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Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas

Print version ISSN 1981-8122

Bol. Mus. Para. Emílio Goeldi. Ciênc. hum. vol.4 no.3 Belém Sept./Dec. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S1981-81222009000300010 

Jacques Huber (1867-1914)1

 

Jacques Huber (1867-1914)

 

 

Osvaldo Rodrigues da Cunha

Museu Paraense Emílio Goeldi. Pesquisador Titular Emérito. Belém, Pará, Brasil

 

 


RESUMO

Notas biográficas ilustradas do botânico suíço Jacques Huber (1867-1914), que trabalhou no Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém, entre 1895 e 1914, tendo sido diretor da instituição a partir de 1907. São destacados aspectos relacionados à produção científica, principalmente os estudos sobre as árvores produtoras de látex; às viagens e explorações realizadas pela Amazônia, pelo Nordeste brasileiro e pelo Oriente; aos colegas e discípulos; e ao ambiente político do estado do Pará no início do século XX.

Palavras-chave: Jacques Huber. Museu Paraense Emílio Goeldi. Botânica. Borracha. Amazônia.


ABSTRACT

Illustrated biographical notes about the Swiss botanist Jacques Huber (1867-1914), that worked in the Emilio Goeldi Museum of Pará, in Belém, Brazil, from 1895 to 1914, becoming its Director since 1907. The paper highlights Huber's scientific works, mainly the studies about the rubber trees; the trips and explorations he made in the Amazon, the Brazilian Northeast, and East; the colleagues and disciples; and the political context of Pará State in the beginning of 20th century.

Keywords: Jacques Huber. Emilio Goeldi Museum of Pará. Botany. Rubber. Amazon.


 

 

Ao contrário de Emílio Goeldi (1859-1917), que era de origem nobre, Jacques Huber (1867-1914) descendia de família simples, do povo (Figura 1). Era mais novo do que Goeldi e muito mais susceptível de se amalgamar a ambientes estranhos, como foi a sua 'amazonização' em terras do Pará. Saído da Suíça abruptamente para vir trabalhar no Museu Paraense de História Natural e Etnografia, em Belém, procurou logo aprender a língua portuguesa e o fez com tal rapidez que isto lhe proporcionou um entrosamento completo com os colegas de trabalho, o povo em geral e a sociedade local, época com muito apuro e finura. Huber, com toda pujança do seu saber de cientista, sua fina educação e sua elegante compostura, soube viver os seus melhores dias, na melhor época que o Pará já teve durante os faustosos tempos da belle époque, com requinte de civilização, o apogeu de uma época em que havia dinheiro e todos podiam usufruir o que havia de bom e fino no amor, na música, na ópera, nas diversões, na indústria, na comodidade etc.

 

 

Como tantos outros cientistas no Pará, Jacques Huber, o grande botânico e notável incentivador do desenvolvimento deste estado, quase paraense como todos nós, grande amigo dos que com ele privavam, está hoje em dia quase esquecido e só ainda não desapareceu porque a sua lembrança ainda vive dentro deste Museu, por causa das pesquisas e outras tarefas que efetuou como diretor deste instituto e como botânico, que o foi dos maiores. O próprio Parque Zoobotânico do Museu é um Huber redivivo a cada planta e árvore que aqui ainda existe por ele plantada ou por outros, pois este horto foi traçado e organizado por ele a partir de 1895, mas agora totalmente desfigurado. Infelizmente, não existe no Parque um busto, um monumento ou uma simples placa lembrando o nome deste grande cientista que viveu e trabalhou dentro do Museu por 19 anos, embora algumas tentativas tenham sido lançadas para homenageá-lo2.

Jacques Huber nasceu no dia 13 de outubro de 1867 na cidadezinha e municipalidade de Schleitheim, distrito do Cantão de Schaffhausen, Suíça. Era o quarto de uma prole de onze filhos do pastor Johann Rudolf Emanuel Huber (1835-1914), originário da cidade de Basiléia (Figura 2). O nome de nascimento de Jacques Huber era Jakob, mas quando se transferiu ao Pará latinizou o prenome em Jacques (Jacó em português), como o haviam feito antes alguns naturalistas, inclusive Emílio Goeldi (antes Emil Göldi)3.

 

 

Fez seus estudos superiores (Ciências Naturais) na universidade de Basiléia, Suíça, e em Montpellier, França, onde se especializou em Botânica entre os anos de 1887 e 1893. Em 1892, conquistou o grau de Doutor em Filosofia ao obter a distinção summa cum laude, apresentando a tese "Contributions a la connaissance des Chaetophorées épiphytes et endophytes et de leurs affinités", publicada em 1892 nos "Annales des Sciences Naturelles", de Paris (Huber, 1892). Huber começou sua carreira de botânico especializando-se em algas, assunto que ele logo mudou ao chegar a Belém. Em 1894, Huber vai desenvolver suas atividades na Universidade de Genebra, como assistente no Laboratório de Botânica, sob a direção do professor Robert Chodat (1865-1934), melhorando seus conhecimentos sobre as algas, de cujos resultados publicou trabalho (Chodat e Huber, 1895).

