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Scientiae Studia

Print version ISSN 1678-3166On-line version ISSN 2316-8994

Sci. stud. vol.7 no.2 São Paulo Apr./June 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S1678-31662009000200002 

ARTIGOS

 

Epistemologia pluralizada e história da psicologia

 

 

José Antônio Damásio Abib

Professor Adjunto do Departamento de Filosofia, Universidade Federal de São Carlos, Brasil. Pesquisador visitante do Programa de Pós-Graduação em Psicologia, Universidade Estadual de Maringá / Fundação Araucária, Brasil. j.abib@terra.com.br

 

 


RESUMO

Tomam-se, aqui, obras de Wilhelm Wundt e William James para mostrar que a psicologia nasce como projeto científico no final do século XIX. Esse projeto diferencia psicologia como ciência de psicologia como metafísica. Dessa perspectiva, a história da psicologia é concebida como história da psicologia científica e a pré-história da psicologia é concebida como história da psicologia metafísica. Mas as concepções de ciência de Wundt e James são diferentes. Da perspectiva da epistemologia unitária, a psicologia não se constitui como ciência. Nesse caso, a história da psicologia é concebida como pré-história dessa disciplina e sua história como ciência só começará se ela adquirir unidade. Da perspectiva da epistemologia pluralizada, a história da psicologia é história da cultura, o que significa dizer que é história das tradições de pensamento psicológico e filosófico e, também, história das ideias. Conclui-se que, da perspectiva da epistemologia pluralizada, epistemologia e história da psicologia adquirem uma perspectiva antropológica, o que equivale a dizer que a pré-história da psicologia não existe, e que a história dessa disciplina pode começar em qualquer época e lugar. E, finalmente, que o esclarecimento da psicologia como ciência depende da história da ciência e da cultura psicológica.

Palavras-chave: Epistemologia. História. Cultura.


ABSTRACT

Wilhelm Wundt and William James opus are used here to argue that psychology emerges as scientific project in the end of nineteenth-century. Psychology as science and as metaphysics is distinguished by this project. From this point of view, history of psychology is to be conceived as history of scientific psychology and prehistory of psychology is to be conceived as history of metaphysical psychology. But Wundt and James conceptions of sciences are different. From the unitary epistemological view, psychology is not constituted as science. In this case, history of psychology is to be conceived as prehistory of this discipline: his history as science will begin only if it achieves unity. From the pluralized epistemological view, history of psychology is to be conceived as history of culture: it is history of psychological and philosophical traditions of thought, and also, history of ideas. It is conclude that, from the pluralized epistemological view, epistemology and history of psychology are turned into anthropological perspective, that is, prehistory of psychology does not exist, and history of psychology may begin in whatever time and place. And, finally, that to elucidate psychology as science depends on history of psychological science and culture.

Keywords: Epistemology. History. Culture.


 

 

Introdução

A psicologia foi proposta como ciência no final do século XIX por Wilhelm Wundt (18321920) e William James (1842-1910). Na verdade, a ideia de psicologia como ciência já estava em germe na obra de autores que viveram e trabalharam mais ou menos na mesma época de Wundt e James (cf. Boring, 1957; Woodward & Ash, 1982). Mas foram Wundt (1922 [1897]) e James (1962 [1892]) que elaboraram de modo sistemático o projeto da psicologia científica e deram início, desse modo, à psicologia moderna.

Toma-se, aqui, o projeto da psicologia científica como objeto de reflexão epistemológica. Trata-se de uma reflexão que pertence ao gênero epistemologia unitária ou teoria unitária do conhecimento, o que significa dizer que a psicologia é conhecimento unitário. Decorre dessa reflexão que história da psicologia é história da ciência psicológica, um tipo de investigação que pertence ao gênero história da ciência.

A história da ciência psicológica começa com Wundt, James e seus precursores, identificados, naturalmente, com as ideias veiculadas nas obras desses fundadores do projeto científico da psicologia. A história da ciência psicológica é contada a partir da concepção de ciência que Wundt e James usam para distinguir a psicologia como ciência da psicologia como metafísica. A pré-história dessa ciência conta a história da psicologia metafísica. Com base em Bachelard (cf. Canguilhem, 1972), pode-se chamar a história da psicologia científica de história sancionada e a pré-história da psicologia científica de história superada.

