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Jornal da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia

On-line version ISSN 2179-6491

J. Soc. Bras. Fonoaudiol. vol.23 no.4 São Paulo Dec. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S2179-64912011000400010 

ARTIGO ORIGINAL ORIGINAL ARTICLE

 

Função motora fina, sensorial e perceptiva de escolares com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade

 

 

Paola Matiko Martins OkudaI; Fábio Henrique PinheiroII; Giseli Donadon GermanoI; Niura Aparecida de Moura Ribeiro PadulaIII; Maria Dalva LourencettiIV; Lara Cristina Antunes dos SantosIV; Simone Aparecida CapelliniV

ILaboratório de Investigação dos Desvios da Aprendizagem, Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - UNESP - Marília (SP), Brasil
IIPrograma de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - UNESP - Marília (SP), Brasil
IIIDepartamento de Neurologia e Psiquiatria, Faculdade de Medicina, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - UNESP - Botucatu (SP), Brasil
IVAmbulatório de Neurologia Infantil - Desvios da Aprendizagem, Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - UNESP - Botucatu (SP), Brasil
VDepartamento de Fonoaudiologia e Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista - "Júlio de Mesquita Filho" - UNESP - Marília (SP), Brasil

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: Caracterizar e comparar as funções motoras fina, sensorial e perceptiva de escolares com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e escolares com bom desempenho escolar sem alterações de comportamento.
MÉTODOS: Participaram 22 escolares do ensino fundamental, de gênero masculino, distribuídos em: GI - 11 escolares com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade; e GII - 11 escolares com bom desempenho acadêmico e sem alterações de comportamento. Os escolares foram submetidos à aplicação do Protocolo de Avaliação da Função Motora Fina, Sensorial e Perceptiva e da Escala de Disgrafia.
RESULTADOS: Houve diferença nas tarefas de função motora fina, função sensorial e função perceptiva entre o GI e o GII, com desempenho inferior do GI. Todos os escolares de GI apresentaram disgrafia.
CONCLUSÃO: Escolares com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade apresentam desempenho inferior aos escolares com bom desempenho acadêmico em relação às funções motoras fina, sensorial e perceptiva. Tais dificuldades podem causar impacto significativo sobre o desempenho acadêmico, uma vez que comprometem o desenvolvimento da linguagem escrita, ocasionando disgrafia nesses escolares.

Descritores: Destreza motora; Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade; Aprendizagem; Avaliação; Escrita manual


 

 

INTRODUÇÃO

O Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é o transtorno neuropsiquiátrico mais frequentemente diagnosticado na infância. Pode persistir até a idade adulta em torno de 60 a 70% dos casos, sendo então relativamente crônico, afetando muitos domínios das principais atividades da vida desde a infância(1). As principais características do quadro de TDAH são a desatenção, a agitação psicomotora e a impulsividade, que podem variar em maior ou menor grau, de acordo com o subtipo, a saber: predominantemente desatento; predominantemente hiperativo/impulsivo; ou combinado(2).

Nos últimos anos, estudos(3-6) têm apontado que escolares com TDAH apresentam disfunções cerebrais, em particular nos lobos frontais (rede frontal-estriatal-cerebelar), que podem ocasionar alterações em mecanismos cognitivos, como atenção sustentada, funções executivas, déficit de inibição motora e agitação psicomotora. Tais alterações comprometem a aquisição da linguagem oral e escrita e, consequentemente, a aprendizagem escolar.

Segundo a literatura(7-10), escolares com TDAH apresentam alterações motoras relacionadas à hiperatividade, à falta de atenção, à disfunções executivas e às alterações de memória de trabalho e de planejamento, funções responsáveis pelo desempenho práxico-produtivo das habilidades motoras. Estas alterações podem resultar em prejuízo para atividades motoras finas mais refinadas, como a escrita.

Uma das ações motoras que exigem maior grau de integração e funcionamento adequado do sistema nervoso central é a função motora fina, caracterizada como a capacidade de controlar um conjunto de atividades de movimento de certos segmentos do corpo, com emprego de força mínima, a fim de atingir uma resposta precisa à tarefa(11). A literatura(12) aponta que alterações relacionadas a essa função motora podem ocasionar falhas no desenvolvimento da habilidade de escrita.

Assim, alterações na função motora fina podem afetar o desempenho da criança na escola de diferentes maneiras, influenciando tanto a qualidade e quantidade de aprendizado dentro da sala de aula quanto à motivação e autoestima da criança. Isso geralmente ocasiona alterações sobre a coordenação motora fina, responsável pelo traçado da escrita (grafismo), pois esta é uma das habilidades mais difíceis de ser aprendida, visto que resulta de múltiplas funções que atuam conjuntas e coordenadamente, desde o sistema nervoso central até músculos, articulações e tendões(13-16).

