etologistas (Tauson, 1998).

Os estudos europeus sobre planejamento de gaiolas para poedeiras permitindo as condições de conforto e de bem estar, e conseqüentemente, de comportamento, estão se avolumando no decorrer da década de 90. Embora as gaiolas grandes do tipo "get-away" venham demonstrando problemas de ordem econômica e mesmo social, atendem perfeitamente aos objetivos dos etologistas. Entretanto, torna-se necessária uma perfeita interação entre etologistas e produtores de ovos para que o objetivo de ambos seja atendido. Dessa maneira, novos tipos de gaiolas, denominadas gaiolas pequenas, permitindo o alojamento de 5 a 10 aves, dotadas de ninhos, poleiros e área com areia para o espojamento das aves, vêm sendo estudadas em alguns países europeus e também na Austrália. Os objetivos principais de se trabalhar com gaiolas pequenas modificadas estão relacionados com o controle de canibalismo, redução e melhor eficiência de mão-de-obra, problemas que são quase inevitáveis quando se trabalha com grandes populações de aves em "cama" . Deve-se levar em consideração que a disputa pelo espaço nos comedouros e bebedouros é um fator importante para o aumento da estratificação social entre as poedeiras.

Foram conduzidos alguns estudos (Abrahamasson & Tauson, 1995; Abrahamasson et al., 1996) envolvendo gaiolas pequenas e sistema "get-away", utilizando aves tipo Leghorn (Lohman- LSL) e aves produtoras de ovos de casca marron (ISA-Brown), ambas com temperamento distinto em termos de comportamento. Foram utilizados dois tipos de gaiolas:

1) gaiola pequena com 5 aves com poleiros, ninho e área de espojamento, desenvolvido por Appleby (1993) (MEC);

2) gaiola tipo "get-away" (GA), com 15 aves;

Como controle, foram empregadas gaiolas convencionais de arame (C) de dois tipos: gaiola de arame com 4 aves; e um tipo de gaiola plástica com 3 aves (PLC).

As áreas disponíveis, de acordo com o tipo de gaiola, excluindo as áreas de ninhos e de espojamento foram as seguintes: MEC = 600 cm2; GA = 600 cm2 (em ambos os tipos de gaiolas, incluindo as áreas de ninho e espojamento, a área total foi de 850 cm2); C = 510 cm2; PLC = 720 cm2 (em cumprimento às leis da Suécia em 1989, estipulando a mudança de 480 cm2 para 600 cm2 por ave).

Foram utilizadas 1.455 aves, criadas em gaiolas, e transferidas com 16 semanas de idade para os alojamentos estudados, onde permaneceram até 80 semanas, final do experimento. Os resultados foram os seguintes:

1) linhagens - LSL apresentou melhor produção (22,3 kg de massa de ovos) e menor mortalidade (3,2%), comparada com ISA Brown (20,8 kg e 7,7%, respectivamente)

2) gaiolas - média entre as duas linhagens, respectivamente para produção e mortalidade
  
a) MEC = 22,3kg e 26%
    b) C = 21,8kg e 5,8%
    c) GA= 20,2kg e 8,6%
    d) "cama" = 21,6 kg e 4,%
    e ) PLC = 21,9 kg e 5,8%

As gaiolas convencionais comparadas aos outros tipos de gaiolas, apresentaram resultados semelhantes aos modelos MEC e PLC, embora a taxa de mortalidade tenha sido menor para o tipo MEC; GA apresentou os piores resultados.

Quanto à porcentagem de ovos sujos e trincados, em todos os tratamentos, as taxas foram bastante elevadas; porém ressalte-se que no sistema GA, ovos sujos foram 4,9% e trincados, 18,6%, mais que o dobro em relacão aos outros tratamentos.

Outros resultados interessantes estão relacionados com a preferência pelos ninhos em comparação com a área de espojamento, melhores condições de plumagem nas gaiolas PLC, devido principalmente à menor densidade nas gaiolas.

É provável que no futuro próximo, as gaiolas do tipo MEC serão as preferidas nas exploracões comerciais, em substituição às gaiolas convencionais, atendendo às exigências dos etologistas e certamente, às dos produtores.

Em termos legais, alguns países europeus já estabeleceram a densidade ideal por ave em gaiola, que logicamente varia de país para país, como se vê na Tabela 17.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comparando-se com os Estados Unidos, a média gira em torno de 315 cm2/ave; porém, de acordo com a Comunidade Européia, foi permitido, a partir de 1995, o alojamento de poedeiras em gaiolas na densidade mínima de 450 cm2 e 10 cm de espaço nos comedouros por ave alojada (Wegner, 1990a). Tais exigências já estão vigorando desde 1º de janeiro de 1995. Entretanto, em reunião do Conselho de Agricultura, com a participação de 15 Ministros da Agricultura dos países participantes da União Européia, realizada no período de 14 a 15 de junho de 1999, em Luxemburgo, por proposição da Alemanha, os produtores de ovos comerciais da União Européia serão obrigados a aumentar a área por poedeiras em gaiolas já existentes, de 450 cm2 para 550 cm2 por ave, a partir do ano de 2003. Assim, a partir desse ano, as novas instalações para poedeiras serão equipadas com gaiolas denominadas "enriquecidas", que permitirão 750 cm2/ave (lei a ser revista em 2005). Com o cumprimento da lei a partir de 2003, o custo de produção de ovos irá aumentar devido às modificações a serem feitas no aumento de área/ave e à introdução de gaiolas amplas. Porém, o Conselho já aprovou um aumento de 10% nos preços dos ovos a serem pagos pelo consumidor.

Entretanto, a partir de 2012, não será mais permitida a exploração de poedeiras em gaiolas até que surja outro sistema de exploração que não implique no comportamento da poedeira.

