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Revista Brasileira de Enfermagem

versão impressa ISSN 0034-7167versão On-line ISSN 1984-0446

Rev. Bras. Enferm. vol.71 no.6 Brasília nov./dez. 2018

https://doi.org/10.1590/0034-7167-2018-0037 

PESQUISA

Estratégias Saúde da Família: perfil/qualidade de vida de pessoas com diabetes

Claudete MoreschiI 

Claudete RempelI 

Daiana Foggiato de SiqueiraII 

Dirce Stein BackesIII 

Luis Felipe PissaiaI 

Magali Teresinha Quevedo GraveI 

IUniversidade do Vale do Taquari-UNIVATES. Lajeado-RS, Brasil.

IIUniversidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões. Santiago-RS, Brasil.

IIICentro Universitário Franciscano. Santa Maria-RS, Brasil.


RESUMO

Objetivo:

Avaliar a qualidade de vida e analisar o perfil epidemiológico de pessoas com diabetes atendidas em Estratégias Saúde da Família.

Método:

Estudo transversal, realizado com 350 pessoas com diabetes.

Resultados:

As pessoas com diabetes, em sua maioria, são mulheres, idosas, casadas, brancas, com baixo nível instrucional, aposentadas/pensionistas, renda familiar de até dois salários mínimos. À medida que aumenta o tempo das pessoas com a doença, diminui a sua qualidade de vida. As pessoas que possuem complicações decorrentes do diabetes possuem uma qualidade de vida menor, com diferença estatística significativa.

Conclusão:

O conhecimento das características sociodemográficas, de avaliação clínica e da qualidade de vida das pessoas com diabetes pode melhorar o processo de cuidado prestado a esta população.

Descritores: Diabetes Mellitus; Prevalência; Qualidade de Vida; Saúde Pública; Gestão em Saúde

ABSTRACT

Objective:

To evaluate the quality of life and to analyze the epidemiological profile of people with diabetes treated in Family Health Strategies.

Method:

A cross-sectional study carried out with 350 people with diabetes.

Results:

Most people with diabetes are women, elderly, married, white, with low educational level, retired/pensioners, family income of up to two minimum wages. As the time of people with the disease increases, their quality of life decreases. People with complications from diabetes have a lower quality of life, with a statistically significant difference.

Conclusion:

Knowledge of the sociodemographic characteristics, clinical evaluation and quality of life of people with diabetes can improve the care process provided to this population.

Descriptors: Diabetes Mellitus; Prevalence; Quality of Life; Public Health; Health Management

RESUMEN

Objetivo:

Evaluar la calidad de vida y analizar el perfil epidemiológico de las personas con diabetes atendidas en Estrategias Salud de la Familia.

Método:

Estudio transversal, realizado con 350 personas con diabetes.

Resultados:

Las personas con diabetes, en su mayoría, son mujeres, ancianas, casadas, blancas, con bajo nivel instruccional, jubiladas/pensionistas, renta familiar de hasta dos salarios mínimos. A medida que aumenta el tiempo de las personas con la enfermedad, disminuye su calidad de vida. Las personas que tienen complicaciones derivadas de la diabetes tienen una calidad de vida menor, con diferencia estadística significativa.

Conclusión:

El conocimiento de las características sociodemográficas, de evaluación clínica y de la calidad de vida de las personas con diabetes puede mejorar el proceso de cuidado prestado a esta población.

Descriptores: Diabetes Mellitus; Prevalencia; Calidad de Vida; Salud Pública; Gestión de la Salud

INTRODUÇÃO

Verifica-se, atualmente, um aumento significativo da prevalência de doenças crônicas, no Brasil, as quais aumentam as taxas de óbitos decorrentes de agravos, sobretudo, da população em processo de envelhecimento e usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS)(1). Dentre as doenças crônicas mais comuns, destaca-se a Diabetes Mellitus (DM), cuja etiologia desencadeia modificações no contexto social da pessoa acometida, ao passo que exige alterações no estilo de vida, podendo influenciar diretamente na qualidade de vida populacional. Estima-se que a população mundial com diabetes seja da ordem de 387 milhões e que alcance 471 milhões em 2035(2). Estudo realizado pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL) apurou que a diabetes acomete 8,0% da população adulta brasileira(3).

