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Revista Brasileira de Enfermagem

versão impressa ISSN 0034-7167versão On-line ISSN 1984-0446

Rev. Bras. Enferm. vol.71  supl.2 Brasília  2018

http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167-2017-0497 

PESQUISA

Validação da Falls Efficacy Scale International numa amostra de idosos portugueses

Cristina Maria Alves Marques-VieiraI 

Luís Manuel Mota de SousaII 

Lisete Maria Ribeiro de SousaIII 

Sílvia Maria Alves Caldeira BerenguerI 

IUniversidade Católica Portuguesa, Instituto de Ciências da Saúde. Lisboa, Portugal.

IIUniversidade Atlântica. Lisboa, Portugal.

IIIUniversidade de Lisboa, Faculdade de Ciências. Lisboa, Portugal.

RESUMO

Objetivo:

traduzir e adaptar Falls Efficacy Scale Internacional (FES-I). Analisar as propriedades psicométricas da versão FES-I Portugal.

Método:

estudo psicométrico. Amostra constituída por 170 idosos a residir na Região Autónoma da Madeira. Utilizou-se um formulário com duas partes (caracterização sociodemográfica e FES-I Portugal). Fez-se a adaptação transcultural e avaliaram-se as propriedades psicométricas: validade (constructo, preditiva e discriminante), confiabilidade (α de Cronbach) e fiabilidade interobservador.

Resultados:

os resultados permitiram verificar uma dimensão de atividades físicas menos exigentes e outra de atividades físicas mais exigentes. O estudo de fiabilidade interobservadores foi de 0,62, com um coeficiente de correlação interclasse de 0,859, para um intervalo de confiança de 95%. A consistência interna da versão portuguesa foi de 0,962.

Conclusão:

a validade e a confiabilidade da FES-I Portugal são consistentes com a versão original e revelam ser instrumentos adequados à avaliação dos diagnósticos de enfermagem “andar comprometido” e “risco de quedas” em idosos.

Descritores: Medo; Acidentes por Quedas; Fatores de Risco; Idosos; Estudos de Validação

INTRODUÇÃO

O aumento de longevidade das pessoas verificado nas últimas décadas lança novos desafios às políticas de saúde, acrescidos da condição de vulnerabilidade dos idosos(1). Verifica-se uma reflexão em torno das incapacidades associadas ao idoso, das quais se destacam a queda(2) e as possíveis repercussões(3). Define-se queda como um evento não intencional, que leva a uma alteração da posição inicial do indivíduo para um nível mais baixo(4). A possibilidade de a força muscular e a flexibilidade diminuírem, associada a alterações posturais, pode conduzir ao medo de cair, mesmo no idoso que nunca tenha tido uma queda(3). O medo de cair está associado à fragilidade física, ao declínio nas atividades de vida diária e à história de queda anterior. Independentemente de haver ou não história de queda do idoso, o medo de cair é preditor da institucionalização(3,5). Além do aumento de prevalência da queda, o medo de cair também está relacionado com o declínio físico e cognitivo(3,6).

A prática clínica deve recorrer a instrumentos de avaliação adaptados e validados culturalmente, o que permite garantir a fiabilidade e validade dos resultados(7-9). A escala mais utilizada em Portugal para avaliar o risco de quedas, vocacionada para o contexto hospitalar, é a escala de Morse(10). Contudo, não existe um instrumento que avalie o medo de cair no idoso residente na comunidade. Para medir o medo de queda, Tinetti criou uma escala com dez itens intitulada Falls Efficacy Scale (FES)(11). Em 2005, foi divulgada a FES Internacional (FES-I), com dezasseis itens, no sentido de representar uma relação direta entre o medo de cair e sua autoeficácia. A evolução para a FES-I também foi referente à própria avaliação, cujo termo evoluiu de “confiante”(3,5) para “preocupado”(3,12).

OBJETIVO

Este estudo teve como objetivos traduzir e adaptar a versão FES-I ao contexto português e analisar as propriedades psicométricas da versão FES-I Portugal numa amostra de idosos a residir na comunidade.

MÉTODO

Aspetos éticos

Solicitou-se autorização para realizar o estudo à Comissão de Ética do Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira (RAM), Entidade Pública Empresarial (SESARAM, EPE), que se obteve em dezembro de 2014. Pediu-se também autorização à autora da FES-I (Lucy Yardley), via correio eletrónico, que concedeu a 14 de maio de 2015. No decorrer do estudo ainda se questionou a autora acerca do nome a atribuir à escala traduzida, e autora concordou com FES-I Portugal.