Nesse ano, 8 de junho, Emílio Goeldi tinha chegado a Belém contratado pelo governador Lauro Sodré, com o fim de reorganizar em bases científicas o antigo Museu Paraense, criado em 1866 pelo naturalista brasileiro Domingos Soares Ferreira Penna (1818-1888), do qual foi diretor por alguns anos, vindo depois a falecer na miséria em fevereiro de 1888. Ferreira Penna foi e ainda é o nome respeitado no Brasil e nos países civilizados pelos trabalhos que empreendeu, entre os anos de 1864 a 1887, sobre geografia, arqueologia, etnologia, história e economia da Amazônia. Tanto Emílio Goeldi quanto Jacques Huber souberam acatar com o maior respeito o nome deste modesto pesquisador brasileiro, tanto que coube a ambos concretizar a homenagem a Ferreira Penna, no Parque do Museu, que o governador Augusto Montenegro autorizara em 1902. Iniciado por Goeldi, foi, entretanto, o monumento inaugurado em 1908 durante a administração de Jacques Huber (Figura 3).

 

 

Emílio Goeldi era há muito amigo e colega de Huber, quando ambos viviam na Suíça e por isso não foi difícil ao diretor do Museu contratá-lo para vir trabalhar em Belém e ser chefe da Seção de Botânica. Jacques Huber não tinha, então, uma ideia do que era a natureza amazônica, sua pujança e riqueza vegetal. O seu contrato era válido por dois anos, mas, empolgado pelo mundo maravilhoso das plantas e pelo gigantesco trabalho que tinha à frente, o cientista deixou-se ficar para sempre na terra acolhedora dos paraenses, 'amazonizando-se' e trabalhando sem descanso, com amor e pertinácia até que a morte o viesse abater em plena atividade.

Huber chegou a Belém no dia 1o de julho de 1895 e, a partir desse instante, constituiu-se o braço direito de Goeldi, ora como chefe da nova Seção de Botânica, ora como consultor, como pesquisador, ora como amigo íntimo. Articulou todo o esquema do Parque Zoobotânico, plantando-o de espécies vegetais da Amazônia de maior interesse científico, econômico e de curiosidade turística (Figuras 4 e 5). No Museu, seu primeiro trabalho de observações científicas, sobre as saprofitas do Pará, foi publicado em Genebra em 1896 e depois traduzido para o "Boletim do Museu Paraense" (Huber, 1896a, 1896b).

 

 

 

 

Ainda em 1895, Huber criou o famoso Herbário Amazônico na Seção de Botânica do Museu. A primeira planta coletada por ele foi a 30 de julho. O exemplar, ainda hoje conservado como exsicata, tem o número um e pertence à família Capparidaceae, com o nome científico Cleome aculeata L., conforme rememora o botânico Paulo Bezerra Cavalcante (1922-2006) em um pequeno livro-guia, "O Herbário do Museu Goeldi", de 1984. Nesse trabalho, Cavalcante, que era o maior incentivador (juntamente com quem escreve esta biografia) da memória de J. Huber, esclarece o seguinte:

Herbário é uma coleção de amostras de plantas (um raminho ou uma pequena planta com flores e/ou frutos) fixadas em folhas de cartolina, contendo uma etiqueta com dados referentes à amostra; geralmente as amostras são prensadas e secas e são conhecidas entre os taxonomistas botânicos pelo nome de exsicatas (Cavalcante, 1984, p. 5).

Huber iniciou logo em 1895 os seus trabalhos de campo, ora nos arredores de Belém, ou acompanhando Goeldi e outros ao antigo Contestado Franco-Brasileiro, hoje, estado do Amapá. Não parou mais de conhecer com profundidade a Amazônia, a sua variada flora, os seus rios, clima e sua gente. Percorreu-a quase toda, aos mais longínquos lugares, desde o litoral até quase os contrafortes dos Andes, nos rios Ucayali e Huallaga, Peru. Em setembro de 1897, passou uma temporada no Ceará, percorrendo-o em grande parte ao realizar espetaculares observações no ecossistema daquela área, onde fez variada coleção da flora, publicando os resultados em revista suíça (Huber, 1901) e na "Revista Trimensal do Instituto do Ceará", a pedido do Barão de Studart, de quem se tornou íntimo amigo (Huber, 1908).