Logo no ponto de partida, o projeto científico da psicologia se bifurca, pois Wundt e James apresentam concepções diferentes de ciência psicológica, e, na sequência, o que o século XX testemunhou foi uma multiplicação de acepções de psicologia científica. Diante da proliferação da psicologia moderna, a reflexão epistemológica sobre a psicologia pertence ao gênero epistemologia pluralizada, ou teoria pluralizada do conhecimento, o que significa dizer que a psicologia é conhecimento plural. Decorre dessa reflexão que a história da psicologia é história do conhecimento psicológico, um tipo de investigação que pertence ao gênero história da cultura.

Este ensaio apresenta um esboço do projeto científico da psicologia tal como foi encaminhado por Wundt e James. Inicialmente sonda-se a epistemologia e história da ciência psicológica. Em seguida sonda-se a epistemologia e história da cultura psicológica. Conclui-se mostrando algumas repercussões dessa discussão sobre a ideia de psicologia como ciência.

 

1 Epistemologia e história da ciência psicológica

Embora Wundt e James tenham concepções distintas de ciência psicológica, concordam que, como ciência, a psicologia deve ser afastada de doutrinas e temas metafísicos. Wundt é contundente quando crítica o envolvimento da psicologia com a metafísica. Nos Fundamentos de psicologia, ele procura afastar a psicologia moderna do dualismo mente-corpo cartesiano e das metafísicas materialista e espiritualista. Diz com relação às psicologias materialista e espiritualista que elas "não procuram interpretar a experiência psíquica a partir da própria experiência, mas a derivam de pressuposições de processos hipotéticos que estariam ocorrendo em um substrato metafísico" (Wundt, 1922 [1897], p. 6-7). Substrato metafísico: leia-se, mente-substância ou processos e atributos da matéria.

James também é contundente quando critica o envolvimento da psicologia com a metafísica. Temas e questões de ordem metafísica, abundantes nos Princípios de psicologia, praticamente desaparecidos na Psicologia: um curso mais breve, são abertamente criticados no Apelo para que psicologia seja uma ciência natural. Passando-lhe a palavra: "necessitamos do abandono, de modo explícito e direto, de questões sobre a alma,

o ego transcendental, a fusão de ideias ou de partículas de estofo mental, etc., pelo homem prático" (James, 1983 [1892], p. 273). Em outras palavras, o homem prático: educadores, médicos, diretores de presídios, superintendentes de asilos, clérigos, não estão interessados nesses temas, que são da alçada do filósofo, que também deve contribuir para mantê-los fora do campo da psicologia como ciência. Homens práticos estão interessados "em melhorar as ideias, disposições e conduta de indivíduos sob sua responsabilidade" (p. 272).

Para Wundt (1922 [1897]), psicologia como ciência é psicologia empírica. E, como tal, interpreta a experiência psíquica a partir da própria experiência psíquica; deduz os processos psíquicos de outros processos psíquicos; faz uma interpretação causal de processos psíquicos com base em outros processos psíquicos; não recorre a substratos diferentes desses processos, tais como uma mente-substância ou processos e atributos da matéria, para explicá-los. A psicologia empírica é focada na causalidade psíquica, e isso significa analisar a experiência a partir da própria experiência, fechando as portas às explicações metafísicas espiritualistas ou materialistas. Wundt observa que psicólogos que pertencem à escola empírica, se forem indagados sobre a natureza da psicologia, dirão: "esta ciência tem de investigar os fatos da consciência, suas combinações e relações, de tal modo que possam, finalmente, descobrir as leis que governam tais relações e combinações" (Wundt, 1973 [1912], p. 1).

