RESUMO
A larva minadora dos citros, Phyllocnistis citrella Station, é uma praga de grande importância na citricultura brasileira, pois além dos danos diretos causados pelo seu ataque nas folhas novas das brotações, tem um importante papel como agente disseminador do cancro cítrico, devido às lesões que provoca nas folhas facilitando a entrada da bactéria e seu crescimento na epiderme. O objetivo deste trabalho foi efetuar o levantamento do complexo de parasitóides nativos de P. citrella e verificar o parasitismo em nível de campo na Estação de Pesquisas Biológicas do Instituto Biológico, no Município de Presidente Prudente, SP. Realizaram-se coletas em um pomar de laranja Pêra de 2 anos de idade, num total de 105 plantas, sendo coletados 4 ponteiros/planta quinzenalmente, de 15 plantas ao acaso. O material coletado foi mantido em BOD a 25 ± 2ºC, U.R. 70 ± 10% e fotofase de 14 horas, acondicionado em placas de Petri com papel de filtro umedecido. Após a emergência dos parasitóides, estes foram conservados em álcool 70% e enviados para identificação na Universidade Federal de São Carlos. Foram encontradas 3 espécies de parasitóides, os quais, em ordem decrescente de frequência foram: Galeopsomyia sp. (52,83%), Elasmus sp. (37,74%) e Cirrospilus sp. (9,43%).
PALAVRAS-CHAVE:
Phyllocnistis citrella; citros; parasitóides; ocorrência.
ABSTRACT
The leafminer of citrus, Phyllocnistis citrella Station, is an important pest of Brazilian citriculture, because besides damages direct caused by its attack in the new leaves of the flush, has an important paper as approach agent to the citrus canker, due to the lesions that it caused in the leaves facilitating the entrance of the bacteria and its growth in the epiderms. The main objetive of this work went make the rising of the complex of native parasitoids of P. citrella and to verify the parasitism in field level in Estação de Pesquisas Biológicas, Presidente Prudente. They took place collections in an orchard of orange two years old, in a total of 105 plants, being collected 4 flushes/plant beweekly, of the 15 plants randomly. The collected material was maintained in BOD an 25±2ºC, 70±10% UR e 14 horas fotofase, conditioned into Petri fishers with paper filter humidified. After the emergency of the parasitoids, these were conserved in alcohol 70% and remeted for identification in the Federal University of São Carlos-UFSCAR. They were found three species, which were in decreasing order of frequency: Galeopsomyia sp., Elasmus sp. and Cirrospilus sp.
KEY WORDS:
Phyllocnistis citrella; citrus; parasitoids; occurrence.
INTRODUÇÃO
Phyllocnistis citrella Station, a larva minadora dos citros, foi identificada pela primeira vez no Brasil em março de 1996, na região de Limeira, Estado de São Paulo. Dois meses após, encontrava-se disseminada por todo o Estado. Atualmente encontra-se nos estados de SP, AM, RO, RR, PI, BA, MS, GO, MG, RJ, PR e TO (NASCIMENTO et al.,1998).
As larvas de P. citrella atacam preferencialmente as folhas novas de citros, que apresentam minas típicas, com o tecido foliar assumindo uma coloração prateada e tornam-se retorcidas, ocorrendo morte do tecido foliar e queda prematura das folhas (KNAPP et al., 1995).
Têm preferência pela superfície abaxial e nervura principal das folhas de citros, em folhas de 0,6 a 2,0 cm de comprimento, depositando a maior quantidade de ovos no terço apical e porção mediana da área foliar (CHAGAS, 1999).
A atividade dos adultos é ao anoitecer ou nas primeiras horas da madrugada. A larva ao nascer já inicia a construção de galerias típicas (KNAPP et al.,1995).
O desenvolvimento da fase larval passa por 4 ínstares larvais, com duração média de 15,1 dias para o ínstar I, 1,73 dias para o ínstar II, 1,56 dias para o ínstar III e 0,80 para o IV (CHAGAS, 1999).
Normalmente apenas uma larva se desenvolve por folha, podendo ocorrer 2 ou 3 em altas infestações, já tendo sido verificada 9 minas/folha na Flórida (HEPPNER, 1993).
O maior problema verificado na citricultura brasileira com a introdução desta nova praga é a relação com a disseminação do cancro cítrico, doença causada pela bactéria Xanthomonas axonopodis pv. citri, devido à lesão que a praga provoca nas folhas jovens de citros, facilitando a entrada da bactéria e seu crescimento (GRAVENA, 1998).
