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Revista Brasileira de Enfermagem

versão impressa ISSN 0034-7167versão On-line ISSN 1984-0446

Rev. Bras. Enferm. vol.70 no.4 Brasília jul./ago. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0098 

PESQUISA

Avaliação da segurança do idoso hospitalizado quanto ao risco de quedas

Nathalia de Araújo SargesI  II 

Maria Izabel Penha de Oliveira SantosI  II 

Emanuele Cordeiro ChavesII  III 

IUniversidade do Estado do Pará, Programa de Pós-Graduação Mestrado Associado em Enfermagem. Belém-PA, Brasil.

IIUniversidade do Estado do Pará, Grupo de Ensino, Pesquisa e Extensão Sobre o Envelhecimento e Saúde do Idoso da Amazônia. Belém-PA, Brasil.

IIIUniversidade Federal do Pará, Programa de Pós-Graduação em Doenças Tropicais. Belém-PA, Brasil.

RESUMO

Objetivo:

Avaliar a segurança do idoso hospitalizado quanto ao risco para quedas segundo os parâmetros da Morse Fall Scale.

Método:

Estudo epidemiológico, transversal, prospectivo, descritivo com n = 75.

Resultados:

Média de idade de 71,3 anos (DP±8,2); 58,7% do sexo masculino; 44% com baixa escolaridade; 38,7% internados por doenças cardiovasculares; média de internação de 10 dias (DP±9,38); 78,7% com comorbidades; 61,3% com a circunferência da panturrilha ≥ 31cm; 62,7% eram ex-fumantes havia mais de 10 anos; 65% não ingeriam bebida alcoólica; 100% não possuíam pulseira de identificação; 22,7% possuíam nomes similares na enfermaria; 48% ingeriam até cinco medicamentos; 93,3% receberam algum procedimento invasivo, principalmente a punção de vaso (65,3%). Houve risco elevado para quedas em 52% dos idosos.

Conclusão:

Os resultados apontaram risco iminente da quebra de segurança do paciente, ressaltando a necessidade de implementação de protocolos e escalas preditivas, como a escala de Morse.

Descritores: Idoso; Segurança do Paciente; Acidentes por Quedas; Cuidados de Enfermagem; Enfermagem Geriátrica

INTRODUÇÃO

O Brasil é um dos países que compõem a Aliança Mundial para a Segurança do Paciente. Em 2013, o Ministério da Saúde elaborou e divulgou a Portaria 529, que instituiu o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), a qual define os conceitos relevantes na área e as principais estratégias para a implementação do PNSP(1).

Sabe-se que, em solo brasileiro, estão instalados mais de 200 mil estabelecimentos assistenciais de saúde, nos quais os doentes são expostos rotineiramente às tecnologias em saúde e às intervenções dos profissionais de assistência, estando sujeitos, portanto, aos eventos adversos - EAs. O evento adverso é um incidente que resulta em dano não intencional decorrente da assistência e não relacionado à evolução natural da doença de base do paciente(2).

Dentre as estratégias para redução dos incidentes de segurança, a prevenção de quedas durante a hospitalização é uma das metas estabelecidas pelo PNSP(1). As quedas durante a internação são uma das ocorrências mais importantes na quebra da segurança do paciente e são frequentemente responsáveis pelo aumento do número de dias de hospitalização e piores condições de recuperação. Além disso, as quedas não se distribuem uniformemente nos hospitais, sendo mais frequentes nas unidades com concentração de pacientes idosos, na neurologia e na reabilitação. Assim, esse tem sido um tópico de investigação, estudo e intervenção nas instituições de saúde(3).

Existem diversas escalas construídas para avaliação de risco de quedas, como a Escala de Equilíbrio Funcional de Berg (EEFB), que avalia o desenvolvimento de tarefas funcionais; a Escala Timed Up and Go (TUG), a qual avalia mobilidade básica da pessoa; e a Morse Fall Scale, que se destaca pela aparente simplicidade de seus itens de avaliação, sendo recomendada pela PNSP(1,4).

A Morse Falls Scale é uma escala originada na língua inglesa, de autoria de Janice Morse, em 1989, que autorizou, em 2013, a tradução, adaptação e validação no Brasil. Essa escala avalia os riscos de quedas como potencial agravante na segurança do idoso hospitalizado e possui seis domínios (histórico de quedas, diagnóstico secundário, auxílio na deambulação, uso de dispositivos intravenosos, marcha e estado mental)(4).