A cada colaborador (Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação [EEER]) e a cada participante (pessoa idosa) solicitou-se que, após devidamente informado, assinasse o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, garantindo-se o sigilo dos dados e o direito à desistência sem prejuízo para o participante. Aplicou-se o instrumento de avaliação de forma independente.

Os questionários foram devolvidos em envelope opaco (anteriormente fornecidos com resposta sem franquia) por correio. Os dados foram inseridos por duas pessoas (uma a digitar e outra a validar).

Desenho, local e período do estudo

Estudo psicométrico(13), realizado nos centros de saúde integrados no SESARAM, EPE. O período de recolha de dados foi de 18 de maio a 14 de junho de 2015.

População ou amostra (critérios de inclusão e exclusão)

A amostra foi constituída por pessoas idosas, com mais de 65 anos, residentes na RAM. Selecionou-se a amostra através de um processo não probabilístico, de conveniência. Como critérios de inclusão considerou-se: pessoas com idade igual ou superior a 65 anos que recorressem aos centros de saúde do SESARAM, EPE, entre 18 de maio a 14 de junho de 2015 e que necessitassem de cuidados de enfermagem, quer no próprio centro de saúde, quer no seu domicílio. Foram critérios de exclusão: idosos que residissem no município de Porto Santo, por dificuldade de acesso aos participantes e idosos que residissem em Porto Moniz, por não haver EEER a trabalhar nesse município. Correspondeu assim a dez centros de saúde concelhios, o que representa um total de quarenta centros de saúde.

A opção por EEER foi por serem os enfermeiros que academicamente teriam mais competências para o fazer. Três meses antes fez-se uma visita a cada um dos locais que participaria no estudo, onde se reuniram alguns dos envolvidos e onde foi deixada documentação. Os contactos foram mantidos durante todo esse período no sentido de facultar informação adicional necessária, bem como para responder a eventuais dúvidas que fossem surgindo.

Os critérios de inclusão dos colaboradores foi que tivessem a especialidade em EEER e que prestassem cuidados diretos às pessoas idosas.

A amostra constituiu-se por 170 idosos que cumpriam os critérios de elegibilidade, o que vai ao encontro do recomendado para validar um instrumento – concretamente, um mínimo de dez pessoas por item a validar(9), sendo que a FES-I tem dezasseis itens(12).

Protocolo do estudo

Para a coleta de dados na janela temporal prevista, utilizou-se um formulário constituído por duas partes: caracterização sociodemográfica (dentre as variáveis possíveis selecionaram-se “idade”, “sexo”, “com quem mora?”, “onde passa o dia?”, “ocupação de tempos livres?”, “antecedentes pessoais”, “medicação”, “o andar é importante na sua vida?” e “já teve alguma queda?”); e a FES-I Portugal(14).

Ao integrar a FES-I Portugal no instrumento de coleta de dados do estudo, salvaguardou-se a possibilidade de a pessoa idosa não conseguir fazer determinada atividade, por exemplo, alguém que lhe fosse às compras ou alguém que cozinhasse. Nesses casos solicitou-se ao participante que respondesse imaginando que teria a possibilidade de realizar a atividade. Pedia-se para se posicionar em relação à sua preocupação no que diz respeito à possibilidade de cair, numa escala ente 1 a 4 (1= nem um pouco preocupado; 2= um pouco preocupado; 3= muito preocupado e; 4= extremamente preocupado). A pontuação somada varia entre 16 (não se preocupa) e 64 (muito preocupado)(3).

Análise dos resultados e estatística

Os dados foram tratados com recurso ao SPSS, versão 20.0.

No estudo da adaptação cultural foram seguidas as recomendações da FES-I original(12), bem como sugestões e procedimentos de outros autores para validação da escala noutros países(3,8-9).

Na avaliação das propriedades psicométricas, o estudo da fidedignidade foi efetuado através do α de Cronbach, e para avaliar a estabilidade utilizou-se a fiabilidade interobservador que foi calculada através do coeficiente de concordância Kappa de Cohen. Adotou-se o valor mínimo de 0,70, considerado como consistência interna razoável(9).

