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Revista Brasileira de Ciências Sociais
versão impressa ISSN 0102-6909
Resumo
ORTIZ, Renato. As ciências sociais e o inglês. Rev. bras. Ci. Soc. [online]. 2004, vol.19, n.54, pp. 5-22. ISSN 0102-6909. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-69092004000100001.
O presente artigo é uma reflexão sobre o predomínio da língua inglesa no contexto da globalização, analisando particularmente as implicações desse fenômeno para as ciências sociais. Na primeira parte faz-se uma análise crítica da literatura elaborada pelos lingüistas em relação à expansão da língua inglesa no mundo contemporâneo, focalizando-se particularmente a passagem do inglês como língua internacional para o inglês como língua mundial. Na segunda, discute-se a supremacia do inglês nas ciências da natureza e nas ciências sociais. O argumento central é que essas duas práticas científicas são distintas, isto é, se o inglês pode funcionar como língua franca nas ciências da natureza, isso é impossível no âmbito das ciências humanas. Nesse sentido, como a construção do objeto social se faz por meio da língua, como ele encontra-se ainda referido a um contexto histórico-geográfico específico, a produção em ciências sociais deve manter uma pluralidade de idiomas na sua confecção. Porém, se o predomínio de uma língua se impõe, isso se dá em função de uma hierarquização de poder no mercado de bens lingüísticos, no interior do qual elabora-se uma falsa aproximação entre a idéia de universal e de global.
Palavras-chave : Mundialização; Modernidade; Cultura; Identidade Nacional.












