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Revista Brasileira de Enfermagem

versão impressa ISSN 0034-7167versão On-line ISSN 1984-0446

Rev. Bras. Enferm. vol.71 no.3 Brasília maio/jun. 2018

https://doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0277 

PESQUISA

Arqueologia discursiva: os saberes constitutivos de enfermeiras militantes em entidades de classe

Deybson Borba de AlmeidaI 

Gilberto Tadeu Reis da SilvaI 

Genival Fernandes de FreitasII 

Maria Itayra PadilhaIII 

Igor Ferreira Borba de AlmeidaI 

IUniversidade Federal da Bahia. Salvador-BA, Brasil.

IIUniversidade de São Paulo, Escola de Enfermagem. São Paulo-SP, Brasil.

IIIUniversidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde. Florianópolis-SC, Brasil.


RESUMO

Objetivo:

Analisar os saberes constitutivos de enfermeiras militantes em entidades de classe.

Método:

Pesquisa histórica, baseada no método de história oral, de abordagem qualitativa realizada com 11 enfermeiras que militaram/militam pelas questões profissionais desde a década de 1980 no estado da Bahia. Os dados coletados por meio de entrevistas semiestruturadas foram organizados no software n-vivo 10 e analisados com base na hermenêutica dialética.

Resultados:

Identificados os saberes pedagógico, administrativo, saúde coletiva, sociológico e de formação sindical como saberes constitutivos de sujeitos militantes.

Considerações finais:

Os saberes constitutivos de enfermeiras militantes estão inscritos nas Ciências Sociais, distanciados do saber e do poder biomédico, apontando caminhos para estruturação dos currículos de enfermagem. Identificou-se a Associação Brasileira de Enfermagem como um espaço de formação política.

Descritores: Enfermagem; Política; Liderança; História da Enfermagem; Enfermeiras

ABSTRACT

Objective:

To analyze the constituting knowledge of militant nurses in trade associations.

Method:

Historical research, based on the oral history method, with a qualitative approach carried out with 11 nurses who are/were militants for professional issues since the 1980s in the state of Bahia. The data collected through semi-structured interviews were organized in the software n-vivo 10 and analyzed based on dialectical hermeneutics.

Results:

We identified pedagogical, administrative, public health, sociological, and trade union background knowledge as constituent of militant individuals.

Final considerations:

The constituting knowledge of militant nurses are inscribed in the Social Sciences, distanced from biomedical knowledge and power, pointing at ways for structuring nursing curricula. We identified the Brazilian Association of Nursing as a space for political formation.

Descriptors: Nursing; Politics; Leadership; History of Nursing; Nurses

RESUMEN

Objetivo:

Analizar los saberes constitutivos de enfermeras militantes en entidades de clase.

Método:

Investigación histórica, basada en el método de historia oral, de enfoque cualitativo realizada con 11 enfermeras que militaron o militan por las cuestiones profesionales desde la década de 1980 en el estado de Bahía. Los datos recogidos mediante entrevistas semiestructuradas se organizaron en el programa informático n-vivo 10 y se analizaron con base en la hermenéutica dialéctica.

Resultados:

Se identificaron los saberes pedagógicos, administrativos, de salud colectiva, sociológicos y de formación sindical como saberes constitutivos de sujetos militantes.

Consideraciones finales:

Los saberes constitutivos de enfermeras militantes están inscritos en las Ciencias Sociales, alejados del saber y del poder biomédico, señalando caminos para la estructuración de los currículos de enfermería. Se identificó a la Asociación Brasileña de Enfermería como un espacio de formación política.

Descriptores: Enfermería; Política; Liderazgo; Historia de la Enfermería; Enfermeras

INTRODUÇÃO

No Brasil, são recentes e incipientes os estudos sobre engajamento militante, sendo a maioria, pesquisas desenvolvidas na década de 1990 e provenientes das áreas de Educação e de Ciências Sociais. Esta lacuna representa uma fragilidade para delinear um panorama aprofundado na temática de engajamento político na enfermagem no país(1).