Para James (1962 [1892], 1983 [1892]), a psicologia como ciência é ciência natural. Melhor: a psicologia é como uma ciência natural. Ele não acredita que a psicologia seja ciência: "é somente a esperança de uma ciência" (1962, p. 463). E mais, ao tratá-la "como uma ciência natural, eu desejo ajudá-la a tornar-se uma" (1983, p. 270). Por essa razão, o psicólogo norte-americano critica o uso da expressão triunfante, "A Nova Psicologia" (1962, p. 463), bem como aqueles que, em sua época, escreviam "Histórias da Psicologia" (1962, p. 463). Como uma ciência natural, a psicologia estuda os fatos mentais, descrevendo-os e examinando-os em relação com o ambiente físico e com as atividades dos hemisférios cerebrais, bem como as atividades corporais que deles decorrem (cf. James, 1962). James escreve ainda que, em sua relação com o ambiente físico, a "vida mental é primordialmente teleológica, o que significa dizer que nossos diversos modos de sentir e pensar chegaram a ser o que são por causa de sua utilidade em modelar nossas reações no mundo externo" (James, 1962, p. 18).

James (1983) argumenta, bem antes de Watson (1913), que, como todas as ciências naturais, o objetivo da psicologia consiste na previsão e controle práticos. Isso significa dizer que a psicologia deve ajudar homens práticos a solucionar seus problemas, fornecendo-lhes regras para a ação, ensinando-lhes como agir.

Já a psicologia empírica de Wundt se baseia no princípio dos resultantes criativos: "em todas as combinações psíquicas o produto não é a mera soma dos elementos que compõem tais combinações, mas representa uma nova criação" (Wundt, 1973, p. 164). Wundt dá o exemplo da formação da imagem espacial. Essa imagem é formada pela combinação e fusão de sensações luminosas da retina com as sensações do esforço decorrentes dos movimentos e ajustamentos do olho. Mas Wundt apressa-se em dizer que "a imagem espacial é alguma coisa nova uma vez que suas qualidades resultantes não estão contidas naqueles elementos" (p. 165). De acordo com o princípio dos resultantes criativos, não é possível predizer, tomando-se por base o conhecimento dos processos psíquicos componentes, as qualidades dos processos psíquicos resultantes. Passando a palavra a Wundt: "os resultantes futuros nunca podem ser determinados antecipadamente" (p. 167). Mas a operação inversa é factível: "é possível, começando com resultantes, alcançar, sob condições favoráveis, uma dedução exata em direção aos componentes" (p. 167). Wundt conclui com esta imagem: "o psicólogo, como o historiador psicológico, é um profeta com os olhos voltados em direção ao passado" (p. 167). O princípio dos resultantes criativos aplica-se aos casos mais simples, o que torna a previsão impossível in totum (cf. Danziger, 1979a).

A psicologia empírica de Wundt é psicologia fisiológica, o que a aproxima das ciências da natureza; mas o princípio dos resultantes criativos a aproxima das ciências da cultura (Geisteswissenchaften). Esse princípio é solidário com a causalidade psíquica e é incompatível com a causalidade física. Pois a causalidade psíquica é o tipo de explicação das ciências da cultura e não conduz à previsão e a causalidade física é o tipo de explicação das ciências da natureza e conduz à previsão. Devido à causalidade psíquica e ao princípio dos resultantes criativos, a psicologia de Wundt não é ciência natural: é uma ciência intermediária, situando-se entre as ciências da natureza e as ciências da cultura. Passando a palavra a Danziger: "mesmo a psicologia fisiológica de Wundt, somente a "metade" pertence às ciências naturais, pois sua tarefa é também mediar entre essas e as Geisteswissenschaften" (1979a, p. 208).

Como já foi apontado, as concepções de ciência de Wundt e James são diferentes. Para James, a psicologia deve se tornar uma ciência natural visando predição e controle práticos. Para Wundt, a psicologia deve ser tornar uma ciência empírica intermediária, uma psicologia fisiológica, uma psicologia experimental, uma ciência entre as ciências da natureza e as ciências da cultura, visando deduções retrogressivas. A psicologia empírica, fisiológica e experimental de Wundt não são, portanto, in totum, ciência natural.