A prevalência de DM na população brasileira entre os 30 e 69 anos é de 7,6%, enquanto que acima dos 70 anos de idade, as taxas aumentam para 20% e, destes indivíduos, 50% desconhecem seu diagnóstico e 25% das pessoas com DM não realizam o tratamento preconizado(4). O tratamento da DM baseia-se em medidas preventivas e paliativas, visando à diminuição e retardo dos agravos, por meio de tratamento farmacológico e modificações no estilo de vida, bem como estimulo à alimentação saudável e prática de exercícios físicos(5). O diagnóstico de DM reflete diretamente no contexto da Qualidade de Vida (QV) do indivíduo e de seu grupo familiar, sendo necessário um apoio efetivo por parte da Atenção Primária à Saúde (APS) em ações que promovam a educação em saúde(6).

Neste sendo, a principal fonte de apoio às pessoas com DM advém das Estratégias Saúde da Família (ESF) que, desde a sua incorporação na Atenção Primária à Saúde (APS), reorganizam o modelo curativista tradicional, em ascensão na década de 80, para um modelo baseado na clínica ampliada(7). A equipe de ESF estabelece o vínculo profissional-usuário por meio de práticas de educação em saúde e intervenções de acompanhamento das pessoas com DM(8).

OBJETIVO

Analisar o perfil epidemiológico e avaliar a qualidade de vida de pessoas com Diabetes Mellitus atendidas em quatorze Estratégias Saúde da Família de um município de médio porte do Rio Grande do Sul/RS.

MÉTODO

Aspectos éticos

Os procedimentos éticos foram seguidos, conforme a Resolução Nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Para a realização do estudo, obteve-se o termo de autorização da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do município e o projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (COEP).

Desenho, local do estudo e período

Trata-se de um estudo transversal de base populacional, realizado em 14 ESF de um município de médio porte do estado do Rio Grande do Sul. A coleta de dados ocorreu entre os meses de abril a setembro do ano de 2015.

População ou amostra; critérios de inclusão e exclusão

A amostra do estudo foi de 350 pessoas com DM, atendidas pelas 14 ESF do referido município. Ao considerar que as ESF possuem, aproximadamente, o mesmo número de pessoas com DM atendidas em seu território de abrangência, selecionou-se aleatoriamente 25 participantes de cada ESF. O tamanho da amostra do estudo (350) foi determinado levando em consideração que no ano de 2013 foram cadastradas no Sistema de Informação da Atenção Básica - SIAB do município do estudo 1.125 pessoas com DM de 18 anos ou mais, portanto, para uma amostra com 95% de confiança e 4,4% de erro. Estabeleceram-se os seguintes critérios de inclusão: pessoas com DM, atendidas nas ESF e com mais de 18 anos. Foram excluídas as pessoas que não possuíam condições mentais de responder aos questionários.

Protocolo do estudo

Os dados foram coletados por meio de um questionário com variáveis sociodemográficas e de avaliação clínica e também por meio da aplicação do questionário Whoqol-bref. Este é a versão abreviada do WHOQOL-100 realizado pelo grupo de QV da OMS(9). As variáveis sociodemográficas contempladas no questionário foram: idade, sexo, cor, ocupação (trabalho), nível de escolaridade, estado civil, religião, renda mensal familiar, composição de pessoas com DM que vivem em sua casa. As variáveis clínicas foram: tempo da doença, comorbidades, antecedentes familiares, fatores de risco, complicações e tipo de tratamento.

Análise dos resultados e estatística

As respostas dos questionários foram tabuladas em planilha Excel. Foi realizada a análise estatística descritiva e inferencial por meio do software Statistical Package for the Social Sciencies – SPSS, versão 21. As variáveis quantitativas estão descritas através de média e desvio padrão e as variáveis qualitativas, através de frequência absoluta e relativa. Os resultados estão apresentados em tabelas e gráficos.

Os dados do questionário WHOQOL-Bref foram analisados conforme sintaxe prevista pelo grupo de estudos que realizou a tradução do documento. Para melhor compreensão da QV das pessoas com DM, foi utilizada a escala Likert, dividida em cinco classes de igual tamanho: muito ruim (0-20); ruim (21-40); nem ruim nem boa (41-60); boa (61-80); muito boa (80-100).