Entendemos militância como uma forma de participação política engajada e crítica, por meio da qual são desenvolvidas ações em prol da conscientização da população. Ao exercê-la, busca-se desenvolver novos valores que possibilitem as pessoas a se organizarem e lutarem para a construção de uma sociedade justa, digna e democrática(2).

No campo da Saúde, a militância se expressa na possibilidade do encontro entre trabalhadores, gestores e usuários, em momentos de promoção e prevenção da saúde, para a produção da vida, da invenção de si e do mundo, emergindo na multiplicidade de agenciamentos que podem sinalizar para algo que vai para além da produção de saúde(3).

Na área da enfermagem em particular, a militância política é compreendida como aspecto essencial para trilhar o caminho da mudança, mediante uma visão integral e comprometida, ética, política e social com o ser humano, e a sociedade brasileira(4).

Embora compreenda-se que esta área mantém estreita relação com o tema da política e dos processos sociais, está fortemente impregnada pela divisão técnica e social do trabalho, tanto na perspectiva vertical como na horizontal, por questões sociopolíticas. Tais questões, por sua vez, resultam de situações conflitivas que emergem cotidianamente entre médicos e enfermeiras, enfermeiras e pacientes, enfermeiras e técnicos ou auxiliares de enfermagem, e técnicos e auxiliares entre si(5).

Contudo, vários estudos registram a fragilidade política na enfermagem, bem como dificuldades, por parte das enfermeiras no reconhecimento da dimensão política da enfermagem e de sua prática profissional, desconhecimento das entidades de classe e conselho, com participação bastante pontual e atípica(6-9).

Por outro lado, apesar das transformações na área educacional e pedagógica de inovações curriculares, das reformas curriculares, o modelo hegemônico da formação em Enfermagem ainda está centrado em moldes tradicionais, muitas vezes atrelados ao modelo biologicista, médico-centrado e tecnicista. Sendo a imagem de uma militante ainda, em muitos contextos, considerada como imprópria e incomoda.

Acresce a esta justificativa a constatação que na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), inserindo-se a palavra de busca Militância Política, apesar da inexistência como descritor, foram encontrados 53 estudos; quando utilizado o termo Enfermagem, detectou-se somente uma pesquisa relacionada ao movimento estudantil e, quando acrescidos os termos enfermeiro e enfermeira, não foi encontrada qualquer produção acadêmica. O mesmo ocorreu quando empregados os termos engajamento político e ativismo.

Tais achados podem expressar uma lacuna do conhecimento quando analisados o engajamento, a militância e o ativismo na profissão. Porém, entendemos que o uso de diferentes palavras-chave, ou, descritores, pelos autores de estudos neste tema podem dificultar a busca.

De outro modo, quando pesquisamos a produção científica em história da Enfermagem no Brasil, encontramos dois estudos, sendo um deles no período de 1972 a 2004, entre teses e dissertações, e o outro, que tratou dos artigos publicados no período de 1999 a 2009, Foram identificadas 12 teses e dissertações e 30 artigos científicos publicados acerca das entidades de classe na enfermagem(10-11).

Comunga-se com a afirmativa de que em muitos espaços prevalece, entre as enfermeiras, uma tradição no exercício obediente, inicialmente norteado por questões religiosas, compatível com o estereótipo de uma profissional competente. Finalmente, fica evidente que a obediência pode ser algo ensinado, aprendido e cultivado(12). Mas por outro lado, observou-se um movimento de resistência a este status quo, construído historicamente, referendado pelos movimentos sociais, capitaneados pela Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn), especialmente a partir da década de 1980, com o chamado Movimento Participação e o movimento de Abertura Política brasileira após 20 anos de ditadura(13).

Diante do exposto, definiu-se a seguinte questão norteadora para este estudo: Quais saberes constituem uma enfermeira militante?