Como contribuição aos estudos de projetos de gaiolas "etológicas", em 1976, o Professor Nelson Carneiro Baião, nosso orientado no curso de mestrado e posteriormente doutorado, estudou vários tipos de gaiolas para poedeiras comerciais, buscando alternativas que pudessem melhorar as condições de espaço nos comedouros em relação à área das gaiolas. Como na ocasião se falava muito sobre gaiolas reversas (Bell, 1972), ou seja, gaiolas com a inversão das dimensões de largura e comprimento em relação às gaiolas convencionais, o objeto dessas modificações foi aumentar o espaço de comedouro por ave, partindo da hipótese de que seria o fator limitante para a produção das aves, principalmente quando o número delas seria aumentado nas gaiolas. Assim, um espaço adequado de comedouro reduziria, em parte, o "stress" provocado pelo aumento de densidade.

Foram utilizados quatro tipos de gaiolas, sendo dois convencionais e dois reversas, da seguinte maneira:

1- 25 x 40 x 45 cm - convencional (C 25)

2 - 40 x 25 x 45 cm - reversa (R 25)

3 - 30 x 40 x 45 cm - convencional (C 30)

4 - 40 x 30 x 45 cm - reversa (R 30)

Foram utilizadas as seguintes densidades de acordo com o tipo de gaiola:

C 25: duas aves (500cm2/ave);
  
       três aves (333cm2/ave)

R 25: duas aves (500cm2)/ave);
  
       três aves (400cm2/ave)

C 30: três aves (400cm2/ave);
         quatro aves (300cm2/ave)

R 30: três aves (400cm2/ave);
         quatro aves (300cm2/ave)

Os resultados de desempenho representados por: produção média em galinha/dia, conversão alimentar (kg/dz), peso das aves e mortalidade se encontram na Tabela 7.

É interessante observar que as gaiolas reversas, tanto de 25 como de 30, apresentaram resultados estatisticamente superiores às gaiolas convencionais, exceto o peso médio das aves ao final do experimento, concluindo que, provavelmente, a disponibilidade de espaço no comedouro, poderia ser um fator realmente de importância na produção das aves em gaiolas convencionais.

A interação tipo de gaiola x densidade também apresentou resultados significativos e conclusivos. As gaiolas C 25 suportaram o aumento de densidade sem problemas com a produção de ovos, porém nas gaiolas C 30, ocorreu o oposto. Quanto às gaiolas reversas, houve uma queda na produção para os dois tipos estudados, mostrando que o aumento de espaço nos comedouros não foi suficiente para suportar o aumento da densidade ou a redução de área em 100 cm2 (Tabela 8).

Levando-se em consideração a lei aprovada na União Européia, as gaiolas reversas poderiam servir como modelo para as chamadas "gaiolas enriquecidas " .

 

OUTROS FATORES RELACIONADOS COM O BEM ESTAR DAS POEDEIRAS EM GAIOLAS

A) Transporte das aves

Evitar problemas relacionados com a quebra de asas e pernas durante a apanha das aves; usar engradados que proporcionem o conforto durante a operação.

B) Muda

A muda forçada deverá obedecer a determinados critérios (Ruszler, 1998): a retirada da água não será necessária porque a ave, no preparo para a muda, será condicionada a uma redugão de luz de 5 a 6 horas, pelo menos 10 dias antes de começar o programa.

C) Cálcio

A retirada de ração durante o processo de muda reduz o nível de cálcio circulante alterando os níveis das células T e B (Holt, 1992); portanto, recomenda-se a adição de calcário em pelo menos 4 a 6 dias após a retirada da ração.

D) Peso do corpo

A redução do peso do corpo durante o processo de muda tem como principal objetivo, a redução do nível de lápides uterino circulante (Ruszler, 1984 e 1996), essencial para a formação da gema. Baião & Campos (1979) estabeleceram como fator importante para a garantia de um bom desempenho pós muda, uma redução média de 25% do peso do corpo inicial.

E) Arraçoamento

Ruszler & Minear (1997) compararam diversos processos de arraçoamento e seus efeitos sobre a muda; utilizaram os seguintes tratamentos em aves de 80 semanas de idade:

a) jejum de 4 dias, ração com 14% proteína bruta e 2750 Kcal/EM, consumo controlado.

b) jejum moderado de 10 dias e aveia.

c) jejum moderado e ração com 10% de proteína bruta e 2585 Kcal / EM, à vontade.

d) jejum de 4 dias e ração com 10% de proteína bruta e 1623 Kcal/EM, à vontade.

Os resultados mostraram, após 43 semanas, que não houve diferença significativa no total de ovos produzidos (157,155,157 e 162, respectivamente), assim como na redução do peso, ou seja, 30, 26, 25 e 26%, respectivamente. Mortalidade e eficiência alimentar foram semelhantes para todos os tratamentos.

Dessa maneira, os métodos considerados dentro das regras ambientalistas para a muda forçada podem ser aplicados sem restrição, apesar de não ter sido feito nenhum estudo econômico.

Por outro lado, recentemente, o governo da Califórnia, maior estado produtor de ovos comerciais nos Estados Unidos, proibiu o emprego da muda nos plantéis de poedeiras.

 

REPRODUTORAS

Seguindo praticamente a mesma tendência observada no alojamento para frangos de corte e poedeiras, o fator densidade é um dos mais importantes; porém, em se tratando de reprodução, o macho deve ser levado em consideração, pois a reprodução objetiva ovos férteis. Cuidados no planejamento de instalações, na escolha do equipamento e no manejo do plantel de reprodução podem influir no comportamento das aves e, como conseqüência, provocar a queda na fertilidade.

Desde o início da década de 70, estudos relacionados com o tipo de piso (madeira, arame e plástico), além da inclinação dos mesmos, foram conduzidos por Carter & Bressler (1970) e Bressler (1972); em termos de desempenho, não houve nenhuma diferença significativa; porém, aves criadas em piso de arame apresentaram lesões nas patas, sendo a incidência maior nos machos. Campos (1971; 1973) e Campos et al. (1971 e 1973) realizaram diversos experimentos com reprodutoras pesadas, em gaiolas simples e múltiplas, em densidades que variavam de 1350 cm2/ave até 810 cm2/ave; apesar da elevada incidência de problemas de patas nos machos, as taxas de fertilidade e eclodibilidade não foram significativamente afetadas pela densidade (Tabela 9).

