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Revista Brasileira de Enfermagem

versão impressa ISSN 0034-7167

Rev. bras. enferm. vol.63 no.4 Brasília jul./ago. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0034-71672010000400008 

PESQUISA

 

Compreendendo as intenções das ações de um corpo docente multiprofissional em um curso de graduação em enfermagem

 

Understanding the intentions of actions of a multiprofessional teaching staff at a nursing undergraduate course

 

Comprendiendo las intenciones de las acciones de un cuerpo docente multiprofesional en un curso de pregrado en enfermería

 

 

Cláudia Prado; Maria Madalena Januário Leite

Universidade de São Paulo. Escola de Enfermagem. São Paulo, SP

 

 


RESUMO

O objetivo deste estudo foi compreender as intenções das ações dos docentes enfermeiros e docentes de outras áreas da saúde em um curso de graduação em enfermagem. Foram entrevistados quatro docentes de cada categoria utilizando-se a questão norteadora: O que você espera com suas ações docentes neste Curso de Enfermagem? O referencial de análise utilizado foi a fenomenologia social de Alfred Schütz. Foi desvelado que as intenções das ações desses docentes são de trabalhar com o aluno vendo-o como futuro profissional, procurando fazê-los refletir sobre seus saberes, suas atitudes e comportamentos, esperando que ele saiba pensar de forma crítica, tomar decisões e que seja tecnicamente competente. Desejam ainda colaborar no crescimento pessoal do aluno, acreditando que ser docente é ser pesquisador ajudando o aluno adquirir um olhar investigativo e tendo a intenção de fornecer conteúdos que sejam significativos para a vida pessoal e profissional dos alunos.

Descritores: Ensino superior; Docente de enfermagem; Enfermagem; Pesquisa qualitativa.


ABSTRACT

The objective of this study was to understand the intentions of actions of a nursing teaching staff and the ones from other healthcare areas at a nursing undergraduate course. Four teachers from each category were interviewed using the guiding question: What do you expect from your teaching action in this nursing course? It was used the social phenomenology by Alfred Schütz as the referential of analysis. It was revealed that the intention of actions from the teaching staff are working with the students seeing them as future professionals trying to make them reflect on their knowledge, attitudes and behaviors, hoping them to think in a critical way, make decisions and be technically competent. They also want to collaborate for the students' self-growth, believing that being a teaching staff member is being a researcher helping students to acquire investigative view and having intention to provide meaningful contends to students' personal and professional lives.

Key Words: Education, higher; Faculty, nursing; Nursing; Qualitative research.


RESUMEN

El objetivo de este estudio fue comprender las intenciones de las acciones de los docentes enfermeros y docentes de otras áreas de la salud en un curso de pregrado en enfermería. Fueron entrevistados cuatro docentes de cada categoría utilizando la pregunta norteadora:  ¿ qué espera ud. con sus acciones docentes en este Curso de Enfermería? El referencial de análisis utilizado fue la fenomenología social de Alfred Schütz. Fue develado que las intenciones de las acciones de esos docentes son trabajar con el alumno viéndolo como futuro profesional, procurando hacerlos reflexionar sobre sus saberes, actitudes y comportamientos, esperando que él sepa pensar de forma crítica, tomar decisiones  y que sea técnicamente competente. Desean, aún, colaborar en el crecimiento personal del alumno, acreditando que ser docente es ser investigador ayudando al alumno a adquirir una mirada investigativa y teniendo la intención de ofrecer contenidos que sean significativos para la vida personal y profesional de los mismos.

Descriptores: Educación superior; Docente de enfermería; Enfermería; Investigación cualitativa.


 

 

INTRODUÇÃO

Pensar em docência no ensino superior nos reporta a rever conceitos sobre a educação e os papéis dos sujeitos envolvidos neste processo de ensinar e aprender.

Educação significa um movimento de transformação interna daquele que passa de um suposto saber (ou da ignorância) ao saber propriamente dito (ou à compreensão de si, dos outros, da realidade, da cultura acumulada no seu presente ou se fazendo)(1).

Desta forma, a educação tem o papel de contribuir para que educadores e educandos transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem. É ajudar os educandos na construção de sua identidade, do seu caminho pessoal e profissional de seu projeto de vida, no desenvolvimento das habilidades de compreensão, emoção, e comunicação que lhes permitam encontrar seus espaços pessoais, sociais e profissionais e tornar-se cidadãos realizados e produtivos(2).