Da perspectiva do projeto científico da psicologia, a psicologia metafísica, ou tradicional, faz parte da pré-história da psicologia científica, e a história da psicologia científica começa com Wundt, James e seus precursores: começa com a psicologia empírica intermediária de Wundt e com a psicologia como ciência natural de James.

As concepções de ciência de Wundt e James não são suficientes para conferir unidade à psicologia nascente. Nem a crítica às psicologias filosóficas, a crítica à psicologia racional (James, 1962) ou espiritualista (Wundt, 1922), a crítica à psicologia empírica de Locke (Wundt, 1922), a crítica à psicologia empírica de Hume (James, 1950 [1890]), as concepções de psicologia científica de Wundt e James, são suficientes para conferir unidade à psicologia moderna. Ou, mais especificamente, como projeto científico, já no seu ponto de partida, a psicologia é plural.

Desde que se constituiu como projeto científico, a psicologia procurou trilhar o caminho da ciência. As psicologias científicas do século XX afastaram-se definitivamente de psicologias racionalistas e de psicologias empíricas de cunho filosófico. Mas o desenvolvimento de psicologias científicas no século passado não foi capaz de conferir unidade à psicologia. Ao contrário, o que se viu no século XX foi uma notável proliferação de psicologias científicas.

Da perspectiva da epistemologia unitária, conclui-se que, por não alcançar unidade, a psicologia não se constitui como ciência e, consequentemente, que não se pode fazer, quer epistemologia da ciência psicológica, quer história da ciência psicológica. Sob esse ponto de vista, a história da psicologia não pertence ao gênero história da ciência. O que levanta a seguinte questão: se não existe história sancionada da psicologia, a história da psicologia começa aonde? Com os filósofos pré-socráticos (cf. Robinson, 1986; Rosenfeld, 1984)? Com a revolução científica moderna (cf. Boring, 1957 [1929])? Com Descartes (cf. Keller, 1970 [1965])? No século XVIII (cf. Danziger, 1997)? Com Wundt (cf. Danziger, 1990)?

Um escrutínio acerca da pluralidade da psicologia nascente pode contribuir para esclarecer essas indagações.

 

2 Epistemologia e história da cultura psicológica

História da psicologia é história da cultura. Como história da cultura, é história de culturas psicológicas e filosóficas, bem como é história das ideias. Como história de culturas psicológicas é história de tradições de pensamento psicológico. Tradições são práticas sociais de longa duração, ou simplesmente culturas, consequentemente, tradições de pensamento psicológico são culturas, ou práticas culturais. Como práticas culturais ou culturas, tradições de pensamento psicológico se constituem como práticas de pesquisa, com desfechos favoráveis para algumas e desfavoráveis para outras.

A prática de pesquisa da Primeira Escola de Leipzig, fundamentada nos trabalhos de Wundt e de seus discípulos, não sobreviveu à prática de pesquisa da Segunda Escola de Leipzig, fundamentada nos trabalhos de Felix Krueger (1874-1948) e Friedrich Sander (1889-1971), discípulos de Theodor Lipps (1851-1914). A Segunda Escola de Leipzig defendeu um retorno às comunidades (Gemeinschaften), como a família, os grupos de jovens, o povo, bem como uma psicologia da totalidade que pregava a eliminação de qualquer coisa que fosse estranha ao que era caracterizado como totalidade. Essa Escola e os estudos caracterológicos, bem como a análise de expressões faciais e corporais, que se desenvolveram na primeira metade do século XX na Alemanha, contribuíram para a legitimação da ideologia nazista (onde o judeu, por exemplo, foi considerado como uma coisa estranha ao todo) e para a seleção de oficiais para o exército alemão na segunda guerra mundial. Foram essas tendências, e não as da Primeira Escola de Leipzig, que formaram a base do reconhecimento institucional da psicologia como ciência independente na Alemanha (cf. Abib, 1998; Bonin, 1991; Geuter, 1987).