Embora as taxas de fertilidade e de eclodibilidade não tenham sido afetadas pelo tipo de alojamento, as características de produção, peso do ovo e peso do corpo, sofreram o efeito significativo de área.

Ao fazer a comparação entre o alojamento em gaiolas e em "cama", tanto o peso do ovo como o peso do corpo foram significativamente afetados pelo tipo de alojamento, pois as aves alojadas em piso apresentaram pesos menores, como um reflexo de gastos em energia, fato que não ocorre com as aves em gaiolas (Tabela 10).

Foram feitas outras comparações utilizando gaiolas simples e gaiolas múltiplas para verificar como seria o comportamento das aves alojadas em maior número em gaiolas, a densidade foi mantida a mesma, porém, nas gaiolas múltiplas, foram alojadas 20 fêmeas e dois machos. Mais uma vez, foi comprovada a superioridade das reprodutoras pesadas alojadas em gaiolas sobre aquelas alojadas em "cama"; entretanto, a taxa de eclodibilidade foi maior para as aves alojadas em "cama". As aves pesadas se adaptam melhor em gaiolas, provavelmente devido ao fato de apresentarem um temperamento mais dócil, além de um melhor aproveitamento de energia. Apesar de as aves criadas em gaiolas múltiplas terem apresentado uma produção média melhor e maior peso dos ovos, as diferenças não foram significativas (Tabela 11). Parece que o comportamento das aves alojadas em maior número não foi afetado; mas, em termos de fertilidade, houve uma diferença significativa, supondo um possível envolvimento social dos machos em relação à possível formação de família (Campos, 1993).

Ressalte-se nesses experimentos com gaiolas para reprodução, que o comportamento dos machos foi afetado durante o acasalamento, quando ele toca a crista no teto da gaiola; imediatamente, como um reflexo, o ato não se completa, o macho não procura mais a fêmea, fica triste e acaba sendo refugado. Parece que a crista, sendo uma característica sexual secundária, exerce um papel bastante importante no comportamento sexual. Assim, nas explorações em gaiolas, seria recomendável o corte das cristas dos machos como uma maneira para controlar o problema.

As lesões nas patas, tanto de machos como de fêmeas, criados em instalações tipo gaiolas ou ripado, têm sido um problema importante quando se considera a taxa de fertilidade. As lesões ocorrem mais nos machos do que nas fêmeas devido ao maior peso dos mesmos, impedindo que possam fazer a monta natural. A Tabela 12 apresenta os resultados comparando sistemas de criação em gaiolas e em "cama"; todos os machos criados em gaiolas apresentaram lesões nas patas, porém 20% apresentaram lesões mais severas.

Apesar dos problemas com as patas dos machos, a criação de reprodutoras pesadas em gaiolas, na densidade de aproximadamente 1000 cm2/ave, deverá ser um sistema preferido em um futuro não muito distante, pois as empresas que trabalham com plantéis primários já fazem o melhoramento avícola utilizando as gaiolas para as linhas puras. A exemplo do que vem sendo feito com as poedeiras leves em gaiolas, o emprego de poleiros, principalmente para os machos, poderia ser a solução para o problema das patas.

Outros tipos de pisos para reprodutoras pesadas foram estudados, buscando sempre o aumento de densidade. Andrews et al. (1990) comparam pisos de arame envolvidos em plásticos com aberturas de 1,5 x 1,7 cm. Utilizaram a combinação entre 2/3 desse piso mais 1/3 de "cama" e a mesma combinação com ripado de madeira. Os resultados mostraram que a produção das aves criadas em piso de "cama" foi significativamente superior comparando-se com aqueles nos diferentes tipos de piso. As aves criadas nos outros sistemas apresentaram mortalidade, taxas de fertilidade e de eclodibilidade semelhantes ao sistema "cama", porém nenhuma lesão nas patas dos machos foi observada em todos os sistemas estudados (Tabela 13).

Embora os sistemas de gaiolas e de pisos nas diversas combinações apresentem todas as vantagens na criação, representadas pelo desempenho em densidade elevada, outros sistemas, além de apresentarem as mesmas vantagens dos sistemas acima mencionados, ajustam ainda, o fator ambiente ou bem-estar, seguindo de perto a filosofia dos etologistas.Assim, sistemas denominados Voletage vêm sendo empregados em algumas empresas européias com sucesso. Esse sistema é uma combinação entre andares providos de bebedouros, comedouros, ninhos e poleiros, e de uma área de "cama" para lazer e acasalamentos. Outro sistema, denominado Varanda, é composto por gaiolas de 2,4m de comprimento por 1,2m de 80 cm de altura, com poleiros e ninhos, alojando 30 fêmeas e 3 machos, propiciando uma área de aproximadamente 873 cm2/ave. O emprego de poleiros está presente em todos os sistemas etológicos, apesar de sabidamente provocarem maior incidência de ovos quebrados e postos na "cama" (Duncan et al., 1992; Tauson et al., 1992).

Apesar de serem sistemas em ambiente controlado, poderiam também ser adaptados para condições de ventilação natural.

 

OUTROS FATORES RESPONSÁVEIS PELO BEM ESTAR DO PLANTEL DE REPRODUÇÃO

O plantel de reprodução, principalmente aquele de reprodutores pesados, vem sendo submetido a determinadas práticas de manejo que cada vez se tornam mais severas, sendo diretamente proporcionais ao desenvolvimento genético das aves e no futuro devem ser executados com mais cuidado ou mesmo abolidas.