Para a validade de conteúdo optou-se por seguir as recomendações para a tradução e adaptação transcultural de instrumentos(8-9,15-16). Começou-se por eleger dois tradutores que reunissem as seguintes condições: ter nacionalidade para a qual seria feita a tradução e ter domínio semântico, concetual e cultural do idioma original, assim como conhecer os objetivos do estudo(16). Entre a tradução, com inclusão da adaptação cultural, e a retrotradução, foi realizada a síntese das traduções e revista por outra pessoa, versão esta que não perdeu o sentido do instrumento original, defendido pelos autores(16). A etapa de revisão pela comissão de juízes/peritos, num total de três, foi efetuada por especialistas bilíngues que tivessem conhecimento sobre o fenómeno em estudo e sobre os indicadores do instrumento(8).

No estudo da validade de constructo avaliou-se a estrutura interna da FES-I Portugal através da análise fatorial exploratória (AFE), o que permitiu não só determinar a validade do constructo, mas também interpretar os fatores. Optou-se pela análise fatorial exploratória, uma vez que a população do estudo apresenta particularidades distintas da população em que o instrumento foi originalmente validado(12). Na AFE utilizou-se o método do fator principal para a estimação dos loadings, com rotação ortogonal dos fatores de acordo com o método varimax. A adequação foi avaliada pelo Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) e pelo teste de esfericidade de Bartlett.

A associação entre os dois domínios (fatores) que compõem a FES-I Portugal foi avaliada com base no coeficiente de correlação, que neste estudo foi de Spearman, por referir-se a dados qualitativos ordinais.

Recorreu-se à sensibilidade e especificidade para verificar se a FES-I Portugal seria capaz de discriminar corretamente as pessoas idosas com história de queda (independentemente do número de quedas). Para identificar esse critério ideal e a efetividade geral do sistema de classificação, utilizou-se a curva Receiver Operating Characteristic (ROC)(17). O melhor ponto de corte foi encontrado recorrendo à curva de ROC, e a definição da validade preditiva da escala baseou-se no cálculo da sensibilidade e especificidade, do valor preditivo positivo e negativo, da Area Under the Curve (AUC) ROC e, ainda, através do índice Youden (J), que foi a opção escolhida na validação da escala de Morse em Portugal(10).

O índice J pode variar entre 0 e 1, o que significa que valores próximos de 1 serão a acurácia perfeita. O ponto de corte foi determinado a partir do melhor índice obtido(18).

Realizou-se a validade discriminante por sexos, idade, história de queda, por forma a ir ao encontro do que foi realizado por outros autores(19). Também foram considerados o consumo diário de medicação, o equilíbrio comprometido, a visão comprometida, a audição comprometida e a diminuição do estado de saúde, a fim de acompanhar o que a literatura evidencia como associado ao medo de queda(3). Adotou-se o nível de significância de 0,05.

RESULTADOS

Na primeira parte do estudo foi feita a tradução e adaptação linguística e cultural, e obteve-se uma versão portuguesa da FES-I, com dezasseis itens: (1) limpar a casa (ex.: passar pano, aspirar ou limpar o pó); (2) vestir ou despir a roupa; (3) preparar refeições simples; (4) tomar banho ou ducha; (5) ir às compras; (6) sentar ou levantar de uma cadeira; (7) subir ou descer escadas; (8) caminhar pela vizinhança; (9) apanhar algo acima do nível da cabeça ou do chão; (10) atender o telefone; (11) andar sobre superfície escorregadia (ex.: chão molhado); (12) visitar um amigo ou parente; (13) andar em lugares com multidões; (14) caminhar sobre superfície irregular (com pedras ou buracos); (15) subir ou descer uma ladeira; e (16) frequentar um evento social (ex.: ato religioso, reunião de família ou encontro no clube).

O estudo de fiabilidade interobservadores nessa amostra foi de 0,62, entre EEER e enfermeiro generalista (EG), e o coeficiente de correlação interclasse para a pontuação total é de 0,859, com um intervalo de confiança de 95% (0,810; 0,896).

Referente à caracterização da amostra de idosos, destaca-se que a média de idades é de 71,1 anos, o sexo feminino tem a maior representação (81,2%) e 75,3% com história de queda anterior, dos quais 40,4 % com uma queda no último ano e 28,1% com quedas recorrentes em igual período.