Na estatística inferencial, foi realizada a ANOVA (com teste pos-hoc de Tukey) para comparação de médias entre grupos de variáveis paramétricas, e Kruskal-Wallis para as variáveis não paramétricas. A correlação de Pearson foi utilizada para comparação da associação entre variáveis analisadas e os escores de QV. O nível de significância adotado foi de 5%, sendo considerados significativos valores de p ≤ 0,05.

RESULTADOS

A amostra da coleta de dados constitui-se em 25 pessoas de cada uma das 14 ESF do município, totalizando 350 pessoas com DM. As variáveis sociodemográficas das pessoas com DM que participaram do estudo serão apresentadas por meio da Tabela 1.

Tabela 1 Variáveis sociodemográficas das pessoas com Diabetes Mellitus atendidas nas Estratégias Saúde da Família de um município do Rio Grande do Sul, Brasil, 2015 

Variáveis Categorias n %
Sexo Masculino 112 32,0
Feminino 238 68,0
Idade 0 a 39 9 2,6
40 a 49 22 6,3
50 a 59 66 18,8
60 a 69 128 36,6
70 a 79 93 26,6
80 ou mais 32 9,1
Total 350 100
Estado Civil Solteiro 21 6,0
Casado 227 64,9
Viúvo 81 23,1
Divorciado 21 6,0
Escolaridade Não sabe ler nem escrever 41 11,7
Ensino fundamental incompleto 240 68,6
Ensino fundamental completo 14 4,0
Ensino médio incompleto 33 9,4
Ensino médio completo 16 4,6
Ensino superior incompleto 5 1,4
Ensino superior completo 1 0,3
Ocupação Aposentado ou pensionista 241 75,2
Do lar 34 9,7
Autônomo 14 4,0
Outras 39 11,1
Cor Branca 300 85,7
Preta 24 6,9
Parda 25 7,1
Amarela 1 0,3
Renda familiar Até 1 salário 76 21,7
Entre 1 e 2 salários 161 46,0
Entre 2 e 4 salários 100 28,6
Entre 4e 10 salários 13 3,7

As variáveis referentes à avaliação clínica dos participantes serão elucidadas na Tabela 2.

Tabela 2 Variáveis de avaliação clínica das pessoas com Diabetes Mellitus atendidas nas Estratégias Saúde da Família de um município do Rio Grande do Sul, Brasil, 2015 

Variáveis Categorias n %
Tipo de diabetes Tipo 1 11 3,1
Tipo 2 336 96,0
Gestacional 3 0,9
Pessoas da família DM 1 258 73,7
2 84 24,0
3 8 2,3
Tempo da doença 0-5 142 40,6
6-10 92 26,3
11-15 62 17,7
16 anos > 54 15,4
Total 350 100
Comorbidades Hipertensão 312 89,1
Dislipidemia 230 65,7
Obesidade 171 48,9
Enfermidade do coração 118 33,7
Fatores de risco Antecedentes familiares cardiovasculares 221 63,1
Tabagismo 71 20,3
Sedentarismo 224 64,0
Sobrepeso/obesidade 178 50,9
Hipertensão 312 89,1
Complicações Sim 261 74,6
Não 89 25,4
Complicações agudas Hipoglicemia 164 46,9
Coma hiperosmolar 31 8,9
Cetoacidose 19 5,4
Hiperglicemia 306 87,4
Complicações crônicas Retinopatia 131 37,4
Neuropatia 45 12,9
Pé diabético 33 9,4
Nefropatia 30 8,6
Cardiopatia 25 7,1
Tipo de tratamento Dieta 1 0,3
Dieta e antidiabéticos orais 276 78,9
Dieta e insulina 13 3,7
Dieta, antidiabético oral e insulina 60 17,1

Nota: DM - Diabetes Mellitus.

A avaliação da QV das 350 pessoas com DM ocorreu por meio da aplicação do questionário Whoqol-bref. Através da análise dos dados, verificou-se que a média geral de QV das 350 pessoas com DM atendidas nas ESF que participaram da pesquisa foi de 67,6 (DP=18,1).

Ao analisar as questões em seus respectivos domínios, verificou-se que no domínio “físico” a média de QV é de 59,9 (DP=19,4). O domínio “psicológico” apresentou uma média de QV de 70,1 (DP=18,2). No domínio “relações sociais”, a média de QV foi de 69,4 (DP=20,2). O domínio “meio ambiente” apresentou uma média de QV de 70,8 (DP=14,7). A média do domínio físico difere estatisticamente dos demais domínios pelo teste de Tukey p < 0,01 (Figura 1).

