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Brazilian Journal of Otorhinolaryngology

Print version ISSN 1808-8694

Braz. j. otorhinolaryngol. (Impr.) vol.77 no.4 São Paulo July/Aug. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S1808-86942011000400001 

EDITORIAL

 

Otorrinos nas cirurgias plásticas da face, sim

 

 

As fronteiras sempre separaram os homens, criando alegações para conflitos de maior ou menor proporção. Não as linhas imaginárias dos mapas ou os marcos nas cidades de países vizinhos, mas a defesa de limites territoriais geográficos.

Na Medicina, para o bem e para o mal, não é diferente. Cirurgiões plásticos defendem que somente eles possam realizar cirurgias estéticas. Reclamam haver 'invasão' de outras especialidades em suas áreas precípuas.

No Brasil, nos demais países sul-americanos e nos norte-americanos, médicos também fazem cirurgias plásticas vinculadas às suas especialidades. Oftalmologistas, por exemplo, respondem não somente pela enucleação ocular, mas pela correção de pálpebras caídas. Mastologistas, após a ressecção de um tumor, colocam próteses de silicone nas mamas das pacientes.

Quem conhece mais os olhos do que os oftalmologistas? Os otorrinolaringologistas dominam conhecimentos sobre a face. Então, por que não poderíamos fazer uma cirurgia plástica ou reparadora da face?

Foi esta posição que levamos, em recente reunião, aos dirigentes da Associação Médica Brasileira (AMB) e Conselho Federal de Medicina (CFM). Ao contrário da postulação de alguns colegas cirurgiões plásticos, acredito haver mercado para todos, e que quanto mais profissionais aptos a fazer cirurgias estéticas, reparadoras ou não, melhor para pacientes e médicos.

Com a maior longevidade, e consequente envelhecimento da pirâmide etária brasileira, as pessoas anseiam, além da saúde, boa aparência. É um desejo natural dos seres humanos. Portanto, necessitaremos de mais médicos habilitados a este tipo de cirurgia. Inclusive, obviamente, otorrinos.

Outra questão a considerar é o caótico trânsito brasileiro que, infelizmente, é repleto de acidentes. Traumas são provocados e temos de atender a estes feridos, com cirurgias reparadoras e estéticas em nossa especialidade.

Não concordo que nos proíbam, por exemplo, de fazer uma rinoplastia puramente estética se somos chamados para fazer a rinosseptoplastia funcional. Nós, otorrinos, somos os mais indicados para comandar estes tipos de procedimentos, e outros correlatos na face. Se analisarmos o grau de dificuldade de uma cirurgia otológica como a descompressão do nervo facial, que é feita pelo médico otorrinolaringologista, por que não fazer uma otoplastia (correção de orelha em abano ou orelha protrusa), cujo grau de dificuldade é muito menor? Igual princípio se aplica a uma parotidectomia em relação a uma ritidoplastia.

Isto não significa invasão de outras áreas, mas trabalhar para dar ao paciente um atendimento completo, com ética, respeito e profissionalismo.

O Sol e as cirurgias plásticas não são privilégio de alguns médicos, mas direitos de todos.

 

José Eduardo Lutaif Dolci

Médico otorrinolaringologista, é presidente da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), professor titular e diretor do Curso de Graduação em Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

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