O Dr. Jacques Huber foi um observador sagaz, inteligente e muito ativo. Em seus estudos botânicos, incluía sempre observações geográficas, hidrográficas, climáticas e ecológicas, cujos resultados foram publicados em francês e em português nas revistas "Globus", "Comptes Rendus de l'Académie des Sciences", "Petermanns Geographischen Mitteilungen", "Bulletin de l'Herbier Boissier", de Genebra, "Boletim" e "Memórias do Museu Paraense" e outras4.

Retirando-se Emílio Goeldi para a Europa, Jacques Huber foi empossado na direção do Museu em 22 de março de 1907, pelo governador Augusto Montenegro. Dessa data em diante, o seu trabalho redobrou ao assumir um compromisso consigo mesmo e com o governo do Pará. Paralelamente às suas pesquisas botânicas, Huber colocou-se, principalmente, em um esforço inaudito, a serviço da indústria da borracha, pois então já despontava no horizonte próximo o fantasma da concorrência das plantações do Oriente. Com este objetivo, explorou detidamente certas áreas amazônicas para descobrir novas espécies de seringueiras que pudessem fornecer bom látex e servir para as pesquisas de melhoramento genético de novos tipos resistentes e mais produtivos para a cultura metódica.

Como diretor do Museu, representou o Pará nas Exposições do Rio de Janeiro, em 1908; de Bruxelas, em 1910; de Turim e de Londres, em 1912; e, em seguida, de Nova Iorque e de Manaus, em 1913. Em todas elevou bem alto o nome do Museu e do Pará, defendendo com garra e confiança os produtos da terra com a mesma convicção de um paraense. Comissionado pelo governador João Antônio Coelho, Huber empreendeu longa e profícua viagem pelos países do Oriente onde existiam grandes plantações de borracha, como Ceilão, Sumatra, Java e a Península Malaia5.

Huber foi o maior especialista em árvores produtoras de seringa e não apenas sob o ponto de vista botânico, mas, em particular, no aspecto utilitário. Isto lhe deu notoriedade universal e também muitos aborrecimentos, pois achava que suas pesquisas não se coroavam de êxito como desejava e morreu com seus ensaios a meio caminho. Toda atenção e esperança das autoridades do Pará estavam voltadas para Jacques Huber. Todo futuro econômico do Pará estava dependendo deste singular homenzinho que, na realidade, era de baixa estatura. Esperavam dele resultados imediatos, obra milagrosa, super trabalho para um homem só. Assim, quando ele adoeceu e rapidamente veio a falecer, todo o Pará estremeceu. Era o fim. Todos ficaram atônitos com o desastre acontecido, que não era nada mais nada menos que o prenúncio de uma catástrofe que se avizinhava muito célere.

Um seu biógrafo e amigo, o professor Gustave Beauverd (1867-1942), escreveu sobre Huber logo após sua morte, em 1914:

A cultura geral do nosso amigo, ligada à sua viva inteligência e ao seu interesse apaixonado por tudo o que era belo e nobre, não demoraram a fazer dele a alma deste importante centro científico que se tornou o Museu Goeldi: fitogeógrafo maravilhoso, ele se entrosava bem na "terra incógnita", cuja vegetação das mais ricas do globo era descrita com tanto sucesso, graças ao espírito metódico aliado aos dons de observação excepcionais de Huber (Beauverd, 1914, p. 95).

Sabia desenhar bem, apreciava e tocava música, filantropo e poliglota consumado. Consorciou-se em outubro de 1901 com a senhorita Sophie-Alvina Muller (1875-1959), de altos dotes morais e fina educação, filha de pais suíços há muito radicados em Belém. Tiveram três filhos, Hanna, nascida em 12 de agosto de 1903; Hans Emanuel, nascido em 27 de junho de 1905; e Carl Oswald, nascido em 2 de julho de 1908 (Figuras 6 e 7).

 

 

 

 

Quando viajava pelo exterior, muitas vezes recebia propostas de cargo para trabalhar em instituições estrangeiras. Nunca aceitou, honestamente, porque no Pará, no Museu, estava a obra de sua vida. Em outubro de 1913 teve a primeira crise de apendicite, da qual se restabeleceu sob os cuidados de seu amigo médico, Dr. Pereira de Barros. Em meados de fevereiro de 1914, nova crise muito violenta o encaminhou para a clínica deste médico. Foi urgentemente operado, mas, no dia 18, a uma hora da manhã, o Dr. Huber falecia por causa de uma intoxicação da medula bulbar, que não pôde resistir. O enterro foi realizado às três horas da tarde desse mesmo dia, tendo o féretro saído do prédio central do Museu (hoje denominado Pavilhão Domingos Soares Ferreira Penna) para o Cemitério de Santa Isabel, onde foi inumado na sepultura de no 53.149, próximo ao portão de entrada principal. As altas autoridades do estado, como o governador Enéas Martins, e da prefeitura de Belém (na época Intendência), levaram e acompanharam o ataúde, assim como as pessoas amigas e todos os funcionários do Museu. Do coche mortuário pendiam várias coroas com a homenagem do governo, da prefeitura, do pessoal do Museu e dos amigos. Incorporaram-se ao préstimo 18 carros de praça e três bondes de primeira classe. Jacques Huber tinha, então, 47 anos.