Figura 1 Média e desvio padrão dos escores de qualidade de vida das pessoas com diabetes participantes da pesquisaNota: * A média com asterisco difere estatisticamente dos demais domínios pelo teste de Tukey p < 0,01. 

O domínio “físico” apresentou uma QV nem ruim nem boa, e os demais domínios (psicológico, relações sociais e meio ambiente) apresentaram uma QV boa. Na média geral de QV das pessoas com diabetes, incluindo todos os domínios, teve uma QV boa.

A média de QV das 350 pessoas com diabetes avaliada, conforme questionário Whoqol-bref, foi relacionada com a idade, o sexo, o tempo de doença, as complicações e a participação em grupos de educação em diabetes. Ao correlacionar a média de QV das pessoas com diabetes e a idade, conforme correlação de Pearson , houve correlação fraca, negativa e significativa, (r= -0,1827; p=0,0007), mostrando que, conforme a idade das pessoas vai aumentando, sua QV diminui de forma significativa (fraca).

Em relação ao sexo das pessoas com diabetes e a média de sua QV, no teste t, não houve diferença significativa entre a média das mulheres (67,4) e dos homens (68,0), (t =- 0,3604; p=0,7192). Quanto à média de QV das pessoas com diabetes e o tempo que elas possuem a doença, houve correlação fraca, negativa e significativa. A partir disso, evidencia-se que, à medida que aumenta o tempo das pessoas com a doença, diminui a QV (r = -0,1704; p=0,0016).

A média de QV das pessoas com diabetes que possuem complicações, e as que não têm complicações difere significativamente (t=3,78; p= 0,0002). Quem apresenta complicações tem uma média de QV (65, 8) menor do que as pessoas que não apresentam complicações (72,6).

DISCUSSÃO

Os resultados sociodemográficos do perfil das pessoas que frequentam as 14 ESF do município estudado permitiram evidenciar que há predomínio de pessoas com DM do sexo feminino (68,0%). Estudos epidemiológicos desenvolvidos em outros estados (Pará, São Paulo e Amapá) também evidenciam maior prevalência de DM em mulheres(10-12).

A média de idade desta população foi de 64,4 anos de idade. Boas et al. (2011)(13) encontraram média de 59,4 (DP=8,02) anos de idade na população com DM estudada. Quanto à faixa etária, houve maior prevalência de participantes com idade de 60 a 69 anos (36,6%). Estudo realizado com pacientes com DM de uma Unidade Básica de Saúde de Macapá, AP/BR constatou que a maioria tem 60 anos ou mais de idade(14).

A prevalência de DM, em sua maioria, acomete indivíduos casados (64,9%). Este resultado é semelhante ao estudo que descreveu a prevalência de DM em usuários acompanhados por uma ESF do município de João Pessoa/PB, o qual também constatou que a maioria dos entrevistados estava casado ou em união estável (64,3%)(11). Em relação ao nível de escolaridade, a maioria dos participantes deste estudo possui baixo nível instrucional, sendo que 68,6% possuem o ensino fundamental incompleto e 11,7% são analfabetos. Dados semelhantes foram evidenciados em estudo realizado com a população diabética no estado de Pernambuco, que encontrou 13,1% de analfabetos e a maioria tinha apenas o ensino fundamental(14). Outros estudos também evidenciaram predominância de baixo nível de escolaridade dos pacientes com DM(11-12,15-16).

A renda familiar das pessoas com DM está concentrada, em sua maioria, entre 1-2 salários mínimos (46,0%). Almeida e Cardenas (2013)(13) também constaram que a maioria dos sujeitos com DM (55,9%) possui renda familiar entre 1-2 salários mínimos. Quanto à ocupação, a maioria das pessoas com DM é aposentada ou pensionista (75,2%), percentual este que difere do estudo de Boas et al. (2011)(14), que encontraram 41,4% da população de diabéticos aposentada ou pensionista. Outro estudo mostrou 36,8% desta população referiu ser aposentado ou pensionista(12).