O funcionalismo psicológico norte-americano foi uma prática de pesquisa que conviveu conflituosamente com a prática de pesquisa do estruturalismo psicológico de Edward Bradford Titchener (1867-1927), com desfecho desfavorável para essa última. Na medida em que Titchener argumentou e defendeu vigorosamente que o estruturalismo psicológico era uma continuação da obra de Wundt, o que não procede (cf. Danziger, 1979a; Leahey, 1981), e que essa prática de pesquisa foi abandonada, contribuiu para renegar a prática de pesquisa da Primeira Escola de Leipzig.

Ao tempo da prática de pesquisa da Primeira Escola de Leipzig, existiram duas outras práticas de pesquisa psicológica: a de Paris, baseada na investigação experimental da hipnose, e a da Universidade de Clark, com desenvolvimentos posteriores na Universidade de Columbia (cf. Danziger, 1985, 1987, 1990). A prática de pesquisa de Clark dedicou-se à investigação da distribuição de características psicológicas nas populações e grupos e contribuiu, ao lado do desenvolvimento dos testes mentais, para a institucionalização da psicologia como ciência independente nos Estados Unidos. Rappaport comenta que o teste de Binet e outros testes mentais foram aplicados nos Estados Unidos com o objetivo de conter a imigração de pessoas indesejáveis e de limitar as oportunidades educacionais, bem como para "isolar pessoas em instituições e (...) e justificar outras políticas similares de 'bem-estar social'" (1977, p. 10). Foram esses desenvolvimentos e a prática de pesquisa de Clark, implementada e desenvolvida por G. Stanley Hall (1846-1924), Francis Galton (1822-1911), e Edward Lee Thorndike (1874-1949), e não a prática de pesquisa da Primeira Escola de Leipzig, que vingaram nos Estados Unidos.

A prática de pesquisa da Primeira Escola de Leipzig também se defrontou com a situação institucional na Alemanha que não favorecia sua sobrevivência. No contexto da instituição acadêmica alemã, a filosofia e a medicina tinham prioridade histórica sobre a psicologia, que era uma disciplina recém-chegada nesse cenário, o que dificultou o reconhecimento institucional dessa Escola como ciência independente (cf. Ash, 1980).

O contexto da instituição acadêmica norte-americana era diferente. Nele, a filosofia e a medicina não tinham prioridade histórica sobre a psicologia. Danziger (1979b) observa que a Associação Psicológica Americana (APA) foi fundada em 1892 e que a Sociedade Profissional de Filósofos Americanos surgiu da APA, em 1901, e que em 1910 a situação institucional da medicina ainda era precária. Stanley Hall recebeu o primeiro diploma de psicólogo em 1878, e na Alemanha o primeiro diploma de psicologia foi concedido em 1941 (cf. Geuter, 1987; Schultz & Schultz, 2005).

Tradições de pensamento psicológico contêm ideologias, como a ideologia do controle social, e se defrontam com condições institucionais da academia, ambos os fatores participando ativamente do destino de tais práticas. De fato, não foi apenas a derrocada do estruturalismo de Titchener, ou a falsa continuação da psicologia de Wundt, que contribuiu para rejeitar a psicologia do psicólogo alemão. As condições da instituição acadêmica alemã, a ideologia do controle social da Segunda Escola de Leipzig, a prática de pesquisa de Clark, tudo isso determinou o destino da Primeira Escola de Leipzig na Alemanha e nos Estados Unidos. Como esse breve exame também mostra, com a derrota da Primeira Escola de Leipzig e do estruturalismo de Titchener, o caminho estava aberto para o funcionalismo e, posteriormente, para o behaviorismo e, no fundo, para uma orientação jamesiana na psicologia norte-americana.