Tais práticas se baseiam no seguinte:

a) debicagem - cada vez se torna mais severa, principalmente quando se cria em alta densidade; os machos também sofrem o mesmo manejo (Gentle et al., 1982).

b) restrição alimentar - os programas começam muito cedo e o período de jejum cada vez aumenta mais em função do peso (Bennet & Leeson, 1989).

c) peso das aves - para a seleção e uniformidade; operação é estressante principalmente quando se exige o peso da ave em jejum.

d) corte da crista dos machos - como uma prática para identificar o sexo e evitar ferimentos.

e) corte dos dedos dos machos e fêmeas - constitui uma outra prática que além de servir para identificar as linhagens machos e fêmeas, é também utilizada para evitar que os machos machuquem as fêmeas durante a monta.

 

O COMPORTAMENTO SEXUAL

O principal objetivo de um plantel de reprodução é a produção de ovos férteis. Nos últimos anos da década de 80, ocorreu nos Estados Unidos, uma queda na taxa média de incubação, atribuída, de um modo geral, a problemas genéticos e de manejo (Mauldin, 1992) (Figura 1). Embora tais fatores tenham contribuído para aquela redução, devem ser levados em consideração os fatores hormonais e os componentes de comportamento das aves, além de outros (Lake & Wood-Gush, 1956); porém, se os componentes de comportamento não se manifestam, a capacidade de fertilização dos machos se reduz e logicamente, também a das fêmeas (Ottinger & Mench, 1989; Reddy & Kelly, 1991).

 

 

O comportamento sexual, relacionado tanto para machos como para fêmeas, se divide em fases (Figura 2). Fisiologicamente, todo o processo é regulado por fatores neurobiológicos e hormonais, estando intimamente relacionados com o trato supra-ótico-hipofisário, implicando nos hormônios liberadores de LH e de FSH, além daqueles produzidos nos ovários e testículos, estrógenos, progesterona e testosterona. Embora aparentemente ativos em um plantel de reprodução, pelo menos 20% dos machos são inférteis ou apresentam baixa fertilidade. Com as fêmeas, ocorre o mesmo problema (Wilson et al., 1979) porque o comportamento sexual depende de ambos, machos e fêmeas. A maior freqüência de coberturas ocorre à tarde, coincidindo aparentemente, com a produção menor de ovos nesse período, facilitando a subida dos espermatozóides através do trato reprodutivo até a fecundação. De um modo geral, em condições normais, os machos realizam entre 10 a 30 coberturas por dia, porém nem todas são bem sucedidas (North & Bell, 1990).

 

 

FATORES QUE AFETAM O COMPORTAMENTO SEXUAL

Escala social

O comportamento sexual varia de acordo com a estratificação social, ou seja, os machos dominantes são mais ativos do que os dominados, predominando os machos da classe média. As fêmeas da classe alta são menos ativas e aceitam serem cobertas pelos machos de "dominância passiva"; entretanto, as fêmeas podem interferir ou evitar a cobertura prejubicando o ato. Em um estudo muito antigo, Wood-Gush (1954; 1956) estudou e classificou machos de várias raças, leves e pesadas, de acordo com o comportamento durante o acasalamento, incluindo a dança e a atuação das fêmeas. A Tabela 14 apresenta as comparações entre machos, mostrando que os da raça Rhodes Island Red (R.I.R.), classe alta (1 e 5,0), e os das raças Plymouth Rock Barrada (B.P.R.) e Rock Barrado (B.R), classificados como classe média (2 e 3,5), foram mais ativos quanto ao cortejo às fêmeas e coberturas, comparados com os machos Leghorn Brancos, classificados como classe baixa (1,3), os quais, embora classificados na última escala social, mostraram muito mais eficientes em termos de fertilidade e produção de pintos viáveis, comprovando-se desta maneira, o maior potencial reprodutivo das aves leves sobre as pesadas.

È interessante notar que em condições normais de criação, o macho pesado já não exibe o comportamento de dançar antes da monta, fato que é observado normalmente nos machos leves.

Instalações

Já foram abordadas quanto ao aspectos tipos de piso e gaiolas.

Densidade

Constitui um fator importante sobre o comportamento sexual das aves, principalmente nas criações modernas, onde a produção de ovos por metro quadrado de área construída é prioritário em virtude do custo das instalações. Alguns pontos devem ser considerados:

1) Estresse - pode estar associado à subordinação social devido à disputa pelos espaços de comedouros e de bebedouros, evidenciando-se a "ordem social de bicadas". Esse tipo de estresse pode estar associado com o atraso da maturidade sexual tanto de machos como de fêmeas, resultando em aves de classe social inferior (Otlinger & Mench, 1989). Em termos fisiológicos, a produção de corticosteróides e a atrofia das gônadas interferem sobre o comportamento social, assim como problemas nutricionais (Seha et al. 1990). Edens (1983) demonstrou a existência dessa relação em machos.

2) Território - Craig & Bhagwat (1974), estudando o comportamento sexual de aves em gaiolas e em "cama",ocupando uma área de 2.875 cm2, verificaram que as aves criadas em "cama" apresentaram mais problemas de comportamento quando comparadas com machos criados em gaiolas do tipo "colônia" e piso de arame, na densidade de 525 cm2. Torna-se evidente que nas criações em alta densidade, a disputa pelo território é um fator muito importante; de um modo geral, o "território" é estabelecido durante o período inicial de criação, através de disputas entre os machos para a formação de famílias, não permitindo a entrada de estranhos após o estabelecimento deste. Pamment et al. (1983) verificaram que em criações menos densas, os machos subordinados cobrem as fêmeas perto ou dentro de territórios de machos dominantes. Por outro lado, um número menor de aves, porém criadas em alta densidade, resultaria em machos pouco ativos e presumivelmente, haveria grande número de fêmeas não cobertas, ocorrendo dessa maneira, uma taxa baixa de fertilidade. Ao analisar esse tipo de comportamento, Kratzer & Craig (1980) observaram, com base na demarcação de "território", que se vê claramente, quando a população é muito grande na instalação, que o sentido de território desaparece, principalmente quando se colocam os comedouros para machos apenas em uma parte do galinheiro (todos os machos vão se alimentar e abandonam o "território). Assim, permanece a dúvida: se todos os machos vão se alimentar ao mesmo tempo, nenhum fica no território, portanto...