As variáveis de avalição clínica das pessoas com DM, quanto ao tipo de DM, deste estudo, permite a constatação de que a maioria dos participantes possui o DM Tipo 2 (96,0%), seguido do DM Tipo 1 com 3,1%. A DM Tipo 1 representa em torno de 5% a 10% do total de casos. Já, o Tipo 2 é mais frequente, compreendendo cerca de 90% a 95% do total de casos. Ao comparar estes percentuais, percebe-se que, neste estudo, o percentual do DM Tipo 1 é menor e o DM Tipo 2 é maior que as prevalências previstas pelas sociedades citadas. Esta pesquisa desconhece o motivo do percentual ser diferente do previsto(4).

Quanto ao número de membros da família que possuem DM, verifica-se que 24,0% têm outro familiar que também possuem esta doença, percentual semelhante ao achado do estudo desenvolvido em Colatina-ES, que constatou que 25,0% dos participantes possuem familiares de 1° grau com DM e, 31,0%, familiares de 2° grau(17). A respeito do tempo da doença, constatou-se uma média de 9,2 anos, com maior prevalência de pessoas possuindo a doença de dois a cinco anos. Estudo realizado na cidade de São Paulo, que avaliou características sociodemográficas e clínicas de pessoas com DM Tipo 2, identificou que o tempo médio de diagnóstico do DM foi de 14,8 anos(13). Outro estudo que objetivou descrever a prevalência de fatores de risco e complicações do DM Tipo 2 em usuários acompanhados em uma Unidade de Saúde da Família no município de João Pessoa/PB evidenciou que aproximadamente metade (45,7%) tinha o diagnóstico há oito anos ou mais(11).

Ao analisar as comorbidades e os fatores de riscos, verificou-se que 89,1% das pessoas com DM possuem hipertensão arterial, 65,7% têm dislipidemia, 48,9% são obesos, 64% são sedentários, 63,1% possuem antecedentes familiares com doenças cardiovasculares, 33,7 possuem alguma enfermidade do coração e 20,3% são fumantes. Percebe-se que a maioria dos participantes possui a hipertensão associada ao DM. Um estudo que investigou a prevalência de DM em uma população adulta do sertão de Pernambuco identificou que 68,0% dos diabéticos eram hipertensos(14). No estado de São Paulo, um estudo constatou prevalência de 87,7% de hipertensão em pessoas com DM(13).

Constatou-se também predominância de pessoas com DM dislipidêmicas. Boas et al. (2011)(13) encontraram que 72,8% dos indivíduos diabéticos apresentam dislipidemia. Outro estudo desenvolvido no estado do Pará demonstrou que 56,49% das pessoas com DM apresentavam alguma alteração em seus níveis de colesterol total ou triglicerídeos(12).

Quanto à obesidade, evidenciou-se que cerca da metade das pessoas com DM deste estudo é obesa (50,9%). Outros estudos apontaram que a maioria da população com DM estava com sobrepeso ou obesidade. Estudo realizado em São Paulo encontrou prevalência de 46,3% da população diabética com obesidade(13).

Identificou-se também que a maioria das pessoas com DM é sedentária (64,0%). Estudo que traçou o perfil sociossanitário e estilo de vida da população hipertensa e/ou diabética do município de Teixeiras/MG, encontrou que 67,4% de sedentários(15). Estudo desenvolvido com usuários acompanhados pelas ESF no município de João Pessoa/PB, encontrou que a maioria desta população (71,4%) era sedentária(11).

Em relação ao tabagismo, houve uma prevalência de 20,3% fumantes entre as pessoas com DM deste estudo, resultado semelhante ao estudo de Cotta et al. (2009)(15), que encontrou 19,6% de tabagistas dos indivíduos com DM. Já, Lyra et al. (2010)(14), em estudo desenvolvido com indivíduos diabéticos, evidenciaram que 28,2% destes eram fumantes. O tabagismo é prejudicial nas complicações diabéticas, sobretudo em casos de nefropatias e na morbidade e mortalidade macrovascular. O cigarro aumenta as concentrações de colesterol total e LDL, diminui o HDL e aumenta a resistência à insulina(18).

Quanto às complicações, a maioria (74,6%) referiu apresentar complicações decorrentes do DM. Dentre as complicações agudas, a hiperglicemia apresentou maior percentual com 87,4% da população. A hiperglicemia é o fator primário desencadeador de outras complicações do DM(19). A hipoglicemia é uma complicação aguda que pode desencadear limitações ao tratamento do DM. Pode envolver custos elevados no seu tratamento e prevenção, também pode provocar implicações na qualidade de vida do indivíduo e da sua família(18).