Um pouco antes, em 1913, o governador Enéas Martins, médico muito culto, instituiu a Festa da Árvore, por meio do Decreto 2.015, de 19 de agosto, já antes idealizada pelo governador João Coelho em 1910 e inspirada por Enéas Pinheiro, agrônomo, que apresentou um projeto ao governo em 1911. Mas, toda a beleza deste ideal teve seu grande plasmador no interesse que Huber sempre cultivou pelas plantas, a ponto de ser considerado o 'Amigo das Árvores". Pelo decreto, a Festa da Árvore ficava fixada para o primeiro domingo de junho. Mas, em 1914, a festa foi realizada no dia 7 desse mês e, como Huber tinha morrido, resolveram prestar-lhe uma condigna homenagem. O governador Enéas Martins, à frente de autoridades e do povo, plantou no Campo Experimental de Agricultura, nos terrenos detrás do antigo Instituto Lauro Sodré (atual Tribunal de Justiça do Estado do Pará), 20 árvores, entre elas várias palmeiras. Uma destas palmeiras, a jarina (Phytelephas microcarpa R. & Pav.), foi em homenagem a Jacques Huber, e quem a plantou foi o Dr. Leopoldo Teixeira.

Do Campo Experimental, dirigiram-se para o Museu, onde, às 11 horas, as autoridades iriam lhe prestar outra homenagem, no edifício central, no antigo gabinete de trabalho do Dr. Huber, que ficava na porção posterior. Ali foi colocado o retrato, pintado por artista do Pará, deste grande cientista, hoje transferido para a Coordenação de Botânica, situada nos terrenos do Museu na Avenida Perimetral. O Dr. Ignácio Moura, que era muito amigo do falecido, fez um pequeno discurso. Ainda nessa ocasião, o Dr. Moura propôs um candente apelo a todos os presentes, no sentido de ser aberta uma subscrição popular cujo resultado reverteria na ereção de um monumento a Jacques Huber, no Parque do Museu, no meio das plantas que ele tanto enalteceu. Infelizmente, este monumento nunca foi levantado. Esqueceram-se do homem a quem queriam tanto e que um dia fora a esperança de um futuro sombrio que ninguém esperava.

Às quatro e meia da tarde, debaixo de um temporal, uma comissão oficial do estado, em bonde do governo, foi ao cemitério de Santa Isabel depositar flores e mais flores ao túmulo de Huber. Depois disto, nada mais se fez e, aos poucos, o tempo foi se encarregando de esquecer toda uma vida, toda uma época grandiosa, que por fim caiu no completo olvido. Já tinham passado 50 anos e ninguém mais sabia aqui e no exterior se Huber havia ficado mesmo no Pará, em Belém, e se porventura falecera aqui. O seu túmulo ainda existiria? Em 1965, o autor desta biografia conseguiu descobrir o túmulo de Jacques Huber, bem conservado, como se tivesse o óbito acontecido há pouco tempo. Paulo Cavalcante, botânico do Museu, e o autor deste trabalho, várias vezes foram lá visitar sua sepultura. O túmulo de Huber estava ainda em perfeitas condições, pois viviam em Belém descendentes de sua esposa Sophie, falecida em 1959, na época proprietários do Colégio Suíço-Brasileiro, renomado estabelecimento de ensino criado no início do século XX6.

Na ocasião da Festa da Árvore, em 1914, no Instituto Lauro Sodré, foi distribuído em abundância o seguinte soneto do poeta português António Corrêa de Oliveira (1879-1960). Para relembrar esta data memorável, após tantos anos de esquecimento, eis aqui o poema:

Mãe

Olha, meu filho, quando, à aragem fria
Dalgum torvo crepúsculo encontrares
Uma árvore velhinha em modo e em ares
De abandono e outonal melancolia,

não passes junto dela, nesse dia
e nessa hora de bênçãos, sem parares;
não vás, sem longamente a contemplares:
vida cansada, trêmula e sombria!

Já foi nova e floriu entre os esplendores:
talvez em derredor dos seus amores
inda haja filhos que lhe queira bem...