A história da psicologia como história de culturas filosóficas é história de tradições de pensamento filosófico. Quando Wundt critica a psicologia tradicional e lança os fundamentos da psicologia moderna com base na sua concepção de ciência, a crítica é dirigida, entre outros, a Descartes, Leibniz, Hobbes e Locke. As tradições de pensamento filosófico nas quais esses autores podem ser incluídos, ou quando até mesmo são seus fundadores, não são acatadas por Wundt, embora ele esteja de acordo com Leibniz em outros aspectos (cf. Blumenthal, 1980; Danziger, 1980). Segundo Danziger (1979a), a psicologia de Wundt se insere na tradição filosófica alemã, que distingue as ciências da natureza (Naturwissenschaften) das ciências da cultura (Geisteswissenschaften). Wundt não aceita a redução da psicologia à física ou a redução da causalidade psíquica à causalidade física. Sua concepção de psicologia fisiológica e experimental como ciência intermediária entre as ciências da natureza e as ciências da cultura expressa a dualidade entre a cultura e a natureza, bem como a irredutibilidade da primeira à segunda. Uma prova adicional dessa dualidade encontra-se na diferença que o psicólogo alemão faz entre a psicologia cultural (Völkerpsychologie) e a psicologia fisiológica e experimental. A psicologia cultural investiga os processos mais complexos da mente, como linguagem, mito, religião, arte, sociedade, lei, cultura e história (cf. Blumenthal, 1975). E a psicologia fisiológica e experimental investiga os processos mais simples da mente, como sensação, percepção e processos afetivos (cf. Danziger, 1979a, 1980). A psicologia cultural não pode ser reduzida à psicologia fisiológica e experimental, nem processos mentais complexos podem ser reduzidos a processos mentais mais simples.

Titchener e Oswald Kulpe (1862-1915), discípulos de Wundt, travaram mais tarde uma batalha com seu mestre acusando-o de reintroduzir a metafísica na psicologia moderna. Não aceitam o princípio de causalidade psíquica, que, de acordo com eles, está apoiado na noção de indivíduo psíquico, um agente, um homúnculo, uma agência central, que é responsável pelos fenômenos psicológicos. Titchener e Kulpe são filósofos machianos (cf. Danziger, 1979a). Concordam com Ernst Mach (1838-1916), que, no rastro de Hume, afirma que o eu resume-se a combinação de sensações. Não existe uma agência central que tem sensações. O que existe são sensações e o indivíduo é feixe de sensações. O que existe é o indivíduo corpóreo, e não o indivíduo psíquico, o que existe é a causalidade física, e não a causalidade psíquica. A psicologia é reduzível à física, a ciência é unitária, e não dual. As psicologias de Titchener e Kulpe são solidárias com o reducionismo fisicalista. Wundt se defendeu acusando seus discípulos de serem metafísicos, mas perdeu o debate (cf. Danziger, 1979a).

Quando James critica a psicologia tradicional e lança os fundamentos da psicologia moderna com base na concepção dessa disciplina como uma ciência natural, um de seus alvos é o conceito de self da filosofia do substancialismo e das filosofias de Kant e de Hume. Talvez o texto de James no qual melhor se pode verificar essa crítica seja o capítulo A consciência do self, quando aborda a consciência de si ou a consciência que o eu tem de si, contido nos Princípios de psicologia. Aqui James critica o conceito de eu, seja como duplicação transcendente do eu da experiência fenomenal, ou como princípio lógico do conhecimento, como condição de possibilidade do conhecimento. No primeiro caso suas referências alcançam um grande número de filósofos, no segundo caso seu alvo é Kant. James critica ainda a dissolução do eu, reduzido a combinação de sensações por Hume, e concebe o sujeito como processo da experiência fenomenal com todas as dimensões do fluxo do pensamento discutidas no capítulo O fluxo do pensamento dos Princípios. Ele apóia sua crítica na primazia da experiência fenomenal, tomando-a como ponto de partida e de chegada do conhecimento filosófico e científico, rejeitando, desse modo, a experiência transcendente. Esses dois aspectos da defesa de James podem ser vistos como expressões de sua filosofia do pragmatismo e do empirismo radical, que só vieram a público mais tarde (cf. James, 1988 [1907], 1976 [1912]).

