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Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul

versão impressa ISSN 0101-8108

Resumo

MARUCCO, Norberto Carlos  e  MARUCCO, Alejandra Vertzner de. A prática analítica atual e a problemática do poder. Rev. psiquiatr. Rio Gd. Sul [online]. 2004, vol.26, n.3, pp. 259-267. ISSN 0101-8108.  http://dx.doi.org/10.1590/S0101-81082004000300002.

Os autores enfocam a prática psicanalítica atual sob o vértice do poder, e o diferenciam em poder nos sentidos verbal e substantivo. O poder verbal é a aptidão de realizar alguma coisa no sentido de "ser capaz". O poder substantivo é o domínio, a supremacia, a autoridade ou, ainda, a força, a pujança. Se o poder for substantivo ou verbal, disso resultará uma diferença de significado e também de significante. Os autores, a seguir, enunciam o poder como categoria antropológica, psíquica e social. Em continuidade, definem o que é a prática analítica atual a partir de três aproximações: os diferentes esquemas referenciais, as patologias atuais (psicossomáticas, borderline, anorexia e bulimia, etc.) e a atualidade sociocultural. Depois de demarcado o campo conceitual, os autores discorrem sobre o abuso de poder por parte do analista, que é acompanhado de uma progressiva supressão de Eros, ou seja, de uma difusão pulsional. Quando isso ocorre, a pulsão de morte se expressa através de uma idealização da transferência, que equivale ao poder substantivo, não ao poder verbal. A hipnose é o melhor exemplo desse fenômeno: o enamoramento, a transferência idealizada. Quando, ao contrário, esse poder no sentido substantivo está do lado do paciente, o analista, via contratransferência, se vê obrigado a renunciar à sua sexualidade. O analista, então, deverá proceder ao desmantelamento dessa situação infantil na qual um objeto poderoso anula o nascimento da sexualidade dentro do cenário da prática analítica. Os autores finalizam afirmando que o resultado iatrogênico do apego a um objeto, quando se instala na análise, é impedir o desenvolvimento da pulsão sexual como amor de transferência, e que a anulação da sexualidade vai gerando, na dupla analítica, relações de poder. Se isso ocorre, não importa quem triunfe, a prática analítica será inundada pela pulsão de morte.

Palavras-chave : Prática analítica; poder; pulsão; transferência; contratransferência.

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