Relativamente ao estudo da validade de constructo obteve-se 0,95, pelo que não houve necessidade de retirar itens após a validação. Quer o scree plot obtido pelo EEER, quer a percentagem da variância total explicada pelos fatores (~66%), corroboram a atribuição de dois fatores para essa escala. As cargas fatoriais correspondem às correlações entre cada um dos dezasseis itens e cada fator, sendo geralmente designadas por loadings dos fatores. Cada questão apresentou uma carga fatorial, que pode ser visualizada na Tabela 1.

Tabela 1 Análise fatorial referente à Falls Efficacy Scale Internacional Portugal com dois fatores, Lisboa, Portugal, 2017 

Questões da FES-I Portugal Fator 1 Fator 2
Fator 1
1: Limpar a casa (ex.: passar pano, aspirar ou limpar o pó) 0,552 0,464
2: Vestir ou despir a roupa 0,786 0,236
3: Preparar refeições simples 0,760 0,269
4: Tomar banho ou duche 0,641 0,429
5: Ir às compras 0,698 0,387
6: Sentar ou levantar de uma cadeira 0,717 0,389
8: Caminhar pela vizinhança 0,598 0,568
10: Atender o telefone 0,690 0,234
12: Visitar um amigo ou parente 0,670 0,428
16: Frequentar um evento social (ex.: ato religioso, reunião de família ou encontro no clube) 0,617 0,576
Fator 2
7: Subir ou descer escadas 0,468 0,680
9: Apanhar algo acima do nível da cabeça ou do chão 0,489 0,549
11: Andar sobre superfície escorregadia (ex.: chão molhado) 0,251 0,792
13: Andar em lugares com multidões 0,469 0,680
14: Caminhar sobre superfície irregular (com pedras ou buracos) 0,315 0,844
15: Subir ou descer uma ladeira 0,294 0,806

Nota: FES -Falls Efficacy Scale; Fator 1 - Atividades físicas menos exigentes; Fator 2 - Atividades físicas mais exigentes. Destacou-se a cor cinza, as cargas fatoriais correspondentes ao fator que melhor representa cada item, ou seja, a carga fatorial com valor mais elevado para cada item.

Neste estudo consideraram-se significativas as cargas fatoriais acima de 0,5. Dessa forma é possível associar as questões 1, 2, 3, 4, 5, 6, 10, 12 e 16 ao domínio “preocupações do idoso relativamente a atividades menos exigentes, a nível social e físico” (Fator 1), e as questões 7, 9, 11, 13, 14 e 15 ao domínio “preocupações do idoso relativamente a atividades mais exigentes” (Fator 2)(14).

A percentagem de variância explicada pelo Fator 1 foi de 34,4%, e pelo “Fator 2”, 30,8%, o que equivale a um total de 65,2%. Com esse método, não houve necessidade de optar pelo loading mais baixo. A correlação observada foi de 0,839.

A autora da FES-I original verificou que havia uma solução unifatorial de modo a permitir a utilização de uma única medida obtida através da agregação de todos os itens(12). A Tabela 2 apresenta os resultados para a FES-I Portugal.

Tabela 2 Análise fatorial referente à Falls Efficacy Scale Internacional Portugal com um fator, Lisboa, Portugal, 2017 

Questões da FES-I Portugal Fator 1*
Fator 1
1: Limpar a casa (ex.: passar pano, aspirar ou limpar o pó) 0,723
2: Vestir ou despir a roupa 0,727
3: Preparar refeições simples 0,732
4: Tomar banho ou duche 0,762
5: Ir às compras 0,774
6: Sentar ou levantar de uma cadeira 0,789
7: Subir ou descer escadas 0,806
8: Caminhar pela vizinhança 0,827
9: Apanhar algo acima do nível da cabeça ou do chão 0,735
10: Atender o telefone 0,660
11: Andar sobre superfície escorregadia (ex.: chão molhado) 0,712
12: Visitar um amigo ou parente 0,783
13: Andar em lugares com multidões 0,807
14: Caminhar sobre superfície irregular (com pedras ou buracos) 0,793
15: Subir ou descer uma ladeira 0,754
16: Frequentar um evento social (ex.: ato religioso, reunião de família ou encontro no clube) 0,847

Nota: FES - Falls Efficacy Scale;

*A marcação foi feita tendo em conta fatoriais acima de 0,5.

Todos os itens adequam-se a um sistema com uma dimensão. A percentagem da variância total explicada por um fator único é de 58,6%.

As correlações entre os dezasseis itens também foram calculadas, cuja média foi de 0,5842 (mínimo de 0,3644 e máximo de 0,8114).