Danziger (1979a) argumenta que houve uma revolução na passagem da psicologia de Wundt para a psicologia de seus discípulos e que o debate que deu origem a essa revolução foi travado no campo da metafísica. Não foi com base em critério de demarcação científica, por exemplo, no critério de verificação dos positivistas lógicos (cf. Schlick, 1965 [1959]), ou no critério de falsificabilidade de teorias científicas (Popper, 1971 [1934]), que a psicologia de Wundt foi vencida. Danziger também mostra que, contrariamente ao que foi divulgado amplamente na história da psicologia, Wundt não foi derrotado juntamente com Titchener; ao contrário, Titchener contribuiu para a derrota de seu mestre.

A situação é diferente no caso de James. O pragmatismo e o empirismo radical de James são filosofias que fundamentam sua obra psicológica ou que são fundamentadas por essa obra ou ambas as coisas ao mesmo tempo. São essas filosofias que contribuem para estabelecer as bases da reflexão filosófica norte-americana. O ambiente psicológico e filosófico norte-americano era bastante receptivo à obra de James, até porque vinha, em parte, sendo modelado por essa obra, que é precursora do funcionalismo psicológico norte-americano: "o pai, se não o líder, do funcionalismo norteamericano foi William James" (Herrnstein & Boring, 1971 [1966], p. 753).

A história da psicologia é capítulo de história das ideias. As obras de Wundt e James são expressões culturais de ideias emblemáticas do século XIX. Século esse marcado, entre outras, pela ideia de evolução, pela transição do fixismo ao evolucionismo, pela transição da concepção estática à concepção dinâmica da natureza, em contínua transformação (cf. Baumer, 1990 [1971]). O século XIX também foi marcado pela ideia de devir, pela transição do ser ao devir, pela transição da concepção associada com noções de substância, permanência, verdades imutáveis, mundo fechado, à concepção de eventos, ocorrências, processos, impermanências, verdades mutáveis, universo infinito (Baumer), transição essa que é retroativa aos séculos XVI e XVII (cf. Koyré, 1986; Baumer, 1990).

A crítica às metafísicas substancialistas espiritualista e materialista feita por Wundt e a sua defesa da psicologia moderna apartada dessas metafísicas pode ser lida como expressão da transição do ser ao devir. Além disso, depois dessa crítica, Wundt (1922 [1897]) afirmou que o sujeito é processo volitivo, afetivo e cognitivo; não é nem espírito nem matéria, é fluxo, processo. Uma posição similar encontra-se em James. Como já foi visto, ele também critica a metafísica substancialista. Além disso, afirma que o sujeito é processo, fluxo do pensamento, e descreve as propriedades desse fluxo, dizendo que o pensamento é subjetivo, contínuo, dinâmico, cognitivo, interessado e volitivo (James, 1950 [1890]). Tem-se então que Wundt e James lançam os fundamentos da psicologia moderna com base em uma teoria do sujeito concebido como devir, e não como ser.

O evolucionismo foi determinante, não só para a constituição da psicologia de James, mas também para o funcionalismo psicológico norte-americano. Segundo James (1890/1950), a consciência é um órgão, uma perfeição superadicionada pela evolução, com a função de adaptar as pessoas aos ambientes, com a função, portanto, de ajudálas a sobreviver. A consciência é especialmente importante quando as pessoas se defrontam com situações complexas e com muitas alternativas de escolha. É nessa hora que ela seleciona o curso de ação. Se a evolução não tivesse chegado à consciência, o homem não existiria. A consciência não é somente teórica. Não está destinada somente a conhecer os objetos do mundo e a si própria. Ela é prática também. Os processos mentais, como pensar, sentir, lembrar, são atividades, são ações, são instrumentos com a finalidade de garantir a sobrevivência (pode-se vislumbrar aí o germe da ideia behaviorista de que os processos mentais são processos comportamentais).

A história das ideias aponta para visões de mundo. Uma visão de mundo centrada nas ideias de evolução, devir, movimento e transformação, é diferente de uma visão de mundo centrada nas ideias de imobilidade do ser e da natureza. Como capítulo de história das ideias, a história da psicologia é guiada pelas ideias marcantes da cultura ao mesmo tempo em que as expressa. Quando se lê um livro como Os princípios de psicologia (James), ou Fundamentos de psicologia (Wundt), está-se diante de obras que foram geradas por visões de mundo e que ao mesmo tempo são leituras introdutórias a tais visões.