Para responder a essa pergunta adotou-se a base teórico-filosófica de Michel Foucault, a qual considera que a arqueologia se concentra em recortes históricos precisos a fim de descrever não só a maneira pela qual os diferentes saberes locais se determinam, com base na construção de novos objetos que surgiram em um determinado momento, mas também, como eles se correspondem entre si e descrevem de maneira horizontal uma configuração epistêmica coerente(14). No interior da arqueologia encontra-se a ideia da arca, centrada na concepção dos objetos de conhecimento, e o conceito de arquivo, fundamentado no registro desses objetos. Por isso, é de importância a leitura horizontal das discursividades por meio da análise vertical, direcionada ao presente das determinações históricas de nosso próprio regime de discurso(14).

De modo mais específico, na arqueologia foucaultiana os discursos são tomados em sua positividade como “fatos”. Não se trata de buscar sua origem ou seu sentido secreto, mas as condições de sua emergência, as regras que presidem seu surgimento, seu funcionamento, suas mudanças, seu desaparecimento, em determinada época, assim como as novas regras que presidem a formação de novos discursos. Todos esses apontamentos contribuem para compreensão da constituição de sujeitos militantes com base nos seus discursos, na identificação vertical de uma temporalidade e na análise horizontal na construção das discursividades e na identificação de saberes.

Assim, este artigo tem o objetivo de analisar os saberes constitutivos de enfermeiras militantes a partir de 1980(1).

OBJETIVO

Destacar que o estudo é uma possibilidade para análise dos processos formativos em enfermagem, dado que a constituição de sujeitos políticos corresponde a dois dos quatro pilares da formação:

MÉTODO

Aspectos éticos

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal da Bahia/Escola de Enfermagem, tendo obedecido aos preceitos éticos. Foram mantidos o anonimato dos participantes e a confidencialidade das informações. Os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, em duas vias, uma do sujeito participante e a outra do pesquisador, tendo sido aprovado no Comitê de Ética e Pesquisa (CEP).

Referencial teórico-metodológico

Estudo com referencial teórico filosófico foucaultiano, na abordagem compreensivista, em especifico a hermenêutica dialética.

Tipo de estudo

Pesquisa histórica, baseada no método de história oral, com abordagem qualitativa.

Procedimentos metodológicos

Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas com 11 (onze) enfermeiras militantes, destas, 05 (cinco) foram presidentes da ABEn e do Sindicato de Enfermeiros do Estado da Bahia e 06 (seis) enfermeiras que exerceram a militância, de modo reconhecido socialmente, mas que não exerceram mandatos de presidentes nas entidades organizativas de enfermagem.

Considera-se que na técnica bola de neve os primeiros participantes contatados na aplicação da pesquisa são as “sementes”, que foram as presidentes do referido Sindicato e da ABEn, com cargos assumidos a partir da década de 1980. Estas indicaram as (os) filhas (os) das “sementes”, enfermeiras que exerceram a militância profissional de modo reconhecido socialmente, segundo alguns critérios: ser enfermeira; ser militar por questões políticas específicas da profissão, bem como em prol da valorização, da visibilidade, do respeito e do reconhecimento profissional, por um período de, no mínimo um ano, de forma sistemática, regular e reconhecida socialmente, devendo abranger o período da década de 1980; assumir e participar de movimentos e mobilizações sociais e públicos na enfermagem.

Como critério de exclusão, estabeleceu-se o limite de cinco tentativas de contato para agendamento das entrevistas; após esse período, a militante era excluída da amostra, o que ocorreu com duas delas. Nos demais, a coleta de dados foi suspensa no momento em que houve saturação de dados. Das 11 participantes, cinco enfermeiras ocuparam o cargo de presidentes na ABEn-Bahia ou SEEB no período pesquisado e seis participantes foram indicados pela técnica bola de neve. Apesar da existência de um enfermeiro no rol dos seis indicados na técnica bola de neve, trato como enfermeiras devido à grande maioria na profissão ser do sexo feminino.

