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Iheringia. Série Zoologia

versão impressa ISSN 0073-4721

Resumo

DIAS, Rafael A; GONCALVES, Maycon S. S  e  BASTAZINI, Vinicius A. G. Primeiro registro de nidificação da boininha Spartonoica maluroides (Aves, Furnariidae) no Brasil, incluindo a descrição do ninho e ninhego e notas sobre o comportamento reprodutivo. Iheringia, Sér. Zool. [online]. 2009, vol.99, n.4, pp. 449-455. ISSN 0073-4721.  http://dx.doi.org/10.1590/S0073-47212009000400017.

O único registro de reprodução de Spartonoica maluroides (d'Orbigny & Lafresnaye, 1837) no Brasil é baseado na observação de um filhote recém-saído do ninho no sul do Rio Grande do Sul em janeiro de 1976. Em 7 de dezembro de 2005, descobrimos um ninho contendo três filhotes na extremidade sudoeste da Lagoa Pequena, município de Pelotas, Rio Grande do Sul. O ninho estava oculto na base de uma cavidade dentro de uma touceira de Spartina densiflora (Poaceae) situada na margem de uma marisma. O ninho era constituído de pedaços delgados de folhas mortas de Scirpus olneyi (Cyperaceae) e S. densiflora firmemente entrelaçados às folhas da touceira. Folhas vivas de S. densiflora que orlavam a cavidade compreendiam uma parte substancial da arquitetura do ninho, constituindo a maior parte da porção superior das paredes laterais e o teto. A seção inferior era mais elaborada, similar a uma taça profunda e formando uma câmara incubatória distinta. Os adultos acessavam o ninho através de uma abertura apical de formato irregular por entre as folhas. O ninho media 244 mm de altura e 140 mm de largura. A câmara incubatória apresentava um diâmetro externo de 138,5 mm, um diâmetro interno de 79,4 mm e uma profundidade de 86 mm, sendo forrada de folhas delgadas e fibras vegetais brancas. Os ninhegos tinham de cinco a seis dias de idade. Um ninhego exibiu um total de 107 neossóptilas restritas aos tratos capital, espinal e alar. A distribuição das neossóptilas na região ocular de S. maluroides forma um padrão distinto que pode ser típico de Furnariidae e famílias afins. Dois adultos atendiam o ninho, trazendo pequenos insetos para os ninhegos e removendo sacos fecais. Registramos pelo menos 74 visitas ao ninho em um período de ca. 6 h durante uma tarde. O número médio de visitas por hora foi de 12,8 ± 1,3. Os adultos permaneceram em média 0,7 ± 0,56 minutos dentro do ninho atendendo os filhotes. O ninho permaneceu sem atendimento em média por 3,61 ± 3,13 minutos. O horário do dia não influenciou o tempo de permanência dos adultos no ninho ou longe deste. Retornamos ao local em 15 de dezembro de 2005 e encontramos o ninho abandonado. Observações confirmam que S. maluroides é um residente reprodutor no sul do Brasil e que as marismas do estuário da Lagoa dos Patos constituem um importante hábitat para a espécie durante todo o ano. Um ninhego e o ninho foram coletados para documentar o registro.

Palavras-chave : Pterilose natal; marisma; conservação; Lagoa dos Patos; Rio Grande do Sul.

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