Portanto, preparar o novo homem do milênio que inicia é pensar a Educação de uma nova forma, é vê-la com um novo olhar. É perceber e acreditar na possibilidade de transformar informações em conhecimento, sendo este um elemento imprescindível para quem deseja encontrar as melhores soluções para os desafios do mundo moderno(3).

Em relação ao ensino da Enfermagem, o Parecer nº NE/CES 1.133/2001 do Ministério da Educação e do Conselho Nacional de Educação salienta que um dos princípios das Diretrizes Curriculares é incentivar uma sólida formação geral, necessária para que o futuro graduado possa vir a superar os desafios de renovadas condições de exercício profissional e de produção de conhecimento, permitindo variados tipos de formação e habilitações diferenciadas em um mesmo programa; estimular práticas de estudo independente, visando uma progressiva autonomia intelectual e profissional; encorajar o reconhecimento de habilidades e competências adquiridas fora do ambiente escolar; fortalecer a articulação da teoria com a prática(4).

As Diretrizes curriculares nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem traçam o perfil do formando egresso/profissional: Enfermeiro, com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva. Profissional qualificado para o exercício de Enfermagem, com base no rigor científico e intelectual e pautado em princípios éticos. Capaz de reconhecer e intervir sobre os problemas/situações de saúde-doença mais prevalentes no perfil epidemiológico nacional, com ênfase na sua região de atuação, identificando as dimensões bio-psico-sociais dos seus determinantes. Capacitado a atuar, com senso de responsabilidade social e compromisso com a cidadania, como promotor da saúde integral do ser humano(4).

Sendo este o perfil esperado dos graduandos em Enfermagem, é necessário que haja uma reflexão contínua, por parte dos docentes, de sua prática, com a intenção de analisar se esta tem vindo ao encontro das renovações em andamento no sistema educativo e sobre o que realmente esperam para seus alunos.

Assim, ao refletir sobre o cenário em que atuava como docente, um Curso de Enfermagem de uma universidade privada de São Paulo, pude identificar que os docentes enfermeiros e de outras áreas de formação possuíam uma diversificada trajetória na área do ensino. Havia desde iniciantes até professores com 25 anos de experiência na área da docência. Apesar dessa heterogeneidade, a própria prática os levava a discutir questões relativas a conteúdos, estratégias, formas mais adequadas de avaliação, relação professor-aluno compartilhando assim questões do cotidiano da sala de aula, dos laboratórios clínicos e dos campos de estágio.

Neste cenário social, tive condições de vivenciar e refletir sobre as intenções e as próprias ações docentes, surgindo então algumas inquietações: Pelo fato de os docentes enfermeiros e os de outras áreas da saúde possuírem formações diferentes, teriam eles a mesma reciprocidade na forma de agir? E quanto a seus projetos? Teriam a mesma intencionalidade? Existe uma relação de intersubjetividade entre esses sujeitos? Esses indivíduos agem de maneiras semelhantes enquanto docentes?

Neste sentido, este estudo teve por objetivo compreender as intenções das ações dos docentes enfermeiros e docentes de outras áreas da saúde de um curso de graduação em enfermagem. Esta compreensão se faz necessário para analisarmos se estas, tem sido coerentes com seu fazer docente e se estão em sintonia com o projeto político pedagógico do curso e com a filosofia da universidade que trabalham.

 

REFERENCIAL TEÓRICO

Devido à natureza das inquietações, a metodologia adotada foi a pesquisa qualitativa por compreender uma abordagem de pesquisa que enfatiza a importância de se conhecer, compreender e interpretar a natureza das situações e eventos quer sejam eles, passados ou presentes(5).

Dentre os diferentes métodos de pesquisa qualitativa existentes, a fenomenologia foi escolhida devido à congruência entre seus pressupostos e o fenômeno a ser desvelado neste estudo. Nesta modalidade o pesquisador interroga como é o fenômeno para seus sujeitos partindo do seu próprio mundo-vida. Então, reflete acerca do sentido que esse fenômeno tem para si mesmo e para aqueles com quem compartilha o mundo vivido(6).

Ao buscar um referencial filosófico na fenomenologia que me propiciasse compreender a dimensão social dos sujeitos deste estudo e sua relação com a própria prática docente, pude encontrar no filósofo Alfred Schütz o alicerce que viria a sustentar minhas inquietações. Esse referencial permite uma significação particular do vivido pelos próprios sujeitos que vivenciam o fenômeno em sua realidade social. A fenomenologia social de Alfred Schütz tem a intenção de compreender o mundo com os outros em seu significado intersubjetivo. A estrutura desses significados acontece na vivência intersubjetiva das relações sociais.