Referente à validade preditiva da FES-I Portugal obteve-se os resultados apresentados na Tabela 3.

Tabela 3 Sensibilidade e especificidade da Falls Efficacy Scale Internacional Portugal, Lisboa, Portugal, 2017 

FES-I Portugal (variáveis a serem comparadas) AUC Sensibilidade % Especificidade % Ponto de Corte J Valor de p
EG/Queda 0,694 65,32 70,21 32 0,3554 0,0001
EEER/Queda 0,692 71,32 58,54 29 0,2985 0,0001
Andar Comprometido/EG 0,864 77,67 83,82 33 0,6149 0,0001
Andar Comprometido/EEER 0,867 71,70 90,77 35 0,6247 0,0001
Andar Comprometido/Idoso pelo EG 0,854 75,00 84,13 33 0,5913 0,0001
Andar Comprometido/Idoso pelo EEER 0,866 70,64 91,94 35 0,6258 0,0001
Risco de Quedas/EG 0,909 73,55 95,92 32 0,6947 0,0001
Risco de Quedas/EEER 0,924 77,19 94,64 32 0,7184 0,0001
Risco de Quedas/Idoso pelo EG 0,864 74,14 83,33 32 0,5747 0,0001
Risco de Quedas/Idoso pelo EEER 0,925 77,88 94,64 32 0,7252 0,0001

Nota: FES - Falls Efficacy Scale; Area Under the Curve (AUC); Índice de Yoden (J); EEER - Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação; EG - enfermeiro generalista; Valor p permite avaliar a significância estatística do índice J.

Assim para o EEER o ponto de corte da FES-I Portugal foi de 32 (sensibilidade 73,55% e especificidade de 95,92%). Na perspetiva do idoso (via EEER) o ponto de corte da FES-I Portugal foi de 35 (sensibilidade 70,64% e especificidade de 91,94%). O ponto de corte para a FES-I Portugal na perspetiva do EG para predizer a ocorrência de queda é de 32 (sensibilidade 65,32% e especificidade de 70,21%).

O índice J da FES-I Portugal variou entre 0,3554 e 0,7184.

Por fim, no que se refere à validade discriminante, trabalharam-se as variáveis sexo, idade, história de quedas, equilíbrio comprometido, consumo diário de medicação, visão comprometida e diminuição do estado de saúde (Tabela 4).

Tabela 4 Validade discriminante da Falls Efficacy Scale Internacional Portugal, Lisboa, Portugal, 2017 

Variáveis Pontuação da FES-I Significância
Média Desvio-Padrão
Sexo Feminino (n=138) 36,27 13,862 0,670
Masculino (n=32) 35,09 14,627
Idade ≤ 75 anos (n=117) 34,32 13,261 0,016
> 75 anos (n=53) 39,85 14,860
História de queda Sim (n=128) 38,29 13,897 0,000
Não (n=42) 29,21 11,958
Equilíbrio comprometido Sim (n=91) 43,96 12,254 0,000
Não (n=69) 26,83 9,381
Consumo diário de medicação Sim (n=139) 37,38 14,005 0,021
Não (n=20) 29,75 11,182
Visão comprometida Sim (n=93) 40,13 13,529 0,000
Não (n=67) 31,63 13,119
Audição comprometida Sim (n=51) 39,49 13,143 0,070
Não (n=109) 35,20 14,187
Diminuição do estado de saúde Sim (n=82) 42,73 13,094 0,000
Não (n=79) 30,09 11,808

Nota - FES - Falls Efficacy Scale

A FES-I consegue discriminar por idade, história de queda, equilíbrio comprometido, consumo diário de medicação, visão comprometida e diminuição do estado de saúde. O medo de cair é aumentado nas pessoas com idade superior a 75 anos, com história de queda, que consomem medicação diariamente, com o equilíbrio comprometido, visão comprometida e com perceção de diminuição do estado de saúde.

DISCUSSÃO

A necessidade dessa validação se deveu às críticas de que a escala de Tinetti estava mais relacionada com a pessoa idosa vulnerável e que não avaliava o medo de cair quando da realização e atividades inerentes à vida social(3). As vantagens dessa escala são múltiplas, mas as mais destacadas são o facto de incluir uma vasta gama de atividades e usar frases curtas e indicativas do contexto(19), o que acaba por determinar uma melhor aceitação da sua utilização na prática clínica.

Obteve-se como resultado da tradução uma versão muito semelhante à do Brasil(17).