Cenário do estudo

O estado da Bahia, localizado na Região Nordeste do Brasil, possui área territorial de 564.733,081 km2 e representa o quinto em extensão. A população estimada em 2015 corresponde a 15.203.934 habitantes(15). Em consulta ao Conselho Regional de Enfermagem, Seção Bahia, constatou-se (2014) a existência de 17 mil auxiliares de enfermagem, cerca de 60 mil (60.220) técnicos de enfermagem e aproximadamente 27 mil (27.447) enfermeiras, totalizando mais de 104 mil profissionais (104.667) na área(16).

Coleta e organização dos dados

Após contato telefônico e agendamento prévio, as entrevistas, tanto com as presidentes de entidade como com as filhas das sementes, ocorreram individualmente em ambiente privativo, conduzidas por profissional treinado e habilitado, tendo duração média de 2 horas e 55 minutos. Os dados foram coletados no período de julho a dezembro de 2015. Utilizou-se um roteiro de entrevista dividido em blocos: questões sociodemográficas; militância política na enfermagem, correlacionando-a aos movimentos sociais do período pesquisado; processo de eleição dos representantes formais da enfermagem; e história de vida do sujeito militante. As entrevistas foram gravadas e, posteriormente, transcritas na íntegra. Foi utilizado o nome de Rosa dos Ventos (RV) para identificar as entrevistadas, acrescido do número da entrevista.

Análise dos dados

Para analisar os dados utilizou-se o método da Hermenêutica Dialética, baseado na Sociologia Compreensiva, que contém dois aspectos fulcrais: a teoria da experiência e a da reconstrução. Buscou-se, com base na experiência do vivido das militantes políticas da enfermagem na construção do fenômeno, suas compreensões dos saberes que constituem esta enfermeira(17).

Do ponto de vista operacional, ao analisar os dados coletados das entrevistas, foram consideradas as seguintes etapas:

  1. Nível das determinações fundamentais que corresponde à fase exploratória da investigação. Trata-se do contexto sócio-histórico dos grupos sociais e que constitui o marco teórico-fundamental para a análise, no caso deste estudo, alicerçado em Foucault;

  2. Ordenação dos dados que compreende a sistematização de todos aqueles coletados, as histórias de vida das militantes;

  3. Classificação dos dados, em que é preciso compreender que estes não existem por si só, mas são construídos pelo exercício de questioná-los, com base nos fundamentos teóricos;

  4. Análise final, momento em que se estabelece a articulação entre os dados coletados e os referenciais teórico-filosóficos da pesquisa, para encontrar os fundamentos às questões e objetivos formulados(18).

Na etapa de ordenação dos dados, recorreu-se ao software N vivo 10 for Windows a fim de organizar trechos das falas por núcleos de sentidos. Este programa é amplamente utilizado em pesquisas em saúde de abordagem qualitativa, inclusive em outras áreas, como a Antropologia, e em diversos países, a exemplo da Austrália e do Reino Unido.

Após esta etapa, confrontando o referencial téorico-filosófico foucaultiano em que se insere o presente artigo com as possibilidades apontadas no software n-vivo, elaborou-se o seguinte quadro de análise e foI construída a categoria e suas respectivas subcategorias de análise:

Quadro 1 Quadro de categoria e subcategorias, Bahia, Salvador, Brasil, 2017 

Categoria de análise: Arqueologia discursiva: os saberes constitutivos de enfermeiras militantes RV1 ... RV11 Síntese Horizontal
Pedagógico
Político
Saúde Coletiva
Sociológico
Formação Sindical
Síntese Vertical

Nota:

*Adaptado(19); RV = Rosa dos Ventos

RESULTADOS

Da amostra de 11 entrevistadas, houve a seguinte caracterização: seis tinham entre 60 e 69 anos de idade, dez eram do sexo feminino, cinco enfermeiras eram solteiras, quatro possuíam 40 a 49 anos de formadas em Enfermagem, nove militantes foram graduadas em universidades públicas, seis apresentavam pós-graduação stricto sensu, quatro entrevistadas atuaram como militantes durante 40 a 49 anos e a renda salarial situou-se entre 10 e 15 salários mínimos para quatro delas.