Schütz tem como proposta analisar as relações sociais tendo características particulares, onde as ações ocorrem de maneira consciente tendo um significado os sujeitos desse processo(7). Precisamos direcionar nosso olhar a partir do vivido dos sujeitos em seu cotidiano, pois são elas, enquanto pessoas que atuam, interagem e se compreendem dentro do chamado mundo social, que possibilitam o desenvolvimento do fenômeno, o conhecimento de sua existência transcendente a partir de uma perspectiva de ser-no-mundo(8).

Cabe destacar que todas as nossas ações nos levam aos motivos para os quais estamos direcionados para o outro, visando algo e os motivos porque fomos levados a esse tipo de ação.

Desta forma, a ação social pode ser interpretada como "uma conduta dirigida à realização de um determinado fim e que esta ação motivo para só pode ser interpretada pela subjetividade do ator, pois somente a própria pessoa pode definir seu projeto de ação, seu desempenho social(7).

A ação social nunca aparece isolada e tem sempre uma intencionalidade podendo ser interpretada como um motivo para que só encontra significado na subjetividade do ator. Este tipo de motivo refere-se ao futuro, algo que se pretende realizar enquanto que os motivos por que são oriundos das experiências já vivenciadas, representando as razões dos sujeitos em executar uma determinada ação, representa uma explicação posterior ao acontecimento, ao passado(9).

Nessa perspectiva, a ação social se dá na intersubjetividade do mundo comum, sustentada pela reciprocidade dos motivos, originando uma tipicidade de ações determinadas socialmente e aceitas pelos atores oriundas de costumes, hábitos, regras, crenças em determinadas situações típicas(10). Ressaltamos que é por meio da intersubjetividade é que se torna possível assimilar as experiências humanas, resultando na tipificação do senso comum.

Diante dessas considerações apresentadas sobre os conceitos de Schütz, pretendo chegar à compreensão da significação da intenção da ação social dos docentes enfermeiros e docentes de outras áreas da saúde de um Curso de Graduação em Enfermagem, buscando os motivos para, ou seja, suas intenções.

 

MÉTODO

Na intenção de compreender os motivos para em suas trajetórias, constituiu-se de interesse para esse estudo o mundo social vivido dos docentes enfermeiros e de outras áreas da saúde de um curso de graduação em Enfermagem de uma universidade privada da cidade de São Paulo. Esta escolha deve-se ao fato destes sujeitos vivenciarem o objeto de minhas inquietações.

Pela natureza da pesquisa, não foi delimitado com antecedência o número de participantes. Foram entrevistados quatro docentes enfermeiros e quatro docentes de outras áreas da saúde (um dentista, um biólogo, um nutricionista e um médico-veterinário) que foram capazes de atribuir significações às suas experiências vividas no Curso de Enfermagem. Este número de sujeitos foi delimitado quando o conteúdo de suas falas foram significativos para responder minhas inquietações, vindo ao encontro do descortinamento do fenômeno.

Buscando atender os preceitos éticos, preconizados pela Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde quando se trata de pesquisas que envolvam seres humanos, encaminhei uma carta de solicitação de coleta de dados ao Sub-Comitê de Ética em Pesquisa da instituição, onde este estudo foi realizado. O estudo foi aprovado em 10 de setembro de 2004 e mediante esta autorização, convidei todos os docentes do Curso de Enfermagem a participarem da pesquisa por meio eletrônico (e-mail) através de uma listagem dos endereços eletrônicos solicitada na secretaria do curso, entrevistando os primeiros que se disponibilizaram.

As entrevistas aconteceram em locais e horários de escolha dos entrevistados, ao quais foram informados, antes de iniciar a entrevista sobre o objetivo da pesquisa, assegurando-lhes a garantia do anonimato e a liberdade em participar ou não do estudo, sem que isso pudesse causar-lhe prejuízo de qualquer natureza. Foi ofereci-do o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e após a concordância em participar do estudo a entrevista foi iniciada utilizando a seguinte questão norteadora: O que você espera com suas ações docentes neste Curso de Enfermagem?

