SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.33 número1Paradoxo etário: uma análise feita por idosos brasileiros sobre o International Affective Picture System(IAPS)Preditores de recaída no segundo ano após terapia cognitivo-comportamental para pacientes com transtorno de pânico índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Revista Brasileira de Psiquiatria

versão impressa ISSN 1516-4446

Resumo

EIZIRIK, Mariana; SCHESTATSKY, Sidnei; KRUEL, Letícia  e  CEITLIN, Lúcia Helena Freitas. Contratransferência no atendimento inicial de mulheres vítimas de violência sexual. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2011, vol.33, n.1, pp. 16-22.  Epub 02-Jul-2010. ISSN 1516-4446.  http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462010005000019.

OBJETIVO: Identificar os correlatos demográficos e clínicos associados com sentimentos contratransferenciais de terapeutas na primeira consulta de mulheres vítimas de violência sexual. MÉTODO: Quarenta pacientes foram atendidas por 26 terapeutas, ao longo de dois anos consecutivos, no Núcleo de Estudos e Tratamento do Trauma Psíquico do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Brasil. Após a primeira consulta com a paciente, o terapeuta preenchia a Escala para Avaliação da Contratransferência. Os pacientes foram avaliados com a Escala Davidson de Trauma, a Standardized Assessment of Personality - Abbreviated Scale, o Inventário de Depressão de Beck, e a versão em português do Defense Style Questionaire. RESULTADOS: Os terapeutas apresentaram predominantemente sentimentos de proximidade (Mean = 5,42, SD = 1,25) em comparação aos sentimentos de indiferença (Mean = 1,82, SD = 1,22) e de distanciamento (Mean = 1,57, SD = 1,08) [p < 0,001]. As análises multivariadas revelaram a ausência de associações entre os sentimentos contratransferenciais e características clínicas dos pacientes. O gênero dos terapeutas não influenciou o padrão de sentimentos contratransferenciais. No subgrupo de terapeutas mulheres, detectamos uma correlação inversa entre alta probabilidade de transtornos de personalidade nos pacientes e sentimentos de aproximação dos terapeutas. CONCLUSÃO: Não detectamos um padrão diferencial de sentimentos contratransferenciais associados com características clínicas específicas. Terapeutas de ambos os gêneros apresentaram um padrão similar de sentimentos de empatia em relação a mulheres vítimas de violência sexual, embora o gênero do terapeuta possa moderar os sentimentos evocados por pacientes com alta probabilidade de transtornos de personalidade.

Palavras-chave : Contratransferência; Violência; Abuso sexual; Trauma; Psicoterapia.

        · resumo em Inglês     · texto em Inglês     · pdf em Inglês