Nos dados empíricos são visíveis os saberes que constituem o sujeito militante, conforme evidencia o quadro 2 a seguir:

Quadro 2 Arqueologia discursiva: os saberes constitutivos de enfermeiras militantes, Bahia, Salvador, Brasil, 2017 

Corpus Síntese Hermenêutico-dialética
[...] [Ser professora], isso obriga pelo menos a pensar que papel você está exercendo ali na formação [...] (Rosa dos Ventos 1) Saber Pedagógico
[...] eu tenho uma tendência muito maior pra área administrativa [...] na Escola de Enfermagem eu exerci todos os cargos[...]. (Rosa dos Ventos 1) Saber Administrativo
[...] toda essa minha atividade de dar, de discutir com pessoas administrativamente muito superiores a mim [...] me fez com que eu não me dobrasse [...] (Rosa dos Ventos 1) Saber Político
[...] o que eu tenho constatado é que quando o estudante milita no movimento estudantil [...] posteriormente quando ingressam no mundo do trabalho, mesmo que não estejam em entidades de classe, se tornam militantes do campo de trabalho. Professoras e professores também inspiram, têm potencial para despertar a reflexão crítica social, mas a minha vivência tem me revelado que são poucas ou poucos. A maioria não motiva a militância política e até contribui para a sua obstrução. [...] quero declarar que ter sido enfermeira foi e é muito importante para minha vida pessoal. Eu aprendi muito nas relações com técnicas de enfermagem, com as auxiliares, com as enfermeiras, com os usuários dos serviços de saúde[...]. (Rosa dos Ventos 9)
[...] toda ação humana é política, todo ser é um ser político [...] quando eu defino o tema de um congresso eu tenho uma definição política, o conselho não deixa de ter uma política de fiscalização, eu posso ter uma política coercitiva ou educativa [...] nós somos muito mais avançados em termos críticos e termos de posições políticas que as enfermeiras americanas, elas desenvolveram a competência técnica muito na questão do cuidado dessas coisas. [...] a pessoa dizia: "discutir com América Latina é mais difícil do que com países Europeus e países africanos, vocês são muito críticos." [...] Um militante político, em termos de você serarticulador, negociador, você tem que saber estratégias e táticas[...]. (Rosa dos Ventos 10)
[...] a gente fez várias articulações na secretaria de saúde [...] [fala sobre a construção do posto de saúde pela comunidade] as mulheres foram conduzindo, a gente foi fazendo bazares, vendendo as coisas pra melhorar, pra rebocar, pra pintar [o posto de saúde] esse foi um trabalho assim de um aprendizado imenso pra mim. Do ponto de vista político e técnico [...] a maior escola de formação foi a ABEn. [...] duas coisas para mim foram fundamentais em termos da minha formação, a partir do momento que eu comecei a estudar gênero e a compreender melhor por essa perspectiva da vida em sociedade e da militância da Associação Brasileira de Enfermagem, porque isso me fez ter uma outra visão de mundo, de vida, de meu espaço como professora, tudo isso me deu uma amplitude muito grande [...] trouxe pra mim como retorno como pessoa, como cidadã, como profissional de saúde, como professora, como mulher[...]. (Rosa dos Ventos 11) Saber Político
[...] o processo da descentralização das ações de saúde que possibilitou que nesse país inteiro tivesse enfermeiros ocupando cargos de secretários de saúde, de coordenações de projetos [...] houve a possibilidade do aparecimento de muitos enfermeiros mais atuantes e também a ampliação da compreensão de saúde coletiva[...]. (Rosa dos Ventos 10)