Os relatos foram colhidos através de gravação dos depoimentos e, posteriormente, transcritos na íntegra pela pesquisadora do estudo. O propósito foi apreender o significado dos discursos dentro da vivência global de cada um dos entrevistados e identificar as unidades de significados.

Tendo em vista a preservação do anonimato conforme lhes foi garantido, optei por denominá-los por nome de frutas do Brasil. A coleta de dados aconteceu no período de 04 a 22 de outubro de 2004. Foram utilizados os pressupostos da fenomenologia, e como base o referencial filósofo de Alfred Schütz, permitindo vislumbrar ampliar o horizonte sobre o fenômeno a ser desvelado.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Após a realização de cada entrevista, fiz a transcrição na íntegra de todo o conteúdo das gravações e a leitura individual de cada discurso com a intenção me familiarizar com o todo e apreender o sentido global da vivência desses sujeitos. Para construção das categorias, percorri os seguintes passos: leitura seqüencial, detalhada e exaustiva de cada discurso procurando identificar unidades de significado; leitura das unidades de significado agrupando-as por suas convergências para formar as categorias concretas dos vividos desses sujeitos; após a construção das categorias, foram identificadas as que expressavam os motivos para das ações dos docentes do Curso de Enfermagem; iniciou-se a análise compreensiva das categorias baseada no referencial filosófico-metodológico de Schütz dos docentes do Curso de Enfermagem(7-8,11).

Análise das Categorias

Com relação a essas categorias, foram identificados, os motivos para, presentes nos discursos dos docentes os quais apontariam os seus projetos, ou seja, as ações futuras, as expectativas, os propósitos de cada um, suas intenções. Emergiram, então, as seguintes categorias: o aluno como futuro profissional, o crescimento pessoal do aluno, o docente como pesquisador, os conteúdos. Elas são apresentadas em conjunto, considerando-se a reciprocidade dos dois sujeitos em seus discursos.

Na categoria o aluno como futuro profissional, os discursos indicam a preocupação do docente em formar um profissional que, por meio da crítica, reflita sobre seus saberes, suas atitudes e comportamentos. Deseja poder auxiliar o aluno, futuro profissional, a perceber e buscar soluções para os problemas. Tem, igualmente clareza da sua contribuição na formação do profissional, mesmo este docente não sendo enfermeiro. Acredita que o aluno deva ter um comportamento ativo em busca da própria aprendizagem para se tornar um bom profissional. Sua intenção é de que o aluno tenha capacidade de tomar decisões, que questione sua própria prática mas que também seja tecnicamente competente. Ainda espera ver um profissional que seja humanizado e com capacidade de trabalhar em equipe.

... para que eu consiga realmente chegar no que eu entendo que é o ideal: é você ter um enfermeiro capaz de pensar, alguém que seja crítico, que seja reflexivo, e criticar não é falar mal; criticar é você ser capaz de perceber e de dar soluções para os problemas. Jambo

Formar um enfermeiro que como eu gostaria de ter trabalhando comigo. Assim, bons profissionais, profissionais tecnicamente bons, mas sempre tendo esse outro lado, o lado humano, o lado de cooperação, o lado de saber trabalhar em equipe, mas especialmente de serem bons tecnicamente. Castanha-do-Brasil

É fato notório que jamais, na história da humanidade, o ser humano foi tão testado e posto à prova como nos dias de hoje. Em plena era de globalização e da informática, irá ocupar seu espaço na sociedade todo aquele que souber, exatamente o que deseja alcançar e usar a força de sua inteligência e capacidade para abrir novos caminhos e chegar aonde deseja.

Nesse panorama, cada vez mais, há uma retórica crescente sobre o papel fundamental que os professores tem quanto à formação dos novos profissionais e conseqüentemente quanto à construção da sociedade do futuro, resultando, portanto, no desempenho do seu novo papel(12). Com relação à necessidade e importância de vincular a sala de aula ao dia a dia do educador, é preciso um grande esforço do docente nessa direção, uma vez que a informação isolada não tem significado algum(13). O docente deve intermediar os processos constitutivos da cidadania dos alunos. A literatura aponta pouca eficiência à formação inicial e contínua desses professores e critica-os por não refletirem sobre a prática docente e pedagógica nos seus contextos(14).

A competência também é um quesito que faz parte do papel do professor, cabendo ao docente agir com competência, ou seja: saber tomar decisões; fazer escolhas, julgar, avaliar o que é melhor (em termos de nossas referências ou valores); correr riscos, utilizar conhecimentos ou informações como elementos importantes nesse processo; saber argumentar, enfrentar situações-problema, elaborar propostas, compreender fenômenos; participar, enfim, como sujeito ativo em um sistema complexo; mobilizar recursos e ativar esquemas (revendo ou atualizando hábitos) em um contexto de complexidade(15).