Destaca-se que, no Brasil, em 2010, sucederam 3.741 óbitos em virtude de complicações agudas do DM. Este valor equivale a 6,8% dos 54.857 óbitos por DM como causa básica no país. Os óbitos se distribuíram de maneira semelhante entre coma e cetoacidose sem menção de coma. Após correções e padronizações, a taxa de mortalidade por complicações agudas do DM no país, foi de 2,45 óbitos por 100 mil habitantes(20).

No que diz respeito às complicações crônicas, 37,4% apresentaram retinopatia. Outro estudo encontrou prevalência de 30,0 % da retinopatia diabética(11). Estudo realizado por Almeida (2013)(12) detectou que 48,5% apresentaram alterações visuais. Em pessoas com DM, é necessário que o acompanhamento oftalmológico seja sistematizado e rigorosamente cumprido, com a finalidade de que ocorra o tratamento adequado da retinopatia antes que apareçam consequências irreversíveis. Isto demonstra a importância da atenção por parte dos serviços públicos na prevenção, orientação e tratamento das pessoas com DM, fazendo o diagnóstico precoce e prevenindo a doença(4,21).

Estudo que objetivou determinar a prevalência de neuropatia periférica diabética em pessoas com DM Tipo 2 atendidas em uma unidade de medicina familiar no México, evidenciou que a prevalência geral de neuropatia neste grupo de pacientes foi de 69%(22). No entanto, este estudo constatou percentual menor, 12,9% da população estudada referiu já ter apresentado a complicação de neuropatia em decorrência do DM. Este estudo encontrou que 8,6% das pessoas com DM referiram possuir nefropatia. Estudo desenvolvido por Almeida (2013)(12) constatou que 10,3% apresentaram alterações renais.

Outra complicação crônica investigada foi a presença de pé diabético na população estudada (9,4%). Um estudo que buscou descrever a prevalência de fatores de risco e complicações do DM Tipo 2 em usuários acompanhados por uma Unidade de Saúde da Família, constatou que 12,9% dos pacientes possuem pé diabético(11). É importante implementar estratégias que visem favorecer o diagnóstico e tratamento em unidades de medicina de família, tais como o treinamento dos pacientes no autocuidados com os pés e formação médica familiar na avaliação do pé. Sem dúvida, o atendimento oportuno irá impedir ou retardar as complicações inerentes à condição, reduzir os elevados custos e melhorar a qualidade vida dos pacientes(22).

Ao considerar a evolução em longo prazo, o DM pode causar diversas consequências, que incluem disfunção e falência de vários órgãos, especialmente rins, olhos, nervos, coração e vasos sanguíneos, além de ser um dos principais fatores de risco populacional para as doenças cardiovasculares(11,18). Detectou-se que a maioria dos participantes possui antecedentes familiares com doenças cardiovasculares e 33,7% dos participantes autorreferiram possuir alguma enfermidade do coração associada ao DM. Estudo que avaliou a adesão à dieta e ao exercício das pessoas com DM encontrou que 52,5% dos participantes possuíam algum tipo de doenças cardiovasculares(13). Existe uma relação direta entre os níveis sanguíneos de glicose e a doença cardiovascular(23).

Os dados relativos ao tipo de tratamento evidenciaram que 78,9% fazem dieta e utilizam antidiabéticos orais. A maioria faz uso de tratamento medicamentoso (95,7%). Estudo realizado por Rodrigues et al. (2011)(11) também contatou que a maioria dos sujeitos realizava tratamento medicamentoso (95,7%) e 74,3% realizavam algum tipo de dieta. Outro estudo evidenciou que todas as pessoas com DM faziam o tratamento medicamentoso(12). Pesquisa desenvolvida em Minas Gerais também evidenciou que o tratamento do DM é basicamente medicamentoso (96,6%)(15).