3) Machos vs fêmeas - Siegel & Siegel (1964) estudaram os efeitos do manejo durante a fase de recria sobre a manifestação da libido nos machos; observaram que machos criados isoladamente ou em grupos menores mostraram pouca libido e coberturas completas em contato imediato com as fêmeas, assim como quando criados juntos e removidos entre 57 e 70 dias de idade. Entretanto, aqueles machos removidos após 84 dias de idade exibiram comportamento sexual completo. Tais resultados sugerom que a presença da fêmea em determinados períodos de criação é importante para o desenvolvimento do comportamento sexual dos machos. Baseando-se nesse fato, a criação de machos e fêmeas juntos após 84 dias ou 12 semanas de idade melhoria o comportamento sexual tanto de machos como de fêmeas.

4) Proporção entre machos e fêmeas - Craig et al. (1977) estudaram em uma população de aves leves White Leghorn, durante a fase de reprodução, as seguintes proporções entre machos e fêmeas: 1:24, 1:12, 1:8. À medida em que a proporção entre machos e fêmeas foi aumentando, a taxa de fertilidade foi diminuindo, embora os efeitos não tenham sido significativos. É interessante observar o efeito de comportamento entre machos e fêmeas quando a proporção entre eles é alta, por exemplo, 1:24, ou seja, 6 machos para 147 fêmeas: não deve ter havido problema com "território" ou mesmo estratificação social, pois a freqüência de coberturas por hora foi menor, fato que não ocorreu quando o número de machos foi aumentado. Por outro lado, a população de fêmeas permaneceu a mesma, sendo estratificada quando o número de machos foi aumentando, com rellexos no número de coberturas e na taxa de fertilidade (Tabela 15).

As aves leves apresentam um comportamento sexual bastante diferente das aves pesadas, sendo a proporção de 1 macho para 8 fêmeas, o ideal nos plantéis de reprodução leve, mantendo altas taxas de fertilidade. Porém, para os plantéis de reprodução pesada, embora o comportamento das aves seja diferente, principalmente em termos de temperamento (Mench, 1988), a proporção entre machos e fêmeas é sempre discutida, ocorrendo problemas sérios de reprodução quando se tenta utilizar a menor proporção, ou seja, 1:8. Seria recomendável a proporção 1:12 na fase inicial, caindo para 1:10 na fase final. Na realidade, a proporção entre machos e fêmeas permanece a mesma desde o início do acasalamento até o final, pois a ocorrência de mortalidade entre ambos os sexos é praticamente na mesma proporção, em condições normais. Nunca se deve confundir proporção de acasalamento com porcentagem de machos, por exemplo, acasalamento de 10% significa 1 macho para cada grupo de 10 fêmeas, porém acasalamento de 12% significa 1 macho para cada grupo de 8 fêmeas.

5) Machos jovens - a introdução de machos jovens em uma população avícola já definitivamente estratificada, pode provocar desequilíbrio no comportamento sexual do plantel devido aos problemas de famílias e "território". Se tal fato vier a ocorrer, cuidados relacionados com a substituição total dos machos denominados "Spiking" devem ocorrer tanto no galinheiro como em determinadas divisões. A substituição deve ocorrer durante a noite, porom os machos velhos ou aqueles que serão substituídos devem ser retirados durante o dia.

6) Corte nos dedos dos machos - é uma prática comum nos plantéis de reprodução para evitar ferimentos nas costas das fêmeas durante o acasalamento, cortando-se um a dois dedos das patas dos machos. De um modo geral, as fêmeas que são mais procuradas pelos machos apresentam as costas praticamente sem penas de acordo com a idade, estando mais sujeitas a sofrerem ferimentos. Os efeitos de cortes nos dedos das patas de machos sobre o comportamento sexual dos mesmos foram estudados por Ingram & Wilson (1981) e Quart et al. (1986), os quais verificaram que o corte em até dois dedos não afeta a taxa de fertilidade (Tabela 16).

 

O BEM ESTAR DAS AVES DURANTE AS OPERAÇÕES DE ABATE

Os etologistas estão bastante preocupados com os procedimentos efetuados durante o abate das aves, pois as operações de conforto são essenciais para proporcionar um abate menos traumatizante para as mesmas. O emprego do choque elétrico como uma técnica para paralisar momentaneamente os movimentos da ave, permitindo dessa maneira, uma boa sangria, tem sido objeto de inúmeras pcsquisas quanto à voltagem e amperagem a serem utilizadas na operação. Comparando com os fenômenos fisiológicos que ocorrem na espécie humana, o princípio básico envolve uma corrente elétrica que passa através do cérebro, provocando um estado epiléptico, considerado como um indicador de inconsciência; em termos bioquímicos, os aminoácidos glutamato e aspartato são os neurotransmissores responsáveis pelo estímulo no sistema nervoso central, que são liberados dentro do espaço extra-celular, ocorrendo o estado de epilepsia. O ácido gama amino butírico (GABA) é um inibidor da neurotransmissão, liberado durante o choque elétrico dentro do espaço extra-celular independentemente dos efeitos dos aminoácidos. Se o nível de GABA aumenta, não há o estado de epilepsia; assim, é bastante provável que uma relacão entre GABA e os aminoácidos glutamato e aspartato seja essencial para que ocorra a epilepsia, estando intimamente relacionados com a qualidade da corrente elétrica a ser empregada (Raj, 1998).

Ultimamente, foram desenvolvidos inúmeros equipamentos para permitir o choque elétrico dentro dos padrões fisiológicos, através do emprego de altas freqüências e de ondas elétricas modificadas, capazes de proporcionar o bem estar das aves durante a sangria. Entretanto, apesar dos progressos que vêm ocorrendo, o choque elétrico ainda implica nas operações de apanha das aves nos engradados para o enganchamento das mesmas na linha de abate, ocorrendo o problema de estresse.