Neste sentido, nunca é demais insistir na importância dos requisitos que fazem parte do papel do professor. Assim, num mundo em transformação, a ascensão social e econômica é um desafio, sendo indispensável um perfil de eterna construção e transformação. Some-se a esses requisitos a habilidade de enfrentar crises e mudanças repentinas, pois acreditamos que o profissional deste século recém-iniciado precisará inovar sempre acreditando no seu potencial, fortalecendo seus pontos fracos, usando com maestria suas habilidades natas.

Faz-se necessário construir uma identidade docente que satisfaça a demanda e as carências de uma sociedade que exige um profissional cada vez mais qualificado. É uma construção que precisa ser feita de acordo com seu contexto; para isso, mobilizar os saberes é, então, o primeiro passo no processo de construção dessa identidade na sociedade atual(14).

Por conseguinte, é de grande importância a formação inicial voltada para a aquisição de conhecimentos e habilidades, de atitudes e valores, que permitam a construção dos "saberes-fazeres" docentes na prática do cotidiano. Investigar a própria atividade para, a partir dela, transformar os "saberes-fazeres" docentes, num processo contínuo também de construção de uma nova identidade. Os saberes da experiência dizem respeito à bagagem que os professores trazem; envolvem as suas experiências enquanto alunos na visão que tinham sobre seus docentes. São experiências adquiridas, pelo conceito social, político e financeiro da profissão docente, por atividades já desenvolvidas em sua carreira e pela reflexão das suas práticas do cotidiano. Devem ser considerados, a um só tempo, ponto de partida e ponto de chegada para essa reflexão e fundamentais na construção do processo identitário do docente(16). Os saberes do conhecimento são os que permitem a discussão em torno desses conhecimentos no contexto da contemporaneidade. Eles possibilitam aos alunos o trabalho com os conhecimentos científicos e tecnológicos, desenvolvendo habilidades para operá-los, revê-los, confrontá-los e contextualizá-los.

Desse modo, a ênfase deve recair no conhecimento e não apenas na informação. A esse respeito observa-se que uma concepção de conhecimento supõe, entre outros fatores, a relação sujeito (aluno) objeto (conteúdo), numa interação dinâmica e permanente, que se torna mais rica e efetiva de acordo com a atitude de mediação do professor.

O saber pedagógico abrange o conhecimento aliado à experiência e aos conteúdos específicos que serão construídos a partir das necessidades pedagógicas reais. Trata-se do "saber que o professor constrói no cotidiano de seu trabalho e que fundamenta sua ação docente, ou seja, é o saber que possibilita ao professor interagir como esclarecem com seus alunos, na sala de aula, no contexto da escola onde atua(16)".

"Trabalhar o conhecimento na dinâmica da sociedade multimídia, da globalização, da multiculturalidade, na formação dos alunos, também eles em constante processo de transformação cultural, de valores, de interesses e necessidades, requer permanente formação, entendida como ressignificação identitária dos professores(16)". O processo identitário "se constrói com base nos significados sociais da profissão, da revisão das tradições, pelo significado que cada professor como confere à atividade docente em seu cotidiano, por meio da discussão da questão do conhecimento como ciência e da construção dos saberes pedagógicos(17)". Resgatar a significação da dimensão técnica e política pela mediação da perspectiva ética abre a possibilidade de enfocarmos o novo papel do docente no ensino superior.

Não se forma um profissional reflexivo impondo-lhe condições ortodoxas de dar aula, e a formação do professor ainda está em busca de seu caminho no contexto das universidades(17). Portanto, ressignificar a identidade do docente nos reporta a uma análise que permeia desde a formação desses profissionais até os saberes necessários à prática pedagógica no mundo moderno. Porém, o progresso do saber docente só será possível se for realizado de forma simultânea com o seu desenvolvimento pessoal e com apoio e incentivo institucional. Estas considerações devem ser refletidas na coletividade do corpo docente, gerando um conhecimento e um crescimento mútuo entre os pares, possibilitando um avançar na prática docente. Quanto ao apoio institucional, ele pode ser considerado como um verdadeiro desafio na construção da docência no ensino superior.