A fiabilidade interobservadores nessa amostra foi de 0,62, ou seja, é considerável(20). Esse instrumento é fiável quando utilizado em idosos, e seu preenchimento pode ser realizado por enfermeiros de cuidados gerais e especialistas. Ter-se obtido o valor de 0,95 de KMO como validade de constructo, valor esse considerado muito bom, indica que é possível prosseguir com a análise fatorial(21). Quanto à percentagem de variância explicada pelo “fator 1” (34,4%) e pelo “fator 2” (30,8%), corresponde, tal como descrito nos resultados, a um total para de 65,2%, ou seja, está-se perante medidas válidas. Esse resultado vai ao encontro da referência de que essa escala tem excelentes propriedades psicométricas(19). A correlação observada foi de 0,839, o que reflete uma associação elevada entre os dois domínios.

Yardley e seus colaboradores(12) realizaram AF da qual surgiu um fator subjacente unitário, com duas dimensões que avaliam a preocupação com atividades físicas menos exigentes, principalmente em casa, bem como a preocupação sobre atividades físicas mais exigentes, sobretudo fora de casa.

Referente a uma dimensão, verificou-se que todos os itens se adequam a um sistema unidimensional. A percentagem da variância total explicada por um fator único é de 58,6%. Esse valor é mais baixo do que quando se consideraram dois fatores, o que significa que “os dois fatores conseguem refletir melhor as características dos dados que eram expressas pela diferenciação das questões”(14). Essa escala é válida quando considerada que é bidimensional ou unidimensional. Podem-se utilizar as duas medidas válidas obtidas com essa escala: preocupação com atividades físicas menos exigentes e preocupação na realização de atividades mais exigentes. Contudo, também é pertinente utilizar apenas uma dimensão, como medo de cair, à semelhança do estudo original. Quanto a esses resultados destaca-se que, para pontuação superior a 24, deve-se informar as pessoas idosas sobre fatores de risco de quedas e introduzir estratégias para reduzi-los, mas a restrição de atividades físicas e sociais, devido ao medo de cair, deve ser evitada(3). A FES-I é divergente para avaliar pessoas idosas com níveis mais baixos de preocupação sobre queda (esse efeito provavelmente resulta em baixa sensibilidade e alterações nas intervenções)(19).

No que respeita à validade preditiva no estudo desenvolvido por Leung(7), a FES-I apresenta validade de critério adequada (acurácia entre 0,70 e 0,90); já no estudo de Delbaere et al.(19), versão da Austrália, os pesquisadores encontraram os seguintes valores de referência em relação aos pontos de corte: baixa preocupação (16 a 19), moderada preocupação (20 a 27) e alta preocupação (28 a 64). Na FES-I do Brasil o ponto de corte para diferenciar pessoas idosas que caíram das que não caíram foi o ponto 23 (47% de sensibilidade e 66% de especificidade), e à pontuação 31 associou-se a queda recorrente (100% de sensibilidade e 87% de especificidade)(17). Na FES-I Turquia o ponto de corte para diferenciar pessoas com medo de cair e pessoas sem medo de cair foi o ponto 24 (AUC 0,70, sensibilidade 70% e especificidade 65%)(22).

O ponto de corte da FES-I Portugal foi de 32 tanto para o EEER, como para o generalista; já na perspetiva do idoso, via enfermeiro especialista, o ponto de corte para predizer a ocorrência de queda foi de 35. Angst e seus colaboradores(23), para nos apoiar na interpretação dos dados, definiram que uma AUC de 0,50 significa incapacidade de o modelo diferenciar, ou seja, não há melhor do que o acaso, enquanto uma AUC de 0,70 geralmente é classificada como moderada, e uma AUC de 0,80, como elevada, indicando que os instrumentos conseguem classificar bem e têm um bom desempenho.

Fez-se discriminar por idade, história de queda, equilíbrio comprometido, consumo diário de medicação, visão comprometida e diminuição do estado de saúde. Obtiveram-se semelhanças com outros estudos, nos quais se encontraram pontuações mais elevadas na FES-I em participantes com história de queda(19,24-25). Não se obteve confirmação relativamente ao género como em outros estudos(19,22,24-25). Neste estudo verificou-se que a FES-I apresenta validade discriminativa para idade, história de queda, equilíbrio comprometido, consumo diário de medicação, visão comprometida e diminuição do estado de saúde. Os valores mais elevados na pontuação dessa escala se relacionam a pessoas mais idosas com história de quedas, equilíbrio comprometido, que consomem diariamente medicação, que têm a visão comprometida e que apresentam diminuição do estado de saúde.