Levantamentos realizados pelo FUNDECITRUS têm revelado o aumento do número de focos de cancro cítrico, atribuído principalmente à presença da larva minadora (FUNDECITRUS, 2000).
Nos países em que surgiu nos últimos anos e cujas condições são semelhantes às condições brasileiras, o ataque desta praga não tem sido alarmante, sendo neutralizada pela abundância de inimigos naturais (NAKANO, 1996).
Na Flórida, BROWNING & PENÃ (1995) identificaram parasitóides nativos da família Eulophidae, Cirrospilus n. sp., Pnigalio minio (Walker), Clostocerus cinctipinnus (Ashmead), Horismenus sp., Elasmus tischeriae (Howard), Sympiesis sp. e Zagrammosoma multilineatum (Ashmead), com uma taxa de parasitismo de 50%, e níveis mais baixos no inverno e início da primavera.
No Brasil já foram encontrados as vespas predadoras Brachygastra lecheguana, Protonectarina sylveriae e Polybia spp., além de crisopídeos, Orius insidiosus, formigas e aranhas. Os parasitóides Cirrospilus sp., Clostocerus sp., Horismenus sp. e Zagrammosoma sp. (PENTEADO-DIAS et al.,1998; GRAVENA, 1998).
No Estado de São Paulo, PENTEADO-DIAS et al.(1997) relataram os parasitóides Galeopsomyia, Cirrospilus (Eulophidae), Elasmus (Elasmidae), Pachyneuron (Pteromalidae) e Telenomua (Scelionidae).
Em avaliações realizadas em vários municípios da região citrícola de São Paulo, PAIVA et al.(1998) constaram que Galeopsomyia fausta é o principal parasitóide de P. citrella, desenvolvendo-se externamente em larvas de 3º ínstar, pré-pupa e pupa. Portanto, este trabalho teve como objetivo conhecer os parasitóides nativos que exercem controle biológico natural sobre a larva minadora dos citros na região de Presidente Prudente, SP.
MATERIAL E MÉTODOS
O levantamento foi realizado na Estação de Pesquisas Biológicas de Presidente Prudente, do Instituto Biológico, localizada a 22º11’S de latitude, 51º23’W de longitude e 424,29 m de altitude.
Foram utilizadas 105 plantas de Laranja Variedade Pêra Rio, com 2 anos de idade, plantadas num espaçamento de 6 x 4 m, que receberam os tratos culturais convencionais, exceto aplicação de defensivos agrícolas.
O levantamento de parasitóides iniciou-se em abr/99 através de observações quinzenais, tomandose 15 plantas ao acaso, caminhando-se em ziguezague dentro da área do experimento.
Em cada planta foram tomados 4 ramos novos de até 20 cm de comprimento. Nestes ramos foram contados o número total de folhas/ramo, número total de folhas com sintoma recente de ataque de P.citrella, obtendo-se a porcentagem de ataque da praga mensalmente. As folhas com larvas e/ou pupas foram levadas para o laboratório em sacos plásticos devidamente etiquetados, colocadas em placas de Petri com papel de filtro umedecido com água esterilizada e mantidos em estufa tipo BOD à temperatura de 25±2ºC, 70 ±10% UR. e fotofase de 14 horas.
As placas foram observadas diariamente e os parasitóides emergidos foram mortos e mantidos em álcool 70% para posterior envio para identificação na Universidade Federal de São Carlos- DEBE.
Os dados obtidos foram acumulados mensalmente para os parasitóides emergidos e processados através da fórmula x= (y/n).100, onde x é a % de parasitismo, y é o número de parasitóides emergidos e n é o total de folhas coletadas infestadas. Avaliou-se também a viabilidade larval e pupal de P. citrella.
Os dados climáticos foram obtidos junto ao Laboratório de Climatologia - Departamento de Geografia da Faculdade de Ciências e Tecnologia-UNESP, Campus de Presidente Prudente, para a correlação dos dados obtidos com as condições climáticas.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Nas condições do estudo realizado, observou-se uma porcentagem máxima de parasitismo no mês de julho/99 com 34,48%, seguido de nov/99 com 22,03%, abr/00 com 9,26% e jan/00 com 6,40%, conforme a Tabela 1.