Na categoria "crescimento pessoal do aluno" o docente tem a intenção de contribuir na formação de um profissional qualificado, não só do ponto de vista de conhecimentos, mas também que este aluno se torne uma pessoa mais bem capacitada sob o aspecto intelectual e cultural, e se aprimore nas relações interpessoais.

Valoriza a busca desses conhecimentos além do espaço universitário, ou seja, nos livros, na vida e, dessa forma, acredita que esses alunos vislumbrem maiores dimensões para o futuro da enfermagem. Tem como ponto de partida compreender as características dos alunos estimulando-os a crescer o mais rápido possível como profissionais e como pessoas. Especificam o desejo de ter um aluno-pessoa que "seja inteiro", bem formado, que fale bem, que saiba ler e que saiba se portar. Quer mostrar para esse aluno a importância de se ter uma boa postura profissional e ser necessário exercer uma liderança democrática e participativa frente a sua equipe.

Eu espero do fundo do meu coração que eu tenha contribuído nesses anos como docente de alguma forma; estar plantando uma semente intrigante para que esses alunos vão além, que eles vão além da sala de aula, que eles vão além dos livros, que eles consigam ir além do intra-muros da classe, da universidade; e que eles consigam perceber maiores dimensões pro futuro da enfermagem. Isso é realmente o que eu espero. Cupuaçu

Então, nesse sentido eu faço deles, tento fazer, pretensão a minha querer fazer, mostrar pra eles a importância de ser um profissional que seja inteiro, assim uma pessoa culta, uma pessoa que leia, uma pessoa que fale bem, que se porte bem, que tenha postura, que saiba chefiar sem ser rude, que saiba liderar um grupo sem ser mandão, sem ser autoritário. Acho que é isso. Castanha-do-Brasil

Assim, os docentes pesquisados caminham na direção de formar um aluno-profissional que possa ser competitivo no atual mercado de trabalho, exigente e competitivo, numa demonstração de quem acredita na valorização de pessoas possuidoras de atributos humanos tão bem desenvolvidos quanto as qualidades acadêmicas e profissionais. Procuram explicitar a importância de valores como respeito e solidariedade contextualizando o ensino no universo dos alunos. Buscam fazer a docência de forma holística, na tentativa de ajudar esses alunos a enfrentarem a vida de forma plena e equilibrada.

A reflexão sobre os relatos dos docentes me fizeram perceber que eles descrevem os conceitos de ação de Alfred Schütz. Para esse filósofo, a ação é vista como uma conduta sustentada em projetos, naquilo que se pretende alcançar. Ela está voltada para o futuro; são as intenções dos sujeitos e, por isso, é interpretada pela subjetividade dos atores.

O modo com que as pessoas ocupam o espaço de suas ações é determinado pela influência do meio sociocultural no qual estão inseridas. A idealização desses atos está fundamentada na situação biográfica que é sempre única de cada ator. Dessa forma, a ação é sempre repleta de intencionalidade; estará direcionada para a realidade social onde os sujeitos estão transitando.

Para o docente, seu papel de colaborar na formação do aluno como indivíduo faz parte de suas competências. O que se espera, na era do conhecimento exacerbado é que aflore um novo aluno, com os seguintes atributos: sujeito da sua própria formação, autônomo, motivado para aprender, disciplinado, organizado, cidadão do mundo, solidário e, sobretudo, curioso. Porém, esta é uma receita que nem sempre vai ao encontro do aluno com quem deparamos no dia-a-dia na sala de aula.

Na categoria "docente como pesquisador" a valorização da pesquisa científica é apontada pelo docente quando este espera facilitar para os alunos a compreensão de todo o processo da pesquisa e da organização de trabalhos científicos. Destaca a importância do Trabalho de Conclusão de Curso e da Iniciação Científica como pontos de partida para os níveis mais avançados da pesquisa. Preocupa-se em despertar no aluno um olhar investigativo no decorrer da sua vida profissional.

...eu espero facilitar todo esse processo da pesquisa e da montagem do trabalho e que ..., claro, isso tenha algum significado para ele depois porque o Trabalho de Conclusão de Curso é um pouco um mestrado engatinhando; você vai começar a se especializar cada vez mais e vai estudar um grão de areia no meio de uma praia. Pitanga

... eu espero que ele, ao término da Iniciação Científica, conheça a estrutura de um trabalho científico; e toda vez que ele for pesquisar alguma coisa,..., que ele saiba identificar aquelas fases do trabalho científico em tudo que ele for pesquisar. Essa é a intenção. Pitanga

Nesta categoria, apesar de declararem fazer parte de suas competências a orientação a trabalhos de pesquisa científica, apontam igualmente algumas dificuldades que encontram no desenvolvimento de projetos dessa natureza. De qualquer maneira, buscam despertar o olhar investigativo do aluno trabalhando através de um trabalho em parceria, tratando-os como colaboradores de todo o processo de ensinar e aprender.