Ama-a, respeita-a, ampara-a na velhice;
sorri-lhe com bondade e com meiguice;
Lembre-te, ao vê-la, a tua própria Mãe!

O Dr. Jacques Huber conseguiu granjear sobre sua pessoa as mais sinceras amizades de cientistas de todo mundo; das mais altas autoridades do estado, durante os governos de Augusto Montenegro, João Coelho e, muito especialmente, Enéas Martins, de quem foi íntimo assessor para assuntos científicos e econômicos, quanto à produção de tipos de borracha (látex). Teve muitos amigos particulares em Belém e foi sempre estimado pelos colegas e funcionários do Museu, pelo seu espírito liberal, humanitário e de simplicidade. Ao assumir a direção do Museu em 1907, Huber preencheu cabalmente a ausência de Emílio Goeldi e, em nossa opinião, conseguiu levar mais longe o nome do Museu e do Pará com suas imensas riquezas, do que seu colega, não só pela maneira inerente de encarar as coisas, como pela sua influência pessoal que a todos atraía, principalmente pelo interesse sincero e profundo que dele se apossara e que se apegara com o intuito de ajudar o progresso do Pará. Ele preferiu sacrificar-se pelo excesso de trabalho, ao qual se entregara de corpo e alma, por um dever de honra, a abandonar esta terra, que já parecia sua, por lugares e cargos mais amenos e até mais lucrativos. A morte o surpreendeu em plena atividade, como acontece a um soldado em combate.

Huber estudou a flora amazônica sob vários aspectos: taxonómico, onde descreveu centenas de espécies, ainda hoje quase todas válidas; ecológico; fitogeográfico; econômico; frutífero; ornamental; medicinal, em experiências de cruzamento, dispersão etc. Foi o primeiro botânico a visualizar em largo esboço os estudos para a fitogeografia amazônica e seu relacionamento com outros biomas circunvizinhos, particularmente no trabalho "Matas e madeiras amazônicas" (Huber, 1910).

Huber descobriu centenas de espécies da flora amazônica, descrevendo-as tecnicamente sobre exemplares cujos tipos e parátipos guardam-se hoje no Herbário do Museu que ele criara. Estas exsicatas, muito difíceis de conservar no clima quente e úmido de Belém, no passado sofreram muito e por isso exigiam rigorosa atenção em mantê-las conservadas. O advento dos aparelhos de ar condicionado a partir dos anos 1960 tornou essa conservação mais eficiente e menos trabalhosa. Sempre que Huber descrevia espécies novas, uma amostra completa (exsicata com folhas, flores e frutos) era enviada para o Herbário Boissier, em Genebra, e para o botânico Casimir de Candolle (1836-1918), também daquela cidade da Suíça, como medida de segurança para o futuro. O famoso Herbário Boissier pertencia a uma família de botânicos importantes dessa cidade, criado no século XIX. Em 1918, o Herbário foi doado pelos descendentes ao Instituto de Botânica da Universidade de Genebra.

Das muitas espécies descritas por Huber sobressai a árvore mais antiga do Parque Zoobotânico do Museu, denominada guajará, por ele descrita com o nome científico de Chrysophyllum excelsum, em 1900. Esta árvore ainda hoje existente, uma das mais altas do Parque, com mais de dois metros de diâmetro. Já existia no mesmo local em 1895, quando o Parque Zoobotânico foi criado (Figura 8). Este imponente espécime da floresta amazônica deve contar agora em torno de 125 anos ou mais de existência. Portanto, ela é um exemplar-tipo vivo sui generis, pois o botânico que a descreveu para a ciência faleceu há quase cem anos. O estudo que Huber fez dessa árvore foi publicado em português com a descrição em latim, com o título "Duas sapotáceas novas do Horto Botânico Paraense" (Huber, 1900a).

 

 