O medo de cair leva à diminuição, ou até mesmo à perda de confiança na realização das atividades diárias e à restrição nas atividades sociais, bem como ao aumento da dependência, que poderá ter como consequência o descondicionamento(5,26). O medo de cair aumenta com a idade, varia com o género, está associado ao risco de quedas e a lesões decorrentes da queda, como a diminuição da velocidade da marcha, o equilíbrio e a alteração física(27). Porém, a redução da massa muscular, da força, da potência e do desempenho físico contribuem de forma independente para o medo de cair, enquanto a diminuição de massa muscular e desempenho físico contribuem para a deterioração da qualidade de vida nos idosos. Devem ser desenvolvidas intervenções para melhorar a saúde muscular(28). Recuperar a capacidade de andar, particularmente na pessoa idosa, pode ser determinante na aquisição da independência para as atividades de vida(14). A diminuição da capacidade de andar poderá originar o aumento do risco de quedas(3).

Limitações do estudo

Considera-se que não houve limitações no que respeita à tradução e adaptação transcultural do instrumento, uma vez que quando feita a síntese das traduções/adaptações houve logo concordância. Quanto ao pré-teste, não houve oportunidade de ser realizado, mas foi possível consultar algumas chefias dos centros de saúde onde seria aplicado.

Sobre a amostra, embora tivesse o número adequado, um aspeto merece ser destacado: o facto de ter-se um total de 138 participantes do sexo feminino, para apenas 32 do sexo masculino.

Quanto à psicometria, ressalta-se que uma amostra com 170 indivíduos não permitiu testes ainda mais robustos.

Contribuições para a área da enfermagem, saúde ou política pública

Pretende-se com este estudo disponibilizar um instrumento validado que possa apoiar enfermeiros na decisão clínica referente a esse fenómeno, em particular no cuidado às pessoas idosas. O facto de ter-se a FES-I Portugal, que demonstrou ser um instrumento claro e compreensível, que avalia o medo de cair, validada para a população idosa portuguesa, residente em contexto comunitário, permite contribuir para o raciocínio clínico, bem como obter diagnósticos de enfermagem mais acurados. Avaliar objetivamente o medo de cair permite, consequentemente, avaliar uma das dimensões do risco de quedas.

Essa validação possibilita ainda individualizar as intervenções do enfermeiro perante o medo de cair, diminuir a prevalência de quedas e diminuir as lesões decorrentes/associadas à queda.

A intervenção intencional atempada, por parte dos enfermeiros, de medidas que controlem o medo de cair pode ter impacto positivo na diminuição da restrição da atividade, prevenindo o declínio físico e cognitivo, aumentando a qualidade de vida das pessoas idosas, sobretudo dos que já sofreram queda anterior.

CONCLUSÃO

Este estudo contribuiu para a validação da FES-I Portugal (em português europeu), oferecendo contributos para aumentar a evidência no que respeita a pessoas idosas residentes na comunidade. O “medo de cair” está presente como fator relacionado/risco quer do diagnóstico de enfermagem “andar comprometido”, quer do “risco de quedas”, quer do “risco de síndrome do idoso frágil”.

Das propriedades psicométricas da escala destacamos a fiabilidade interobservadores de 0,62, o coeficiente de correlação interclasse de 0,859, para a pontuação total, com um intervalo de confiança de 95%, e o alfa de Cronbach de 0,962. Os dados coletados permitiram responder ao objetivo do estudo.

Foi validada a FES-I Portugal para a população idosa, validação essa que esperamos relevante, uma vez que permitirá futuramente a sua utilização na prática clínica desde que em população idosa. O instrumento foi adaptado e validado linguistica e culturalmente para garantir a fiabilidade dos resultados obtidos. A FES-I é válida para avaliar o medo de cair em pessoas idosas residentes na comunidade e é uma medida fiável quando utilizada por EG e EEER.

Recomenda-se futuramente a validação da FES-I Portugal noutras populações.

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Recebido: 09 de Julho de 2017; Aceito: 01 de Outubro de 2017

AUTOR CORRESPONDENTE: Cristina Maria Alves Marques Vieira. E-mail: cristina_marques@ics.lisba.ucp.pt

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