Na categoria "conteúdos" fica clara a intenção do docente de desenvolver os conteúdos programáticos propostos pela disciplina, e que, ao final do curso, haja domínio desse conteúdo por parte dos alunos. Esse conteúdo deve ser o mais amplo possível, a ponto de permitir fortalecer a base de conhecimentos dos futuros profissionais.

O que a gente espera, primeiramente, é que ele tenha um domínio bastante grande da parte de anatomia que ele vai usar para a clínica e, além disso, trabalhar na base desse aluno,... Acerola

... a minha intenção é,... claro, a gente não vai conseguir passar tudo para o aluno, mas deixar com que ele conheça o maior número, a maior quantidade de informações possível para ele não ter a situação, assim, de sair da disciplina, ou até de terminar o curso e falar, "puxa vida!, eu nunca vi isso na minha vida". Pitanga

As falas desses discursos mostram uma ação docente voltada para a associação da prática-teoria-prática, fortalecendo assim seus saberes. Trabalham com conteúdos que sejam coerentes com a vida real, concretos e úteis, ricos de exemplos e voltados não só para os aspectos técnicos dos cuidados da saúde, como os aspectos humanos que envolvem esses cuidados. Do ponto de vista da dimensão técnica, é preciso assumir o ensino como mediação: aprendizagem ativa do aluno com a ajuda pedagógica do professor é a nova atitude esperada do docente diante das realidades do mundo contemporâneo.

Destaca que o ensino exclusivamente verbalista, a mera transmissão de informações, a aprendizagem entendida somente como acumulação de conhecimentos, não subsistem mais. Isso não quer dizer abandonar os conhecimentos sistematizados da disciplina, nem abrir mão da exposição teórica de um assunto(18). A forma de apresentar e tratar um conteúdo é aquela que ajuda o aprendiz a coletar informações, relacioná-las, organizá-las, manipulá-las, discuti-las e debatê-las com seus colegas, com o professor e com outras pessoas. Deve-se agir dessa forma até produzir um conhecimento que seja significativo para o aprendiz, que se incorpore ao seu mundo intelectual e vivencial e o ajude a compreender sua realidade humana e social, e mesmo a interferir nela(19).

A mediação pedagógica coloca em evidência o papel de sujeito do aprendiz e o fortalece como ator de atividades que lhe permitiram aprender e alcançar seus objetivos. Dá também um novo colorido ao papel do professor e aos novos materiais e elementos com que ele deverá trabalhar para crescer e se desenvolver. É o momento de organizar junto com a classe o conteúdo da disciplina relacionando-o com a realidade profissional dos alunos. Porém, são freqüentes organizações inadequadas de conteúdos e de conhecimentos ministrados em momentos impróprios ou não contextualizados a uma possibilidade de aplicação a curto prazo(20).

È preciso advertir que uma ação pedagógica centrada apenas nas informações e com uma abrangência exagerada de conteúdos, dificulta a criação de um espaço para o desenvolvimento do pensamento crítico do aluno, característica esta exigida pelo mercado de trabalho(21).

Ao processo de aprender precisam ser incluídos conhecimentos, habilidades e atitudes, devendo o professor estar atento para sua validade, ou seja, sua relação com os objetivos, seu valor prático, sua possibilidade de aplicação e sua ligação com conhecimentos anteriores do aluno, possibilitando o estabelecimento de correlações. Esses aspectos permitem realçar a importância da seleção dos conteúdos na construção sólida do conhecimento.

Acrescento ainda que é necessário optar por uma educação que não apenas valorize os conteúdos, mas que busque princípios de cidadania, de justiça social, de desenvolvimento da responsabilidade enquanto ser humano. Que não valorize só a avalanche de conteúdos programáticos, mas que caminhe na direção de despertar noções humanistas básicas.