Os idosos consomem mais serviços de saúde, as internações hospitalares são mais frequentes, e o tempo de ocupação do leito é maior do que o de outras faixas etárias, sem que isso se reverta em seu benefício. Em geral, as doenças dos idosos são crônicas e múltiplas, perduram por vários anos e exigem acompanhamento médico e de equipes multidisciplinares permanentes e internações frequentes(5).

Nesse contexto, o foco principal deste estudo foi a avaliação da segurança do idoso hospitalizado quanto ao risco de quedas, tendo em vista a grande demanda de idosos que procuram assistência nas instituições de média e alta complexidade e as implicações que as internações prolongadas podem trazer à sua saúde. O estudo teve como objetivo avaliar a segurança do idoso hospitalizado quanto ao risco para quedas segundo os parâmetros da Morse Fall Scale.

MÉTODO

Aspectos éticos

A pesquisa foi submetida e aprovada por dois comitês de ética em pesquisa com seres humanos, o da Universidade do Estado do Pará (UEPA) e o do hospital onde o estudo foi realizado. Os idosos e seus acompanhantes assinaram o Termo de Consentimento Livre Esclarecido, conforme recomenda a Lei nº 466/2012.

Desenho do estudo, local do estudo e período

Estudo de cunho epidemiológico, transversal, prospectivo e descritivo. Foi realizado em um hospital público em Belém/Pará. As enfermarias elegíveis para avaliação dos idosos foram a de clínica médica e a de cardiologia, por receberem maior número de pacientes na faixa etária de 60 anos ou mais. A coleta de dados ocorreu no período de junho de 2015 a julho de 2016.

População e amostragem, critérios de inclusão e variáveis

Foram selecionados para o estudo idosos que estiveram hospitalizados por mais de 72 horas. A delimitação da amostra deu-se com base no número de internações ocorridas em 2014, N = 216 idosos; após o cálculo amostral (n = N.no/N+ nº, onde nº = 1/E2)(5); considerando-se valor alfa de 10%, obteve-se amostra estimada de n = 68 idosos, e a amostra final foi de n = 71 idosos. As variáveis independentes do estudo foram divididas em sociodemográficas: idade, sexo, procedência, renda e nível de escolaridade; epidemiológicas, de saúde: motivo da internação, número de reinternações, tempo de internação, comorbidades, complicações, procedimento invasivo, tabagismo, etilismo, circunferência da panturrilha, número de medicamentos em uso, pulseira de identificação, nomes similares na enfermaria; e a variável-desfecho foi o "risco de quedas" conforme o escore da escala de Morse Fall Scale.

Protocolo do estudo

Para a coleta de informações, utilizou-se dois protocolos. O primeiro foi construído pelos pesquisadores deste estudo e contemplava as variáveis sociodemográficas, epidemiológicas e da saúde. O segundo protocolo era a escala de avaliação do risco de quedas, ou seja, Morse Fall Scale.

As variáveis sociodemográficas, epidemiológicas e da saúde foram obtidas da consulta ao prontuário individual dos idosos. Do prontuário, também foram retiradas as informações para preencher os itens 1 e 2 da Morse Fall Escale; os demais itens da escala foram observados na enfermaria e registrados no protocolo da pesquisa (Figura 1). Os parâmetros de avaliação da escala obedecem aos seguintes domínios (histórico de quedas, diagnóstico secundário, auxílio na deambulação, uso de dispositivos intravenosos, marcha e estado mental), cada domínio avaliado recebe uma pontuação que varia de 0 a 30 pontos, totalizando um escore de risco, cuja classificação é a seguinte: risco baixo 0-24; risco médio, 25-44; e risco alto ≥45(4).

Fonte: Escala adaptada e traduzida para língua portuguesa por Urbanetto, 2013(4)

Figura 1 Morse Fall Scale validada no Brasil, 2013 

Análise dos dados e estatística

Para análise dos dados obtidos, foi construído um banco de dados eletrônico no programa estatístico SPSS, versão 24.0. Em seguida, esses dados foram tratados estatisticamente por testes paramétricos e não paramétricos, como distribuição de frequência simples, medidas de dispersão (média e desvio-padrão), considerando-se o p valor ≤ 0,10.

RESULTADOS

A maioria dos idosos estavam na faixa etária entre 60 e 70 anos, eram do sexo masculino, provenientes de Belém; houve predomínio daqueles que recebiam até um salário mínimo e com baixo nível de escolaridade (Tabela 1).