A eliminação dos problemas de estresse que antecedem o choque elétrico preparando as aves para a sangria constitui um dos problemas sugeridos pelo Conselho do Bem Estar Animal da Grã Bretanha, recomendando estudos sobre a utilização de gases anestésicos com as aves ainda nos engradados para a sangria posterior.

O emprego de atmosfera contendo níveis elevados de gás carbônico ou dióxido de carbono, provocando a anestesia nas aves, tem mostrado resultados bastante interessantes. O gás carbônico é bastante ácido e irrita as mucosas durante a inalação, provocando uma parada rápida dos movimentos respiratórios antes da perda da consciência. Estudos conduzidos em galinhas e perus mostraram que pelo menos 50% das aves não quiseram entrar nas câmaras contendo ração e água quando o ambiente continha gás carbônico nos níveis de 47 a 72%, provando uma aversão das aves àquele ambiente, sendo logicamente um fator considerado desconfortável para as aves. Por outro lado, quando foi utilizado um outro tipo de gás, o argônio, numa atmosfera contendo aproximadamente 2% de oxigênio, praticamente todas as aves entraram na câmara para alimentar-se e beber água, e foram mortas. O argônio é um gás inerte, sem cheiro e gosto, não sendo detectado pelas aves, fato que não ocorre com o gás carbônico. Foi sugerido o emprego de uma mistura utilizando os dois gases na proporção de 30% de gás carbônico e 70% de argônio; nessas condições, as aves não conseguiram detectar a presença do gás carbônico e foram anestesiadas rapidamente (Raj, 1994). Assim, o emprego de uma atmosfera contendo no máximo 30% de gás carbônico em mistura com argônio ou outros gases inertes pôde ser oficialmente utilizado nos abatedouros avícolas da Grã Bretanha. Porém, a metodologia a ser empregada implica em uma instalação adjacente à linha de enganchamento com um túnel contendo os dispositivos para acionar uma câmara com a mistura dos gases carbônico e argônico, que irá anestesiar as aves dentro ao engradado para o enganchamento, constituindo parte integrante de uma linha normal de abate.

 

PESQUISAS SOBRE O COMPORTAMENTO E BEM ESTAR DAS AVES

Apesar de ser um tema considerado subjetivo para muitos, inúmeras pespuisas foram e vêm sendo desenvolvidas, aguardando definições futuras. O conceito também é controverso porque o que é bom para uns é ruim para outros, não se chegando a conclusões sobre a interpretação real das necessidades de bem estar. Entretanto, parte do que foi exposto constitui linhas de pesquisas aprovadas durante o "First North American Symposium on Poultry Welfare" (Mench & Duncan, 1998), algumas já apresentadas e discutidas, cujos resultados poderão atender às necessidades de bem estar, que estão resumidas a seguir:

a) desenvolvimento de tipos de piso que controlam problemas de patas, tanto em machos como em fêmeas, evitando os efeitos sobre a taxa de fertilidade;

b) instalações que irão proporcionar um ambiente saudável para as aves, bem ventilado, evitando os problemas de produção de amônia, favorecendo dessa maneira, a criação em alta densidade;

c) equipamentos que irão fornecer condições de arraçoamento, tanto de água como de ração, além de ninhos confortáveis e provavelmente poleiros;

d) métodos alternativos, menos estressantes, para induzir a muda completa em poedeiras;

e) seleção e identificação de linhagens que não necessitam de debicagem;

f) sistemas de produção alternativos para poedeiras;

g) alterações fisiológicas no frango de corte como resultado da seleção para crescimento rápido;

h) métodos mecanicos para a pega e carregamento de frangos de corte;

i) descarte de poedeiras no fim do período de produção: estudos envolvendo o aproveitamento de poedeiras tanto leves como pesadas; desenvolvimento de métodos eficazes e humanos para eliminar aves refugas;

j) identificação de fatores responsáveis pelo bem estar das aves, provocados pelo homem, por exemplo: educação para os pegadores de frangos, para os vacinadores, para os responsáveis pelas pesagens etc;

k) fraturas ósseas: causas, efeitos econômicos, métodos para redução, inclusive nutricionais, relacionados principalmente com aves já no fim de produção;

l) densidade nos engradados e conforto durante o transporte;

m) planejamento de instalações para facilitar o manuseio e pega das aves;

n) efeitos de determinadas práticas de manejo como: corte dos dedos dos machos e o emprego de " NozBonz" como uma maneira de evitar que machos utilizem o comedouros de fêmeas durante a fase de reprodução;

o) planejamento de poleiros para poedeiras e frangos de corte;

p) ambiente de conforto nas instalações durante temperaturas extremas.

Em termos filosóficos, a exploração avícola moderna fundamentalmente, é baseada na mudança de comportamento das aves, pois prolonga-se a produção de ovos das poedeiras através dos programas de luz. A ocorrência do choco nas aves foi controlada através da genética e toda a produção de pintos é feita através da incubação e criação artificiais, com alimentação totalmente diferente, em que ave já recebe o alimento moído e com alto grau de digestibilidade, não dando oportunidade à moela para triturá-lo, ocorrendo flacidez muscular da mesma, além do aumento do lúmen das alças intestinais. Assim torrna-se difícil o estabelecimento de normas para o bem estar das aves sem que ocorra mudança no seu comportamento.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Abrahamasson P, Tauson R. Aviary systems and conventional cages for laying hens. Effects on production, egg quality, health and bird location in three hybrids. Acta Agricultural Scandinava, Section Animal Science 1995; 45:191-203.        [ Links ]

Abrahamasson P, Tauson R, Appleby MC. Behaviour, health and integument of four hybrids of laying hens in modified and conventional cages. British Poultry Science 1996; 37: 421-540.        [ Links ]