Este processo de mudança não decorre apenas da identificação desses pressupostos no projeto político pedagógico da escola, mas a partir de iniciativas e posturas individuais e coletivas dos sujeitos envolvidos no processo de ensino aprendizagem. Para a transformação de nossas práticas, é preciso estabelecer um processo de trabalho reflexivo, problematizador e dialógico, embasado no saberes técnico e científico, que nos leve a uma conscientização sobre nosso fazer pedagógico(22).

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Vislumbrando caminhos na docência

Ao considerarmos a importância da reflexão sobre a prática docente, este estudo buscou compreender as intenções das ações dos docentes enfermeiros e dos docentes de outras áreas da saúde no contexto de um Curso de Graduação em Enfermagem.

Para tanto, a análise do estudo foi sustentada na perspectiva da fenomenologia de Alfred Schütz. Essa compreensão foi facilitada pelo fato de eu também ser docente, de fazer parte do mesmo cenário social dos sujeitos do estudo e de ter uma situação biográfica semelhante.

A compreensão do vivido dos sujeitos permitiu apreender a reciprocidade e a intersubjetividade que permearam os discursos dos docentes do Curso de Graduação em Enfermagem, no que diz respeito aos "motivos para" da sua prática docente.

O fenômeno desvelado nas falas dos sujeitos possibilitou a construção do mesmo tipo vivido dos docentes enfermeiros e de outras áreas da saúde: construção de um ideal, como aquele que vê o aluno como futuro profissional, que deseja colaborar no crescimento pessoal do aluno, que acredita que ser docente é ser pesquisador e que tem ainda a intenção de fornecer os conteúdos programáticos propostos pela disciplina, esperando que haja domínio desse conteúdo por parte dos alunos, os quais irão fortalecer a base de conhecimentos desses futuros profissionais.

Possibilitou ainda revelar a preocupação dos docentes com sua a formação didático-pedagógica além da sua apropriação dos saberes em seus aspectos éticos e políticos, sua formação contínua. Preocupação também com a necessidade de participar de programas de atualização docente e de aperfeiçoamento pedagógico e com a possibilidade de constante presença em congressos e conferências. Declararam ainda em seus discursos que, muitas vezes, não se sentiam valorizados pela instituição na qual trabalhavam, motivo de um descontentamento pessoal e profissional que deve ser levado em consideração quando analisamos sua prática pedagógica.

O fato de termos constatado as mesmas intenções entre os docentes enfermeiros e os docentes das demais áreas da saúde, provavelmente se deu por fazerem parte de um mesmo mundo social dando a entender convergências na intencionalidade deles ao praticarem e projetaram as suas ações.

Uma evidência ficou constatada: ser docente é fator determinante na ação desses sujeitos, independentemente de sua formação acadêmica. Eles vivenciam a intersubjetividade na relação face a face, surgindo então uma só tipificação, pois vimos que há reciprocidade nas falas dos sujeitos demonstrando uma atitude natural semelhante entre eles. Para tanto, é essencial a real valorização do profissional pelas instituições de ensino superior qualificando seus docentes, criando espaços e momentos formais para discussões das questões educacionais, possibilitando um fortalecimento de sua bagagem de conhecimentos e colaborando para a realização profissional de cada um.

Deixo aqui declarada minha firme crença de que é necessária uma revisão da identidade do docente universitário, particularmente na área de Enfermagem, que é o nosso cenário social atual em que ele trabalha. Para isso, é importante que os próprios docentes, de um lado, desejem refletir sobre seu papel e de outro, que as universidades promovam oportunidades para essa reflexão. Acredito que a reciprocidade das ações desses sujeitos reforça a importância da composição de um corpo docente multiprofissional, validando o conceito da interdisciplinaridade no projeto político-pedagógico. Esse dado, pois, desmistifica a idéia de que o fazer dos docentes enfermeiros é diferente do fazer dos docentes de outras áreas da saúde já que ambos possuem as mesmas intenções desveladas neste estudo.

Concluo admitindo que meus motivos para, a partir deste estudo, estão direcionados para a busca de um pensar e um fazer que abranjam as competências técnicas, ético-políticas, interpessoais e um olhar para o corpo docente que revela a mesma intencionalidade no seu agir, pois minha situação biográfica de ser docente reivindica essas percepções e esses saberes.

 

REFERÊNCIAS

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Submissão: 26/02/2009
Aprovação: 08/06/2010

 

 

AUTOR CORRESPONDENTE Cláudia Prado. Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo. Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 419. Pinheiros. CEP 05403-000. São Paulo, SP. E-mail: claupra@usp.br

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