Tabela 1 Dados sociodemográficos dos idosos que participaram do estudo, Belém, Pará, Brasil, 2016 (N = 75) 

Variáveis f %
Sexo
Masculino 44 58,7
Feminino 31 41,3
Faixa etária
60-70 39 52,0
71-80 28 37,3
81-90 08 10,7
Média (71,3)Desvio-Padrão (± 8,2)
Procedência
Belém 43 57,3
Outros municípios 32 42,7
Possui renda
Sim 57 85,1
Não 10 14,9
Rendimento
Até 1 salário 45 60,0
1-3 salários 17 22,7
4 ou + salários 4 5,3
Escolaridade
Nunca estudou 12 16,0
1 a 3 anos de estudo 33 44,0
4 a 8 anos de estudo 24 32,0
9 anos de estudo ou mais 06 8,0

Fonte: Prontuário individual.

De acordo com a Tabela 2, destaca-se que, na maioria dos idosos da amostra, a principal causa de internação foram doenças do sistema cardiovascular. Entre as comorbidades, a hipertensão foi a mais prevalente. Houve alteração da circunferência da panturrilha em cerca de 40% dos idosos; 57,3% dos idosos foram fumantes de longa data.

Tabela 2 Dados epidemiológicos e da saúde dos idosos que participaram do estudo, Belém, Pará, Brasil, 2016 (N = 75) 

Variáveis f %
Motivo da internação
Doenças do sistema cardiovascular 29 38,7
Doenças do sistema gastrointestinal 25 33,3
Doenças do sistema respiratório 06 08,0
Doenças de outros sistemas* 15 20,0
Comorbidades
Sim 59 78,7
Não 16 21,3
Tipo de comorbidades
HAS** 22 29,3
DM** 07 09,3
HAS+DM 26 34,7
Outros 04 05,3
Complicações durante a internação
Sim 16 21,3
Não 59 78,7
Tipo de complicação
Infecção 6,0 8,0
Lesão por pressão 3,0 4,0
Outros*** 7,0 9,3
Tipo de procedimento cirúrgico
Amputação 01 1,3
Colostomia 01 1,3
Apendicectomia 01 1,3
Traqueostomia 01 1,3
Circunferência da panturrilha****
< 31 cm 29 38,7
≥ 31cm 46 61,3
Número de internações
1-3 62 82,7
4-6 11 14,7
> 6 02 2,7

Fonte: Prontuário individual.

Notas:

*Doenças de outros sistemas: Diabetes mellitus descompensada, Dor a esclarecer, Erisipela Bolhosa, Infecção a esclarecer, Septicemia, Anemia Aplástica, Síndrome Hemorrágica, Osteomielite, Pênfigo.

**HAS = Hipertensão Arterial Sistêmica, DM = Diabetes Mellitus;

***Outros tipos de complicações: Delirium, Cirrose Hepática, Dispneia, Convulsão, Síndrome da Imobilidade, Hemorragia;

****Avaliado no idoso.

Como observado na Tabela 3, as pulseiras de identificação do paciente estavam ausentes em 100% dos idosos, assim como a similaridade de nomes estava presente na mesma enfermaria em cerca de 22,7% dos casos. Faziam uso de polifarmácia cerca de 52%. Dos idosos, 93,3% foram submetidos a algum tipo de procedimento invasivo, entre eles a punção de algum vaso (65,3%).

Tabela 3 Distribuição das variáveis relacionadas com a segurança dos pacientes idosos durante a hospitalização, Belém, Pará, Brasil, 2016 (N = 75) 

Variáveis f %
Pulseira de identificação
Sim 0 0,00
Não 75 100
Nomes similares na mesma enfermaria
Sim 17 22,7
Não 58 77,3
Número de medicamentos
1-5 36 48,0
6-10 26 34,7
> 10 13 17,3
Recebeu procedimento invasivo
Sim 70 93,3
Não 05 06,7
Tipo procedimento invasivo
Punção de vaso 49 65,3
Cateter vesical 14 18,7
Cateter gástrico 03 4,0
Outros 04 5,3

Fonte: Prontuário individual.

Na Tabela 4, observa-se que, segundo os parâmetros da escala de Morse, houve risco elevado para quedas na maioria dos idosos da amostra.