As alterações em qualquer nível da função motora, desde a captação sensorial da informação, seu processamento e sequencialização até ato motor em si, levam ao mal traçado da escrita, conhecido como disgrafia. Esta dificuldade pode atingir entre 10% e 30% dos escolares na população geral e é caracterizada por dificuldade na expressão escrita, letra ilegível, forma da letra inadequada e erros ortográficos, dificultando assim a identificação da escrita(12,16-17).

Tanto a dificuldade em coordenação motora fina quanto à disgrafia podem coexistir com o TDAH, sendo consideradas manifestações associadas, como demonstram estudos nacionais(3,18) e internacionais(17-21).

Diante do exposto, este estudo teve por objetivo caracterizar e comparar as funções motoras fina, sensorial e perceptiva de escolares com TDAH e escolares com bom desempenho escolar e sem alterações de comportamento.

 

MÉTODOS

Este trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Filosofia e Ciências - FFC/UNESP, Marília (SP), sob o protocolo de número 2004/2009. Previamente ao início das avaliações, os pais ou responsáveis pelos participantes selecionados assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), autorizando a participação no estudo.

Participaram 22 escolares na faixa etária entre 8 anos e 6 meses a 11 anos e 6 meses de idade, do gênero masculino, com nível socioeconômico médio. Todos eram escolares do ensino fundamental de escolas públicas. A classificação do nível socioeconômico foi realizada com base no estudo estatístico do Índice de Desenvolvimento Socioeconômico - IDESE(22), garantindo assim, a homogeneidade da amostra do ponto de vista socioeconômico médio.

Os escolares foram divididos em dois grupos:

- Grupo I (GI): 11 escolares com diagnóstico interdisciplinar de TDAH. As idades dos escolares deste estudo variaram de 8 anos e 6 meses a 11 anos e 6 meses.Todos foram selecionados a partir do diagnóstico interdisciplinar confirmado de TDAH, obtido a partir de avaliação neurológica, neuropsicológica, fonoaudiológica e terapêutica ocupacional no Laboratório de Investigação dos Desvios da Aprendizagem das instituições em que o estudo foi realizado.

- Grupo II (GII): 11 escolares com bom desempenho acadêmico, selecionados por indicação de seus professores, a partir do desempenho satisfatório (nota superior a 5,0) em dois bimestres consecutivos em prova de Língua Portuguesa e Matemática, pareados com o GI quanto à idade e ao gênero. Nenhum deles apresentava histórico de intercorrências pré, peri e pós-natais, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e linguagem ou alterações comportamentaisdescrito no prontuário escolar.

Para a realização deste estudo, foram utilizados os seguintes procedimentos:

a) Avaliação da Função Motora Fina, Sensorial e Perceptiva(23): o instrumento envolve áreas que representam diferentes subsistemas do controle motor, propiciando meios de avaliar a criança em idade escolar. A avaliação é dividida em três partes:

- Função motora fina (FMF), que inclui as seguintes provas específicas: Pinça (ponta de dedo, agarre de lápis, agarre de cilindro, agarre com a palma da mão, segurar a chave) (FMF1); Encaixe de Moedas (FMF2); Prender tachinhas (FMF3); Derramar água de um copo para outro (FMF4); Parafusar porca (FMF5); Colocar contas em um barbante (FMF6); e Oposição polegar-dedo (FMF7).

- Função sensorial (FS): Senso de posição (FS1); Tato (FS2); Dor (FS3); Temperatura (FS4); Diferenciação: objeto pontiagudo e rombo; Estereognodia (FS6); Grafoestesia (FS7); Discriminação de dois pontos e Extinção (FS9).

- Função Perceptiva (FP): Imitação de posturas (FP1); Abotoar cinco botões (FP2); Dar um laço na fita (FP3); Contorno de uma flor (FP5) e Recorte de um círculo (FP6).

O item cooperação (COOP) refere-se à cooperação dos escolares na realização das provas da avaliação. As provas foram elaboradas(23) para avaliar os dois hemicorpos, e a pontuação deve ser realizada a partir do cálculo da média simples entre eles, ou seja, pela soma dos pontos de cada hemicorpo em determinada prova dividida por dois. Por meio da pontuação individual de cada prova, obtém-se a classificação final da avaliação, somando-se os pontos de todas elas e dividindo-os pelo número total de provas, o que pode demonstrar o seguinte resultado: disfunção grave (DG): média entre 0,0-0,9; disfunção moderada (DM): média entre 1,0-1,9; disfunção leve (DL): média entre 2,0-2,8; e sem disfunção (SD): média entre 2,9-3,0. b) Escala de Disgrafia(24): Avaliação que possibilita analisar os seguintes aspectos da grafia: linhas flutuantes, linhas descendentes e/ou ascendentes, espaço irregular entre as palavras, letras retocadas, curvaturas e angulações das arcadas das letras m, n, u e v, pontos de junção, colisões e aderências, movimentos bruscos, irregularidade de dimensão e más formas. A pontuação foi calculada pela soma total dos resultados em cada análise da grafia, resultando em uma classificação de não disgráfico quando a pontuação era de até oito pontos e disgráfico quando a pontuação era superior a oito pontos.