Pode-se constatar que o máximo parasitismo observado não ocorreu no mês de maior infestação da praga, indicando que para esta situação apenas os inimigos naturais nativos não foram suficientes para uma efetiva redução populacional da praga.
Vários estudos têm revelado a importante atuação dos inimigos naturais no controle da larva minadora dos citros, com uma taxa de parasitismo no nível de 50% (KANPP et al.,1995; HOY & NGUYEN, 1997; BEROWNING & PENÃ, 1995).
Foram encontradas três espécies de parasitóides da superfamília Chalcidoidea, Famílias Eulophidae e Elasmidae: Cirrospilus sp. (Fig. 1), Galeopsomyia sp. (Fig. 2) e Elasmus sp. Estas espécies também foram observadas em levantamento semelhante realizado por PENTEADO-DIAS et al.(1997).
Dos parasitóides observados, Galeopsomyia sp. ocorreu com predominância sobre as outras espécies, numa porcentagem de 52,83%, seguida por Elasmus sp. com 37,74% e Cirrospilus sp. com 9,43%. Enquanto Galeopsomyia sp. ocorreu na maioria dos meses do ano, Cirrospilus sp. ocorreu em junho e julho e Elasmus sp. ocorreu de nov/99 a mar/00, confome a Figura 3.
A ocorrência de parasitóides nativos apresentou uma taxa de parasitismo em torno de 35%, mostrando que os inimigos naturais não foram suficientes para o controle das pragas, havendo necessidade do agricultor adotar outras medidas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
- BROWNING, H. & PENÃ, J.E. Biological control of the citrus leafminer by its native parasitoids and predators. Citrus industry, n.4, v.76, p.46-48, 1995.
- CHAGAS, M.C.M. Phyllocnistis citrella Station, 1856 (Lepidoptera: Gracillariidae). Bioecologia e relação com o cancro cítrico. Piracicaba, 1999. 67p. [Tese (Doutorado)- Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Universidade de São Paulo].
- FUNDECITRUS. Cancro cítrico dá sinais de melhora. Revista do Fundecitrus, n.98, p.10-11, 2000.
- GRAVENA, S. O cancro e a minadora. Informativo Agropecuário: Coopercitrus, n.141, p.18, 1998.
- HEPPNER, J.B. Citrus leafminer, Phyllocnistis citrella Station (Lepidoptera: Gracillariidae: Phyllocnistinae). Flórida: Departament of Agriculture & Consumer Services, 1993. 2p. (Entomology Circular, 359).
- HOY, M.A. & NGUYEN, R. Classical biological control of the citrus leafminer Phyllocnistis citrella Station (Lepidoptera: Gracillariidae): theory, practice, art and science. Tropical Lepidoptera, v.8, suppl.1, p.1-19, 1997.
- KNAPP, J.L.; ALBRIGO, L.G.; BROWING, H.W.; BULLOCK, R.C.; HEPPNER, J.B.; HALL, D.G.; HOY, M.A.; NGUYEN, R.; PEÑA, J.E.; STANSLY, P.A. Citrus leafminer, Phyllocnistis citrella Station: Current Status in Flórida. Gainesville: Flórida Cooperative Extensive Service, 1995. 35p.
- NAKANO, O. Nova praga ataca pomares cítricos. Correio Agrícola, n.2, p.3-5, 1996.
- NASCIMENTO, A.S. & VIDAL, C.A. Ocorrência de parasitóides e local de preferência para desenvolvimento da larva minadora das folhas dos citros Phyllocnistis citrella Station, 1856, em Cruz das Almas, BA. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ENTOMOLOGIA, 17., 1998, Rio de Janeiro, RJ. Resumos p.324.
- PAIVA, P.E.B.; PENTEADO-DIAS,A.M.; BENVENGA, S.R.; GRAVENA, R.; GRAVENA, S. Galeopsomyia fausta: principal parasitóide da minadora das folhas dos citros em São Paulo. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ENTOMOLOGIA, 17., 1998, Rio de Janeiro, RJ. Resumos p.373.
- PENTEADO-DIAS, A.M.; GRAVENA, S.; PAIVA, P.E.B.; PINTO, R.A. Parasitóides de Phyllocnistis citrella Station (Lepidoptera: Gracillariidae: Phyllocnistinae) no Estado de São Paulo. Laranja, v.18, n.1, p.79-84, 1997.