Tabela 4 Classificação dos idosos quanto ao risco de quedas pela Escala de Morse durante a hospitalização, Belém, Pará, Brasil, 2016 (N = 75) 

Variável f %
Morse Escore*
Baixo risco 14 18,7
Risco moderado 22 29,3
Risco elevado 39 52,0
Total 75 100

Notas:

*Pontuação da escala: 0-24, baixo risco; 25-44, risco moderado; > 45 risco elevado

DISCUSSÃO

Os resultados deste estudo apontaram que a amostra dos idosos apresentou a média de idade de 71,3 anos, resultado semelhante a outros trabalhos realizados com idosos hospitalizados no Estado do Pará e na Região Nordeste(6-7). Em contrapartida, em pesquisas feitas com idosos hospitalizados no Rio Grande do Sul, a média de idade foi de 81 anos(8). Essa diferença entre as regiões ocorre porque nas Regiões Norte e Nordeste, apesar do contínuo envelhecimento observado nas duas últimas décadas, ainda há uma estrutura bastante jovem, devido aos altos níveis de fecundidade no passado. Por outro lado, a Região Sul é a área com a menor concentração de jovens. O Rio Grande do Sul é o líder entre os estados com maior número de idosos: quase 20% de seus habitantes têm mais de 60 anos, além de possuírem maior expectativa de vida(9).

Sobre a relação entre idade e risco de quedas, a idade acima de 60 anos é considerada como maior fator de risco importante para queda e para as lesões decorrentes do evento. Isso pode ser explicado pelas alterações do processo fisiológico do envelhecimento que são preditoras de quedas, tais como: problemas na mobilidade física, incluindo a instabilidade postural e alteração da marcha, diminuição da capacidade funcional, cognitiva e visual. Além disso, as doenças crônico-degenerativas e o uso concomitante de vários medicamentos são condições comuns nos idosos e que também podem aumentar o risco de cair(10). Reforçando a associação entre idade e risco de quedas, o Diagnóstico de Enfermagem da NANDA Internacional - NANDA I considera a idade acima de 65 anos para o diagnóstico de enfermagem "risco de quedas"(11).

A maioria dos idosos da amostra era do sexo masculino (58,7%), resultado semelhante ao encontrado em outros estudos com idosos hospitalizados(08,12). O predomínio de homens hospitalizados pode ser explicado por diversos fatores, dentre eles, o fato de haver uma busca significativamente maior das mulheres pela Atenção Primária à Saúde, o que pode ser justificado pelos valores de masculinidade culturalmente construídos, por aspectos ligados ao trabalho e ao modo de funcionamento dos serviços de saúde e suas equipes. Além disso, a maior frequência de internação de idosos do sexo masculino pode estar relacionada com a prática de atitudes negativas pelos homens, tais como os hábitos de beber e fumar, a falta de exercícios físicos e a busca tardia por assistência médica(9,13).

Em estudos realizados na comunidade, o sexo que aparece mais frequentemente como preditor de quedas é o feminino, ao passo que, em hospitais, os resultados são variados com relação à maior prevalência de quedas entre os sexos(14).

A maioria dos idosos deste estudo era procedente de Belém, com renda de até um salário mínimo. O nível de renda dos idosos constitui um poderoso determinante social de saúde que, inter-relacionado com moradia precária, insegurança alimentar e medicamentosa, entre outros, pode afetar negativamente a saúde dos idosos brasileiros e tornar-se um dos principais fatores de morbidade prematura e mortalidade; e que provavelmente concorra para aumentar as estatísticas de atendimento em nível de média e alta complexidade na atenção em saúde(15).

Quanto à escolaridade, 41,8% dos idosos possuíam de 1 a 3 anos de estudo, resultado semelhante ao encontrado em outros estudos no Estado do Pará e em outros estados do Brasil(4,16-18). Os idosos com baixos níveis de instrução preocupam-se menos com cuidados de saúde, além de terem menor capacidade de envolvimento na recuperação da saúde, o que acaba aumentando o risco de quedas. A escolaridade possui ligação indireta com o risco de quedas em idosos, por estar relacionada ao estilo e à qualidade de vida do indivíduo, e esses fatores predispõem ao risco de quedas(19-20).

Neste estudo, 38,7% dos idosos foram internados por doenças do sistema cardiovascular; e do sistema gastrointestinal, 33,3%. Dentre as doenças cardiovasculares, houve predomínio da insuficiência cardíaca congestiva - IC, 34,7%. Pelos resultados, observou-se que as comorbidades mais prevalentes foram a hipertensão arterial e o diabetes mellitus. Estudos com idosos hospitalizados no Brasil, em sua maioria, apresentam as doenças do sistema cardiovascular como a principal causa de internação(4,8,16,18). As doenças do aparelho circulatório são a principal causa de internação de idosos na rede pública e hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde - SUS e são destacadas como a primeira causa de óbito dessa população(21).