 

Conclusão

Da perspectiva da epistemologia unitária, a psicologia não se constitui como ciência. Não é possível fazer epistemologia e história da ciência psicológica. A história da psicologia é, nesse caso, pré-história da psicologia. Quer dizer, se um dia a psicologia adquirir unidade, toda a história da psicologia, feita até então, será vista como sendo história superada. Dessa perspectiva, a pré-história da psicologia pode começar em qualquer época e lugar, com os pré-socráticos, por exemplo, ou com a psicologia chinesa, e qualquer epistemologia da psicologia consiste em epistemologia da pré-história dessa disciplina.

Mas, da perspectiva do projeto científico da psicologia, a psicologia se constitui como ciência. Sob esse ponto de vista, é possível fazer não só epistemologia e história da ciência psicológica, que começa com Wundt, James e seus precursores, mas também pré-história da psicologia científica, que abrange a psicologia metafísica espiritualista e materialista, bem como as psicologias empíricas de matiz filosófico.

É como fato histórico que a psicologia surge e se desenvolve com acepções diferentes de ciência até os dias de hoje. Fato esse que merece ser ressaltado porque a psicologia não só não abandonou o projeto de se constituir como ciência, como também porque, antes de ser diagnosticada como sendo não científica, pode-se perguntar se tal diversidade não pode ser elucidada da perspectiva da epistemologia pluralizada. O que se pode dizer, sob essa ótica, é que a elucidação do projeto científico da psicologia se faz à luz de sua constituição histórica. O projeto científico da psicologia é constituído por tensões no âmbito da epistemologia da ciência, da metafísica, da visão de mundo, da ideologia, dos interesses intelectuais, dos contextos acadêmicos.

O projeto de Wundt foi derrotado, não só na esfera dos interesses intelectuais ligados à prática e da ideologia do controle social, mas também no campo da metafísica elementarista, da epistemologia unitária e das condições da instituição acadêmica alemã. Como bem observou Blumenthal (1980), Wundt foi derrotado no choque de culturas. E isso a tal ponto que ele é O pai fundador que nunca conhecemos (Blumenthal, 1979).

O projeto de James saiu duplamente vitorioso. Serviu para estabeleceu as bases da psicologia norte-americana e contribuiu para que a psicologia como ciência vingasse como sendo essencialmente um projeto norte-americano.

O fato de que o projeto de James tenha firmado as bases do funcionalismo psicológico e preparado, desse modo, o caminho para o desenvolvimento posterior do behaviorismo, não foi, contudo, suficiente para conferir unidade à psicologia. O século XX assistiu a uma proliferação de tradições de pensamento psicológico em outras regiões do planeta, como, por exemplo, a psicologia da Gestalt, o construtivismo, a psicologia sócio-histórica, as diversas tradições de psicologia social, a psicologia cognitiva contemporânea, a psicologia narrativa, a psicologia pós-moderna, a psicologia chinesa (cf. Ash & Woodward, 1987; Boring, 1957; Farr, 1999; Gardner, 1995; Gergen, 1985; Kvale, 1992; Sarbin, 1986).

Além disso, o fato de que o projeto de Wundt tenha sido derrotado nos termos em que foram apresentados neste ensaio, não deve ser visto como derrota definitiva. Ao contrário, existem vários estudos recentes mostrando a relevância contemporânea de seu projeto em áreas que abrangem, por exemplo, desde a psicologia cognitiva contemporânea, até a psicolinguística e a psicologia cultural (cf. Berry, 1983; Blumenthal, 1975; Farr, 1983; Leahey, 1979; Moroz, 1983).

Como história da cultura, a história da psicologia revela, desde seu alvorecer, um universo psicológico pluralístico em expansão. Com essa imagem, a história da psicologia adquire uma perspectiva antropológica. A epistemologia e história da psicologia são epistemologia e história de culturas psicológicas e, nesse sentido, a investigação do projeto científico da psicologia adquire uma perspectiva antropológica.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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