Anderson IJ. Performance of broilers in cages. Poultry Science 1973; 52:723-728.        [ Links ]

Andrews LD, Nelson GS, Harris GC, Goodwin TL. Performance of five strains in four type cage systems with piastic mat floors. Poultry Science 1975; 54:54-58.        [ Links ]

Andrews LD, Whiting TS, Stamps L. Performance and carcass quality of broilers grown on raised flooring and litter. Poultry Science 1990; 69:1644-1651.        [ Links ]

Appleby MC. Should cages for laying hens be banned or modified ? Animal Welfare 1993;2: 67-80.        [ Links ]

Baião NC, Campos EJ. Comparação entre alguns métodos para induzir a muda sobre o desempenho de poedeiras comerciais. In: Anais VI Congresso Brasileiro de Avicultura Belo Horizonte; 1979;495-507.        [ Links ]

Barbosa MJB, Campos EJ. Mortalidade total e devido à ascite de acordo com níveis de energia metabolizável e forma física de rações de frangos de corte criados com separação de sexo. Arquivos Brasileiros de Medicina Veterinária e Zootecnia 1996; 48;287-294.        [ Links ]

Bell D. Reverse cage demonstrates striking income advantage. Poultry Digest 1972;31 :326-328.        [ Links ]

Bennet CD, Leeson S. Growth of broiler breeder pullets: skip-aday versus daily feeding. Poultry Science 1989;68:836-838.        [ Links ]

Bressler GO. Broiler breeders on plastic floors. Broiler Industry 1972 35;8.        [ Links ]

Campos EJ. Reproductive performance of broiler breeders in cages. 1971, M .S. Thesis. Texas A&M University. College Station - Texas.        [ Links ]

Campos EJ. Factors influencing the feasibilty of producing broiler breeder hatching eggs in multiple bird cages. 1973 PhD Dissertation. Texas A&M University. College Station - Texas        [ Links ]

Campos EJ, Krueger WP, Bradley JW. Mating broiler breeders in cages. Poultry Science 1971;50:1561.        [ Links ]

Campos EJ, Krueger WP, Bradley JW. Performance of commercial broiler breeders in cages. Poultry Science 1973;52:2007.        [ Links ]

Campos EJ. Comportamento das aves e seus efeitos sobre a taxa de fertilidade. In: Curso De Fisiologia da Reprodução de Aves.1993; Santos, SR        [ Links ]

Carter HC, Bressler GO, Gentry RF. Wire and litter management for broiler breeders. Poultry Science 1970;47.        [ Links ]

Chaloupka GW. Evaluation of a cage plastic coop system of raising broilers. In: Proc. Broiler Housing Seminar. 1972; University of Delaware Substation. Georgetown.        [ Links ]

Chaloupka GW. Another year of growing broilers in plastic coops. In: Proc. of the tenth annual broilers housing seminar. University of Delaware Substation, Georgetown. 1971; 6-12.        [ Links ]

Craig JV, Bhagwat AL. Agonist and mating behaviour of adults chickens modified by social and physical environments. Applied Animal Ethology 1974;1:57-65.        [ Links ]

Craig JV, Al-Rawi RB, Kratzer DD. Social status and sex ratio effects on mating frequency of cokerels. Poultry Science 1977;56:767-772.        [ Links ]

Duncan ET, Appeby MC, Hughes BO. Effects of perches in laying cages on welfare and production of hens. British Poultry Science 1992;33:25-35.        [ Links ]

Duncan IJ. Welfare is to do with what animals feel. Journal Agricultural Environment. Ethics 1993; 6 (2):8-14.        [ Links ]

Edens FW. Effect of environmental stressors on male reproduction. Poultry Science 1983;62:1676-1689.        [ Links ]

Elson HA. Recent development in laying cages designer to improve birds welfare. World's Poultry Science Journal 1990;46:34-37.        [ Links ]

Garcia Neto M. Sindrome ascítica em frangos de corte. [Tese de Doutorado]. Belo Horizonte (MG): Escola de Veterinária da UFMG; 1995.        [ Links ]

Gentle JM, Hughes BO, Hubrecht RC. The effect of beak trimming on feed intake, feeding behaviour and body weight on adult hens. Applied Animal Ethology 1982;8:147-159.        [ Links ]

Graves HB. Behavioral responses of poultry (chickens) to management systems. In: Proceedings of the Symposium of Management of Food Producing Animals. Purdue University, West Lafayiette, IN. 1982;2: 122-138.        [ Links ]

Guhl M, Warren DC. Mating behaviour of fowl. In: "Practical Poultry Breeding". 1st Ed. McMillan; 1946; p. 254.        [ Links ]

Hartman RS. Keeping chickens in cages. Roland, S. Hartman, Red Lands. California; 1938.        [ Links ]

Holt DS. Effect od induced molting on B cell and C T4 and CT8 T cell numbers in spleen and peripheral blood of White Leghorn hens. Poultry Science 1992;71:2027-2034.        [ Links ]

Hugles BO, Appleby MC. Cages modified with perches and nest for the improvement of bird welfare. World's Poultry Science Journal 1990,46:38-40.        [ Links ]

Ingram DR, Wilson HR. Fertility and hatchability as influenced by claw removal of broiler breeders males. Poultry Science 1981 ;60:2161-2164.        [ Links ]

Kiker J. Breeding for preventing breast blister in commercial broilers. [PhD Dissertation]. Texas: Texas A&M University, College Station; 1970.        [ Links ]

Kratzer DD, Craig JV. Mating behaviour of cockerels: effects of social status, group size and group density. Applied Animal Ethology 1980;6:49-62.        [ Links ]

Lake PE, Wood-Gush DGM. Diurnal rhytms in semen yield and mating behaviour in the domestic cock. Nature 1956;178:853.        [ Links ]

Julian RJ. Rapid growth problems: ascites and skeletal deformities in broilers. Poultry Science 1998;77:1773-1780.        [ Links ]