Entre as muitas importantes explorações efetuadas por Huber, salientamos uma que realizou nos dois primeiros meses de 1900, percorrendo o litoral do Pará, desde Belém, através de Vigia, Maracanã (antiga Cintra), São João de Pirabas, Quatipuru, Bragança, Tentugal, Ourém, descendo o rio Guamá e retornando à capital. A exploração foi feita em companhia do Dr. Karl von Kraatz-Koschlau (1867-1900), notável geólogo do Museu, que, infelizmente, atacado de febre amarela, veio a falecer em maio daquele ano. Ambos publicaram importante trabalho em alemão, "Zwischen Ocean und Guamá. Beitrag zur Kenntniss des Staates Pará", cujo título em português traduz-se em "Entre o oceano e o rio Guamá. Uma contribuição ao conhecimento do Pará", nas "Memórias do Museu Paraense" (Kraatz-Koschlau e Huber, 1900). Nesta comunicação, os dois cientistas estudaram as formações terciárias de Pirabas (Mioceno), as ocorrências e o conteúdo fossilífero; o quaternário antigo e recente do período Pleistoceno do litoral e de todo o interior que envolve a chamada Zona Bragantina ou leste do Pará. Naquela época, ambas as formações encontravam-se quase totalmente revestidas pela soberba floresta pluvial amazônica de terra firme e dos igapós. Huber estudou a flora litorânea dos siriubais, a flora de terra firme, dos igarapés e rios, dos igapós e dos campos naturais de Quatipuru. Kraatz estudou as formações citadas e mais os granitos-gnaisses que se estendem de Quatipuru a Ourém e, ainda, os sambaquis do litoral entre o rio Inajá, Pirabas e Quatipuru. A repercussão do trabalho nos meios científicos foi de grande aceitação, havendo tradução sumária em francês e resumos em outras línguas. Goeldi e Huber previram uma tradução para o português, mas a ideia não se concretizou.

De outras explorações geográficas e botânicas de Huber, algumas rapidamente citadas antes, sobressaem, também pela importância dos resultados alcançados, as que realizou em companhia de Emílio Goeldi e de outros do Museu à região do antigo Contestado Franco-Brasileiro, hoje estado do Amapá, em 1895; à ilha de Marajó, em 1896; ao Ceará, em 1897; ao Ucayali e Huallaga, no Peru, em 1898, onde foram feitas observações e coleta de plantas desta distante região; ao Purus e Baixo Acre, em 1904.

Sobre as seringueiras, árvores da borracha, Huber desenvolveu, a partir de 1897, vários e importantes trabalhos que definiram, para a época, as espécies que produzem látex. Em 1905, no "Boletim do Museu Goeldi", o incansável especialista escreveu um "Ensaio duma sinopse das espécies de gênero Hevea sob os pontos de vista sistemático e geográfico", no qual enumerou 21 espécies (atualmente os botânicos reconhecem onze espécies), alertando que algumas ainda estavam mal definidas e que, no futuro, poderiam ainda encontrar-se novas árvores de látex (Huber, 1905). No futuro, quem disso se encarregou foi seu amigo, colega e principal continuador da obra, o botânico Adolpho Ducke (1876-1959), que veio a se tornar o maior conhecedor da flora amazônica e de outras regiões do Brasil, falecido em Fortaleza, Ceará. Entretanto, Huber conseguiu descobrir e descrever cinco espécies de seringueiras do gênero Hevea.

Naquele período, existiu ainda um discípulo direto de Huber, o agrônomo Jacob Cohen, descendente de família judaica de Belém, hoje completamente esquecido. O Dr. Cohen aprendera com Huber todos os conhecimentos sobre as espécies de Hevea e de outras árvores produtoras de látex, assim como a técnica de plantio organizado no Pará. O Dr. Cohen foi, em parte, um continuador deste trabalho, mas, como ele mesmo afirmou, depois da morte de Huber, em 1914, os estudos profundos sobre estas árvores ficaram paralisados por 30 anos! As memórias do Dr. Jacob Cohen, nas quais estão muitas informações particulares, foram publicadas no livro "A Seringueira. Considerações oportunas. História de minha cooperação profissional durante 33 anos, 1910 a 1943" (Cohen, 1945). O Dr. Jacob escrevera:

Poucos, hoje, se recordam do Campo Experimental Paraense, que mais tarde ficou denominado "Dr. Jacques Huber". Lanço um apelo a esses mesmos poucos, para justificarem que no ano de 1910, já o Pará evoluía e procurava desenvolver a agricultura
do Estado (Cohen, 1945, p. 29).

Concluímos que tudo tinha começado com o grande botânico Jacques Huber, hoje mais que esquecido por gerações ignorantes, interessadas em galgar posições políticas, ganhar dinheiro e trabalhar pouco.

Há um caso interessante a ser anotado para se averiguar a índole e capacidade profissional do grande cientista que foi Huber, em rápidas linhas. Em 1912, Huber e o seu grande amigo Dr. José Picanço Diniz, colaborador do Museu, homem culto, preparado, proprietário de extensas terras no médio Amazonas, margem esquerda, era também conhecedor da geografia e flora da região, tinham muito interesse pelas seringueiras, de modo que ambos resolveram traçar o primeiro mapa fitogeográfico ou da distribuição geográfica das principais árvores fornecedoras de goma elástica no Pará. A publicação foi confeccionada para ser apresentada na Exposição da Borracha em New York, em 1912. O Dr. Jacob Cohen, em seu já referido livro, mostra erros em que o Dr. Huber e Diniz incorreram quanto a duas espécies, a Hevea brasiliensis, cuja ocorrência seria "na zona compreendida na linha divisória do Amazonas e seus afluentes da 'zona encachoeirada' (...)". Sobre a outra, diz esse autor que Huber

(...) colocava o 'habitat' da Hevea guyanensis nas regiões afastadas da margem direita do rio Tocantins. Esses dois pontos [a distribuição das duas espécies de Hevea] foram casualmente destruídos por mim, pela coleção do material botânico colhido nas ditas zonas; muito depois da publicação desse mapa e sua aprovação pelo mundo científico (Cohen, 1945, p. 57).