Os escolares do GI foram avaliados no Laboratório de Investigação dos Desvios da Aprendizagem do Departamento de Fonoaudiologia das instituições em que o estudo foi realizado, após 30 minutos da administração do medicamento (metilfenidato). Na ausência da medicação, não foi possível realizar a avaliação proposta neste estudo. Estes escolares eram usuários do medicamento há exatamente seis meses do momento de realização do estudo. Os escolares do GII foram avaliados em uma sala de aula fornecida pela coordenação pedagógica, em horário pré-determinado pelo professor de cada escolar. Os procedimentos foram aplicados em uma sessão de avaliação com duração de 60 minutos

Os resultados obtidos foram analisados através do Teste de Mann-Whitney, com o objetivo de verificar diferença de desempenho nas provas motoras finas, sensoriais e perceptivas entre os grupos deste estudo;Teste de Friedman para verificar diferenças de desempenho dos grupos na função motora fina, sensorial e perceptiva quando comparadas concomitantemente; e Teste dos Postos Sinalizados de Wilcoxon, ajustado pela Correção de Bonferroni, para identificarmos quais provas diferenciam-se entre si, quando comparadas par a par. O nível de significância (valor de p) adotado foi de 5% (0,05).

 

RESULTADOS

Foi verificado o desempenho do GI e do GII em função motora fina, função sensorial e função perceptiva (Tabela 1). Pode-se observar que os escolares do GI apresentaram diferenças em relação ao GII em quatro provas de função motora fina, seis provas de função sensorial e três provas de função perceptiva. Esses dados indicaram que o desempenho do GI nas provas motoras avaliadas foi inferior ao desempenho do GII. Esse resultado é confirmado pela diferença no escore total obtido na comparação do desempenho entre os grupos GI e GII.

A partir dos dados que indicaram diferenças nas provas motoras, sensoriais e perceptivas entre o GI e GII, foi aplicado teste para verificar diferenças no conjunto de provas que permitem a análise da função motora fina, sensorial e perceptiva entre o GI e o GII (Tabela 2). Observa-se que o GI apresentou diferença nas provas de Função Motora Fina (FMF), de Função Sensorial (FS) e de Função Perceptiva (FP), enquanto o GII apresentou diferença nas provas de Função Motora Fina (FMF) e de Função Sensorial (FS). Tais dados demonstraram que os escolares do GI apresentaram desempenho inferior ao GII nas provas de função motora fina, sensorial e perceptiva.

A partir da verificação das diferenças nas provas avaliadas, buscou-se verificar em quais provas que compõem a avaliação da função Motora fina os escolares do GI e do GII apresentaram diferenças na comparação entre elas (Tabela 3).

 

 

Os resultados evidenciaram que nas provas de função sensorial (FS), o grupo GI apresentou diferença na prova de Função Sensorial 8 (FS8), quando comparada a prova de Função Sensorial 4 (FS4) (Tabela 4).

As comparações entre as provas de função perceptiva (FP) apresentaram médias semelhantes quando comparadas concomitantemente e, dessa forma, não houve razão para a realização da comparação par a par.

Os resultados da escala de disgrafiaapresentaram variáveis constantes, e dessa forma, demonstraram que 100% dos escolares do GI apresentaram disgrafia e 100% dos escolares do GII não apresentaram disgrafia. A disgrafia apresentada pelos escolares do GI foi caracterizada por linhas flutuantes, linhas descendentes, letras retocadas, curvaturas e angulações das arcadas das letras m, n, u e v, colisões e aderências, movimentos bruscos, irregularidade de dimensão e más formas.

 

DISCUSSÃO

Com base nos dados obtidos, pôde ser observado que os escolares com TDAH apresentaram atraso no desenvolvimento da coordenação motora fina, sensorial e perceptiva e disgrafia, corroborando a literatura nacional(13,18,25) e internacional(8,19-20). As alteraçõesmotoras finas, sensoriais e perceptivas prejudicam o desenvolvimento normal e o refinamento da coordenação motora fina durante a sequência natural do desenvolvimento. Tais alterações afetam a maneira como ocorre o aperfeiçoamento da coordenação em atividades mais complexas como a utilização de ferramentas como o lápis e a tesoura, ou mesmo, na simples utilização de maneira mais independente das mãos e dedos(13,16,26).

