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Cadernos EBAPE.BR

On-line version ISSN 1679-3951

Cad. EBAPE.BR vol.2 no.2 Rio de Janeiro July 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S1679-39512004000200010 

RESENHA

 

Gestão ambiental empresarial: conceitos, modelos e instrumentos

 

 

Susana Arcangela Quacchia Feichas

Professora da EBAPE/FGV. Mestre em ciência ambiental pela Universidade Federal Fluminense (UFF). E-mail: quasar@fgv.br

 

 

 

BARBIERI, José Carlos. Gestão ambiental empresarial: conceitos, modelos e instrumentos. São Paulo: Editora Saraiva, 2004. 328 p.

ISBN: 8502046616.

Gestão ambiental empresarial: conceitos, modelos e instrumentos reflete a pesquisa empreendida pelo autor, na busca de práticas administrativas que estimulem, no âmbito empresarial, a conscientização para a questão ambiental. Segundo o autor, o livro foi "gestado ao longo dos últimos anos, refletindo sobre as dúvidas e questionamentos de administradores, empresários, técnicos e alunos dos cursos de graduação e pós-graduação", com relação à gestão ambiental.

A obra está estruturada em nove capítulos. Os três primeiros contextualizam as questões ambientais, tratando de conceitos, problemas e instrumentos de políticas públicas. O primeiro capítulo traz à tona, de forma clara, conceitos de ecologia que permeiam a administração, possibilitando, a partir das dimensões da gestão ambiental, vincular e compreender os problemas vividos pelas empresas. O segundo capítulo é dedicado a problemas ambientais no âmbito global e no regional, dando ao leitor um panorama de como essas questões estão sendo tratadas e do andamento dos diferentes acordos multilaterais. Já o terceiro capítulo apresenta os instrumentos de políticas públicas ambientais - comando e controle de mercado e voluntários - e analisa a política pública ambiental brasileira.

Barbieri inicia o quarto capítulo identificando as influências exercidas pela sociedade, pelo governo e o mercado sobre as empresas, com relação à questão ambiental, mostrando que essas influências interagem e impulsionam avanços. Em seguida, o autor identifica diferentes abordagens e modelos de gestão ambiental. Os capítulos cinco, seis, sete e oito são dedicados à apresentação e análise de quatro instrumentos de gestão ambiental: sistema de gestão, auditorias, relatórios e estudos de impacto ambiental.

"À guisa de conclusão" é o título do último capítulo, e nele o autor lembra que o marco para adoção de iniciativas de gestão ambiental foi a Conferência da ONU sobre o Ambiente Humano, realizada em 1972, na Suécia. Barbieri mostrar ainda como os diferentes atores sociais têm contribuído para a diversidade de medidas hoje disponíveis para o setor empresarial e para o poder público, nas diferentes esferas de atuação. Se por um lado, o movimento suscitado pela conferência de 1972 permitiu chegar a um consenso quanto à necessidade da gestão ambiental, por outro, a implementação de práticas administrativas nas empresas continua representando um desafio.

A experiência acadêmica do autor está refletida na estrutura do livro e de cada capítulo. Partindo de aspectos históricos e globais, o leitor é conduzidos para aspectos instrumentais da gestão ambiental empresarial. Em cada capítulo, a preocupação é esclarecer o significado das palavras-chave inerentes ao assunto tratado, mostrar como os conceitos foram sendo elaborados ao longo dos anos e apresentar pensamentos que se contrapõem. Aliás, o confronto de opiniões é um dos objetivos anunciados pelo autor, seguido à risca em cada capítulo. Valendo-se de diferentes autores, Barbieri enriquece o assunto apresentando perspectivas teóricas e enfoques práticos extremos sem, no entanto, se eximir de uma reflexão própria. Isso dá liberdade para que o leitor possa, além de conhecer, refletir e aprofundar o tema a partir das referências bibliográficas, também construir sua própria opinião.

É igualmente perceptível, a preocupação do autor em indicar atividades didáticas a partir das "questões para revisão", ao final de cada capitulo, orientando, dessa forma, o uso do texto em atividades de formação e capacitação, seja em sala de aula ou em grupos de discussão, seguindo uma prática de educação ambiental.

O livro traz figuras, gráficos, quadros e tabelas que ajudam a sintetizar, explicar e visualizar diferentes aspectos do texto escrito. É complementado por seis anexos, um glossário - com informações adicionais sobre palavras, expressões e organizações -; além de listagem e documentos como: relação dos principais acordos multilaterais, Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, relação das principais leis federais, Carta Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável da Câmara de Comércio Internacional e indicação das atividades e empreendimentos sujeitos ao licenciamento ambiental. Nas palavras do próprio autor, "nenhum assunto foi tratado sob um único enfoque prático como é típico dos textos prescritivos, ou sob uma única perspectiva teórica. A pluralidade de idéias, uma das grandes linhas de pensamento da Agenda 21, foi seguida à risca".

Para concluir, diria que é um texto que informa a partir de extensa pesquisa bibliográfica e documental. Pela sua abordagem e estrutura, este livro se destina a alunos de graduação e pós-graduação, administradores e profissionais que mais cedo ou mais tarde deverão incluir o meio ambiente no processo de tomada de decisões e na ação empresarial em que estejam envolvidos.

Tendo em vista que a gestão ambiental é responsabilidade de todos os atores sociais - Estado, empresariado e sociedade civil -, o título Gestão ambiental empresarial: conceitos, modelos e instrumentos é apropriado, pois exprime com clareza que o assunto nele tratado é a gestão do ambiente, segundo o foco empresarial.

Ao terminar da ler o livro fica como mensagem a necessidade de se refletir sobre as polêmicas questões nele abordadas, de forma a agirmos de modo consciente e responsável, qualquer que seja a profissão do leitor, pois a questão ambiental permeia todas as áreas do conhecimento humano.

 

 

José Carlos Barbieri é graduado em administração pública pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas (Eaesp/FGV), onde também concluiu o mestrado e o doutorado. Docente e pesquisador, trabalhou no Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo e na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, entre outras instituições. Em 1992, ingressou no Departamento de Administração da Produção e de Operações Industriais da Eaesp. Sua preocupação com a questão ambiental foi despertada ainda quando aluno de graduação, na década de l970, ao ler o livro Limites do crescimento, do Clube de Roma, que suscitava polêmica sobre os rumos do crescimento, num momento em que a crise do petróleo levava à discussão sobre fontes alternativas de energia. Ciência, tecnologia, desenvolvimento e meio ambiente são temas de seu interesse profissional, seja como docente, pesquisador ou consultor de empresas e de entidades públicas. Atualmente coordena o Centro de Estudos de Sistemas de Gestão Empresarial e Meio Ambiente na FGV/Eaesp, do qual é membro fundador.