Para abreviar essas informações, mostramos, segundo o Dr. Cohen, que Huber, ao tomar conhecimento do material trazido pelo seu discípulo, ficou profundamente chocado e confirmou que sua teoria e do Dr. Diniz estava destruída. Humildemente, Huber aceitou o veredicto, afirmando que na Amazônia não se podiam mais estabelecer teorias precipitadas e definitivas, porque sua natureza era uma incógnita em muitas áreas. No caso da Hevea guyanensis, Huber estava convalescendo em casa, com problemas de apendicite (da qual morreria três meses depois), mas conversou com o amigo e aceitou com simplicidade e humildade a evidência dos fatos, e ainda aconselhou o discípulo a encarar os contras e os prós da vida, na trilha que caminhava, a fim de divulgar a verdade dos mistérios da flora amazônica. 'A publicidade - disse-me ele - é um documento para ser corrigido e não para permanecer em erros constantes e falsos" (Cohen, 1945, p. 78).

Sobre a vida do Dr. Jacques Huber, o Barão de Studart (1915, p. 374-375) definiu-a nestas palavras:

Assim finou-se esse operário da cultura humana, tão sábio quanto modesto. Quando se fizer o inventário da ciência brasileira, e mormente da ciência paraense (na verdade nunca se fez, agora estamos tentando), imenso quinhão será atribuído ao professor Huber. Sua obra, em que foi auxiliado pela Dra. Emília Snethlage, Chefe da Seção Zoológica do Museu, [por] Adolpho Ducke, também nosso consócio, e [por] Siqueira Rodrigues é das que dignificam e imortalizam um nome.

Após a morte de Jacques Huber, a Dra. Emília Snethlage (1868-1929), exímia zoóloga, etnóloga e destemida exploradora alemã, foi nomeada Diretora do Museu pelo governador Enéas Martins, mas, por força de suas pesquisas no ambiente amazônico, muitas vezes era substituída por Adolpho Ducke, nesta época já se iniciando na botânica, que também, devido às suas longas explorações, era substituído pelo Sr. Rodolfo de Siqueira Rodrigues (1884-1957). Em 1918, Ducke retirou-se do Museu Goeldi e aceitou um contrato como botânico no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, vindo a falecer em 1959, exercendo outras funções, mas nesse espaço de tempo visitava sempre o nosso Museu com o fim de estudar as plantas do Herbário de Huber e dar-lhe conservação, aproveitando também para observar as árvores vivas do Horto, plantadas pelo seu mestre. Emília Snethlage, depois da morte de Huber, passou por muitos vexames, apesar de desenvolver seus trabalhos científicos e de suas arriscadas explorações na Amazônia. Em 1917, o governador Lauro Sodré foi obrigado a demitir a extraordinária cientista para cumprir ordens federais, porque o Brasil estava em guerra com a Alemanha e Snethlage era germânica. Em 1919 voltou a ser reintegrada nas suas funções pelo mesmo governador. Entretanto, em 1921, a cientista foi forçada a demitir-se por diversas razões, inclusive difamações, que de maneira estúpida chegaram ao novo governador, Antonino Sousa Castro, que não compreendeu a defesa de Snethlage e nem a razão da existência tão útil e patriótica do Museu Goeldi, que depois disso entrou em decadência. Tinha passado a época áurea de Emílio Goeldi, de Jacques Huber, de Gottfried Hagmann (1874-1946), de Emília Snethlage, de Friedrich Katzer (1861-1925) e de outros. Ficou apenas a lembrança de um passado, hoje muito difusa.

Na questão do Contestado do Amapá, o Dr. Jacques Huber contribuiu intensivamente. Se não tão implicitamente quanto ao que se relaciona com o trabalho de Emílio Goeldi, que esteve a serviço do Barão do Rio Branco na França e Suíça, pelo menos aquele cientista esteve ligado bem de perto às pesquisas que o Museu levou a efeito em 1895 com o objetivo de conhecer melhor a zona conflitada (Amapá, Cunani, Cassiporé e outros rios entre o Amazonas e o Oiapoque). Destas explorações, Huber publicou importantes trabalhos sobre a geografia e flora daquelas regiões, antes não estudadas por cientista algum (Huber, 1896c, 1898, 1899, 1900b). Além destas contribuições, Huber ficou muito tempo substituindo Goeldi na direção do Museu, nos anos de 1898 a 1900, enquanto este cientista estava a serviço do governo brasileiro na Europa.