Como verificado nos resultados deste estudo, os escolares com TDAH apresentaram dificuldade na execução de atividades motoras finas como: prender tachinhas em cortiça, parafusar e oposição polegar-dedos; dificuldades em funções motoras sensoriais como: posição da mão, tato, diferenciar pontiagudo, estereognosia, grafoestesia e discriminação de dois pontos; e dificuldade em funções motoras perceptivas como abotoar, traçar e dar laço. Tais atividades motoras finas, sensoriais e perceptivas exigem preensão adequada, força e pressão graduadas e sincronização dos movimentos, exigindo alto grau de destreza e coordenação motora, necessária para a aquisição do grafismo. Além disso, deve haver integridade neuropsicológica, principalmente quanto à integração sensório-motora, necessária para a organização das informações exigidas para a execução dos movimentos finos(8,13,16,26-28).

Conforme descrito na literatura(5,6), o escolar com TDAH apresenta disfunções neurológicas na região dos lobos frontais (região frontal-estriatal-cerebelar). Por isso, é esperado que apresentem dificuldades compatíveis com as verificadas durante a execução das tarefas propostas na avaliação, ou seja, alterações relacionadas às funções motoras fina, sensorial e perceptiva. Esta mesma região neurológica, que se encontra disfuncionante nos escolares com TDAH, é responsável por planejar, organizar e executar o ato motor(29).

As dificuldades em aspectos da destreza manual e sensório-perceptiva em decorrência de tais déficits neurológicos justificariam os resultados obtidos na avaliação, de que todos os escolares do grupo com TDAH apresentaram alterações motoras finas, sensoriais e perceptivas e o quadro de disgrafia. Tais dados corroboram a literatura nacional(3,18,30) e internacional(17-20,21,26) indicando que esses tipos de manifestações são comumente encontrados em portadores do déficit de atenção e hiperatividade.

Estudos demonstraram que a população com TDAH apresenta alterações motoras finas, sensoriais e perceptivas, dificultando a coordenação bimanual, a destreza manual, a dissociação e precisão motora. Tais alterações justificariam a ocorrência da disgrafia nesta população(18,26).

Os achados do presente estudo sugerem que a disgrafia é um tipo de manifestação comum de ser encontrada em escolares com TDAH. Dessa forma, devemos levar em consideração que os escolares com TDAH, por apresentarem alterações nas funções responsáveis pelo desempenho práxico-produtivo das habilidades motoras finas, sensoriais e perceptivas, agravados pelo déficit neurológico característico do TDAH(7,8), podem apresentar um prejuízo significativo em seu desempenho acadêmico e social, devido ao comprometimento na aquisição e aprendizagem da linguagem escrita(4).

Estudos nacionais(3,18) e internacionais(7,8) indicam que de 10 a 34% das crianças em idade escolar não estão preparadas para o uso do desempenho eficiente em função motora fina, sensorial e perceptiva para o desenvolvimento das atividades de escrita no contexto escolar,. Assim, é necessário o desenvolvimento de atividades motoras finas e psicomotoras nestes escolares com o objetivo de minimizar os impactos negativos das alterações de motricidade fina no contexto acadêmico.

Durante o estudo, a limitação encontrada refere-se à falta de estudos nacionais sobre o assunto, o que permitiria uma análise dos critérios utilizados e a comparação dos resultados obtidos. Aliado a isso, com base nos achados desta pesquisa, sugerimos que o estudo desta temática seja ampliado para um maior número de escolares, o que possibilitará um melhor delineamento da descrição das habilidades alteradas e suas consequências para o contexto acadêmico e social.

 

CONCLUSÃO

Escolares com Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade apresentam desempenho inferior aos escolares com bom desempenho acadêmico em relação às funções motoras fina, sensorial e perceptiva. Tais dificuldades podem causar impacto significativo sobre o desempenho acadêmico, uma vez que comprometem o desenvolvimento da linguagem escrita, ocasionando disgrafia nesses escolares.

As alterações motoras finas, sensoriais e perceptivas e o quadro de disgrafia podem não ser os únicos fatores responsáveis pelas dificuldades de aprendizagem de escolares com Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade. No entanto, é certamente um dos aspectos que podem agravar o desempenho acadêmico dessas crianças.

 

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Endereço para correspondência:
Simone Aparecida Capellini
Av. Hygino Muzzy Filho, 737, Campus Universitário
Marília (SP), Brasil, CEP: 17-525-900.
E-mail: sacap@uol.com.br

Recebido em: 30/3/2011
Aceito em: 24/5/2011

 

 

Trabalho realizado no Departamento de Fonoaudiologia, Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - UNESP - Marília (SP), Brasil.