[...] experiência de pensar em um novo modelo de atenção [...] na disciplina de saúde rural [...] mas tínhamos toda uma discussão sobre esse modelo de atenção que existia de campanhas, de coisas que... De descentralizações [...]. (Rosa dos Ventos 11)
[...] a 8ª Conferência Nacional de Saúde que, como já sabemos, foi um marco na luta pela mudança de um modelo de atenção à saúde no país [...] foi conquista de um movimento de reforma sanitária brasileira: movimento político que teve como atores: trabalhadoras, trabalhadores e usuários da saúde e que impulsionou a criação do Sistema Único de Saúde. [...] Militantes do campo da enfermagem trabalham pela vida das pessoas, portanto, pelo direito à vida plena, com dignidade. Você não pode pensar em vida digna sem pensar no direito ao trabalho, à renda, à moradia, o direito à alimentação. [...] essas questões sociais amplas estão extremamente vinculadas ao nosso campo de trabalho como trabalhadores e trabalhadores da saúde e como cidadãs e cidadãos que somos [...]. (Rosa dos Ventos 9)
[...] Se me perguntam, por exemplo, qual é a minha profissão, eu direi: enfermeira e não "enfermagem". Isso é importante para que não continuemos a contribuir com a invisibilidade do fato de que se trata de um campo de trabalho dividido tecnicamente e socialmente para atender ao modo de produção capitalista e, portanto, um campo organizado para satisfazer ao modo de produção capitalista que explora a força de trabalho para fazer girar a roda da fortuna e concentrar renda em pequenos grupos [...] e um campo [...] complexo e sujeito a conflitos entre as categorias de trabalhadoras e trabalhadores. [...] como trabalhadoras e trabalhadores que somos, vendemos nossa força de trabalho aos empregadores, que entendem na nossa divisão técnica, uma oportunidade de desvalorizar economicamente esse trabalho. [...] e imprescindível é a luta por direitos de cidadania, por justiça social, a luta dos trabalhadores de um modo geral. Afinal, somos trabalhadoras e trabalhadores[...]. (Rosa dos Ventos 9) Saber Sociológico
[...] Eu acho que a questão da formação é uma questão séria, muito séria, inclusive uma das coisas que a gente fez aqui [...] trazer a discussão do caso da disciplina de Sociologia Aplicada à Enfermagem [...] lutei muito pela presença dessa disciplina [...] trazia uma discussão de gênero, trazia discussão das questões sociais [...] raciais [...] de classe social. [...] era um espaço que a gente fazia a formação [...]. (Rosa dos Ventos 10)
[...] a partir do momento que você incorpora essas perspectivas na sua vida [...] raça, gênero, você não pode olhar pra raça, gênero sem olhar as questões de classe social também, [...] você olhar os conteúdos não só pela perspectiva da técnica, mas também da política, de como isso se desenvolve dentro dos processos das políticas de saúde [...]. (Rosa dos Ventos 11)
[...] nossa vivência sindical [...] tem ajudado muito aqui o Conselho a até entender onde tá o papel do sindicato certo, e fazer essa articulação com o sindicato a gente trabalha muito bem articulado com o sindicato de uma maneira geral [...] da minha experiência [...] além de ter participado de Gestão, ter participado do Sindicato [...]. (Rosa dos Ventos 3) Formação Sindical