Outra valiosa e extraordinária comissão que Jacques Huber recebeu do governador João Coelho, em 1911, que já referimos, e tinha sido o seu grande desejo, foi a longa viagem, uma verdadeira maratona à época, que empreendeu aos distantes centros produtores de borracha no leste asiático7. Huber partiu de Marselha, França, a 14 de dezembro de 1911, para o Oriente. Em janeiro estava em Ceilão (Colombo), em seguida Singapura, na península Malaia, onde estavam as culturas mais antigas de Hevea, desde 1877, quando as mudas foram para lá levadas. Visitou a Malásia e suas plantações, Kuala Lumpur e depois a ilha de Penang, onde ficou 15 dias observando tudo sobre plantações de seringa no jardim botânico dos ingleses. Em 1o de março, foi para Sumatra, onde percorreu várias áreas da ilha. Ali observou a cultura desenvolvida do tabaco. Daí, Huber passou para a cidade de Batávia (ilha de Java, atualmente Indonésia), visitando o grande jardim botânico holandês de Buitenzorg, explorando as grandes plantações de borracha, principalmente em Surubaia. (Aliás, toda a área percorrida por Huber ficou famosa, após 32 anos, durante a ocupação japonesa de 1941 a 1945, quando no fim da guerra foram desalojados pelas forças americanas e inglesas). A 18 de maio de 1912, já estava de volta a Singapura, de onde embarcou para a Europa, retornando a Belém em junho. De tudo o que observou, redigiu um sucinto, mas profundo, "Relatório sobre o estado atual da cultura da Hevea brasiliensis nos principais países de produção do Oriente", que apresentou ao governador João Coelho, depois publicado em 1912 pela Imprensa Oficial do Estado (Huber, 1912).

Na apresentação do "Relatório", Huber (1912, s.p.) profeticamente afiançou:

Os ensinamentos (positivos e negativos), que podemos tirar das plantações do oriente, são múltiplos, e do aproveitamento deles depende em grande parte o futuro da nossa indústria extrativa.

Esperando que esta pequena contribuição possa ser de alguma utilidade na nobre campanha empreendida por V. Excia em prol da nossa indústria extrativa, reitero-vos a expressão de minha alta estima e consideração.

Como vimos anteriormente, a morte súbita de Huber, em 1914, estancou definitivamente todas as esperanças e perspectivas do Pará.

Para lembrar a vida e a trajetória profissional de Jacques Huber, esperamos que seja erigido um monumento a ele dedicado no interior do Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi, pagando assim uma promessa antiga e esquecida. O horto, que foi criação sua, poderá também receber seu nome, independentemente da homenagem já prestada ao Dr. Emílio Augusto Goeldi.

 

REFERÊNCIAS

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Recebido: 10/11/2009
Aprovado: 19/11/2009

 

 

1Artigo originalmente publicado em duas partes no jornal "Diário do Pará", em 28 de julho e 4 de agosto de 1988, com apenas um retrato de Jacques Huber (Cunha, 1988a, 1988b). Como o artigo continha várias observações pontuais e datadas, alguns trechos foram corrigidos e/ou atualizados pelo Editor, com aprovação do autor. Também foram acrescentadas as referências bibliográficas, as notas de rodapé e as fotografias do acervo do Museu Paraense Emílio Goeldi e outras gentilmente cedidas pelo Museu de História Natural de Berna, Suíça.

2Em 2009, o Aquário do Parque Zoobotânico, concebido e inaugurado pelo botânico em 1911, ganhou o nome de "Jacques Huber" (Nota do Editor).

3Na verdade, Huber latinizou o prenome antes de mudar para o Brasil, quando ainda estudava em Montpellier, França. O trânsito pelo mundo acadêmico francófono o distingue de seu conterrâneo e colega Emílio Goeldi, que se manteve vinculado a escolas, cientistas e periódicos da Europa Central e da Inglaterra (Nota do Editor).

4Ver obra de Jacques Huber em Beauverd (1914) (Nota do Editor).

5Ver artigo sobre o assunto neste número da revista (Nota do Editor).

6O colégio já não existe e não há notícias sobre descendentes diretos de Huber em Belém. Outro biógrafo do botânico, Agathon Aerni (1992, 1991, s.d.), conheceu e entrevistou a filha mais velha de Huber, Hanna Amazonika, que faleceu em 1992 (Nota do Editor).

7Ver artigo sobre o assunto neste número da revista (Nota do Editor).