Estudo ecológico identificou, nos últimos 50 anos, aumento da taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares nas Regiões Norte e Nordeste, concomitantemente à sua diminuição no Sul, Sudeste e Centro-Oeste; os autores relacionam essa elevação de mortalidade à melhoria na qualidade da informação, resultado do incremento das ações de vigilância e assistência à saúde nessas regiões(22).

Um estudo de metanálise sobre a relação entre hipotensão ortostática e IC, com um total de 51.270 indivíduos e 3.603 casos incidentes de IC, sugeriu que a associação entre hipotensão e incidência de IC parecia ser significativa em indivíduos de meia-idade com hipertensão e/ou diabetes, mas não significativa nos indivíduos idosos sem hipertensão ou diabetes. Os resultados dos autores corroboram os deste estudo, onde os idosos possuíam como principal motivo de internação a IC e como principais comorbidades a hipertensão e o diabetes mellitus, o que parece ter influenciado no risco elevado para quedas(23).

De acordo com a NANDA-I, as alterações decorrentes dos problemas cardiovasculares estão incluídas no fator de risco para o diagnóstico de enfermagem "risco de queda", no domínio denominado "alterações fisiológicas". A NANDA-I considera a presença de doença vascular, hipotensão ortostática, presença de doença aguda e vertigem como fatores de risco para queda(11).

Entre os idosos da amostra, as principais complicações foram infecções e lesões por pressão, que estavam presentes em 12% dos idosos hospitalizados, e são consideradas eventos adversos em saúde. O número elevado de flebites e o desenvolvimento exacerbado de lesões de pressão, em uma unidade de internação clínica, podem estar associados ao número inadequado de profissionais de enfermagem para atender as necessidades de cuidados dos pacientes, ou seja, a falta de recursos humanos no serviço de saúde está relacionada ao aumento de lesões, principalmente entre os idosos(24).

Dentre os idosos da amostra, 82,7% já haviam sido hospitalizados pelo menos três vezes, com média de 10 dias de internação. O tempo de hospitalização e a reinternação são considerados fatores de risco importantes para a perda funcional em idosos. Estudo realizado em Chicago, com idosos, antes e depois da hospitalização, identificou que o nível de declínio cognitivo de muitos dos pacientes mais velhos aumentou significativamente após uma estada no hospital, afetando seu raciocínio e memória. É normal que haja alguma perda nessa fase da vida, mas nos idosos hospitalizados ela mais do que dobrou. De acordo com os autores, do ponto de vista cognitivo, depois da hospitalização, foi como se as pessoas ficassem 10 anos mais velhas do que eram, sobretudo as que já apresentavam algum declínio cognitivo e doenças crônicas mais graves(25).

Quanto aos hábitos de fumo, 62,7% dos idosos eram ex-fumantes; com tempo de tabagismo maior que 10 anos, 44%. Em estudo realizado no Estado de São Paulo, a prevalência de fumantes foi maior entre os homens, que não praticavam atividade física e que apresentaram história de acidente vascular cerebral, câncer e doença pulmonar crônica(26). Em relação consumo de bebida alcoólica, 65,3% não ingeriam. No entanto, entre os que afirmaram consumir bebida alcoólica, 20% disseram realizar ingesta frequentemente. Os idosos que consomem bebida alcoólica estão mais propensos a quadros de depressão e irritabilidade; o alcoolismo altera a função hepática do idoso, levando à cirrose hepática e insuficiência hepática, além de aumentar o risco para quedas e morte(27).

Neste estudo, observou-se que o hospital não utilizava pulseiras de identificação nos idosos durante o período de hospitalização. Além disso, 17% possuíam nomes similares ou idênticos na mesma enfermaria. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA, pacientes com nomes iguais ou semelhantes, quando internados no mesmo quarto, são fontes prováveis de incidentes relativos à troca de medicamentos, exames, procedimentos cirúrgicos e troca de informações na passagem de plantão. O próprio paciente também pode ser a causa da ocorrência de erros, pelo uso de documentos de outras pessoas para acessar o serviço ou mesmo pelo fornecimento de informações imprecisas quando questionados acerca de seu nome(2).