DISCUSSÃO

Com base na análise das falas, etapa auxiliada pelo software n-vivo, foi possível identificar os seguintes saberes: pedagógico, administrativo, saúde coletiva, sociológico e de formação sindical. Esses resultados possuem concordância com o afirmado em outro estudo, de que a filiação médica da enfermagem e a idealização da enfermeira pelo escopo do trabalho do médico interfere na sua identidade profissional(20).

Nesse sentido, distanciar-se do espaço do exercício profissional do profissional médico poderá propiciar outros modelos de identificação, o que converge para os achados deste estudo, no qual os saberes destacados estão marcados por áreas desvinculadas, em parte, do ascendente médico(20).

O primeiro destaque sobre os saberes que constituem uma profissional militante na enfermagem envolve o campo pedagógico, a capacidade de pensar. O fato de atuar como professora durante muito tempo possibilitou aos entrevistados refletirem mais criticamente e contribuiu para a sua responsabilidade no ensino da profissão. Sob esta perspectiva, a educação é uma experiência humana que permite intervir no mundo, o que requer, além do conhecimento dos conteúdos, esforço para evitar a mera reprodução da ideologia dominante. Mais do que isso, deve-se desmascará-la, pois, por sua própria dialética contraditória, a educação não pode ser só uma ou só a outra, dessas duas coisas(21).

Outro saber apontado como constitutivo das militantes foi o administrativo, identificado na análise hermenêutica como uma diferença, pois quando se reflete sobre a prática de uma militante, em especial os saberes constituídos, este saber não se revela em um primeiro momento. Contudo, vale salientar que a prática militante identificada na enfermagem ocorre em espaços institucionais representativos e, certamente por este motivo, é essencial haver o saber administrativo.

Além disso, trata-se de um saber importante àqueles que assumem a direção de entidades representativas, visto que esta atividade requer ainda mais transparência, responsabilidade e democracia no uso dos recursos financeiros, o que confere aos dirigentes poder econômico e de decisão.

Outro saber identificado na constituição do sujeito militante foi o político. Compreende-se que a dimensão política é inerente aos indivíduos, porém, no caso de alguns, o exercício político é mais expressivo, pois concebem a política como um processo pelo qual os interesses são transformados em objetivos e os objetivos conduzidos à formulação e tomada de decisões efetivas transformadoras(22). Neste ponto, durante a análise dos dados, observou-se um aspecto divergente quanto à prática docente, citada como favorecedora da obstrução da prática militante, característica que será abordada em texto futuro.

Observa-se também, nos discursos de várias militantes, comprometimento com as comunidades mais vulneráveis, bem como com as questões sociais que permeiam o processo saúde-doença. Nestes casos, exercem, por meio da militância, o poder de intervir sobre a realidade social. A prática militante é vista, portanto, como dispositivo gerador de poder, expresso nas relações, nas formas de resistência contra as diferentes formas de poder, visíveis em alguns enunciados discursivos. Destaca-se que a resistência atua como um catalisador químico, de forma a esclarecer as relações de poder, localizar sua posição, descobrir seu ponto de aplicação e os métodos utilizados(23).

Por outro lado, quando se analisa a prática política na enfermagem, percebe-se que essa trajetória militante e implicada politicamente com a área não é majoritária. Ao contrário, estudo sobre a ABEn menciona o pouco conhecimento a respeito da história da profissão e da importância da participação dos profissionais na associação, bem como o desconhecimento da trajetória histórica da entidade e a ausência de novas lideranças nos espaços de poder, o que reduz o senso crítico das discussões(24).

Nesse sentido, identificou-se nos discursos uma divergência, uma vez que as enfermeiras brasileiras são reconhecidas no cenário internacional como profissionais críticas. E tal explicação está fundamentada em uma série de achados desse estudo, como: o regime político adotado pelo país, a inserção e contribuição das enfermeiras na Saúde Coletiva, na Gestão de Serviços e no Sistema Único de Saúde.

Outra subcategoria encontrada foi o saber referente à Saúde Coletiva, aqui concebida como um campo de produção do conhecimento e de intervenção profissional especializada, mas também interdisciplinar, no qual não há limites precisos ou rígidos entre as diferentes escutas ou modos de olhar, pensar e produzir saúde(25).

Em algumas falas, é possível notar que os saberes mais distanciados da prática médica, do modelo hospitalocêntrico e biologiscista compõem o repertório de militantes. Isso resulta em possibilidades de práticas de libertação e na construção de saberes libertários da situação de submissão, invisibilidade e falta de identidade presente em todas as categorias que compõem a equipe de enfermagem.

O saber da Saúde Coletiva contribui para avanços significativos no campo de atuação da enfermeira, pois possibilita ampliar as práticas de Saúde e conceber saúde coletiva para além do positivismo e do estruturalismo. Permite também, transcender o modelo de saúde pública vigente, constituído à imagem e semelhança da tecnociência e do modelo biomédico(26).