Lacy MP, Czarick M. Mechanical harvesting of broilers. Poultry Science 1998;77:1794-1797.        [ Links ]

Lloyd R. What we know about growing broilers in cages ?. Poultry Digest 1969;28:542-545.        [ Links ]

Mauldin JM. Applications of behaviour to poultry management. Poultry Science 1992;71:634-642.        [ Links ]

Manning A. An Introduction To Animal Behaviour. Addiosn-Wesley, Reding, M. A. 1972; p.329.        [ Links ]

Mench JA. The development of agressive behaviour in male broiler chicks: a comparison with laying-type males and the effects of feed restriction. Applied Animal Behavior Science 1988;21:233-242.        [ Links ]

Mench JA. Applied Ethology and poultry production. Poultry Science 1992;71:631-633.        [ Links ]

Mench JA, Duncan IJ, Poultry Welfare in North America: Opportunuties and Challenges. Pouitry. Science 1998;77:1763-1765.        [ Links ]

Middelkoop K. Poultry grows efficientely on a ventilated litter floor. World Poultry 1995;11:44-45.        [ Links ]

McCune EJ, Delimann HD. Developmental origin and structural characteristics of breast blisters in chickens. Poultry Science 1968;47:852-858.        [ Links ]

Nicol C. Behaviour requirements whitin a cage environment. World's Poultry Science Journal 1990;46:31-33.        [ Links ]

North MO, Bell D. Commercial chicken production manual 4th Ed. Avi Publishing Co. Westport, CT; 1990; p.913.        [ Links ]

Ottinger MA, Mench JA. Reproductive behaviour in poultry implicationsfor artificial insemination technology. British Poultry Science 1989;30:431-442.        [ Links ]

Pamment P, Foenander F, MacBridge G. Social and spatial orgnizations of male behaviour in mated domestic fowl. Applied Animal Ethology 1983;9:341-349.        [ Links ]

Powel A, Perry CG, Jafle WP, Purkiss J. Cage rearing of broilers. In : Proc. European Poultry Conference. World's Poultry Science Journal 1973;20:29.        [ Links ]

Quart MD, Russel GB, Wilson HR. Mating behaviour in response to toe clipping in broiler breeder males. In: Proceedings Florida Poultry Institute Gainesville, Fl. 1986; p.9-12.        [ Links ]

Quisenberry JH. Egg production in Texas encouraged through the use of laying cages. The Southwestern Veterinarian. 1955;9:1-5.        [ Links ]

Quisenberry JH. Some laying cage management and bird density. Feedstuffs 1965;37:52.        [ Links ]

Raj ABM. An investigation into the batch killing of turkeys in their transport containers using mixtures of gases. Research Veterinary Science 1994;56:325-331.        [ Links ]

Raj ABM. Welfare during stunning and slaughter of poultry. Poultry Science 1998;77: 1815-1819.        [ Links ]

Reddy RP, Kelly J. Fatores de manejo que determinam ótima produtividade em reprodutores machos. In: Anais XII Congresso Brasileiro de Avicultura 1991.        [ Links ]

Riddell C. Non-infecccious skeletal disorders of poultry: an overview. In: Bone Biology and skeletal disorders in poultry, 1992;119-145 C.C Whitehead, ed. Carfaz Publishing Co., Abington, UK.        [ Links ]

Ruszler PL, Quisenberry JH. Economic performance traits as affected by cage size and bird densities. Poultry Science 1969;48:1864-1865.        [ Links ]

Ruszler PL. Health and husbandry considerations of induced molting. Poultry Science 1998;77:1789-1793.        [ Links ]

Ruszler PL. The keys to successfull force molting. Virginia Cooperative Extension Service. Publication 408-026 (revised), 1984, Blacksburg, Va.        [ Links ]

Ruszler PL. The keys to successfull induced molting of Leghorn-type hens. Virginia Cooperative Extension Service. Publication 408-026, 1996 Blacksburg, Va.        [ Links ]

Ruzler PL, Minear LR. Comparison of induced molts using periods of four vs ten days feed whith drawal. Poultry Science 1997;76(1): 104 (Abstracts).        [ Links ]

Seha NM, Mench JA, Thomas OP. The effect of dietary trypitophan on agressive behaviour in developing and mature broiler breeder males. Poultry Science 1990;69:1664-1669.        [ Links ]

Siegel PB. The role of behaviour in poultry production: a review of research. Applied Animal. Ethology 1984;11:299-316.        [ Links ]

Siegel PB, Siegel HS. Rearing methods and subsequent sexual behaviour of male chickens. Animal Behaviour 1964;12:270-271.        [ Links ]

Simpson GD, Nakaue HS. Performance and carcass quality of broilers reared on wire flooring, plastic inserts, wood slats, or plastic-coated expanded metal flooring each with and without padded roosts. Poultry Science 1987;66:1624-1628.        [ Links ]

Tauson R. Health and production in improved cage designs. Poultry Science 1998;77: 1820-1827.        [ Links ]

Tauson R, Jansson L, Abrahamasson P. Studies of alternative housing systems for laying hens in Sweden at the Department of Animal Nutrition and Management. Swedish University og Agricultural Sciences. 1992 Report 209. Upsala. Sweden.        [ Links ]

Wegner R. Poultry welfare - problems and research to solve them. World's Poultry Science Journal 1990;46: 19-30.        [ Links ]

Wegner R. Experience with the get-away cage system. World's Poultry Science Journal 1990;46:31-47.        [ Links ]

Wilson HR, Piesco NP, Miller ER, Nesbeth WG. Prediction of fertility potential broiler breeder males. World's Poultry Science Journal 1979;35:95-118.        [ Links ]

Wood-Gush DGM. The agonistic and courtship of the brown leghorn cock. British Journal Animal Behavior 1956;4:132-142.        [ Links ]

Wood-Gush DGM. The courtship of the brown leghorn cock. British Journal Animal Behavior 1954;2:95-102.        [ Links ]