Quanto ao número de medicações utilizadas pelos idosos, 48% possuíam de 1 a 5 medicações prescritas para uso. O Centro Ibero-Americano para a Terceira Idade considera o consumo de cinco ou mais medicamentos como polifarmácia(28). Estudo de coorte prospectivo realizado com idosos internados em unidades de clínica médica, de três hospitais do Mato Grosso, encontrou entre os preditores para quedas durante a internação a baixa escolaridade, a polifarmácia e o uso de laxativos e antipsicóticos(20).

Cerca de 93,3% dos idosos realizaram algum tipo de procedimento invasivo durante a hospitalização e, entre eles, o principal foi a punção para dispositivo intravenoso ou venóclise. O uso de dispositivos intravenosos tem o potencial de causar dano ao paciente e está associado à morbidade e mortalidade, especialmente durante a internação hospitalar, pois é propício à contaminação direta ou indireta do paciente por microrganismos e à infecção, que é uma das principais e mais graves iatrogenias(29).

Os resultados apontaram: cerca de 52% dos idosos internados que fizeram parte deste estudo tinham risco elevado para quedas de acordo com o escore da escala de Morse. Na Coreia do Sul, encontraram 50% de pacientes com elevado risco de quedas(30). Em estudo realizado com pacientes dos 18 aos 88 anos em hospital da Espanha, avaliou-se o risco de quedas e depois as quedas ocorridas ao longo da internação. Os autores encontraram apenas 19% de pacientes com elevado índice de quedas pela escala de Morse, no entanto, ao avaliar as quedas que ocorreram, 52,8% foram nos idosos avaliados, o que indica a necessidade de monitoramento da equipe de enfermagem, bem como da implantação de medidas preventivas(31).

Em estudo realizado em Porto Alegre, o risco elevado e o moderado para quedas associaram-se à ocorrência de quedas, demonstrando que elas, no ambiente hospitalar, são passíveis de prevenção por meio da identificação a partir da escala de Morse(32).

Limitações do estudo

A principal limitação encontrada no desenvolvimento do estudo foi a amostra ser pequena, devido ao período longo de permanência do idoso no hospital, o que limita a generalização dos resultados. Mas, apesar disso, acredita-se que os resultados deste estudo possam incentivar novas pesquisas na área da enfermagem gerontológica e da segurança do paciente.

Contribuições para a área da enfermagem, saúde ou política pública

O protocolo de avaliação de risco de quedas utilizado demonstrou-se prático e rápido para aplicação pelo enfermeiro em idosos e de baixo custo para o ambiente hospitalar. Ressalta-se que a avaliação e gerenciamento de risco de quedas em pacientes idosos hospitalizados pela enfermagem pode ser capaz de reduzir significativamente a mortalidade, as reinternações, o tempo de permanência, além de custos individuais e institucionais. Os resultados deste estudo podem incentivar novas investigações na área de segurança do paciente e na gestão da qualidade do cuidado.

CONCLUSÃO

Os idosos participantes do estudo apresentaram alto risco para quedas. É possível identificar que a avaliação de risco para quedas dos pacientes hospitalizados, por meio da escala de Morse, tende a acrescentar aos cuidados de enfermagem e auxilia na primeira fase do processo de enfermagem, servindo de subsídio para as fases subsequentes, além de qualificar a assistência prestada pela equipe e, consequentemente, os índices de qualidade do hospital.

Com base nos resultados encontrados, recomenda-se que as equipes de saúde dos hospitais sigam as medidas de prevenção de quedas em pacientes hospitalizados, sendo importante a implementação de protocolos e escalas preditivas, como a escala de Morse, que utilizem um fluxograma de risco. Também é relevante o relatório de quedas, para que possam ser identificadas, além das causas intrínsecas, as causas específicas do hospital, como o ambiente e a atuação dos profissionais, e para que a cultura da segurança do paciente possa ser amplamente divulgada.

Ressalta-se que a prevenção e manejo do risco de quedas em idosos estão diretamente ligados ao cuidado de enfermagem. As pesquisas e a educação continuada na área de quedas em idosos no ambiente hospitalar podem tornar o enfermeiro expert nessa temática, melhorando a qualidade da formação dos profissionais, bem como o nível de evidência para a assistência aos idosos.

FOMENTO

O Projeto é Financiado pela Chamada Universal MCTI/CNPQ Nº 14/2014. Processo 45157/2014-3.

REFERÊNCIAS

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Recebido: 14 de Fevereiro de 2017; Aceito: 19 de Abril de 2017

AUTOR CORRESPONDENTE: Nathalia de Araujo Sarges. E-mail: nathdream@hotmail.com

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