Do mesmo modo, o saber sociológico é apontado como constitutivo de enfermeiras militantes, aqui caracterizado como ciência, cujo objeto é o estudo dos fenômenos sociais atrelados ao processo saúde-doença. Trata-se de um saber que requer abordagem coletiva e social da doença e formação de pessoal especializado para o entendimento desta perspectiva(27).

Os dados empíricos explicitam o quanto o componente curricular sobre sociologia da saúde agrega à enfermagem, ampliando a atuação da enfermeira para o entendimento das questões sociais, bem como sobre os diversos aspectos que influenciam o processo de saúde-doença. Além disso, outros discursos indicam que a perspectiva sociológica colabora com o entendimento das questões de raça e gênero, que também tangenciam o trabalho da enfermeira e da equipe de enfermagem e influenciam no processo do adoecimento.

Corrobora esta discussão o estudo que trata da experiência de ensino da Sociologia Aplicada à Enfermagem como meio de instrumentalizar as futuras trabalhadoras para enfrentar o mundo do trabalho, tendo como eixo norteador o trabalho da enfermagem. Neste caso, utiliza-se a Sociologia como instrumento de análise da enfermagem, que foca o trabalho como princípio educativo e o conhecimento como elemento de libertação das trabalhadoras da enfermagem(28).

Em última subcategoria, foi citado o saber da formação sindical na constituição de sujeitos militantes, em virtude da intrínseca relação existente entre a luta de classes e a fundação de sindicatos no Brasil para o enfrentamento dos conflitos entre exploradores e explorados e as polarizações de poder existentes nas disputas da sociedade(28).

Por fim, há de se destacar que a fala de uma das entrevistadas, a última destacada no Quadro 2, pontua a associação e o sindicato dos enfermeiros como espaços de constituição de militantes políticos, em decorrência de representarem a totalidade do exercício e da prática profissional de enfermagem: o desenvolvimento teórico, a defesa dos seus interesses e a regulamentação do seu exercício(4).

Em contraponto, reconhece-se que estudos qualitativos e históricos possuem aspectos que limitam a generalização dos resultados. Todavia, os achados corroboram o acervo da revisão de literatura referente ao tema, ao passo que apresentam aspectos inovadores e desconhecidos para o campo de saber em questão.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os saberes constitutivos de enfermeiras militantes estão inscritos entre as Ciências Sociais, distanciados da Medicina, em destaque, os saberes pedagógico, político, de saúde coletiva, sociológico e de formação sindical. Identificou-se a Associação Brasileira de Enfermagem como sendo um importante espaço de formação política.

É válido destacar que o estudo é uma possibilidade para análise dos processos formativos em enfermagem, dado que a constituição de sujeitos políticos corresponde a dois dos quatro pilares da formação: o saber conviver e saber ser, apesar da fragilidade na dimensão política da formação e dos determinantes de contexto destacados. Nesta possibilidade, reside a centralidade do conhecimento emancipatório na formação dos profissionais dessa área, sendo importante pontuar que a formação não ocorre somente na escola, ela se dá no curso da vida. Além disso, o conhecimento emancipatório viabiliza-se por meio de saberes, práticas e vivências ativadoras da condição de sujeito.

Em conclusão, este estudo apresenta uma base teórica, filosófica e metodológica que possibilita sua replicação em outras partes do mundo. Sendo que o autor ao participar do grupo de pesquisadores em Portugal, ao implementar pesquisa que tratava da história de vida de militantes na enfermagem, encontrou resultados muito semelhantes no continente europeu.

FOmento

Este estudo foi financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) através da concessão de bolsa pelo Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior.

REFERÊNCIAS

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Recebido: 08 de Maio de 2017; Aceito: 07 de Junho de 2017

AUTOR CORRESPONDENTE: Deybson Borba de Almeida E-mail: deybsonborba@yahoo.com.br

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