Ao avaliar a média geral de QV das pessoas com DM atendidas nas ESF, incluindo todos os domínios, constatou-se que a mesma é boa. Em relação aos domínios avaliados no Whoqol-bref, as pessoas com DM apresentaram melhor média de QV no domínio “meio ambiente” e menor média no domínio “físico”. Ao discutir sobre a menor média encontrada, no domínio “físico”, este apresentou uma QV nem ruim, nem boa. Farias et al. (2014)(24) também encontraram uma QV nem ruim nem boa no domínio “físico”. O organismo de uma pessoa com DM sofre distúrbios inerentes às dificuldades do fluxo sanguíneo, principalmente nas extremidades, onde é comum ocorrerem lesões ulcerosas e amputações, além da sensação de fadiga e síndromes depressivas. Diante disso, percebe-se que esse domínio é o mais comprometido nas pessoas acometidas pela doença, interferindo na QV.

Constatou-se que as pessoas com DM atendidas nas ESF estão satisfeitas com seu ambiente, com média de 70,8 (DP=14,7). Em Alagoas, Farias et al. (2014)(24) encontraram média de 54,27. (SD=13,67) no domínio “meio ambiente”. Em Pelotas/RS, Azevedo et al. (2013)(25) encontraram média de 59,0 (DP = 14,2) no domínio “meio ambiente”. A média de QV no domínio “meio ambiente” é maior do que a média encontrada na literatura, evidenciando que as pessoas desse estudo estão satisfeitas com as dimensões avaliadas nesse domínio.

Em relação ao domínio “psicológico”, os participantes deste estudo apresentaram uma QV boa, com média de 70,1 (DP=18,2). Estudo desenvolvido por Farias et al. (2014)(24) evidenciou média de 61,43 (SD=16.71) das pessoas com DM, no domínio “psicológico”. Vale referir que o DM pode causar modificações severas no comportamento da população, devido ao alto grau de autocuidado que é exigido. Essas situações podem acarretar sofrimentos nos indivíduos, principalmente quando seu nível de compreensão diminui, como no caso dos idosos, que possuem, em alguns casos, doenças mentais degenerativas associadas(26).

No domínio “relações sociais”, evidenciou-se uma QV boa, com média de 69,4 (DP=20,2). Achados semelhantes a esses foram evidenciados em pesquisa realizada em Alagoas, que teve média de 68,2 (SD=17.47)(24). Nesse sentido, também se destaca outra pesquisa desenvolvida em Pelotas/RS, que teve média de 71,3 (DP=17,7)(25). Os achados deste estudo convergem com os resultados dos estudos anteriores, sinalizando que as pessoas com DM apresentam uma QV boa no aspecto social. Destaca-se que a maioria dos participantes deste estudo (70%) apresentou QV boa ou muito boa.

Quando a avaliação do domínio “relações sociais” é boa, é possível afirmar que as pessoas possuem boas relações pessoais e percebem que são amparadas socialmente. Isso demonstra que, apesar dos desafios relativos ao enfrentamento da doença, é possível que as pessoas tenham uma boa QV no domínio das relações sociais. O amparo social dignifica o ser humano, inserindo-o num contexto em que possui uma função e um sentido para existir, sendo que a comunidade torna-se apoiadora de boas práticas(27).

Em relação ao sexo das pessoas com diabetes e a média de sua QV, não houve diferença significativa entre a média das mulheres e dos homens. Esse resultado difere dos achados do estudo realizado em Pelotas/RS por Azevedo et al. (2013)(25) o qual avaliou a QV de usuários com DM e constatou diferença significativa de QV entre mulheres e homens, sendo inferior em mulheres.

Ao correlacionar a média de QV das pessoas com diabetes e a idade, conforme correlação de Pearson , houve correlação fraca, negativa e significativa, mostrando que, conforme a idade das pessoas aumenta, diminui a QV de forma significativa (fraca). Um estudo que avaliou a QV em usuários com doenças crônicas que buscam atendimento nas UBS da Universidade Católica de Pelotas/RS evidenciou que a QV foi menor em pessoas mais velhas(25), o que foi ao encontro dos achados deste estudo.

Quanto à média de QV das pessoas com diabetes e o tempo que elas possuem a doença, houve correlação fraca, negativa e significativa. Evidenciou-se que, à medida que aumenta o tempo das pessoas com a doença, diminui sua QV.

A DM é uma doença considerada crônica, portanto, seus sinais e sintomas acompanham o indivíduo em todos os ciclos vitais. No entanto, os sentimentos variam conforme a aceitação de cada pessoa e a adaptação ao tratamento proposto. O aumento da idade traz consigo características peculiares à etapa vital, como a demência e as debilidades físicas que influenciam a autonomia do próprio indivíduo, sendo necessário o apoio de um cuidador(18). A QV depende muito das percepções de cada indivíduo, sendo que a extenuante rotina de cuidados com a saúde, em alguns casos, pode causar sofrimento, principalmente transtornos psiquiátricos, como a ansiedade(9).

Outra associação encontrada foi que a média de QV das pessoas com diabetes que possuem complicações e as que não têm complicações difere significativamente. Evidenciou-se que quem apresentou complicações tem uma média de QV menor do que as pessoas que não apresentam complicações. A DM é considerada um problema de saúde pública devido a diversos fatores, entre eles, o significativo comprometimento da QV em virtude das complicações(28).

Ao refletir sobre as complicações, recomenda-se que um profissional da equipe multiprofissional da ESF possa assumir o papel de articulador do processo educativo dentro da equipe, e que esse processo vise encorajar os usuários a realizarem o autocuidado e a tomarem decisões necessárias acerca do tratamento da doença. A educação em saúde voltada às pessoas com DM é relevante para controlar a doença, prevenir complicações agudas e crônicas, reduzir o número de internações e melhorar da QV(6).

A DM, quando bem controlada, não impede que o sujeito viva um dia a dia normal(12). Portanto, a melhora da QV está relacionada com uma maior satisfação da pessoa que possui a doença, a qual envolve o tratamento aderido, bem como o comprometimento da pessoa em seu autocuidado. A QV de quem possui DM está relacionada ao fato de que estes indivíduos precisam conhecer e perceber suas necessidades em relação ao controle da doença, desenvolvendo atitudes e convicções sobre manejo apropriado e autocuidado(28).

Limitações do estudo

A limitação do presente estudo pauta-se no fato do cenário de coleta de dados ter sido delimitado em um município do estado do RS.

Contribuições para a área da Enfermagem, Saúde ou Política Pública

É importante considerar as características sociodemográficas e de avaliação clínica desta população que visam melhorar o processo de cuidado prestado às pessoas com DM. Estes dados são subsídios científicos relevantes para refletir e, se necessário, repensar as estratégias de intervenção em saúde, bem como delinear políticas públicas que atendam as condições locais e regionais de saúde, tanto em âmbito individual, quanto coletivo.

Destaca-se que conhecer a média de QV das pessoas com DM atendidas nas ESF e as dimensões que apresentam melhores médias e a mais comprometida possibilita o planejamento de ações de promoção da saúde e a prevenção de complicações dos indivíduos com DM atendidos na Atenção Básica. Os profissionais da saúde, dentre eles, os da Enfermagem, precisam ficar atentos às facetas avaliadas nos domínios “físico”, “relações sociais”, “psicológico” e “meio ambiente”, pois são fatores que podem interferir na QV e na qualidade do tratamento. Sugere-se que essas variáveis sejam trabalhadas no decorrer do tratamento, visando contribuir para a eficiência das intervenções e para a promoção de saúde das pessoas com DM atendidas nas ESF.

CONCLUSÃO

A análise do perfil epidemiológico das pessoas com DM atendidas nas ESF de um município do Estado do Rio Grande do Sul constatou que a maioria são mulheres, idosos, casados, brancos, na faixa etária entre 60 e 69 anos de idade, possuem baixo nível de escolaridade e são aposentados ou pensionistas. Evidenciou-se que a média geral de QV das pessoas com DM atendidas nas ESF é boa. Quanto às complicações, quem refere apresentá-las possui uma QV menor do que as pessoas que não possuem complicações, com diferença estatística significativa. Conforme a idade das pessoas aumenta, sua QV diminui de forma significativa. As prevalências encontradas neste estudo, sobretudo, as relacionadas aos fatores de risco, comorbidades e complicações, sinalizam necessidade de intervenções preventivas impulsionadoras de mudanças de hábitos e estilo de vida de cada indivíduo.

FOMENTO

Agradecemos à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS), pela concessão de bolsa de doutorado para a primeira autora do presente estudo.

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Recebido: 30 de Janeiro de 2018; Aceito: 24 de Março de 2018

AUTOR CORRESPONDENTE: Claudete Moreschi. E-mail: clau_moreschi@yahoo.com.br

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